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terça-feira, 27 de agosto de 2024

☕ O Holocron do Projeto Altamira: Quando as Caixas Espanholas Migraram do Unisys para IBM Z Sem IA, Sem Assessment Infinito e Sem Arqueologia COBOL

 

Bellacosa Mainframe relembra o projeto Altamira no mundo mainframe

☕ O Holocron do Projeto Altamira: Quando as Caixas Espanholas Migraram do Unisys para IBM Z Sem IA, Sem Assessment Infinito e Sem Arqueologia COBOL



O que era o Altamira?

Altamira era um Core Banking System.

Em termos simples:

Um grande conjunto integrado de aplicações capaz de suportar praticamente toda a operação bancária.

Incluindo:

  • Contas correntes

  • Poupança

  • Empréstimos

  • Hipotecas

  • Transferências

  • Compensação bancária

  • Cartões

  • Tesouraria

  • Clientes

  • Agências

  • Contabilidade

  • Batch noturno

  • Produtos financeiros

Podemos compará-lo a soluções atuais como:

  • Temenos Transact

  • Finacle

  • Mambu

  • TCS BaNCS

  • Hogan

  • SAP Banking

Mas com uma característica importante:

Era concebido para rodar nativamente em Mainframe IBM.


O contexto tecnológico espanhol dos anos 90

Na década de 90 existia uma grande diversidade tecnológica.

Unisys

Muitas Caixas utilizavam sistemas Unisys.

Equipamentos A-Series.

MCP.

COBOL Unisys.

DMSII.

IBM

Outras utilizavam:

IBM 9672

S/390

DB2

CICS

COBOL IBM

Bull

GCOS

NCR

Sistemas proprietários

Era comum cada instituição possuir décadas de customizações.


O desafio de uma Caixa de Poupança

Uma Caixa típica possuía:

Pessoas

Cadastro de clientes

KYC

Relacionamentos


Empréstimos

Hipotecários

Pessoais

Consignados

Leasing


Passivo

Contas

Depósitos

Fundos


Meios de pagamento

Transferências

SEPA

SICA

SWIFT


Contabilidade

Plano contábil

Fechamentos

Provisões


O que significava migrar para Altamira?

Basicamente:

Substituir tudo.

Sistema antigo

Altamira IBM

Mas sem alterar o comportamento do banco.

O cliente não podia perceber.

A agência não podia parar.

Os extratos deveriam continuar corretos.

As prestações deveriam continuar corretas.


A filosofia adotada

Aqui está talvez o aspecto mais interessante.

Não se estudava milhões de linhas COBOL.

Perguntava-se:

O que este produto faz?

Exemplo.

Hipoteca.

Capital:

100.000 euros

Prazo:

20 anos

Taxa:

4%

Sistema francês.

Prestação:

530 euros

(Exemplo simplificado)

O sistema antigo produz:

530

Altamira produz:

530

Está correto.

Próximo item.


Gap Analysis

Ferramenta essencial.

Situação atual

Sistema Unisys

Campo X

Formato 12 bytes


Altamira

Campo X

15 bytes


Decisão:

Adaptar

Expandir

Converter


Exemplo.

Produto antigo

Código 031

Altamira

HIP001

Tabela de conversão.


Pessoas valiam mais que documentação

Algo extremamente comum nos anos 90.

Pergunta:

Como funciona SICA?

Resposta:

Pergunta para o Juan.

Juan trabalhou 15 anos nisso.

Fim do problema.


Hoje muitas empresas perderam esse conhecimento.

Juan aposentou-se.

Pedro foi para fintech.

Maria mudou de área.

Sobra:

500 milhões de linhas COBOL.


Batch era o verdadeiro monstro

O texto menciona algo importante.

Batch.

Batch bancário é frequentemente mais complexo que online.

Exemplo.

22h00

Fechamento

23h00

Juros

00h00

Hipotecas

01h00

Transferências

02h00

Contabilidade

03h00

Backup

04h00

Extratos

05h00

Abertura


Migrar Batch significava:

Reescrever JCL

Reorganizar dependências

Alterar calendários

Ajustar tempos


Transferências e SICA

SICA é um dos componentes menos conhecidos fora da Espanha.

Relaciona-se historicamente com compensação interbancária.

Transferências nacionais.

Liquidação.

Validação.

Regras regulatórias.


Aprender isso dentro do projeto era comum.

Ninguém chegava especialista.

Aprendia.

Fazia.

Testava.

Implantava.


Por que hoje demora tanto?

1) Regulação

Basileia.

DORA.

GDPR.

Auditoria.

SOX.

PCI.

PSD2.


2) Ecossistema

Mobile.

Internet Banking.

PIX equivalente.

Open Banking.

APIs.

Kafka.

IA.


3) Consultorias industrializaram processos

Assessment.

Discovery.

Knowledge Mining.

Digital Twins.

Dependency Graphs.


4) Falta de especialistas bancários

Hoje há muitos especialistas em tecnologia.

Poucos especialistas em negócio bancário.

E isso muda tudo.


O que a IA realmente pode ajudar?

A IA atual ajuda muito.

Ela consegue:

Explicar COBOL.

Documentar COPYBOOK.

Mapear DB2.

Gerar fluxogramas.

Encontrar dependências.

Explicar JCL.

Comparar layouts.

Mas ainda possui dificuldade em responder:

Por que este produto foi criado em 1987?

Qual acordo comercial originou esta exceção?

Por que uma determinada Caixa cobrava a prestação em data aniversário?

Essas respostas normalmente estão em outro lugar.

Na memória das pessoas.

Nas atas esquecidas.

Nas normas internas.

Nos analistas veteranos.

Nos gerentes aposentados.


Considerações Finais

O relato sobre o Projeto Altamira desmonta uma narrativa bastante difundida atualmente: a de que não é possível modernizar um Core Banking sem primeiro compreender perfeitamente cada linha do sistema legado.

A experiência dos anos 90 mostra outra abordagem:

Não migrávamos programas.

Migrávamos regras de negócio.

Migrávamos produtos financeiros.

Migrávamos a capacidade operacional do banco.

O código COBOL, o CICS, o DB2, o Unisys ou o IBM eram apenas os veículos tecnológicos.

O verdadeiro ativo sempre foi o conhecimento bancário.

Talvez a maior lição deixada por projetos como Altamira seja justamente esta:

Um banco não é um conjunto de milhões de linhas COBOL.

Um banco é um conjunto de decisões de negócio acumuladas durante décadas, e o sucesso de qualquer transformação depende muito mais de compreender essas decisões do que de realizar arqueologia em código-fonte.

E, curiosamente, essa continua sendo uma das maiores limitações da IA generativa em 2026: ela pode ler o código legado em segundos, mas ainda precisa de um veterano do negócio para explicar por que aquela regra aparentemente absurda continua existindo após trinta anos de produção.