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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Aventura do Barbinha no Aquário da Expo

Bellacosa Mainframe em uma tarde no Oceanario de Lisboa

Um Café no Bellacosa Mainframe

🐠 Aventura do Barbinha no Oceanário de Lisboa — Quando o Mundo Cabia Atrás de um Vidro

Ele tinha apenas dois anos. Para mim, aqueles enormes aquários já eram fascinantes. Para o pequeno Barbinha, porém, cada vidro parecia uma janela para outro mundo. Peixes, cores, movimentos e criaturas estranhas transformavam uma simples visita de fim de semana em uma verdadeira expedição entre pai e filho.

O Barbinha era — e continua sendo — um dos apelidos carinhosos que dei ao meu filho, Luís Renato. Às vezes também o chamava de Luigi.

Nesta gravação ele tinha apenas dois anos.

Morávamos em Portugal e uma das coisas que eu procurava fazer nos finais de semana era justamente sair com ele para conhecer alguma coisa diferente. Não precisava ser uma grande viagem ou uma aventura extraordinária.

A aventura podia estar ali mesmo, em Lisboa.

E poucas coisas eram tão fascinantes para nós dois quanto uma visita ao Oceanário de Lisboa.

Eu sempre gostei de peixes, aquários e vida marinha. Portanto, confesso que havia uma excelente desculpa paternal envolvida:

— Vamos levar o Barbinha ao Oceanário!

Claro.

Pelo desenvolvimento cultural da criança.

Absolutamente.

O fato de o pai também adorar aquilo era apenas uma feliz coincidência. 😄


🌊 Um pedaço da Expo 98 que continuava vivo

O Oceanário era um daqueles lugares especiais que Lisboa havia herdado da Expo 98.

A exposição terminou, os visitantes foram embora, o calendário avançou, mas aquele fabuloso edifício permaneceu como uma espécie de portal para os oceanos.

E nós aproveitávamos.

Sempre que podíamos, voltávamos.

Para um adulto, retornar ao mesmo lugar poderia parecer repetitivo.

Para uma criança de dois anos, não.

Naquela idade, praticamente tudo ainda estava sendo descoberto pela primeira vez.

E mesmo aquilo que já havia sido visto anteriormente podia ser novamente extraordinário.

Um peixe que na visita anterior passou despercebido agora chamava atenção.

Uma criatura escondida atrás de uma pedra aparecia.

Uma cor diferente surgia.

Um movimento inesperado acontecia.

E lá estava o Barbinha, pequenino diante daqueles enormes vidros, tentando compreender aquele universo líquido.

🐟 "Olha aquele!"

Uma das coisas mais divertidas era simplesmente acompanhar suas reações.

Os peixinhos.

Os peixões.

As criaturas estranhas.

Os movimentos dentro da água.

Cada tanque podia nos prender durante vários minutos.

Eu mostrava alguma coisa.

Ele encontrava outra.

Eu tentava explicar.

Ele observava.

Nós brincávamos.

Explorávamos.

Aprendíamos juntos.

Talvez seja justamente aí que esteja uma das minhas lembranças mais importantes desses passeios.

Eu não queria simplesmente entretê-lo.

Queria alimentar aquela pequena curiosidade que estava começando a aparecer.

Uma criança de dois anos não precisa saber o nome científico de um peixe.

Não precisa decorar espécies.

Não precisa compreender ecossistemas.

Mas pode descobrir algo muito mais importante:

que o mundo é interessante.


🧠 Expandindo uma pequena mente

Eu procurava aproveitar aqueles momentos para expandir sua pequena mente.

Não no sentido de transformar cada passeio em uma aula formal.

Muito pelo contrário.

A aprendizagem acontecia justamente porque estávamos nos divertindo.

Era:

olhar, perguntar, apontar, descobrir, rir e procurar novamente.

A curiosidade vinha antes da explicação.

E acredito que isso faça uma diferença enorme.

Quando uma criança descobre que aprender pode ser divertido, qualquer lugar pode se transformar em uma sala de aula.

Um aquário.

Uma estação ferroviária.

Um museu.

Uma praça.

Uma floresta.

Uma rua.

Até uma poça d'água.

Na postagem original escrevi justamente sobre isso: o Barbinha parecia querer explorar cada pequena "pocinha de água".

E havia algo muito bonito naquele comportamento.

Para mim talvez fosse apenas mais um tanque.

Para ele, havia alguma coisa lá dentro.

E isso bastava para investigar.


👨‍👦 Pai e filho diante do oceano

Hoje, olhando novamente essas gravações, percebo que existe outra história acontecendo silenciosamente nas imagens.

Na época eu estava simplesmente vivendo aquilo.

Pegava a câmera e filmava meu filho.

Só isso.

Não imaginava necessariamente o valor que aqueles minutos teriam muitos anos depois.

Mas o vídeo acabou capturando algo que não aparece em nenhum guia turístico.

Capturou uma fase da nossa vida.

Um menino de dois anos.

Seu pai.

Um final de semana em Lisboa.

E algumas horas disponíveis para descobrir o mundo juntos.

Talvez por isso esses vídeos espalhados pelo blog tenham se tornado tão interessantes para mim.

Individualmente parecem pequenos registros.

Quando colocados juntos, porém, começam a formar uma espécie de arqueologia afetiva.

Aqui está o Barbinha no Oceanário.

Em outro vídeo estamos em outro passeio.

Depois existe outra aventura.

E mais outra.

Pequenos fragmentos de uma infância que continuou avançando enquanto a câmera registrava alguns segundos aqui e alguns minutos ali.

🐠 O aquário nunca era exatamente o mesmo

Visitamos o Oceanário outras vezes.

E isso também fazia parte da graça.

Eu gostava daquele lugar.

Luís gostava daquele lugar.

Então voltávamos.

Mas nunca fazíamos exatamente a mesma visita.

Essa talvez seja uma das coisas curiosas sobre aquários.

Você pode ficar olhando para o mesmo tanque durante dez minutos e ele nunca será exatamente igual.

Os animais estão se movimentando.

Um peixe desaparece.

Outro surge.

Alguma criatura que estava escondida resolve aparecer.

A luz muda.

Seu próprio olhar muda.

E quando você está acompanhado de uma criança, existe ainda outra variável:

ela enxerga coisas que você deixou de procurar.

O adulto entra em um ambiente e rapidamente classifica:

— Aquário.

A criança entra e pergunta silenciosamente:

— O que será que existe ali?

Existe uma diferença gigantesca entre as duas coisas.

👀 Talvez os adultos desaprendam a olhar

Foi algo que já me chamou atenção naquela época.

Nós, adultos, nos acostumamos com o extraordinário.

Um enorme tanque cheio de criaturas marinhas está diante de nós e, depois de alguns minutos, nosso cérebro começa a tratá-lo como cenário.

Uma criança ainda não desenvolveu completamente essa terrível habilidade.

Ela continua olhando.

Aproxima o rosto do vidro.

Segue um peixe.

Perde o peixe.

Procura novamente.

Encontra outro.

Aponta.

Chama o pai.

E recomeça tudo.

Talvez eu estivesse tentando ensinar coisas ao Barbinha.

Mas, pensando agora, provavelmente ele também estava me ensinando a olhar novamente.

🔎 Sempre havia um detalhe novo

Essa era uma das razões pelas quais gostávamos de voltar.

Sempre havia alguma coisa que não tínhamos percebido anteriormente.

Isso transformava cada visita numa pequena expedição.

Não existia aquela obrigação adulta de:

"Já fomos, portanto já conhecemos."

Conhecer não funciona assim.

Você pode visitar um lugar dez vezes e encontrar alguma coisa diferente na décima primeira.

Aliás, talvez isso também explique meu fascínio por exploração até hoje.

Existe sempre mais uma porta.

Mais um corredor.

Mais uma história.

Mais um detalhe.

Mais um peixe escondido atrás daquela pedra que ninguém tinha percebido.

🐡 A verdadeira aventura do Barbinha

Olhando hoje para o título que coloquei naquela postagem em 2010 — "Aventura do Barbinha no Aquário da Expo" — percebo que a palavra mais importante talvez seja justamente aventura.

Porque para uma criança de dois anos aquilo realmente era uma aventura.

Não havia monstros.

Não havia mapas secretos.

Não havia tesouros enterrados.

Mas havia um oceano inteiro atrás de enormes paredes de vidro.

E, quando se tem dois anos, isso é mais do que suficiente.

Talvez nós adultos compliquemos demais o significado da palavra aventura.

Às vezes aventura é simplesmente sair de casa segurando a mão do pai sem saber exatamente o que vai aparecer depois da próxima porta.

❤️ O que ficou daquela visita

A Expo 98 terminou.

Os anos passaram.

O Barbinha cresceu.

Luigi deixou de ser aquele pequenino de dois anos diante do aquário.

E eu também mudei.

Mas aquele menino continua existindo por alguns minutos dentro daquela gravação.

Continua olhando os peixes.

Continua explorando.

Continua descobrindo.

E eu continuo ali com ele.

É justamente por isso que gosto de recuperar essas antigas postagens do blog.

Não estou apenas recuperando vídeos.

Estou encontrando pequenos pedaços da nossa vida que ficaram estacionados no tempo.

Naquele final de semana em Lisboa, provavelmente achei que estava apenas levando meu filho para passear no Oceanário.

Hoje percebo que estava fazendo outra coisa.

Estávamos construindo memória.

Eu procurava cultivar nele a curiosidade, a apreciação pelas coisas, a vontade de descobrir, observar e aprender.

Queria mostrar ao meu pequeno Barbinha que havia um mundo gigantesco esperando para ser explorado.

E talvez essa seja uma das melhores coisas que um pai possa oferecer a um filho:

não todas as respostas,

mas a vontade de continuar fazendo perguntas.

Porque, quando você tem dois anos, um aquário pode conter um oceano.

E quando você aprende a conservar um pouco dessa curiosidade depois de adulto...

o mundo inteiro continua sendo um lugar enorme para explorar.


🥚 Easter egg Bellacosa

Anos depois eu passaria horas olhando telas cheias de jobs, programas COBOL, dumps, datasets e sistemas tentando encontrar aquele pequeno detalhe que ninguém tinha percebido.

Talvez a origem do método fosse muito mais antiga.

Talvez estivesse ali.

No Oceanário de Lisboa.

Ao lado de um menino de dois anos que olhava atentamente para uma "pocinha de água" porque tinha certeza de que ainda havia alguma coisa escondida lá dentro.

E quase sempre havia.

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Um dia diferente no aquário


Estamos no Oceanário de Lisboa na primeira visita do Barbinha, ele ficou encantado, explorando cada pocinha de agua, ficando maluquinho vendo os peixinhos e peixoes.



E curioso que nos adultos não olhamos com a mesma surpresa e satisfação que uma criança, é incrível pois tamanha maravilha deveria ser vista com olhos de crianças.

Milhares de litros d'agua imitando as características dos 7 mares, desde aguas frias do antárctico as aguas tropicais. Peixes, crustáceos e moluscos das mais diversas variedades.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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