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domingo, 19 de junho de 2016

SP 70 e seu longo tunel

Bellacosa Mainframe e os tuneis da Carvalho Pinto

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 SP-070 e seu longo túnel — Do Fusquinha Vermelho ao Pretinho

Uma viagem pela Carvalho Pinto, os túneis rumo ao Vale do Paraíba, o Pretinho da Juliana e uma buzina que, décadas antes, transformava o Fusquinha vermelho do meu pai numa pequena locomotiva dentro da montanha.

Quando publiquei este pequeno vídeo em 2016, escrevi poucas linhas.

Era apenas mais um daqueles fragmentos de viagem que eu gostava — e continuo gostando — de guardar.

Estávamos percorrendo a SP-070, Rodovia Governador Carvalho Pinto, seguindo em direção ao Vale do Paraíba. No volante estava Juliana e conosco estava seu famoso Pretinho, o Ford New Fiesta 2013 que durante anos nos levou para mil e uma aventuras.

Naquele momento, entretanto, minha preocupação cinematográfica era bastante simples:

Quero gravar o barulho do motor dentro do túnel.

Naturalmente, o vento resolveu participar da produção e praticamente destruiu minha sofisticadíssima engenharia de áudio.

😂

Mas hoje, dez anos depois daquela publicação, percebo que existe muito mais dentro desse pequeno vídeo.

Porque atravessar aqueles túneis também significa atravessar várias décadas das minhas próprias memórias.


🛣️ Antes da Carvalho Pinto existia outro Vale do Paraíba

Para minhas memórias pessoais, a SP-070 é uma estrada relativamente nova.

Quando eu era garoto, durante os anos 1970 e 1980, viajar para o Vale do Paraíba significava conhecer outro mapa rodoviário.

Íamos visitar meus tios Santiago e Deise e meus primos Andreia e Marcelo.

E havia basicamente dois mundos possíveis.

Um deles era a famosa — e naquela época bastante temida — Via Dutra.

O outro era formado pelas estradas antigas que atravessavam as cidades do Vale.

Entre elas estava a SP-066, uma daquelas rotas que faziam a viagem parecer muito menos uma ligação entre dois pontos e muito mais uma sucessão de pequenas descobertas.

Cidade.

Estrada.

Outra cidade.

Curva.

Comércio.

Posto.

Igreja.

Casas.

Mais estrada.

Hoje entramos numa rodovia expressa e pensamos principalmente no destino.

Naquelas viagens, entretanto, a própria estrada fazia parte da aventura.



🚗 E naturalmente havia o Fusquinha vermelho

Quem acompanha estas histórias já conhece outro personagem recorrente do Bellacosa Mainframe.

O velho Fusquinha vermelho do meu pai.

Aquele Volkswagen não era apenas um automóvel.

Era praticamente nosso módulo de transporte familiar.

E meu pai possuía alguns algoritmos próprios de economia de combustível.

Um deles provavelmente faria qualquer instrutor moderno de direção defensiva arrancar os poucos cabelos restantes da cabeça:

nas descidas, colocava o Fusquinha na banguela.

😱

O motor diminuía o giro.

O carro descia embalado.

E dentro daquele Fusquinha estava uma família inteira acreditando que aquilo fazia parte da mais avançada tecnologia automobilística disponível.

Era outra época.


📯 Então aparecia um túnel

E túnel possuía uma regra.

Não uma regra escrita.

Muito menos uma regra do Código de Trânsito.

Era uma espécie de protocolo distribuído entre motoristas brasileiros:

ENTROU NO TÚNEL?

BUZINA!

Meu pai afundava o dedo na buzina.

FÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓM!

O som batia nas paredes.

Voltava.

Multiplicava-se.

E imediatamente outros motoristas percebiam o chamado.

FÓÓÓM!

FOM-FOM!

FÓÓÓÓÓÓÓÓM!

Em poucos segundos o túnel inteiro transformava-se numa sinfonia absolutamente caótica de buzinas.

Ninguém havia combinado nada.

Não existia WhatsApp.

Não existia grupo de motoristas.

Não havia aplicativo.

Bastava alguém buzinar.

Outro respondia.

Depois outro.

Era praticamente um protocolo de comunicação veicular analógico.

TCP/IP?

Nada disso.

TÚNEL/IP.

🤣



🔊 O túnel era nosso amplificador

Para uma criança aquilo era fantástico.

A buzina que normalmente produzia um som relativamente banal de repente parecia gigantesca.

O túnel funcionava como uma enorme caixa acústica.

O som refletia nas paredes, no teto e no pavimento e retornava aos nossos ouvidos.

Talvez ninguém dentro daqueles carros estivesse pensando em acústica, reflexão de ondas ou reverberação.

Nós simplesmente sabíamos uma coisa:

dentro do túnel a buzina ficava muito mais legal.

E isso bastava.



🛣️ Então chegou a Carvalho Pinto

Décadas depois, o mapa mudou.

Durante os anos 1990 surgiu a Rodovia Governador Carvalho Pinto.

Uma estrada moderna, larga, planejada como via expressa e conectada à Ayrton Senna, antigamente conhecida como Rodovia dos Trabalhadores, mas após o acidente com nosso querido piloto de Formula 1 foi rebatizada.

Para quem havia conhecido as antigas viagens pelo Vale do Paraíba, aquilo representava uma transformação gigantesca.

A Carvalho Pinto criou uma nova alternativa à congestionada Via Dutra.

De repente o Vale parecia diferente.

São José dos Campos.

Taubaté.

Quiririm.

E, seguindo adiante, nosso destino naquela aventura:

🏔️ Campos do Jordão.

Mas existe uma coisa curiosa sobre estradas.

Podemos construir novas pistas.

Novos viadutos.

Novos túneis.

Novos sistemas de segurança.

Mas não conseguimos construir uma estrada sem que nossas antigas estradas apareçam dentro dela.


🚘 Agora quem dirigia era Juliana

E chegamos novamente ao pequeno vídeo de 2016.

Desta vez não havia Fusquinha vermelho.

Havia o Pretinho.

O Ford New Fiesta 2013 da Juliana.

E quem estava ao volante também não era meu pai.

Era ela.

O Pretinho acabou tornando-se outro personagem das nossas histórias.

Campos do Jordão.

Taubaté.

Quiririm.

Piracicaba.

Passeios.

Estradas.

Finais de semana.

Pequenas viagens que talvez naquele momento parecessem absolutamente comuns, mas que hoje constituem uma espécie de arquivo distribuído das nossas vidas.

E naquele dia estávamos novamente entrando em um túnel.


🎥 “Vou gravar o ronco do motor!”

Minha ideia parecia excelente.

O carro entra no túnel.

O motor produz aquele ronco.

As paredes refletem o som.

Bellacosa registra tudo para a posteridade.

Hollywood poderia começar a ficar preocupada.

Só havia um pequeno problema.

O vento.

😂

O microfone da câmera captou muito mais vento do que motor.

Minha sofisticada produção audiovisual transformou-se praticamente num teste aerodinâmico.

Mas o vídeo permaneceu.

E ainda bem.

Porque dez anos depois percebo que o verdadeiro áudio daquela gravação não estava no microfone.

Estava na minha memória.


📯 Faltava uma buzina

Ao atravessar aquele túnel moderno da Carvalho Pinto, alguma parte do cérebro inevitavelmente voltava para décadas antes.

Para o Fusquinha vermelho.

Para meu pai.

Para aquelas viagens familiares.

E principalmente para aquela mão descendo sobre a buzina.

FÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓM!

Hoje aquele comportamento não combina exatamente com as regras modernas de trânsito.

O Código de Trânsito permite essencialmente o toque breve da buzina como advertência. Usá-la prolongada e sucessivamente simplesmente para produzir uma sinfonia dentro do túnel pode resultar em infração.

Portanto:

crianças, não reproduzam o experimento do velho Bellacosa. 😂

Mas existe uma diferença importante entre repetir uma prática antiga e preservar sua memória.

E aquela memória merece continuar existindo.


🕰️ Duas estradas, dois carros, duas épocas

Talvez seja isso que mais me fascine neste pequeno vídeo.

Na superfície temos simplesmente:

um Ford entrando num túnel.

Mas quando faço um DISPLAY MEMORY, aparece outra coisa.

Anos 1970/80

🚗 Fusquinha vermelho
👨 Meu pai dirigindo
🛣️ Dutra e velhas estradas do Vale
📯 Buzina dentro do túnel
👨‍👩‍👧‍👦 Família viajando

Depois:

2016

🚘 Ford New Fiesta 2013 — o Pretinho
👩 Juliana dirigindo
🛣️ Carvalho Pinto
🏔️ Destino: Campos do Jordão
📍 Taubaté e Quiririm pelo caminho
🎥 Bellacosa tentando gravar o ronco do motor

Os equipamentos mudaram.

As estradas mudaram.

Os carros mudaram.

Os motoristas mudaram.

Mas existe uma linha invisível ligando as duas viagens.


💾 Talvez seja para isso que servem esses pequenos vídeos

Quando gravei aquilo, certamente não estava pensando:

“Estou produzindo um documento histórico para meu eu do futuro.”

Eu estava apenas filmando uma viagem.

Mas talvez seja justamente assim que construímos nossos arquivos mais importantes.

Sem perceber.

Uma fotografia.

Trinta segundos de vídeo.

Um carro passando.

Uma pessoa rindo.

Uma estrada.

Um túnel.

Naquele momento parece banal.

Dez anos depois é memória.

Trinta anos depois talvez seja história.


🥚 Easter egg — o verdadeiro túnel não estava na Carvalho Pinto

Talvez exista ainda outro túnel escondido nesta história.

Não aquele feito de concreto atravessando uma montanha.

Mas aquele existente dentro da memória.

Em 2016, o Pretinho entrou no túnel da Carvalho Pinto.

Por alguns segundos tudo ficou escuro.

Depois apareceu novamente a luz na saída.

Mas dentro da minha cabeça outro veículo entrou junto.

Um pequeno Fusquinha vermelho.

Meu pai estava ao volante.

Nós estávamos novamente indo visitar Santiago, Deise, Andreia e Marcelo.

E justamente quando os dois carros — separados por décadas — pareciam ocupar o mesmo túnel...

meu pai colocou o dedo na buzina.

FÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓM!

Talvez o eco que eu estivesse tentando gravar em 2016 já estivesse reverberando havia quarenta anos.

Bellacosa Mainframe

Algumas estradas levam até uma cidade.

Outras levam de volta para casa.

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Indo para Taubate pela Carvalho Pinto.


Para aqueles que curtem viajar... não existe prazer maior que entrar num túnel. Eu ainda sou da época em que a rapaziada buzinava só para fazer eco.

Este túnel moderno e longo na SP 70 torna a viagem mais divertida, pois permite visualizar coisas diferentes entrando no coração da montanha.



Pena que o audio ficou horrível, mas queria ter gravado o som dos motores no túnel e no fim foi apenas o vento.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Passaros trollando-se em Piracicaba

Bellacosa Mainframe e um delicioso almoço em Piracicaba 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🐦 Piracicaba, o Fusquinha Vermelho e o Pequeno Gnomo de Asas

Um almoço à beira do Rio Piracicaba, memórias de infância e um passarinho endiabrado que resolveu não deixar ninguém em paz

Piracicaba tem seu encanto.

Mas, para mim, Piracicaba nunca foi apenas o nome de uma cidade do interior de São Paulo.

Piracicaba faz parte da minha vida.

Muito antes de eu dirigir pelas estradas do interior, viajar por conta própria ou carregar uma câmera para registrar essas pequenas cenas aparentemente banais, existia um homem, um Fusquinha vermelho e uma família sendo levada para descobrir o mundo.

Esse homem era meu pai.

Meu pai tinha espírito livre e gostava de viajar.

E aquele famoso Fusquinha vermelho acabou se transformando numa espécie de máquina de aventuras da família Bellacosa.

Não precisava haver aeroporto.

Não precisava haver reserva sofisticada.

Não precisava existir um grande plano.

Havia uma estrada.

Havia uma cidade para conhecer.

E isso bastava.

Piracicaba, Limeira e tantas outras cidades do interior paulista deixaram, assim, de ser simples nomes escritos nas placas das rodovias.

Viraram lembranças.



🚗 O Fusquinha vermelho

Quando somos crianças, não entendemos muito bem o que nossos pais estão construindo.

Para a criança, aquilo é apenas:

— Vamos passear!

Entramos no carro e pronto.

Mas décadas depois percebemos que aqueles passeios estavam criando uma coisa muito maior.

Estavam construindo nosso mapa afetivo.

Certas cidades ficam associadas a pessoas.

Certas estradas ficam associadas a épocas.

Certos lugares carregam lembranças que nenhuma coordenada geográfica consegue mostrar.

Meu pai provavelmente não imaginava que, muitos anos depois, eu continuaria retornando a alguns daqueles lugares.

O Fusquinha vermelho desapareceria da estrada.

Mas a estrada continuaria.

E eu também.



❤️ A viagem continua com Juliana

Anos depois, Piracicaba voltou a fazer parte da minha história de outra maneira.

Agora eu não era mais aquela criança sendo levada pelo pai.

Eu voltava com Juliana.

Fomos algumas vezes somente nós dois.

Em outras ocasiões fomos com o Formiga.

E assim aconteceu uma coisa bonita que somente percebemos quando olhamos nossa própria história de longe:

eu comecei a repetir o ritual.

Meu pai colocava a família dentro do Fusquinha e saía pelo interior.

Décadas depois, eu também colocava minha família no carro e seguia pelas mesmas estradas.

Os carros mudaram.

As décadas mudaram.

As pessoas dentro do carro mudaram.

Mas aquela curiosidade permaneceu.

Talvez meu pai tenha me deixado uma herança muito maior do que imaginava:

a vontade de ir ver.



🐟 E em Piracicaba havia um ritual

Em nossas visitas, um dos pontos altos era praticamente obrigatório:

os rodízios de peixe à beira do Rio Piracicaba.

Para quem gosta de peixe, aquilo pode ser um pequeno paraíso.

Sentar perto do rio, comer sem pressa e observar a paisagem fazia parte do passeio.

Não era apenas entrar em um restaurante, almoçar e ir embora.

O próprio entorno fazia parte da refeição.

A correnteza.

As árvores.

A brisa.

Os sons.

As aves.

As pessoas circulando.

O rio seguindo seu caminho indiferente aos pequenos dramas humanos que aconteciam às suas margens.

E foi justamente durante um desses almoços que aconteceu a cena registrada neste pequeno vídeo.


🌳 Tudo estava tranquilo...

Estávamos no meio do almoço.

Aquela tranquilidade deliciosa.

Sentindo a brisa.

Observando a correnteza.

Olhando as árvores.

Comendo peixe.

Até que alguma coisa chamou minha atenção.

Havia um pequeno grupo de pássaros.

Pela distância e pela qualidade da gravação, não consigo identificar com segurança quais eram as aves.

Mas, naquele momento, isso pouco importava.

Porque havia algo muito mais interessante acontecendo.

Entre todas aquelas aves aparentemente sossegadas, existia uma criatura endiabrada.

😂

Um pequeno agente do caos.

Um gnomo gozador com penas e asas.

Enquanto os outros pareciam satisfeitos em praticar aquela maravilhosa atividade conhecida como não fazer absolutamente nada, o nosso protagonista aparentemente tinha acordado com outro objetivo:

incomodar todo mundo.

😈 O chato do grupo

E ele não escolhia uma vítima.

Não.

Isso seria pouco.

Era um profissional.

Incomodava um.

Depois outro.

Depois outro.

Pia.

Sobe.

Desce.

Empurra.

Voa.

Volta.

Perturba outro.

Sai correndo.

Retorna.

As outras aves estavam simplesmente ali, curtindo a existência e provavelmente de olho em qualquer coisa deliciosa que pudesse cair das mesas humanas.

Nosso pequeno traquinas, porém, parecia possuir uma missão.

Ninguém terá paz enquanto eu estiver aqui.

😂

Era impossível não humanizar aquela cena.

Nós olhávamos e reconhecíamos imediatamente um personagem universal.

O chato do grupo.

Toda turma tem um.

Aquele sujeito que não consegue simplesmente ficar quieto.

Se todos estão conversando tranquilamente, ele cutuca alguém.

Se todos estão em silêncio, ele inventa alguma coisa.

Se ninguém está brigando, cinco minutos depois existe uma excelente possibilidade de alguém querer esganá-lo.

A diferença é que aquele tinha penas.

🐦 Não era um. Nem dois.

Essa era justamente a parte que tornava tudo ainda mais engraçado.

Ele não parecia ter qualquer preferência.

Não era uma briga específica entre duas aves.

O pequeno capeta parecia distribuir democraticamente sua inconveniência.

Incomodava várias.

Para nós, humanos sentados à mesa, aquilo começou a se transformar num espetáculo paralelo ao almoço.

E existe algo maravilhoso nisso.

Não pagamos ingresso.

Não havia roteiro.

Não existia narrador da National Geographic.

Nenhuma ave havia assinado contrato.

Simplesmente estávamos no lugar certo, olhando na direção certa, no momento certo.

E alguém tinha uma câmera.

🎥 Então apertei REC

Hoje estamos acostumados a produzir imagens deliberadamente.

Enquadramento.

Thumbnail.

Título.

SEO.

Publicação.

Mas muitos dos meus vídeos antigos nasceram de maneira completamente diferente.

Alguma coisa chamava minha atenção e eu simplesmente registrava.

Era quase um reflexo:

“Olha isso!”

E começava a filmar.

Foi exatamente o que preservou aquele pequeno acontecimento.

Talvez aqueles pássaros tenham permanecido ali durante horas.

Talvez o nosso gnomo alado tenha se acalmado dois minutos depois.

Talvez tenha encontrado outro grupo para atormentar.

Nunca saberemos.

Mas alguns segundos sobreviveram.

📼 Dez anos depois

E aqui começa outra história.

Porque quando publiquei aquele pequeno vídeo em janeiro de 2016, provavelmente não imaginava que, mais de uma década depois, estaria olhando novamente para aquelas imagens e reconstruindo tudo que existia fora do enquadramento.

A câmera mostra os pássaros.

Mas minha memória mostra muito mais.

Mostra Piracicaba.

Mostra o rio.

Mostra o almoço.

Mostra Juliana.

Mostra Formiga em outras viagens.

E, indo ainda mais para trás no tempo, aparece aquele Fusquinha vermelho.

Meu pai.

Minha infância.

As cidades do interior.

As estradas.

É extraordinário perceber como funciona a memória.

Começamos falando sobre um pássaro trollando outros pássaros...

e terminamos chegando ao nosso pai décadas antes.

🚗➡️🐦 O que não aparece no vídeo

Meu pai não aparece naquela gravação.

O Fusquinha vermelho também não.

Mas, de certa maneira, ambos estão ali.

Porque talvez eu estivesse naquele restaurante à margem do Rio Piracicaba justamente porque, muitos anos antes, alguém havia me ensinado que valia a pena entrar num carro e descobrir o que existia depois da próxima curva.

Essa curiosidade ficou.

Meu pai levou os filhos.

Depois levei minha família.

E lugares conhecidos durante a infância ganharam novas camadas.

Piracicaba da infância.

Piracicaba com Juliana.

Piracicaba com Formiga.

Piracicaba do peixe.

Piracicaba do rio.

E agora...

Piracicaba do passarinho FDP.

😂

Essa também merece entrar no mapa.

🐦 Mesmo na natureza os animais se trollam

Nós gostamos de romantizar a natureza.

Imaginamos os animais vivendo em equilíbrio absoluto.

Tudo perfeitamente organizado.

Cada passarinho respeitando educadamente o espaço do vizinho.

Mas basta observar durante algum tempo para perceber que o mundo animal também possui disputas, competição, hierarquias, invasões de espaço e comportamentos que, vistos através de nossos olhos humanos, parecem pura provocação.

Não sei exatamente o motivo daquele comportamento.

Poderia envolver comida.

Território.

Hierarquia.

Ou alguma dinâmica que somente aquelas aves compreendiam.

Por isso não quero transformar uma cena divertida em uma falsa explicação científica.

O que posso afirmar é aquilo que vimos:

um deles não deixava os outros em paz.

E foi divertidíssimo assistir.

💾 Pequenos vídeos, grandes backups

Existe uma lição escondida nesses arquivos antigos.

Nós normalmente sabemos que devemos fotografar os grandes acontecimentos.

Aniversários.

Casamentos.

Viagens.

Formaturas.

Monumentos.

Paisagens extraordinárias.

Mas frequentemente são os registros aparentemente inúteis que, anos depois, adquirem um valor inesperado.

Um almoço.

Uma estrada.

Uma ave.

Um Fusquinha.

Uma brincadeira.

Porque nossa memória não funciona como um banco de dados perfeitamente indexado.

Às vezes precisamos de uma chave.

Aquele pequeno vídeo é uma delas.

PLAY.

Os pássaros aparecem.

E uma cadeia inteira de memórias é recuperada.

Piracicaba.

Rio.

Peixe.

Juliana.

Formiga.

Infância.

Pai.

Fusquinha vermelho.

É praticamente um SELECT emocional executado contra décadas de memória.

E tudo começou porque um passarinho resolveu ser inconveniente.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Talvez seja justamente por isso que vale a pena recuperar essas pequenas postagens antigas.

Não para fingir que em 2016 eu pretendia escrever uma grande crônica.

Não pretendia.

Eu simplesmente achei a cena engraçada.

Filmei.

Publiquei.

E provavelmente pensei:

“Olha esse pilantra!”

Mas o tempo adiciona metadados às nossas lembranças.

Hoje percebo que aquele vídeo registra muito mais do que uma pequena confusão entre pássaros.

Registra a continuidade de uma história.

Meu pai me ensinou, talvez sem perceber, que havia um mundo esperando depois da próxima cidade.

Piracicaba tornou-se uma dessas cidades.

Depois voltei com Juliana.

Voltei com Formiga.

Comemos peixe.

Sentimos a brisa.

Olhamos o rio.

E, numa dessas tardes, enquanto uma família humana simplesmente aproveitava o almoço...

um pequeno gnomo de asas decidiu que tranquilidade demais era inadmissível.

Começou a piar.

Subir.

Empurrar.

Voar.

Perturbar um.

Perturbar outro.

Perturbar todos.

Nós assistimos.

Rimos.

E eu apertei REC.

Dez anos depois, descubro que fiz muito mais do que filmar um passarinho.

Fiz backup de uma tarde da minha vida.

E, escondido dentro desse backup, encontrei novamente um pouco do espírito livre daquele homem dirigindo seu Fusquinha vermelho pelas estradas do interior.

Meu pai não está no vídeo.

Mas agora percebo:

ele também estava naquela viagem.

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Mesmo na natureza os animais se trollam

Pensamos que apenas humanos tem rompantes de ma vizinhança, que nada na natureza as vezes encontramos uns tipinhos que são verdadeiros FDPs.

Estávamos almoçando a beira rio em Piracicaba quando notamos uma movimentação de pássaros a beira rio, nada demais, porem quando todos estavam calmos e serenos, observando nossa refeição, eis que surge....




Caricato ver a cena, um dos pilantras brigando um com os outros. Vale a pena ver o video.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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