domingo, 20 de outubro de 2013

🔎 Guia Prático de Comandos TSO para Padawans

 


🔎 Guia Prático de Comandos TSO para Padawans

Salve jovem padawan em nosso segundo artigo de 2026, vamos mergulhar um pouco em comandos de linha no TSO, onde poderemos explorar melhor o sistema Z, criar dataset, consultar, limpar, alocar e testar.

Ganhando velocidade em nosso desenvolvimento e dominando melhor o ambiente Z, seja bem-vindo e conto com seu comentarios e criticas para melhorarmos e irmos mais longe.

Para não apanhar do terminal logo no login


🧠 Antes de tudo: o que é TSO de verdade?

TSO (Time Sharing Option) não é: 

❌ só uma tela preta 

❌ um “modo antigo” 

❌ um castigo divino

TSO é:

A interface raiz do z/OS para trabalhar diretamente com o sistema.

Se o mainframe fosse um avião:

  • TSO é o painel cru de instrumentos
  • ISPF é o cockpit amigável

Todo mainframeiro de respeito precisa saber sobreviver no TSO puro.


⌨️ Sintaxe básica do TSO (lei universal)

COMANDO OPERANDO PARÂMETROS

Regras não escritas:

  • Espaço separa argumentos
  • Parênteses organizam opções
  • Aspas protegem nomes longos
  • Abreviações são comuns (e perigosas 😈)


📂 Comandos essenciais para datasets

📌 LISTDS – listar datasets

LISTDS 'USERID.*'

🔎 Dica El Jefe:

  • Use LEVEL para evitar varrer o catálogo inteiro

LISTDS LEVEL(USERID)

⚠️ Perigo:

  • LISTDS * pode virar pecado mortal em produção


📌 DELETE – apagar datasets

DELETE 'USERID.TESTE.ARQUIVO'

☠️ Atenção:

  • Não existe lixeira
  • Apagou, rezou


📌 RENAME – renomear

RENAME 'USERID.OLD' 'USERID.NEW'

📖 Visualização de conteúdo

📌 LISTCAT – catálogo é lei

LISTCAT ENTRIES('USERID.ARQ') ALL

Use quando:

  • Dataset “existe mas não existe”
  • Erro estranho de allocation
  • Discussão com storage admin 😎


📌 PRINT – ver conteúdo

PRINT DS('USERID.ARQ')

⚠️ Não abuse com arquivos grandes. Seu spool agradece.


⚙️ Execução e controle de ambiente

📌 ALLOC – alocar datasets

ALLOC FI(ARQ1) DA('USERID.TESTE') SHR

🧠 Tradução humana:

  • FI = nome lógico
  • DA = dataset físico
  • SHR = leitura compartilhada


📌 FREE – liberar alocação

FREE FI(ARQ1)

Nunca confie que o sistema vai limpar sozinho.


📤 Trabalhando com JOBs

📌 SUBMIT – enviar JCL

SUBMIT 'USERID.JCL.TESTE'

🔥 Dica El Jefe:

  • Use SUBMIT * dentro do editor para ganhar tempo


📌 STATUS – ver jobs ativos

STATUS

Simples. Antigo. Funcional.


👤 Usuário e sessão

📌 PROFILE – perfil do usuário

PROFILE

Mostra:

  • Prefixo
  • Tamanho de região
  • Opções ativas


📌 LOGOFF – sair com dignidade

LOGOFF

Nunca feche o navegador achando que “tá tudo bem”.


🧨 Erros clássicos de padawan

❌ Digitar dataset sem aspas

❌ Apagar sem conferir

❌ LISTDS muito genérico

❌ Esquecer FREE

❌ Confundir TSO com ISPF


🥚 Easter-eggs de veterano

  • Muitos comandos aceitam abreviação
  • HELP funciona (sim, sério)

HELP LISTDS

  • TSO responde melhor quando você é educado (quase)


🎓 Palavra final do El Jefe

Quem domina TSO, domina o chão de fábrica do mainframe.

ISPF é conforto. TSO é poder.

Aprender TSO não te torna antigo. Te torna consciente do que o sistema realmente faz.

sábado, 19 de outubro de 2013

Viagem de Maria Fumaça ate Jaguariuna

Partindo de Anhumas em Campinas


A linha da Mogiana é o destino de todos aqueles que desejam sentir o prazer em andar em uma locomotiva a vapor, sentir o cheirinho da lenha, ver a fumaça subindo e ouvir o apito do trem.



O revisor grita todos a bordos!!!! A criançada vibra, bilhetes na mão e todos adentram no vagão de passageiros, ansiosos por ouvir o apito de partida.

Em breve o revisor se aproxima, verifica o bilhete e valida-o com o perfurador de bolso. A locomotiva vai ganhando força, ouve-se o ta-ta-tatatata aumentando em velocidade. Vez por outra ouve-se o apito.

Olhando pela janela ve-se o finzinho da cidade, campos, pastos e antigas fazendas de café estamos chegando em Tanquinho outra estação no caminho de Jaguariuna.

Os passeios de trem partem tanto da estação Anhumas (Campinas) como de Jaguariuna aos finais de semana, verifiquem no site, para saberem os horários e preços.

domingo, 6 de outubro de 2013

📊 Tabela de Erros Comuns no COBOL 5.x

 



📊 Tabela de Erros Comuns no COBOL 5.x

(Quando o compilador resolve dizer a verdade)

“COBOL 5 não quebrou seu programa.
Ele apenas revelou o que sempre esteve errado.”

— Bellacosa


🟥 ERROS DE DADOS (o choque de realidade)

Erro comumO que mudou no COBOL 5Sintoma típicoImpacto
MOVE inválido alfa → numéricoNUMCHECK rigorosoErro de compilação ou runtimeJob aborta cedo
Campo não inicializadoINITCHECK ativoWarning/erroResultado imprevisível exposto
Uso de lixo em COMPValidação agressivaFalha imediataS0C7 antecipado
PIC incompatívelValidação estritaCompile errorCódigo não sobe
Truncamento inesperadoTRUNC mais explícitoValor incorretoErro contábil

🥚 Easter-egg:

O erro “novo” já existia no COBOL 4 — só não gritava.


🟧 ERROS DE CONTROLE DE FLUXO

Erro comumCOBOL 5 faz diferenteSintomaConsequência
PERFORM THRU mal definidoAnálise de fluxoWarning severoLógica rejeitada
GO TO cruzando blocosRestrição maiorErro de compilaçãoCódigo não compila
IF/END-IF inconsistentesEstrutura rígidaCompile errorRefatoração obrigatória
EXIT mal posicionadoRegras mais clarasErro lógicoFluxo interrompido

Bellacosa note:

Se o COBOL 5 reclama, o código está errado — ponto.



🟨 ERROS DE STORAGE E MEMÓRIA

Erro comumCOBOL 5 expõeSintomaResultado
REDEFINES mal alinhadoSSRANGE ativoRuntime errorS0C4
OCCURS fora de limiteChecagem ativaAbort imediatoProteção de memória
DEPENDING ON inválidoValidação em runtimeAbendCorrupção evitada
Índice mal usadoTipagem rígidaCompile errorCorreção forçada

🥚 Easter-egg técnico:

SSRANGE não cria erro — ele evita desastre.


🟦 ERROS DE ARQUIVOS (mais disciplina)

Erro comumDiferença no COBOL 5SintomaImpacto
FILE STATUS ignoradoWarning severoJob rejeitadoErro detectado cedo
READ sem AT ENDAnálise estáticaCompile warningLoop evitado
WRITE sem validaçãoChecagem formalRuntime errorIntegridade garantida
OPEN fora de ordemValidação rígidaAbendErro explícito

🟪 ERROS DE PERFORMANCE (o paradoxo)

Erro comumPor que aparece no COBOL 5SintomaEfeito
Código “lento” após migraçãoOtimização diferenteCPU aumentaAjustar OPTIMIZE
Dependência de MOVENova análiseCódigo inchadoRefatoração
DISPLAY em loopRuntime modernoBatch mais lentoRemover debug
Falta de INLINECompilação conservadoraPerformance ruimAjustar opções

Bellacosa truth:

COBOL 5 é mais rápido — se o código merecer.


🟫 ERROS DE COMPILAÇÃO (novos padrões)

Erro comumCOBOL 5 exigeSintomaAção
Código legado ambíguoSintaxe claraCompile errorRefatorar
Ignorar warningsWarnings viram errosBuild falhaCorrigir
TRUNC inconsistentePadronizaçãoValor erradoRevisar
Dependência de defaultsDefaults mudaramResultado inesperadoDefinir parms

☠️ ABENDS mais associados ao COBOL 5

ABENDMotivo
S0C7Detectado mais cedo
S0C4Proteção de memória
U4038INITCHECK / NUMCHECK
U4087Violação de range
U4093Lógica inválida

🎓 Resumo para Padawans

✔ COBOL 5 não tolera código sujo
✔ Erros aparecem mais cedo
✔ Migração revela dívidas técnicas
✔ Mais seguro, mais rápido, mais previsível


🧠 Frase Final Bellacosa™

“COBOL 4 confiava no programador.
COBOL 5 confia nos dados.”

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

💾 z/OS 2.1 — O salto técnico rumo à era híbrida do Mainframe ☁️⚙️

 





💾 z/OS 2.1 — O salto técnico rumo à era híbrida do Mainframe ☁️⚙️

Por Bellacosa Mainframe — onde bits, café e história se misturam ☕🖥️


Quando a IBM lançou o z/OS 2.1 em setembro de 2013, o mundo mainframe vivia uma encruzilhada: ou se isolava como um dinossauro tecnológico, ou se reinventava como o titã resiliente da nova era digital.
Adivinha qual caminho ele escolheu? 😎
Spoiler: o z/OS 2.1 é o marco da virada para a era híbrida e cognitiva do mainframe.

Vamos destrinchar o que mudou, as camadas técnicas e as curiosidades que tornam essa versão um divisor de águas.


🧬 1. Contexto histórico — o z/OS reencontra o futuro

O z/OS 2.1 nasceu junto com os mainframes IBM zEnterprise EC12 (zEC12), um monstro de 5.5 GHz, com 2 TB de memória, 120 processadores físicos e uma arquitetura pensada para virtualização de workloads e análise em tempo real.

O grande desafio da IBM era:

“Como preparar o z/OS para o futuro da integração, da nuvem e do mobile sem perder o legado que roda o planeta?”

Assim surge o z/OS 2.1, com foco em eficiência, elasticidade e conectividade.


🧠 2. Arquitetura e uso de memória — o cérebro expandido

O z/OS 2.1 trouxe uma reengenharia no gerenciamento de memória, aproveitando melhor a arquitetura z/Architecture e as inovações do PR/SM (Processor Resource/System Manager).

Principais avanços:

  • Suporte a 16 TB de memória virtual (um salto em relação ao 2.0).

  • Melhor uso da 64-bit addressing mode, reduzindo page faults e swaps.

  • Buffer Pools e dataspaces otimizados — ideal para DB2, IMS e CICS.

  • Cross Memory Services mais rápidos e isolados.

💡 Curiosidade Bellacosa: O kernel do z/OS 2.1 literalmente “aprende” a liberar memória mais rápido para workloads que mudam de prioridade — algo que hoje chamamos de “inteligência operacional”.


⚙️ 3. PR/SM, LPAR e créditos de CPU — o cérebro por trás da mágica

O firmware PR/SM (Processor Resource/System Manager) foi profundamente atualizado nesta geração para oferecer:

  • Dynamic CPU Weight Management: ajuste automático da prioridade das LPARs.

  • Intelligent Capping: limita o consumo sem matar o desempenho.

  • Soft Capping por Workload: controle fino para billing e otimização.

  • Suporte ao zAAP/zIIP integrados — sem necessidade de hardware dedicado.

🎩 Easter egg técnico: no z/OS 2.1, as LPARs começaram a “conversar” melhor via HiperSockets IPv6, abrindo caminho para a nuvem privada z/OS Connect.


💬 4. Aplicativos internos e softwares — a revolução silenciosa

O z/OS 2.1 veio com uma leva de atualizações internas e ferramentas novas:

🔹 CICS TS 5.1

Suporte a aplicações RESTful, JSON e web services nativos, antecipando o que hoje chamamos de API Economy.

🔹 DB2 11 for z/OS

Melhoria brutal no storage engine e otimização de index rebuild.
Menos CPU, mais throughput.

🔹 JES2 e JES3

Ambos ganharam compressão de spool, melhor suporte a Unicode e integração com RACF e SAF aprimorada.
O JES2, inclusive, ficou mais “verbozão” — logs mais inteligentes para devs e ops.

🔹 UNIX System Services (USS)

Expansão total: mais comandos POSIX, shell modernizado e integração com ferramentas open source (hello, Perl e Python!).

🔹 Communications Server

Nativo IPv6, com QoS aprimorado e integração direta com o z/OSMF.


🧩 5. z/OSMF e o renascimento do operador

O z/OS Management Facility (z/OSMF) virou protagonista.
Pela primeira vez, o operador do mainframe podia administrar o sistema via interface web, com dashboards, workflows e diagnósticos integrados.

Isso mudou tudo:

  • A operação ficou mais visual e menos criptográfica (adeus, painéis 3270 infinitos).

  • Surgiram scripts e automações REST, abrindo portas para DevOps no mainframe.

  • O z/OS começou a dialogar com o mundo Linux e Cloud.

💬 Bellacosa insight: o z/OSMF foi o primeiro passo real para o que hoje chamamos de “Mainframe as Code”.


🔍 6. Instruções de máquina e otimizações no zEC12

O z/OS 2.1 foi ajustado para o novo processador zEC12, que introduziu:

  • Instruções novas como Transactional Execution (TX) — acelera commits em DB2.

  • Crypto Express4S — hardware de criptografia de ponta.

  • Simultaneous Multithreading (SMT) — mais threads, menos gargalo.

  • HiperDispatch refinado — balanceia threads automaticamente.

Tudo isso sob o comando de um PR/SM mais “inteligente”, que distribuía créditos de CPU conforme prioridade, workload e até custo horário da LPAR (sim, billing inteligente já era realidade).


🕹️ 7. Curiosidades, fofoquices e bastidores

  • 🧙‍♂️ Dentro da IBM, o z/OS 2.1 era apelidado de “O Feiticeiro do Silício”, por causa da automação mágica dos workloads.

  • 🧩 O time que desenvolveu o z/OSMF tinha ex-devs do OS/2!

  • 💬 Foi a primeira versão oficialmente “Cloud Ready”, base dos projetos iniciais do z/OS Connect EE.

  • 🕵️‍♂️ Algumas funções experimentais do z/OS 2.1 só foram “oficializadas” no 2.2, como a integração com zAware e zCX.


🚀 8. Conclusão — o mainframe, renascido

O z/OS 2.1 é o elo entre o legado e o futuro.
Ele consolidou a base técnica que permitiria o z/OS rodar workloads modernos, APIs REST, automações web e integração em nuvem — tudo sem quebrar um único programa COBOL dos anos 70.
Esse é o verdadeiro superpoder do mainframe: evoluir sem perder o passado.


Bellacosa Mainframe
☕ Onde bits têm alma e memória tem história.
💬 Deixe nos comentários: você chegou a migrar para o z/OS 2.1? Qual foi o impacto no seu ambiente?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

🖥️🌍 Palavras de um velho jedi — O que é um Mainframe de Verdade?

 


🖥️🌍 Palavras de um velho jedi — O que é um Mainframe de Verdade?

“Mainframe não é grande porque é antigo.
É grande porque foi projetado para não falhar.”

Quando alguém pergunta “o que é um mainframe?”, a resposta curta é simples:

É o computador que segura o mundo quando tudo mais cai.

Mas o El Jefe não trabalha com resposta curta. Vamos abrir o capô.


🧠 O que é um mainframe, afinal?

Um mainframe é um computador corporativo de altíssimo desempenho, projetado para:

  • Processar volumes gigantescos de dados

  • Executar milhões de transações simultâneas

  • Atender milhares de usuários ao mesmo tempo

  • Operar 24x7x365, sem pausa, sem drama

Enquanto um PC é feito para um usuário,
e servidores comuns para dezenas ou centenas,
o mainframe nasce para escala industrial.


⚡ Concorrência real, não simulada

Mainframes não “aguentam” vários usuários.
Eles foram criados para isso.

  • Milhares de aplicações rodando juntas

  • Workloads batch e online convivendo em harmonia

  • Prioridades bem definidas

  • Recursos compartilhados com inteligência

Nada de briga por CPU.
Nada de gargalo inesperado.


💳 Onde o mainframe reina absoluto

Se existe:

  • Dinheiro

  • Pessoas

  • Regras

  • Risco

Existe um mainframe envolvido.

Ele é essencial para:
🏦 Bancos e sistemas financeiros
🏛️ Governo e serviços públicos
✈️🚆 Aviação, ferrovias e reservas
📑 Seguros e grandes corporações

Cada transação precisa ser:
✔️ correta
✔️ segura
✔️ auditável
✔️ recuperável


🔄 I/O pesado é o habitat natural

O verdadeiro desafio não é CPU.
É entrada e saída.

Mainframes são mestres em:

  • Processar milhões de leituras e gravações

  • Conversar com redes, terminais, discos e filas

  • Manter tudo fluindo sem travar

Enquanto outros sistemas engasgam com I/O,
o mainframe dança.


🔐 Segurança embutida no hardware

Aqui não existe:

“Vamos adicionar segurança depois.”

O mainframe nasce com:

  • Controle de acesso granular (RACF, etc.)

  • Isolamento total entre usuários

  • Criptografia acelerada por hardware

  • Auditoria completa

Por isso ele é confiável onde falhar não é opção.


⏱️ Disponibilidade contínua: zero drama

Mainframe não tem:

  • “Janela de manutenção”

  • “Reboot programado”

  • “Downtime aceitável”

Ele foi projetado para:

Continuar funcionando mesmo quando algo falha.

Se um componente cai, outro assume.
O usuário nem percebe.


🚀 Estabilidade, segurança e escalabilidade

Esses não são diferenciais.
São pré-requisitos.

Mainframe não compete por moda.
Ele entrega:

  • Estabilidade previsível

  • Segurança real

  • Escalabilidade comprovada


🥚 Easter-eggs do mundo real

  • Muitos sistemas “cloud-native” terminam no mainframe

  • Microserviços fazem a coreografia, o mainframe executa o dinheiro

  • Downtime sempre foi visto como bug, não como evento

  • Mainframe já fazia observabilidade antes do termo existir


🎓 Palavra final do El Jefe

Mainframe não é passado.
É infraestrutura crítica do presente.

Enquanto o mundo precisar:

  • De dinheiro correto

  • De sistemas confiáveis

  • De serviços sempre disponíveis

O mainframe continuará lá.
Firme.
Silencioso.
Indispensável.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

“86-13-37: Quando a casa ganhou voz”. Um conto do Pequeno Trabalhador, Parte 4

 


📞 El Jefe Midnight Lunch —  Um conto do Pequeno Trabalhador, Parte 4
“86-13-37: Quando a casa ganhou voz”
Por Bellacosa Mainframe

Estamos de volta ao Cecap no Quiririm em 1984.


O cheiro de tijolo novo, tinta fresca e esperança misturado a caótica mudança de Sampa a Taubaté. A família Bellacosa em modo multitarefa, estilo “z/OS em IPL pós-pânico”: todo mundo executando job, subtarefa, batch noturno, tarefa oculta… tudo ao mesmo tempo. Era reconstrução física, emocional e financeira — tudo junto, tudo misturado — depois do incêndio de 1983.

Foram meses puxados.
Arregaçamos as mangas, suamos, improvisamos, reciclamos e substituímos cacarecos velhos para devolver dignidade ao lar, meu pai com sua experiência em fazer funiliaria em seus automóveis velhos, usou massa plástica para reconstruir o gabinete da fiel TV CRT Preto e Branco Phico Ford. A geladeira parcialmente destruída, foi reformada tanto na lataria como no motor, e colocada em estado de novo, servindo nosso lar, por mais de uma década, sendo aposentada, quando eu ja trabalhava e comprei uma zero bala nas lojas Arapuam. Cada martelada era um checkpoint. Cada móvel novo (ou semi-novo) era uma vitória. E foi no meio desse caos organizado que surgiu a grande novidade.

Algo que, para muita gente hoje, não faz nem cócegas.
Mas pra nós… era a chegada do futuro.



O telefone. Nosso primeiro telefone. O lendário número 86-13-37.

Meus pais, sempre visionários, resolveram alugar um aparelho — porque na época telefone era quase um carro: caro, raro e valioso. A justificativa era prática: “pra divulgar trabalho, ligar pra clientes, fazer panfletagem…” — sim, panfletagem real, analógica, raiz, sem algoritmo, sem impulsionamento.

E adivinha quem ficou encarregado de distribuir spam manual, caixa postal por caixa postal, por todo o CECAP?

Sim, eu mesmo.
E o Celo, meu companheiro de aventuras.
Formávamos uma dupla dinâmica que hoje renderia um spin-off só nosso: dois moleques pedalando, colando panfletos, enfiando papel nos correios, correndo de cachorro, conversando com vizinhos… éramos quase um cluster de entrega distribuída, versão 1.0.

Mas nada — absolutamente nada — superava a sensação de ter um telefone em casa.

Parecia magia.
Era como se tivéssemos instalado um gateway para o mundo.



Com o 86-13-37, tudo mudou:

📞 falar com parentes distantes;
🏖 ligar para meus avôs Anna e Pedro na Praia Grande;
👋 ouvir histórias, novidades… e broncas;
🤣 ouvir as “historinhas” no 200-1234 (quem viveu, sabe!);
😂 aplicar e receber os primeiros trotes telefônicos — o proto-meme da década.

Era um universo novo.
Era CICS aberto, sessão iniciada, TSO READY.




E aí, abro um parênteses do século XXI, porque é impossível não comparar:

O telefone fixo virou fóssil.
Tenho um até hoje… não uso há séculos. Veio grudado no pacote da fibra ótica e ficou ali como quem guarda uma peça de museu — funcional, mas ignorado.

O celular então… virou mico.
Nos primórdios custava uma fortuna, cada impulso parecia preço de mainframe por MIPS. Depois virou SMS, depois WhatsApp, Telegram… e hoje quase ninguém usa pra ligar.
A ironia: as operadoras mataram o próprio produto com ganância e tarifas absurdas. Empurraram todos nós para alternativas mais baratas, eficientes e… livres.

O triste fim do telefone.
O outrora símbolo de status, comunicação e progresso… hoje é quase um ornamento.




Mas sem chatices, porque aqui é Midnight Lunch e nostalgia merece brilho:

Ainda lembro a emoção real, quase palpável, de ver aquele aparelho instalado na sala.
A liberdade que ele trouxe.
A sensação de que o mundo estava, literalmente, a um toque de distância.

O velho 86.13.37.
A primeira voz da casa renascida.

E um dia, prometo, conto a história da central móvel de telefonia, dos filamentos de cobre coloridos, das pulseirinhas estilosas feitas com restos de cabo multicolorido… um verdadeiro ASSEMBLER de memórias.

Porque cada fio daqueles carregava uma história.
E muitas delas ainda estão aqui, vivas, prontas pra ganhar outro capítulo.

Até a próxima chamada. 📞💾✨