| Bellacosa Mainframe rumo a extincao baboseira de 1993 |
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Capítulo 7 — The New York Times (1993)
"Rumo à Extinção"... ou Apenas Mudando de Forma?
Análise da reportagem publicada pelo The New York Times em 1993, que afirmava que o mainframe caminhava para a extinção, e como a evolução do IBM Z demonstrou que inovação e continuidade podem caminhar lado a lado.
Por Vagner Bellacosa
"A tecnologia raramente desaparece porque outra nasceu. Ela desaparece quando deixa de resolver problemas. Em 1993, o Mainframe continuava resolvendo os maiores problemas da computação corporativa."
Contexto histórico
No início da década de 1990, a expansão das redes, do modelo Client/Server e dos computadores pessoais reforçou a percepção de que os grandes sistemas centralizados desapareceriam em poucos anos.
Entretanto, bancos, seguradoras, governos e grandes empresas continuavam dependendo do processamento transacional oferecido por COBOL, CICS, Db2 e z/OS.
A lição de 1993
A previsão ignorava décadas de regras de negócio, compatibilidade, escalabilidade, disponibilidade e confiabilidade acumuladas pelos mainframes IBM.
Em vez de desaparecer, a plataforma continuou evoluindo até chegar ao IBM z17, incorporando Linux, APIs, DevOps, cloud híbrida e Inteligência Artificial.
Fevereiro de 1993
Quatro anos haviam se passado desde a primeira reportagem do The New York Times.
O mundo já era outro.
O muro de Berlim havia caído.
A Guerra Fria terminara.
A internet começava a sair dos laboratórios.
O Windows 3.1 conquistava milhões de usuários.
O UNIX continuava crescendo.
As workstations da Sun Microsystems eram o sonho de muitos desenvolvedores.
Os servidores Intel evoluíam rapidamente.
A arquitetura Client/Server dominava praticamente todas as conferências de tecnologia.
E o clima era de euforia.
Parecia que tudo seria reinventado.
Foi nesse ambiente que o The New York Times, em 9 de fevereiro de 1993, voltou ao assunto.
Desta vez utilizando uma expressão ainda mais forte.
Segundo a reportagem, o mainframe estava:
"Hurtling toward extinction."
Ou, em português:
"Correndo em direção à extinção."
A mensagem era clara.
Agora não se tratava apenas de um dinossauro envelhecido.
Tratava-se de uma espécie que caminhava rapidamente para desaparecer. Essa manchete foi posteriormente preservada por Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe como um dos exemplos mais representativos do pensamento dominante da época.
O auge do Client/Server
Se 1989 marcou o nascimento da narrativa...
1993 marcou seu auge.
Era praticamente impossível participar de um congresso de informática sem ouvir dezenas de palestras prometendo o mesmo futuro.
Tudo seria distribuído.
Cada departamento teria seus próprios servidores.
Os grandes CPDs desapareceriam.
A palavra da moda era:
Downsizing.
Na prática significava:
"Vamos trocar um computador enorme por centenas de computadores menores."
A ideia parecia brilhante.
Até que chegaram as primeiras contas de manutenção.
A década em que tudo seria "Open"
Outra característica marcante daquela época era a obsessão por sistemas "abertos".
Parecia que qualquer produto precisava carregar a palavra Open para ser considerado moderno.
Open Systems.
Open Architecture.
Open Computing.
Open Network.
Open Platform.
Open Software.
Era quase uma lei do marketing.
Se fosse "Open", era inovador.
Se fosse IBM, era "legado".
O curioso é que a própria IBM participava ativamente da padronização de tecnologias abertas, apoiava TCP/IP, POSIX, UNIX (AIX) e diversas iniciativas de interoperabilidade.
Mas isso raramente aparecia nas manchetes.
O que ninguém queria admitir
Existe uma característica curiosa do mercado de tecnologia.
Todo vendedor gosta de falar sobre instalação.
Pouquíssimos gostam de falar sobre migração.
Porque instalar um sistema novo é relativamente simples.
Migrar quarenta anos de operação é outra história.
Imagine um grande banco em 1993.
Ele possuía:
milhares de programas COBOL;
centenas de tabelas Db2;
aplicações CICS;
processamento batch;
integração com terminais 3270;
interfaces com caixas eletrônicos;
sistemas de compensação bancária;
processamento de cartões;
folhas de pagamento;
contabilidade;
auditoria.
Agora imagine um consultor dizendo:
— "Vamos reescrever tudo."
A primeira pergunta de um diretor experiente provavelmente seria:
— "Quanto custa?"
A segunda:
— "Quanto tempo?"
E a terceira:
— "Quem assume o risco?"
Essas três perguntas costumavam encerrar muitas reuniões.
A grande confusão
A reportagem do New York Times refletia um erro extremamente comum.
Confundir:
Evolução da arquitetura
com
Substituição da arquitetura.
Essas duas coisas são completamente diferentes.
Sim.
As empresas passaram a utilizar mais servidores.
Sim.
Aplicações departamentais migraram para outras plataformas.
Sim.
PCs transformaram o ambiente corporativo.
Mas isso nunca significou que os sistemas centrais deixariam automaticamente de existir.
Na verdade...
Eles passaram a conversar com muito mais sistemas do que antes.
| Bellacosa Mainframe e o iceberg invisivel |
O iceberg invisível
Imagine um enorme iceberg.
A parte visível representa:
computadores pessoais;
servidores;
interfaces gráficas;
aplicações de escritório.
A parte submersa representa:
regras de negócio;
processamento financeiro;
consistência transacional;
auditoria;
integração;
disponibilidade;
segurança.
A imprensa olhava principalmente para a parte visível.
Os arquitetos corporativos precisavam cuidar da parte submersa.
E todos sabemos qual parte sustenta o iceberg.
O COBOL não recebeu o memorando
Vamos imaginar uma situação curiosa.
Na manhã de 9 de fevereiro de 1993...
Um programa COBOL inicia sua execução.
Lê um arquivo VSAM.
Consulta o Db2.
Atualiza uma conta corrente.
Executa um COMMIT.
Encerra normalmente.
Horas depois alguém comenta:
— Você ficou sabendo?
— Do quê?
— O New York Times disse que você está caminhando para a extinção.
O programa responde:
— Interessante...
Mas antes preciso processar mais oito milhões de registros.
O humor da engenharia
Existe uma piada entre veteranos de mainframe.
"COBOL nunca lê jornais."
CICS também não.
Db2 muito menos.
JCL definitivamente não.
Enquanto analistas discutiam o futuro...
Os sistemas continuavam executando exatamente aquilo para o qual foram projetados.
Com estabilidade.
Previsibilidade.
Consistência.
Essas características nunca foram manchetes.
Mas sempre foram extremamente valiosas.
O mercado começou a descobrir a realidade
Curiosamente...
Foi justamente em meados da década de 1990 que muitas empresas começaram a perceber que migrar aplicações críticas era muito mais complexo do que parecia.
Projetos previstos para dois anos levavam cinco.
Orçamentos dobravam.
Alguns triplicavam.
Diversas iniciativas eram canceladas.
Outras terminavam funcionando...
Mas com desempenho inferior.
Os consultores descobriram uma verdade que os programadores COBOL já conheciam havia décadas.
Negócio é mais complicado do que tecnologia.
Enquanto isso... nos laboratórios da IBM
É interessante observar o contraste.
Enquanto jornais discutiam a possível extinção do mainframe...
A IBM trabalhava na próxima geração de sua plataforma.
Novos processadores.
Mais memória.
Mais canais.
Melhor gerenciamento de workload.
Mais virtualização.
Maior integração.
Os engenheiros pareciam ignorar completamente o funeral organizado pela imprensa.
Talvez porque estivessem ocupados demais desenvolvendo o futuro.
O verdadeiro patrimônio
Existe uma frase muito conhecida entre arquitetos de sistemas:
"As empresas não compram computadores. Elas compram continuidade do negócio."
Essa talvez seja a maior diferença entre um laboratório e um banco.
Entre uma universidade e uma seguradora.
Entre uma startup e um governo.
Tecnologia muda.
O negócio precisa continuar funcionando.
Todos os dias.
Sem exceção.
Essa exigência nunca saiu de moda.
Trinta e três anos depois
Agora olhe para 2026.
O IBM z17 processa Inteligência Artificial diretamente na plataforma.
O watsonx integra modelos de IA corporativa.
O COBOL continua evoluindo.
O Db2 incorpora recursos modernos.
O CICS expõe APIs REST.
O z/OS automatiza operações com Ansible.
O BOB integra pipelines DevOps.
O Zowe aproxima o mundo open source do IBM Z.
A plataforma que estaria "correndo rumo à extinção"...
Na verdade estava correndo rumo à modernização.
Existe uma diferença enorme entre essas duas trajetórias.
A terceira grande lição
A reportagem de 1993 ensina algo extremamente atual.
Toda vez que surge uma inovação importante...
Existe a tentação de transformar crescimento em exclusividade.
Foi assim com:
Client/Server.
Internet.
Cloud.
Microservices.
Blockchain.
Metaverso.
Agora acontece com Inteligência Artificial.
Mas a História mostra outra coisa.
A computação raramente substitui completamente suas fundações.
Ela constrói novos andares sobre elas.
Hoje uma aplicação pode começar em um smartphone.
Passar por APIs.
Atravessar Kubernetes.
Conversar com microsserviços.
Chegar ao CICS.
Consultar Db2.
Executar COBOL.
E responder ao usuário em poucos milissegundos.
Esse é o verdadeiro retrato da computação moderna.
Não uma guerra entre tecnologias.
Mas uma colaboração entre décadas de engenharia.
Um último conselho ao Padawan
Quando encontrar uma manchete afirmando:
"A tecnologia X está caminhando para a extinção."
Lembre-se de uma pergunta simples.
Ela ainda resolve um problema importante?
Se a resposta for "sim"...
Talvez ela esteja apenas evoluindo de maneira silenciosa.
Porque, na engenharia, quem faz mais barulho nem sempre é quem entrega mais resultados.
E talvez essa seja a maior ironia da reportagem do New York Times de 1993.
Enquanto o jornal enxergava um fim próximo...
Os engenheiros da IBM estavam preparando o caminho que, décadas depois, levaria ao IBM z17, ao watsonx, ao OpenShift, ao BOB, ao Zowe e a uma plataforma capaz de unir o legado das aplicações COBOL com a Inteligência Artificial corporativa.
O "dinossauro" não caminhava para a extinção.
Estava apenas iniciando mais uma etapa de sua evolução.
Fonte histórica
The New York Times, 9 de fevereiro de 1993, citado pelo Professor Wolfgang Spruth em The Death of the Mainframe. A reportagem utilizou a expressão "hurtling toward extinction" ("correndo rumo à extinção"), tornando-se um dos exemplos mais conhecidos do entusiasmo da imprensa com o movimento Client/Server e com as previsões de substituição dos grandes sistemas corporativos. Décadas depois, ela permanece como um importante registro histórico sobre os desafios de prever a evolução da tecnologia.
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