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domingo, 9 de maio de 2021

Walter Mitty Entra no Estúdio — O Dia em que um Programador COBOL Descobriu que Fotografar é Compilar Luz

 

Bellacosa Mainframe e dicas para um fotografo iniciante

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Walter Mitty Entra no Estúdio — O Dia em que um Programador COBOL Descobriu que Fotografar é Compilar Luz

Ou: como ISO, abertura, obturador, distância focal, perspectiva, softbox, histograma e um sujeito que vive aventuras impossíveis dentro da própria cabeça acabaram ensinando fotografia para alguém acostumado a pensar em WORKING-STORAGE, JCL e abends às três da manhã

Existe um momento estranho na vida de todo programador COBOL.

Você passa anos olhando para coisas como:

01 WS-CLIENTE.
   05 WS-NOME        PIC X(40).
   05 WS-SALDO       PIC S9(09)V99 COMP-3.

e começa a acreditar que o universo inteiro deveria funcionar dessa maneira.

Entrada.

Processamento.

Saída.

Se alguma coisa der errado:

ABEND S0C7

Pronto.

Procure o campo que tinha letra onde deveria existir número e vamos para o café.

Então alguém entrega uma câmera fotográfica na sua mão.

Na parte de cima existem números como:

ISO 100
1/250
f/2.8

Na lente:

24-70mm

No visor aparecem indicadores de exposição, foco, compensação e outras criaturas que parecem ter fugido de um painel do SDSF.

Você olha aquilo e pergunta:

— Mas onde está o F1 Help?

Foi exatamente nesse momento que Walter Mitty atravessou a porta do CPD.

Não o Walter Mitty que está sentado quieto numa cadeira.

Esse está tecnicamente no escritório.

O Walter Mitty que entrou ali naquele momento era correspondente de guerra, fotógrafo da National Geographic, piloto de um hidroavião atravessando uma tempestade na Groenlândia e, por razões que ninguém conseguiu explicar, operador de um IBM z17 instalado clandestinamente dentro de um dirigível.

Ele colocou uma Leica imaginária em cima da mesa.

Olhou para o programador COBOL.

E disse:

— Você não está configurando uma câmera.

— Não?

— Está escrevendo um programa para a luz.

E foi assim que começou nossa aula.



1. Antes de qualquer coisa: fotografia não é “apertar o botão”

Existe uma armadilha comum para quem começa.

A pessoa vê uma fotografia bonita e pensa:

“Que câmera boa.”

É mais ou menos como olhar para um sistema bancário processando milhões de transações e concluir:

“Que teclado bom.”

A câmera é uma ferramenta.

Fotografia é decisão.

Você está decidindo:

  • quanto de luz entra;

  • durante quanto tempo ela entra;

  • quanto amplificaremos o sinal;

  • qual parte da cena será enquadrada;

  • qual elemento estará em foco;

  • qual ficará desfocado;

  • onde a câmera estará;

  • como a luz atingirá o assunto;

  • e, principalmente, o que você quer que o espectador veja.

Walter Mitty apontou para um datacenter imaginário no horizonte.

— Uma câmera é uma máquina que registra luz.

Depois apontou para o programador.

— O fotógrafo decide o que essa luz significa.

Essa diferença separa uma fotografia tecnicamente correta de uma fotografia interessante.



2. O triângulo de exposição: o JOB que todo fotógrafo submete

Na fotografia existe uma espécie de JOB card universal:

//PHOTO JOB
//STEP01 EXEC CAPTURE
//PARM='APERTURE,SHUTTER,ISO'

Os três parâmetros fundamentais são:

abertura

velocidade do obturador

ISO

Eles são conhecidos como triângulo de exposição.

Mas aqui vai uma pequena correção importante.

Abertura e obturador determinam diretamente quanta luz chega ao sensor.

ISO, na fotografia digital, está relacionado principalmente à amplificação e ao processamento do sinal capturado.

Para começar, entretanto, podemos pensar nos três como variáveis que trabalham juntas para determinar o resultado final.

Imagine uma torneira enchendo um recipiente.

A abertura é a largura da torneira.

O obturador é quanto tempo ela fica aberta.

O ISO é quanto você amplifica o resultado depois.

Walter Mitty interrompe:

— Então ISO 6400 é como aumentar o volume de uma gravação ruim?

Mais ou menos.

Você consegue ouvir melhor.

Mas também começa a ouvir o ruído.



3. ISO — o dial que parece simples até deixar de ser

Uma regra básica costuma dizer:

ISO 100-200     Sol
ISO 200-400     Sombra
ISO 400-800     Interior
ISO 800-1600    Interior escuro
ISO 1600-3200   Noite
ISO 3200+       Pouquíssima luz

Como introdução, funciona.

Como religião, é perigoso.

ISO não deveria ser escolhido apenas perguntando:

“Está claro ou escuro?”

A pergunta mais inteligente é:

“Depois de escolher a abertura e a velocidade de que preciso, ainda tenho luz suficiente?”

Imagine uma pessoa sentada tranquilamente num restaurante.

Talvez seja possível fotografar com:

f/2
1/60
ISO 400

Agora imagine um guitarrista pulando no palco.

Com 1/60 ele viraria um borrão artístico involuntário.

Você poderia precisar de:

f/2.8
1/500
ISO 3200

O ISO aumentou porque você precisava de velocidade.

E isso nos leva a uma regra preciosa:

ISO alto não é fracasso. Foto tremida é fracasso quando você queria uma foto nítida.

Walter Mitty sorriu.

— Em outras palavras, melhor um processamento com warning do que um ABEND.

Exatamente.


4. O preço do ISO

Subir ISO pode trazer efeitos indesejáveis:

  • ruído;

  • perda de detalhe;

  • menor faixa dinâmica;

  • sombras menos limpas;

  • menos flexibilidade na edição.

Mas as câmeras modernas lidam muito melhor com ISO elevado que gerações anteriores.

Há muitos anos ISO 1600 já causava arrepios.

Hoje determinadas câmeras trabalham confortavelmente em ISO 3200, 6400 ou mais, dependendo da finalidade.

Não existe número “proibido”.

Existe contexto.


5. Shutter Speed — o parâmetro TIME do programa

Agora Walter Mitty pegou um cronômetro.

— Vamos fotografar o tempo.

O obturador controla por quanto tempo o sensor fica exposto à luz.

Exemplos:

1 segundo
1/30
1/60
1/125
1/250
1/500
1/1000
1/2000

Quanto mais lenta a velocidade, mais tempo entra luz.

Quanto mais rápida, menos tempo.

Mas velocidade não controla somente exposição.

Ela controla movimento.

Uma velocidade lenta pode registrar:

  • rastros;

  • água sedosa;

  • movimento de pessoas;

  • carros transformados em linhas luminosas.

Uma velocidade rápida pode congelar:

  • atletas;

  • pássaros;

  • gotas d'água;

  • veículos;

  • músicos;

  • crianças.

Por isso gosto de pensar assim:

Abertura controla espaço. Obturador controla tempo.

Já parece ficção científica suficiente para Walter Mitty.


6. Um erro interessante nos infográficos

Uma das imagens analisadas tinha um título semelhante a “Shutter Speed” e mostrava:

100
200
400
640
800
1600
3200
4000

Esse conjunto é claramente mais próximo de uma escala de ISO que de shutter speed.

Shutter speed apareceria como:

1/100
1/200
1/400
1/800
1/1600

É um ótimo exemplo de um problema moderno:

Infográfico bonito não significa infográfico correto.

No mundo mainframe isso seria algo como um diagrama apresentando JES2 no título e explicando RACF no conteúdo.

Visualmente maravilhoso.

Tecnicamente suspeito.


7. Stops — a matemática escondida atrás do clique

Fotografia trabalha muito com o conceito de stop.

Um stop representa dobrar ou reduzir pela metade a quantidade de luz.

No obturador:

1/125 → 1/250

metade da luz.

1/250 → 1/125

dobro da luz.

No ISO:

100 → 200 → 400 → 800 → 1600

cada salto completo representa aproximadamente um stop.

Na abertura temos:

f/1.4
f/2
f/2.8
f/4
f/5.6
f/8
f/11
f/16
f/22

Aqui a coisa fica divertida.


8. A abertura: o PIC S9(4)V99 da fotografia

Quem começa olha para f/1.4 e f/16 e pensa:

“f/16 deve ser mais aberto porque 16 é maior.”

Errado.

Quanto menor o número f, maior a abertura.

f/1.4 = muito aberta
f/2.8 = aberta
f/8 = intermediária
f/16 = fechada

Isso acontece porque o número f é uma razão.

Simplificando:

N=fDN = \frac{f}{D}

onde:

  • N é o número f;

  • f é a distância focal;

  • D é o diâmetro efetivo da abertura.

Não precisamos decorar a fórmula para fotografar.

Mas ela explica por que o sistema parece invertido.


9. Profundidade de campo: o que entra no SELECT

Abertura também influencia a profundidade de campo.

Com abertura grande, como:

f/1.4
f/2
f/2.8

é possível ter:

ASSUNTO     = foco
FUNDO       = desfocado

Ótimo para retratos.

Com abertura mais fechada:

f/8
f/11

mais elementos tendem a aparecer com nitidez aceitável.

Por isso paisagens frequentemente utilizam aberturas intermediárias ou fechadas.

Mas cuidado.

Profundidade de campo não depende apenas da abertura.

Depende também de:

  • distância focal;

  • distância até o assunto;

  • distância do assunto ao fundo;

  • tamanho do sensor;

  • critério de nitidez.

Portanto:

“f/1.8 sempre desfoca tudo”

é quase tão correto quanto:

“COBOL só roda em mainframe.”

Há contexto.


10. Distância focal: o endereço lógico da cena

Na lente encontramos números como:

14mm
24mm
35mm
50mm
85mm
135mm
200mm
600mm

Esses números representam a distância focal.

Em termos práticos, ela afeta fortemente o campo de visão.

Em full frame, podemos pensar aproximadamente assim:

14–20 mm
Ultra-wide.

24–35 mm
Grande-angular.

50 mm
Normal.

85–135 mm
Retrato e tele curta.

200–300 mm
Teleobjetiva.

400–600 mm+
Supertele.

Quanto maior a distância focal, mais estreito tende a ser o campo de visão.

Walter Mitty olha para uma montanha imaginária a vinte quilômetros.

Troca para 600 mm.

— Agora consigo ver um alpinista.

— Existe um alpinista ali?

— Na minha versão existe.

Walter Mitty tinha essa vantagem competitiva.


11. Crop factor — quando 50 não parece 50

Uma lente de 50 mm continua sendo fisicamente 50 mm.

Mas sensores diferentes produzem campos de visão diferentes.

Por exemplo, em APS-C com fator 1,5:

50 x 1,5 = 75 mm equivalente

Em Micro Four Thirds:

50 x 2 = 100 mm equivalente

Isso explica por que recomendações de lente precisam considerar a câmera.

Quando alguém diz:

“50 mm é perfeita para retratos.”

A resposta correta seria:

“Em qual formato?”

Walter Mitty anotou isso num caderninho.

Provavelmente mais tarde ele o usaria para pilotar um caça.


12. Anatomia da lente

Uma lente moderna pode conter:

Focus Ring
Anel de foco.

Zoom Ring
Altera distância focal nas lentes zoom.

AF/MF
Autofocus ou manual.

Distance Scale
Distância aproximada de foco.

Maximum Aperture
Maior abertura disponível.

Image Stabilizer
Sistema de estabilização.

Uma lente 24–70 mm, por exemplo, permite variar rapidamente entre grande-angular moderada e tele curta.

É uma espécie de canivete suíço fotográfico.

Ou, em linguagem mainframe:

o utilitário IDCAMS das lentes.

Serve para muita coisa.


13. Estabilização não congela gente correndo

Essa pegadinha derruba muito iniciante.

O estabilizador corrige principalmente o movimento da câmera.

Ele não impede o movimento do assunto.

Suponha:

70mm
1/15
IS ON

Você pode conseguir a câmera relativamente estável.

Mas se a pessoa mover a cabeça durante 1/15 de segundo:

ela ficará borrada.

Portanto:

camera shake  -> estabilização ajuda
subject motion -> shutter rápido ajuda

Duas causas diferentes.

Duas soluções diferentes.


14. Ângulo de câmera: agora entramos no cinema

Até aqui estivemos falando de exposição.

Agora começa a narrativa.

Fotografar de cima, de baixo ou na altura dos olhos muda como percebemos o assunto.

High angle pode sugerir:

  • vulnerabilidade;

  • pequenez;

  • fragilidade.

Low angle pode transmitir:

  • poder;

  • grandeza;

  • autoridade.

Straight-on tende a ser mais neutro.

Top-down é comum em:

  • comida;

  • produtos;

  • composição gráfica.

Isso é particularmente poderoso porque não há nenhum botão chamado:

EMOTIONAL IMPACT = ON

A emoção vem de decisões geométricas.


15. Distância focal não é perspectiva

Essa talvez seja a parte mais importante do artigo.

Existe um mito:

“Grande-angular distorce rostos.”

Ela pode ter distorção óptica.

Mas aquele nariz gigante em retratos feitos muito perto acontece principalmente por causa da distância da câmera ao rosto.

Faça o teste.

Fotografe uma pessoa com 24 mm muito perto.

Depois use 100 mm e afaste-se até obter enquadramento semelhante.

O resultado muda radicalmente.

Não porque a lente de 100 mm “corrige” magicamente a pessoa.

Mas porque sua posição mudou.

A perspectiva depende da posição da câmera.

Esse conceito vale ouro.


16. Barrel distortion e pincushion

Agora sim entramos em distorção óptica.

Barrel distortion

Linhas parecem curvar para fora.

Muito comum em grande-angulares.

Pincushion distortion

Linhas parecem curvar para dentro.

Pode aparecer em determinadas teles ou extremos de zoom.

São características ópticas que muitas câmeras e softwares conseguem corrigir automaticamente.

Mas não confunda isso com perspectiva.

São fenômenos diferentes.


17. A famosa 85 mm

Por que tanta gente gosta de 85 mm para retrato?

Em full frame ela oferece frequentemente:

  • distância confortável;

  • campo de visão agradável;

  • boa separação de fundo;

  • perspectiva facial natural.

Mas isso não significa que 85 mm seja a única lente de retrato.

35 mm cria excelentes retratos ambientais.

50 mm é versátil.

135 mm cria enorme separação e compressão aparente.

Não existe opcode:

PORTRAIT USING 85MM

Fotografia permite escolhas.


18. Agora Walter Mitty acende o softbox

Chegamos à iluminação.

Essa parte é maravilhosa porque fotograficamente você não está apenas registrando luz.

Você pode construí-la.

Temos vários modificadores:

  • umbrella shoot-through;

  • umbrella reflective;

  • softbox;

  • octabox;

  • beauty dish;

  • refletor direto.

Cada um produz características diferentes.

Mas existe uma regra fundamental:

Quanto maior a fonte aparente em relação ao assunto, mais suave tende a ser a luz.

Não basta dizer:

“Softbox gera luz suave.”

Um softbox minúsculo longe do assunto pode produzir luz relativamente dura.

Um softbox enorme muito perto pode criar sombras delicadíssimas.

Distância importa.

Tamanho importa.


19. Guarda-chuva fotográfico

O shoot-through permite que a luz atravesse o material.

Resultado frequente:

  • luz ampla;

  • suave;

  • espalhada.

É excelente para iniciantes.

Mas pode jogar luz em todas as paredes.

Em um cômodo pequeno, essas paredes rebatem luz e reduzem controle.

Já o umbrella reflective recebe a luz internamente e a devolve.

Pode oferecer comportamento um pouco mais controlado.

Simples.

Barato.

E muito eficiente.


20. Softbox: a janela portátil

Softboxes transformam uma fonte relativamente pequena em uma superfície luminosa maior.

Um softbox retangular pode produzir um reflexo semelhante a uma janela.

Octabox gera catchlights arredondados.

Mas cuidado com a obsessão pelo formato.

A posição, tamanho e distância frequentemente importam mais.

Walter Mitty colocou um octabox enorme ao lado de um terminal 3270.

— Ficou cinematográfico.

— Você acabou de iluminar o TSO.

— Toda grande aventura começa com LOGON.

Não dava para discutir.


21. Beauty dish e luz dura

O beauty dish oferece uma luz relativamente definida.

Muito usado em:

  • moda;

  • beleza;

  • retratos dramáticos.

Já um refletor direto pequeno produz:

  • sombras fortes;

  • contraste alto;

  • textura intensa.

É a clássica iluminação:

“Confesse onde escondeu a fita de backup.”

😂

Pode ser inadequada para determinado retrato.

Mas fantástica para outro.

Fotografia não trabalha com:

GOOD LIGHT
BAD LIGHT

Trabalha com:

LIGHT FITS INTENT
LIGHT DOES NOT FIT INTENT

22. Catchlights: CSI da iluminação

Observe os reflexos nos olhos das pessoas em retratos profissionais.

Aquele pequeno brilho contém pistas.

Você pode identificar aproximadamente:

  • formato da fonte;

  • quantidade de fontes;

  • posição;

  • tamanho aparente.

Um catchlight quadrado sugere softbox.

Circular pode indicar octabox ou beauty dish.

Fotógrafos experientes conseguem olhar uma foto e praticamente reconstruir o esquema de iluminação.

É engenharia reversa luminosa.


23. O fotômetro e o zero que não é zero

Muitas câmeras mostram:

-2 -1 0 +1 +2

Iniciante vê isso e pensa:

“0 é exposição correta.”

Nem sempre.

O medidor da câmera tenta interpretar a cena de acordo com critérios matemáticos.

Ele não conhece sua intenção.

Fotografando neve, pode escurecer demais.

Fotografando uma cena predominantemente preta, pode clarear demais.

Então:

0 EV não é verdade absoluta.

É apenas a opinião do sistema de medição.

Walter Mitty observa:

— Então é como confiar cegamente num job que terminou com RC=0?

Exatamente.

Pode ter terminado.

Não significa necessariamente que fez o que você queria.


24. Histograma: o SMF da fotografia

Se existe uma ferramenta que um mainframer deveria amar, é o histograma.

Ele mostra como os tons estão distribuídos.

Esquerda:

sombras.

Centro:

tons médios.

Direita:

altas luzes.

Tudo acumulado na esquerda pode indicar imagem escura.

Tudo espremido na direita pode indicar highlights estourados.

Mas novamente:

não existe histograma perfeito.

Cena noturna naturalmente pesa para a esquerda.

Cena high-key pesa para a direita.

O histograma não decide.

Ele informa.

Assim como SMF.


25. RAW — o dump que você agradece ter guardado

Se possível, fotografe em RAW.

JPEG é uma imagem já processada pela câmera.

RAW preserva muito mais informação original.

Em RAW você consegue trabalhar melhor:

  • exposição;

  • white balance;

  • sombras;

  • altas luzes;

  • contraste;

  • cor;

  • redução de ruído.

Uma analogia imperfeita mas útil:

JPEG é o relatório impresso.

RAW é o dataset completo.

Quando surge um problema, qual você prefere ter?

Pois é.


26. White balance: porque luz não é simplesmente branca

A luz tem temperatura de cor.

Valores comuns:

~3000K   luz quente/tungstênio
~5500K   daylight aproximado
~6500K+  sombra/céu mais frio

A câmera precisa decidir o que considera neutro.

Por isso existe white balance.

Se estiver errado, uma sala pode ficar absurdamente laranja ou azul.

Fotografando RAW, isso é muito mais fácil de corrigir posteriormente.


27. Receitas práticas

Walter Mitty agora decidiu que o aluno precisava enfrentar missões.

Missão 1 — Retrato externo

Objetivo:

fundo desfocado.

Comece com:

85mm
f/2
1/250
ISO Auto ou ISO necessário

Depois ajuste conforme a luz.


Missão 2 — Esporte

Objetivo:

congelar ação.

Comece com:

1/1000
f/2.8-f/5.6
ISO conforme necessário

Aqui o shutter manda.


Missão 3 — Show noturno

Pode acabar em:

1/500
f/2.8
ISO 3200

Ou 6400.

Não tenha medo.

Ruído pode ser tratado.

Movimento perdido não.


Missão 4 — Paisagem

Com tripé:

ISO 100
f/8
velocidade conforme a luz

Aqui você pode permitir exposição longa.


28. Panning — quando borrão deixa de ser erro

Fotografia tem uma característica maravilhosa:

algumas coisas que parecem erro podem virar linguagem.

Panning consiste em acompanhar um objeto em movimento usando velocidade relativamente lenta.

Por exemplo:

1/60

Você acompanha o carro durante o disparo.

Com prática, o carro pode aparecer relativamente nítido e o fundo borrado.

Resultado:

sensação de velocidade.

Se congelássemos tudo com 1/4000, talvez a fotografia parecesse estática.

Então:

Nem toda nitidez é desejável.


29. Astrofotografia: quando a Terra invade sua exposição

Fotografar estrelas parece simples:

tripé.

ISO alto.

Exposição longa.

Mas existe um problema.

A Terra gira.

Se a exposição for longa demais, estrelas deixam de ser pontos e viram rastros.

Astrofotografia envolve:

  • abertura;

  • ISO;

  • distância focal;

  • tempo;

  • ruído;

  • movimento aparente;

  • empilhamento;

  • eventualmente trackers.

É um excelente exemplo de como aquelas tabelas básicas começam a quebrar quando entramos na fotografia real.


30. A variável esquecida: seus pés

Uma das maiores lições da fotografia é surpreendentemente simples:

Antes de trocar de lente, mova-se.

Chegue mais perto.

Afaste-se.

Abaixe.

Suba.

Dê dois passos para o lado.

Uma alteração pequena de posição pode transformar:

  • perspectiva;

  • fundo;

  • composição;

  • proporção dos objetos.

Um fotógrafo não trabalha apenas com câmera.

Trabalha com geometria.


31. A sequência mental de um fotógrafo

Walter Mitty finalmente escreveu no quadro branco do CPD:

PROCEDURE DIVISION.

Depois começou a listar:

1. O QUE QUERO MOSTRAR?
2. QUAL ENQUADRAMENTO?
3. ONDE DEVO FICAR?
4. QUAL LENTE?
5. QUANTO QUERO EM FOCO?
6. QUAL ABERTURA?
7. EXISTE MOVIMENTO?
8. QUAL SHUTTER?
9. QUAL ISO É NECESSÁRIO?
10. COMO ESTÁ A LUZ?
11. PRECISO MODIFICÁ-LA?
12. O HISTOGRAMA ESTÁ SAUDÁVEL?
13. O FUNDO AJUDA?
14. A FOTO CONTA A HISTÓRIA?

Essa sequência vale muito mais que decorar cinquenta tabelas.


Easter egg #1 — Walter Mitty não estava tentando aprender fotografia

Na verdade ele já era:

  • fotógrafo de guerra;

  • explorador;

  • piloto;

  • marinheiro;

  • aventureiro;

  • especialista em vulcões.

Tudo por aproximadamente quarenta segundos de cada vez.

Depois voltava para a mesa.

O ponto da brincadeira com Walter Mitty é perfeito para fotografia.

A câmera também permite transformar uma situação comum em narrativa.

Uma rua qualquer pode virar noir.

Uma estação pode parecer Blade Runner.

Um corredor de escritório pode virar instalação secreta da CIA.

Uma sala de servidores pode virar ponte de nave espacial.

Fotografia sempre possui um pouco de imaginação.


Easter egg #2 — o famoso negativo perdido

Quem conhece The Secret Life of Walter Mitty sabe como fotografia e aventura estão profundamente ligadas à história.

Há algo belíssimo naquela ideia de perseguir uma imagem importante enquanto a própria jornada acaba se tornando mais significativa que a fotografia procurada.

É uma ótima metáfora para quem começa.

Você sai querendo aprender:

ISO
F-STOP
SHUTTER

e acaba aprendendo:

LUZ
TEMPO
ESPAÇO
ATENÇÃO

A câmera vira desculpa para observar o mundo.


32. A grande conclusão: fotografia é compilação de intenção

Depois de duas horas, o programador COBOL finalmente deixou de perguntar:

— Qual configuração correta?

E passou a perguntar:

— O que quero que aconteça na imagem?

Esse é o salto.

Quando você escolhe:

f/2

não está apenas abrindo o diafragma.

Está dizendo:

quero separar o sujeito do fundo.

Quando escolhe:

1/2000

está dizendo:

quero congelar esse instante.

Quando escolhe:

1/15

talvez esteja dizendo:

quero que o movimento apareça.

Quando seleciona:

24mm

está dizendo:

quero incluir o ambiente.

Com:

200mm

talvez:

quero isolar algo distante.

A técnica é gramática.

A fotografia é linguagem.


Epílogo — Walter Mitty sai do CPD

Walter Mitty recolheu a câmera.

No visor estava registrada uma fotografia simples:

um programador COBOL sentado diante de um terminal.

Luz lateral.

Fundo desfocado.

Uma caneca de café.

No monitor:

READY

O programador olhou.

— Só isso?

Walter Mitty colocou o casaco.

— Você viu um homem sentado numa mesa.

— Sim.

— Eu vi alguém aprendendo a controlar luz depois de passar trinta anos controlando dados.

Silêncio.

Walter Mitty abriu a porta.

Do outro lado havia uma cordilheira no Himalaia.

Ou talvez fosse apenas o estacionamento.

Com Walter Mitty nunca se sabia.

Antes de desaparecer, virou-se e disse:

— E lembre-se: uma foto em ISO 6400 que conta uma história vale mais do que uma foto perfeita que não diz nada.

Depois saiu.

O programador olhou novamente para a câmera.

Ajustou:

MODE        MANUAL
ISO         400
APERTURE    f/2.8
SHUTTER     1/250

Enquadrou a caneca.

Pensou um pouco.

Mudou de posição.

Abaixou a câmera.

Esperou a luz atravessar a janela.

E disparou.

Sem modo automático.

Sem tabela.

Sem medo.

Porque naquele momento tinha finalmente entendido:

fotografar não é encontrar a configuração correta. É escolher deliberadamente qual versão do mundo você quer registrar.

E isso, para alguém acostumado a escrever programas que transformam dados, talvez não seja uma ideia tão estranha assim.

No fim das contas, fotografia é quase COBOL.

Você recebe entrada.

Aplica regras.

Controla exceções.

Produz saída.

Só existe uma pequena diferença.

No COBOL, quando tudo funciona, normalmente ninguém percebe.

Na fotografia...

quando tudo funciona,

alguém sente alguma coisa.

sábado, 8 de maio de 2021

🎌🎂 “Christmas Cake”: o apelido cruel das mulheres maduras nos animes japoneses



 🎌🎂 “Christmas Cake”: o apelido cruel das mulheres maduras nos animes japoneses

Entre o machismo social e o humor cultural, uma metáfora doce — e amarga.


🎄 Origem do termo

Nos anos 80 e 90, durante o auge do boom econômico japonês, surgiu uma expressão peculiar e cruel:

“Mulher acima dos 25 anos é como bolo de Natal — ninguém quer depois do dia 25.”

Em japonês, isso virou “クリスマスケーキ” (Christmas Cake), uma metáfora para mulheres que não se casaram até os 25.
O raciocínio (machista, claro) era que, assim como o bolo natalino perde valor depois do dia 25 de dezembro, a mulher “passaria do ponto” após essa idade.

💬 O termo pegou com força na cultura pop, especialmente em comédias românticas e dramas dos anos 90.


🍰 Por que o termo aparece tanto em animes

O Japão tem uma sociedade que pressura fortemente as mulheres a casar cedo e deixar a carreira para formar família.
Nos animes, esse estigma aparece em:

  • Personagens femininas tristes ou frustradas por “ainda estarem solteiras”.

  • Piadas de colegas zombando da idade de uma mulher acima dos 25.

  • Estereótipos da “solteirona desajeitada” (arasa — abreviação de around thirty).

💡 Exemplo clássico:

  • Tsunade (Naruto) — poderosa, linda e madura, mas constantemente alvo de piadas por “esconder a idade”.

  • Misato Katsuragi (Evangelion) — mulher independente e sexualmente livre, retratada como confusa e solitária.

  • Yukari (Paradise Kiss) — aborda o conflito entre amor, idade e carreira de forma mais realista e crítica.


🧠 O contexto cultural

Nos anos 80, o Japão vivia uma fase de prosperidade e conservadorismo social.
Esperava-se que mulheres largassem o emprego após o casamento — a chamada “esposa do salário-médio”.
Quem rompia esse ciclo era vista como incomum ou problemática.

O Christmas Cake virou um símbolo social da mulher que não seguiu o “manual da boa esposa” — e isso ainda ecoa nas produções até hoje.


💬 Outros termos usados em animes

O Japão adora expressões para classificar faixas etárias com tons de humor (ou veneno social):

  • 🧁 Arasa (アラサー) — “around thirty”, mulheres por volta dos 30 anos, geralmente retratadas como inseguras ou pressionadas.

  • 🍷 Arajii (アラジー) — homens acima dos 40, menos estigmatizados.

  • 🐍 Dokushin Onna (独身女) — mulher solteira “independente demais”.

  • 🐱 Ojou-san / Onee-san — modos respeitosos, mas que mudam de tom dependendo da idade e do contexto.

  • 👵 Obasan — literalmente “tia”, mas usado pejorativamente para mulheres maduras que perderam o “brilho da juventude”.


📺 Como o anime lida com isso hoje

Nos últimos anos, alguns animes têm criticado o próprio etarismo:

  • Aggretsuko mostra a pressão sobre mulheres adultas no trabalho e nos relacionamentos.

  • Wotakoi: Love is Hard for Otaku (2018) trata romances maduros com leveza e realismo.

  • Otona Joshi no Anime Time (2011) dá voz a mulheres de meia-idade, frustradas, mas humanas e complexas.

Essas obras subvertem o “Christmas Cake”, mostrando que envelhecer não é expirar — é evoluir.


Conclusão Bellacosa

O “bolo de Natal” virou metáfora amarga porque foi criado por uma sociedade que confundiu idade com valor.

Mas o Japão está mudando — lentamente, como um bolo assando no forno cultural.
E cada vez mais animes estão mostrando que a vida não acaba aos 25 — às vezes, ela começa com uma boa fatia de coragem, autoconhecimento e, claro, um café Bellacosa pra acompanhar. 🎂✨

sexta-feira, 7 de maio de 2021

☕💥 A Jornada do Sysprog Padawan – SAF : Troubleshooting, IPCS, ICH408I, RC=8, Dumps, SMF80 - Parte V

 

Bellacosa Mainframe apresenta o SAF Parte V

☕💥 A Jornada do Sysprog Padawan – Parte 5

SAF – Troubleshooting, IPCS, ICH408I, RC=8, Dumps, SMF80 e Como Encontrar o Verdadeiro Culpado às 3h da Manhã

O Guia de Sobrevivência do Guardião do Reino IBM Z

"No Reino IBM Z existem dois tipos de problemas de segurança: os que parecem ser do RACF e os que realmente são do RACF."

Bellacosa Mainframe


Introdução

Nas partes anteriores aprendemos:

✓ O que é SAF

✓ Anatomia interna

✓ VERIFY

✓ AUTH

✓ FASTAUTH

✓ Performance

✓ ACEE

✓ Escalabilidade

Agora chegamos ao momento que todo Sysprog eventualmente enfrenta.

Produção caiu.

Telefone toca.

03:17.

Alguém grita:

O RACF está quebrado!

O Sysprog experiente faz uma pergunta simples.

Tem certeza?


O princípio Bellacosa

Antes de culpar o RACF.

Pergunte.

Quem chamou?


Quem respondeu?


Quem registrou?


Quem criou o ACEE?


Quem negou?


Quem fez VERIFY?


Quem fez FASTAUTH?


Normalmente.

A resposta.

Está.

No SAF.


Sintomas clássicos

RC=8

Mais famoso.


Acesso.

Negado.


ICH408I

Mensagem clássica.


RC=12

Erro.


RC=16

Falha.

Severa.


MQRC 2035

MQ.


SQLCODE -551

DB2.


NOT AUTHORIZED

CICS.


Permission denied

USS.


Ferramentas do Sysprog Jedi

IPCS

Sabre de luz.


SMF80

Livro de ocorrências.


zSecure

Radar.


SDSF

Central.

Operacional.


RACF Commands

Cartório.


Caso 1

ICH408I

A rainha.

Das mensagens.


Exemplo.

ICH408I USER(VBELLACO)

GROUP(SYS1)

NAME(VAGNER)

DATASET PROD.DB2.MASTER

CL(DATASET)

ACCESS INTENT(READ)

ACCESS ALLOWED(NONE)

Tradução.

Usuário.

Tentou.

Ler.


RACF.

Negou.


Perguntas Bellacosa

Classe ativa?


Perfil existe?


Grupo correto?


ACEE atualizado?


FASTAUTH.

Cache velho?


Comandos úteis

RLIST DATASET PROD.DB2.MASTER ALL

SEARCH CLASS(DATASET)

SETROPTS LIST

Caso 2

RC=8

Não autorizado.


Exemplo.

MQOPEN.


Fluxo.

MQ

↓

FASTAUTH

↓

SAF

↓

MQADMIN

↓

RC=8

Possíveis causas.

Perfil.

Ausente.


Permissão.

Removida.


Grupo.

Errado.


Caso 3

DB2

SQLCODE.

-551

Usuário.

Não autorizado.


Tabela.


Plano.


Package.


Classe.

DSNR.


Diagnóstico

RLIST DSNR

Caso 4

CICS

Usuário.

Executa.

PAY1.


Resposta.

NOT AUTHORIZED

Perfil.

TCICSTRN.


Classe.

Ativa?


Permissão?

Existe?


Caso 5

USS

SSH.

Falha.


Mensagem.

Permission denied

Pode ser.

UID.


HOME.


Shell.


OMVS.


Certificado.


MFA.


Diagnóstico

LU USERID

Verificar.

OMVS.


UID.


HOME.


PROGRAM.


Caso 6

Started Tasks

DB2P.

Não sobe.


MQM1.

Não sobe.


CICSPRD.

Falha.


Verificar.

STARTED.

Classe.


Exemplo.

RLIST STARTED MQM1 ALL

Caso 7

FASTAUTH

Curioso.


Às vezes.

O problema.

Não está.

No RACF.


Está.

No contexto.


ACEE.

Desatualizado.


Token.

Expirado.


Sessão.

Antiga.


Como investigar?

SMF80

Nosso.

Melhor.

Amigo.


Registra.

VERIFY.


AUTH.


Falhas.


Revogações.


Certificados.


MFA.


O que procurar?

RC.


RSN.


Timestamp.


Classe.


Perfil.


Userid.


LPAR.


Jobname.


zSecure

Facilita.

Muito.


Relatórios.


Compliance.


Diferenças.


Pesquisa.


IPCS

O sabre.

Do Jedi.


Dump.

TCB.

ASCB.

ACEE.

Flags.

UID.

Groups.


O segredo do dump

Dump.

Nunca.

Mente.


Pessoas.

Mentem.


Aplicações.

Mentem.


Logs.

Confundem.


Dump.

Conta.

A verdade.


O caso das 3h17

Banco.

Parado.


PIX.

Parado.


Equipe.

DB2.

Culpa.

RACF.


Equipe.

Segurança.

Culpa.

MQ.


Equipe.

MQ.

Culpa.

USS.


Sysprog.

Abre.

IPCS.


Verifica.

ACEE.


Descobre.

Grupo.

Removido.


03:29.

Sistema.

Volta.


Café.

Frio.


Produção.

Salva.


Checklist Bellacosa

Verificar

SMF80


ICH408I


RLIST


SEARCH


STARTED


TCICSTRN


DSNR


MQADMIN


OPERCMDS


SURROGAT


UNIXPRIV


ACEE


FASTAUTH


IPCS


Easter Egg Bellacosa ☕

Existe.

Um momento.

Na carreira.

Em que.

Você abre.

Um dump.


Segue.

PSA

↓

TCB

↓

ASCB

↓

ASXB

↓

ACEE

E pensa.

Acho que finalmente comecei a conversar com o Reino IBM Z.


Como impressionar um Security Architect

Diga.

RC=8 raramente é a causa raiz.

É apenas.

O sintoma.

Precisamos entender.

Quem chamou.

Quem respondeu.

Qual classe.

Qual perfil.

Qual ACEE.

Qual FASTAUTH.

Qual SMF.

E qual contexto.

Foi utilizado.


Provavelmente.

A conversa.

Mudará.

De nível.


Frase Bellacosa Mainframe

"O desenvolvedor procura mensagens. O administrador procura permissões. O Security Analyst procura auditoria. Mas o Sysprog Jedi conversa com o SAF até que ele conte exatamente por que decidiu abrir ou fechar uma porta do Reino IBM Z."


☕💥 Continua na Parte 6

SAF – Easter Eggs, Curiosidades Históricas, Segredos de Sysprog, Perguntas de Entrevista, Checklist Definitivo e Como Impressionar um IBM Distinguished Engineer em Cinco Minutos.


quinta-feira, 6 de maio de 2021

Por que o heroi do anime quase nunca tem mais de 40? O Etarismo nos animes.

 

Bellacosa Mainframe e o etarismo nos animes

Por que o heroi do anime quase nunca tem mais de 40? O Etarismo nos animes.


Uma das situações mais comuns dos animes é ver o protagonista passar episódios, temporadas ou até anos tentando conquistar alguém e, no final, não ficar com a garota que ama. Embora isso possa frustrar parte do público, existe uma razão narrativa interessante por trás desse recurso.

Muitos animes utilizam o romance não como objetivo final, mas como ferramenta para desenvolver o personagem. Em obras como Mob Psycho 100, por exemplo, a rejeição amorosa se transforma em um passo importante para o amadurecimento emocional do protagonista.

Outro motivo está relacionado ao realismo. Diferentemente dos contos de fadas, várias histórias japonesas procuram mostrar que sentimentos não garantem reciprocidade. O crescimento pessoal, a amizade e a aceitação muitas vezes se tornam mais importantes do que o romance em si.

Também existe uma questão comercial. Diversos animes evitam definir um casal para manter discussões entre fãs, alimentar teorias e prolongar o interesse pela obra. Esse tipo de construção se tornou comum em gêneros como harem, romance escolar e algumas light novels.

Além disso, a cultura japonesa frequentemente valoriza jornadas internas, autoconhecimento e sacrifício pessoal acima da recompensa romântica imediata.

No final, quando o herói não fica com a garota, a mensagem muitas vezes é simples: crescer como pessoa pode ser mais importante do que conquistar alguém. 


🏯 1. O peso da juventude na cultura japonesa

O Japão valoriza juventude, energia e pureza — traços associados à ideia de “kawaii” (fofura) e “ganbaru” (esforço, vitalidade).
Na cultura japonesa, ser jovem é símbolo de potencial e esperança, enquanto envelhecer é muitas vezes associado à perda de utilidade social.

💬 Isso não é só nos animes — aparece em publicidade, na música (J-pop, idols), e até no mercado de trabalho, onde a idade define status e valor.


🎨 2. Como o etarismo aparece nos animes

Nos animes, o etarismo surge em várias formas sutis (e às vezes gritantes):

  • Idosos retratados como cômicos ou inúteis, tipo o Mestre Kame (Dragon Ball), que é sábio mas serve de piada sexual.

  • Mulheres maduras vistas como “passadas” (Christmas Cake, termo pejorativo japonês para mulheres acima dos 25).

  • Homens de meia-idade frequentemente retratados como fracassados, amargos ou vilões (Salaryman cansado).

  • Adolescentes dominam as narrativas, como se a vida adulta fosse o “fim do arco do herói”.

💡 Exemplo: Em Naruto, Tsunade é poderosa, mas o anime insiste em brincar com sua idade e aparência — reforçando o estigma da mulher que “envelheceu demais para ser sexy”.


🧠 3. Raízes culturais do etarismo

O Japão moderno mistura valores tradicionais confucionistas (respeito aos anciãos) com uma sociedade hipercompetitiva e obcecada por produtividade.
O resultado é paradoxal:

o idoso deve ser respeitado, mas não atrapalhar o progresso.

Essa mentalidade alimenta um medo da velhice, não como sabedoria, mas como peso social.
Em animes distópicos (Akira, Psycho-Pass, Ergo Proxy), isso vira metáfora: os jovens mudam o mundo, os velhos são a estrutura opressora.


💋 4. A idealização da adolescência

O mercado de anime vive da nostalgia da juventude.
Personagens entre 14 e 18 anos são vistos como o ápice da emoção, da beleza e da transformação — fase onde tudo é possível.

Por isso, obras que retratam adultos costumam ser mais sombrias e cínicas (Monster, Paranoia Agent, Tokyo Godfathers).
É como se o anime dissesse:

“A vida adulta é o epílogo — o que importa já aconteceu.”


🏙️ 5. A economia por trás da estética

As produtoras sabem que o público principal é jovem (ou adulto nostálgico da juventude).
Então o mercado vende a fantasia da idade dourada eterna:

  • Idols que não envelhecem.

  • Protagonistas adolescentes com responsabilidades de adultos.

  • Histórias que terminam antes do casamento, filhos, rugas ou boletos.

Envelhecer, na lógica comercial, significa sair da tela — e isso é o cerne do etarismo midiático.


🧓 6. Exceções e resistências

Nem tudo é superficial. Há animes que desafiam essa lógica:

  • Tokyo Godfathers (2003) — mostra adultos marginalizados com humanidade.

  • In This Corner of the World (2016) — retrata a vida adulta com doçura e dor.

  • Vinland Saga (2019) — amadurecimento como jornada moral.

  • Ojisan to Marshmallow — romance maduro e gentil.

Esses títulos tratam o envelhecer como processo de aprendizado, não de decadência.


⚖️ 7. O paradoxo japonês

O Japão é um dos países mais envelhecidos do mundo — mas sua cultura pop é eternamente adolescente.

Essa contradição é profunda: enquanto o país real precisa lidar com idosos ativos, dependentes e invisibilizados, o anime finge viver num mundo onde ninguém passa dos 25.

É uma forma de escapismo coletivo — uma negação estética do próprio tempo.


Conclusão Bellacosa

O etarismo nos animes é o espelho de um país que idolatra o novo e teme o velho.
Não por maldade, mas por uma mistura de estética, comércio e medo da perda de relevância.

Mas, como toda arte, o anime está mudando — lentamente, mas mudando.
Cada vez mais surgem histórias onde a maturidade é força, não fraqueza.

E talvez um dia, o herói mais poderoso dos animes seja alguém com rugas, cabelos brancos e muita história para contar. 👴✨

quarta-feira, 5 de maio de 2021

🎏 Koinobori — As Carpas que Voam no Céu do Japão (e na Alma de Quem Sonha Alto) 🎏

 


🎏 Koinobori — As Carpas que Voam no Céu do Japão (e na Alma de Quem Sonha Alto) 🎏
Por El Jefe, direto do Bellacosa Mainframe Universe


É maio no Japão. O vento sopra suave, o céu fica limpo como tela de ukiyo-e, e de repente — lá estão elas: carpas gigantes coloridas flutuando sobre casas, templos e rios.
São os Koinobori (鯉のぼり) — as lendárias bandeiras em forma de carpa que dançam com o vento no Dia das Crianças, celebrado em 5 de maio, durante a Golden Week.

Mas atenção, padawans do Sol Nascente: essas carpas não são apenas decoração.
Elas carregam história, filosofia e um bom punhado de fofoquices mitológicas que fazem o Japão inteiro olhar pro céu com orgulho e saudade de infância.




🐟 A Origem: Da Lenda do Rio Amarelo ao Céu Japonês

A inspiração vem de uma antiga lenda chinesa:
um grupo de carpas nadava contra a correnteza do poderoso Rio Amarelo.
Apenas uma conseguiu subir até o topo da cachoeira celestial, chamada “Porta do Dragão” (龍門).
Ao ultrapassá-la, ela se transformou em dragão — símbolo supremo de força e superação.

O Japão, que adora boas histórias com moral e estética, adotou a lenda e reinterpretou:
no Dia dos Meninos (antigo Tango no Sekku), as famílias passaram a erguer carpas no ar representando seus filhos, desejando que crescessem fortes, persistentes e capazes de “nadar contra a corrente”.

Com o tempo, o feriado se tornou o Dia das Crianças (Kodomo no Hi), celebrando todas as crianças e suas esperanças, mas o símbolo das carpas permaneceu — voando orgulhosamente nos céus de maio.


🎏 O Significado das Cores e da Hierarquia das Carpas

As Koinobori são penduradas em mastros com uma sequência simbólica:

  • 🖤 Preta (Magoi) – representa o pai, a força e o espírito protetor.

  • ❤️ Vermelha (Higoi) – representa a mãe, o amor e a doçura.

  • 💙💚🧡 Azuis, verdes, laranjas, rosas – representam os filhos, cada cor para uma criança.

No topo do mastro, há um molinete ou ventoinha em espiral, simbolizando o sopro da vida e o início de uma nova jornada.

Dica Bellacosa: famílias modernas adicionam carpas até para os pets e para o avô mais teimoso — porque, no fim, todo mundo luta contra alguma correnteza. 😄


🌸 Curiosidades e Fofoquices Kawaii

1. Cada cidade tem seu estilo.
Em Kazo (Saitama), há koinoboris gigantes de 100 metros!
Em Tsuetate Onsen (Kumamoto), elas flutuam sobre o rio, formando um mar de cores no ar.

2. A carpa é o “samurai dos peixes”.
Porque nada contra a maré, não teme a força da corrente, e nunca recua.
Por isso, virou símbolo de coragem e persistência — especialmente entre meninos (e programadores COBOL em dia de abend).

3. Koinobori virou emoji 🎏
Sim, aquele emoji com duas bandeiras coloridas no mastro é oficialmente a Koinobori japonesa!

4. A arte da paciência.
Fazer uma koinobori tradicional exige tinta artesanal e 3 dias de secagem ao vento.
Os artesãos dizem que o som do vento “batendo” na carpa é como o peixe respirando — uma metáfora viva de liberdade.

5. Easter Egg Bellacosa:
Em 1986, um programador da NEC escondeu um easter egg no firmware de um terminal: quando o sistema completava 100 horas uptime sem erro, aparecia uma carpa ASCII nadando no log!
(Um verdadeiro sys-fish da persistência japonesa 🐟💻).


🎬 Animes Que Citam ou Mostram Koinobori

🎥 Doraemon – Nobita tenta criar uma koinobori gigante que acaba levando a turma pelos ares.
🎥 Clannad – o festival de carpas é usado como metáfora para o crescimento e superação dos personagens.
🎥 My Neighbor Totoro – as koinobori aparecem flutuando enquanto as meninas esperam o pai — um dos momentos mais poéticos do estúdio Ghibli.
🎥 Anohana – o pano de fundo com koinobori lembra a infância perdida dos protagonistas.
🎥 Your Name (Kimi no Na wa) – durante a Golden Week, as carpas balançam nos vilarejos, prenúncio das mudanças que vêm com o destino.

E claro, Crayon Shin-chan e Sazae-san — onde o humor cotidiano mostra as famílias brigando pra decidir quem pendura a carpa mais alta. 😆


💡 Dicas Bellacosa

🎏 Pendure sua koinobori num lugar onde o vento passa livre — varandas e quintais são ideais.
🎨 Cores vivas atraem energia positiva, dizem os japoneses.
📜 Escreva um desejo no mastro — pode ser força, paz, aprovação no vestibular ou um “abend-free life”.
📸 Se visitar o Japão em maio, vá a Tsuetate Onsen (Kumamoto) ou Tokyo Tower, onde centenas de carpas dançam no ar — é pura poesia em movimento.


💭 Bellacosa Reflexão

A koinobori é mais do que um enfeite.
É um lembrete flutuante de que nadar contra a corrente é parte da jornada — e que cada vento contrário pode, na verdade, te fazer voar.

O Japão nos ensina, através dessas carpas voadoras, que a força não está em resistir ao vento, mas em seguir firme enquanto ele muda de direção.
Um pouco como na vida — e como nos sistemas legados: o código antigo, se bem cuidado, continua firme, nadando contra as marés do tempo. 🖥️🐉


📜 Easter Egg Final:
No Japão, dizem que se uma koinobori parar de balançar mesmo com vento, é sinal de que o peixe virou dragão — missão cumprida.
Então, se algum projeto seu “parar” depois de muito esforço… talvez não seja bug.
Talvez só tenha alcançado o céu. 🐟➡️🐉



terça-feira, 4 de maio de 2021

🌿🌿🌿 Dia do Verde (みどりの日) 🌿🌿🌿

 


🌿 El Jefe | Bellacosa Mainframe apresenta:

「みどりの日」– O Dia do Verde no Japão

☕ Uma pausa zen entre bits, bytes e brotos de bambu


Imagine um feriado inteiro dedicado à contemplação das plantas, ao som do vento nas folhas e à cor esmeralda da vida. No Japão, ele existe — e se chama Midori no Hi (みどりの日), ou Dia do Verde 🌱.

É celebrado em 4 de maio, durante a famosa Golden Week, e é um dos dias mais poéticos (e discretamente filosóficos) do calendário japonês.

Mas como tudo no Japão, por trás da simplicidade há camadas de história, tradição e até... fofoquices políticas.


🌸 Origem: um imperador botânico

A história começa com o lendário Imperador Shōwa (Hirohito) — o mesmo que liderou o Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de ser uma figura complexa e controversa, ele era fascinado por biologia, jardinagem e o estudo de plantas marinhas. Após sua morte em 1989, o povo japonês quis homenagear essa faceta mais pacífica do imperador, e assim nasceu o "Dia do Verde" em 29 de abril (antigo aniversário dele).

Porém...
Em 2007, o governo japonês reorganizou os feriados da Golden Week (sim, até os japoneses precisam de um “refactor” de calendário 😅).
👉 O 29 de abril virou o Showa no Hi (Dia de Shōwa),
👉 e o Midori no Hi foi movido para 4 de maio — um jeito diplomático de manter o verde sem mencionar o imperador.


🍃 Significado e espírito

O “Dia do Verde” é uma celebração da natureza, da gratidão pela terra e do reconhecimento da harmonia entre humanos e meio ambiente.
É o dia perfeito para:

  • 🌾 Visitar parques e jardins botânicos;

  • 🌳 Plantar árvores (as escolas adoram isso);

  • 🐦 Fazer piqueniques sob o céu azul;

  • 🍵 Tomar chá verde e recarregar a alma.

Parece até um feriado mindfulness, não é?
Bellacosa diria: “é o dia em que o Japão executa o programa SYNC WITH NATURE.


🌿 Curiosidades que o El Jefe adoraria saber

  • 🍀 Antes de 2007, o feriado era uma forma de “homenagem indireta” ao imperador, sem citar seu nome — uma solução política bem japonesa, cheia de tatemae (fachada elegante).

  • 🌱 O Japão inteiro fica mais calmo — é um dos poucos dias do ano em que o trânsito de Tóquio parece uma tela de login sem usuários.

  • 🌸 O Ueno Park e o Shinjuku Gyoen viram palco de festivais de natureza e exibições florais.

  • 🌏 Fora do Japão, algumas comunidades nikkeis também celebram o Midori no Hi como símbolo de renovação e sustentabilidade.


🫶 Fofoquices verdes

Dizem que, nos bastidores do governo, houve um “empurra-empurra” político para decidir onde colocar o feriado — ninguém queria apagar o passado imperial, mas também ninguém queria exaltá-lo demais.
No fim, criaram o “Dia do Verde” como uma homenagem silenciosa — o tipo de patch cultural que só o Japão saberia aplicar.


🌸 Midori no Hi nos animes

Claro que o anime não deixaria o verde de fora.
Veja onde o espírito do feriado aparece — às vezes literalmente, às vezes como atmosfera:

🎬 “My Neighbor Totoro” (となりのトトロ) — o filme inteiro é uma ode à natureza, e parece acontecer num eterno Midori no Hi.
🌾 “Mushishi” — Ginko é praticamente o espírito do feriado em forma humana.
🌿 “Natsume Yūjinchō” — os espíritos da floresta e o respeito pela natureza dialogam diretamente com o significado do dia.
🌸 “Arrietty” (借りぐらしのアリエッティ) — um lembrete do equilíbrio frágil entre humanos e o mundo natural.


💡 Dica Bellacosa

Se algum dia estiver no Japão durante a Golden Week, vá ao parque, tire os sapatos e toque a grama.
Leve um chá verde, um bentô e desligue o celular.
Nesse dia, o país inteiro executa o comando “STOP JOBS, START LIFE.”

E quem sabe...
se olhar bem de perto, você vai ouvir o som de um tsuru digital voando entre as folhas, dizendo:
DISPLAY "HELLO, MIDORI."


🌱 Bellacosa Mainframe – onde até o COBOL tem raízes verdes.
Post do blog El Jefe, edição especial da Golden Week.


Um visão sobre corpos e estetica

 


🧠 1. O padrão estético japonês

O Japão é uma sociedade que valoriza a disciplina, o controle e a aparência de “equilíbrio”.
Desde cedo, a magreza é associada à boa saúde, elegância e autocontrole — enquanto o excesso de peso é visto como falta de esforço ou descuido.
Isso vem de séculos de cultura confucionista e da estética wabi-sabi (beleza da simplicidade e moderação).

💡 Curiosidade: Em japonês, palavras como 「デブ」(debu, “gordo”) são usadas com conotação abertamente pejorativa, mesmo em contextos cotidianos.


📺 2. A tradução disso no anime

Nos animes, pessoas gordas costumam aparecer:

  • Como alívio cômico (ex: tropeçando, comendo demais, sendo “bobas”).

  • Como vilões, que simbolizam “excesso”, “preguiça” ou “corrupção”.

  • Raramente como protagonistas sérios, bonitos ou românticos.

Exemplos clássicos:

  • Majin Buu (Dragon Ball Z): infantil, cômico e destrutivo — tudo em contraste com os heróis magros e definidos.

  • Choji Akimichi (Naruto): é ridicularizado por comer muito, mesmo sendo corajoso e leal.

  • Takeo Gouda (Ore Monogatari!!) — uma rara exceção positiva, tratado com dignidade e ternura.


🎨 3. O peso da indústria idol e da cultura “kawaii”

A cultura japonesa moderna está muito ligada ao ideal de “fofura” (kawaii), magreza e juventude.
Estúdios de anime refletem esse padrão — desenham corpos esguios, olhos grandes, pernas longas.
Isso é reforçado pela indústria idol, onde artistas são pressionados a manter peso extremamente baixo.

💬 Resultado:
Corpos fora do padrão “magro e fofo” são quase sempre tratados como piada, ameaça ou obstáculo.


📉 4. O impacto da TV e das normas sociais

No Japão, obesidade é tratada quase como um problema social.
Há leis que incentivam empresas a controlar o índice de massa corporal dos funcionários — a famosa “Lei Metabo” (2008), que exige medições anuais de circunferência abdominal em adultos.

Esse contexto faz com que a gordura seja vista como algo a corrigir, não a aceitar, e isso se infiltra nas narrativas de anime.


🌈 5. Mas há mudanças chegando

Nos últimos anos, surgem exceções que tratam corpos diversos com respeito e empatia.

  • “My Love Story!!” (2015) — um protagonista corpulento e gentil.

  • “Aggretsuko” — critica os padrões de aparência e o machismo no trabalho.

  • “Watashi ga Motete Dousunda” (Kiss Him, Not Me) — aborda a pressão estética de forma irônica.

Fandoms também estão reagindo: muitos artistas e fãs criam releituras com “body diversity”, especialmente fora do Japão.


🪞 6. O espelho cultural

O anime não é gordofóbico por si só — ele apenas espelha uma sociedade que ainda é.

O Japão preza pela harmonia e evita confrontos diretos, então mudanças de mentalidade vêm devagar.
Mas conforme o público internacional cresce e discute temas como autoaceitação e diversidade corporal, os criadores começam a repensar suas representações.


Conclusão Bellacosa

A gordofobia nos animes é o reflexo de uma cultura que valoriza o controle e teme o “excesso” — seja de peso, emoção ou diferença.
Mas assim como os personagens evoluem, a arte japonesa também pode mudar.

E quem sabe, no futuro, vejamos mais protagonistas que comem ramen sem culpa e ainda salvam o mundo com um sorriso sincero. 🍜💪

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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