sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

📼✨ A Chegada dos Animes e Mangás no Brasil

 


📼✨ A Chegada dos Animes e Mangás no Brasil 

— A Crônica Bellacosa Mainframe Para o El Jefe Midnight Lunch

(ou: como meia dúzia de fitas VHS, alguns visionários e uma penca de gambiarra televisiva moldaram gerações inteiras — incluindo este que vos escreve, Vagner “Bellacosa Otaku”)


1. Prólogo: O Pacote Misterioso que Mudou o Brasil

Antes de Naruto correr de braços para trás, antes de Goku gritar três episódios para virar Super Saiyajin, antes da Sakura transformar cartas — o Brasil já era um país pronto para o encantamento oriental… só não sabia disso.

A explosão dos animes e mangás por aqui não foi planejada, não teve comitê, não teve PPT corporativo.
Foi gambiarra, paixão, importação clandestina, empresários visionários (e às vezes meio doidos), acordos de TV feitos na madrugada e fãs copiando fita VHS com tracking torto.

Assim começa nossa história.


2. O Primeiro Contato – O Embrião dos 1960–70



📺 National Kid (anos 60)

Embora muita gente pense que a invasão nipônica começou nos anos 70/80, o National Kid já mostrava para a criançada que o Japão sabia fazer super-heróis antes da Marvel dominar o mundo.
Ele foi importado pela Record e virou febre em São Paulo — inclusive em comunidades nikkei, que o adotaram como patrimônio.



⚡ Tokusatsu como ponte cultural

Nos anos 70, Ultraman, Ultraseven e Spectreman firmaram a presença da estética japonesa no Brasil.
É quase como se o Japão estivesse testando o ambiente antes de mandar sua tropa de elite animada.

Easter-egg: Spectreman passava com áudio levemente “atrasado” porque a emissora improvisava dublagem ao vivo em alguns episódios perdidos.


3. A Era Dourada dos 1980: A Explosão Controlada (ou não)



📼 TV Record e seu terça total com filmes marciais niponicos.

Primeiro contato com Karate, Ninja, Samurai, Dojos, Ronin e comidas japonesas e aquele tipico humor niponico.



📼 TV Manchete – A melhor amiga do otaku antes da internet existir

Quando a Manchete entra na jogada, o jogo muda.
Mas muda feio, muda forte, muda para sempre.

🌌 A Princesa e o Cavaleiro (1980)

Sim, Tezuka, o pai do mangá moderno, já dava as caras. Era experimental, suave, fininho — mas plantava sementes.

⚔️ Os Cavaleiros do Zodíaco (1986 – Brasil em 1994)

Aí acabou.
O país nunca mais foi o mesmo.

A importação foi obra de Francisco “Chico” Anysio Jr., que levou o anime para a Manchete acreditando que “ia dar bom”.
Deu muito bom.
Virou febre nacional, vendeu revistas, bonecos, pôsteres, álbuns de figurinhas, VHS, tudo.

Curiosidade Bellacosa: a dublagem brasileira era tão marcante que até hoje japonês fã de anime procura versão BR pela internet — e não é meme.

🐈 Yu Yu Hakusho

Outro clássico Manchete, outro anime que formou caráter.
Roteiro adulto, lutas icônicas, e uma abertura brasileira que até hoje mora na cabeça de toda uma geração.




4. Mangás no Brasil: A Revolução Impressa

📚 Editora Abril — A pioneira acidental

Nos anos 80 a Abril lançou Lobo Solitário — mas em formato americano, ocidentalizado, corte, vira-página invertido…
A boa intenção existia, o know-how não.

📘 A virada — Conrad e JBC (anos 90/2000)

A Conrad chega com Dragon Ball e Cavaleiros, em formato quase original.
A JBC vem depois com Rurouni Kenshin, Sakura Card Captors, Love Hina, Evangelion

Easter-egg Editorial:
A fase em que os mangás eram impressos em papel jornal translúcido nivel papel de pão virou outro símbolo geracional.


5. A Chegada da Indústria — O Mercado Se Organiza

2000–2010: A consolidação

  • Anime no Cartoon Network

  • Fullmetal Alchemist na Animax

  • Naruto no SBT

  • Pokémon e Digimon reinando nos anos 2000

  • Eventos como Anime Friends, Ressaca Friends, Fest Comix

O fandom cresceu, o mercado entendeu que aquilo era ouro puro e começou a profissionalizar:

  • Editoras começaram a licenciar com prazos decentes

  • Lojas especializadas surgiram

  • Cosplay virou cultura e profissão

  • Streaming engatinhou com Crunchyroll e serviços locais


6. 2010–2020: O Brasil Entra na Rotação Mundial

Com a chegada dos streamings globais:

  • Crunchyroll oficializa lançamentos simultâneos com o Japão

  • Netflix investe em anime próprio

  • Amazon e Hulu entram no jogo

  • Dublagem brasileira volta a ser relevante na indústria japonesa

O Brasil vira um dos maiores mercados consumidores de anime do mundo.
E isso não é exagero.

Impacto cultural:

  • vocabulário japonês no dia a dia (“senpai”, “kawaii”, “baka”)

  • estética otaku em moda e publicidade

  • aumento de interesse por idioma e viagens ao Japão

  • influência em quadrinhos nacionais e animações

  • fanbases gigantes, organizadas, apaixonadas e altamente conectadas


7. 2020–2025: O Presente — Anime Mainstream Total

Hoje temos:

  • Streaming com catálogo vasto

  • Dublagens simultâneas

  • Mangás lançados com poucas semanas de diferença do Japão

  • Lojas e marcas nacionais vivendo exclusivamente de anime

  • A indústria brasileira de dublagem respeitadíssima lá fora

  • Eventos profissionais atraindo 100k+ pessoas

Anime deixou de ser “coisa de nerd isolado” e virou cultura pop dominante.


8. O Toque Pessoal do Vagner “Bellacosa Otaku”

Eu cresci assistindo anime em TV de tubo, com antena torta e som chiando quando alguém abria a geladeira.
Assisti Cavaleiros com o coração disparado, achando que Poseidon era invencível.
Gritei Kamehameha ao lado de amigos no recreio.
Copiei mangá no papel almaço.
Fui ao meu primeiro evento com cosplay improvisado.
E senti — como milhões de brasileiros — que o Japão tinha acabado de abrir uma janela para um mundo novo.

Anime não é só desenho.
É portal de entrada para cultura, linguagem, valores e sonhos.
E quando olho para o impacto gigantesco que isso teve em gerações inteiras, vejo claramente:

Se o Brasil ama anime, é porque o anime também amou o Brasil de volta.


9. Easter-Eggs para o Verdadeiro Fanático

  • O episódio “perdido” de Cavaleiros realmente existiu na Manchete.

  • A versão brasileira de Pokémon inspirou dubladores latinos a seguir a mesma linha emocional.

  • A abertura de Shurato no Brasil é mais famosa aqui do que no Japão.

  • Samurai X teve episódios reorganizados só no Brasil para ficar “mais lógico”.

  • A pirataria dos anos 2000 — controversa — foi um dos motores que pressionou editoras a trazer mais títulos.


10. Conclusão Bellacosa Mainframe

A chegada dos animes e mangás no Brasil foi:

  • improvisada

  • apaixonada

  • caótica

  • genial

E o resultado é um dos maiores polos otaku do mundo, onde o amor por arte, mitologia e narrativa japonesa se mistura com a criatividade brasileira.

O Brasil não apenas recebeu anime —
O Brasil adotou anime. E anime adotou o Brasil.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

🧠 Otokonoko-teki (男の子的): garotas masculinas rodando fora do padrão

 ☕ El Jefe Midnight Lunch apresenta



Otokonoko-teki (男の子的): garotas masculinas rodando fora do padrão

Se Dansō é o modo gráfico ativado, Otokonoko-teki é o modo texto: menos figurino, mais essência. Ao melhor estilo Bellacosa Mainframe, vamos abrir esse sistema cultural japonês, entender o legado, os flags sociais e os easter eggs que quase ninguém documenta.



🧠 O que é Otokonoko-teki (modo definição)

Otokonoko-teki significa “com características de garoto”. Refere-se a garotas com expressão, postura e comportamento tradicionalmente masculinos, sem necessidade de se vestir como homens. É sobre attitude, não cosplay.

Pense como:

  • CORE: identidade e expressão

  • UI: opcional

  • Recompile: não necessário



🕰️ História (processamento em batch)

  • Período Edo: mulheres com papéis ativos em famílias e artes já quebravam o script comportamental.

  • Era Shōwa: mangás shōjo introduzem protagonistas femininas assertivas e “boyish”.

  • Anos 90–2000: surge o arquétipo tomboy japonês refinado.

  • Hoje: Otokonoko-teki é aceito no cotidiano, escola, trabalho criativo e mídia.

Legacy estável, poucas APARs.




☕ No cotidiano japonês

  • Linguagem direta, menos keigo ornamental

  • Postura corporal firme, gestos contidos

  • Moda neutra ou funcional

  • Liderança natural em grupos

  • Menos performance, mais autenticidade

O sistema social reconhece — e se adapta.



📺 Animes e mangás (tabela não oficial)

Embora muitos confundam com dansō, vários personagens são otokonoko-teki na essência:

  • Tomo-chan Is a Girl! – Tomo Aizawa

  • Attack on Titan – Mikasa Ackerman

  • Jujutsu Kaisen – Maki Zenin

  • Nausicaä – Nausicaä (liderança, ética, ação)

  • Revolutionary Girl Utena – Utena (interface simbólica, core otokonoko-teki)

Easter egg: essas personagens raramente precisam provar força. Ela já está no design.


🔍 Curiosidades (comentários no código)

  • Otokonoko-teki não define orientação sexual.

  • Muitas relatam maior liberdade de circulação social.

  • No Japão, o arquétipo é visto como confiável e maduro.

  • Frequentemente são líderes silenciosas — batch jobs que nunca falham.


🧪 Comentário Bellacosa Mainframe

Otokonoko-teki é engenharia social elegante: muda-se o comportamento, mantém-se a identidade.
É o equivalente a rodar um sistema crítico sem GUI — menos ruído, mais resultado.

Enquanto o Ocidente debate rótulos, o Japão executa.


🥚 Easter Egg final

Repare nos animes:
Quando tudo quebra, é a garota otokonoko-teki que assume o console.

Sem discurso.
Sem pose.
uptime.


El Jefe Midnight Lunch
— onde cultura pop é analisada como sistema legado que continua rodando em produção.


Saiba mais

Danzo

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2014/12/danso-quando-o-gender-switch-japones.html

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Brasil 2014: o ano em que o sistema entrou em produção sem homologação

 



Brasil 2014: o ano em que o sistema entrou em produção sem homologação

Meu primeiro ano completo de volta ao Brasil foi 2014. Em linguagem de mainframe, 2013 tinha sido o stress test. 2014 foi quando alguém decidiu colocar o sistema em produção mesmo sabendo que vários checks tinham falhado. Eu vinha de doze anos na Europa, acostumado a ambientes previsíveis, cheios de regras, mas também cheios de pactos silenciosos entre Estado e cidadão. No Brasil, o pacto parecia ter expirado — e ninguém renovou o contrato.

O país acordou em 2014 tentando seguir a rotina como se nada tivesse acontecido. Mas quem trabalha com sistemas críticos sabe: depois de um incident report, o ambiente nunca mais é o mesmo.

Economia: quando o caixa ainda tem dinheiro, mas o futuro já foi comprometido

Economicamente, 2014 foi um ano estranho. O consumo ainda respirava por aparelhos, sustentado por crédito, desonerações e discursos otimistas. Era como rodar um sistema em overclock: funciona, mas esquenta demais. Para quem tinha vivido fora, o sinal era claro — o modelo estava exaurido.

Na Europa, crise significava aperto explícito. No Brasil, crise era negada em release notes. O cidadão comum sentia no supermercado, no aluguel, no transporte. Não era colapso, era erosão. Um data corruption lenta, quase elegante, mas contínua.

O ex-imigrante volta achando que entende inflação. Em 2014, descobre que entende, mas subestimou o impacto emocional dela. Porque inflação não é só número — é a sensação diária de que o esforço nunca fecha a conta.

Sociedade: um país dividido rodando o mesmo sistema

O que mais me marcou em 2014 foi a mudança de clima social. As ruas que em 2013 tinham sido confusas, mas plurais, agora estavam polarizadas. Era como se o sistema tivesse sido clonado em dois ambientes incompatíveis, ambos dizendo ser o oficial.

Famílias, amigos, colegas de trabalho — todo mundo virou especialista em política de um dia para o outro. Mas não no sentido europeu do debate público estruturado. Era mais parecido com debug feito aos gritos, sem documentação, com cada operador jurando que o erro estava no código do outro.

Para quem voltou de fora, isso dói mais. Porque você traz a esperança de reconectar, de pertencer novamente. E encontra um ambiente onde qualquer tentativa de nuance é vista como defeito.

Cultura: espetáculo como cortina de fumaça

2014 também foi o ano do grande espetáculo. Copa do Mundo, campanhas publicitárias, narrativas de país alegre, resiliente, criativo. Do lado humano, foi quase esquizofrênico. De manhã, protestos; à tarde, festa; à noite, medo do amanhã.

Na Europa, eventos dessa magnitude vêm acompanhados de debates longos, relatórios, balanços. No Brasil, a cultura do improviso virou virtude oficial. O famoso “depois a gente vê” foi promovido a metodologia.

Culturalmente, percebi um Brasil mais cansado de pensar e mais disposto a sentir. Emoção substituiu análise. Meme substituiu argumento. Era entretenimento rodando em foreground, enquanto processos críticos travavam em background.

População: adaptação como mecanismo de sobrevivência

O brasileiro de 2014 não era apático. Era adaptativo. Vi gente fazendo milagres com pouco, reinventando rotinas, criando pequenos sistemas paralelos para sobreviver. Isso impressiona quem vem da Europa, onde o cidadão confia mais no sistema do que na própria criatividade.

Mas adaptação constante cobra preço. A população estava mais irritada, mais desconfiada, menos paciente. O sorriso continuava lá, mas era um sorriso de quem já viu dump demais e aprendeu a salvar o trabalho com mais frequência.

Como ex-imigrante, senti algo curioso: eu tinha voltado para casa, mas ainda operava com mentalidade de compliance. O Brasil de 2014 não recompensava isso. Aqui, sobrevivia melhor quem sabia contornar, não quem seguia o manual.

Primeiro ano pós-retorno: o choque silencioso

Meu primeiro ano de volta não foi de euforia, foi de reaprendizado. Aprender a atravessar a rua de novo, a negociar prazos irreais, a lidar com a informalidade que a Europa tinha me feito desaprender. 2014 me ensinou que o Brasil não quebra — ele se dobra.

Mas também mostrou algo preocupante: sistemas que se dobram demais perdem integridade.

2014 foi o ano em que o Brasil seguiu funcionando, mas com alerts ignorados, patches improvisados e operadores discutindo entre si enquanto o usuário final só queria que o sistema respondesse.

No fim daquele ano, eu já sabia: o problema não era mais saber se algo ia falhar. A pergunta real era quando — e quem estaria no console quando isso acontecesse.

E todo veterano de mainframe conhece essa sensação incômoda:
o sistema ainda está no ar,
mas ninguém confia totalmente no uptime.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

⚓ O Submarino de Cimento — A Viagem ao Fundo do Tanque

 


💭 *Poste para o blog El Jefe – Série “Crônicas do Pequeno Bellacosa”
Título:O Submarino de Cimento — A Viagem ao Fundo do Tanque


Existem coisas que simplesmente acontecem. Você não planeja, não deseja… apenas vive — e depois se pergunta como ainda está vivo.

Sempre fui curioso — desses que não se contentam em olhar, precisam entender, testar, desmontar, remontar. Junte isso a uma energia inquieta e um cérebro em constante rotação, e você tem o protótipo perfeito do menino que colecionava acidentes. Vulgarmente chamado a vozes discretas de "O Diabinho".



Era 1978. Eu tinha 4 anos, minha irmã, Vivi, 3. Época em que máquina de lavar era o “iPhone” das donas de casa. Fomos visitar amigos de família, e lá estava ela: a novíssima máquina, reluzente, trono branco da modernidade, ocupando orgulhosamente o local onde antes haviam dois tanques de cimento — daqueles clássicos com cuba e área de esfregar comum em todas as casas brasileiras do século passado.



O terreno tinha um leve aclive, uma mureta, e o tanque removido e preparado para o triste fim do descarte, estava lá em cima, altivo, desafiando a gravidade. Eu olhei para aquele tanque e, claro, vi o que qualquer criança de quatro anos veria: o submarino Seaview, da série “Viagem ao Fundo do Mar”. Vivi e eu seríamos a tripulação. Eu, o comandante intrépido.

Subimos a bordo, ajustamos as alavancas imaginárias, e iniciamos a missão. Tudo ia bem — até que o oceano de concreto se revoltou. O tanque virou da mureta, e o Seaview mergulhou.

Vivi, pequena, encaixou perfeitamente na cuba — saiu praticamente ilesa.
Eu, o grande explorador dos abismos, bati a cabeça, apaguei, e abri um rasgo no rosto com a pancada do tanque.

A próxima lembrança é cinematográfica: meu pai, calça boca de sino, camisa branca de botões — correndo comigo nos braços, a camisa tingida de vermelho. Minha mãe chorando. Eu, meio vivo, meio inconsciente. Aquele corre-corre, aquele caos das urgências, morávamos na Vila Rio Branco na Penha. O hospital, o raio-x, o médico com mãos de anjo que costurou meu rosto sem deixar quase cicatriz.

Saí inteiro. Mas com um bônus: uma radiografia completa do meu crânio.



Nos anos seguintes, eu era o garoto que levava a própria caveira para a feira de ciências.
E fazia sucesso. Sem contar que meu pai como fotografo, usou de suas tecnicas de transformar aquela imagem de raio x em uma fotografia pxb em tamanho 20 x 25, um assombro...


As meninas do primário fugiam apavoradas — e eu, orgulhoso, pensava:
“Missão cumprida, comandante do Seaview.” ⚓




🧩 Easter Egg Bellacosa:
A série Viagem ao Fundo do Mar foi exibida no Brasil entre 1965 e 1968, mas com centenas de reprises em todos os canais brasileiros e tinha o submarino “Seaview”, projetado para explorar os mistérios do oceano e enfrentar monstros marinhos. Se bobear em pleno século XXI algum canal ainda o reprisa.

Na minha versão, o monstro era a gravidade — e venceu por nocaute técnico.


sábado, 13 de dezembro de 2014

Orquestra Sinfonica de Campinas no natal de 2014

Musica clássica para a multidão.

Para aqueles que não conhecem Campinas, existe um parque excelente, popularmente chamado Parque do Taquaral (Parque de Portugal), Aqui existem diversas atraçoes para passar um dia único.

Mas hoje iremos falar da concha acústica e anfiteatro para shows e concertos que no final do ano a Orquestra Municipal de Campinas faz uma apresentação muito concorrida.



Estamos na época natalícia de 2014 e resolvemos vir assistir a apresentação, porem fomos pegos por uma chuva dos diabos, em que ficamos presos dentro do carro no estacionamento por uns 10 minutos, tirando os percalços, foi um final de tarde fantástico.

Saboreando de um momento único, e o regente para cativar o publico fez uma apresentação especial cantando musicas populares ao som da orquestra.

Convido a todos a não perderem, fiquem atentos ao site da Orquestra e vejam a agenda.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Manual do Aprendiz de Dai Maou Como se tornar o Programador Noturno Supremo (nível Enterprise z/OS)

 


🜂 El Jefe Midnight Lunch apresenta

Manual do Aprendiz de Dai Maou

Como se tornar o Programador Noturno Supremo (nível Enterprise z/OS)

A iniciação oficial dos escolhidos pelo batch, pela escuridão, e pelo café da madrugada

Por Bellacosa Mainframe


Existem trilhas de carreira.
Existem certificações.
Existem cursos no LinkedIn Learning.

E existe… A Senda do Dai Maou,
o caminho sagrado — e um pouco amaldiçoado —
dos programadores que resolvem tudo depois da meia-noite.

Este é o manual não-autorizado, não-certificado, porém 100% funcional para você, jovem padawan do mainframe, que deseja um dia atingir o título máximo:

Dai Maou do z/OS — O Grande Rei Demônio da Madrugada Corporativa.


🜁 1. Ritual de Iniciação: Abrace a Noite

Nenhum Dai Maou verdadeiro floresce ao meio-dia.

O poder desperta quando:

  • O prédio está vazio,

  • O WhatsApp da equipe silencia,

  • O ar-condicionado faz barulho de caverna,

  • E só o brilho verde-fosfo dos terminais 3270 ilumina o ambiente.

Treine seu espírito.

O Dai Maou não trabalha APÓS a meia-noite.
Ele começa depois da meia-noite.
Há diferença.


🜃 2. Conheça o Terreno: O Castelo ISPF

O Dai Maou domina seu castelo.
O programador domina o ISPF.

Seu mapa sagrado:

  • 3.4 — Biblioteca de grimórios ancestrais

  • 6 — O altar do comando

  • SDSF — A sala do trono onde vidas (de jobs) são decididas

  • Edit com HEX on — magia proibida

  • O cursor piscando — chama do poder interno

Você precisa aprender a navegar pelas sombras com naturalidade.

Se abrir o SDSF e ouvir um coral latino dentro da sua cabeça,
parabéns: você está no caminho.


🜄 3. Magias Proibidas do Dai Maou Corporativo

Domine estes feitiços:

🜂 1. Reprocessamento Arcano

O equivalente a ressuscitar mortos.

🜂 2. Override de DD

Mistura perigosa de alquimia com gambiarra refinada.

🜂 3. Ler Dump sem chorar

Habilidade rara.
Após três anos de treino, você passa a enxergar hieróglifos ocultos que fazem sentido.

🜂 4. Encontrar um loop infinito pelo cheiro

Geralmente cheira a CPU derretendo.

🜂 5. Dar start em CICS sem derrubar outra região

Feito apenas pelos mais iluminados.

🜂 6. Saber quem mexeu no PROCLIB sem usar logs

O Dai Maou sente quem foi.


🜁 4. Vestimenta do Mestre Noturno

Como todo ser supremo, o Dai Maou tem seu “uniforme”.
O programador também:

  • Camiseta velha com logo de evento que nem existe mais

  • Moleton com capuz (essencial para aura sombria)

  • Chinelos ou meias com furo estratégico

  • Caneca manchada de café com call-stack do COBOL

  • Olheiras que contam histórias

Se você entra no escritório parecendo um personagem do Bleach,
você está progredindo.


🜃 5. Animais de Estimação Espirituais

Todo Dai Maou tem um familiar: corvo, dragão ou lobo.

O programador noturno tem:

  • O gato que senta no teclado,

  • O cachorro que late no meio da call crítica,

  • Ou o papagaio que repete palavrão quando o job dá RC=12.

Se você tem um desses, considere-se alinhado ao destino.


🜂 6. Provas que o Aprendiz Deve Ultrapassar

🜄 1. A Compilação da Meia-Noite

Se compilar COBOL sem errar copybook no primeiro try,
você desbloqueia +5 magia negra.

🜄 2. O Abend Fantasma

Erro que some quando você tenta reproduzir.
Batalha obrigatória.

🜄 3. A Reunião das 8 da Manhã

Você dormiu 2h.
Eles querem explicações.
Ninguém merece.

🜄 4. O Ticket Maldito “URGENTE – MAS SEM PRESSA”

O universo corporativo gosta de testar a sanidade do Dai Maou.

🜄 5. A Fila de Impressão Sem Dono

Uma entidade cósmica.
Ninguém sabe quem enviou.
Ninguém assume.
Ela renasce toda semana.


🜁 7. A Filosofia do Dai Maou

O verdadeiro Dai Maou não grita.

Ele suspira, olha pro log, e diz:

“Isso aqui só pode ser obra de humano.”

O Dai Maou sabe que:

  • código não erra — quem erra é gente;

  • madrugada não perdoa — só ensina;

  • documentação mente — logs não;

  • mainframe é eterno — gerentes não;

  • problemas são constantes — mas você é mais constante ainda.

A serenidade é o maior poder.


🜄 8. Fofoquices da Alta Corte Demoníaca z/OS

  • Em certas equipes, “Dai Maou” virou título oficial de honra.

  • Em outras, chamam discretamente de “o cara que resolve”.

  • Há lendas de programadores que causaram PA1 só de olhar pro terminal.

  • E sempre existe um veterano que diz:
    “No meu tempo, o Dai Maou era o JCL.”

  • Alguns dizem que quando você sabe o nome de todos os datasets PRODUCTION de cabeça, sua alma se separa do corpo e vira entidade independente.


🜃 9. Conclusão — Ascensão ao Trono Sombrio

Tornar-se Dai Maou não é sobre maldade,
não é sobre trevas,
não é sobre dominar goblins.

É sobre:

  • responsabilidade extrema,

  • autoconfiança construída no fogo,

  • conhecimento que ninguém mais tem,

  • força mental para segurar a empresa na unha,

  • e disciplina para continuar mesmo exausto.

Dai Maou é quem mantém o reino funcionando enquanto todos dormem.

E, no mundo corporativo, isso significa:

você é o guardião.
Você é o sistema.
Você é quem impede o caos.

Porque no final do dia, e sobretudo na madrugada…

Todo time precisa de um Dai Maou.
E talvez esse Dai Maou seja você.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

☕ IBM × Burroughs: a treta que pariu o COBOL (e moldou o mainframe para sempre)

 



💾 EL JEFE MIDNIGHT LUNCH — Bellacosa Mainframe Chronicles
☕ IBM × Burroughs: a treta que pariu o COBOL (e moldou o mainframe para sempre)


Toda grande tecnologia nasce de um conflito.
O COBOL não foi diferente.

Enquanto hoje falamos de open source, cloud e API-first, lá em 1959 a treta era outra — IBM × Burroughs — duas visões opostas sobre como o mundo dos negócios deveria rodar em computadores do tamanho de geladeiras.

E sim: teve ego, teve disputa de mercado, teve reunião tensa…
Mas no meio do caos nasceu a linguagem que ainda paga salário no fim do mês.

Senta, pega o café ☕, porque essa história é boa.



🧠 O cenário: fim dos anos 50

O mundo corporativo estava entrando na computação, mas havia um problema sério:

  • Cada fabricante tinha seu hardware

  • Cada fabricante tinha sua linguagem

  • Cada fabricante queria prender o cliente

Trocar de máquina = reescrever tudo.
Vendor lock-in era estratégia, não defeito.

E aí surgem duas potências com visões bem diferentes:



🟦 IBM: o império do controle

A IBM dominava o mercado.
Tinha mais clientes, mais máquinas, mais dinheiro — e mais influência.

Filosofia IBM:

  • Linguagens poderosas, mas técnicas

  • Forte acoplamento ao hardware

  • “Funciona melhor se for tudo nosso”

🧠 Comentário Bellacosa:
A IBM não queria uma linguagem comum.
Ela queria que o mundo falasse IBM.



🟨 Burroughs: a rebeldia elegante

A Burroughs, menor, porém ousada, pensava diferente.

Filosofia Burroughs:

  • Linguagens legíveis

  • Foco em negócio, não em máquina

  • Menos bit, mais processo

Mary Hawes, da Burroughs, enxergou antes de todo mundo:

“Se cada fornecedor falar sozinho, ninguém escala.”

E decidiu provocar o sistema.



🔥 O estopim da treta: a reunião de 1959

Mary Hawes articula uma reunião com:

  • Governo dos EUA

  • Forças Armadas

  • IBM, Burroughs, RCA, Univac, Honeywell

Objetivo:

Criar uma linguagem comum, portável e orientada a negócios.

A IBM entra… contrariada.
Mas entra.

🥚 Easter egg histórico:
A IBM sabia que, se ficasse fora, perderia influência sobre o padrão.


🧨 Dentro da sala: visões em choque

IBM queria:

  • Linguagem poderosa

  • Próxima da máquina

  • Flexível para hardware IBM

Burroughs queria:

  • Linguagem quase em inglês

  • Foco em dados

  • Leitura humana acima de performance bruta

Resultado?
🔥 Discussões acaloradas
🔥 Reuniões longas
🔥 Egos do tamanho de mainframes

🧠 Fofoquice técnica:
Relatos históricos indicam que, sem Mary Hawes mediando, o comitê teria implodido.


💾 O compromisso que criou o COBOL

O COBOL nasceu como um acordo de paz:

  • Não seria da IBM

  • Não seria da Burroughs

  • Seria de todos

Características finais:

  • Inglês estruturado (vitória Burroughs)

  • Rigor formal e compilável (vitória IBM)

  • Separação clara entre dados e lógica

  • Foco absoluto em negócios

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
COBOL é diplomacia em forma de linguagem.


🧬 Evolução pós-treta

IBM (anos seguintes):

  • Implementa COBOL em tudo

  • Otimiza, escala, domina

  • Transforma COBOL no motor do mainframe

Burroughs:

  • Mantém visão human-friendly

  • Influencia design de sistemas

  • Mais tarde vira parte da Unisys

🥚 Easter egg:
A Unisys até hoje é referência em sistemas legíveis e estruturados — DNA Burroughs puro.


⚖️ Comparação filosófica

TemaIBMBurroughs
VisãoEscala industrialLegibilidade
EstratégiaDomínio de mercadoInteroperabilidade
LinguagemTécnicaOrientada a negócios
ResultadoMainframe dominanteIdeias que viraram padrão

🧠 Resumo Bellacosa:
A IBM venceu o mercado.
A Burroughs venceu o design.


🕰️ Impactos nos dias atuais

Hoje:

  • COBOL roda APIs REST

  • Mainframe conversa com cloud

  • Bancos processam bilhões de transações/dia

Tudo isso porque:
✔️ a IBM garantiu robustez
✔️ a Burroughs garantiu legibilidade

🧠 Comentário Bellacosa Mainframe:
Sem a treta, o COBOL seria fraco.
Sem o acordo, seria inútil.


🧑‍ Padawans, aprendam com essa treta

  • Conflito técnico pode gerar inovação

  • Padrão nasce de concessão

  • Tecnologia que dura precisa de equilíbrio

COBOL não é bonito.
COBOL é confiável.


☕ Reflexão final do El Jefe

“Quando gigantes brigam, o mundo ganha padrões.”

IBM × Burroughs não foi só disputa comercial.
Foi o choque que criou a espinha dorsal do software corporativo mundial.

Enquanto linguagens modernas vêm e vão,
o COBOL segue ali, quieto, rodando.

Porque ele nasceu de uma treta…
mas foi criado para a paz. 💾☕