| Bellacosa Mainframe percorrendo a SP 360 e sua caverna de Bambus |
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🎋 A estrada que atravessou minha vida
A SP-360 nunca foi apenas uma estrada para mim.
Quando olho para ela hoje, percebo que seus quilômetros acabaram costurando diferentes capítulos da minha própria biografia. Mudaram os anos, mudaram as pessoas, mudaram os carros, mudaram os motivos da viagem. Mas a estrada continuou ali.
Entre 1993 e 1996, atravessar aqueles caminhos estava associado a Cristiani, a Cris. Amparo era o destino.
Anos depois, entre 1999 e 2002, a paisagem voltou a aparecer pela janela. Dessa vez havia outra história sendo escrita e outro nome associado à viagem: Giovana.
Dois tempos.
Duas garotas.
A mesma estrada.
A mesma cidade: Amparo.
Talvez seja justamente isso que transforme certas rodovias em algo muito maior do que uma sequência de quilômetros, curvas, pontes e placas. Algumas estradas acabam funcionando como linhas do tempo. Basta passar novamente por determinado lugar para alguma memória que parecia arquivada reaparecer.
Depois vieram outros caminhos. Passei muitos anos fora do Brasil e, quando retornei em 2013, voltei também a cruzar a SP-360.
Mas agora havia uma diferença importante: comecei a registrar esses pequenos momentos.
Uma estrada que antes guardava minhas lembranças começou também a aparecer nas fotografias e nos vídeos.
Foi assim que, em 2016, registrei um dos trechos mais bonitos dessa rota, próximo de Morungaba: os bambus crescendo dos dois lados da pista e encontrando-se sobre a rodovia, formando uma espécie de caverna vegetal.
Entrar naquele trecho é como atravessar um pequeno portal.
A luminosidade diminui. A paisagem muda. Por alguns segundos, deixamos de simplesmente dirigir por uma rodovia e passamos por dentro da vegetação.
Os bambus se curvam sobre os viajantes como se estivessem fazendo uma reverência.
Como se saudassem quem chega.
Não surpreende que o lugar desperte a atenção de viajantes e motociclistas. Existe ali algo que nenhuma obra planejada conseguiria reproduzir exatamente da mesma maneira: uma arquitetura construída lentamente pela própria natureza.
E talvez eu goste tanto daquele pequeno túnel justamente porque ele representa perfeitamente minha relação com a SP-360.
Passei por ela inúmeras vezes.
Às vezes apaixonado.
Às vezes indo encontrar alguém.
Às vezes voltando.
Décadas depois, apenas observando e registrando.
Cristiani pertence a um capítulo. Giovana pertence a outro. Muitas outras histórias aconteceram antes e depois delas.
Os bambus cresceram.
Eu envelheci.
Amparo continuou no mapa.
E a SP-360 permaneceu ligando todos esses pontos invisíveis.
Hoje, quando revejo aquele pequeno registro de 2016, já não vejo apenas uma curiosidade da estrada.
Vejo uma velha conhecida.
Uma estrada que me viu passar aos vinte e poucos anos e me recebeu novamente depois de uma vida atravessada por outros lugares.
E naquele pequeno trecho de Morungaba, os bambus continuam inclinados sobre o asfalto.
Talvez não estejam apenas formando um túnel.
Gosto de imaginar que estejam dizendo:
— Bem-vindo de volta, viajante.
Túnel vivo de Bambu
O trecho mais encantador da rodovia SP 360 e este ponto onde os bambus fazem um tunel dentro da estrada, são dois trechos, o primeiro com cerca de 10 metros e o segundo com 40 metros, tornando a estrada escura fazendo uma bela simbiose entre o asfalto e a natureza.
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