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domingo, 3 de dezembro de 2017

Quem construiu a maquete ferroviária de Campinas?

A cabine 2 abriga uma ferrovia em seu interior

Um grupo de amigos há 10 anos atrás juntaram-se e começaram a trabalhar para por em pratica um sonho. Construir uma ferrovia em escala, com um trabalho sem parar, construíram mais de 300 metros de trilhos distribuídos em 3 níveis, criaram um diorama que representa a Estação Central de Campinas com varias estruturas, uma refinaria de petróleo, armazéns e silos, casa e botecos, pessoas e animais.

No material ferroviário existem diversas locomotiva a vapor, elétricas e diesel,  vagões de carga e carruagens de passageiro, lindo de ser ver, perde-se a noção do tempo, assistindo o vai e vem das composições, o comboio parte da plataforma principal, gruas se movimentam com contentores.

O grau de realismo espanta vendo a vegetação rasteiro, as arvores, as construções com desgaste do tempo, as pontes em madeira, pontes em ferro. Tudo construído com profissionalismo e esmero para para comporem o cenário.

Quem curte maquetes em escala H0 tem a obrigação de visitar o complexo da Fepasa em Campinas. Aqui na sala de controle existe uma ferrovia em miniatura que encantara a todos.

O que é a Cabine de controle número 2?

É uma construção singular, situada na Estação Ferroviária de Campinas no sentido interior, próximo a a antiga plataforma da Mogiana. Sua função era controlar os movimentos das locomotivas e locomotoras nos diversos ramais que existiam na estação, através de alavancas mecanizadas abria-se ou fechava-se um desvio para outro trilho. Em suas paredes havia mostradores analógicos que indicavam o status da linha e a movimentação no local. O mostradores eram eletro-mecânicos numa era em que tudo era a válvulas, testemunhas de um tempo em que não existiam computadores nem celulares.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Visita a Estação Ferroviária de São Roque

Uma estação a espera do trem.

Devido a burocracia estatal e a falta de vontade de alguns políticos, a estação de São Roque esta voltando ao abandono. Infelizmente o projeto de trem turístico puxado por uma locomotiva a vapor esta empacado em alguma gaveta de gabinete.

Faz pouco mais de 10 anos que esta estação foi restaurada para abrigar um passeio sobre a serra em locomotivas a vapor, porém esta tudo parado, o prédio é aberto a visitação onde podemos ver a bilheteria, o  posto de telegrafo, o saguão de espera, construída em estilo arquitetônico local, ela tem uma peculiaridade foi construída em cima de um morro.

Esta região esta próxima a serra do mar, por isso tem muitas colinas e montes, a cidade de São Roque foi construída num plato e como não havia outros os engenheiros da Estrada de Ferro Sorocabana tiveram que se esmerar e construíram muitas obras de arte da engenharia, pontes e viadutos, tornaram esta ferrovia bem cara e deficitária.

A cidade de São Roque é uma estancia turística, famosa por anualmente promover a Festa do Vinho e da Alcachofra, com vários pontos de natureza intocada, parques temáticos e hotéis fazendas fazem dela um destino agradável para feriados e finais de semana.

Sem contar o o vinho de São Roque nacionalmente conhecido, que segundo se consta, no passado quando o trem parava na estação, o publico masculino descia correndo para ir apreciar uma boa caneca de vinho e comprar um garrafão pra levar para casa.


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Em busca da rotunda da Mogiana

A difícil arte em encontrar segredos em construções abandonadas. É eu falhei


Um dia de feriado, com uma grande vontade de encontrar um lugar que vem me fugindo em cada visita, um local onde havia muita vida, muito movimento, o coração das operações ferroviárias da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro.

Estamos vasculhando a Estação Central de Campinas em busca de uma abertura nas vedações,  rumo ao galpão e rotunda ferroviária da Mogiana. Estou andando pelos trilhos e vendo o abandono do complexo. tijolos pelo chão, telhas quebradas, sucatas e lixo por todo lado,  trilhos arrancados, ferrugens e peças perdidas.

Mas nem tudo eh abandono para nosso espanto a Usina Elétrica esta vedada e protegida com alambrados novos, os furos na cerca rumo a rotunda idem. Dizem que a usina ainda possui equipamentos originais, que irão fazer parte de um acervo do museu da eletricidade, oxalá seja verdade e com isso poderemos ter mais espaços culturais para o povo.

Eu continuo andando, estou bem cansado, pois estou vindo a pé desde o mercadão, onde fiz outras filmagens para a nossa serie de exploração ferroviária, Campinas é uma mina de ouro para o transporte ferroviario, tendo conservado muitas estações, alguns quilômetros de trilhos. 

Para nosso pesar infelizmente nao conseguimos achar uma entrada para a rotunda. Ficara para um próxima vez. Com essa é a quarta ou quinta vez, que tento achar uma maneira de entrar na rotunda e conhecer as locomotivas que estão abrigadas naquele local.

Olhando ao redor fico com o coração apertado, pois tens diversos galpões abandonados, uma carruagem de passageiros incendiada e abandonada, uma oficina com preciosidades largadas para o saque e uso de albergue para mendigos.

Temos que nos unir e lutar pela preservação da memoria ferroviária.





terça-feira, 17 de outubro de 2017

O lobby da Estação Centrale de Campinas

Percorrendo o interior da Estação Central de Campinas


Todos a bordo, estamos no interior da estação central de Campinas, uma magnifica obra arquitetônica, hoje transformada em Centro Cultural com oficinas de danças, canto, teatro, pintura e espaço para todas as tribos, com animados encontros e festas.

Entrando pela porta principal podemos vislumbrar toda a grandiosidade da Cia Paulista, seu imponente lobby, hoje transformado em galeria com muitas exposições de artes, que engrandecem esse espaço. o salão principal antigamente eram repleto de bancos, onde passageiros e suas bagagens aguardavam a chegada do seu trem, familiares ansiosos esperavam a chegada dos entes queridos. Palco de despedidas e reencontros. 

O complexo da estação é rico em construções, com diversos prédios, escritórios, depósitos, almoxarife, usina termoelétrica, oficinas, galpões, ranchos, 2 plataformas uma da Paulista e outra da Mogiana e a cabine de controle número 2. 

Para quem ama ferrovia esta estação eh bem completa pode-se conhecer visualmente como funcionava uma estação, espero que gostem do video, esqueci de mencionar que ali funciona uma barbearia retro, o tiro de guerra e tem uma lanchonete, ora aberta, ora fechada.

Aviso aos navegantes, cuidado ao caminhar nos trilhos, pois as linhas ainda funcionam para o transporte de carga e não vai querer ser atropelado por um comboio de 50 toneladas. Compareça aos sábados e veja a vida voltando a fluir na estação, cheia de gente e com muita animação.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Reconhece este prédio? A Estação Central de Campinas

Um tesouro da Companhia Paulista

Começamos nossa aventura caminhando pela Catedral de Campinas, seguindo rumo há um tesouro arquitetônico do seculo XIX, que passou por 8 grandes transformações até chegar ao estado atual. Estamos caminhando rumo a estação ferroviária Central de Campinas, outrora um centro nevrálgico da cidade.

Daqui partiam trens para o interior do estado, para a capital e o porto de Santos, para Jaguariúna com constante movimento, 24 horas por dia, trens de passageiros, trens de carga, ligando todo o estado de São Paulo. Neste micro cosmo da cidade, passavam trabalhadores durante o dia e na calada da noite  boêmios, prostitutas, marginais e mendigos. Aqui havia oportunidade para todos ganharem alguns trocados ou pelos menos uma boa diversão.

Passaram por aqui milhões de pessoas em seu quase 150 anos de existência, viu o transporte ferroviário, evoluir e gradualmente desaparecer. Foi abandonada, ficou decadente, até que virou centro Cultural, venha prestigiar o trabalho de tantos homens que desde o seculo XIX trabalharam aqui modificando e incluindo novos acabamentos, ou ao menos conservando para que  não virem ruínas.

Veja o trabalho em tijolo, as peças em ferra forjado e fundido, a torre do relógio, as exposição temporárias no salão principal, veja as peças expostas que lembram o passado da Estação, adentre pelas salas, veja como eram as bilheteiras, passe a plataforma número 1 e relembre como era uma vez, quando os trens aqui chegavam, locomotivas a vapor, trens elétricos, trens a diesel.

Hoje passa por uma época inglória, futuro incerto, correndo risco de se perder para sempre, ajude-nos a proteger a estação, divulgue, comente, partilhe. Vamos fazer uma corrente para salvar a Estação e orar para que dias melhores retornem a este prédio simbolo do crescimento de uma cidade. Que voltem os trem urbanos e intercidades.




sábado, 14 de outubro de 2017

Estação Ferroviaria de Monte Alegre do Sul

A linha das colinas da Mogiana em Monte Alegre do Sul

Na área escondidinha do local onde se inicia a serra da Mantiqueira, numa pequena e bucólica cidade no alto das montanha esta localizada a estação ferroviária de Monte Alegre do Sul, ponto final do ramal Amparo da Antiga Cia Estrada de Ferro Mogiana.

A primeira vez que estive em Monte Alegre do Sul foi em 1994, me apaixonei pelo lugar,  muito verde e construções que preservam a memoria da cidade, quem for curioso, pode explorar outras áreas da cidade, pois existem algumas fontes de águas medicinais, uma deliciosa terma para relaxar do stress, aqui é um lugar onde  o verde é predominante na região, muitas árvores, parques e jardins para uma boa caminhada, alguns momentos de tranquilidade e um bom bate papo. 

Voltando na estação podemos ver os antigos escritórios da ferrovia, armazém de cargas e podemos usar a imaginação, voltando no tempo e vendo as charretes esperando o trem chegar para levar os passageiros recém chegados as fazendas, as carroças descarregando sacas de café e carregando itens que chegavam nos trens cargueiros.

Aqui nesta cidade em 2017 encontramos 500 metros de linha ferroviária, construídos em anos recentes para pequenos passeios e atração turísticos, uma ponte de ferro que segue rumo a Socorro,  que foi um sub-ramal do ramal prolongando a estrada de ferro por mais alguns quilômetros.  

A locomotiva a vapor

Nossa outra bela surpresa è uma locomotiva a vapor com seu tender e um carro de passageiros em madeira com bancos de 1 classe (couro e estofado).

A locomotiva inglesa Beyer de Manchester 4-6-0 de 1910 com numero 351 da Mogiana com tender, esta operacional e em eventos festivos ela percorre os trilhos existentes, apitando, tocando o sino e avisando a todos que a locomotiva esta aqui.




sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estação Ferroviária de Amparo

Uma estação que faz meu coração bater apertado.


Alguns lugares nos emocionam e faze-nos parar  o tempo por alguns minutos para apreciar as memorias. A Estação Ferroviária de Amparo é uma delas.  Passada quase a duas décadas e meias, desde a primeira vez que aqui estive.

Agora sempre que venho aqui, meu coração bate mais forte. Pena que nesta visita atual tenha encontrado a estação bem deteriorada. O prédio esta abandonado, a pintura esta caindo, o prédio sem uso.

Infelizmente dizendo no bom português, bem largada, nos últimos anos foi radio, cinema, lanchonete, sede da guarda municipal, agora tudo vazio, Até 1965 quando os trens vinham de Jaguariúna trazendo carga e passageiros era cheia de via com os trens chegando e saindo, pessoas se hospedando nos hotéis próximos, vendedores, como já falamos, posteriormente num passado recente sediou um cinema e radio, hoje esta abandonada... vamos lutar para voltar ao bom uso, quiça ate adotar uma locomotiva a vapor e dar mais vida a este belo prédio.

Um pouco de Historia

A estação central de Amparo durante muito tempo foi o ponto final, por isso aqui havia rotunda, depósitos e armazéns, oficina e o belo prédio a esquerda era a casa do chefe da estação. Imagine que na época da colheita do cafe, ela funcionava 24 horas por dia, chegando carroças com sacas de café, operários carregando vagões, outros engatando os vagões e ainda outros manobrando, tudo para despachar o café o mais rápido possível rumo ao porto de Santos.




segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A estação Guanabara na linha Mogiana

Visitando a Estação Guanabara de Campinas

Parei o carro embaixo de uma figueira centenária cujo o tronco deve ter uns 5 metros de diâmetro e é tão alta quanto um prédio de 4 andares, fazendo sombra a outrora movimentada rua da estação. Estive passeando pelo lado de fora da estação, vendo a antiga bilheteria, o balcão do telegrafo, o sino do chefe da estação, os diversos tipos de edifícios que ainda existem no local.

Pensar que na década de 1990 esse local era um antro de entorpecentes e toxicodependentes, mendigos e prostitutas que conviviam no meio da sujeira e entulho, em um cenário de The Walking Dead, com tudo saqueado, vandalizados e em ruínas.

Num esforço popular e com muita pressão, a prefeitura revitalizou os prédios e transformou em um centro cultural com badaladas exposições, salvaram a estação e ao mesmo tempo a população ganhou um novo local para conviver e passar bons momentos.

Em Campinas ainda existem outros edifícios que necessitam auxiliam, não podemos amolecer e ficar parados, devemos lutar pelas construções históricas. Junte-se a nós, divulgue, partilhe, comente e curta.

Um pouco de historia

A principal estação de Campinas estava sobrecarregada com muita fila e tempo de espera alem do normal, para isso os engenheiros da Mogiana resolverem construir uma nova estação para desafogar o trafego e melhorar o retorno. Nascia assim a Estação Guanabara que durante mais de 60 anos foi um grande polo de transporte ferroviário enriquecendo mais ainda a cidade de Campinas.





domingo, 1 de outubro de 2017

Um velho armazem de Cafe da linha Mogiana na Estação Guanabara de Campinas

Um tesouro escondido entre prédios e sofrendo pela especulação imobiliária.


A cidade de Campinas por estar em uma região estratégica serviu de entroncamento para diversas estradas de ferro, devido ao boom econômico provocado pelo café, ponto de partida para a expansão rumo ao interior.

Para aqueles que não conhecem a história ferroviária, Campinas teve inúmeras estações: Estação Central, Estação Guanabara, Estação Boa Vista, Estação Bonfim, Estação Carlos Botelho, sem contar as outras pequenas e os apeadeiros espalhados pelos quatros cantos do município.

As grandes companhias também estavam aqui: Companhia Paulista de Estrada de Ferros, Companhia Mogiana de Estrada de Ferros, Estrada de Ferro Sorocabana, Companhia Carril Funilense e depois a FEPASA assumiu tudo.

A estação do Guanabara foi restaurada e hoje foi transformada em centro cultural, pena que as oficinas foram demolidas e o trilhos removidos, ao fundo ainda podemos ver algumas ruínas, será que algum dia um mecenas as restaura-las. Alguns armazéns também foram poupados e nos fornecem uma visão de como eram os trabalhos. 

Acredito que nosso governo deveria proteger esse legado e arrumar alternativas para que não caiam no esquecimento e sejam demolidos para se transformarem em edifícios ou shoppings centers.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Estação Tanquinho e seu museu

Primórdios da Linha Telefônica na Linha da Mogiana.


A locomotiva 215 nos trouxe ate a estação Tanquinho e nesta estação tem um pequeno museu ferroviário com diversas peças, equipamentos históricos utilizados neste ramal ferroviário. Aqui o revisor nos faz uma pequena apresentação contando como eram o dia a dia em outros tempos.

No Museu Ferroviário  esta exposto um sistema telefônico, a central de PABX de outra época permite ver e entender como eram feitas as chamadas telefônicas no inicio do século, graças ao nosso imperador Dom Pedro II que foi um dos primeiros governantes a comprar o invento do senhor Gharam Bell, este telefone foi instalado na Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro, onde estava instalado o Palácio Imperial.

A Cidade de Campinas comprou também algumas linhas telefônicas e instalou na cidade, para saber mais assista o video.





sábado, 4 de junho de 2016

Equipamentos ferroviários abandonados


Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Equipamentos Ferroviários Abandonados — Entre a Ferrugem e os Fantasmas da FEPASA

Naquele sábado, enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu caminhava entre locomotivas, oficinas vazias e ferramentas esquecidas. Não estava apenas explorando ruínas. Estava tentando ouvir novamente um mundo que havia parado de funcionar.

Voltei à Estação Cultura de Campinas.

Enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu precisava encontrar alguma maneira de matar o tempo.

E poucas coisas combinam mais comigo do que isto:

zanzar.

Sem roteiro.

Sem guia.

Sem saber exatamente o que encontraria depois da próxima porta.

Assim comecei novamente a explorar as estruturas ferroviárias espalhadas pelo enorme complexo da antiga estação.

Só que, quanto mais caminhava, mais aquela exploração adquiria outro significado.

Porque havia uma quantidade impressionante de coisas abandonadas.

E algumas delas eram verdadeiros tesouros.


🚶 Zanzando pelas ruínas

Eu entrava em um galpão.

Depois em outro.

Olhava por uma porta.

Contornava uma construção.

Seguia um trilho.

Encontrava outra estrutura.

Fotografava.

Filmava.

Curiava.

Era praticamente uma pequena expedição de arqueologia industrial.

Havia velhas locomotivas diesel, equipamentos ferroviários, vagões de serviço, guindastes, restos de oficinas, ferramentas e enormes peças metálicas cuja função original nem sempre era imediatamente evidente.

Em alguns lugares apareciam aqueles parafusos gigantescos que parecem absurdos para quem está acostumado com objetos domésticos.

Mas aquilo era ferrovia.

Ali tudo precisava suportar toneladas.

Cada peça dava uma pista sobre o que aquele lugar havia sido.


🕸️ O silêncio depois da oficina

O que mais impressionava, entretanto, não era aquilo que estava ali.

Era aquilo que não estava mais.

As pessoas.

Imaginei aqueles mesmos galpões décadas antes.

O som de metal contra metal.

Martelos.

Ferramentas pneumáticas.

Motores.

Solda.

Pontes rolantes.

Homens gritando alguma instrução de um lado para outro.

Uma locomotiva entrando para manutenção.

Outra esperando uma peça.

Alguém desmontando um componente.

Outro funcionário verificando medidas.

Óleo.

Graxa.

Fumaça.

Calor.

Barulho.

Vida.

Agora havia silêncio.

Em algumas estruturas, teias de aranha.

Em outras, ferrugem.

Partes haviam sido saqueadas.

Objetos desapareciam lentamente.

O tempo fazia o restante do serviço.

E algumas daquelas construções abandonadas acabavam servindo de abrigo improvisado para pessoas em situação de rua.

Era impossível olhar para aquilo sem sentir um aperto no coração.


🔧 Quando uma ferramenta deixa de ser apenas uma ferramenta

Para alguém passando rapidamente pelo lugar, aquilo talvez fosse apenas tralha.

Ferro velho.

Uma peça enferrujada.

Um parafuso enorme jogado em algum canto.

Mas bastava colocar um pouquinho de imaginação para aquilo começar a funcionar novamente.

Eu olhava para uma oficina vazia e tentava reconstruí-la mentalmente.

Aqui poderia ter trabalhado um mecânico.

Ali talvez fosse feita determinada manutenção.

Naquele ponto alguma peça pesada poderia ter sido içada.

Aquele equipamento provavelmente tinha uma função específica.

E, de repente, o galpão abandonado ficava novamente cheio de gente.

Essa talvez seja uma das coisas mais fascinantes da arqueologia industrial.

As máquinas contam a história das pessoas.

👷 Pessoas ganharam o pão de cada dia aqui

Era nisso que eu pensava enquanto fotografava.

Não queria registrar apenas locomotivas.

Queria, mesmo sem perceber completamente naquele momento, homenagear quem havia trabalhado ali.

Durante décadas, milhares de pessoas tiveram sua vida ligada à ferrovia.

Maquinistas.

Mecânicos.

Eletricistas.

Caldeireiros.

Soldadores.

Engenheiros.

Operadores.

Manobristas.

Funcionários administrativos.

Trabalhadores das oficinas.

Gente que acordava cedo, batia o ponto, trabalhava, reclamava do chefe, esperava o almoço, contava os dias para receber o salário e depois voltava para casa.

Com aquele dinheiro criaram filhos.

Compraram comida.

Pagaram aluguel.

Construíram casas.

Formaram famílias.

A ferrovia não era somente trilho e locomotiva.

Era trabalho.

E aqueles galpões foram, durante muito tempo, o lugar onde muita gente ganhou o pão de cada dia com seu labor.

🔍 Procurando a rotunda da Mogiana

Em determinado momento resolvi procurar uma coisa específica.

A rotunda ferroviária associada à antiga Mogiana.

Uma rotunda é uma daquelas estruturas maravilhosas da ferrovia clássica: locomotivas eram posicionadas por meio de uma ponte giratória e distribuídas para diferentes baias de manutenção ou estacionamento.

Para alguém apaixonado por ferrovia, encontrar uma estrutura dessas seria quase descobrir um templo perdido.

Então fui procurar.

Andei.

Observei trilhos.

Tentei interpretar estruturas.

Procurei vestígios.

Mas falhei.

Não encontrei a rotunda naquele dia.

Talvez estivesse procurando no lugar errado.

Talvez alguma transformação do complexo dificultasse identificar o que procurava.

Mas curiosamente isso tornou a exploração ainda mais divertida.

Havia sempre a sensação de que alguma coisa poderia estar escondida depois do próximo galpão.

Era meu pequeno Indiana Jones ferroviário.

Só faltava o chapéu.

🏗️ A infraestrutura que ajudou a construir São Paulo

Mas existe uma dimensão maior nessa história.

Aquelas ruínas não representam somente uma empresa ferroviária que deixou de operar daquela maneira.

Representam parte de uma infraestrutura que teve enorme importância para o desenvolvimento econômico do interior paulista.

As ferrovias acompanharam e estimularam ciclos econômicos, conectaram áreas produtoras aos grandes centros e ao porto, facilitaram deslocamentos e ajudaram cidades a crescer.

Também transportaram pessoas.

Entre elas, inúmeros imigrantes e trabalhadores que avançaram pelo interior em busca de oportunidades.

Onde o trilho chegava, novas possibilidades apareciam.

Mercadorias circulavam.

Pessoas circulavam.

Informação circulava.

Capital circulava.

Cidades se transformavam.

Por isso me incomodava profundamente observar tamanho patrimônio sendo lentamente consumido.

🇧🇷 Um país estranho diante da própria memória

Enquanto caminhava entre aquelas estruturas, surgia uma raiva silenciosa.

Porque há algo que sempre achei difícil compreender no Brasil.

Em muitos lugares do mundo, antigas estruturas ferroviárias são restauradas, preservadas e transformadas em museus, centros culturais, ferrovias turísticas ou espaços de interpretação histórica.

Não porque alguém seja simplesmente apaixonado por locomotivas.

Mas porque aquilo é considerado patrimônio tecnológico, industrial e social.

Uma velha oficina explica como uma sociedade trabalhava.

Uma locomotiva explica engenharia.

Uma estação explica urbanização.

Um mapa ferroviário explica economia.

Uma ferramenta explica tecnologia.

Uma fotografia dos trabalhadores explica sociedade.

Quando destruímos tudo isso, não perdemos apenas objetos.

Perdemos páginas inteiras de nossa própria história.

E ali, diante de mim, algumas dessas páginas estavam sendo comidas pela ferrugem.

🚛 Quando percebemos a falta que a ferrovia faz

Anos depois, durante crises logísticas como a paralisação nacional dos caminhoneiros de 2018, ficou novamente evidente o tamanho da dependência brasileira do transporte rodoviário.

Postos ficaram sem combustível.

Produtos deixaram de chegar.

Cadeias logísticas sofreram.

Supermercados começaram a sentir os efeitos.

Não significa que uma ferrovia substituiria magicamente os caminhões.

Cada modal possui sua função.

Mas uma infraestrutura nacional mais equilibrada e diversificada aumenta alternativas e resiliência.

E eu inevitavelmente lembraria daqueles trilhos.

Daquelas oficinas.

Daquelas locomotivas.

Daquilo que havíamos deixado desaparecer.

🚂 A locomotiva enferrujada ainda estava trabalhando

Talvez essa seja a ironia mais bonita daquela tarde.

As locomotivas estavam paradas.

Mas ainda estavam trabalhando.

Não transportavam mais passageiros.

Não puxavam vagões.

Não movimentavam cargas.

Mas transportavam memória.

Cada fotografia que fiz naquele sábado roubou alguma coisa do esquecimento.

Cada minuto de vídeo preservou um pedaço daquele lugar.

Mesmo uma ferramenta enferrujada fotografada sem saber exatamente para que servia passou a existir em outro lugar além daquele galpão.

No meu arquivo.

Na Internet.

Neste blog.

Na memória.

📸 Fotografar também pode ser uma forma de preservação

Na época talvez eu estivesse simplesmente fazendo aquilo que sempre gostei de fazer.

Explorar.

Fotografar.

Filmar.

Descobrir.

Mas tantos anos depois percebo outra dimensão desses registros.

Algumas coisas que fotografei talvez nem existam mais.

Um objeto pode ter sido levado.

Uma parede pode ter caído.

Uma estrutura pode ter sido restaurada.

Outra pode ter desaparecido.

A vegetação pode ter tomado determinado espaço.

O lugar muda.

A fotografia fica.

É por isso que tenho tanto carinho por esses velhos registros aparentemente banais.

Quando foram produzidos eram apenas fotografias de sábado.

Com o tempo começaram a virar documentos.

👻 Os fantasmas não estavam mortos

Continuei caminhando.

E quanto mais olhava, menos abandonado aquele lugar parecia dentro da minha cabeça.

Eu conseguia imaginar novamente as oficinas funcionando.

As fundições.

Os reparos.

As locomotivas entrando.

Os guindastes trabalhando.

As ferramentas passando de mão em mão.

Os operários caminhando pelos galpões.

Talvez seja esse o verdadeiro poder das ruínas.

Elas exigem participação de quem observa.

Uma construção nova mostra aquilo que ela é.

Uma ruína obriga você a imaginar aquilo que ela foi.

E naquele sábado minha imaginação trabalhou horas extras.

☕ O ocaso de uma ferrovia

Enquanto Ana Paula estudava teatro, eu havia encontrado outro palco.

Não havia cortina.

Não havia atores.

Não havia plateia.

O cenário era feito de tijolos, trilhos, óleo antigo e aço enferrujado.

Os protagonistas haviam ido embora muitos anos antes.

Mas os objetos permaneciam no palco.

Uma locomotiva.

Um guindaste.

Um vagão.

Uma ferramenta.

Um parafuso gigantesco.

Uma oficina vazia.

Cada um esperando alguém suficientemente curioso para perguntar:

“O que aconteceu aqui?”

Naquele sábado eu fiz exatamente isso.

Zanzei.

Explorei.

Fotografei.

Filmei.

Curiei cada canto que consegui.

Procurei uma rotunda e não encontrei.

Encontrei dezenas de outras coisas que nem sabia que estava procurando.

Fiquei maravilhado.

Fiquei triste.

Fiquei indignado.

E continuei fotografando.

Porque talvez eu já soubesse, mesmo sem formular isso claramente, que um dia aquelas imagens seriam importantes.

Naquela tarde, este que vos escreve não conseguiu salvar locomotivas, oficinas ou equipamentos.

Mas conseguiu fazer uma pequena coisa.

Relembrou a glória da ferrovia e eternizou um pedaço de seu ocaso.

E enquanto existir alguém disposto a olhar uma fotografia antiga, reconhecer uma locomotiva enferrujada e perguntar quem trabalhou nela...

talvez aqueles velhos ferroviários ainda não tenham terminado completamente o seu turno.

Bellacosa

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Belíssimos exemplares de maquinaria ferroviário.


Estamos na antiga oficina mecânica da estação ferroviária de Campinas. Este prédio que outrora abrigou um grande complexo de manutenção de trens e locomotivas.

Hoje abandonado guarda em seu interior alguns tesouros para os amantes de locomotivas, guindaste tipo grua, locomotiva a diesel, locomotiva eléctrica, vagões e vários artefactos.



No complexo existe um poço para manutenção sob as locomotivas. Possível descer e espionar como era o funcionamento da oficina.

 Pena que o abandono e generalizado, pois daria um excelente museu.

sábado, 21 de maio de 2016

A magia da Cabine 2 na estaçao cultura

Bellacosa Mainframe e a cabine 2 da cia paulista na estação Central de Campinas

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚦 A Cabine 2 — Onde os trens continuaram circulando

Para compreender por que aquele lugar me fascinava tanto, primeiro é preciso esquecer por alguns minutos a maquete e imaginar a antiga Estação Central de Campinas quando aquilo tudo ainda era uma gigantesca máquina ferroviária funcionando.

Campinas era um nó.

Trilhos chegavam, trilhos partiam, trilhos se cruzavam e se bifurcavam. A ferrovia conectava a cidade a diferentes regiões do estado e participava diretamente daquele enorme sistema econômico que durante décadas transportou pessoas, mercadorias e, sobretudo, o café.

Companhia Mogiana, Companhia Sorocabana e outras ligações ferroviárias ajudavam a transformar aquela região em um verdadeiro hub sobre trilhos.

E ainda havia os bondes.

Imagine tudo isso funcionando simultaneamente.

Locomotivas chegando. Vagões sendo deslocados. Composições aguardando passagem. Manobras. Pátios. Desvios. Sinais. Passageiros. Cargas. Funcionários correndo de um lado para outro.

Não bastava simplesmente colocar uma locomotiva sobre os trilhos e mandar o maquinista seguir em frente.

Era preciso controlar o caminho.

🚦 As cabines que comandavam os trilhos

Foi nesse universo que existiram as famosas Cabine 1 e Cabine 2.



Dentro delas havia dezenas de alavancas associadas ao complexo sistema de controle ferroviário. Por meio daqueles mecanismos, operadores podiam comandar aparelhos de mudança de via, sinais e rotas, permitindo organizar o tráfego e evitar que duas composições tentassem ocupar caminhos incompatíveis.

Hoje apertamos um botão numa tela e esperamos que algum software resolva tudo.

Naquela época havia ferro, cabos, engrenagens, travas, alavancas e gente que precisava conhecer perfeitamente aquela gigantesca árvore de possibilidades.

Para um mainframeiro, é difícil não olhar para aquilo e pensar:

era praticamente um sistema de gerenciamento de recursos antes de existir computador.

Cada trem precisava receber seu caminho.

Cada rota precisava estar corretamente preparada.

Cada movimento dependia do estado anterior do sistema.

E determinadas combinações simplesmente não poderiam ser permitidas.

Um IF, um ELSE e muito aço.

😁

A estação era o hardware.

Os trilhos eram a rede.

As alavancas eram a interface.

Os operadores eram o sistema operacional.

E os trens eram os JOBs disputando recursos.

Só que um S0C7 ferroviário seria consideravelmente mais desagradável.

🏚️ Quando o silêncio chegou



Então veio aquilo que tantas construções ferroviárias brasileiras conheceram.

O movimento diminuiu.

Os trens desapareceram.

As instalações perderam sua função original.

Quando o tráfego ferroviário deixou aquela região da estação no começo dos anos 2000, estruturas que durante décadas haviam sido essenciais ficaram abandonadas.

As duas cabines sofreram.

Vieram abandono, deterioração, vandalismo e saques.

Peças desapareceram.

Equipamentos foram danificados.

Aquilo que durante décadas havia ajudado a controlar toneladas de aço em movimento tornou-se mais uma ruína de um sistema que parecia não interessar mais a ninguém.

Mas alguém ainda se importava.



❤️ O amor pelos trilhos entrou pela porta

Um grupo de apaixonados por ferromodelismo conseguiu autorização para ocupar a antiga Cabine 2, justamente aquela que ainda apresentava melhores condições.

E fizeram algo que considero maravilhoso.

Não construíram simplesmente uma sede.

Salvaram um pedaço da ferrovia colocando outra ferrovia dentro dela.

Restauraram aquilo que puderam da antiga cabine, preservaram elementos sobreviventes e começaram a ocupar o espaço com seu próprio universo ferroviário.

Nasceu ali um enorme diorama.

Centenas de metros de pequenos trilhos passaram a percorrer aquele ambiente.

Apareceram estações.

Casas.

Prédios.

Pontes.

Túneis.

Campos.

Árvores.

Ruas.

Automóveis.

Postes.

Pessoas minúsculas congeladas em seus cotidianos.

E, naturalmente, trens.

Muitos trens.

🚂 Os gigantes voltaram pequenos

Essa talvez seja a parte mais bonita da história.

Durante décadas, a Cabine 2 ajudou a movimentar trens de verdade.

Depois os grandes trens desapareceram.

Durante algum tempo houve silêncio.

Até que eles voltaram.

Só que voltaram em escala H0.

As locomotivas agora cabiam nas mãos.

Os vagões pesavam gramas em vez de toneladas.

As distâncias de quilômetros transformaram-se em metros.

Mas continuavam existindo horários imaginários, estações, desvios, composições, cargas e passageiros.

Era uma ferrovia inteira reconstruída em miniatura.

E não havia qualquer obrigação de respeitar rigorosamente uma única época.

Era justamente isso que tornava aquele universo tão divertido.

Na maquete podiam se encontrar equipamentos ferroviários de diferentes períodos. Locomotivas antigas conviviam com modelos mais modernos. Reconstruções históricas dividiam espaço com a criatividade dos modelistas.

Era história, técnica e imaginação funcionando juntas.



👦 E havia uma criança de mais de 40 anos ali

Enquanto Ana Paula fazia seu curso de teatro amador em outro espaço da Estação Cultura, eu tinha algumas horas para gastar.

E aquilo era perigosíssimo.

Porque me deixaram solto dentro de uma antiga estação ferroviária.

😂

Eu zanzava.

Entrava aqui.

Olhava ali.

Fotografava alguma coisa.

Filmava outra.

Descobria um corredor.

Encontrava uma velha instalação.

E inevitavelmente acabava novamente na Cabine 2.

Podia passar horas ali.

Observava as locomotivas.

Acompanhava os trens percorrendo a maquete.

Examinava pontes, estações e construções.

Tentava reconhecer equipamentos.

Conversava.

Fotografava.

Olhava novamente.

E alguma coisa naquele lugar mexia profundamente comigo.

Na época talvez eu não tenha parado para racionalizar.

Hoje consigo.



🚂 Os trens que eu não podia ter

Para entender aquele homem olhando fascinado uma ferrovia em miniatura em 2016, é preciso voltar aos anos 1970.

Desde criança eu gostava de trens.

Meu pai também gostava e, de alguma maneira, transmitiu esse fascínio para mim.

Meus primeiros trenzinhos eram brinquedos simples movidos a pilha.

Aquelas pistas redondas.

Depois o maravilhoso oito.

Para uma criança, aquilo já era uma ferrovia inteira.

Só que existia outro universo.

Ferrorama.

Modelos importados.

Locomotivas detalhadas.

Ferromodelismo de verdade.

Escalas H0, N e outras maravilhas que eu via, admirava e desejava.

Mas nossa realidade financeira era outra.

Não havia dinheiro para aquilo.

Então a criança brincava com aquilo que podia ter.

E imaginava o restante.

Décadas depois, aquela criança entrou na Cabine 2.

Só estava um pouco maior.

Talvez com barba.

😁

E encontrou diante dela tudo aquilo multiplicado por cem.

Trilhos por toda parte.

Locomotivas detalhadas.

Estações.

Pontes.

Túneis.

Desvios.

Cenários.

Composições completas atravessando uma paisagem construída durante incontáveis horas por outras pessoas que sofriam da mesma maravilhosa doença:

amor por trens.

Foi por isso que aquelas horas passavam tão depressa.

Eu não estava simplesmente olhando uma maquete.

Estava olhando os trens que eu não podia ter quando criança.

🕰️ Uma máquina do tempo dentro de outra máquina do tempo

Hoje, dez anos depois daquele registro de 2016, percebo uma ironia maravilhosa naquela cena.

A antiga Estação Central já era uma máquina do tempo.

A Cabine 2 era outra.

E dentro da Cabine 2 havia uma terceira.

A estação preservava a memória ferroviária de Campinas.

A cabine preservava parte da tecnologia utilizada para controlar aquela ferrovia.

E a maquete preservava visualmente os próprios trens.

Era uma espécie de backup dentro do backup.

Ou, para falar a língua do Bellacosa Mainframe:

um dataset histórico dentro de outro dataset histórico, montado sobre um hardware que ninguém teve coragem de dar DELETE PURGE.

Ainda bem.

Porque patrimônio histórico possui um problema terrível.

Quando destruímos completamente alguma coisa, podemos até escrever posteriormente milhares de páginas explicando como funcionava.

Mas nunca será exatamente a mesma coisa.

Uma alavanca verdadeira conta uma história que uma fotografia da alavanca não consegue contar.

Uma cabine ferroviária verdadeira explica escala, ergonomia, esforço, posição e complexidade de uma maneira que um parágrafo dificilmente consegue reproduzir.

E uma locomotiva circulando por uma maquete consegue fazer uma criança compreender em segundos aquilo que talvez dez páginas de história ferroviária não consigam ensinar.

☕ Dez anos depois

Minha postagem original sobre a Cabine 2 era pequena.

Eu dizia que havia passado quase duas horas apreciando aquele trabalho.

Fotografei.

Filmei.

Publiquei.

Segui a vida.

Hoje percebo que havia muito mais acontecendo naquela tarde.

Ana Paula estava estudando teatro.

Um grupo de apaixonados por ferrovias mantinha viva uma cabine ferroviária.

Pequenos trens percorriam centenas de metros de trilhos.

E eu estava no meio de tudo aquilo documentando sem saber que, dez anos depois, voltaria às mesmas fotografias tentando reconstruir não apenas o que eu vi, mas por que aquilo havia sido importante para mim.

Talvez seja essa a verdadeira magia da Cabine 2.

Não são apenas os pequenos trens.

Não são apenas as alavancas.

Não é apenas o enorme diorama.

É a continuidade.

Um lugar construído para controlar trens perdeu seus trens.

Quase foi destruído.

Foi encontrado por pessoas que amavam trens.

Essas pessoas salvaram o que puderam.

Depois construíram trilhos novamente.

E os trens voltaram a circular.

Pequenos, é verdade.

Mas voltaram.

🚂

A Cabine 2 continuou trabalhando.


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Imagine um grupo de amigos unidos por um amor em comum?


Amam ferrovia e juntaram-se e cada um na sua área de especialidade e construíram uma mini cidade composta por bairros rurais, campos, florestas e cidade.



Juntaram a essa maquete um diversos carris que totalizam quase 300 metros de linha. Através de comandos electrónicos dão vida ao diorama.

Sao tantos  detalhes q gastei quase 2 horas apreciando e ficando doidaooooooo. tantos detalhes e tanto cuidado para produzi-los.

sábado, 19 de outubro de 2013

Viagem de Maria Fumaça ate Jaguariuna

Partindo de Anhumas em Campinas


A linha da Mogiana é o destino de todos aqueles que desejam sentir o prazer em andar em uma locomotiva a vapor, sentir o cheirinho da lenha, ver a fumaça subindo e ouvir o apito do trem.



O revisor grita todos a bordos!!!! A criançada vibra, bilhetes na mão e todos adentram no vagão de passageiros, ansiosos por ouvir o apito de partida.

Em breve o revisor se aproxima, verifica o bilhete e valida-o com o perfurador de bolso. A locomotiva vai ganhando força, ouve-se o ta-ta-tatatata aumentando em velocidade. Vez por outra ouve-se o apito.

Olhando pela janela ve-se o finzinho da cidade, campos, pastos e antigas fazendas de café estamos chegando em Tanquinho outra estação no caminho de Jaguariuna.

Os passeios de trem partem tanto da estação Anhumas (Campinas) como de Jaguariuna aos finais de semana, verifiquem no site, para saberem os horários e preços.

sábado, 13 de março de 1999

Monte Alegre do Sul e a Mogiana

Bellacosa Mainframe e um dos primeiros passeios com Giovanna em Monte Alegre do Sul e a Mogiana.

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Uma Antiga Locomotiva da Mogiana — Monte Alegre do Sul, Giovanna e um Primeiro Passeio

Eu já conhecia Monte Alegre do Sul. O que eu ainda não conhecia era Monte Alegre do Sul ao lado dela.

Há fotografias antigas que registram lugares.

E há fotografias que, quando reencontradas muitos anos depois, abrem uma porta.

De repente você não está mais olhando para uma velha locomotiva, uma estação ferroviária ou alguns quilômetros de trilhos abandonados pelo tempo.

Você está novamente ali.

É 1999.

Estou em Monte Alegre do Sul, uma pequena cidade do Circuito das Águas Paulista que eu já conhecia desde 1994.

Mas dessa vez havia algo completamente diferente.

Eu estava acompanhado da doce Giovanna, de Amparo.

Nosso namoro havia acabado de começar.

E aquele seria um dos nossos primeiros passeios juntos.

💙 Aqueles lindos olhinhos azuis

Ainda consigo lembrar dos olhos dela.

Lindos olhos azuis, brilhando enquanto explorávamos a cidade.

Curioso como a memória funciona.

Podemos esquecer o que almoçamos, o horário em que chegamos, onde estacionamos ou exatamente quais ruas percorremos.

Mas algumas imagens simplesmente se recusam a desaparecer.

Eu gostava de olhar para Giovanna.

E naquele passeio olhava muito.

Que princesa.

Que garota.

Havia aquela sensação maravilhosa dos primeiros tempos de um relacionamento, quando tudo ainda está sendo descoberto.

Um olhar demora um pouquinho mais.

Uma mão encontra a outra.

Qualquer banco vira lugar para sentar juntos.

Qualquer caminho merece ser percorrido porque o destino, naquele momento, é quase irrelevante.

O importante é quem está caminhando ao nosso lado.

E Monte Alegre do Sul acabou tornando-se o cenário perfeito para isso.


🚂 Uma velha locomotiva e dois namorados

Monte Alegre guardava — e guarda — uma história ferroviária fascinante.

No passado, a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro passou pela região, conectando pequenas cidades do interior paulista e transportando passageiros, mercadorias, sonhos e histórias.

Restaram vestígios daquele mundo.

A estação.

Os trilhos.

O túnel.

E uma velha locomotiva a vapor acompanhada de seu tender e vagão de passageiros.

Para alguém apaixonado por ferrovias, aquilo por si só já seria motivo suficiente para o passeio.

Mas naquela vez havia Giovanna.

Então fizemos aquilo que dois jovens namorados fazem quando encontram uma locomotiva antiga no meio de uma cidade tranquila:

fomos brincar na locomotiva.

Explorar.

Olhar.

Descobrir.

Imaginar.

E, naturalmente, trocar alguns beijos pelo caminho.

A velha Mogiana provavelmente já havia transportado milhares de passageiros durante sua existência.

Naquele dia, porém, servia de cenário para uma história muito menor.

A nossa.

🔥 Ferro, vapor e memória

Sempre achei locomotivas a vapor fascinantes.

São máquinas que parecem possuir personalidade.

Tudo nelas é exagerado.

As enormes rodas.

As bielas.

A caldeira.

A chaminé.

As válvulas.

O peso.

O cheiro de metal.

Mesmo quando estão imóveis, parecem estar apenas descansando.

Você quase espera ouvir novamente:

TCHUF... TCHUF... TCHUF...

E então o apito atravessando o vale.

Mas naquele passeio havia outra coisa que prendia muito mais minha atenção.

Eu olhava a locomotiva.

Olhava os trilhos.

Olhava a paisagem.

E voltava a olhar para Giovanna.

Confesso:

ela ganhava da locomotiva.

Para um apaixonado por ferrovias, isso é uma declaração considerável.


🌿 Caminhando à beira do rio

Também caminhamos junto ao rio.

Sem pressa.

Monte Alegre do Sul possui justamente essa característica: é uma cidade que convida a diminuir a velocidade.

Protegida pelas últimas ramificações da Serra da Mantiqueira, no vale do Rio Camanducaia, a pequena Estância Hidromineral reúne água, vegetação, montanhas e aquele ritmo tranquilo das cidades do interior.

Era perfeito para nós.

Caminhávamos.

Conversávamos.

Parávamos.

Sentávamos.

Apreciávamos o lugar.

E namorávamos.

Houve beijos em diversos pontos daquele passeio.

Não existia roteiro turístico.

Não havia checklist.

Nenhuma necessidade de correr para conhecer quinze atrações antes do final do dia.

Éramos apenas dois namorados descobrindo como era gostoso estar juntos.

❤️ Sentar e simplesmente olhar para ela

Talvez uma das lembranças mais simples seja também uma das mais bonitas.

Sentar.

E olhar para ela.

Só isso.

Hoje vivemos cercados pela necessidade de registrar tudo, publicar tudo, explicar tudo.

Mas existem momentos cuja importância está justamente em não acontecer praticamente nada.

Você está sentado ao lado de alguém de quem gosta.

Há um rio passando.

Uma cidade tranquila ao redor.

Talvez o vento mexendo nas árvores.

Uma velha ferrovia próxima.

E aquela pessoa está ali.

Eu gostava de olhar para Giovanna.

Seus olhos azuis.

Seu rosto.

Seu jeito.

A garota por quem estava me apaixonando.

Que princesa.

Talvez ela nem soubesse quantas vezes eu simplesmente ficava admirando-a.

🚉 Eu já conhecia a cidade — mas não aquela cidade

Eu havia conhecido Monte Alegre do Sul anos antes, em 1994.

Portanto, tecnicamente, aquele não era um passeio de descoberta.

Eu estava revisitando um lugar conhecido.

Mas essa é outra brincadeira interessante da vida:

um lugar muda completamente dependendo de quem está conosco.

A estação continuava sendo a estação.

A locomotiva continuava sendo a locomotiva.

O rio provavelmente corria exatamente pelo mesmo caminho.

As montanhas estavam no mesmo lugar.

Mas a minha Monte Alegre do Sul de 1999 não era mais a Monte Alegre do Sul de 1994.

Agora havia Giovanna dentro daquela paisagem.

E isso mudou tudo.



🛤️ A Mogiana também deixou suas lembranças

No passado, a ferrovia trouxe movimento, comunicação e desenvolvimento para a região.

O trem chegava trazendo pessoas e partia levando outras.

Havia despedidas na plataforma.

Havia reencontros.

Havia gente começando viagens.

Talvez houvesse também jovens casais se beijando escondidos enquanto esperavam o trem.

Décadas depois, restaram a estação, os trilhos, o túnel e aquela velha locomotiva.

Curiosamente, relacionamentos também deixam seus vestígios.

Uma fotografia.

Uma cidade.

Uma música.

Uma estrada.

Um restaurante.

Um banco de praça.

Uma lembrança aparentemente insignificante que, décadas depois, reaparece com uma nitidez impressionante.

A ferrovia deixa trilhos.

As pessoas também.

☕ Três paixões no mesmo passeio

Olhando hoje para aquele dia, percebo que aconteceu uma combinação quase perfeita.

Ali estavam reunidas algumas coisas que sempre amei:

viajar, descobrir lugares, ferrovia e história.

Mas havia alguma coisa nova naquela equação.

Giovanna.

Viajar com alguém por quem estamos apaixonados transforma completamente a experiência.

Uma locomotiva deixa de ser apenas patrimônio ferroviário.

Ela vira:

"Lembra quando brincamos naquela locomotiva?"

Um rio deixa de ser apenas geografia.

Vira:

"Lembra quando caminhamos juntos por ali?"

Uma cidade deixa de ser apenas um ponto no mapa.

Vira:

"Nós estivemos aqui."

É assim que construímos nossa própria geografia afetiva.

🌑 O túnel

E Monte Alegre ainda tinha um túnel ferroviário.

Sempre existe alguma coisa misteriosa em um túnel antigo.

Uma abertura escura atravessando a montanha, construída para permitir que locomotivas e vagões seguissem viagem.

Quantos trens passaram por ali?

Quantas pessoas?

Quantas histórias?

Naquela época eu provavelmente estava muito mais interessado em explorar tudo aquilo do que em fazer grandes reflexões históricas.

Era simplesmente divertido.

E Giovanna estava comigo.

Isso bastava.

🌸 Giovanna era única

Nosso relacionamento seguiu seu caminho.

Como tantas histórias da vida, teve seu começo, seus capítulos e seu fim.

Mas algumas pessoas deixam lembranças que o tempo não consegue transformar em simples arquivo morto.

Giovanna deixou saudades.

Foram tantas boas lembranças.

Tantos momentos gostosos.

Tantas pequenas aventuras.

E talvez seja por isso que, tantos anos depois, consigo voltar mentalmente àquele passeio e ainda enxergar aqueles lindos olhos azuis brilhando.

Não preciso transformar o passado em algo que ele não foi.

Não preciso mudar seu final.

Basta reconhecer uma coisa muito simples:

foi bonito enquanto existiu.

E foi importante.

Giovanna era única.

🚂 A locomotiva que ficou parada no tempo

Existe uma ironia bonita nisso tudo.

Naquele dia fomos visitar vestígios de uma ferrovia que havia deixado de funcionar como antes.

A locomotiva estava preservada porque alguém decidiu que aquela história merecia continuar existindo.

Décadas depois, ao reencontrar essas lembranças, percebo que fazemos algo parecido quando escrevemos.

Preservamos.

A locomotiva preserva a Mogiana.

A estação preserva as viagens.

Os trilhos preservam caminhos que já não percorremos.

E esta postagem preserva um passeio de 1999.

Um rapaz.

Uma garota de olhos azuis.

Uma velha locomotiva.

Alguns beijos.

Uma caminhada à beira do rio.

E aquela maravilhosa sensação de que tínhamos todo o tempo do mundo.

Talvez seja por isso que gosto tanto de revisitar essas histórias.

Algumas viagens terminam quando voltamos para casa.

Outras continuam viajando conosco.

Monte Alegre do Sul foi uma delas.

E em algum lugar da minha memória aquela velha locomotiva da Mogiana continua lá.

Giovanna também.

Com seus lindos olhos azuis.

E nós dois ainda estamos naquele primeiro passeio, caminhando sem pressa pela cidade, brincando entre os restos da velha ferrovia e descobrindo uma coisa que nenhum mapa turístico poderia indicar:

como era gostoso simplesmente estarmos juntos.

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A estaçao terminal da Mogiana 


Protegida pelas últimas ramificações da Serra da Mantiqueira, em pleno vale do Rio Camanducaia, e a duas horas de São Paulo, no Circuito das Águas Paulista, localiza-se a pitoresca Estância Hidromineral de Monte Alegre do Sul.


No passado tinha a linha ferroviária da Mogiana que chegava ate a cidade, trazendo progresso e riqueza, hoje restaram alguns itens dessa historia: uma maquina a vapor, a estação, um túnel. Bem pitoresca atraindo turísticas para aqui descansarem e aproveitarem das riquezas naturais.



sábado, 11 de julho de 1998

Linha Mogiana de Campinas a Jaguariuna

Bellacosa Mainframe e o ramal Serra Negra Socorro da Cia Mogiana

☕ Nos Trilhos da Mogiana

Em busca de uma ferrovia que desapareceu — mas nunca foi embora completamente

Tenho um carinho enorme pela antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Talvez porque, para mim, seus trilhos nunca tenham sido apenas pedaços de aço enferrujando entre o mato. Eles são caminhos que ainda parecem guardar o barulho das locomotivas, o apito chegando às cidades e milhares de histórias de pessoas que um dia embarcaram sem imaginar que aquela ferrovia desapareceria.

Ao longo dos anos explorei a Mogiana com enorme curiosidade. Caminhei por antigas instalações ferroviárias, conheci a fascinante rotunda, fotografei estações e procurei vestígios dos trilhos que avançavam pelo interior paulista.


Jaguariúna, Amparo, Monte Alegre do Sul, Serra Negra...

Cada estação conta um pedaço dessa história.

Tenho um carinho especial pela Estação de Amparo. Quando caminho por esses lugares, gosto de imaginar a plataforma movimentada, malas esperando o embarque, funcionários trabalhando e passageiros olhando ansiosamente para os trilhos até surgir, ao longe, a fumaça anunciando a chegada do trem.

Por isso é emocionante saber que alguns pedaços da velha Mogiana continuam vivos.

Em determinados trechos, locomotivas ainda apitam, rodas novamente encontram os trilhos e antigas estações recuperam, mesmo que por algumas horas, aquilo para que foram construídas.

Meu sonho seria ver mais.

Não apenas trens turísticos.



Gostaria de assistir ao retorno de serviços ferroviários regulares, recuperando corredores possíveis e devolvendo às cidades uma alternativa que durante décadas fez parte de suas vidas.

Talvez jamais seja possível reconstruir toda aquela imensa malha ferroviária.

Mas não precisamos reconstruir o passado inteiro para aprender com ele.

Cada estação preservada, cada quilômetro de trilho recuperado e cada locomotiva novamente em movimento representam uma pequena vitória contra o esquecimento.

Porque a Mogiana desapareceu dos mapas ferroviários de muitas cidades.

Mas nunca desapareceu completamente.

Basta escutar um apito ecoando pelos trilhos de Anhumas para compreender.



🚂 A velha Mogiana ainda está lá.

Esperando o próximo embarque.

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Estação de Anhumas


Em nova visita a estação da Mogiana, esta ficando recorrente viajar de locomotiva a vapor, é um passeio delicioso, sentir o cheirinho de lenha queimada, ver as faíscas pela janela, ir ate o vagão restaurante e beliscar algo.


Uma deliciosa viagem no tempo, brincando de era uma vez, indo no museu ferroviário e vendo todos os apetrechos usados pela Mogiana, chegar a Jaguariúna e retornar a Campinas.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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