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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Os Guardiões Invisíveis do Reino IBM Z ACEE, SAF e APF – As Três Relíquias que Protegem Trilhões de Dólares Todos os Dias

 

Bellacosa Mainframe e os guardioes do reino ibm z acee saf e apf

☕💥 Um Café no Bellacosa Mainframe

Os Guardiões Invisíveis do Reino IBM Z

ACEE, SAF e APF – As Três Relíquias que Protegem Trilhões de Dólares Todos os Dias

Por Vagner Bellacosa – Bellacosa Mainframe

Existe algo curioso sobre segurança em Mainframe.

Quase todo mundo conhece RACF.

Muitos ouviram falar de SAF.

Poucos sabem explicar o que realmente é um ACEE.

E uma quantidade ainda menor entende por que o APF talvez seja um dos componentes mais importantes de toda a arquitetura do z/OS.

A verdade é que, por trás das telas verdes, dos CICS, dos IMS, dos DB2 e dos bilhões de transações financeiras processadas diariamente, existe um pequeno conjunto de tecnologias silenciosas que trabalha vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, há décadas, praticamente sem reconhecimento.

São os verdadeiros guardiões do Reino IBM Z.

E talvez seja hora de apresentar estes personagens aos novos Padawans do z/OS.

O Reino IBM Z

Gosto bastante de utilizar uma analogia medieval para explicar segurança no Mainframe.

Imagine um enorme castelo.

Existem bibliotecas.

Existe um tesouro.

Existem escribas.

Existem correios.

Existem soldados.

Existe um cartório.

E existe o Rei.

No Reino IBM Z, podemos imaginar algo semelhante.

CICS é a administração do castelo.

IMS é o departamento financeiro.

DB2 é a biblioteca.

MQ é o correio.

USS é o bairro moderno onde vivem os moradores Unix.

SMF é o historiador oficial.

RACF é o cartório real.

O Sysprog é o guardião das chaves.

Mas três personagens trabalham praticamente o tempo inteiro.

SAF.

ACEE.

APF.

Eles são pouco conhecidos pelos desenvolvedores COBOL.

Quase invisíveis para operadores.

E absolutamente fundamentais para os Sysprogs.

SAF – O Porteiro Invisível

Um dos maiores equívocos entre profissionais iniciantes é acreditar que CICS conversa diretamente com RACF.

Ou que DB2 consulta diretamente o RACF.

Ou ainda que MQ valida permissões diretamente no banco de dados de segurança.

Na realidade, quase todos os produtos do z/OS conversam primeiro com o SAF.

SAF significa System Authorization Facility.

Ele pode ser entendido como um grande barramento de segurança.

Ou melhor.

Um porteiro.

Imagine uma recepção sofisticada na entrada do castelo.

Toda pessoa que deseja entrar em uma sala precisa passar pela recepção.

A recepcionista não toma decisões.

Ela apenas consulta o cartório.

Recebe uma resposta.

E libera ou bloqueia a passagem.

SAF funciona exatamente assim.

Aplicação.

SAF.

RACF.

Resposta.

Isso permite que produtos IBM e produtos terceiros utilizem um mecanismo único de autorização.

Foi uma ideia brilhante da IBM.

Caso contrário, CICS precisaria implementar seu próprio sistema de segurança.

IMS teria outro.

DB2 outro.

MQ outro.

USS outro.

Seria praticamente impossível administrar um ambiente corporativo de grande porte.

Hoje, bilhões de solicitações de segurança passam pelo SAF diariamente.

E a maioria das pessoas sequer percebe sua existência.

ACEE – O Crachá Mágico

Outro personagem pouco conhecido é o ACEE.

Access Control Environment Element.

Se o SAF é o porteiro, o ACEE é o crachá.

Imagine um funcionário chegando ao prédio.

No primeiro acesso ele apresenta documentos.

Passa por verificações.

Tem sua identidade validada.

Recebe um crachá.

A partir daquele momento não precisa mostrar documentos novamente.

Basta apresentar o crachá.

O ACEE funciona exatamente desta maneira.

Quando um usuário faz LOGON no TSO.

Ou acessa um CICS.

Ou estabelece uma sessão SSH.

O RACF executa um VERIFY.

Autentica o usuário.

Cria um ACEE.

E entrega esse contexto de segurança para a aplicação.

O ACEE contém informações extremamente importantes.

Userid.

Grupos.

UID Unix.

Certificados.

Labels.

Atributos especiais.

Contexto OMVS.

Permissões.

Flags.

Tudo armazenado em memória.

O objetivo é simples.

Evitar milhões de consultas desnecessárias ao RACF.

Imagine um banco processando cem mil transações por segundo.

Sem ACEE.

Cada autorização consultaria novamente o banco de segurança.

Seria inviável.

Com ACEE.

O sistema apenas consulta estruturas já residentes em memória.

Menos CPU.

Menos I/O.

Menos contenção.

Maior escalabilidade.

Talvez o ACEE seja um dos control blocks com melhor retorno sobre investimento da história da computação corporativa.

APF – O Selo Dourado do Reino

Mas existe algo ainda mais poderoso.

APF.

Authorized Program Facility.

Este é provavelmente o componente mais respeitado por um Sysprog experiente.

E também um dos mais perigosos.

No Reino IBM Z, podemos imaginar APF como um selo dourado concedido pelo Rei.

Nem todos recebem este selo.

Somente programas altamente confiáveis.

Programas autorizados podem executar serviços privilegiados.

Manipular armazenamento protegido.

Executar operações supervisor state.

Realizar chamadas especiais.

Interagir profundamente com o núcleo do sistema.

Mas isso possui um preço.

Um programa autorizado incorretamente pode comprometer toda a integridade do ambiente.

Por isso, APF é tratado com extremo cuidado.

Para que um módulo seja considerado autorizado normalmente dois requisitos precisam ser atendidos.

Primeiro.

O programa deve possuir AC(1).

Segundo.

A biblioteca onde reside deve estar presente na lista APF.

Caso contrário.

Nada feito.

O z/OS simplesmente não concede os privilégios especiais.

E é justamente isso que protege o sistema.

Quando Tudo Dá Errado

Todo Sysprog eventualmente recebe uma ligação de madrugada.

03:17.

Produção parada.

DB2 acusa segurança.

MQ acusa RACF.

USS apresenta Permission Denied.

CICS responde Not Authorized.

E alguém inevitavelmente diz:

"O problema é no RACF."

Talvez.

Mas talvez não.

O profissional experiente sabe que precisa investigar.

Verificar SMF80.

Consultar zSecure.

Analisar mensagens ICH408I.

Abrir IPCS.

Localizar o ACEE.

Examinar o contexto.

Conferir grupos.

Checar FASTAUTH.

Validar APF.

Verificar classes.

Observar RCs.

Interpretar RSNs.

Porque o dump raramente mente.

As pessoas podem se confundir.

Aplicações podem mascarar erros.

Logs podem induzir interpretações equivocadas.

Mas o dump normalmente conta exatamente a história que aconteceu.

O Segredo do IBM Z

A grande beleza do Mainframe não está apenas em processar milhões de transações.

Está em sua arquitetura.

IBM não criou simplesmente ferramentas.

Criou camadas.

Criou isolamento.

Criou mecanismos de desacoplamento.

Criou contexto.

Criou auditoria.

Criou proteção.

SAF desacopla aplicações do mecanismo de segurança.

ACEE desacopla autenticação das verificações constantes.

APF desacopla programas comuns de funções críticas do sistema operacional.

SMF registra tudo.

ICSF protege chaves.

RACF define regras.

E o Sysprog garante que todas essas peças continuem funcionando em perfeita harmonia.

A Lição Final do Padawan

Talvez a principal lição para um Sysprog iniciante seja entender que segurança no z/OS não é apenas RACF.

Segurança é um ecossistema.

Hardware criptográfico.

ICSF.

SAF.

RACF.

SMF.

APF.

ACEE.

Auditoria.

Processos.

Pessoas.

Boas práticas.

Governança.

Monitoramento.

E principalmente conhecimento.

Porque no fim das contas, o verdadeiro Guardião do Reino IBM Z não é aquele que apenas executa comandos.

É aquele que compreende por que cada tecnologia foi criada.

Como ela conversa com as demais.

Como diagnosticar seus problemas.

Como protegê-la.

Como evoluí-la.

E como garantir que, mesmo às três horas da manhã, quando o telefone tocar e alguém disser que o RACF está quebrado, ele consiga abrir um dump, seguir o caminho até o ACEE, verificar o contexto SAF, analisar APF e devolver ao Reino IBM Z aquilo que ele faz melhor há décadas:

Disponibilidade.

Integridade.

Confidencialidade.

E a tranquilidade de saber que trilhões de dólares continuam circulando silenciosamente pelo mundo, protegidos por tecnologias que quase ninguém vê, mas que todo Sysprog deveria conhecer profundamente.

"O RACF conhece as leis. O SAF atende as portas. O ACEE acompanha o viajante. O APF protege os segredos do castelo. E o Sysprog mantém o Reino IBM Z de pé, uma madrugada de cada vez."

Bellacosa Mainframe

 

terça-feira, 23 de junho de 2026

☕🚀 IBM Garage para Padawans do COBOL

 

Bellacosa Mainframe apresenta o IBM Garage

☕🚀 IBM Garage para Padawans do COBOL

Como a IBM descobriu que colocar arquitetos, desenvolvedores e usuários numa sala com Post-it era mais barato do que deixar um Comitê decidir durante 18 meses

Por Vagner Bellacosa – Bellacosa Mainframe


Introdução

Existe uma cena que provavelmente aconteceu em algum lugar do planeta Terra.

Uma grande empresa possui:

  • 40 milhões de linhas COBOL;

  • 8 regiões CICS;

  • 12 subsistemas DB2;

  • IMS desde a época em que Darth Vader ainda era funcionário da Estrela da Morte;

  • dezenas de integrações misteriosas que ninguém sabe exatamente quem fez.

Então alguém da diretoria aparece numa reunião e pergunta:

"Por que nosso aplicativo não é igual ao Nubank?"

Silêncio.

O programador COBOL olha para o sysprog.

O sysprog olha para o DBA.

O DBA olha para o arquiteto.

O arquiteto olha para o teto.

O teto continua sendo o profissional mais experiente da sala.

E foi justamente para lidar com este tipo de situação que surgiu uma metodologia chamada:

IBM Garage

E não...

Não é uma oficina mecânica da IBM.

Você não troca óleo do z16.

Não calibra pneus do CICS.

Não faz alinhamento de DB2.

Apesar de alguns ambientes precisarem desesperadamente de uma revisão completa.


A origem do IBM Garage

A IBM percebeu uma coisa importante.

Muitas empresas estavam gastando fortunas em projetos de transformação digital.

E a sequência era sempre parecida.

Fase 1

Consultoria.

Fase 2

PowerPoint.

Fase 3

Mais PowerPoint.

Fase 4

Comitê.

Fase 5

Outro comitê.

Fase 6

Projeto cancelado.

Fase 7

Novo projeto para descobrir porque o primeiro falhou.

Não parecia eficiente.

A IBM decidiu buscar inspiração em outro lugar.

Nas startups.

No Vale do Silício.

No Design Thinking.

No Agile.

No Lean Startup.

E criou algo chamado:

IBM Garage.

O objetivo era simples.

Parar de discutir ideias infinitamente.

E começar a construir.

Rapidamente.


O que significa Garage?

A inspiração vem literalmente das garagens onde várias empresas começaram.

Apple.

HP.

Google.

Amazon.

Muitas delas nasceram em espaços pequenos.

Com poucas pessoas.

Testando ideias.

Errando.

Aprendendo.

E evoluindo rapidamente.

A IBM tentou trazer esta mentalidade para empresas gigantes.

Inclusive bancos.

Seguradoras.

Governos.

Telecom.

Empresas aéreas.

Hospitais.


O problema das empresas tradicionais

Imagine um banco.

Ele possui.

COBOL

CICS

IMS

DB2

VSAM

MQ

Batch

JCL

Tudo funcionando.

Há décadas.

Milhões de transações.

99,999% disponibilidade.

Mas surge uma nova necessidade.

Aplicativo mobile.

Pix.

Open Finance.

IA.

Chatbots.

APIs.

Machine Learning.

Analytics.

A pergunta aparece.

Como modernizar?

Reescrever tudo?

Jamais.

Isso seria equivalente a desmontar um Boeing 787 em pleno voo.

E pedir para os passageiros aguardarem tranquilamente.


O IBM Garage resolve isso

A ideia é:

Não jogar fora.

Não substituir.

Não destruir.

Mas aproveitar.

Modernizar.

Expor.

Integrar.

Evoluir.


Os pilares do IBM Garage

Design Thinking

Descobrir o problema.

Não assumir soluções.

Perguntas.

Quem usa?

Como usa?

Por que usa?

O que incomoda?


Agile

Pequenas entregas.

Feedback rápido.

Melhoria contínua.

Não esperar dois anos.

Não esperar aprovação do Conselho Jedi.


DevOps

Automação.

Pipeline.

Testes.

Deploy.

Integração contínua.


Hybrid Cloud

Executar aplicações onde faz sentido.

Cloud.

OpenShift.

IBM Z.

Linux.

Containers.


Inteligência Artificial

Watsonx.

LLMs.

Assistentes.

Análise de dados.


O IBM Garage para quem trabalha com Mainframe

Aqui fica interessante.

Porque o COBOL deixa de ser visto como problema.

E passa a ser ativo estratégico.

Imagine.

Programa COBOL

CICS

z/OS Connect

API REST

Aplicativo Android

Fim.

Sem reescrever.

Sem migrar.

Sem trauma psicológico.


Exemplo real

Sistema bancário.

Programa COBOL:

CONSCLIE

Recebe:

CPF

Retorna:

Nome

Saldo

Conta

Antes.

Somente terminal 3270.

Agora.

API.

JSON.

Cliente consulta pelo celular.

COBOL continua executando.

Feliz.

Seguro.

Confortável.

Como um senhor aposentado tomando café observando jovens discutirem Kubernetes.


As quatro fases do IBM Garage

1 Descobrir

Workshop.

Usuários.

TI.

Negócio.

Arquitetos.

Desenvolvedores.

Perguntas.

O que dói?

O que demora?

O que pode melhorar?


2 Definir

Escolher MVP.

Escopo.

Backlog.

Priorização.


3 Construir

Sprint.

Desenvolvimento.

Testes.

Protótipos.


4 Escalar

Produção.

DevSecOps.

Observabilidade.

Governança.


Exemplo para um desenvolvedor COBOL Júnior

Vamos imaginar.

Seu gerente diz.

Precisamos criar uma API.

Consultar cliente.

Passo 1

Identificar programa COBOL.

CONSCLIE

Passo 2

Verificar COMMAREA.

01 DFHCOMMAREA.

   05 CPF         PIC X(11).

   05 NOME        PIC X(40).

   05 SALDO       PIC S9(9)V99.

Passo 3

Criar serviço z/OS Connect.

Mapear campos.

Passo 4

Gerar Swagger.

Passo 5

Publicar.

Passo 6

Testar.

curl http://api.banco.com/clientes/12345678901

Resposta.

{
"name":"JOAO SILVA",
"saldo":1500.50
}

Pronto.

Você participou de uma iniciativa IBM Garage.

Sem perceber.


Ferramentas utilizadas

OpenShift

Git

Jenkins

UrbanCode

Ansible

Instana

Turbonomic

watsonx

Zowe

z/OS Connect

API Connect


O papel do desenvolvedor COBOL

Muita gente acredita.

Garage é somente para arquitetos.

Errado.

COBOL Developers são fundamentais.

Porque conhecem.

Regras de negócio.

Batch.

CICS.

DB2.

Processos críticos.

Sem eles.

Modernização vira arqueologia.


Dicas para um Programador COBOL Júnior

Estude APIs

REST.

JSON.

Swagger.

OpenAPI.


Aprenda Git

Git é obrigatório.


Conheça Docker

Mesmo sem usar.

Entenda conceitos.


Aprenda OpenShift

É o Kubernetes corporativo da IBM.


Estude z/OS Connect

Talvez seja a ferramenta mais importante atualmente para integração Mainframe.


Aprenda Agile

Scrum.

Kanban.

Sprint.


Não tenha medo de IA

A IA provavelmente escreverá códigos.

Mas dificilmente entenderá cinquenta anos de regras bancárias escondidas em programas COBOL com 80 mil linhas.

Você entenderá.

E isso possui enorme valor.


Minha opinião sobre IBM Garage

Eu gosto da proposta.

Porque ela reconhece algo importante.

Mainframe não é problema.

Mainframe é patrimônio.

COBOL não está morrendo.

Está sendo conectado.

API por API.

Container por container.

Sprint por sprint.

Workshop por workshop.

Até que um sistema criado em 1989 converse naturalmente com uma aplicação React, um chatbot baseado em LLM, um aplicativo Android e um painel analítico em nuvem.

E talvez esta seja a maior lição do IBM Garage.

Transformação digital não significa jogar fora décadas de conhecimento.

Significa pegar tudo aquilo que funciona incrivelmente bem.

Colocar uma interface moderna.

Adicionar automação.

Criar APIs.

Aplicar inteligência artificial.

E permitir que a próxima geração de desenvolvedores COBOL continue escrevendo história.

Porque, no fim das contas, o COBOL continua sendo aquele veterano experiente do escritório.

Ele não usa tênis colorido.

Não fala em Web3.

Não posta frases motivacionais no LinkedIn.

Mas é ele que paga os boletos do banco.

Processa salários.

Liquida cartões.

Movimenta bolsas de valores.

Autoriza pagamentos.

E mantém o mundo funcionando enquanto a internet discute qual será o próximo framework JavaScript da semana.

E talvez seja exatamente por isso que o IBM Garage exista.

Para mostrar que inovação não é destruir o passado.

É construir uma ponte elegante entre 1960 e 2030.

E fazer isso tomando um bom café, de preferência acompanhado de um desenvolvedor COBOL, um arquiteto IBM Z, um especialista em APIs e algumas dezenas de Post-its espalhadas pela mesa.

Apenas tome cuidado.

Se alguém aparecer dizendo que vai reescrever 40 milhões de linhas COBOL em um final de semana usando Inteligência Artificial, esconda o café.

E chame imediatamente um sysprog.


A Saga de Vagner Bellacosa no Reino dos Mainframes

 



☕💥 A Saga de Vagner Bellacosa no Reino dos Mainframes

Ou como um jovem padawan descobriu que COBOL dá mais XP que matar dragões

Bellacosa Mainframe e historias de velhos cpds em mainframe


Salve jovem padawan.

Pegue um café.

Se for diabético, pegue sem açúcar.

Se estiver em produção, pegue dois.

Hoje vou contar uma história.

Não a história de um herói tradicional.

Nada de capa.

Nada de espada mágica.

Nada de armadura lendária.

Nosso protagonista usa crachá corporativo, camisa social amassada, óculos cansados, carrega uma mochila cheia de apostilas IBM dos anos 90 e combate criaturas muito mais perigosas que dragões.

Ele atende pelo nome de Vagner Bellacosa.


O chamado da aventura

Toda jornada começa de maneira inocente.

Alguns encontram um anel.

Outros encontram uma espada cravada numa pedra.

Bellacosa encontrou...

Um terminal 3270.

Tela preta.

Letras verdes.

Cursor piscando.

Silêncio.

Nenhum botão.

Nenhum mouse.

Nenhum TikTok.

Nenhum React.

Nenhum Kubernetes.

Apenas um campo escrito:

LOGON ===>

Naquele instante existiam apenas duas possibilidades.

Primeira:

Desligar o computador e cursar gastronomia.

Segunda:

Digitar o usuário.

Ele digitou.

E nunca mais foi o mesmo.


O primeiro ABEND

Todo herói precisa sofrer.

Luke perdeu a mão.

Frodo quase perdeu a alma.

Bellacosa ganhou seu primeiro:

S0C7.

E descobriu algo curioso.

No Mainframe ninguém fala:

"Tem bug."

Todos falam:

— Deu ABEND.

ABEND parece nome de chefe final.

Você passa oito horas procurando.

Consulta dump.

Abre SYSOUT.

Lê JESMSGLG.

Olha o compile listing.

Chama o colega.

Chama outro colega.

Chama o especialista.

Chama um padre.

E no final descobre:

O campo numérico tinha espaço em branco.

Aí você aprende humildade.


Banco Real, a Terra Média dos Dinossauros Digitais

Existiu uma época gloriosa.

A época em que o Banco Real possuía milhares de programas.

Centenas de analistas.

Adabas.

Natural.

PLI.

JCL.

Control-M.

CICS.

VSAM.

RACF.

E um exército de desenvolvedores sobrevivendo a janelas batch.

Era uma civilização inteira.

Uma espécie de Atlântida tecnológica.

Enquanto a internet ainda fazia:

Piiiiiiiiiiiii....

Krrrttttt...

Biiiiiippp...

O Mainframe já processava milhões de registros.

Sem Kubernetes.

Sem Docker.

Sem palestra motivacional.

Sem coach dizendo:

"Escalone sua vida."

O Mainframe apenas respondia:

— JOB EXECUTADO RC=0000

E seguia trabalhando.


O homem que conversava com os programas Natural

Chegou então o Bug do Milênio.

O apocalipse anunciado.

Consultorias ficaram ricas.

Executivos ficaram nervosos.

Gerentes envelheceram.

Bellacosa teve uma ideia.

Criar um extrator.

Mas não qualquer extrator.

Um monstro.

Um PLI autorecursivo.

Um pequeno T-800 em formato de JCL.

Ele lia.

Interpretava.

Gerava JCL.

Enfileirava jobs.

Chamava a si próprio.

Criava novos filhos.

Extraía fontes.

Analisava objetos.

Preenchia bibliotecas.

E continuava trabalhando.

Sozinho.

Por 48 horas.

Consumindo CPU.

Consumindo spool.

Consumindo a sanidade do operador.

Quando terminou...

Meio milhão de objetos haviam sido catalogados.

Hoje chamaríamos isso de:

Pipeline de DevOps.

Na época chamava-se:

"Coisa do Bellacosa."


O Grande Inquisidor da DAI

Mas nenhum guerreiro evolui sem enfrentar a polícia secreta.

DAI.

Três letras capazes de congelar a alma.

Ser chamado pela DAI era equivalente a ouvir:

"Precisamos conversar."

Você imediatamente pensava:

Meu RACF vazou?

Compilei em produção?

Rodei a Loteca?

Usei a transação proibida?

Não.

Queriam apenas um relatório.

Um relatório pequeno.

Só precisava analisar milhares de logs.

Consultar usuários.

Cruzar tabelas.

Gerar dezenas de milhares de páginas.

Em 72 horas.

Sem errar.

Sem testar direito.

Sem segunda chance.

Bellacosa codificou.

Revisou.

Debugou com caneta.

Rezou.

Entregou.

Funcionou.

E descobriu uma lição importante.

Programador Mainframe não envelhece.

Ele acumula PTSD de produção.


O evangelista improvável

Décadas se passaram.

Muitos colegas migraram.

Viraram arquitetos.

Gerentes.

Executivos.

Consultores.

Alguns abriram startups.

Outros abriram adegas.

Bellacosa resolveu algo diferente.

Contar histórias.

Escrever artigos.

Criar newsletters.

Ensinar COBOL.

Explicar CICS.

Falar sobre VSAM.

Defender o velho gigante preto da IBM.

Transformar dump em entretenimento.

Transformar S0C4 em meme.

Transformar SYSUDUMP em literatura fantástica.

Porque descobriu algo curioso.

O Mainframe nunca foi apenas tecnologia.

Foi amizade.

Foi mentor.

Foi Roseli.

Foi Tokunaga.

Foi auditor assustador.

Foi operador bravo.

Foi colega salvando produção às três da manhã.

Foi café requentado.

Foi pizza fria.

Foi aprender que existem pessoas que realmente se emocionam ao ver um RC=0000.

E tudo bem.

Somos poucos.

Somos estranhos.

Somos os últimos guardiões do EBCDIC.


Epílogo

Hoje existem inteligências artificiais.

Agentes autônomos.

LLMs.

Clouds infinitas.

Quantum Computing.

Promessas de substituir COBOL.

Promessas de desligar Mainframe.

Promessas de reescrever tudo.

Promessas.

Muitas promessas.

Enquanto isso...

Em algum lugar do planeta...

Um CICS iniciado em 1998 continua processando cartões.

Um DB2 continua pagando aposentadorias.

Um VSAM continua guardando informações valiosas.

Um JCL continua rodando.

E um Bellacosa continua tomando café.

Escrevendo artigos.

Chamando leitores de padawans.

Contando histórias.

E lembrando a todos nós que talvez o verdadeiro legado do Mainframe nunca tenha sido o hardware.

Mas as pessoas malucas o suficiente para dedicar a vida inteira a fazê-lo funcionar.

E sinceramente...

Ainda bem que existem esses malucos.

Esse texto ficou bem próximo do tom clássico de "Histórias do Tiozão em Mainframe", misturando autobiografia, nostalgia, cultura pop, autoironia e reverência aos velhos guerreiros do z/OS. (DIO)

segunda-feira, 22 de junho de 2026

☕💥 Quando um Dataset VSAM Corrompe no z/OS: Guia de Sobrevivência para Sysprogs, Desenvolvedores COBOL e Administradores CICS

 

Bellacosa Mainframe uma pequena ajudinha recuperando dataset vsam

☕💥 Quando um Dataset VSAM Corrompe no z/OS: Guia de Sobrevivência para Sysprogs, Desenvolvedores COBOL e Administradores CICS

"Há dois tipos de profissionais de Mainframe: os que já recuperaram um dataset corrompido e os que ainda vão recuperar."


Introdução

Poucas mensagens conseguem acelerar tanto os batimentos cardíacos de um profissional de Mainframe quanto estas:

IDC3302I ACTION ERROR
IDC3351I VSAM OPEN RETURN CODE 168
IEC161I
IEC070I
DFHFC0157

Ou pior ainda:

"O arquivo de clientes não abre em produção."

Silêncio.

O scheduler para.

O CICS começa a emitir mensagens.

Os jobs entram em abend.

O telefone toca.

Alguém pergunta:

"Tem backup?"

E nesse momento percebemos que existe uma grande diferença entre saber programar COBOL, conhecer VSAM e realmente entender o processo de recuperação de corrupção em datasets no z/OS.

Hoje vamos tomar um café e conversar sobre um assunto pouco ensinado em treinamentos, mas extremamente valorizado em bancos, seguradoras, companhias aéreas e órgãos governamentais:

Como recuperar um dataset VSAM corrompido no z/OS.


O que significa um Dataset Corrompido?

Nem toda falha é uma corrupção.

Às vezes é apenas um catálogo inconsistente.

Em outros casos temos problemas muito mais graves.

Exemplos:

  • EOF inconsistente

  • HURBA inválido

  • HARBA incorreto

  • Alternate Index quebrado

  • Cadeia lógica danificada

  • Control Interval inválida

  • Problemas na VTOC

  • SMSVSAM inconsistente

  • CI Split interrompido

  • Erros físicos em disco


Primeira Regra: Pare Tudo

O maior erro que vejo iniciantes cometerem é tentar "olhar rapidamente".

Não.

Pare imediatamente.

Batch

Segure scheduler.

CA7

Control-M

TWS


CICS

Fechar arquivo.

CEMT SET FILE(CUSTFILE) CLOSED

ou

CEMT SET FILE(CUSTFILE) DISABLED

IMS

/DBR CUSTOMER

Started Tasks

Encerrar consumidores.

MQ

Connectors

Replication

ETL

CDC


A regra é simples.

Dataset suspeito.

Sem acesso.

Sem exceções.


Segunda Etapa: LISTCAT

Antes de sair executando VERIFY.

Olhe o paciente.

Comando

//STEP1 EXEC PGB=IDCAMS
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSIN DD *

 LISTCAT ENT(PROD.CUST.KSDS)
 ALL

/*

O que analisar?

Cluster

Data Component

Index Component

Volume

HI-USED-RBA

Catalog

SMS Classes


Exemplo

HURBA = 000001987654
HARBA = 000001999999

Valores estranhos podem indicar inconsistências.


VERIFY

Provavelmente a ferramenta mais subestimada do IDCAMS.


Função

Sincronizar.

Catalog

Volume

EOF

RBA

Informações físicas


Exemplo

VERIFY DATASET(PROD.CUST.KSDS)

Com recuperação:

VERIFY DATASET(PROD.CUST.KSDS)
RECOVER

O VERIFY resolve

EOF incorreto

Catalog inconsistente

Discrepâncias simples

Alguns problemas em KSDS


Mas atenção.

VERIFY não é mágica.

Ele não reconstrói uma estrutura destruída.


EXAMINE

Agora começa a parte realmente interessante.

EXAMINE é quase um scanner médico do VSAM.


Data Component

EXAMINE -
NAME(PROD.CUST.KSDS)
DATATEST

Índice

EXAMINE -
NAME(PROD.CUST.KSDS)
INDEXTEST

Completo

EXAMINE -
NAME(PROD.CUST.KSDS)
DATA

O que ele encontra?

Control Interval inválida

Ponteiros quebrados

Índices inconsistentes

RBAs errados

Registros perdidos


A Grande Pergunta

Após EXAMINE surge a decisão.

Corrupção pequena?

ou

Corrupção severa?

Essa decisão define tudo.


Cenário 1 — Corrupção Leve

Exemplos.

Catalog inconsistente.

EOF errado.

Pequenos danos.


Solução.

VERIFY

REPRO

Rebuild


REPRO

Criar novo cluster.

DEFINE CLUSTER(...)

Copiar.

REPRO -
INFILE(IN1)
OUTFILE(OUT1)

Muitas vezes isso resolve.

Surpreendentemente.


Cenário 2 — Corrupção Grave

Aqui muda completamente.

Nunca seja herói.

Backup sempre vence.


Restore

Melhor prática.

Sempre.


DFSMSdss

RESTORE DATASET(...)

HSM

HRECOVER

FDR

RESTORE TYPE=DS

E se não existir backup?

Infelizmente acontece.

Mais vezes do que deveria.


Estratégia

Salvar o que for possível.

Criar novo dataset.

Tentar REPRO.

Descartar registros inválidos.

Reconstruir índices.


Alternate Index

Muitos esquecem do AIX.

Ele também pode corromper.


Rebuild

BLDINDEX

Ou.

Excluir.

Criar novamente.

Popular.


Recuperação de Catálogo

Uma área extremamente especializada.

Pouca gente domina.

Muito valorizada.


DIAGNOSE

DIAGNOSE

EXPORT

EXPORT -
CATALOG(MYCAT)
TEMPORARY

IMPORT

IMPORT CONNECT

Ambientes CICS

A situação muda bastante.

Especialmente em RLS.


SMSVSAM

Cache compartilhado.

Lock global.

Coupling Facility.

Múltiplas regiões.


Problemas comuns.

CF inconsistente.

Lock perdido.

Buffer inválido.


Procedimento

Fechar arquivos.

Verificar SMSVSAM.

Executar VERIFY.

EXAMINE.

Restore.

Abrir novamente.


Ambientes Bancários

O fluxo normalmente é.


Incidente aberto.

Congelamento.

Snapshot.

LISTCAT.

VERIFY.

EXAMINE.

Análise.

Restore.

Testes.

Validação.

Produção.


Testes Pós-Recovery

Nunca devolver imediatamente.

Teste.

Leia registros.

Atualize.

Delete.

Browse.

Sequencial.

Random.


Batch

Executar programas COBOL.

Validar.

Retorno.

SMF.

CPU.

EXCP.


CICS

Abrir arquivo.

Executar transações.

CRUD.

Commit.

Syncpoint.


IMS

DBOPEN.

GN.

GU.

REPL.

DLET.


Ferramentas Úteis

IDCAMS

DFSMSdss

DFSMShsm

FDR

LISTCAT

VERIFY

EXAMINE

BLDINDEX

DIAGNOSE


O que Aprendemos?

O Mainframe continua sendo uma das plataformas mais resilientes do planeta.

Mas nenhuma tecnologia é imune.

Discos falham.

Pessoas erram.

Jobs são cancelados.

Aplicações apresentam bugs.

Volumes ficam inconsistentes.

Catálogos podem sofrer danos.

A diferença entre um desastre e uma recuperação tranquila quase sempre está em três fatores.

Backup.

Procedimentos.

Conhecimento.

Um desenvolvedor COBOL que entende apenas READ, WRITE e REWRITE é valioso.

Um desenvolvedor que compreende LISTCAT, VERIFY, EXAMINE, REPRO, recuperação de catálogo e estratégias de restore torna-se um profissional muito mais próximo do universo de Sysprog, Storage e Administração z/OS.

E essa é justamente uma das características que mais diferencia especialistas Mainframe experientes.

Porque no fim do dia, quando o telefone toca e alguém diz:

"O arquivo de produção corrompeu..."

A pergunta deixa de ser:

"Quem programou isso?"

E passa a ser:

"Quem sabe trazer a base de volta?"

E, acredite, nas grandes corporações, essas pessoas são lembradas por muitos anos.


Bellacosa Mainframe

"Transformando mensagens IDCAMS em oportunidades de aprendizado, um café por vez."


domingo, 21 de junho de 2026

Natural x CICS BMS para Desenvolvedores COBOL

 

Bellacosa Mainframe e uma breve comparação entre Natural e CICS BMS

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Natural x CICS BMS para Desenvolvedores COBOL

Entendendo duas filosofias diferentes de construir aplicações Online no Mainframe

Salve jovem Padawan.

Uma das dúvidas mais comuns de quem começa no mundo Mainframe é:

Se eu sei desenvolver online em Natural, já sei desenvolver em CICS?

A resposta curta é:

Não.

A resposta longa é:

Você conhece o objetivo, mas não conhece o mecanismo.

Natural e CICS possuem filosofias completamente diferentes para construir aplicações online.


A grande diferença

Natural é uma plataforma completa.

CICS é um monitor transacional.

Podemos pensar da seguinte maneira:

NaturalCICS
FrameworkMonitor Transacional
IDE integradaFerramentas separadas
Tela automáticaBMS
Segurança integradaRACF/CICS
Navegação nativaProgramada
Dicionário PredictCopybooks
Estado mantido pelo NaturalCOMMAREA
Desenvolvimento RADDesenvolvimento explícito

Arquitetura Natural

Em Natural normalmente temos:

Usuário

↓

Terminal 3270

↓

Natural Runtime

↓

Programa Natural

↓

Predict

↓

Adabas

Natural faz praticamente tudo.

O desenvolvedor apenas escreve:

INPUT

'CPF' CPF

'Nome' NOME


END-INPUT

Pronto.

Tela criada.


Arquitetura CICS

No CICS:

Usuário

↓

3270

↓

BMS

↓

MAPSET

↓

COBOL

↓

COMMAREA

↓

DB2


Tudo é responsabilidade do desenvolvedor.


Natural é quase um framework

Natural lembra.

Django

Rails

PowerBuilder

Oracle Forms


Exemplo Natural


INPUT USING MAP 'CLI001'

END-INPUT



Natural já sabe.

Mapa.

Campos.

Validação.

Cursor.

Ajuda.

PF Keys.

Tudo praticamente pronto.


CICS é uma caixa de ferramentas

CICS fornece:

SEND

RECEIVE

LINK

RETURN

HANDLE

Mas você constrói.


Exemplo


SEND MAP


RECEIVE MAP


VALIDA


CONSULTA DB2


SEND


RETURN



Predict

Aqui está uma grande diferença.


Natural usa Predict.

Predict é um catálogo.

Um dicionário corporativo.


Armazena.

Campos

Programas

Mapas

Arquivos

Views

Documentação

Relacionamentos


Exemplo


CLIENTE


CPF


NOME


ENDERECO


LIMITE




Natural gera automaticamente.

Campos.

Mapas.

Views.

Documentação.


Exemplo


1 CPF

1 NOME

1 CIDADE


Tudo centralizado.


CICS não possui Predict

No CICS.

Criamos.

Copybooks.

Layouts.

BMS.

Manualmente.


Exemplo


COPY CLIENTE.


COPY CLIMAP.




Construção de Menus

Natural

Muito simples.


MENU

1 Consulta

2 Inclusao

3 Alteracao



CICS

Criamos.

MAPSET.

COBOL.

Fluxo.

PF Keys.


Exemplo

MENU01


1 Consultar


2 Incluir


3 Alterar



PF3



Hierarquia de programas

Natural

Quase sempre.

Programa chama programa.



MENU


↓

CLIENTE


↓

CONSULTA


↓

ALTERA


Natural controla.


No CICS.

Mais cuidado.


Podemos usar.

LINK

XCTL

START


LINK

Retorna.


EXEC CICS LINK

PROGRAM('CLI002')

END-EXEC



XCTL

Não retorna.



EXEC CICS XCTL

PROGRAM('MENU')


END-EXEC



Como segregar funções

Boa prática.


MENU

Só navegação.


CLIENTE

Negócio.


DBCLI

DB2.


TELA

BMS.


UTIL

Rotinas.


Exemplo



MENU0001



CLI0001



DBCLI01



UTILCPF



MSGERRO




Segurança

Natural

Muito integrada.


Natural Security.

NSC.

Predict.

Menus.

Perfis.


Exemplo

Usuário João.

Pode.

Consultar.

Não alterar.


Natural faz.


No CICS.

Usamos.

RACF.


Transação.

Programa.

Arquivo.

Fila.

TSQ.

TDQ.


Exemplo


CLI1


CONS



ALT1


ADM1




RACF controla.


Navegação

Natural

Automática.


ENTER.

PF3.

PF12.


Tudo tratado.


CICS.

Manual.


Precisamos verificar.


COPY DFHAID





EVALUATE EIBAID



WHEN DFHPF3


PERFORM SAIR



WHEN DFHPF5


PERFORM REFRESH


END-EVALUATE



BMS

Natural

Mapas do Natural.


CICS

BMS.


MAP

Tela.


MAPSET

Conjunto de telas.


Exemplo



LOGIN



MENU



CLIENTE



CONSULTA



HELP




Mapset.


DFHMSD




Tela.


DFHMDI




Campo.


DFHMDF




PF Keys

Muito importante.


PF1

Ajuda


PF3

Sair


PF5

Atualizar


PF7

Anterior


PF8

Próximo


PF12

Cancelar


No terminal 3270

Emuladores modernos.

PCOMM.

Rocket.

Vista.

x3270.


Teclas mapeadas.


Exemplo.

F3

PF3


F7

PF7


Shift+F12

PF24


Clear

PA1


Attention

PA2


SYSREQ

PA3


Comportamento curioso

No 3270.

ENTER.

Não é.

Carriage Return.


É um.

AID.

Attention Identifier.


CICS recebe.


EIBAID



Natural trata.

Automaticamente.


Uma analogia moderna

Natural é parecido com:

Oracle Forms

PowerBuilder

GeneXus


CICS é parecido com.

HTML

CSS

Javascript

Backend Java


Natural oferece produtividade.

CICS oferece controle.


O que é melhor?

Depende.

Natural é excelente para:

Desenvolvimento rápido.

CRUD.

Adabas.


CICS é excelente para:

Grandes volumes.

Flexibilidade.

Integração.

APIs.

DB2.

MQ.


Minha recomendação para um COBOL Júnior

Aprenda primeiro:

  • BMS

  • SEND/RECEIVE

  • DFHAID

  • COMMAREA

  • Pseudo-conversação

  • LINK/XCTL

  • TSQ

  • CEDF

Depois estude:

  • Natural

  • Predict

  • Adabas

  • Natural Security

Quando você conhecer os dois mundos, perceberá algo interessante:

Natural tenta esconder a complexidade do CICS.

CICS mostra explicitamente como as engrenagens funcionam.

E, para quem deseja realmente entender os bastidores das aplicações bancárias e seguradoras do IBM Z, estudar CICS/BMS costuma ser uma excelente forma de aprender como um sistema transacional corporativo é construído desde a fundação.

sábado, 20 de junho de 2026

☕ LAB - CICS BMS para Padawans

 

Bellacosa Mainframe laboratorio pratico CICS BMS

☕ LAB Bellacosa Mainframe

CICS BMS para Padawans

Bem-vindo ao Laboratório Bellacosa Mainframe – CICS BMS para Padawans. Este conjunto de exercícios foi projetado para conduzir um desenvolvedor COBOL iniciante por uma jornada gradual de aprendizado, partindo da criação do primeiro MAPSET BMS até a construção de uma pequena aplicação pseudo-conversacional semelhante às encontradas em bancos, seguradoras e grandes empresas. 

O objetivo não é apenas aprender a sintaxe das macros DFHMSD, DFHMDI e DFHMDF, mas desenvolver a forma de pensar utilizada por desenvolvedores CICS experientes.

Ao longo dos laboratórios, o aluno será estimulado a raciocinar em termos de interface, estado, fluxo de navegação, persistência temporária de informações e interação entre usuário e aplicação. Inicialmente, o foco será compreender como uma tela 3270 é construída, como os campos são definidos, protegidos ou liberados para edição e como o BMS abstrai as características do terminal. 

Em seguida, serão introduzidos os conceitos de SEND MAP, RECEIVE MAP, EIBAID, DFHAID, posicionamento dinâmico de cursor e tratamento de teclas funcionais.

Nos desafios mais avançados, espera-se que o aluno seja capaz de projetar uma aplicação utilizando pseudo-conversação, COMMAREA, paginação, mensagens de erro e validações, adotando uma abordagem semelhante à empregada em sistemas corporativos reais. 

Mais importante do que memorizar comandos é desenvolver o raciocínio arquitetural necessário para compreender como aplicações CICS foram concebidas, evoluíram ao longo das décadas e continuam sustentando milhões de transações críticas diariamente no ecossistema IBM Z.

10 Laboratórios Práticos de BMS


LAB01 – Meu Primeiro BMS

Objetivo:

Criar o primeiro MAPSET.

Resultado esperado:

HELLO BMS

PF3=Sair

Atividades

Criar um DFHMSD

Criar um DFHMDI

Criar dois DFHMDF

Gerar Physical Map

Gerar Symbolic Map


Solução

HELLO DFHMSD TYPE=&SYSPARM,
       LANG=COBOL,
       MODE=OUT,
       TIOAPFX=YES

TELA1 DFHMDI SIZE=(24,80)

      DFHMDF POS=(5,25),
              LENGTH=10,
              INITIAL='HELLO BMS',
              ATTRB=(PROT,BRT)

      DFHMDF POS=(22,2),
              LENGTH=8,
              INITIAL='PF3=Sair',
              ATTRB=(ASKIP)

      DFHMSD TYPE=FINAL

END

LAB02 – Criando Campo de Entrada

Objetivo

Campo editável.


Resultado

Nome :

______________

Atividades

Adicionar campo input

Posicionar cursor

Testar MDT


Solução

NOME DFHMDF POS=(5,15),
              LENGTH=30,
              ATTRB=(UNPROT,IC)

LAB03 – Campos Protegidos

Objetivo

Criar labels.


Resultado

CPF:


Cidade:


Email:

Solução

DFHMDF POS=(1,1),
        LENGTH=4,
        INITIAL='CPF:',
        ATTRB=(ASKIP)

LAB04 – Tela Cadastro Cliente

Objetivo

Montar tela completa.


Resultado

Codigo:


Nome:


CPF:


Cidade:


Telefone:



PF3


PF5


ENTER

Atividades

Criar 5 campos

Criar mensagens

Criar PF Keys


Solução

CODIGO DFHMDF
        POS=(5,15),
        LENGTH=6,
        ATTRB=(UNPROT,IC)



CPF DFHMDF
        POS=(7,15),
        LENGTH=11,
        ATTRB=(UNPROT,NUM)

LAB05 – SEND MAP

Objetivo

Mostrar tela.


Atividades

Criar programa COBOL

Executar SEND


Solução

EXEC CICS SEND MAP

MAP('TELA01')

MAPSET('CLIMAP')

ERASE

FREEKB

END-EXEC.

LAB06 – RECEIVE MAP

Objetivo

Receber dados.


Atividades

Capturar nome.

Capturar CPF.


Solução

EXEC CICS RECEIVE

MAP('TELA01')

MAPSET('CLIMAP')

INTO(TELA01I)

END-EXEC.

LAB07 – Tratando ENTER e PF3

Objetivo

Usar DFHAID.


Atividades

Copy DFHAID

Verificar tecla


Solução

COPY DFHAID.



EVALUATE EIBAID


WHEN DFHENTER

PERFORM PROCESSA



WHEN DFHPF3

PERFORM SAIR



END-EVALUATE

LAB08 – Cursor Dinâmico

Objetivo

Cursor em campo inválido.


Exemplo

CPF inválido


Cursor volta CPF

Solução

MOVE -1 TO CPFL



EXEC CICS SEND

CURSOR

END-EXEC

LAB09 – Pseudo Conversação

Objetivo

Implementar COMMAREA.


Atividades

Salvar contexto

Retornar transação


Solução

EXEC CICS RETURN


TRANSID('CLI1')


COMMAREA(WS-COMM)


LENGTH(100)


END-EXEC.

Primeira vez

IF EIBCALEN = ZERO

PERFORM PRIMEIRA-VEZ

END-IF.

LAB10 – Mini Sistema Bancário

Objetivo

Criar aplicação real.


Funcionalidades

Consultar Cliente

Cadastrar

Alterar

Excluir

Paginar

PF7

PF8

PF3


Tela


==================================

CLIENTES


Codigo


Nome


CPF



PF3=Sair

PF5=Limpar

PF7=Anterior

PF8=Próximo


==================================


Desafio Extra

Implementar:

MAPFAIL

HANDLE CONDITION

HANDLE AID

FSET

FRSET

DATAONLY

MAPONLY


Gabarito Esperado

Ao final dos 10 labs o aluno deverá dominar:

✅ DFHMSD

✅ DFHMDI

✅ DFHMDF

✅ SEND MAP

✅ RECEIVE MAP

✅ DFHAID

✅ EIBAID

✅ CURSOR

✅ MDT

✅ FSET

✅ COMMAREA

✅ Pseudo-conversação

✅ CEDA

✅ CEMT

✅ INSTALL

✅ BMS Physical

✅ Symbolic Maps


🏆 Desafio Bellacosa Mainframe (Boss Fight)

Construa uma aplicação semelhante a um sistema bancário contendo:

  • Login

  • Menu Principal

  • Consulta Cliente

  • Inclusão

  • Alteração

  • Exclusão

  • Paginação PF7/PF8

  • Help PF1

  • Mensagens de erro

  • COMMAREA

  • TSQ para paginação

  • DB2 (simulado)

  • CEDF para debug

Se conseguir completar este laboratório, você estará muito próximo do nível esperado de um Desenvolvedor COBOL/CICS Júnior pronto para atuar em projetos corporativos IBM Z.


sexta-feira, 19 de junho de 2026

🚀 CICS BMS para Padawans: Do Primeiro MAP ao Mundo Real dos Sistemas Bancários

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