| Bellacosa Maifnrame e os patos da Lagoa do Taquaral |
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🦆 Os Patos no Taquaral — Um Dia sem Relógio
Um céu azul, um pouco de pão velho e aqueles raros momentos em que ninguém precisava chegar a lugar algum
Era março de 2016.
Naquele dia, eu, Juliana e o pequeno Formiga aproveitamos um daqueles lindos dias de céu azul e sol em Campinas para simplesmente curtir alguns momentos em família no Parque Portugal, o nosso conhecido Parque do Taquaral.
Não havia uma grande missão.
Não havia horário apertado.
Não havia aquela obrigação moderna de transformar cada minuto em alguma coisa produtiva.
Era apenas um passeio.
E talvez justamente por isso tenha se transformado em memória.
Entre as inúmeras brincadeiras daquele dia, havíamos levado de casa um pouco de pão velho para alimentar os patos. Algo extremamente simples, mas que, para uma criança curiosa, podia transformar a margem da lagoa em uma verdadeira expedição.
Formiga estava encantado.
Observava os patos adultos caminhando tranquilamente pelo parque, outros nadando serenamente pela lagoa e, principalmente, os filhotes que apareciam próximos às moitas.
Olhava, acompanhava, perguntava.
Por que eles faziam aquilo?
Para onde estavam indo?
Onde estavam os pequenos?
Eram machos? Eram fêmeas?
A curiosidade infantil tem uma característica maravilhosa: ela consegue transformar aquilo que um adulto já considera parte da paisagem em alguma coisa extraordinária.
Um pato deixa de ser apenas um pato.
Passa a ser uma descoberta.
E então apareceu outro personagem daquela tarde.
O Vagner criança grande.
Porque se existe uma criança observando patos, naturalmente existe a possibilidade de um adulto perfeitamente responsável começar a andar pelo parque fazendo:
— Quá! Quá! Quá!
Formiga se divertia.
Eu imitava os patos.
E o mais engraçado é que alguns deles pareciam ficar curiosos com aquele estranho espécime humano tentando desesperadamente falar a língua deles.
Talvez estivessem pensando:
— Que pato enorme e mal-ajambrado é esse?
Ou talvez:
— Esse aí definitivamente precisa melhorar o sotaque.
Não importa.
Durante alguns minutos, funcionou.
As aves olhavam curiosas, Formiga ria e eu continuava com meu sofisticadíssimo método científico de comunicação interespecífica:
Quá, quá, quá!
Hoje, revendo esse pequeno registro tantos anos depois, percebo que existe algo muito maior escondido naquela brincadeira aparentemente insignificante.
Era um momento de absoluto relaxamento.
Não estávamos correndo contra o relógio.
Não havia compromisso esperando do outro lado do parque.
Não precisávamos terminar rapidamente aquela atividade para começar a próxima.
Podíamos simplesmente ficar ali.
Olhar os patos.
Jogar pedacinhos de pão.
Observar os filhotes.
Responder perguntas.
Inventar outras respostas.
Rir.
E fazer quá-quá para uma ave que provavelmente não estava entendendo absolutamente nada.
Talvez seja justamente esse o verdadeiro luxo que algumas fotografias e vídeos antigos acabam revelando anos depois.
Ter tempo.
Tempo para uma criança observar um pato durante vários minutos.
Tempo para um pai entrar na brincadeira.
Tempo para uma família caminhar pelo parque sem transformar o passeio numa corrida.
Naquele domingo ensolarado de março de 2016, o Parque Portugal não precisava oferecer nenhuma atração extraordinária.
O extraordinário já estava acontecendo.
Juliana estava ali.
Formiga estava descobrindo o mundo.
Eu estava fazendo palhaçada.
Os patos estavam apenas sendo patos.
E ninguém precisava estar em outro lugar.
Dez anos depois, talvez seja essa a parte mais bonita daquele pequeno vídeo.
A câmera registrou os patos.
Mais um vídeo do maluco que pensa que sabe imitar animais...
O Formiga e o seu amigo estão passeando pelo parque do Taquaral em Campinas e encontram este animado grupo de patos.
O lokinho resolve imitar uns patos e deixa o formiga bravo, querendo ir embora para achar o caminho para a orquestra.
Mas os pato lokinho não desiste e tenta com seu qua qua qua chamar a atenção dos patos. Sera que ele ira conseguir?