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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Campinas — Quando a Vida Parecia Mais Colorida


Bellacosa Mainframe e as memorias da doce Giovanna

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Campinas — Quando a Vida Parecia Mais Colorida

Há épocas da vida em que tudo parece mais doce.

As cidades parecem mais coloridas, os dias mais compridos e até as coisas mais simples carregam uma importância que só descobrimos muitos anos depois.

Entre 1999 e 2002 namorei Giovanna, de Amparo.

Já escrevi outras vezes sobre aqueles dias, sobre Amparo e sobre as lembranças que ficaram daquele período. Mas hoje, em 2009, foi Campinas que resolveu bater à porta da memória.

Giovanna havia se mudado para a região da Andrade Neves, no Castelo, para fazer cursinho no Anglo.

E, sem percebermos, nosso pequeno mapa particular ficou maior.

Até então, nossa geografia sentimental estava mais ou menos limitada ao eixo Itatiba–Amparo. De repente, Campinas entrou novamente em minha vida.


Digo novamente porque Campinas sempre apareceu em capítulos diferentes da minha história.

Nos anos 1970, passei por ela com meus pais.

Nos anos 1980, vieram os passeios com meus tio-avós Guiomar e Francisco.

Depois, já em outra fase da vida, veio Cris.

E então Giovanna.

É curioso perceber como uma mesma cidade pode pertencer a tantas versões diferentes de nós mesmos.

Da Campinas daqueles dias, não me lembro apenas dos lugares.

Lembro-me principalmente das pequenas coisas.

De jantar com Giovanna em um restaurante japonês no Castelo.

De ir até a porta do cursinho encontrá-la.

De bater perna despreocupadamente entre a antiga rodoviária e a casa dela.

Nosso acordo era simples:

quem chegasse primeiro esperava o outro.

Só isso.

Nenhum aplicativo avisando localização. Nenhuma mensagem dizendo “estou chegando”. Nenhum pontinho se movimentando sobre um mapa.

Um esperava.

O outro aparecia.

E a vida funcionava.

Também me lembro das despedidas apressadas, quando precisava correr para apanhar o fretado e seguir para São Paulo para trabalhar.

Naquele momento aquilo era apenas rotina.

Hoje virou memória.

E existem algumas lembranças que o tempo, por algum motivo, decidiu guardar com uma nitidez quase cruel.

Fecho os olhos e ainda consigo enxergar a doce odalisca mostrando os passos que aprendera em um curso de dança em Amparo.

Uma pequena apresentação particular.

Um instante absolutamente banal para o restante do planeta.

Para mim, não.

Também me lembro, e confesso que ainda com a face um pouco corada, da doce colegial de rabo de cavalo, camisa branca e saia xadrez.

São fotografias que não precisam existir em papel.

A memória resolveu revelá-las sozinha.

Talvez seja isso que chamamos de saudade.

Não necessariamente vontade de voltar.

Não necessariamente arrependimento pelos caminhos que cada um escolheu.

É simplesmente perceber que existiu um tempo que não existe mais — e que fomos felizes dentro dele sem saber que, um dia, sentiríamos falta até das caminhadas mais comuns.

Hoje Campinas é outra.

Eu também sou outro.

Giovanna certamente seguiu seus próprios caminhos.

Mas existe uma Campinas que nenhuma reforma urbana conseguirá modificar.

Aquela Campinas continua parada em algum lugar entre 1999 e 2002.

Nela, existe um rapaz caminhando da antiga rodoviária em direção ao Castelo.

Existe uma garota saindo do cursinho.

Existe um restaurante japonês esperando pelos dois.

Existe um fretado que ainda precisa ser alcançado.

E existe aquele velho combinado:

quem chegar primeiro espera o outro.

Talvez seja justamente isso que a memória esteja fazendo todos esses anos depois.

Esperando.

Saudosa Giovanna.

Seguimos por caminhos diferentes, como tantas pessoas que um dia dividiram um pedaço da vida.

Mas algumas pessoas não desaparecem completamente quando partem de nossa história.

Elas permanecem associadas a uma rua, uma música, uma estação, um restaurante, uma roupa, um perfume, uma cidade.

E basta fechar os olhos para que tudo volte por alguns segundos.

Campinas.

Castelo.

Andrade Neves.

O Anglo.

A antiga rodoviária.

A caminhada.

O restaurante japonês.

A odalisca.

A colegial de rabo de cavalo.

O fretado esperando.

Há épocas da vida em que tudo realmente parece mais doce e mais colorido.

Talvez não fossem.

Talvez nós é que fôssemos.

E quando uma dessas lembranças atravessa inesperadamente décadas para nos visitar, o coração aperta um pouquinho.

A gente sorri.

E deixa aquela inevitável lagriminha aparecer no canto do olho.





 

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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