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☕ O Holocron do Projeto Altamira: Quando as Caixas Espanholas Migraram do Unisys para IBM Z Sem IA, Sem Assessment Infinito e Sem Arqueologia COBOL
O que era o Altamira?
Altamira era um Core Banking System.
Em termos simples:
Um grande conjunto integrado de aplicações capaz de suportar praticamente toda a operação bancária.
Incluindo:
Contas correntes
Poupança
Empréstimos
Hipotecas
Transferências
Compensação bancária
Cartões
Tesouraria
Clientes
Agências
Contabilidade
Batch noturno
Produtos financeiros
Podemos compará-lo a soluções atuais como:
Temenos Transact
Finacle
Mambu
TCS BaNCS
Hogan
SAP Banking
Mas com uma característica importante:
Era concebido para rodar nativamente em Mainframe IBM.
O contexto tecnológico espanhol dos anos 90
Na década de 90 existia uma grande diversidade tecnológica.
Unisys
Muitas Caixas utilizavam sistemas Unisys.
Equipamentos A-Series.
MCP.
COBOL Unisys.
DMSII.
IBM
Outras utilizavam:
IBM 9672
S/390
DB2
CICS
COBOL IBM
Bull
GCOS
NCR
Sistemas proprietários
Era comum cada instituição possuir décadas de customizações.
O desafio de uma Caixa de Poupança
Uma Caixa típica possuía:
Pessoas
Cadastro de clientes
KYC
Relacionamentos
Empréstimos
Hipotecários
Pessoais
Consignados
Leasing
Passivo
Contas
Depósitos
Fundos
Meios de pagamento
Transferências
SEPA
SICA
SWIFT
Contabilidade
Plano contábil
Fechamentos
Provisões
O que significava migrar para Altamira?
Basicamente:
Substituir tudo.
Sistema antigo
↓
Altamira IBM
Mas sem alterar o comportamento do banco.
O cliente não podia perceber.
A agência não podia parar.
Os extratos deveriam continuar corretos.
As prestações deveriam continuar corretas.
A filosofia adotada
Aqui está talvez o aspecto mais interessante.
Não se estudava milhões de linhas COBOL.
Perguntava-se:
O que este produto faz?
Exemplo.
Hipoteca.
Capital:
100.000 euros
Prazo:
20 anos
Taxa:
4%
Sistema francês.
Prestação:
530 euros
(Exemplo simplificado)
O sistema antigo produz:
530
Altamira produz:
530
Está correto.
Próximo item.
Gap Analysis
Ferramenta essencial.
Situação atual
Sistema Unisys
Campo X
Formato 12 bytes
Altamira
Campo X
15 bytes
Decisão:
Adaptar
Expandir
Converter
Exemplo.
Produto antigo
Código 031
Altamira
HIP001
Tabela de conversão.
Pessoas valiam mais que documentação
Algo extremamente comum nos anos 90.
Pergunta:
Como funciona SICA?
Resposta:
Pergunta para o Juan.
Juan trabalhou 15 anos nisso.
Fim do problema.
Hoje muitas empresas perderam esse conhecimento.
Juan aposentou-se.
Pedro foi para fintech.
Maria mudou de área.
Sobra:
500 milhões de linhas COBOL.
Batch era o verdadeiro monstro
O texto menciona algo importante.
Batch.
Batch bancário é frequentemente mais complexo que online.
Exemplo.
22h00
Fechamento
23h00
Juros
00h00
Hipotecas
01h00
Transferências
02h00
Contabilidade
03h00
Backup
04h00
Extratos
05h00
Abertura
Migrar Batch significava:
Reescrever JCL
Reorganizar dependências
Alterar calendários
Ajustar tempos
Transferências e SICA
SICA é um dos componentes menos conhecidos fora da Espanha.
Relaciona-se historicamente com compensação interbancária.
Transferências nacionais.
Liquidação.
Validação.
Regras regulatórias.
Aprender isso dentro do projeto era comum.
Ninguém chegava especialista.
Aprendia.
Fazia.
Testava.
Implantava.
Por que hoje demora tanto?
1) Regulação
Basileia.
DORA.
GDPR.
Auditoria.
SOX.
PCI.
PSD2.
2) Ecossistema
Mobile.
Internet Banking.
PIX equivalente.
Open Banking.
APIs.
Kafka.
IA.
3) Consultorias industrializaram processos
Assessment.
Discovery.
Knowledge Mining.
Digital Twins.
Dependency Graphs.
4) Falta de especialistas bancários
Hoje há muitos especialistas em tecnologia.
Poucos especialistas em negócio bancário.
E isso muda tudo.
O que a IA realmente pode ajudar?
A IA atual ajuda muito.
Ela consegue:
Explicar COBOL.
Documentar COPYBOOK.
Mapear DB2.
Gerar fluxogramas.
Encontrar dependências.
Explicar JCL.
Comparar layouts.
Mas ainda possui dificuldade em responder:
Por que este produto foi criado em 1987?
Qual acordo comercial originou esta exceção?
Por que uma determinada Caixa cobrava a prestação em data aniversário?
Essas respostas normalmente estão em outro lugar.
Na memória das pessoas.
Nas atas esquecidas.
Nas normas internas.
Nos analistas veteranos.
Nos gerentes aposentados.
Considerações Finais
O relato sobre o Projeto Altamira desmonta uma narrativa bastante difundida atualmente: a de que não é possível modernizar um Core Banking sem primeiro compreender perfeitamente cada linha do sistema legado.
A experiência dos anos 90 mostra outra abordagem:
Não migrávamos programas.
Migrávamos regras de negócio.
Migrávamos produtos financeiros.
Migrávamos a capacidade operacional do banco.
O código COBOL, o CICS, o DB2, o Unisys ou o IBM eram apenas os veículos tecnológicos.
O verdadeiro ativo sempre foi o conhecimento bancário.
Talvez a maior lição deixada por projetos como Altamira seja justamente esta:
Um banco não é um conjunto de milhões de linhas COBOL.
Um banco é um conjunto de decisões de negócio acumuladas durante décadas, e o sucesso de qualquer transformação depende muito mais de compreender essas decisões do que de realizar arqueologia em código-fonte.
E, curiosamente, essa continua sendo uma das maiores limitações da IA generativa em 2026: ela pode ler o código legado em segundos, mas ainda precisa de um veterano do negócio para explicar por que aquela regra aparentemente absurda continua existindo após trinta anos de produção.