| Bellacosa Mainframe e os profetas da ia o proximo funeral? |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Capítulo 13 — Os Profetas da IA e o Próximo Funeral
Será que Estamos Cometendo Exatamente o Mesmo Erro Outra Vez?
Uma reflexão sobre os paralelos entre as previsões feitas contra o mainframe nas décadas de 1980 e 1990 e as atuais previsões absolutas envolvendo Inteligência Artificial, AGI e agentes autônomos.
Por Vagner Bellacosa
"Quem não estuda a História da Computação está condenado a repetir as mesmas previsões... apenas trocando o nome da tecnologia da moda."
Os paralelos históricos
Nas décadas de 1980 e 1990, manchetes afirmavam que Client/Server, Downsizing ou Internet eliminariam o mainframe. Em 2026, previsões semelhantes aparecem envolvendo IA generativa, AGI e agentes autônomos, frequentemente apresentadas como substituições inevitáveis de tecnologias anteriores.
A história da computação sugere cautela: novas tecnologias costumam transformar ecossistemas existentes e criar novas possibilidades, mas isso não significa que plataformas consolidadas desapareçam de forma automática.
Integração em vez de substituição
No ecossistema IBM Z, recursos de Inteligência Artificial, watsonx, aceleração por hardware, APIs, automação e análise de dados já convivem com COBOL, CICS, Db2 e z/OS, ampliando capacidades sem eliminar décadas de conhecimento corporativo.
A grande lição
O futuro da computação provavelmente será construído por integração entre IA, engenharia de software, sistemas corporativos e conhecimento de negócio. A história recomenda prudência diante de previsões definitivas sobre vencedores e perdedores.
2026...
Chegamos ao presente.
Você pode imaginar que este artigo terminou.
Na verdade...
Ele está apenas começando.
Porque existe algo extremamente curioso.
Ao terminar de ler todas aquelas manchetes da década de 1990...
Comecei a sentir uma estranha sensação de déjà vu.
Troque apenas algumas palavras.
Em vez de "Client/Server", escreva "IA Generativa".
No lugar de "Workstations", coloque "LLMs".
Onde estiver "Open Systems", escreva "AI Native".
Substitua "Downsizing" por "AI Transformation".
Agora leia novamente.
Assustador, não é?
Parece que estamos revivendo exatamente o mesmo roteiro.
As manchetes mudaram
Em 1991 diziam:
"O último mainframe será desligado."
Hoje ouvimos:
"O último programador escreverá código em poucos anos."
Em 1993:
"O Mainframe está caminhando para a extinção."
Em 2026:
"Programação será totalmente automatizada."
Em 1989:
"COBOL acabou."
Hoje:
"Ninguém mais precisará aprender linguagens."
As frases são diferentes.
O comportamento humano continua exatamente igual.
| Bellacosa Mainframe e a nova panaceia para todos os males IA |
A nova religião
Nos anos 90 existia uma palavra mágica.
Client/Server.
Hoje temos outra.
IA.
Antes bastava colocar "Open" no nome.
Hoje basta colocar "AI".
AI Search.
AI Platform.
AI Analytics.
AI Database.
AI Network.
AI Refrigerator.
AI Coffee Machine.
Daqui a pouco teremos:
AI Powered Coffee for DevOps Engineers Enterprise Edition Ultra Cloud Native.
Provavelmente alguém conseguirá vender.
Não me entenda errado...
Existe uma diferença importante.
Este capítulo não é uma crítica à Inteligência Artificial.
Muito pelo contrário.
Ela representa uma das maiores revoluções tecnológicas desde a Internet.
Talvez maior.
Ela realmente muda a forma de trabalhar.
Aumenta produtividade.
Automatiza tarefas.
Explica código.
Cria documentação.
Auxilia em testes.
Produz imagens.
Analisa contratos.
Resume reuniões.
Traduz idiomas.
Descobre padrões invisíveis.
A IA não é um hype vazio.
Ela é uma inovação real.
O problema...
Nunca foi a tecnologia.
O problema continua sendo o exagero.
A História ensina prudência
Quando estudamos Wolfgang Spruth percebemos algo extraordinário.
Nenhuma daquelas manchetes era completamente absurda.
Todas enxergavam tendências verdadeiras.
Os PCs realmente cresceram.
O Client/Server realmente revolucionou empresas.
A Internet realmente mudou o planeta.
Linux realmente conquistou os datacenters.
O erro nunca esteve na tendência.
O erro apareceu na conclusão.
Confundir:
"Vai crescer."
Com
"Vai eliminar tudo."
O que a IA realmente fará?
Se aprendemos alguma coisa com quarenta anos de História...
Talvez possamos fazer previsões um pouco melhores.
A IA provavelmente:
✔ escreverá muito código.
✔ automatizará documentação.
✔ ajudará arquitetos.
✔ reduzirá tarefas repetitivas.
✔ explicará sistemas legados.
✔ traduzirá COBOL para linguagem natural.
✔ auxiliará migrações.
✔ encontrará defeitos.
✔ sugerirá otimizações.
✔ escreverá testes.
Tudo isso já está acontecendo.
Mas existe uma enorme diferença entre:
Aumentar produtividade.
E substituir completamente profissionais.
O COBOL talvez seja um dos maiores beneficiados
Essa afirmação costuma surpreender muita gente.
Mas faz sentido.
Imagine um sistema com:
Quarenta milhões de linhas de COBOL.
Documentação incompleta.
Autores aposentados.
Regras espalhadas.
Agora imagine um agente de IA capaz de:
Explicar programas.
Criar diagramas.
Encontrar dependências.
Gerar documentação.
Sugerir testes.
Localizar impactos.
Explicar COPYBOOKs.
Interpretar SQL.
Descrever JCL.
A IA não elimina o COBOL.
Ela torna o COBOL muito mais acessível.
Pela primeira vez um Padawan poderá conversar com décadas de conhecimento acumulado.
Isso é extraordinário.
O IBM Z entendeu antes de muita gente
Enquanto parte do mercado ainda discutia se IA e Mainframe poderiam conviver...
A IBM já estava construindo exatamente essa integração.
O IBM z17 incorpora aceleração dedicada para cargas de Inteligência Artificial.
O watsonx oferece governança, modelos corporativos e ferramentas para IA generativa.
O Db2 evolui incorporando recursos inteligentes.
O CICS continua sendo a plataforma ideal para decisões transacionais em tempo real.
O z/OS recebe novas capacidades de automação.
O BOB, o Zowe, o Ansible e pipelines DevOps tornam o desenvolvimento cada vez mais moderno.
A IBM fez exatamente o que sempre fez.
Não perguntou:
"Como competir com a IA?"
Perguntou:
"Como colocar IA dentro da plataforma?"
Existe uma enorme diferença entre essas duas perguntas.
O verdadeiro patrimônio continua sendo o conhecimento
Uma IA pode escrever código.
Excelente.
Mas quem valida se aquele código atende à legislação brasileira?
Quem sabe como funciona uma compensação bancária?
Quem conhece uma regra tributária criada em 1997 e modificada vinte e três vezes?
Quem entende por que determinado campo possui exatamente sete posições?
Quem sabe por que aquele JCL executa antes das seis da manhã?
A IA pode ajudar.
Muito.
Mas conhecimento de negócio continua sendo um patrimônio humano.
O Padawan conversa com a IA
Nosso Padawan senta diante do computador.
Abre um agente de IA.
Pergunta:
— Explique este programa COBOL.
A IA responde em segundos.
Depois explica o SQL.
Depois o JCL.
Depois desenha o fluxo.
Depois sugere melhorias.
O Padawan sorri.
O velho mestre observa.
O aluno pergunta:
— Mestre...
A IA vai substituir você?
O mestre toma um gole de café.
Responde calmamente.
— Não.
Ela vai me tornar um professor muito melhor.
O novo Jedi da Engenharia
Durante muito tempo imaginamos duas possibilidades.
Ou a IA substituiria os profissionais.
Ou os profissionais ignorariam a IA.
Existe uma terceira opção.
Muito mais interessante.
Profissionais que utilizam IA.
Arquitetos assistidos por IA.
DBAs assistidos por IA.
Sysprogs assistidos por IA.
Programadores COBOL assistidos por IA.
Essa talvez seja a verdadeira revolução.
Não homem contra máquina.
Mas homem com máquina.
A sexta grande lição
Depois de estudar Forbes.
New York Times.
InfoWorld.
Business Week.
Wolfgang Spruth.
IBM Z.
z17.
watsonx.
BOB.
COBOL.
Db2.
CICS.
z/OS.
Existe uma conclusão inevitável.
Toda geração acredita viver uma transformação sem precedentes.
E, de certa forma...
Está certa.
Mas toda geração também acredita que essa transformação eliminará completamente tudo o que veio antes.
E aí costuma errar.
A História da Computação mostra outro padrão.
As grandes revoluções não destroem as fundações.
Elas constroem novos andares sobre elas.
Um conselho para o Padawan de 2036
Talvez você esteja lendo este artigo dez anos depois.
Se for o caso...
Faça um favor para mim.
Quando aparecer uma nova tecnologia dizendo que eliminará completamente a Inteligência Artificial...
Lembre-se deste artigo.
Lembre-se de Stewart Alsop.
Lembre-se do New York Times.
Lembre-se da Forbes.
Lembre-se de Wolfgang Spruth.
E sorria.
Porque você já conhecerá esse roteiro.
A última provocação
Talvez o maior erro da década de 1990 não tenha sido declarar a morte do Mainframe.
Talvez tenha sido esquecer uma regra extremamente simples da Engenharia.
Tecnologias não competem apenas entre si.
Elas competem contra problemas reais.
Enquanto existir um problema que exija:
Disponibilidade.
Escalabilidade.
Confiabilidade.
Segurança.
Consistência.
Governança.
Desempenho transacional.
Sempre existirá espaço para plataformas capazes de resolver esses desafios.
Hoje chamamos essa plataforma de IBM z17.
Amanhã poderá ter outro nome.
Mas sua missão continuará exatamente a mesma.
Epílogo Final
O Professor Wolfgang Spruth preservou as manchetes.
Nós preservamos as lições.
Agora a responsabilidade passa para você.
Da próxima vez que ouvir alguém afirmar:
"Esta tecnologia vai acabar com todas as outras."
Não discuta.
Não ironize.
Não responda imediatamente.
Faça exatamente o que um bom engenheiro faz.
Observe.
Meça.
Estude.
Espere.
Porque a História da Computação já nos ensinou uma verdade extraordinária.
As tecnologias realmente revolucionárias raramente precisam anunciar a morte das anteriores.
Elas simplesmente resolvem problemas tão bem...
Que acabam encontrando seu próprio lugar na História.
E talvez seja exatamente por isso que, mais de sessenta anos depois do System/360, um jovem Padawan ainda pode abrir um editor, escrever um programa COBOL, submetê-lo por um JCL, acessar o Db2 através do CICS, utilizar um agente de IA baseado em watsonx para documentar o código e executá-lo em um IBM z17.
Se isso não é evolução...
Talvez nunca tenhamos entendido o verdadeiro significado dessa palavra.
Que a Engenharia esteja com você.
Sempre.
| Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu |
A MORTE DO COBOL
O Funeral que Nunca Aconteceu
Uma investigação histórica em 14 capítulos sobre as previsões, reportagens, buzzwords e profetas que anunciaram repetidamente o fim do COBOL — enquanto bilhões de transações continuavam sendo processadas silenciosamente.
|
CAPÍTULO 01
O Funeral que Nunca Aconteceu |
CAPÍTULO 02
A Década dos Buzzwords |
|
CAPÍTULO 03
O Professor que Arquivou o Funeral |
CAPÍTULO 04
Forbes (1989) |
|
CAPÍTULO 05
The New York Times (1989) |
CAPÍTULO 06
InfoWorld (1991) |
|
CAPÍTULO 07
The New York Times (1993) |
CAPÍTULO 08
Business Week (1994) |
|
CAPÍTULO 09
O Que Realmente Aconteceu |
CAPÍTULO 10
Por Que Tantas Previsões Erraram? |
|
CAPÍTULO 11
O Cemitério dos Buzzwords |
CAPÍTULO 12
O Legado dos Profetas e a Grande Lição para 2026 |
|
CAPÍTULO 13
Os Profetas da IA e o Próximo Funeral |
CAPÍTULO 14 — FINAL
O Julgamento da História |
README.TXT
Esta série investiga uma das narrativas mais repetidas da história da tecnologia: a suposta morte do COBOL. Durante décadas, revistas, jornais, consultorias e especialistas anunciaram seu desaparecimento. Entretanto, o COBOL permaneceu processando bancos, seguradoras, governos, cartões, pagamentos e sistemas críticos.
Os títulos e links acima são elementos HTML reais, permitindo que mecanismos de busca encontrem e rastreiem todos os capítulos. Os iframes funcionam apenas como previews visuais.