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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Alan Turing, John McCarthy e o Delorean da Inteligência Artificial

 

Bellacosa Mainframe em uma homenagem a Alan Turing John McCarthy e os primordios da IA

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Alan Turing, John McCarthy e o Delorean da Inteligência Artificial

Ou: o professor Brown trouxe uma Máquina de Turing de 1936, John McCarthy apareceu com Lisp de 1958, Igor tentou instalar um LLM num cartão perfurado — e o programador COBOL descobriu que a pergunta “máquinas podem pensar?” é bem mais antiga que o ChatGPT, o Wi-Fi e aquele colega que diz que IA vai substituir todo mundo na segunda-feira

DOC BROWN — ALERTA TEMPORAL!
“Vagner, se você colocar 1,21 gigawatts nesta fita perfurada, podemos voltar a 1936!”

IGOR: “Excelente, doutor! E depois a gente pede para a máquina preencher a SYSOUT!”

DOC BROWN: “Não, Igor. Primeiro precisamos definir o que a máquina sabe. Depois vemos se ela sabe que não sabe.”

PROGRAMADOR COBOL: “Professor, isso dá um S0C7?”

DOC BROWN: “Pior. Dá um problema filosófico.”

Há uma confusão muito comum quando se fala de Inteligência Artificial: parece que ela nasceu quando alguém abriu um chat, escreveu “faça um resumo deste PDF” e recebeu uma resposta tão convincente que resolveu perguntar se a máquina tinha alma, CPF ou direito a férias.

Não nasceu.

A conversa atual sobre IA — modelos de linguagem, agentes, automação, chatbots, geração de imagens, assistentes de código e previsões sobre AGI — tem raízes em perguntas feitas décadas antes de alguém sonhar com um smartphone. Duas figuras ajudam a entender o tamanho da estrada: Alan Turing e John McCarthy.

Turing ajudou a responder uma pergunta fundamental: o que uma máquina pode calcular? McCarthy pegou a próxima: como fazemos uma máquina exibir inteligência?

Não são a mesma pergunta. Mas, sem a primeira, a segunda talvez nem tivesse uma sala, uma placa na porta e um orçamento de pesquisa.

Para quem está começando em COBOL, isso importa mais do que parece. Afinal, COBOL, mainframe, IA, regras de negócio, automação e segurança pertencem ao mesmo universo: o universo em que seres humanos tentam transformar decisões, processos e conhecimento em algo que uma máquina consiga executar sem entrar em ABEND — ou, no mínimo, sem gerar um incidente que faça o gerente aparecer com a expressão de quem acabou de ver o Great Scott do professor Brown.



1. Antes de a IA existir, Turing desenhou a sala de máquinas

Em 1936, Alan Turing publicou um trabalho que se tornou uma das fundações da ciência da computação. Nele, apresentou a ideia que hoje chamamos de Máquina de Turing.

Não era um notebook. Não era um mainframe. Não tinha monitor, teclado, mouse, GPU, RGB, copiloto nem assistente perguntando se você deseja salvar alterações. Era uma máquina abstrata, matemática, quase ascética: uma fita potencialmente infinita, uma cabeça que lê e escreve símbolos e um conjunto de regras que determina o próximo passo.

Parece simples porque é simples. E justamente por isso é genial.

Imagine uma fita enorme com células. Cada célula pode conter um símbolo. A máquina lê uma célula, verifica seu estado atual e segue uma instrução do tipo:

“Se eu estiver no estado A e ler 0, escreva 1, mova uma posição à direita e vá para o estado B.”

Essa descrição não parece tão distante de um programa. Em COBOL, você escreve algo como:

IF SALDO-DISPONIVEL >= VALOR-SOLICITADO
    MOVE "APROVADO" TO STATUS-OPERACAO
ELSE
    MOVE "NEGADO" TO STATUS-OPERACAO
END-IF.

A diferença é que COBOL é uma linguagem de alto nível, feita para seres humanos descreverem regras de negócio. A Máquina de Turing é uma espécie de esqueleto teórico: uma forma de demonstrar o que significa executar uma sequência de instruções.

O ponto não é que seu programa de folha de pagamento seja literalmente uma Máquina de Turing com fita de papel. O ponto é que existe uma base conceitual por baixo de todo programa: dados, estados, instruções, memória e transições.

Turing mostrou que uma máquina suficientemente geral poderia simular qualquer outra máquina de cálculo, desde que recebesse a descrição correta do procedimento. Nascia a ideia de máquina universal.

E aqui o professor Brown derruba uma caixa de cartões no chão:

“Marty! Não precisamos construir uma máquina nova para cada problema. Precisamos construir uma máquina geral e trocar o programa!”

Esse raciocínio é a alma do computador moderno. O mesmo computador pode rodar um sistema bancário, calcular a folha, tratar uma imagem médica, executar um jogo, fazer uma planilha ou treinar um modelo de IA. O hardware é uma plataforma; o programa define o comportamento.

Para o programador COBOL iniciante, esta é a primeira lição: não pense em programação apenas como escrever comandos. Pense em descrever um processo de maneira precisa o suficiente para uma máquina executá-lo.



2. “Máquinas podem pensar?” — a pergunta que ainda não fechou o chamado

Em 1950, Turing publicou o artigo Computing Machinery and Intelligence. Em vez de tentar resolver logo a palavra “pensar” — uma palavra perigosamente grande, que arrasta consciência, linguagem, criatividade, emoção, filosofia, religião e um boteco inteiro de discussões — ele propôs uma alternativa prática.

Em vez de perguntar:

“Uma máquina pensa?”

Turing sugeriu perguntar algo próximo de:

“Uma máquina consegue conversar de tal modo que um avaliador humano não consiga distingui-la de uma pessoa?”

Essa ideia ficou conhecida como Teste de Turing.

Na versão simplificada, um humano conversa por texto com dois participantes escondidos: uma pessoa e uma máquina. Se não conseguir identificar de modo confiável quem é quem, a máquina demonstrou um tipo importante de comportamento inteligente.

Agora vem a parte que Igor costuma estragar quando lê apenas a manchete:

Passar ou não passar no Teste de Turing não resolve definitivamente a questão da inteligência.

Um sistema pode escrever de forma fluida, imitar emoções, reproduzir estilos e manter uma conversa impressionante. Isso prova que ele se comporta, naquele contexto, de maneira parecida com um humano? Talvez. Prova que ele entende o mundo do mesmo modo que você entende? Não necessariamente.

Um papagaio pode repetir uma frase sem entender economia. Um sistema pode produzir um parágrafo excelente sobre Db2 e, duas linhas depois, inventar uma opção de JCL que nunca existiu com a confiança de um gerente apresentando slide em reunião de diretoria.

Os modelos atuais são fantásticos em linguagem. Eles resumem, traduzem, escrevem código, classificam informações, explicam conceitos e ajudam a explorar ideias. Mas fluência não é garantia de verdade; texto bonito não é auditoria; resposta segura não é evidência.

Este é um ensinamento valioso para quem trabalha com sistemas corporativos:

  • valide regras;

  • valide fontes;

  • mantenha trilha de auditoria;

  • não deixe um modelo decidir sozinho algo sensível sem controles;

  • trate a IA como um componente de software, não como um oráculo.

Em outras palavras: se uma IA disser que o lote terminou bem, ainda abra o SDSF.



3. Bletchley Park: inteligência não é só resolver charadas, é construir método

Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou em Bletchley Park, no esforço britânico de criptoanálise contra comunicações alemãs codificadas, incluindo mensagens protegidas pela Enigma. Ele não foi um “gênio solitário que venceu a guerra com uma máquina”, como alguns filmes e manchetes resumem. Fez parte de uma rede enorme de matemáticos, linguistas, operadores, engenheiros e criptanalistas.

Mas sua contribuição foi decisiva. O trabalho envolvia lógica, probabilidade, máquinas eletromecânicas, hipóteses, busca de padrões e disciplina operacional. Nada muito diferente, em espírito, do que hoje se chama de análise de dados, engenharia de sistemas e segurança cibernética.

Há uma ponte direta aqui para o analista de segurança e para o programador de sistemas críticos: inteligência útil não é adivinhação. É método para reduzir incerteza.

Quando você recebe um log, por exemplo, não basta olhar uma linha e concluir que houve ataque. Você precisa de contexto:

  • qual usuário executou a ação?

  • de onde veio a conexão?

  • qual era o horário esperado?

  • houve falhas de autenticação antes?

  • o volume de operações fugiu do padrão?

  • qual ativo foi acessado?

  • existe impacto real?

A máquina pode ajudar a encontrar padrões. O humano precisa formular hipóteses, validar evidências e tomar decisões responsáveis.

Turing também nos lembra de algo trágico: genialidade técnica não protege ninguém da crueldade social. Ele foi perseguido pelo Estado britânico por ser homossexual e morreu em 1954, aos 41 anos. Quando celebramos sua obra, não devemos transformar sua vida em uma curiosidade decorativa de biografia. Devemos lembrar que ciência, tecnologia e instituições são feitas por pessoas — e podem falhar moralmente mesmo quando avançam tecnicamente.

Uma IA poderosa construída por uma organização sem ética não vira sábia. Vira apenas uma máquina mais eficiente para escalar decisões ruins.


4. John McCarthy: o homem que deu nome ao monstro

Se Turing ajudou a estabelecer os fundamentos da computação e colocou a pergunta na mesa, John McCarthy ajudou a dar nome ao campo que tentaria respondê-la.

Em 1955, ao escrever a proposta para o Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence — realizado no verão de 1956 — McCarthy usou a expressão Artificial Intelligence. O termo pegou, embora “inteligência de máquina” talvez fosse menos carregado de ficção científica.

A proposta era ousada: reunir pesquisadores para investigar a hipótese de que aspectos da aprendizagem e da inteligência poderiam ser descritos com precisão suficiente para serem simulados por uma máquina.

Repare na ambição. Não era “vamos fazer uma calculadora mais rápida”. Era:

“Vamos entender partes da inteligência de forma suficientemente clara para construí-las.”

Isso inclui aprendizado, linguagem, abstração, raciocínio, percepção, planejamento e senso comum. Sessenta e tantos anos depois, boa parte dessas palavras continua na pauta. Algumas avançaram absurdamente; outras continuam com aquele status clássico de projeto: “dependência externa aguardando definição”.

McCarthy apostava muito em IA simbólica: usar fatos, regras e relações explícitas para o computador raciocinar. Algo parecido com:

SE cliente possui limite
E valor solicitado é menor que limite
E não há bloqueio de fraude
ENTÃO aprovar operação.

Para um programador COBOL, isso soa familiar. Sistemas empresariais vivem de regras: alçadas, cálculos, validações, exceções, status, processos de aprovação e rastreabilidade.

A diferença é que a IA simbólica queria ir além de um conjunto fixo de IFs. Ela queria representar conhecimento sobre o mundo e tirar conclusões novas a partir dele.

O sonho era elegante. O mundo, porém, é cheio de exceções.

Você pode escrever uma regra simples:

Pássaros voam.

Mas pinguins não voam. Aves feridas podem não voar. Um pássaro dentro de uma gaiola pode saber voar e não estar voando. E se Igor colocar um frango congelado na mesa e perguntar se ele é um pássaro, o sistema precisa de mais café e menos certeza.

Esse tipo de problema — lidar com conhecimento incompleto, exceções e contexto — foi um dos grandes desafios da IA clássica. McCarthy trabalhou com raciocínio não monotônico, isto é, formas de raciocínio em que uma conclusão pode precisar ser revista quando surge uma informação nova.

Parece abstrato, mas você faz isso todo dia.

“A transação parece legítima.”
“Espere: o IP é novo, o valor é atípico e houve quinze tentativas de senha.”
“Atualize a conclusão.”

Em segurança, em auditoria e em operações, mudar de opinião diante de evidências novas não é fraqueza. É inteligência.



5. Lisp: a linguagem que ensinou a IA a mexer em ideias

Em 1958, McCarthy criou Lisp, abreviação de List Processing. A linguagem ganhou forma pública em seu famoso artigo de 1960 e se tornou uma das linguagens mais influentes da história da IA.

Lisp tratava listas e expressões simbólicas como elementos naturais do programa. Isso era muito poderoso para manipular estruturas de conhecimento, árvores, regras, fórmulas e linguagem.

Um exemplo muito simplificado de Lisp pode parecer assim:

(if (fraude-suspeita transacao)
    (bloquear transacao)
    (aprovar transacao))

Não é COBOL, claro. Mas a intenção deve lhe soar familiar: testar uma condição e tomar um caminho.

A diferença cultural é interessante. COBOL foi desenhado para tornar regras de negócio legíveis e duráveis. Lisp nasceu em um ambiente que queria representar símbolos, relações e transformações conceituais. Um é o funcionário experiente que conhece todas as contas do fechamento mensal; o outro é o professor maluco do laboratório que pergunta se uma expressão pode modificar outra expressão e se isso nos aproxima da mente.

Os dois têm lugar no mundo.

Aliás, Lisp não está morto. Ideias que ele popularizou — funções como valores, recursão, coleta automática de memória, manipulação de listas e metaprogramação — influenciaram muitas linguagens posteriores. A história da computação é cheia de “tecnologias antigas” que, na verdade, eram ideias adiantadas demais para o hardware e o mercado de sua época.

Mainframe também conhece essa piada. Quando alguém diz que COBOL é velho, o programador experiente responde:

“Velho é o sistema que ainda movimenta dinheiro, processa seguro, paga salário e não cai quando o hype troca de nome.”



6. A aposta de 2039: previsão, palpite ou bilhete para o Delorean?

Em uma entrevista de 1989, McCarthy falou sobre o tempo necessário para programas se tornarem tão inteligentes quanto seres humanos. Ele reconheceu que poderia levar duzentos ou quinhentos anos, dependendo dos avanços conceituais necessários. Mas disse que se inclinaria a apostar em algo como cinquenta anos — acrescentando, com humor seco, que era extremamente improvável que estivesse vivo para ver.

1989 + 50 nos leva aproximadamente a 2039.

McCarthy morreu em 2011. Ele acertou, de forma triste e literal, que não viveria para testemunhar a resposta. Mas é importante não transformar isso em profecia com data marcada no calendário.

2039 não é uma garantia de “AGI em produção”. Não haverá necessariamente um painel no Data Center dizendo:

AGI-2039 — STATUS: DISPONÍVEL
PRESS <ENTER> PARA ATIVAR CONSCIÊNCIA

A própria expressão “inteligência humana” é difícil de medir. Um sistema pode ser melhor que uma pessoa em xadrez, tradução, cálculo, reconhecimento de imagens e geração de código, mas falhar em tarefas banais que exigem contexto, bom senso, memória confiável ou compreensão física do mundo.

Foi isso que aconteceu no xadrez. Em 1968, o mestre internacional escocês David Levy apostou que nenhum computador o venceria em dez anos. Em 1978, o programa CHESS 4.7 perdeu por 2 a 1 — uma derrota humana, mas uma aproximação notável.

Décadas depois, computadores venceriam campeões mundiais. Isso não significou que eles haviam resolvido a inteligência geral. Significou que resolveram — brilhantemente — um domínio formal, com regras claras e objetivo definido.

A lição é ouro:

Ser excelente em uma tarefa não torna automaticamente um sistema inteligente em tudo.

Um modelo que escreve COBOL pode ajudar muito. Ainda assim, ele pode não conhecer as regras específicas do seu banco, não saber que um campo contém informação sensível, não entender uma convenção interna, não ter acesso ao contexto de produção e não perceber que aquela “melhoria” quebra um processo regulatório.

Por isso, IA corporativa madura precisa de humano no circuito, testes, limites de acesso, logs, aprovação e recuperação.

Igor, naturalmente, acha que basta dar UPDATE na tabela de pagamentos e perguntar para o robô “faz um PIX aí”. Não seja Igor.



7. LLMs, IA simbólica e o grande encontro no bar

A IA que domina a conversa atual é fortemente baseada em aprendizado de máquina: grandes modelos neurais treinados com enormes volumes de texto, código, imagens e outros dados. Eles aprendem padrões estatísticos e conseguem gerar respostas surpreendentemente úteis.

Esse caminho é diferente da visão mais simbólica de McCarthy. Em vez de alguém escrever explicitamente todas as regras, o modelo aprende regularidades a partir de exemplos.

Há vantagens enormes:

  • adaptação a linguagem natural;

  • capacidade de lidar com variedade de textos;

  • geração de rascunhos e código;

  • sumarização;

  • classificação;

  • tradução;

  • apoio ao atendimento;

  • descoberta de padrões.

Mas há riscos igualmente reais:

  • alucinação: inventar fatos ou referências;

  • vieses presentes nos dados;

  • falta de explicabilidade;

  • vazamento de informações;

  • prompt injection;

  • automação de decisões sem revisão;

  • confiança excessiva do usuário.

A tendência mais interessante não é escolher uma religião — “só redes neurais” ou “só regras simbólicas”. É combinar abordagens.

Um sistema empresarial pode usar um LLM para entender a solicitação em português, uma base de conhecimento validada para buscar políticas corretas, regras explícitas para decisões obrigatórias e um humano para aprovar ações de alto impacto.

Pense assim:

Pessoa faz pergunta
        ↓
LLM entende a linguagem
        ↓
RAG busca documentos autorizados
        ↓
Regras de negócio validam condições
        ↓
Humano aprova decisão sensível
        ↓
Log registra tudo

Isso está muito mais perto de uma arquitetura responsável do que soltar um modelo numa rede corporativa e torcer para ele ter juízo.

Máquinas não têm juízo moral por padrão. Elas têm permissões, dados, instruções, limitações e consequências.



8. Um roteiro para o programador COBOL entrar na conversa da IA sem virar passageiro do tempo

Você não precisa abandonar COBOL, virar cientista de dados em uma semana ou comprar uma camiseta escrito “AGI IS COMING” para participar desse futuro.

Comece de modo prático.

Passo 1 — Entenda o processo antes de automatizá-lo

Escolha uma rotina de negócio conhecida: validação de cadastro, classificação de chamados, triagem de documentos, explicação de mensagens de erro ou consulta de procedimento.

Pergunte:

  • qual é a entrada?

  • qual é a saída?

  • quais regras são obrigatórias?

  • quais exceções existem?

  • que dados são sensíveis?

  • quem é responsável pela decisão?

  • como registrar auditoria?

Se você não consegue explicar o processo, não está pronto para entregar o processo a uma IA.

Passo 2 — Separe linguagem de decisão

Um LLM pode ser ótimo para receber uma pergunta como:

“Por que meu pagamento foi bloqueado?”

Mas a decisão real de bloqueio deve continuar apoiada por regras, dados transacionais e controles.

A IA pode traduzir o tecnês. O motor de regras decide. O analista responde pelo caso. Essa separação evita que um texto bonito vire uma decisão perigosa.

Passo 3 — Use a IA como par de programação, não como piloto automático

Peça para ela:

  • explicar um programa COBOL;

  • sugerir casos de teste;

  • comentar uma PROCEDURE DIVISION;

  • gerar documentação inicial;

  • converter uma regra de negócio em pseudocódigo;

  • ajudar a encontrar campos usados em uma rotina;

  • produzir uma primeira versão de teste unitário.

Mas revise tudo. Principalmente nomes de campos, arquivos VSAM, commits, SQL, regras de arredondamento, formatos de data e operações financeiras.

A IA pode ser um ótimo estagiário que trabalha rápido. Você continua sendo o responsável pela mudança em produção.

Passo 4 — Segurança não é rodapé

Nunca envie código proprietário, dados de clientes, credenciais, dumps, arquivos de produção ou detalhes operacionais para ferramentas públicas sem autorização.

Pergunte sempre:

  • onde o dado será processado?

  • ele será retido?

  • quem pode acessá-lo?

  • há contrato e política corporativa?

  • o conteúdo pode virar treinamento?

  • existe mascaramento?

  • há trilhas de auditoria?

Turing trabalhou com segredo criptográfico. McCarthy pensava em representação de conhecimento. Em 2026, os dois provavelmente olhariam para um CSV de clientes colado num chatbot público e pediriam para desligar o Delorean.


Epílogo — A pergunta ainda está na fita

Alan Turing nos deu a linguagem conceitual para pensar máquinas que executam procedimentos gerais. Ele nos deixou uma pergunta que resiste a cada nova geração tecnológica: “máquinas podem pensar?”

John McCarthy pegou essa inquietação e deu a ela um nome, um campo de pesquisa, uma agenda e ferramentas para tentar respondê-la. Criou Lisp, ajudou a moldar a IA simbólica e, em 1989, arriscou um palpite que nos aponta para 2039 — não como destino garantido, mas como um marcador fascinante no mapa.

Hoje, temos sistemas capazes de conversar, programar, traduzir, enxergar, resumir e sugerir. Alguns parecem mágicos até o momento em que erram algo óbvio. Isso não diminui sua importância; apenas nos obriga a sair do hype e entrar na engenharia.

Talvez a pergunta não seja mais apenas “a máquina pensa?”.

Talvez seja:

“Ela entende? Ela pode agir? Ela pode errar? Quem confere? Quem responde pelo dano? E por que Igor recebeu acesso de administrador?”

O programador COBOL tem uma vantagem preciosa nesta era. Já conhece sistemas longos, críticos, regulados, cheios de exceções e onde um pequeno erro pode fazer uma conta muito grande deixar de fechar. Esse olhar vale ouro quando a IA sai do laboratório e entra no banco, no governo, na saúde, na segurança e no mainframe.

No fim, Turing construiu a estrada. McCarthy colocou a placa: Inteligência Artificial. E nós, passageiros do Delorean de 2026, estamos dirigindo rumo a 2039 com uma mão no volante, outra no manual de segurança e o professor Brown gritando do banco de trás:

“Para onde vamos, não precisamos de estradas… mas vamos precisar de logs, testes, backup e um plano de rollback!”



 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Capítulo 13 — Os Profetas da IA e o Próximo Funeral

Bellacosa Mainframe e os profetas da ia o proximo funeral?

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Capítulo 13 — Os Profetas da IA e o Próximo Funeral

Será que Estamos Cometendo Exatamente o Mesmo Erro Outra Vez?

Uma reflexão sobre os paralelos entre as previsões feitas contra o mainframe nas décadas de 1980 e 1990 e as atuais previsões absolutas envolvendo Inteligência Artificial, AGI e agentes autônomos.

Por


Comparação entre os profetas da Inteligência Artificial e as previsões sobre o fim do Mainframe
A história mostra que previsões tecnológicas absolutas costumam ignorar a capacidade das plataformas de evoluir, integrar-se e coexistir.

"Quem não estuda a História da Computação está condenado a repetir as mesmas previsões... apenas trocando o nome da tecnologia da moda."

— Bellacosa Mainframe

Os paralelos históricos

Nas décadas de 1980 e 1990, manchetes afirmavam que Client/Server, Downsizing ou Internet eliminariam o mainframe. Em 2026, previsões semelhantes aparecem envolvendo IA generativa, AGI e agentes autônomos, frequentemente apresentadas como substituições inevitáveis de tecnologias anteriores.

A história da computação sugere cautela: novas tecnologias costumam transformar ecossistemas existentes e criar novas possibilidades, mas isso não significa que plataformas consolidadas desapareçam de forma automática.

Integração em vez de substituição

No ecossistema IBM Z, recursos de Inteligência Artificial, watsonx, aceleração por hardware, APIs, automação e análise de dados já convivem com COBOL, CICS, Db2 e z/OS, ampliando capacidades sem eliminar décadas de conhecimento corporativo.

A grande lição

O futuro da computação provavelmente será construído por integração entre IA, engenharia de software, sistemas corporativos e conhecimento de negócio. A história recomenda prudência diante de previsões definitivas sobre vencedores e perdedores.


2026...

Chegamos ao presente.

Você pode imaginar que este artigo terminou.

Na verdade...

Ele está apenas começando.

Porque existe algo extremamente curioso.

Ao terminar de ler todas aquelas manchetes da década de 1990...

Comecei a sentir uma estranha sensação de déjà vu.

Troque apenas algumas palavras.

Em vez de "Client/Server", escreva "IA Generativa".

No lugar de "Workstations", coloque "LLMs".

Onde estiver "Open Systems", escreva "AI Native".

Substitua "Downsizing" por "AI Transformation".

Agora leia novamente.

Assustador, não é?

Parece que estamos revivendo exatamente o mesmo roteiro.


As manchetes mudaram

Em 1991 diziam:

"O último mainframe será desligado."

Hoje ouvimos:

"O último programador escreverá código em poucos anos."

Em 1993:

"O Mainframe está caminhando para a extinção."

Em 2026:

"Programação será totalmente automatizada."

Em 1989:

"COBOL acabou."

Hoje:

"Ninguém mais precisará aprender linguagens."

As frases são diferentes.

O comportamento humano continua exatamente igual.


Bellacosa Mainframe e a nova panaceia para todos os males IA

A nova religião

Nos anos 90 existia uma palavra mágica.

Client/Server.

Hoje temos outra.

IA.

Antes bastava colocar "Open" no nome.

Hoje basta colocar "AI".

AI Search.

AI Platform.

AI Analytics.

AI Database.

AI Network.

AI Refrigerator.

AI Coffee Machine.

Daqui a pouco teremos:

AI Powered Coffee for DevOps Engineers Enterprise Edition Ultra Cloud Native.

Provavelmente alguém conseguirá vender.


Não me entenda errado...

Existe uma diferença importante.

Este capítulo não é uma crítica à Inteligência Artificial.

Muito pelo contrário.

Ela representa uma das maiores revoluções tecnológicas desde a Internet.

Talvez maior.

Ela realmente muda a forma de trabalhar.

Aumenta produtividade.

Automatiza tarefas.

Explica código.

Cria documentação.

Auxilia em testes.

Produz imagens.

Analisa contratos.

Resume reuniões.

Traduz idiomas.

Descobre padrões invisíveis.

A IA não é um hype vazio.

Ela é uma inovação real.

O problema...

Nunca foi a tecnologia.

O problema continua sendo o exagero.


A História ensina prudência

Quando estudamos Wolfgang Spruth percebemos algo extraordinário.

Nenhuma daquelas manchetes era completamente absurda.

Todas enxergavam tendências verdadeiras.

Os PCs realmente cresceram.

O Client/Server realmente revolucionou empresas.

A Internet realmente mudou o planeta.

Linux realmente conquistou os datacenters.

O erro nunca esteve na tendência.

O erro apareceu na conclusão.

Confundir:

"Vai crescer."

Com

"Vai eliminar tudo."


O que a IA realmente fará?

Se aprendemos alguma coisa com quarenta anos de História...

Talvez possamos fazer previsões um pouco melhores.

A IA provavelmente:

✔ escreverá muito código.

✔ automatizará documentação.

✔ ajudará arquitetos.

✔ reduzirá tarefas repetitivas.

✔ explicará sistemas legados.

✔ traduzirá COBOL para linguagem natural.

✔ auxiliará migrações.

✔ encontrará defeitos.

✔ sugerirá otimizações.

✔ escreverá testes.

Tudo isso já está acontecendo.

Mas existe uma enorme diferença entre:

Aumentar produtividade.

E substituir completamente profissionais.


O COBOL talvez seja um dos maiores beneficiados

Essa afirmação costuma surpreender muita gente.

Mas faz sentido.

Imagine um sistema com:

Quarenta milhões de linhas de COBOL.

Documentação incompleta.

Autores aposentados.

Regras espalhadas.

Agora imagine um agente de IA capaz de:

Explicar programas.

Criar diagramas.

Encontrar dependências.

Gerar documentação.

Sugerir testes.

Localizar impactos.

Explicar COPYBOOKs.

Interpretar SQL.

Descrever JCL.

A IA não elimina o COBOL.

Ela torna o COBOL muito mais acessível.

Pela primeira vez um Padawan poderá conversar com décadas de conhecimento acumulado.

Isso é extraordinário.


O IBM Z entendeu antes de muita gente

Enquanto parte do mercado ainda discutia se IA e Mainframe poderiam conviver...

A IBM já estava construindo exatamente essa integração.

O IBM z17 incorpora aceleração dedicada para cargas de Inteligência Artificial.

O watsonx oferece governança, modelos corporativos e ferramentas para IA generativa.

O Db2 evolui incorporando recursos inteligentes.

O CICS continua sendo a plataforma ideal para decisões transacionais em tempo real.

O z/OS recebe novas capacidades de automação.

O BOB, o Zowe, o Ansible e pipelines DevOps tornam o desenvolvimento cada vez mais moderno.

A IBM fez exatamente o que sempre fez.

Não perguntou:

"Como competir com a IA?"

Perguntou:

"Como colocar IA dentro da plataforma?"

Existe uma enorme diferença entre essas duas perguntas.


O verdadeiro patrimônio continua sendo o conhecimento

Uma IA pode escrever código.

Excelente.

Mas quem valida se aquele código atende à legislação brasileira?

Quem sabe como funciona uma compensação bancária?

Quem conhece uma regra tributária criada em 1997 e modificada vinte e três vezes?

Quem entende por que determinado campo possui exatamente sete posições?

Quem sabe por que aquele JCL executa antes das seis da manhã?

A IA pode ajudar.

Muito.

Mas conhecimento de negócio continua sendo um patrimônio humano.


O Padawan conversa com a IA

Nosso Padawan senta diante do computador.

Abre um agente de IA.

Pergunta:

— Explique este programa COBOL.

A IA responde em segundos.

Depois explica o SQL.

Depois o JCL.

Depois desenha o fluxo.

Depois sugere melhorias.

O Padawan sorri.

O velho mestre observa.

O aluno pergunta:

— Mestre...

A IA vai substituir você?

O mestre toma um gole de café.

Responde calmamente.

— Não.

Ela vai me tornar um professor muito melhor.


O novo Jedi da Engenharia

Durante muito tempo imaginamos duas possibilidades.

Ou a IA substituiria os profissionais.

Ou os profissionais ignorariam a IA.

Existe uma terceira opção.

Muito mais interessante.

Profissionais que utilizam IA.

Arquitetos assistidos por IA.

DBAs assistidos por IA.

Sysprogs assistidos por IA.

Programadores COBOL assistidos por IA.

Essa talvez seja a verdadeira revolução.

Não homem contra máquina.

Mas homem com máquina.


A sexta grande lição

Depois de estudar Forbes.

New York Times.

InfoWorld.

Business Week.

Wolfgang Spruth.

IBM Z.

z17.

watsonx.

BOB.

COBOL.

Db2.

CICS.

z/OS.

Existe uma conclusão inevitável.

Toda geração acredita viver uma transformação sem precedentes.

E, de certa forma...

Está certa.

Mas toda geração também acredita que essa transformação eliminará completamente tudo o que veio antes.

E aí costuma errar.

A História da Computação mostra outro padrão.

As grandes revoluções não destroem as fundações.

Elas constroem novos andares sobre elas.


Um conselho para o Padawan de 2036

Talvez você esteja lendo este artigo dez anos depois.

Se for o caso...

Faça um favor para mim.

Quando aparecer uma nova tecnologia dizendo que eliminará completamente a Inteligência Artificial...

Lembre-se deste artigo.

Lembre-se de Stewart Alsop.

Lembre-se do New York Times.

Lembre-se da Forbes.

Lembre-se de Wolfgang Spruth.

E sorria.

Porque você já conhecerá esse roteiro.


A última provocação

Talvez o maior erro da década de 1990 não tenha sido declarar a morte do Mainframe.

Talvez tenha sido esquecer uma regra extremamente simples da Engenharia.

Tecnologias não competem apenas entre si.

Elas competem contra problemas reais.

Enquanto existir um problema que exija:

Disponibilidade.

Escalabilidade.

Confiabilidade.

Segurança.

Consistência.

Governança.

Desempenho transacional.

Sempre existirá espaço para plataformas capazes de resolver esses desafios.

Hoje chamamos essa plataforma de IBM z17.

Amanhã poderá ter outro nome.

Mas sua missão continuará exatamente a mesma.


Epílogo Final

O Professor Wolfgang Spruth preservou as manchetes.

Nós preservamos as lições.

Agora a responsabilidade passa para você.

Da próxima vez que ouvir alguém afirmar:

"Esta tecnologia vai acabar com todas as outras."

Não discuta.

Não ironize.

Não responda imediatamente.

Faça exatamente o que um bom engenheiro faz.

Observe.

Meça.

Estude.

Espere.

Porque a História da Computação já nos ensinou uma verdade extraordinária.

As tecnologias realmente revolucionárias raramente precisam anunciar a morte das anteriores.

Elas simplesmente resolvem problemas tão bem...

Que acabam encontrando seu próprio lugar na História.

E talvez seja exatamente por isso que, mais de sessenta anos depois do System/360, um jovem Padawan ainda pode abrir um editor, escrever um programa COBOL, submetê-lo por um JCL, acessar o Db2 através do CICS, utilizar um agente de IA baseado em watsonx para documentar o código e executá-lo em um IBM z17.

Se isso não é evolução...

Talvez nunca tenhamos entendido o verdadeiro significado dessa palavra.


Que a Engenharia esteja com você.

Sempre.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu


C:\BELLACOSA\COBOL\FUNERAL_QUE_NUNCA_ACONTECEU.HTML
★ BELLACOSA MAINFRAME APRESENTA ★

A MORTE DO COBOL

O Funeral que Nunca Aconteceu

Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.

SISTEMA ONLINE — 14 CAPÍTULOS DISPONÍVEIS
▼ DIRETÓRIO DE CAPÍTULOS ▼

README.TXT

Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.

Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.

C:\> RUN BELLACOSA.EXE /COBOL /HISTORY /NO-FUNERAL _

★ BELLACOSA MAINFRAME ★ COBOL ★ IBM Z ★ HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO ★

Melhor visualizado em qualquer navegador com café disponível.

domingo, 28 de janeiro de 2024

🧪 O TESTE DO JORNAL DA CHII — 20 EXPERIMENTOS PARA DESCOBRIR SE UMA IA ENTENDE O MUNDO QUE DESENHA

 
Bellacosa Mainframe e o teste de geração de imagens via IA

☕ UM CAFÉ NO BELLACOSA MAINFRAME

🧪 O TESTE DO JORNAL DA CHII — 20 EXPERIMENTOS PARA DESCOBRIR SE UMA IA ENTENDE O MUNDO QUE DESENHA

Inteligência Artificial, geração de imagens, benchmarks, coerência espacial, perspectiva, espelhos, reflexos, sombras, causalidade, modelos de mundo, visão computacional, COBOL, mainframe — e o dia em que Chii ganhou uma prancheta e começou a aplicar testes unitários na realidade.



🎬 PRÓLOGO — CHII QUERIA TESTAR DE NOVO

No artigo anterior aconteceu algo aparentemente banal.

Chii estava lendo um jornal.

O jornal parecia perfeito.

As mãos estavam razoavelmente corretas.

A iluminação estava bonita.

A manchete era legível.

Só havia um pequeno problema:

a manchete estava virada para nós.

Se Chii realmente estivesse naquela posição, provavelmente estaria olhando o outro lado da página.

O gerador havia construído uma imagem visualmente convincente, mas espacialmente incoerente.

Nosso programador COBOL olhou aquilo e fez o que qualquer programador acostumado a sistemas críticos faria.

Não perguntou:

— Ficou bonito?

Perguntou:

— Funciona?

Chii levantou os olhos.

— Chii?

Na mesa apareceu uma prancheta.

No topo:

BELLACOSA MAINFRAME LABORATORY

PROJECT: CHII NEWSPAPER TEST
VERSION: 1.0
TEST CASES: 20
STATUS: READY

Estava decidido.

Não testaríamos mais uma imagem.

Testaríamos o modelo de mundo por trás dela.



🧠 1 — O QUE ESTAMOS REALMENTE TESTANDO?

Precisamos tomar cuidado com a pergunta.

Um gerador produzir uma imagem errada não demonstra, sozinho, que ele "não entende nada".

Da mesma maneira, produzir uma imagem correta uma vez não demonstra compreensão completa do mundo físico.

O objetivo é mais modesto e tecnicamente útil:

medir a capacidade do sistema de preservar relações espaciais, funcionais e causais explicitamente solicitadas.

Vamos separar algumas capacidades.

Reconhecimento de objetos

O modelo consegue representar:

pessoa
livro
mesa
espelho
celular

Relações espaciais

Consegue respeitar:

livro SOBRE mesa
pessoa ATRÁS da mesa
celular DIANTE da pessoa

Orientação

Consegue distinguir:

frente
verso
esquerda
direita
para dentro
para fora

Relação funcional

Consegue representar que:

olhos → página legível

e:

lente da câmera → objeto fotografado

Coerência óptica

Consegue manter:

objeto → espelho → reflexo

Causalidade

Consegue representar consequências plausíveis?

objeto bloqueia luz
        ↓
surge sombra

Estamos começando a construir algo parecido com uma suíte de testes.

Programador COBOL conhece isso muito bem.

PERFORM TEST-001
PERFORM TEST-002
PERFORM TEST-003
...
PERFORM TEST-020

Chii virou QA.

Estamos perdidos.



📰 TESTE 01 — O JORNAL DA CHII

Começamos pelo clássico.

Prompt

Uma jovem está sentada numa poltrona lendo um jornal aberto. A câmera está diretamente diante dela. O lado contendo a manchete está voltado para os olhos da jovem. O observador vê apenas o verso do jornal. Fotografia realista.

Esperado

CHII 👀
   ↓
[TEXTO | JORNAL | VERSO]
                  ↓
                CÂMERA

Falha

Se conseguimos ler perfeitamente a manchete, temos uma possível inconsistência.

Dificuldade: 3/10



📚 TESTE 02 — O LIVRO

Agora retiramos o jornal.

Prompt

Uma mulher está sentada lendo um livro aberto. A câmera está diretamente à frente dela, na mesma altura dos olhos. As páginas impressas estão voltadas exclusivamente para a leitora.

Pergunta:

o espectador consegue ler as páginas?

Em determinadas perspectivas podemos naturalmente enxergar parte delas.

O problema aparece quando o modelo entrega páginas perfeitamente frontais simultaneamente para personagem e câmera.

Dificuldade: 3/10



📱 TESTE 03 — O CELULAR

Agora temos uma superfície muito menor.

Prompt

Homem olhando uma mensagem em seu smartphone. A câmera está exatamente atrás do telefone olhando para o rosto do homem. A tela está voltada para o homem e não pode ser vista pela câmera.

O esperado:

CÂMERA → TRASEIRA DO CELULAR → TELA → HOMEM

Se enxergarmos WhatsApp, SMS ou qualquer interface:

Houston, temos um problema geométrico.

Dificuldade: 4/10


📺 TESTE 04 — A TELEVISÃO IMPOSSÍVEL

Prompt

Família sentada num sofá assistindo televisão. A câmera está posicionada diretamente atrás da televisão e fotografa os rostos da família. A tela da televisão está voltada para a família.

Pergunta:

vemos a programação da TV?

Não deveríamos.

Teríamos aproximadamente:

CÂMERA
  ↓
TRASEIRA DA TV
  ↓
TELA
  ↓
FAMÍLIA

Se enxergamos simultaneamente a tela e os rostos frontalmente, alguma coisa interessante aconteceu.

Dificuldade: 4/10


💻 TESTE 05 — O PROGRAMADOR COBOL

Agora entramos em território sagrado.

Prompt

Programador trabalhando diante de um terminal IBM 3270. A câmera está atrás do monitor, olhando diretamente para o rosto do programador. A tela está voltada para o programador.

O gerador pode sentir uma tentação enorme.

Quer mostrar:

READY

ou:

===> 

para deixar claro que estamos num mainframe.

Mas geometricamente deveríamos enxergar a traseira do monitor.

Este teste é maravilhoso porque coloca narrativa contra geometria.

Dificuldade: 4/10


📷 TESTE 06 — O FOTÓGRAFO

Agora testamos orientação funcional.

Prompt

Um fotógrafo está fotografando uma mulher. Ele segura uma câmera DSLR diante dos olhos. A lente está apontada exatamente para a mulher.

Parece ridiculamente fácil.

Verifique:

  • orientação da lente;

  • mãos;

  • olhos;

  • câmera;

  • pessoa fotografada.

A câmera precisa estabelecer:

OLHOS → VISOR
LENTE → MODELO

Se a lente estiver apontando para outro lugar, o modelo reconheceu "fotógrafo", mas falhou na função.

Dificuldade: 4/10


🔭 TESTE 07 — BINÓCULOS

Prompt

Homem observando um navio distante através de binóculos. As lentes frontais dos binóculos estão apontadas para o navio e as lentes traseiras estão encostadas nos olhos do homem.

Aqui explicitamos a cadeia:

OLHOS
 ↓
BINÓCULOS
 ↓
NAVIO

Excelente para verificar orientação de objetos simétricos.

Dificuldade: 4/10


🪞 TESTE 08 — O ESPELHO DA CHII

Agora começamos a tortura.

Prompt

Chii está diante de um grande espelho. Ela levanta apenas a mão direita. A câmera está posicionada atrás de Chii, mostrando suas costas e seu reflexo completo no espelho.

Verifique:

  • mão real;

  • mão refletida;

  • posição corporal;

  • objetos ao redor.

Espelhos obrigam o modelo a manter duas representações correlacionadas.

Dificuldade: 7/10


🪞 TESTE 09 — OBJETO FORA DO ESPELHO

Coloque uma xícara sobre a mesa.

Prompt

Mulher diante de um espelho. Existe uma única xícara vermelha sobre a mesa à direita da mulher. O espelho reflete a mulher, a mesa e exatamente a mesma xícara.

Agora conte.

Realidade:

1 xícara

Representações visuais:

xícara real
+
reflexo da mesma xícara

Falhas interessantes:

  • duas xícaras reais;

  • xícara desaparece;

  • cor muda;

  • posição incompatível;

  • objeto existe apenas no espelho.

Dificuldade: 7/10


🚗 TESTE 10 — O RETROVISOR

Prompt

Motorista dentro de um carro olhando pelo retrovisor central. Um caminhão está diretamente atrás do carro e aparece no retrovisor.

Temos uma cadeia:

CAMINHÃO
   ↓
RETROVISOR
   ↓
OLHOS DO MOTORISTA

O caminhão não deveria aparecer magicamente na frente do carro.

Dificuldade: 7/10


☀️ TESTE 11 — A SOMBRA

Agora saímos das superfícies informativas.

Prompt

Uma pessoa está em pé ao ar livre. O Sol está baixo à esquerda da imagem. A sombra da pessoa se projeta no chão para a direita.

Regra:

LUZ → OBJETO → SOMBRA

Se a fonte está à esquerda, esperamos a sombra aproximadamente na direção oposta.

Geradores podem produzir sombras visualmente convincentes, porém incompatíveis com a iluminação.

Dificuldade: 5/10


💡 TESTE 12 — DUAS LUZES, DUAS SOMBRAS

Agora aumentamos.

Prompt

Uma esfera branca está sobre uma mesa. Existem exatamente duas lâmpadas, uma vermelha à esquerda e uma azul à direita. A esfera produz duas sombras correspondentes às duas fontes de luz.

Agora temos múltiplas relações.

LUZ A ─┐
       ├→ OBJETO → SOMBRAS
LUZ B ─┘

Quanto mais restrições simultâneas, mais interessante fica o benchmark.

Dificuldade: 7/10


🪟 TESTE 13 — A JANELA

Prompt

Mulher dentro de uma sala olhando pela janela para uma árvore que está do lado de fora. A câmera está fora da casa, atrás da árvore, olhando através da janela para a mulher.

Ordem espacial:

CÂMERA
 ↓
ÁRVORE
 ↓
JANELA
 ↓
MULHER

O modelo precisa preservar profundidade e oclusão.

Dificuldade: 6/10


🥤 TESTE 14 — O OBJETO ATRÁS DO OBJETO

Agora um clássico de visão computacional.

Prompt

Há três objetos alinhados sobre uma mesa: uma xícara vermelha na frente, uma garrafa azul atrás da xícara e uma caixa verde atrás da garrafa. A câmera está diretamente diante deles.

Esperamos:

CÂMERA
 ↓
XÍCARA
 ↓
GARRAFA
 ↓
CAIXA

Objetos posteriores podem estar parcialmente ocultos.

Estamos testando oclusão.

Dificuldade: 5/10


↔️ TESTE 15 — ESQUERDA E DIREITA

Parece fácil.

Não é.

Prompt

Chii está sentada entre dois robôs. Um robô vermelho está exclusivamente à esquerda de Chii. Um robô azul está exclusivamente à direita. Chii aponta com a mão esquerda para o robô vermelho.

Temos:

  • esquerda da personagem;

  • esquerda da imagem;

  • mão esquerda;

  • robô vermelho.

É um festival de relações.

Dificuldade: 6/10


👁️ TESTE 16 — QUEM ESTÁ OLHANDO PARA QUEM?

Coloque três personagens.

Prompt

Alice olha para Bob. Bob olha para Carol. Carol olha para Alice. Nenhuma pessoa olha para a câmera.

Temos um grafo:

ALICE → BOB
  ↑       ↓
CAROL ←---

Agora observe os olhos.

Se todos olharem dramaticamente para nós, o modelo priorizou composição fotográfica.

Dificuldade: 8/10


👉 TESTE 17 — APONTANDO

Prompt

Três caixas estão sobre uma mesa: vermelha, verde e azul. Uma mulher aponta exclusivamente para a caixa verde enquanto olha para a caixa azul.

Temos duas relações diferentes:

MÃO → VERDE

OLHOS → AZUL

Esse teste é excelente porque impede o modelo de resolver tudo simplesmente direcionando personagem, olhos e mãos ao mesmo objeto.

Dificuldade: 7/10


🔄 TESTE 18 — ANTES E DEPOIS

Agora introduzimos causalidade.

Prompt A

Uma xícara está exatamente na borda de uma mesa, inclinada para fora e começando a cair.

Depois:

Prompt B

A mesma cena um segundo depois.

Esperamos uma transformação plausível:

BORDA
 ↓
QUEDA
 ↓
CHÃO

Isso já ultrapassa uma simples composição espacial.

Estamos perguntando implicitamente:

o modelo consegue representar uma consequência?

Dificuldade: 8/10


🏀 TESTE 19 — O OBJETO EM MOVIMENTO

Prompt

Uma bola acabou de atravessar uma janela da esquerda para a direita. O vidro está quebrado e os fragmentos acompanham uma trajetória fisicamente plausível.

Perguntas:

  • de onde veio a bola?

  • para onde está indo?

  • qual lado do vidro foi atingido?

  • os fragmentos fazem sentido?

Uma fotografia contém pistas sobre seu passado.

É quase um dump da realidade.

Dificuldade: 9/10


🧠 TESTE 20 — O BOSS FINAL

Chii colocou a prancheta na mesa.

O programador leu.

Engoliu seco.

Prompt

Uma mulher está sentada diante de um espelho lendo um livro. À esquerda dela existe uma luminária acesa. Na mão direita ela segura uma caneca azul. O espelho mostra corretamente a mulher, o livro e a caneca. A luz produz uma sombra coerente. Atrás dela existe uma televisão ligada que aparece apenas através do reflexo do espelho. A câmera está atrás da mulher e não aparece no reflexo.

Agora combinamos:

PERSONAGEM
+
LIVRO
+
LEITURA
+
MÃO DIREITA
+
CANECA
+
ESPELHO
+
REFLEXO
+
LUZ
+
SOMBRA
+
TV
+
CÂMERA
+
OCLUSÃO

Se sair tudo correto...

dê um café para o modelo.

Dificuldade: 10/10


📊 COMO TRANSFORMAR ISSO NUM BENCHMARK DE VERDADE

Aqui está a parte divertida.

Não compare uma única geração.

Isso seria estatisticamente fraco.

Para cada modelo, use exatamente o mesmo prompt e produza várias amostras, mantendo parâmetros comparáveis quando possível.

Por exemplo:

MODELO A
TESTE 01
10 gerações

MODELO B
TESTE 01
10 gerações

MODELO C
TESTE 01
10 gerações

Depois marque cada imagem.

Uma classificação simples:

PASS
PARTIAL
FAIL

PASS

Todas as relações principais estão corretas.

PARTIAL

A ideia geral funciona, mas existe uma inconsistência secundária.

FAIL

A relação principal solicitada foi violada.


🦖 O PROGRAMADOR COBOL CRIA O COPYBOOK DA REALIDADE

Naturalmente, precisamos de COBOL.

       01  TEST-RESULT.
           05 MODEL-NAME          PIC X(30).
           05 TEST-ID             PIC 9(02).
           05 SAMPLE-ID           PIC 9(02).
           05 OBJECTS-CORRECT     PIC X.
           05 ORIENTATION-CORRECT PIC X.
           05 SPATIAL-CORRECT     PIC X.
           05 REFLECTION-CORRECT  PIC X.
           05 SHADOW-CORRECT      PIC X.
           05 CAUSALITY-CORRECT   PIC X.
           05 FINAL-RESULT        PIC X(07).

E finalmente:

       IF OBJECTS-CORRECT     = 'Y'
          AND ORIENTATION-CORRECT = 'Y'
          AND SPATIAL-CORRECT     = 'Y'
              MOVE 'PASS' TO FINAL-RESULT
       ELSE
              MOVE 'FAIL' TO FINAL-RESULT
       END-IF.

Chii observa.

— Chii?

Sim.

Acabamos de colocar o mundo físico dentro de um copybook.


📈 NÃO USE APENAS UMA NOTA FINAL

Existe uma coisa importante aqui.

Um modelo pode ser excelente em uma categoria e ruim em outra.

Por isso podemos criar dimensões separadas:

CategoriaO que observamos
Objetoscriou corretamente os elementos solicitados?
Contagemrespeitou quantidades?
Orientaçãofrente, verso, esquerda e direita estão corretos?
Gazepersonagens olham para o lugar solicitado?
Oclusãoobjetos escondem corretamente outros objetos?
Reflexoespelhos representam a cena coerentemente?
Iluminaçãosombras correspondem às fontes?
Funçãoobjetos estão sendo utilizados corretamente?
Temporalidadea cena sugere passado/futuro plausível?
Causalidadeefeitos correspondem às causas?

Isso produz algo muito mais interessante que:

"Modelo X faz imagens mais bonitas."

Podemos descobrir:

modelo apresenta alta fidelidade visual, mas frequentemente perde relações entre três ou mais objetos.

Ou:

modelo mantém esquerda/direita, mas apresenta inconsistências em reflexos.

Isso é informação útil.


⚠️ O DETALHE CIENTÍFICO MAIS IMPORTANTE

Existe uma armadilha gigantesca.

Se o modelo passar no teste, não podemos automaticamente concluir que ele compreende o mundo como um ser humano.

Ele pode ter aprendido regularidades extremamente sofisticadas.

Pode possuir representações internas suficientes para resolver aquela tarefa.

Pode ter encontrado padrões semelhantes no treinamento.

Pode estar utilizando capacidades espaciais emergentes.

Tudo isso é fascinante.

Mas a imagem final, sozinha, não permite determinar exatamente qual mecanismo interno produziu o acerto.

Portanto:

PASSOU NO TESTE
      ≠
PROVOU CONSCIÊNCIA

Também:

FALHOU NO TESTE
      ≠
NÃO SABE NADA

O benchmark mede comportamento observável numa tarefa específica.

Esse cuidado separa experimento de espetáculo.


🧪 COMO EU FARIA O EXPERIMENTO BELLACOSA

Escolheria vários geradores contemporâneos.

Usaria os mesmos 20 prompts.

Para cada combinação:

20 testes
×
10 imagens
=
200 imagens por modelo

Com cinco modelos:

200 × 5 = 1.000 imagens

Agora temos alguma coisa divertida para analisar.

Cada imagem receberia um ID:

BSCST-01-M01-001
BSCST-01-M01-002
BSCST-01-M01-003
...

E manteríamos:

PROMPT
MODELO
VERSÃO
DATA
CONFIGURAÇÃO
RESULTADO
OBSERVAÇÕES

A versão e a data são fundamentais.

Modelos mudam.

Um teste realizado hoje pode produzir resultado diferente meses depois.


🔥 E AQUI SURGE UM EXPERIMENTO AINDA MELHOR

Depois da primeira rodada, podemos modificar os prompts.

Por exemplo:

Prompt simples

Chii lendo um jornal.

Prompt espacial

Chii lendo um jornal com a superfície impressa voltada para seus olhos.

Prompt explícito

Chii lendo um jornal. A superfície impressa está voltada exclusivamente para Chii. A câmera vê somente o verso.

Prompt redundante

A câmera NÃO consegue ver a manchete. O texto NÃO está voltado para o observador. Somente Chii consegue ler o conteúdo.

Agora podemos medir outra coisa:

Quanto precisamos explicar a realidade para a IA?

Isso é fascinante.

Talvez um modelo precise de:

1 restrição

Outro:

4 restrições

Outro simplesmente ignore todas.

Isso nos fornece uma espécie de custo de especificação espacial.


☕ CURIOSIDADE — ISSO LEMBRA PROGRAMAÇÃO

Programadores conhecem muito bem esse fenômeno.

Você escreve:

PROCESSAR CLIENTE

O computador responde metaforicamente:

Defina "processar".

Então especificamos:

VALIDAR
LOCALIZAR
CALCULAR
ATUALIZAR
COMMIT

Com sistemas generativos acontece algo curioso.

Queremos escrever:

"Pessoa lendo jornal."

Porque um humano automaticamente acrescenta centenas de regras implícitas.

olhos funcionam
papel tem dois lados
texto está numa superfície
leitura exige visibilidade
mãos seguram o objeto
gravidade existe
perspectiva existe

Nós nunca colocamos isso no prompt.

Por quê?

Porque consideramos óbvio.

Mas talvez o grande desafio de modelos de mundo seja justamente dominar aquilo que os seres humanos nem percebem que sabem.


🥚 EASTER EGG — CHII EXECUTA O TESTE

Às 03:17 apareceu um job misterioso no JES2.

JOBNAME  CHIITEST
OWNER    FREYA
STATUS   EXECUTING

O operador abriu o SDSF.

TEST 01 NEWSPAPER ........ PASS
TEST 02 BOOK ............. PASS
TEST 03 PHONE ............ PASS
TEST 04 TELEVISION ....... PASS
TEST 05 3270 ............. PASS
TEST 06 CAMERA ........... PASS
TEST 07 BINOCULARS ....... PASS
TEST 08 MIRROR ........... PASS
TEST 09 REFLECTION ....... PASS
TEST 10 REARVIEW ......... PASS
TEST 11 SHADOW ........... PASS
TEST 12 LIGHTS ........... PASS
TEST 13 WINDOW ........... PASS
TEST 14 OCCLUSION ........ PASS
TEST 15 LEFT-RIGHT ....... PASS
TEST 16 GAZE ............. PASS
TEST 17 POINTING ......... PASS
TEST 18 CAUSALITY ........ PASS
TEST 19 MOTION ........... PASS
TEST 20 WORLD-MODEL ...... PASS

No final:

20 TESTS EXECUTED
20 PASSED
00 FAILED

MAXCC=0000

O programador ficou impressionado.

— Chii, você passou em tudo!

Chii virou lentamente para ele.

— Chii?

Então ele percebeu.

Ela não havia usado nenhum gerador de imagens.

Chii simplesmente havia tirado fotografias do mundo real.

No spool apareceu:

CHEATER.

Usuário responsável:

FREYA

Novamente.


🎓 CONCLUSÃO — O MUNDO É O TESTE

Começamos com uma bobagem.

Um jornal virado para o lado errado.

Mas ao investigar aquela pequena inconsistência encontramos:

OBJETOS
   ↓
RELAÇÕES
   ↓
ORIENTAÇÃO
   ↓
PERSPECTIVA
   ↓
OCLUSÃO
   ↓
REFLEXOS
   ↓
ILUMINAÇÃO
   ↓
TEMPO
   ↓
CAUSALIDADE
   ↓
MODELOS DE MUNDO

E percebemos algo maravilhoso.

Gerar uma imagem bonita é uma tarefa.

Gerar uma imagem internamente coerente é outra.

Quanto mais objetos colocamos na cena, mais relações aparecem.

Quanto mais relações aparecem, mais restrições precisam ser satisfeitas simultaneamente.

É quase como um sistema corporativo.

Um programa COBOL de vinte linhas pode parecer simples.

Depois descobrimos:

CICS
Db2
MQ
VSAM
RACF
JES2
WLM
SMF
APIs
27 sistemas consumidores

Bem-vindo à realidade.

O mesmo acontece numa fotografia.

Uma mulher lê um jornal.

Simples.

Até perguntarmos:

qual lado do jornal ela está vendo?

Depois:

onde está a câmera?

Depois:

de onde vem a luz?

Depois:

onde deveria estar a sombra?

Depois:

o que aparece no espelho?

Depois:

para onde ela está olhando?

Depois:

o que aconteceu um segundo antes?

Nesse momento já não estamos perguntando se a inteligência artificial sabe desenhar.

Estamos fazendo uma pergunta muito mais interessante:

QUANTO DO MUNDO ELA PRECISA REPRESENTAR PARA DESENHÁ-LO CORRETAMENTE?

Chii fechou a prancheta.

O programador terminou o café.

No terminal apareceu:

READY

Ele digitou:

RUN BSCST

Chii olhou para ele.

— Chii?

Sim.

Dessa vez seriam mil imagens.

E o jornal seria apenas o começo.

MAXCC=0000.

☕

Para ir mais longe

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2023/12/chii-e-o-jornal-que-ninguem-conseguia.html

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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