Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta arquitetura empresarial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta arquitetura empresarial. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Capítulo 10 — Por Que Tantas Previsões Erraram?

Bellacosa Mainframe e por que tantas previsões erraram ?

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Capítulo 10 — Por Que Tantas Previsões Erraram?

O Maior Erro Não Foi Subestimar o Hardware. Foi Esquecer que Empresas São Feitas de Regras de Negócio.

Uma análise sobre o verdadeiro patrimônio das organizações: décadas de regras de negócio implementadas em COBOL, CICS, Db2 e z/OS, muito além do hardware que as executa.

Por


As regras de negócio representam o verdadeiro patrimônio das empresas
Hardware pode ser substituído. Décadas de conhecimento corporativo embutidas em aplicações críticas não.

"Computadores podem ser comprados. Regras de negócio precisam ser construídas ao longo de décadas."

— Bellacosa Mainframe

O erro de análise

Grande parte das previsões sobre o desaparecimento do mainframe avaliava apenas desempenho, custo do hardware e evolução dos microcomputadores, ignorando o valor acumulado nas aplicações corporativas.

Sistemas bancários, fiscais, seguradoras, companhias aéreas e governos não armazenam apenas dados: armazenam conhecimento de negócio, conformidade regulatória e processos aperfeiçoados durante décadas.

Muito além do hardware

COBOL, CICS, Db2 e z/OS representam milhões de horas de engenharia, testes, auditorias e validações que dificilmente podem ser reproduzidas em novos sistemas sem elevados custos e riscos.

O verdadeiro ativo nunca foi o equipamento físico, mas sim o patrimônio intelectual implementado em suas aplicações.

A grande lição

Empresas evoluem plataformas tecnológicas continuamente, mas preservam aquilo que realmente gera valor: suas regras de negócio, sua experiência operacional e sua capacidade de processar transações críticas com segurança e disponibilidade.


Chegamos à pergunta mais importante deste artigo

Depois de viajar por quase quarenta anos de história, conhecemos as manchetes.

Lemos a Forbes.

Visitamos o New York Times.

Ouvimos Stewart Alsop na InfoWorld.

Acompanhamos a mudança de tom da Business Week.

Vimos o extraordinário trabalho do Professor Wolfgang Spruth preservando tudo isso para que futuras gerações aprendessem com a História.

Agora surge a pergunta inevitável.

Como tanta gente inteligente conseguiu errar ao mesmo tempo?

A resposta é muito mais interessante do que simplesmente dizer:

"Eles estavam errados."

Porque eles não eram incompetentes.

Muito pelo contrário.

Eram excelentes jornalistas.

Grandes pesquisadores.

Consultores respeitados.

Executivos experientes.

O problema foi outro.

Eles analisaram apenas uma parte do sistema.


Bellacosa Mainframe e os erros que ajudaram as previsões falharem

O primeiro erro:

Confundir Tecnologia com Negócio

Imagine um banco.

Quando olhamos para ele de fora vemos:

Agências.

Aplicativos.

Cartões.

PIX.

Caixas eletrônicos.

Internet Banking.

Mas isso é apenas a superfície.

Por baixo existe um universo gigantesco de regras.

Como calcular juros?

Como compensar um cheque?

Como liquidar uma TED?

Como tratar um financiamento?

Como calcular imposto?

Como detectar fraude?

Como atualizar um saldo?

Como desfazer uma operação?

Cada uma dessas perguntas representa centenas ou milhares de linhas de código.

Décadas de conhecimento.

A maioria escrita em COBOL.

O hardware pode mudar.

A regra de negócio continua válida.

Esse foi talvez o maior erro das previsões dos anos 90.


O segundo erro:

Ignorar o custo da mudança

Existe uma pergunta que todo arquiteto experiente faz antes de iniciar qualquer modernização.

"Quanto custa mudar?"

Curiosamente...

Essa pergunta aparecia muito pouco nas reportagens.

Trocar um servidor pode ser relativamente barato.

Trocar milhões de linhas de código...

Nem tanto.

Imagine uma seguradora.

Ela possui:

  • quarenta anos de sistemas;

  • vinte milhões de clientes;

  • centenas de integrações;

  • milhares de relatórios;

  • auditorias;

  • regulamentações;

  • histórico de operações.

Agora imagine reescrever tudo.

Mesmo com IA.

Mesmo com ferramentas modernas.

Ainda assim continua sendo um dos maiores projetos de engenharia que uma empresa pode enfrentar.


O terceiro erro:

Confundir Interface com Arquitetura

Nos anos 90 surgiram interfaces gráficas maravilhosas.

Windows.

Motif.

OS/2 Presentation Manager.

Macintosh.

Tudo parecia muito mais moderno do que um terminal 3270.

E realmente era.

Visualmente.

Mas existe uma diferença enorme entre:

A interface.

E o sistema que processa a transação.

Trocar a tela é relativamente simples.

Trocar o motor do banco é outra história.

Muitos confundiram essas duas coisas.


O quarto erro:

Subestimar a confiabilidade

Existe uma pergunta que raramente aparecia nos artigos.

Quanto custa ficar parado?

Imagine:

Uma bolsa de valores indisponível durante duas horas.

Um banco fora do ar.

Uma companhia aérea sem reservas.

Uma operadora de cartões indisponível.

Um sistema de arrecadação nacional parado.

Essas situações custam milhões.

Às vezes bilhões.

Confiabilidade não aparece em propagandas.

Mas aparece imediatamente no balanço financeiro.


O quinto erro:

Ignorar a Economia da Escala

Na década de 1990 dizia-se:

"Vamos substituir um computador enorme por centenas de pequenos."

Na teoria parecia excelente.

Na prática surgiram novos custos.

Mais sistemas operacionais.

Mais administradores.

Mais backups.

Mais antivírus.

Mais monitoramento.

Mais atualizações.

Mais energia.

Mais refrigeração.

Mais licenciamento.

Mais pontos de falha.

Descobriu-se algo curioso.

Administrar mil computadores não custa o mesmo que administrar um.


O sexto erro:

O fascínio pela novidade

Existe um comportamento humano extremamente conhecido.

Chamamos de:

Viés da novidade.

Sempre acreditamos que aquilo que acabou de surgir resolverá todos os problemas existentes.

Aconteceu com:

Client/Server.

Internet.

Java.

SOA.

XML.

Cloud.

Blockchain.

Metaverso.

Agora acontece com Inteligência Artificial.

Não significa que essas tecnologias sejam ruins.

Muito pelo contrário.

Todas trouxeram contribuições importantes.

O erro está em acreditar que inovação exige apagar tudo o que veio antes.

A História mostra exatamente o contrário.

A computação evolui por camadas.


O sétimo erro:

A engenharia não segue manchetes

Um jornalista trabalha com notícias.

Um engenheiro trabalha com disponibilidade.

São profissões diferentes.

Uma reportagem dura um dia.

Um sistema bancário precisa funcionar durante décadas.

Isso muda completamente a forma de pensar.

Enquanto uma manchete procura impacto...

A engenharia procura estabilidade.


O oitavo erro:

O software passou a valer mais do que o hardware

Nos anos 1960 e 1970 o computador era o ativo mais caro.

Nos anos 1990 isso começou a mudar.

O software tornou-se muito mais valioso.

Hoje podemos comprar servidores poderosos com relativa facilidade.

Mas ninguém compra cinquenta anos de regras de negócio.

Elas precisam ser construídas.

Testadas.

Validadas.

Auditadas.

Melhoradas.

Essa riqueza invisível nunca apareceu completamente nas análises da época.


O nono erro:

Confundir Plataforma com Produto

Um computador é um produto.

IBM Z é uma plataforma.

Existe uma enorme diferença.

Uma plataforma evolui.

Recebe novas linguagens.

Novos compiladores.

Novos bancos.

Novas APIs.

Novos frameworks.

Novas interfaces.

Foi exatamente isso que aconteceu.

O IBM Mainframe de 1989 não é o IBM Z de 2026.

Assim como um smartphone moderno não é um telefone de 1990.

A plataforma permaneceu.

A tecnologia evoluiu completamente.


O décimo erro:

Achar que integração é derrota

Talvez este tenha sido o erro mais interessante.

Durante muito tempo parecia existir apenas duas opções.

Ou o Mainframe venceria.

Ou o Client/Server venceria.

A realidade mostrou outro caminho.

Integração.

Hoje convivem naturalmente:

  • COBOL

  • Java

  • Python

  • Node.js

  • Go

  • CICS

  • Db2

  • Kafka

  • REST

  • GraphQL

  • Kubernetes

  • OpenShift

  • Linux

  • watsonx

  • IBM Z

Ninguém venceu.

Todos passaram a colaborar.


O Padawan faz uma pergunta difícil

Nosso Padawan olha para o velho mestre.

Pergunta:

— Mestre...

Então os jornalistas estavam errados?

O mestre sorri.

Pensa alguns segundos.

Responde:

— Não completamente.

Eles enxergaram corretamente que a computação mudaria.

Erraram apenas uma pequena coisa.

— Qual?

— Acharam que evolução significa destruição.

Na verdade...

Engenharia quase sempre significa integração.


A maior ironia de todas

Se voltássemos para 1993 e mostrássemos um IBM z17 para aqueles analistas...

Eles provavelmente ficariam impressionados.

Veriam:

  • Linux.

  • Containers.

  • Kubernetes.

  • OpenShift.

  • APIs REST.

  • Inteligência Artificial.

  • Python.

  • Git.

  • DevOps.

  • VS Code.

  • watsonx.

  • COBOL moderno.

Talvez perguntassem:

— Onde está o mainframe?

A resposta seria divertida.

Está bem na frente de vocês.

Só que evoluiu tanto que deixou de parecer o estereótipo criado pelas manchetes de 1989.


O Professor Spruth nos deixou uma última lição

Ao preservar aquelas reportagens, Wolfgang Spruth fez muito mais do que arquivar previsões equivocadas.

Ele criou um estudo sobre comportamento humano.

As manchetes revelam algo que continua acontecendo em 2026.

Toda nova tecnologia passa pelas mesmas fases:

  1. Surge uma inovação real.

  2. O mercado se entusiasma.

  3. Aparecem previsões exageradas.

  4. Alguém decreta a morte da tecnologia anterior.

  5. Alguns anos depois...

  6. As duas tecnologias convivem.

A História da Computação parece gostar de repetir seus algoritmos.


A lição para quem está começando

Se você é um Padawan COBOL...

Guarde este capítulo.

Sempre que ouvir alguém dizer:

"Essa tecnologia morreu."

Faça cinco perguntas.

Ela ainda resolve problemas importantes?

Empresas continuam investindo nela?

Os maiores bancos ainda a utilizam?

Ela continua evoluindo?

Existe uma alternativa claramente superior em todos os aspectos?

Se alguma resposta for "não"...

Desconfie.

Talvez você esteja ouvindo apenas mais um buzzword.


A maior herança do Mainframe

Depois de quarenta anos de previsões, existe uma conclusão inevitável.

O maior legado do IBM Mainframe nunca foi o hardware.

Nem o COBOL.

Nem o CICS.

Nem o Db2.

Nem o JCL.

Nem mesmo o z/OS.

Sua maior herança foi ensinar uma filosofia de engenharia.

Disponibilidade antes da moda.

Confiabilidade antes do marketing.

Compatibilidade antes da ruptura.

Evolução antes da substituição.

É exatamente essa filosofia que permitiu ao System/360 de 1964 evoluir, geração após geração, até chegar ao IBM z17, ao watsonx, ao BOB, ao OpenShift e à Inteligência Artificial corporativa.

As manchetes tentaram prever o fim do mainframe.

A engenharia preferiu construir o futuro.

E, como costuma acontecer na computação, foi o código executando em produção — e não os títulos dos jornais — que escreveu o capítulo final dessa história.

Bellacosa Mainframe e o Funeral que nunca aconteceu