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sábado, 29 de dezembro de 2018

Brasil 2018: quando o sistema foi reiniciado à força e ninguém leu o README

 

Bellacosa Mainframe e o caos brasileiro em 2018

Brasil 2018: quando o sistema foi reiniciado à força e ninguém leu o README

Meu quinto ano de volta ao Brasil foi 2018. Se 2017 tinha sido o ano do cansaço, 2018 foi o ano do susto. Aquele momento em que alguém, exausto de ver o sistema falhar, decide reiniciar tudo no grito — sem diagnóstico completo, sem plano de contingência, sem saber exatamente o que será perdido no processo.

Depois de doze anos na Europa, eu já reconhecia esse padrão. Vi versões parecidas em outros lugares: quando a política falha por tempo demais, o medo vira argumento, e o argumento vira arma.

Economia: estabilidade de papel, insegurança real

Economicamente, 2018 parecia estável apenas nos relatórios. O chão continuava irregular. Empregos mais frágeis, renda achatada, informalidade disfarçada de empreendedorismo. Era como rodar um sistema que não cai mais, mas também não entrega desempenho.

Para quem viveu fora, o contraste seguia brutal: na Europa, crise vem com proteção mínima. No Brasil, a lógica parecia outra — o sistema se preserva, o usuário se adapta. A economia seguia deixando rastros, não caminhos.

O brasileiro já não planejava. Administrava danos.

Sociedade: medo como política pública informal

Socialmente, 2018 foi dominado pelo medo. Medo do outro, medo do colapso, medo de perder o pouco que restava. As eleições amplificaram isso. A política deixou de ser espaço de projeto coletivo e virou campo de batalha emocional.

Bolsonaro emergiu não apenas como candidato, mas como sintoma. Para quem voltou da Europa, o padrão era reconhecível: discurso simples, soluções duras, nostalgia de ordem, promessa de força. O “terror da direita” não era só retórico — era a normalização do autoritarismo como resposta ao caos.

Quando o sistema falha demais, alguém sempre promete apertar o botão vermelho.

Cultura: o fim da nuance

Culturalmente, 2018 matou a nuance. Tudo virou rótulo. Ou você estava “dentro” ou “fora”. A complexidade foi tratada como defeito moral. O diálogo virou fraqueza. A dúvida virou crime.

Para quem passou anos em sociedades onde discordar não rompe laços automaticamente, foi doloroso assistir à dissolução do espaço comum. Arte, humor, conversa de bar — tudo contaminado por tensão política constante. O país parecia rodar em high availability, mas com latência emocional altíssima.

População: sobrevivendo em modo defensivo

O povo em 2018 já não reagia — se defendia. As pessoas se fecharam em bolhas, em narrativas próprias, em pequenos círculos de confiança. Vi gente boa se calar para evitar conflito. Vi outras gritarem para não desaparecer.

O brasileiro, resiliente como sempre, seguiu em frente. Mas agora com armadura. E armadura pesa.

Eleições: quando o sistema escolhe o risco

As novas eleições não foram um debate sobre futuro — foram um plebiscito sobre frustração. Bolsonaro venceu não porque apresentou um projeto consistente, mas porque encarnou a negação de tudo que estava aí. Foi um voto de ruptura, não de construção.

Como ex-imigrante, a sensação foi clara: o Brasil escolheu rodar uma versão experimental do sistema em produção. Sem testes suficientes. Sem rollback confiável.

Veteranos de mainframe sabem: isso nunca termina bem.

Vida pessoal: o colapso e o recomeço

E enquanto o país passava por sua própria ruptura, minha vida pessoal também atravessava um cutover. 2018 marcou o fim da Juliana e o início da Ana Paula. Não como metáfora política barata, mas como sincronia estranha entre o macro e o micro.

O fim de um ciclo longo, conhecido, já desgastado. O início de algo novo, incerto, mas necessário. Assim como o país, eu estava cansado de remendos. Precisava de verdade, não de estabilidade artificial.

Às vezes, o sistema pessoal também precisa cair para ser reconstruído com mais honestidade.

Quinto ano pós-retorno: sem ilusões

Em 2018, já não havia ilusão alguma. Nem sobre o Brasil, nem sobre mim mesmo. Eu já não esperava normalidade europeia nem redenção automática brasileira. Entendi que tinha voltado para um país em disputa profunda — de narrativa, de valores, de futuro.

O sistema seguia ligado, sim. Mas agora sob nova administração, com operadores dispostos a sacrificar segurança em nome de controle, e usuários divididos entre esperança desesperada e medo resignado.

Epílogo: lição dura de sistemas críticos

2018 ensinou uma das lições mais antigas de qualquer ambiente complexo:
quando a frustração substitui o projeto,
qualquer solução parece aceitável —
até que o custo aparece.

O Brasil de 2018 não escolheu um caminho claro.
Escolheu um risco.

E todo operador experiente sabe:
reiniciar um sistema sem entender por que ele falhou
é a forma mais rápida de repetir o erro —
só que com consequências maiores.


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Brasil 2015: quando o sistema entrou em rollback e descobrimos que não havia backup

 

Bellacosa Mainframe e a retrospectiva Brasil 2015

Brasil 2015: quando o sistema entrou em rollback e descobrimos que não havia backup

ao estilo bellacosa mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch

Meu segundo ano de volta ao Brasil foi 2015. Se 2013 tinha sido o alerta e 2014 a entrada em produção sem homologação, 2015 foi o momento em que alguém tentou desesperadamente dar rollback — só para descobrir que o backup estava corrompido. Para quem passou doze anos na Europa, acostumado a ambientes onde crise vem com manual, plano e cronograma, 2015 foi o choque definitivo: o Brasil não estava em crise econômica apenas. Estava em crise de confiança no sistema.

Economia: quando o desempenho cai de uma vez só

Em 2015, a economia deixou de fingir. O consumo travou, o crédito sumiu, o desemprego começou a aparecer de verdade. Foi como ver um sistema que rodava no limite finalmente estourar o SLA. Quem tinha reserva se encolheu, quem não tinha entrou em modo sobrevivência.

Na Europa, recessão costuma ser previsível: gráficos, avisos, pacotes de ajuste. No Brasil, ela chegou como crash. Empresas fecharam do dia para a noite, projetos foram congelados sem explicação, e a sensação geral era de chão sumindo sob os pés.

Como ex-imigrante, foi impossível não comparar: lá fora, quando o sistema falha, assume-se a falha. Aqui, cada operador culpava o outro enquanto o usuário final via o salário encolher e o futuro evaporar.

Sociedade: o país em deadlock

Socialmente, 2015 foi um ano de deadlock. Ninguém cedia, ninguém confiava, ninguém escutava. O clima era de confronto permanente — nas ruas, na imprensa, nas redes sociais, nas mesas de bar. Para quem voltou esperando reconstruir laços, foi um ano duro.

Na Europa, divergência política raramente rompe relações pessoais. No Brasil de 2015, rompeu. Vi amizades de décadas sendo suspensas, famílias evitando certos assuntos para não travar a convivência. Era como um sistema em que dois processos se bloqueiam mutuamente, esperando que o outro libere o recurso que nunca vem.

Cultura: o fim da ilusão de estabilidade

Culturalmente, 2015 marcou o fim de uma fantasia: a de que o Brasil tinha encontrado um caminho estável. O discurso otimista virou ruído. O humor ficou mais ácido, o entretenimento mais escapista, a arte mais política — ou mais desesperada.

Para quem viveu na Europa, ficou claro: quando a confiança institucional cai, a cultura vira espaço de catarse. Séries, músicas, textos e piadas começaram a refletir um país cansado de promessas. O improviso, antes celebrado, passou a ser visto como sintoma de abandono.

O brasileiro percebeu algo doloroso: criatividade não substitui estrutura.

População: medo, adaptação e fadiga

O povo em 2015 não estava mais apenas irritado. Estava com medo. Medo de perder o emprego, de não conseguir pagar contas, de descer alguns degraus na escada social. Para quem voltou de fora, foi chocante perceber como a insegurança se espalhou rápido.

Mas, como sempre, houve adaptação. Gente voltando a morar com a família, fazendo bicos, criando negócios improvisados, reinventando-se na marra. Vi uma resiliência que impressiona qualquer europeu — mas também uma exaustão que não aparece nas estatísticas.

O brasileiro aguenta muito. E isso, paradoxalmente, é parte do problema.

Segundo ano pós-retorno: o ajuste interno

No meu segundo ano de volta, entendi que retornar não era apenas geográfico. Era emocional e cultural. Em 2015, parei de comparar o Brasil com a Europa como quem espera equivalência. Passei a enxergar o Brasil como um sistema próprio, com lógica interna, cheia de exceções, patches improvisados e regras não documentadas.

Aprendi que aqui, sobreviver exige leitura de ambiente, não só competência técnica. Que seguir o manual nem sempre garante estabilidade. E que o custo psicológico de viver em um sistema instável é alto, mesmo para quem já viveu fora.

Epílogo: lição de mainframe

2015 ensinou uma lição clássica de ambientes críticos:
não existe rollback sem backup confiável.

O Brasil tentou voltar atrás, corrigir rotas, ajustar parâmetros — mas descobriu tarde demais que tinha ignorado alertas por anos. O sistema continuou rodando, porque sempre roda. Mas agora com perda de dados, falhas intermitentes e operadores exaustos.

No fim daquele ano, como ex-imigrante definitivamente reabsorvido pelo ambiente, eu já sabia:
o Brasil não estava mais em fase de ajuste fino.
Estava em modo recovery
sem certeza se o sistema voltaria exatamente como antes.

E todo operador veterano sabe: depois de um crash desses, nada volta igual.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Brasil 2014: o ano em que o sistema entrou em produção sem homologação

 

Bellacosa Mainframe e o Brasil na retrospectiva 2014

Brasil 2014: o ano em que o sistema entrou em produção sem homologação

Meu primeiro ano completo de volta ao Brasil foi 2014. Em linguagem de mainframe, 2013 tinha sido o stress test. 2014 foi quando alguém decidiu colocar o sistema em produção mesmo sabendo que vários checks tinham falhado. Eu vinha de doze anos na Europa, acostumado a ambientes previsíveis, cheios de regras, mas também cheios de pactos silenciosos entre Estado e cidadão. No Brasil, o pacto parecia ter expirado — e ninguém renovou o contrato.

O país acordou em 2014 tentando seguir a rotina como se nada tivesse acontecido. Mas quem trabalha com sistemas críticos sabe: depois de um incident report, o ambiente nunca mais é o mesmo.

Economia: quando o caixa ainda tem dinheiro, mas o futuro já foi comprometido

Economicamente, 2014 foi um ano estranho. O consumo ainda respirava por aparelhos, sustentado por crédito, desonerações e discursos otimistas. Era como rodar um sistema em overclock: funciona, mas esquenta demais. Para quem tinha vivido fora, o sinal era claro — o modelo estava exaurido.

Na Europa, crise significava aperto explícito. No Brasil, crise era negada em release notes. O cidadão comum sentia no supermercado, no aluguel, no transporte. Não era colapso, era erosão. Um data corruption lenta, quase elegante, mas contínua.

O ex-imigrante volta achando que entende inflação. Em 2014, descobre que entende, mas subestimou o impacto emocional dela. Porque inflação não é só número — é a sensação diária de que o esforço nunca fecha a conta.

Sociedade: um país dividido rodando o mesmo sistema

O que mais me marcou em 2014 foi a mudança de clima social. As ruas que em 2013 tinham sido confusas, mas plurais, agora estavam polarizadas. Era como se o sistema tivesse sido clonado em dois ambientes incompatíveis, ambos dizendo ser o oficial.

Famílias, amigos, colegas de trabalho — todo mundo virou especialista em política de um dia para o outro. Mas não no sentido europeu do debate público estruturado. Era mais parecido com debug feito aos gritos, sem documentação, com cada operador jurando que o erro estava no código do outro.

Para quem voltou de fora, isso dói mais. Porque você traz a esperança de reconectar, de pertencer novamente. E encontra um ambiente onde qualquer tentativa de nuance é vista como defeito.

Cultura: espetáculo como cortina de fumaça

2014 também foi o ano do grande espetáculo. Copa do Mundo, campanhas publicitárias, narrativas de país alegre, resiliente, criativo. Do lado humano, foi quase esquizofrênico. De manhã, protestos; à tarde, festa; à noite, medo do amanhã.

Na Europa, eventos dessa magnitude vêm acompanhados de debates longos, relatórios, balanços. No Brasil, a cultura do improviso virou virtude oficial. O famoso “depois a gente vê” foi promovido a metodologia.

Culturalmente, percebi um Brasil mais cansado de pensar e mais disposto a sentir. Emoção substituiu análise. Meme substituiu argumento. Era entretenimento rodando em foreground, enquanto processos críticos travavam em background.

População: adaptação como mecanismo de sobrevivência

O brasileiro de 2014 não era apático. Era adaptativo. Vi gente fazendo milagres com pouco, reinventando rotinas, criando pequenos sistemas paralelos para sobreviver. Isso impressiona quem vem da Europa, onde o cidadão confia mais no sistema do que na própria criatividade.

Mas adaptação constante cobra preço. A população estava mais irritada, mais desconfiada, menos paciente. O sorriso continuava lá, mas era um sorriso de quem já viu dump demais e aprendeu a salvar o trabalho com mais frequência.

Como ex-imigrante, senti algo curioso: eu tinha voltado para casa, mas ainda operava com mentalidade de compliance. O Brasil de 2014 não recompensava isso. Aqui, sobrevivia melhor quem sabia contornar, não quem seguia o manual.

Primeiro ano pós-retorno: o choque silencioso

Meu primeiro ano de volta não foi de euforia, foi de reaprendizado. Aprender a atravessar a rua de novo, a negociar prazos irreais, a lidar com a informalidade que a Europa tinha me feito desaprender. 2014 me ensinou que o Brasil não quebra — ele se dobra.

Mas também mostrou algo preocupante: sistemas que se dobram demais perdem integridade.

2014 foi o ano em que o Brasil seguiu funcionando, mas com alerts ignorados, patches improvisados e operadores discutindo entre si enquanto o usuário final só queria que o sistema respondesse.

No fim daquele ano, eu já sabia: o problema não era mais saber se algo ia falhar. A pergunta real era quando — e quem estaria no console quando isso acontecesse.

E todo veterano de mainframe conhece essa sensação incômoda:
o sistema ainda está no ar,
mas ninguém confia totalmente no uptime.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Brasil 2013: quando o sistema entrou em modo batch e ninguém sabia onde estava o console

 

Bellacosa Mainframe e uma retrospecitva do Brasil em 2013

Brasil 2013: quando o sistema entrou em modo batch e ninguém sabia onde estava o console

ao estilo bellacosa mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch

Voltei ao Brasil em 2013 depois de doze anos vivendo na Europa. Doze anos é tempo suficiente para um sistema operacional mudar de versão, uma arquitetura inteira ser aposentada e o manual virar item de museu. Eu saí de um Brasil analógico, cheio de gambiarras assumidas, e voltei para um país aparentemente mais moderno, mais conectado, mais confiante. Parecia online. Mas bastou alguns meses para perceber: o sistema estava rodando, sim — só ninguém sabia exatamente qual job tinha sido submetido.

2013 foi o ano em que o Brasil deu um abend coletivo.

Na Europa, eu tinha me acostumado a outro ritmo. Transporte público previsível, impostos altos mas compreensíveis, protestos organizados como change management: data marcada, pauta clara, negociação depois. Ao pisar novamente em solo brasileiro, encontrei um país economicamente otimista, ainda surfando a onda do consumo, do crédito fácil e do discurso de “nova classe média”. O Brasil parecia um mainframe recém-upgradado, com LEDs piscando e discursos dizendo que agora tudo era 64 bits.

Mas quem já trabalhou com sistemas grandes sabe: nem todo problema aparece no dashboard.

Economia: números bons, latência alta

Em 2013, os números macroeconômicos ainda sustentavam uma narrativa positiva. Emprego relativamente alto, consumo aquecido, eventos internacionais no horizonte. Por fora, o hardware parecia robusto. Por dentro, porém, a latência social aumentava. Serviços públicos ruins, inflação corroendo silenciosamente o poder de compra, transporte caro e ineficiente. Era como rodar um sistema crítico com CPU sobrando, mas I/O travando tudo.

O estopim foi simbólico: vinte centavos. Quem viveu fora entende rápido — não era sobre a tarifa. Era sobre a sensação de pagar caro por um serviço que não entrega. Na Europa, eu pagava impostos altos, mas via retorno. No Brasil, pagava-se cada vez mais — em dinheiro, tempo e paciência — e recebia-se timeout.

Sociedade: quando o usuário final resolve apertar ENTER

O que me chocou, como ex-imigrante, foi a diversidade das ruas. Em poucos dias, vi algo que o Brasil raramente tinha feito daquela forma: gente diferente, por motivos diferentes, ocupando o mesmo espaço. Não havia um manual de operações. Era bonito e caótico. Classe média, periferia, estudantes, trabalhadores, gente que nunca tinha protestado na vida.

Do ponto de vista humano, 2013 foi um grito de “chega de rodar esse sistema sem saber quem programou”. Mas, como em todo ambiente sem governança clara, surgiram processos órfãos. Pautas se misturaram, oportunistas entraram, ruído substituiu sinal. Quem já viu um job crítico rodando sem controle sabe: uma hora alguém derruba a fila inteira.

Cultura: o espelho rachado

Culturalmente, 2013 escancarou algo que eu só percebi ao voltar: o brasileiro tinha mudado. Mais conectado, mais informado, mas também mais impaciente. A internet — especialmente as redes sociais — funcionou como um terminal 3270 emocional: todo mundo digitando rápido, pouca validação, muita reação.

Na Europa, eu tinha aprendido a desconfiar de soluções simples para problemas complexos. No Brasil de 2013, vi crescer exatamente o oposto: a busca por atalhos, por culpados únicos, por DELETE ALL como se fosse possível resetar décadas de desigualdade com um comando mágico.

A cultura do diálogo entrou em maintenance mode. O país começou a falar mais alto e a escutar menos.

População: o operador cansado

O sentimento dominante não era ideologia — era cansaço. Cansaço de acordar cedo, pegar transporte ruim, trabalhar muito e ainda ser tratado como variável descartável. Como operador veterano de mainframe, reconheci o sintoma: quando ninguém mais confia no sistema, qualquer alarme vira pânico.

2013 não resolveu nada. E talvez esse seja o ponto mais honesto. Foi um dump de memória emocional. Um registro bruto do que estava errado, sem análise posterior adequada. O Brasil seguiu rodando, mas com logs ignorados — e o preço disso veio depois.

Epílogo de quem voltou

Voltar ao Brasil em 2013 foi como reassumir um sistema legado que você ajudou a construir, mas que mudou enquanto você estava fora. Você reconhece os comandos, mas não entende mais as rotinas. Ainda assim, sabe que desligar tudo não é opção.

2013 foi o aviso na tela preta:
“System running, but integrity compromised.”

Quem viveu aquilo com atenção sabe: não foi o começo do caos. Foi o momento em que o operador percebeu que algo estava errado — e hesitou entre corrigir o código ou fingir que era só mais um warning.

E todo mainframe ensina a mesma lição: warnings ignorados viram falhas críticas.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988