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quarta-feira, 15 de julho de 2026

A Corrida pelo Último Megawatt: Nubank, Itaú, Santander, AWS, IA e o Dia em que o Mainframe Descobriu que seu Novo Concorrente Não Era a Cloud — Era a Usina Elétrica

 

Bellacosa Mainframe e a corrida pelo ultimo megawatt

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A Corrida pelo Último Megawatt: Nubank, Itaú, Santander, AWS, IA e o Dia em que o Mainframe Descobriu que seu Novo Concorrente Não Era a Cloud — Era a Usina Elétrica

⚡ AWS, Gravity, Datomic, Kubernetes, IBM Z, LinuxONE, IA, data centers, energia, contingência e o estranho futuro em que milhões de transações bancárias disputam megawatts com GPUs — enquanto o coronel Potter pergunta quem foi o gênio que colocou o plano de DR inteiro na mesma região


São 06h13.

Algum lugar do interior de São Paulo.

Dentro de uma barraca improvisada que inexplicavelmente contém três monitores, um terminal 3270, um cluster Kubernetes e uma cafeteira que certamente reprovaria numa auditoria elétrica, o radar começa a apitar.

BIP.

BIP.

BIP.

Radar O'Reilly entra correndo.

— Coronel! Temos problemas!

Sherman Potter nem levanta os olhos.

— Coreia?

— Pior.

— Produção?

— Muito pior.

— Fale, Radar.

Ele coloca um relatório sobre a mesa.

NUBANK
AWS
ITAÚ
SANTANDER
IA
DATA CENTERS
GPU
MAINFRAME

DEMANDA: ↑↑↑↑↑

ENERGIA DISPONÍVEL: ¯\_(ツ)_/¯

Hawkeye Pierce aparece com uma caneca.

— Quem foi atingido?

Radar responde:

— Ninguém ainda.

— Então por que estamos acordados?

— Porque todos querem construir data centers ao mesmo tempo.

Hawkeye observa o documento.

— Qual o diagnóstico?

Do outro lado da barraca, um velho sysprog que ninguém lembra de ter contratado olha para o RMF e responde:

Falta de megawatt.

Silêncio.

Potter franze a testa.

— Achei que estávamos falando de computadores.

O sysprog toma o café.

— Coronel, chegamos ao ponto em que falar de computadores significa falar de usinas elétricas.

Bem-vindo ao M*A*S*H tecnológico.

Hoje nosso paciente é o sistema bancário brasileiro.

E talvez precisemos operar.


🩺 1. O diagnóstico mudou

Durante décadas, quando discutíamos capacidade bancária, falávamos de:

CPU
MIPS
MSU
MEMÓRIA
I/O
STORAGE
TPS

Depois veio a cloud.

O discurso mudou para:

vCPU
containers
pods
nodes
autoscaling
serverless
regions
availability zones

Parecia que havíamos eliminado a limitação física.

Precisava de mais capacidade?

scale-out

Mais?

scale-out

Mais?

scale-out

Só havia um pequeno problema.

Cada scale-out eventualmente precisa virar:

CPU REAL
RAM REAL
SSD REAL
SWITCH REAL
RACK REAL
ENERGIA REAL
REFRIGERAÇÃO REAL

E eis a grande ironia da cloud:

o computador desapareceu da visão do programador, mas nunca desapareceu do planeta.

A nuvem é uma extraordinária abstração de recursos físicos.

Não uma violação das leis da termodinâmica.


🩺 2. O primeiro paciente: Nubank

O Nubank talvez seja o melhor exemplo brasileiro dessa transformação.

Ele não começou com um grande legado IBM Z para depois migrar.

Nasceu digital.

Sua história tecnológica pública inclui:

AWS
Clojure
Datomic
Kafka
Kubernetes
microservices
machine learning

E chegou a uma escala impressionante.

Em abril de 2025, a engenharia do Nu revelou operar mais de 4.000 microsserviços, processando aproximadamente 72 bilhões de eventos Kafka diariamente e lidando rotineiramente com milhões de requisições por segundo. (Building Nubank)

Em julho de 2026, outra publicação trouxe um número quase surreal:

mais de 21.000 databases em produção, distribuídos entre Brasil, México e Colômbia.

A camada de database é administrada diretamente por apenas cinco engenheiros, graças a automação, self-service e ownership distribuído. (Building Nubank)

O COBOLzeiro lê:

21.000 DATABASES

e pergunta:

— Vocês estão bem?

Sim.

É uma consequência da granularidade de uma arquitetura de microsserviços.


🩺 3. O dia em que a cloud mostrou que também possui teto

A história técnica do Nubank é particularmente interessante porque seu crescimento obrigou a empresa a enfrentar limites de capacidade e quotas.

Nos primeiros tempos, infraestrutura concentrada em poucas contas AWS foi apelidada internamente de:

Pangeia.

Um supercontinente.

            PANGEIA

    ┌────────────────────┐
    │     AWS ACCOUNT    │
    │                    │
    │   serviços         │
    │   Datomic          │
    │   Kafka            │
    │   Kubernetes       │
    │   serviços         │
    │   serviços         │
    └────────────────────┘

Funcionou.

Até crescer demais.

A concentração aumentava blast radius, complicava isolamento entre ambientes e pressionava limites.

Então surgiu a:

Continental Drift.

A Deriva Continental.

         PANGEIA
            |
            ↓

 ┌────────┐ ┌────────┐ ┌────────┐
 │ACCOUNT │ │ACCOUNT │ │ACCOUNT │
 │   A    │ │   B    │ │   C    │
 └────────┘ └────────┘ └────────┘

Domínios separados.

Recursos separados.

Falhas mais isoladas.

Quotas menos concentradas. (Building Nubank)

É arquitetura distribuída aprendendo uma das regras mais antigas da engenharia:

não coloque todos os ovos na mesma cesta.

O mainframe chama Potter.

— Coronel?

— Sim?

— Parallel Sysplex mandou lembranças.


🩺 4. Mas atenção: Nubank NÃO esgotou a AWS brasileira

Aqui precisamos colocar uma etiqueta vermelha no prontuário.

NUBANK ESGOTOU TODA A AWS BRASIL

FALSO.

Não há evidência disso.

O que relatos técnicos do Nubank mostram é que determinados modelos de crescimento chegaram a encontrar limites de recursos/capacidade.

Isso é diferente.

Imagine:

AWS BRASIL

████████████████████████████████████████

Nubank não fez:

████████████████████████████████████████
NUBANK

A situação é mais parecida com:

PRECISO:

tipo específico de recurso
+
determinada região/AZ
+
determinada configuração
+
grande quantidade
+
agora

E naquele contexto a resposta pode ser:

CAPACITY NOT AVAILABLE

A própria documentação da AWS reconhece que Availability Zones podem tornar-se capacity constrained, a ponto de o provedor restringir criação de determinados recursos zonais. (Documentação AWS)

Cloud possui estoque.

Só que você não vê o almoxarifado.


🩺 5. Entra Itaú — e agora a coisa fica realmente grande

O segundo paciente é o Itaú Unibanco.

E aqui precisamos atualizar uma informação importante.

A intenção pública divulgada pelo banco é realmente radical.

Durante o AWS re:Invent 2024, em dezembro de 2024, Ricardo Guerra, CIO do Itaú, anunciou o plano de migrar 100% dos sistemas para cloud, incluindo sistemas que atualmente executam no mainframe.

Na ocasião, 65% das aplicações já estavam em cloud.

A meta divulgada foi:

2017
  |
início da jornada
  |
  v
2024
  |
65% aplicações cloud
  |
  v
2028
  |
migração prevista
  |
  v
2030
  |
estabilização prevista

Portanto, a história do 2030 possui uma nuance importante.

A migração foi anunciada para 2028, seguida de aproximadamente dois anos previstos para estabilização. (BR About Amazon)

E estamos falando do coração do banco.

Os 35% restantes descritos em 2024 eram fundamentalmente rotinas contábeis — justamente a lógica mais profundamente associada ao core. (BR About Amazon)

Isso muda completamente nossa discussão.


🩺 6. Porque Itaú não é uma fintech de garagem

Migrar um sistema web é uma coisa.

Migrar:

CORE
CONTABILIDADE
LEDGER
TRANSAÇÕES
BATCH
INTEGRAÇÕES
DÉCADAS DE REGRAS

é outra.

É quase como anunciar:

“Vamos trocar o motor do avião.”

Pergunta:

— Quando?

Resposta:

— Durante o voo.

Hawkeye:

— Excelente. Quem trouxe paraquedas?

O Itaú afirma que, desde o início dessa transformação, incidentes de alto impacto na experiência dos clientes diminuíram 99%, enquanto o custo por transação caiu 55%. (BR About Amazon)

O projeto utiliza inclusive IA generativa para ajudar na modernização de aplicações mainframe através do Amazon Q Developer. (BR About Amazon)

Ou seja:

MAINFRAME
   |
   v
ANÁLISE / MODERNIZAÇÃO
   |
   +── IA GENERATIVA
   |
   v
AWS

Isso é uma mudança arquitetural monumental.


🩺 7. Agora entra Santander carregando Gravity

O Santander escolheu outro caminho fascinante.

O nome é:

Gravity.

Em 19 de junho de 2025, o Santander anunciou ter concluído a migração de toda a infraestrutura tecnológica core da operação espanhola para Gravity, sua plataforma cloud-based de core banking. (Santander)

E a escala espanhola já é enorme:

> 4,3 bilhões
transações/ano

picos:
~33.000 transações/segundo

O Santander anunciou ainda que Brasil e México estavam entre os próximos rollouts; com esses avanços, esperava atingir aproximadamente 80% da infraestrutura tecnológica core global migrada para cloud. (Santander)

Quando concluída, Gravity deverá lidar com mais de:

1 trilhão de operações técnicas por ano.

(Santander)

Radar olha para Potter.

— Coronel, acho que vamos precisar de outra extensão elétrica.


🩺 8. A parte brilhante do Gravity: execução paralela

Aqui o COBOLzeiro deveria prestar muita atenção.

O Santander não simplesmente diz:

MAINFRAME OFF

CLOUD ON

BOA SORTE.

Gravity permite processamento simultâneo.

Conceitualmente:

               TRANSAÇÃO
                   |
          ┌────────┴────────┐
          |                 |
          v                 v
     MAINFRAME            CLOUD
          |                 |
          └───────┬─────────┘
                  |
               COMPARE
                  |
           RESULTADO IGUAL?
                  |
                 SIM
                  |
              CUTOVER

O Santander descreve justamente capacidade de processar simultaneamente em mainframe e cloud, permitindo testes em tempo real antes da transição definitiva. (Santander)

Para quem viveu migração bancária:

isso é música.

Você não confia na apresentação do PowerPoint.

Você reconcilia.


🩺 9. E então chegam as fintechs

Agora acrescente:

Nubank
Mercado Pago
PicPay
Inter
C6
Neon
fintech A
fintech B
fintech C

Mais:

e-commerce
streaming
governo
SaaS
telecom
indústria

Todos querendo cloud.

O problema começa a parecer:

                     DATACENTER

 BANCO ────────────────┐
 FINTECH ──────────────┤
 VAREJO ───────────────┤
 GOVERNO ──────────────┼──► COMPUTE
 TELECOM ──────────────┤
 STREAMING ────────────┤
 SaaS ─────────────────┘

Até aí tudo bem.

Então alguém abre a porta.

Entra um sujeito carregando 20.000 GPUs.

— Bom dia.

— Quem é você?

Inteligência Artificial.

Hawkeye fecha os olhos.

— Estamos ferrados.


🩺 10. IA mudou a unidade de medida

Aplicações empresariais tradicionais consomem energia.

Mas infraestrutura moderna de IA aumentou dramaticamente a densidade computacional.

Agora falamos de:

GPU
GPU
GPU
GPU
GPU
GPU

+
HBM
+
NETWORK FABRIC
+
STORAGE
+
COOLING

O gargalo começa a migrar de:

TEMOS CPU?

para:

TEMOS ENERGIA?

e depois:

TEMOS SUBESTAÇÃO?

e finalmente:

A REDE DE TRANSMISSÃO CONSEGUE ENTREGAR?

A Empresa de Pesquisa Energética brasileira já trata data centers explicitamente como grandes cargas cujo crescimento afeta diretamente o planejamento de expansão da transmissão. (EPE)

Isso é importantíssimo.

Data center deixou de ser apenas assunto de CIO.

Virou assunto de planejamento energético nacional.


⚡ 11. O Brasil descobriu o problema

E aqui os números ficam extraordinários.

Depois do REDATA, instituído em setembro de 2025, ocorreu forte crescimento dos pedidos relacionados a novos data centers.

Segundo a EPE, em apenas pouco mais de 60 dias apareceram 6,4 GW adicionais em projetos solicitando estudos para conexão à Rede Básica.

O pipeline passou de:

SET/2025
19,8 GW

   ↓

NOV/2025
26,2 GW

(EPE)

26,2 GIGAWATTS.

Agora não estamos mais discutindo servidor.

Estamos discutindo infraestrutura elétrica em escala industrial.

E a própria EPE ressalva corretamente que isso é pipeline de projetos, não capacidade que certamente será construída: implantação depende de transmissão, telecomunicações, viabilidade financeira, garantias e outros fatores. (EPE)


⚡ 12. Onde estão querendo colocar tudo isso?

Principalmente onde você provavelmente imaginou:

São Paulo.

Segundo a EPE, existe forte concentração de projetos no estado, especialmente nas regiões metropolitanas de:

SÃO PAULO

     e

CAMPINAS

(EPE)

Não é coincidência.

A região concentra:

  • mercado financeiro;

  • empresas;

  • telecomunicações;

  • fibras;

  • IXs;

  • mão de obra;

  • infraestrutura;

  • consumidores;

  • provedores;

  • ecossistema tecnológico.

São Paulo é para processamento brasileiro algo próximo do que Wall Street é para finanças americanas:

gravidade.

Quanto mais infraestrutura existe, mais infraestrutura quer ficar perto dela.


⚡ 13. Mas isso cria concentração geográfica

Imagine:

BRASIL

                  Brasília
                     ●

       São Paulo
     ████████████

        Campinas
      █████████

 Rio ●

 Sul ●

 Nordeste ●

É apenas uma representação conceitual, não um mapa quantitativo.

Mas o problema é real.

Concentração produz eficiência.

Também produz risco.

Energia.

Fibra.

Subestações.

Eventos climáticos.

Falhas regionais.

Interrupções de backbone.

Se boa parte da infraestrutura crítica brasileira convergir para o mesmo eixo geográfico, surge uma pergunta desconfortável:

Quantas arquiteturas “distribuídas” estão fisicamente concentradas nos mesmos lugares?

Essa é uma pergunta extraordinariamente importante.


⚡ 14. AWS Brasil também possui geografia

A AWS possui a região brasileira sa-east-1.

Ela contém atualmente três Availability Zones:

sae1-az1
sae1-az2
sae1-az3

(Documentação AWS)

Cada AZ consiste em um ou mais data centers fisicamente separados, com energia, rede e conectividade redundantes; as zonas são conectadas por redes metropolitanas de baixa latência e alta largura de banda. (Documentação AWS)

Essa arquitetura permite:

          REGION

     ┌──────┼──────┐
     │      │      │
    AZ1    AZ2    AZ3

Se AZ1 falhar:

AZ1 💥

AZ2 ✓
AZ3 ✓

desde que sua aplicação tenha sido realmente projetada para isso.

Esse último pedaço da frase deveria estar escrito em letras garrafais.


🩺 15. “Estamos na AWS” NÃO é plano de contingência

Esta talvez seja a lição mais importante do artigo.

Alguém pergunta:

— Temos DR?

Resposta:

— Sim. Estamos na cloud.

ERRADO.

Cloud é infraestrutura.

DR é arquitetura.

Você pode construir:

APPLICATION
     |
    AZ1

e possuir um belo single point of failure.

Melhor:

       APPLICATION
          |
      ┌───┴───┐
      │       │
     AZ1     AZ2

Melhor ainda para certos sistemas críticos:

             APPLICATION
                  |
       ┌──────────┴──────────┐
       │                     │
    REGION A              REGION B
       │                     │
    AZ1/AZ2               AZ1/AZ2

E em casos extremos:

AWS
 |
 +── REGION A
 +── REGION B

PRIVATE CLOUD

IBM Z

A pergunta não é:

“Qual cloud você usa?”

É:

“Qual falha você consegue sobreviver?”


🩺 16. Multi-cloud resolve?

Talvez.

Mas existe um preço.

Você pode fazer:

              BANK
                |
       ┌────────┼────────┐
       │        │        │
      AWS      GCP     AZURE

Bonito.

Agora mantenha:

IAM
network
database
observability
deployment
security
skills
CI/CD
DR
data synchronization

em três plataformas.

Parabéns.

Você acabou de trocar:

RISCO DE CONCENTRAÇÃO

por:

COMPLEXIDADE OPERACIONAL

Arquitetura é frequentemente escolher qual problema você prefere possuir.


⚡ 17. O sistema elétrico brasileiro entrou oficialmente no war room

A EPE projeta que o consumo total de eletricidade brasileiro poderá chegar a aproximadamente 939 TWh em 2035 no cenário de referência.

O crescimento médio projetado é 3,3% ao ano. (EPE)

Mas existe algo mais interessante.

Cargas especiais — incluindo data centers, hidrogênio e eletromobilidade — podem representar parcela significativa da demanda futura, dependendo do cenário.

O próprio planejamento já considera data centers explicitamente. (EPE)

E o Brasil prevê cerca de:

R$ 120 bilhões

em investimentos no sistema de transmissão até 2035, no cenário de referência do PDE. (EPE)

O velho sysprog observa.

— Então precisamos fazer upgrade do backbone.

O engenheiro elétrico responde:

— Exatamente.

— Fibra?

— Não.

— Ethernet?

— Não.

— Então o quê?

500 kV.

Silêncio.


⚡ 18. São Paulo já precisa abrir espaço elétrico

A EPE informou que estudos concluídos recomendaram cerca de R$ 1,6 bilhão em novos investimentos de transmissão para São Paulo, capazes de liberar aproximadamente 4 GW de margem de conexão.

Outros estudos poderiam acrescentar cerca de mais 5 GW de margem no estado. (EPE)

Veja como a conversa evoluiu.

Ontem:

Precisamos de mais EC2.

Hoje:

Precisamos de mais 4 GW.

O programador pede:

kubectl scale deployment

e em algum lugar um engenheiro elétrico responde:

Calma, campeão.


🩺 19. E então IBM entra no centro cirúrgico

Agora chegamos à IBM.

Seria tentador imaginar IBM olhando Itaú, Santander e Nubank e dizendo:

CLOUD É MODA.

Não.

A resposta estratégica da IBM é muito mais sofisticada:

HYBRID CLOUD.

Não:

MAINFRAME
    OU
CLOUD

mas:

              ENTERPRISE

                  |
       ┌──────────┼──────────┐
       │          │          │
       v          v          v
     IBM Z      CLOUD     LinuxONE
       │          │          │
     CICS     Kubernetes    Linux
     COBOL      APIs       Containers
     Db2         AI          AI
       │          │          │
       └──────────┼──────────┘
                  |
                DATA

IBM percebeu que tentar impedir cloud seria inútil.

A estratégia é fazer IBM Z participar do ecossistema moderno.


🩺 20. z17 entra na guerra

E em 7 de julho de 2026 aconteceu algo simbolicamente importante.

IBM expandiu z17 e LinuxONE 5 com configurações single-frame e rack-mount.

Pela primeira vez, rack mount passou a estar disponível através de toda essa família Z/LinuxONE. (IBM Newsroom)

Isso significa colocar arquitetura Z mais naturalmente dentro da infraestrutura contemporânea de data centers.

E o comunicado da IBM toca justamente no nosso assunto:

organizações enfrentando disponibilidade extremamente baixa de espaço em data centers e custos elevados de capacidade. (IBM Newsroom)

IBM está dizendo:

Quer falar de densidade computacional? Ótimo. Vamos conversar.


⚡ 21. O mainframe encontra sua velha arma: densidade

O argumento histórico de sistemas distribuídos era:

commodity hardware
+
scale-out
=
economia

Mas quando chegamos a milhares de servidores:

SERVERS
+
NETWORK
+
STORAGE
+
COOLING
+
ENERGY
+
RACKS
+
SOFTWARE
+
OPERATIONS

precisamos mudar a métrica.

Não pergunte apenas:

Quanto custa uma VM?

Pergunte:

TRANSAÇÕES / WATT

TRANSAÇÕES / RACK

TRANSAÇÕES / m²

TRANSAÇÕES / ADMINISTRADOR

TRANSAÇÕES / DÓLAR

Agora IBM Z volta a uma conversa na qual sempre foi extremamente confortável.

Consolidação.


⚡ 22. LinuxONE torna a discussão ainda mais divertida

Porque alguém pode responder:

— Mas não quero COBOL.

IBM:

— Tudo bem.

— Quero Linux.

— Temos.

— Containers.

— Temos.

— Kubernetes.

— Temos.

— Java.

— Temos.

— Open source.

— Temos.

CLOUD-NATIVE
     |
     v
CONTAINERS
     |
     v
LINUX
     |
     v
LINUXONE

Ou seja, a batalha não é necessariamente:

MAINFRAME vs CLOUD

Pode ser:

QUAL ARQUITETURA
EXECUTA ESTE WORKLOAD
COM MELHOR

CUSTO
RESILIÊNCIA
DENSIDADE
SEGURANÇA
LATÊNCIA
ENERGIA?

Essa é uma discussão muito mais madura.


🩺 23. O futuro provavelmente será heterogêneo

Não acredito que o banco de 2035 necessariamente terá:

100% MAINFRAME

nem:

100% PUBLIC CLOUD

A tendência mais interessante é:

                    BANCO 2035

                        |
       ┌────────────────┼────────────────┐
       │                │                │
       v                v                v
     IBM Z          PUBLIC CLOUD     PRIVATE CLOUD
       │                │                │
   ledger/core        digital           dados
   settlement         analytics          IA
   high TPS             APIs          containers
       │                │                │
       └────────────────┼────────────────┘
                        |
                    APIs/EVENTS

Santander pode avançar muito mais na direção cloud.

Itaú declarou uma estratégia extremamente agressiva de migração.

Nubank já nasceu cloud-native.

Outras instituições poderão escolher misturas diferentes.

E isso é saudável.


⚠️ 24. Existe, porém, um risco novo: concentração sistêmica

Aqui está algo que merece atenção de bancos centrais, reguladores, CIOs e arquitetos.

No passado:

BANCO A → DC A

BANCO B → DC B

BANCO C → DC C

Agora imagine:

BANCO A ───┐
BANCO B ───┤
FINTECH A ─┤
FINTECH B ─┼──► HYPERSCALER / REGION
VAREJO ────┤
GOVERNO ───┤
SAAS ──────┘

Individualmente, cada empresa pode ter aumentado sua resiliência.

Coletivamente, podemos ter criado uma nova concentração.

Isso é o paradoxo.

Diversificação lógica pode esconder concentração física.

Dez bancos podem possuir arquiteturas diferentes...

executando em instalações que dependem dos mesmos corredores de fibra, da mesma região metropolitana ou de partes relacionadas do mesmo sistema elétrico.


⚠️ 25. E temos soberania

Outro problema.

Dados financeiros são infraestrutura estratégica.

Perguntas inevitáveis surgem:

Onde estão os dados?

Quem controla a infraestrutura?

Quem fabrica os processadores?

Quem controla o hypervisor?

Quem controla o software?

Quem possui as chaves?

Quem consegue desligar?

Qual legislação prevalece?

Cloud traz eficiência extraordinária.

Mas concentração em empresas estrangeiras também introduz questões de soberania tecnológica.

Isso não significa:

“cloud estrangeira é ruim”.

Significa:

infraestrutura crítica exige análise geopolítica além da análise técnica.

O CIO de 2035 precisará conversar com:

CISO
CFO
regulador
engenheiro elétrico
jurídico
geopolítica

O emprego ficou mais interessante.


⚠️ 26. Água também entra na conversa

Data centers precisam dissipar calor.

Dependendo da tecnologia de refrigeração, disponibilidade hídrica também pode ser relevante.

Então o site selection passa a considerar:

ENERGIA
+
ÁGUA
+
FIBRA
+
LATÊNCIA
+
TERRENO
+
IMPOSTOS
+
CLIMA
+
RISCO
+
MÃO DE OBRA

O data center moderno é quase uma cidade industrial.

A aplicação continua dizendo:

POST /payment

Mas atrás dela pode existir uma infraestrutura de centenas de milhões ou bilhões.


⚡ 27. A IA piora tudo — e pode ajudar

Aqui existe outro paradoxo maravilhoso.

IA aumenta brutalmente demanda computacional.

Mas IA também pode otimizar:

cooling
capacity
scheduling
energy
fraud
operations
predictive maintenance

Então:

IA
 |
 +── consome energia
 |
 └── ajuda a economizar energia

M*A*S*H teria orgulho.

Criamos um paciente que também trabalha no hospital.


🩺 28. Como deveria ser a contingência bancária?

Para um sistema realmente crítico, eu pensaria em camadas.

Nível 1 — aplicação

retry
timeout
circuit breaker
idempotency

Nível 2 — compute

multiple instances
autoscaling

Nível 3 — AZ

AZ A
AZ B
AZ C

Nível 4 — região

REGION A
REGION B

Nível 5 — plataforma

Dependendo do risco:

PUBLIC CLOUD
+
PRIVATE INFRASTRUCTURE

Nível 6 — dados

replication
backup
immutable backup
reconciliation

Nível 7 — operação

runbook
war room
chaos testing
DR exercise

Porque existe uma diferença enorme entre:

TEMOS DR

e:

TESTAMOS DR NA SEMANA PASSADA.

A segunda frase vale muito mais.


🩺 29. E não esqueça o modo degradado

Bancos deveriam perguntar:

Se 30% da infraestrutura desaparecer, precisamos realmente desligar 100% do banco?

Talvez não.

Imagine:

NORMAL MODE

PIX
CARTÃO
INVESTIMENTOS
EXTRATOS
MARKETING
RECOMENDAÇÕES
CHATBOT
ANALYTICS

Durante crise:

SURVIVAL MODE

PIX
CARTÃO
SALDO
AUTENTICAÇÃO

todo o resto:
WAIT

Aviação, telecomunicações e sistemas críticos conhecem bem esse conceito.

Preservar funções essenciais pode ser melhor que tentar manter tudo e perder tudo.


🩺 30. A grande pergunta do iniciante COBOL

Depois de tudo isso, o jovem programador pergunta:

— Então mainframe venceu?

Não.

— Cloud venceu?

Também não.

— Então quem venceu?

O velho sysprog aponta para a tomada.

— Ele.

Porque:

COBOL precisa energia.

CICS precisa energia.

Db2 precisa energia.

Kubernetes precisa energia.

Datomic precisa energia.

Kafka precisa energia.

GPU precisa MUITA energia.

Não existe:

cloud computing

sem:

electricity

A física é o sistema operacional abaixo de todos os sistemas operacionais.


☕ 31. O verdadeiro capacity planner de 2035

Talvez o capacity planner futuro não esteja olhando apenas:

CPU 73%

Ele estará olhando:

CPU ............ 73%

GPU ............ 91%

POWER .......... 87%

COOLING ........ 79%

GRID CAPACITY .. 93%

WATER .......... 68%

CARBON ......... 74%

NETWORK ........ 61%

E então perguntará:

Posso executar esse treinamento de IA agora?

Resposta:

JOB HELD

REASON:

POWER CAPACITY

O velho JES2 começa a rir em algum lugar.


🏥 Epílogo — 23h47 no M*A*S*H

Radar entra novamente.

— Coronel!

Potter olha assustado.

— O que caiu agora?

— Nada.

— Então por que está correndo?

— O pessoal da aplicação pediu mais 5.000 GPUs.

Potter olha para Hawkeye.

Hawkeye olha para B.J.

B.J. olha para Klinger.

Klinger, inexplicavelmente vestido de eletricista, pergunta:

— Quantos megawatts?

Radar consulta o papel.

Silêncio.

Potter suspira.

— Ligue para a cloud.

Radar pega o telefone.

Espera.

Desliga.

— E então?

— Disseram que precisamos falar com a concessionária.

O velho sysprog começa a rir.

Hawkeye pergunta:

— Qual a graça?

Ele abre um relatório antigo.

Na capa:

CAPACITY PLANNING
IBM MAINFRAME
1987

— Passamos quarenta anos tentando explicar que recurso computacional não é infinito.

Toma o último gole do café.

— A cloud finalmente concordou conosco.

Potter aponta para o mapa do Brasil.

São Paulo.

Campinas.

Fibra.

Subestações.

AWS.

Bancos.

Fintechs.

IA.

Data centers.

Linhas de transmissão.

Usinas.

E finalmente percebe que o diagrama correto nunca foi:

CLIENTE
  |
 APP
  |
CLOUD

Era:

                    CLIENTE
                       |
                      APP
                       |
                      API
                       |
                 MICROSERVIÇOS
                       |
             KUBERNETES / IBM Z
                       |
                DATA CENTER
                       |
                    RACK
                       |
                    CPU/GPU
                       |
                 SUBESTAÇÃO
                       |
                  TRANSMISSÃO
                       |
                    GERAÇÃO
                       |
                       ⚡

E lá embaixo, escondido sob todas as abstrações modernas, estava o verdadeiro ROOT.

Não Kubernetes.

Não AWS.

Não Clojure.

Não COBOL.

Não z/OS.

Não Linux.

Mas:

//POWER    JOB
//         EXEC PGM=ELETRICIDADE

Sem ele:

IEF450I CLOUD - ABEND=S0WATT

Hawkeye observa a tela.

— Podemos reiniciar?

O engenheiro elétrico responde:

— A usina?

— É.

— Não recomendo.

Potter fecha o prontuário.

Diagnóstico final

O futuro bancário brasileiro não será decidido apenas pela disputa:

mainframe versus cloud.

Será decidido pela capacidade de combinar computação, energia, telecomunicações, resiliência, segurança, soberania, economia e arquitetura.

O Nubank mostrou que uma instituição cloud-native pode alcançar escala bancária monumental.

O Itaú declarou uma rota para levar até seu coração transacional para cloud.

O Santander está transformando seu core através do Gravity.

AWS e outras hyperscalers continuam expandindo infraestrutura.

IBM responde apostando em hybrid cloud, IA, LinuxONE, z17 e densidade computacional.

E a IA acrescenta uma demanda gigantesca que nenhum capacity planner bancário de 1990 imaginaria.

Enquanto isso, o Brasil possui projetos de data centers que somavam 26,2 GW de pedidos em processo no MME em novembro de 2025, embora apenas uma fração disso necessariamente venha a se materializar. São Paulo concentra grande parte dessa corrida e já exige bilhões em expansão da transmissão. (EPE)

Portanto, talvez a grande discussão da próxima década não seja:

“COBOL ou Java?”

Nem:

“IBM Z ou AWS?”

Nem mesmo:

“Mainframe ou Kubernetes?”

Talvez seja:

“Onde estão os próximos 500 megawatts, quanto custam, como chegam até o data center e o que acontece com meu banco se eles desaparecerem?”

E quando essa pergunta finalmente chegar à reunião de arquitetura, haverá um velho sysprog no fundo da sala.

Ele não dirá nada.

Apenas abrirá o RMF.

Pegará o café.

E sorrirá.

Porque, depois de cinquenta anos de revoluções tecnológicas, alguém finalmente redescobriu a primeira lei não escrita do CPD:

Você pode virtualizar o servidor. Pode abstrair o storage. Pode containerizar a aplicação. Pode distribuir o banco. Pode chamar o datacenter de cloud. Pode até pedir para uma IA escrever o código.

Mas ainda não inventaram autoscaling para a tomada.

Fim do café.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

☕🚀 PADAWAN COBOL, O QUE É O GRAVITY DO SANTANDER?

 

Bellacosa Mainframe e o Gravity do Santander

☕🚀 PADAWAN COBOL, O QUE É O GRAVITY DO SANTANDER?

"Imagine que alguém pegasse décadas de COBOL, CICS, DB2 e Mainframe, colocasse tudo dentro de um foguete espacial e o lançasse rumo à nuvem. Esse foguete atende pelo nome de Gravity."


📖 Sinopse

O Gravity é a plataforma tecnológica criada pelo Banco Santander para modernizar seu núcleo bancário (Core Banking).

Não é apenas um software.

Não é apenas uma migração para nuvem.

É uma estratégia completa para permitir que sistemas bancários gigantescos deixem de depender exclusivamente de ambientes tradicionais de mainframe e passem a operar em arquitetura cloud moderna.

O objetivo é simples:

Fazer um banco de 180 milhões de clientes funcionar com a velocidade de uma fintech sem perder a robustez de um mainframe.


🏛 História

Durante décadas o Santander construiu seus sistemas bancários sobre tecnologias tradicionais:

  • COBOL

  • Mainframe IBM

  • Bancos relacionais

  • Sistemas batch

  • Processamento transacional

Essas plataformas eram extremamente confiáveis.

O problema?

O mercado mudou.

Clientes passaram a exigir:

  • PIX instantâneo

  • Aplicativos móveis

  • APIs

  • Open Finance

  • Integração em tempo real

O modelo tradicional começou a limitar a velocidade de inovação.

Por volta da década de 2010 o Santander iniciou um programa de transformação que culminou no Gravity.

Em 2022 o projeto ganhou notoriedade internacional quando o Google anunciou o uso da tecnologia por trás do Gravity no serviço Dual Run.

Em 2025 o Santander informou que mais de 90% de sua infraestrutura tecnológica já estava em nuvem.


Bellacosa Mainframe visuliza o Gravity

🚀 O que é o Gravity?

Pense nele como um:

Tradutor Universal Bancário

Ele permite que aplicações que antes viviam exclusivamente no mainframe possam operar em ambiente cloud.

Sua função principal é:

  • Modernizar o Core Banking

  • Executar processamento distribuído

  • Operar em nuvem

  • Facilitar migrações

  • Reduzir dependência de hardware especializado


Bellacosa Mainframe uma visao geral do gravity

🏦 O que é Core Banking?

Padawan...

Quando você consulta saldo no aplicativo...

Quando faz um PIX...

Quando recebe salário...

Quando solicita empréstimo...

Tudo isso acaba passando pelo Core Banking.

É o coração do banco.

Sem ele:

💀 nada funciona.


⚙ Como funciona?

O segredo do Gravity é o conceito chamado:

Dual Run

Imagine duas locomotivas andando lado a lado.

Locomotiva 1

Mainframe

  • COBOL

  • CICS

  • DB2

Locomotiva 2

Cloud

  • Microservices

  • Containers

  • APIs

Durante um período ambas executam simultaneamente.

Os resultados são comparados.

Se tudo bater:

✅ a aplicação pode ser movida para nuvem.

Isso reduz enormemente o risco da migração.


🖥 Tecnologias Envolvidas

Embora o Santander não revele todos os detalhes internos, sabe-se que o projeto envolve:

Cloud Computing

  • Google Cloud

  • Kubernetes

  • Containers

APIs

  • REST

  • Open Banking

DevOps

  • CI/CD

  • Deploy automatizado

Data

  • Processamento distribuído

  • Streaming

Engenharia Moderna

  • Observabilidade

  • Telemetria

  • Monitoramento


☕ O que acontece com o COBOL?

A pergunta de um milhão de dólares.

Muitos imaginam:

"Migrar para nuvem significa jogar COBOL fora."

Errado.

O próprio Santander declarou que muitos dos profissionais que criaram os sistemas de mainframe há 20 anos participam do Gravity.

Isso revela algo importante:

O conhecimento de negócio continua valendo ouro.

A linguagem muda.

O negócio permanece.


🔥 Pontos Fortes

Escalabilidade

Pode crescer rapidamente conforme a demanda.


Agilidade

Novas funcionalidades podem ser liberadas em horas.

Antes levavam dias ou semanas.


Menor Dependência de Hardware

Não exige expansão física de datacenters.


Automação

Reduz atividades operacionais repetitivas.


Modernização

Facilita integração com:

  • APIs

  • Open Finance

  • IA

  • Aplicativos móveis


💣 Pontos Fracos

Complexidade

Migrar um banco não é igual migrar um site.

É extremamente complexo.


Custos Elevados

Projetos dessa magnitude custam bilhões.


Dependência da Cloud

O banco passa a depender mais dos provedores de nuvem.


Escassez de Talentos

Encontrar profissionais que entendam:

  • Mainframe

  • Cloud

  • DevOps

  • Negócio bancário

não é simples.


🤔 Curiosidades

Curiosidade 1

O Gravity não foi comprado.

Foi desenvolvido pelo próprio Santander.


Curiosidade 2

O Google aproveitou conceitos da tecnologia para construir o Dual Run.


Curiosidade 3

Poucos bancos do tamanho do Santander tentaram uma transformação tão profunda.


Curiosidade 4

O conhecimento dos especialistas de mainframe foi considerado fundamental.


Curiosidade 5

Mais de 1 trilhão de operações técnicas por ano deverão ser executadas através da plataforma.


🌎 Impacto no Mercado

O Gravity é observado por:

  • BBVA

  • HSBC

  • ING

  • Barclays

  • Deutsche Bank

  • Itaú

  • Bradesco

  • Banco do Brasil

Todos enfrentam o mesmo desafio:

Como modernizar décadas de sistemas sem parar o banco?


👨‍💻 O que muda para o Desenvolvedor COBOL?

Antigamente:

COBOL
 ↓
CICS
 ↓
DB2
 ↓
Produção

Agora:

COBOL
 ↓
API
 ↓
Container
 ↓
Cloud
 ↓
Observabilidade
 ↓
Produção

O desenvolvedor moderno precisa entender:

  • APIs

  • JSON

  • Git

  • DevOps

  • Cloud

  • Segurança


⚠ Riscos para a Carreira

Se o profissional pensar:

"Vou aprender apenas COBOL e parar no tempo."

Existe risco.

O mercado quer cada vez mais:

Profissionais Híbridos

  • COBOL + Cloud

  • COBOL + APIs

  • COBOL + Java

  • COBOL + Python

  • COBOL + DevOps

O especialista puro continua existindo.

Mas o híbrido tende a ser mais valorizado.


🎯 Vantagens para o Profissional Mainframe

O Padawan costuma acreditar que:

"Cloud vai matar o Mainframe."

Na prática acontece o contrário.

Quem entende:

  • Batch

  • Integridade transacional

  • Recuperação

  • Consistência

  • Alta disponibilidade

possui conhecimentos raros que muitos profissionais cloud nunca estudaram.

Por isso diversos arquitetos de transformação digital vieram do mundo mainframe.


☕ Resumo Bellacosa Mainframe

Gravity em uma frase

"É a ponte construída pelo Santander para levar décadas de conhecimento em COBOL e Mainframe para a nuvem sem destruir aquilo que fez o banco funcionar durante gerações."

O Padawan precisa aprender?

✅ Sim.

Precisa abandonar COBOL?

❌ Não.

Precisa aprender cloud?

✅ Sim.

O Mainframe vai acabar amanhã?

❌ Não.

O mercado está mudando?

✅ Muito rápido.

Quem será mais valorizado?

🚀 O profissional que souber conversar tanto com o veterano de JCL quanto com o engenheiro de Kubernetes.

Porque o futuro não é COBOL contra Cloud.

O futuro é COBOL + Cloud, e o Gravity talvez seja um dos maiores exemplos dessa convergência já vistos na indústria bancária mundial. ☕🔥🚀🏦💻

Gravity https://www.santander.com/en/press-room/press-releases/2025/06/santander-completes-the-digitalization-of-its-technology-infrastructure-in-spain-with-the-deployment-of-gravity

Gravity Power https://www.jornalintegracao.com/noticia/40336/revista-britanica-the-banker-elege-o-banco-mais-inovador-do-mundo

Inovação https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/santander-escolhido-como-mais-inovador-por-causa-da-plataforma-gravity/

Gravity - https://sapo.pt/artigo/santander-torna-se-o-primeiro-grande-banco-ocidental-a-operar-100-na-cloud-6865c821bf6e672c9d4acb54

Gravity - https://thedigitalbanker.com/santander-passes-key-milestone-in-its-transformation-after-migrating-its-cib-banking-platform-to-the-cloud/








sábado, 28 de fevereiro de 2026

Os 33 Bootcamps do Santander na DIO — Um mapa da evolução da formação dev no Brasil

 

Bellacosa Mainframe apresenta BOOTCAMPS da DIO & Santander Brasil


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

A Digital Innovation One (DIO) se consolidou nos últimos anos como uma das maiores plataformas de educação tecnológica da América Latina. Seu modelo é simples e poderoso: conectar empresas reais do mercado com desenvolvedores em formação por meio de bootcamps práticos, trilhas de aprendizado e desafios baseados em problemas do mundo real. Ao longo do tempo, a plataforma reuniu mais de duas centenas de programas, cobrindo áreas como desenvolvimento backend, frontend, cloud computing, ciência de dados, inteligência artificial e segurança.

Entre as diversas empresas parceiras, destaca-se a colaboração com o Banco Santander, que patrocinou dezenas de bootcamps focados em tecnologias modernas como Java, Python, mobile development, cloud e, mais recentemente, inteligência artificial. Esses programas não apenas ensinam ferramentas, mas também aproximam os participantes das práticas e demandas do mercado financeiro e tecnológico.

Nesse ecossistema, a educação tecnológica surge como um caminho concreto para o futuro profissional de muitos jovens — os “padawans” da tecnologia. Assim como em uma jornada de aprendizado contínuo, cada bootcamp representa um novo nível de conhecimento, prática e experiência. Mais do que cursos, esses programas funcionam como portais de entrada para carreiras em tecnologia, mostrando que aprender a programar, entender sistemas e resolver problemas complexos pode transformar curiosidade em profissão e abrir portas para o futuro digital.

Os 33 Bootcamps do Santander na DIO — Um mapa da evolução da formação dev no Brasil

O Banco Santander é provavelmente o maior patrocinador de bootcamps da Digital Innovation One.

Ao longo dos anos, patrocinou mais de 30 programas de formação cobrindo praticamente todo o stack moderno de desenvolvimento.

Este post é um catálogo técnico desses bootcamps, organizado no estilo Bellacosa Mainframe.

Spoiler:

A evolução deles conta a história da tecnologia nos últimos anos.


🏦 Catálogo Técnico — Santander Bootcamps


1️⃣ Santander Bootcamp — Mobile Developer

URL
https://www.dio.me/bootcamp/santander-mobile-developer

Stack

  • Kotlin

  • Android

  • APIs

Tecnologias

  • Android SDK

  • REST

Comentário

Mobile virou o principal canal bancário.

Curiosidade

Hoje mais de 80% das transações bancárias são mobile.

Bellacosa Easter Egg

Antes do mobile banking…

o banco era acessado via terminal 3270 😉


2️⃣ Santander Bootcamp — Mobile com Flutter

https://www.dio.me/bootcamp/santander-mobile-flutter

Stack

  • Flutter

  • Dart

Tecnologias

  • cross platform

Comentário

Um único código para Android e iOS.


3️⃣ Santander Bootcamp — Android com Kotlin

https://www.dio.me/bootcamp/santander-android-kotlin

Stack

  • Kotlin

  • Android

Tecnologias

  • Mobile Native


4️⃣ Santander Bootcamp — Backend com Java

https://www.dio.me/bootcamp/santander-backend-java

Stack

  • Java

  • Spring Boot

Tecnologias

  • APIs REST

  • Microservices

Comentário

Java ainda domina o backend bancário.

Curiosidade

Boa parte do core banking roda em:

COBOL
Java
C

5️⃣ Santander Bootcamp — Backend com Python

https://www.dio.me/bootcamp/santander-backend-python

Stack

  • Python

  • FastAPI

Tecnologias

  • APIs

  • automação


6️⃣ Santander Bootcamp — Fullstack Developer

https://www.dio.me/bootcamp/santander-fullstack-developer

Stack

  • Angular

  • Java

Tecnologias

  • REST


7️⃣ Santander Bootcamp — Fullstack Angular

https://www.dio.me/bootcamp/santander-fullstack-angular

Stack

  • Angular

  • Spring


8️⃣ Santander Bootcamp — Frontend Developer

https://www.dio.me/bootcamp/santander-frontend

Stack

  • HTML

  • CSS

  • JavaScript


9️⃣ Santander Bootcamp — Code Girls

https://www.dio.me/bootcamp/santander-code-girls

Stack

  • Java

  • Angular

Curiosidade

Um dos maiores programas de inclusão feminina em tecnologia no Brasil.


🔟 Santander Bootcamp — Linux para Iniciantes

https://www.dio.me/bootcamp/santander-linux-iniciantes

Stack

  • Linux

  • Shell


1️⃣1️⃣ Santander Bootcamp — Cibersegurança

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ciberseguranca

Stack

  • Security

  • Network


1️⃣2️⃣ Santander Bootcamp — Cibersegurança #2

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ciberseguranca-2

1️⃣3️⃣ Santander Bootcamp — Excel com Inteligência Artificial



1️⃣4️⃣ Santander Bootcamp — Excel com IA (2º semestre)

https://www.dio.me/bootcamp/santander-excel-inteligencia-artificial-2

1️⃣5️⃣ Santander Bootcamp — Ciência de Dados

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ciencia-dados

Stack

  • Python

  • Pandas

  • ML


1️⃣6️⃣ Santander Bootcamp — Ciência de Dados com Python

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ciencia-dados-python

1️⃣7️⃣ Santander Bootcamp — Fundamentos de Lógica

https://www.dio.me/bootcamp/santander-fundamentos-logica-programacao

1️⃣8️⃣ Santander Bootcamp — Automação com n8n

https://www.dio.me/bootcamp/santander-automacao-n8n

Stack

  • workflow automation


1️⃣9️⃣ Santander Bootcamp — AI React Frontend

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ai-react-frontend

Stack

  • React

  • AI


2️⃣0️⃣ Santander Bootcamp — AI Java Backend

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ai-java-backend

Stack

  • Java

  • AI


2️⃣1️⃣ Santander Bootcamp — Rust AI Developer

https://www.dio.me/bootcamp/santander-rust-ai-developer

Stack

  • Rust

  • AI

Curiosidade

Rust vem crescendo em sistemas de alta performance.


2️⃣2️⃣ Santander Bootcamp — AI Youtube Creator

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ai-youtube-creator

2️⃣3️⃣ Santander Bootcamp — Preparatório AWS

https://www.dio.me/bootcamp/santander-preparacao-certificacao-aws

Stack

  • AWS


2️⃣4️⃣ Santander Bootcamp — Fundamentos de IA para Devs

https://www.dio.me/bootcamp/santander-fundamentos-ia-devs

2️⃣5️⃣ Santander Bootcamp — Criando Jogos com Godot

https://www.dio.me/bootcamp/santander-criando-jogos-godot

Stack

  • Godot

  • Game Dev


2️⃣6️⃣ Santander Bootcamp — Backend com Java (2024)

https://www.dio.me/bootcamp/santander-backend-java-2024

2️⃣7️⃣ Santander Bootcamp — Backend com Python (5ª edição)

https://www.dio.me/bootcamp/santander-backend-python

2️⃣8️⃣ Santander Bootcamp — Frontend (5ª edição)

https://www.dio.me/bootcamp/santander-frontend

2️⃣9️⃣ Santander Bootcamp — Mobile iOS com Swift

https://www.dio.me/bootcamp/santander-mobile-ios-swift

Stack

  • Swift

  • iOS


3️⃣0️⃣ Santander Bootcamp — EducAIA

https://www.dio.me/bootcamp/santander-educaia

Stack

  • AI


3️⃣1️⃣ Santander Bootcamp — AI React Frontend 2026

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ai-react-frontend

3️⃣2️⃣ Santander Bootcamp — AI Java Backend 2026

https://www.dio.me/bootcamp/santander-ai-java-backend

3️⃣3️⃣ Santander Bootcamp — Rust AI Developer 2026

https://www.dio.me/bootcamp/santander-rust-ai-developer

☕ Insight Bellacosa

A evolução desses bootcamps mostra claramente a evolução da tecnologia.

EraStack
2020Java / Fullstack
2021Mobile
2022Cloud
2023Data
2024AI
2026GenAI

☕ Easter Egg final

Arquitetura bancária moderna:

Frontend React

APIs Java / Python

Microservices

Mainframe COBOL

Sim.

O mainframe continua ali… silenciosamente processando bilhões de transações por dia.


Visite a DIO https://www.dio.me

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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