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domingo, 2 de agosto de 2026

IBM Bob : O Holocron do Padawan — Da Primeira Pergunta até os Agentes Inteligentes

 

Bellacosa Mainframe e o holocron do conhecimento do ibm bob

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM Bob para Programadores COBOL

O Holocron do Padawan — Da Primeira Pergunta até os Agentes Inteligentes

"Quando um programador COBOL encontra uma IA pela primeira vez, a tendência é pensar que ela escreve código. Depois de alguns dias percebe que ela faz muito mais. Depois de alguns meses percebe que quem realmente mudou foi a forma de pensar sobre desenvolvimento."


Durante décadas nós aprendemos uma sequência relativamente estável.

Requisito
↓
Análise
↓
Codificação
↓
Compilação
↓
Teste
↓
Produção

O IBM Bob não muda esse fluxo.

Ele muda quem participa dele.

O desenvolvedor deixa de trabalhar sozinho e passa a trabalhar acompanhado por uma IA especializada.

Essa é exatamente a ideia por trás de praticamente todas as fases do treinamento.



Capítulo 1 — O que é o IBM Bob?

O erro mais comum é pensar:

"Bob é um ChatGPT."

Não.

Bob é um AI Software Engineer.

Ele foi construído para acompanhar todo o ciclo de vida do software (SDLC).

Ele entende:

  • código

  • arquitetura

  • documentação

  • Git

  • Pull Request

  • testes

  • APIs

  • banco de dados

  • DevOps

  • Cloud

  • Mainframe

Ele não responde apenas perguntas.

Ele participa do desenvolvimento.



Capítulo 2 — O verdadeiro SDLC

Praticamente em vários momentos do curso falam do SDLC.

A ordem correta é:

Planejamento

↓

Levantamento de requisitos

↓

Análise

↓

Design

↓

Implementação

↓

Testes

↓

Deploy

↓

Manutenção

Nunca confunda.

Os testes nunca vêm antes dos requisitos.


Planejamento

Aqui respondemos:

O que será construído?

Quem vai usar?

Qual problema resolve?


Requisitos

Aqui descobrimos:

  • regras de negócio

  • usuários

  • limitações

  • integrações

É exatamente como conversar com o cliente antes de escrever um COBOL.


Design

Aqui definimos

Arquitetura.

Tecnologias.

Banco.

API.

Cloud.

Infraestrutura.

É a planta da casa.


Implementação

Aqui escrevemos código.

COBOL.

Java.

Python.

TypeScript.

Não importa.

O design vira código.


Testes

Somente agora validamos.

Não antes.


Capítulo 3 — Contexto é Rei

Uma das maiores mensagens do curso.

IA sem contexto é praticamente inútil.

Imagine perguntar:

Melhore esse programa.

Qual programa?

Qual arquivo?

Qual função?

Qual objetivo?

Agora compare com:

Arquivo:

CLIENTE.CBL

Objetivo:

Melhorar performance da leitura VSAM.

Não alterar layout.

Não modificar regras fiscais.

Não instalar bibliotecas.

Agora Bob entende.

Toda IA funciona melhor quando recebe contexto.



Capítulo 4 — Janela de Contexto

Outro assunto recorrente.

A Janela de Contexto é simplesmente tudo aquilo que Bob conhece naquele momento.

Ela contém:

  • conversa

  • arquivos

  • regras

  • prompts

  • histórico

  • documentos

Quanto maior o contexto útil,

melhor a resposta.

Quanto maior o contexto inútil,

pior a resposta.


Context Poisoning

Uma expressão importante.

Imagine manter aberto:

Projeto Banco A.

Depois mudar para

Projeto Banco B.

Mas esquecer documentos antigos.

Bob pode misturar regras.

Isso chama-se

Context Poisoning.

A IA passa a raciocinar baseada em informações erradas.



Capítulo 5 — Human in the Loop

Talvez seja o conceito mais importante do treinamento.

Bob nunca substitui o desenvolvedor.

Ele trabalha junto.

Você continua responsável por:

✔ validar

✔ revisar

✔ aprovar

✔ decidir

A IA sugere.

Você decide.


Capítulo 6 — Auto Approve

Bob pode executar ações automaticamente.

Mas existem níveis.

Exemplo:

Leitura

Pode abrir arquivos.

Pode listar diretórios.

Sem perguntar.

Já comandos perigosos

como

git reset

rm

git push

normalmente pedem confirmação.

Por quê?

Porque alterar um repositório é diferente de apenas ler um arquivo.


Capítulo 7 — Checkpoints

O que faz um checkpoint? Muitas vezes usamos o conceito mas não paramos para analisar e fazer um mapa mental.

Checkpoint significa:

Criar um ponto seguro.

Igual snapshot.

Antes de uma grande mudança:

✔ cria checkpoint

✔ modifica

✔ testa

✔ aprova

É exatamente igual ao conceito de backup antes de um grande IPL.



Capítulo 8 — Bob Rules

Aqui está um conceito excelente.

Imagine um programador COBOL.

Toda vez você escreve:

Sempre documente.

Nunca use GO TO.

Explique em português.

Isso é repetitivo.

As Bob Rules resolvem isso.

São regras permanentes.

Exemplo:

Sempre gerar comentários.

Nunca instalar dependências.

Usar Clean Code.

Elas ficam válidas para o projeto inteiro.



Capítulo 9 — Slash Commands

Enquanto Rules são permanentes,

Slash Commands são ações.

Exemplo:

/review

Revisar código.

/document

Gerar documentação.

/performance

Analisar desempenho.

São pequenas automações.


Capítulo 10 — agent.md

Uma excelente ideia.

O arquivo

agent.md

é um manual para Bob.

Ele registra:

  • arquitetura

  • convenções

  • decisões

  • padrões

  • organização

É muito parecido com um grande README técnico.


Capítulo 11 — Git

O curso insiste bastante nisso.

Fluxo correto.

git checkout -b

↓

editar

↓

commit

↓

push

↓

Pull Request

↓

Review

↓

Merge

Jamais:

Editar diretamente a Main.


Pull Request

Não é apenas enviar código.

É pedir revisão.


Code Review

Serve para verificar

✔ qualidade

✔ documentação

✔ arquitetura

✔ padrões

✔ clareza

✔ links

✔ consistência

Não apenas bugs.



Capítulo 12 — MCP

Aqui começa o futuro.

Model Context Protocol.

Imagine um cabo USB.

Você conecta:

Bob

↓

Git

↓

SQLite

↓

Appwrite

↓

GitHub

↓

Filesystem

↓

Terminal

↓

APIs

Tudo usando um padrão.

Esse padrão chama-se MCP.


MCP Local

Vale apenas para um projeto.


MCP Global

Vale para todos.


MCP Remoto

Permite conversar com serviços externos.

Exemplo:

Appwrite.


API Keys

Sem credenciais

Bob não entra.

Assim como RACF protege um dataset,

API Keys protegem serviços Cloud.



Capítulo 13 — LLM

Outra sequência cobrada.

LLM

↓

Chatbot

↓

Copilot

↓

Agente

LLM

Motor.


Chatbot

Conversa.


Copilot

Ajuda.


Agente

Executa.

Planeja.

Decide.

Corrige.



Capítulo 14 — Sistemas Agentic

Agente faz muito mais.

Ele consegue:

Planejar.

Executar.

Reavaliar.

Corrigir.

Continuar.

Esse conceito aparece sempre que usamos um chat bot, seria o nosso passo a passo na execução da tarefa.


Multistep

Executa várias etapas.

Não apenas uma.


Self Correction

Errou?

Corrige sozinho.


Human in the Loop

Mesmo assim,

o desenvolvedor continua aprovando.



Capítulo 15 — Analytics

Outro bloco do curso.

Bob Analytics mostra:

Consumo.

Bob Coins.

Plano.

Uso.

Métricas.


Bob Coins

Padronizam consumo.

Não importa qual modelo está por trás.


Trial

Temporário.


PRO

Renova Bob Coins mensalmente.


Overage

Uma pegadinha da prova.

No treinamento foi enfatizado que:

o overage precisa ser reativado manualmente a cada mês para continuar em uso.

Mesmo que essa característica possa variar entre serviços, essa é a resposta esperada no contexto da aula.



Capítulo 16 — O Grande Mapa Mental

Cliente

↓

Requisitos

↓

Design

↓

Bob entende contexto

↓

Rules

↓

Slash Commands

↓

agent.md

↓

Checkpoint

↓

Implementação

↓

Git

↓

Commit

↓

Push

↓

Pull Request

↓

Review

↓

Merge

↓

Deploy

↓

Analytics

↓

Melhoria Contínua


O Pensamento Bellacosa Mainframe

Quando comecei no mainframe, lá no final dos anos 1980, a inteligência estava concentrada em dois lugares: na cabeça do analista experiente e nos milhares de programas COBOL que sustentavam o negócio. Hoje, continuamos precisando dessa experiência, mas ganhamos um novo parceiro.

O IBM Bob não substitui o programador COBOL. Ele não conhece melhor o negócio do que quem mantém aquele sistema há anos. O que ele faz é acelerar tarefas repetitivas, organizar informações, sugerir melhorias e reduzir o tempo gasto com atividades mecânicas.

Pense nele como um novo integrante da equipe. Ele trabalha rápido, lê milhares de arquivos em segundos e nunca se cansa de revisar código. Porém, ainda depende do arquiteto, do analista e do desenvolvedor para definir o rumo correto.

No fim das contas, a principal lição de todo esse treinamento não é aprender comandos, MCPs ou Bob Rules. É compreender uma nova forma de desenvolver software:

A IA executa. O desenvolvedor direciona. A experiência humana continua sendo o verdadeiro sistema operacional por trás de qualquer projeto.

Esse é o verdadeiro espírito do Bellacosa Mainframe: combinar décadas de conhecimento em engenharia de software com as novas capacidades da Inteligência Artificial, formando um desenvolvedor que entende tanto o legado quanto o futuro.

sábado, 4 de outubro de 2025

☕💾🔥 ENGENHARIA DE SOFTWARE — O “SISTEMA OPERACIONAL INVISÍVEL” QUE SEPARA PROGRAMADORES COMUNS DE PROFISSIONAIS ENTERPRISE 🔥💾☕

 

Bellacosa Mainframe e a Engenharia de Software

☕💾🔥 ENGENHARIA DE SOFTWARE — O “SISTEMA OPERACIONAL INVISÍVEL” QUE SEPARA PROGRAMADORES COMUNS DE PROFISSIONAIS ENTERPRISE 🔥💾☕

Muita gente entrando no mundo COBOL/mainframe acredita que:

“Engenharia de software = aprender linguagem.”

☠️🔥

Mas aí acontece o primeiro trauma corporativo real:

  • ABEND em produção;
  • batch atrasado;
  • janela estourada;
  • rollback;
  • incidente crítico;
  • auditoria;
  • problema de performance DB2;
  • mudança quebrando outro sistema;
  • integração falhando às 3h da manhã.

E nesse momento o programador descobre:

Engenharia de software NÃO é apenas programar.

Ela é:

  • organização;
  • arquitetura;
  • previsibilidade;
  • qualidade;
  • processos;
  • sobrevivência operacional.

☕ O QUE É ENGENHARIA DE SOFTWARE DE VERDADE?

Engenharia de software é:

construir sistemas grandes, confiáveis, escaláveis e sustentáveis sem transformar a empresa num apocalipse tecnológico.

🔥💾☕


O ERRO MAIS COMUM DO PROGRAMADOR JÚNIOR

O iniciante normalmente pensa assim:

“Se compilou e rodou, está pronto.”

☠️☠️☠️

No mundo enterprise isso NÃO significa nada.

Porque um software corporativo precisa:

  • funcionar;
  • escalar;
  • ser seguro;
  • ser auditável;
  • ser documentado;
  • sobreviver anos;
  • suportar manutenção;
  • integrar com dezenas de sistemas;
  • não destruir produção.

☕💾 O MAINFRAME ENSINOU ISSO MUITO ANTES DA CLOUD

A ironia é fantástica.

Hoje o mercado fala:

  • DevOps;
  • SRE;
  • observabilidade;
  • resiliência;
  • alta disponibilidade;
  • governança.

Mas o mundo mainframe já fazia isso desde os anos 70.

🔥☕


UM PROGRAMADOR COBOL NÃO ESCREVE “APENAS PROGRAMAS”

Ele frequentemente participa de:

  • sistemas bancários;
  • processamento de folha;
  • cartões;
  • PIX;
  • compensação;
  • seguros;
  • governo;
  • telecom.

Ou seja:

software que movimenta bilhões.


☕ A DIFERENÇA ENTRE “CODAR” E “ENGENHARIA”

Programador comum

“Vou fazer funcionar.”

Engenheiro de software

“Como isso vai sobreviver 15 anos em produção?”

🔥💾


O SDLC — O CICLO DA SOBREVIVÊNCIA CORPORATIVA

Toda empresa séria usa algum tipo de SDLC.

Software Development Life Cycle


As etapas clássicas

Requirements
↓
Design
↓
Development
↓
Testing
↓
Deployment
↓
Maintenance

☕ O QUE O JÚNIOR NORMALMENTE NÃO PERCEBE

O código é apenas UMA etapa pequena.

Grande parte do esforço real está em:

  • entender negócio;
  • validar regras;
  • testar;
  • homologar;
  • documentar;
  • subir produção;
  • monitorar;
  • manter.

☠️ O MAIOR CEMITÉRIO DA TI

Projetos falham mais por:

  • requisitos ruins;
  • arquitetura ruim;
  • falta de comunicação;
  • falta de testes;

do que por linguagem.


☕💾 REQUISITOS — O “BUG” QUE NASCE ANTES DO CÓDIGO

Muitos sistemas falham porque:

o time implementou corretamente…
o requisito errado.

☠️🔥


Exemplo COBOL clássico

Usuário diz:

“quero calcular juros.”

Mas ninguém definiu:

  • regra;
  • arredondamento;
  • calendário;
  • horário;
  • feriados;
  • timezone;
  • tratamento de exceção.

☠️☠️☠️

Resultado:

  • prejuízo;
  • auditoria;
  • incidente;
  • caos.

☕ TESTES — O SEGURO DE VIDA DO ENTERPRISE

Programador júnior frequentemente pensa:

“Mas na minha máquina funcionou.”

☠️🔥☠️🔥☠️🔥

Produção enterprise não perdoa isso.


Tipos de teste

Functional

A regra funciona?


Performance

Aguenta milhões de transações?


Regression

A correção quebrou outro sistema?


Security

Existe vulnerabilidade?


☕💾 MAINFRAME LEVA ISSO AO EXTREMO

Porque:

  • bancos não podem parar;
  • folha não pode falhar;
  • PIX não pode sumir;
  • cartão não pode duplicar;
  • batch não pode atrasar.

Então engenharia enterprise nasce da paranoia operacional.

🔥☕


VERSIONAMENTO — O “TIME MACHINE” CORPORATIVO

Sem versionamento:

  • ninguém sabe quem mudou;
  • ninguém sabe quando;
  • ninguém sabe por quê.

☠️🔥


Mundo moderno

  • Git
  • GitHub
  • GitLab

Mundo mainframe

  • Endevor
  • Changeman
  • Librarian

☕ O CONCEITO É O MESMO

Controlar:

  • mudanças;
  • histórico;
  • rollback;
  • rastreabilidade.

☕💾 ARQUITETURA — O CÉREBRO INVISÍVEL DO SISTEMA

Aqui o júnior normalmente desperta.

Porque descobre que:

sistemas grandes NÃO sobrevivem só com código.

Precisam:

  • organização;
  • integração;
  • escalabilidade;
  • segurança;
  • observabilidade.

Exemplo bancário

Frontend
↓
API Gateway
↓
Microservices
↓
MQ
↓
COBOL/CICS
↓
DB2

Isso é engenharia enterprise.


☠️ MICROservices NÃO SÃO “MÁGICA”

Muita empresa cria:

400 APIs
+
500 containers
+
logs infinitos
+
monitoramento caótico

e chama isso de:

“transformação digital.”

☠️🔥☠️🔥☠️🔥


☕💾 O MAINFRAME ENSINOU ALGO IMPORTANTE

Centralização às vezes é:

  • mais segura;
  • mais simples;
  • mais eficiente.

Por isso muitos core bancários continuam no z/OS.


O GRANDE SEGREDO DA ENGENHARIA DE SOFTWARE

Ela NÃO é sobre tecnologia apenas.

Ela é sobre:

  • reduzir caos;
  • reduzir risco;
  • reduzir falhas;
  • organizar complexidade.

🔥☕


☕ O JÚNIOR QUE EVOLUI RÁPIDO ENTENDE ISSO

Linguagens mudam.

Ontem:

  • COBOL;
  • PL/I;
  • C.

Depois:

  • Java;
  • C#;
  • Python.

Agora:

  • IA assistida;
  • automação;
  • cloud native.

Mas:

  • lógica;
  • arquitetura;
  • qualidade;
  • engenharia;

continuam eternas.


☕💾 O FUTURO DO PROGRAMADOR COBOL

O mercado NÃO quer apenas:

“quem sabe COBOL.”

Quer:

  • APIs;
  • integração;
  • cloud;
  • automação;
  • observabilidade;
  • DevOps;
  • segurança;
  • engenharia moderna.

E AQUI ESTÁ A GRANDE VERDADE

Quem domina:

  • fundamentos enterprise;
  • processamento crítico;
  • arquitetura;
  • mentalidade operacional;

possui vantagem enorme no mercado moderno.

Porque MUITOS desenvolvedores atuais:

  • sabem framework;
  • sabem frontend;
  • sabem cloud;

mas nunca sustentaram:

  • processamento nacional;
  • batch crítico;
  • transações financeiras massivas.

☕💾🔥 CONCLUSÃO — ENGENHARIA DE SOFTWARE É A ARTE DE EVITAR O APOCALIPSE CORPORATIVO 🔥💾☕

Programar faz software funcionar.

Engenharia de software faz:

  • software sobreviver;
  • empresas continuarem operando;
  • sistemas escalarem;
  • produção não explodir às 2h da manhã.

E no fundo…

o mundo mainframe já sabia disso muito antes da internet virar moda. 💾☕🔥


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Metodologia Waterfall, o que é, para que serve, virtudes e defeitos

Bellacosa Mainframe apresenta a metodologia waterfall

Metodologia Waterfall: O Modelo Clássico que Ainda Sustenta os Maiores Sistemas do Mundo

Muito antes de termos Scrum, Kanban, DevOps, CI/CD e equipes ágeis entregando software em ciclos rápidos, existia uma metodologia que estabeleceu as bases da engenharia de software moderna: a Metodologia Waterfall, também conhecida como Modelo em Cascata. Criada para organizar projetos complexos de forma previsível e controlada, ela continua sendo amplamente utilizada em setores onde segurança, conformidade, documentação e rastreabilidade são essenciais, como bancos, seguradoras, governos, indústrias, telecomunicações, aeroespacial e, principalmente, no universo dos IBM Mainframes.

O princípio do Waterfall é simples e poderoso: cada fase do projeto deve ser concluída antes do início da próxima. Dessa forma, levantamento de requisitos, análise, projeto, desenvolvimento, testes, implantação e manutenção seguem uma sequência lógica, reduzindo ambiguidades e permitindo um rigoroso controle de qualidade.

Embora muitos considerem o Waterfall ultrapassado diante das metodologias ágeis, a realidade é bem diferente. Bilhões de transações financeiras executadas diariamente em sistemas COBOL, CICS, Db2 e IBM Z continuam sendo desenvolvidas e mantidas utilizando princípios herdados desse modelo. Em ambientes onde uma alteração incorreta pode causar prejuízos milionários, previsibilidade vale mais do que velocidade.

Neste artigo você entenderá o que é a Metodologia Waterfall, como ela surgiu, quais são suas etapas, vantagens, desvantagens, diferenças em relação ao Agile, Scrum e DevOps, quando ela ainda representa a melhor escolha e por que continua sendo um dos pilares da engenharia de software corporativa. Seja você um estudante, desenvolvedor, analista de sistemas ou profissional de Mainframe, conhecer o Waterfall é compreender as origens da disciplina que moldou praticamente toda a indústria de desenvolvimento de software moderna.

Bellacosa Mainframe e a metodologia de desenvolvimento waterfall

Muitas linhas foram escritas, defensores e detratores, propagandistas de outras metodologias, coachs e consultores tentando vender seu peixe, pintando um monstro, atacando uma metodologia, que como tudo na vida, ela tem seus pros e contras.
 

domingo, 14 de agosto de 2022

O Mágico de Oz Entra no CPD — O Dia em que Dorothy Descobriu que “Funcionou na Minha Máquina” Não Vale como Evidência de Teste

 
Bellacosa Mainframe e os testes em software mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Mágico de Oz Entra no CPD — O Dia em que Dorothy Descobriu que “Funcionou na Minha Máquina” Não Vale como Evidência de Teste

Ou: como Requirements, Unit Test, Integration, System Test, UAT, Test Data, Boundary Value, Bug Report, Severity, Priority, Regression e um programador COBOL iniciante seguiram pela Estrada de Tijolos Amarelos até descobrir que, atrás da cortina, qualidade não é mágica — é método

Há uma cena clássica em O Mágico de Oz: Dorothy e seus companheiros atravessam perigos, florestas, campos de papoulas, bruxas e criaturas estranhas para finalmente chegar à Cidade das Esmeraldas.

Todos esperam encontrar um ser extraordinário.

Uma entidade quase divina.

O Grande e Poderoso Oz.

Então Toto puxa uma cortina.

E atrás dela existe apenas um sujeito comum operando alavancas.

No mundo dos testes de software acontece algo parecido.

Durante muito tempo, especialmente para quem começa a programar, parece existir uma espécie de magia chamada:

“QA testou.”

O programador entrega o código.

Alguém misterioso em outro andar executa alguma coisa.

Alguns dias depois chega um chamado:

“Bug encontrado.”

E então começa o ritual.

— Aqui funciona.

— Em QA não.

— Qual ambiente?

— QA.

— Qual massa?

— A massa de QA.

— Qual erro?

— Deu erro.

Nesse momento, Toto deveria entrar no CPD e puxar a cortina.

Porque software testing não é mágica.

Não há fumaça.

Não há espelhos.

E, principalmente, não existe prestidigitação capaz de transformar código não testado em software confiável.

Existe método.

Existe planejamento.

Existe risco.

Existe evidência.

Existe engenharia.

E é exatamente isso que vamos explorar.



Prólogo — Dorothy recebe seu primeiro programa COBOL

Imagine Dorothy recém-contratada como programadora COBOL.

Ela recebe uma especificação:

Clientes com idade entre 18 e 60 anos podem aderir ao produto.

Ela escreve:

IF WS-IDADE >= 18 AND WS-IDADE <= 60
    MOVE 'S' TO WS-ELEGIVEL
ELSE
    MOVE 'N' TO WS-ELEGIVEL
END-IF

Compila.

Executa com:

IDADE = 30

Resultado:

ELEGIVEL = S

Dorothy sorri.

— Pronto.

O Espantalho, representando aquele colega que ainda procura um cérebro para requisitos, pergunta:

— Você testou?

— Sim.

— Quantas idades?

— Uma.

O Homem de Lata olha para o código, sente uma pequena dor no coração que ainda não possui e pergunta:

— E 18?

Dorothy testa.

Funciona.

O Leão Covarde pergunta:

— E 60?

Funciona.

Toto late.

Alguém resolve testar:

17
19
59
61
-1
999
ABC
vazio

E eis que começa a verdadeira história.

Porque testar não é escolher um exemplo que funciona.

Testar é procurar sistematicamente condições nas quais a solução pode deixar de funcionar.

Esse é o primeiro tijolo amarelo da nossa estrada.



1. O que é software testing de verdade?

Software testing é o processo de avaliar um software para verificar se ele atende aos requisitos esperados e para identificar defeitos, comportamentos incorretos e riscos.

Uma definição parece simples.

Mas existe um detalhe quase filosófico:

Testing não prova que software não possui defeitos.

Testing encontra evidências de que determinados comportamentos funcionam — ou não funcionam — sob determinadas condições.

Imagine um programa com bilhões de combinações possíveis de entrada.

Você jamais testará todas.

Portanto testing é também uma disciplina de amostragem inteligente de riscos.

Um bom tester pensa:

Onde esse negócio provavelmente vai quebrar?

Um excelente programador pensa assim também.


2. QA, QC e Testing — três personagens diferentes na mesma estrada

As notas que a
nalisamos fazem uma distinção importante entre Quality Assurance, Quality Control e Testing.

QA — Quality Assurance

QA olha predominantemente para o processo.

Pergunta:

Estamos trabalhando de uma maneira que reduz a chance de produzir defeitos?

Isso envolve:

  • padrões;

  • processos;

  • revisões;

  • métodos;

  • governança;

  • critérios;

  • documentação.

QA tenta evitar que Dorothy saia caminhando pela estrada errada antes mesmo da viagem começar.

QC — Quality Control

Quality Control olha para o produto entregue.

Pergunta:

Aquilo que foi construído está correto?

É inspeção e controle.

Testing

Testing é a atividade prática de exercitar o sistema buscando evidências.

Podemos resumir:

QA       → evitar defeitos
QC       → detectar defeitos no produto
Testing  → executar verificações sobre o sistema

Não são exatamente sinônimos.


3. Error, defect, bug e failure — a família que ninguém quer conhecer

Aqui temos outra distinção extremamente útil.

Imagine que Dorothy deveria escrever:

IF SALDO >= VALOR

Mas escreveu:

IF SALDO > VALOR

Isso é um erro humano.

O erro gerou um problema no código.

Esse problema é um defect.

Quando o cliente possui saldo exatamente igual ao valor do saque e o sistema rejeita a operação, temos uma failure, isto é, a manifestação observável do defeito.

Simplificando:

ERROR
  ↓
DEFECT
  ↓
FAILURE

“Bug” é frequentemente usado como sinônimo de defect.

Curiosidade: a história popular associa o termo bug ao inseto encontrado no Harvard Mark II em 1947. Mas engenheiros já usavam “bug” para falhas técnicas décadas antes. Grace Hopper ajudou a tornar o episódio famoso, não a inventar a palavra.

Easter egg mainframe número 1: qualquer programador que já caçou um abend às três da manhã sabe que alguns bugs realmente parecem vivos.


4. SDLC — o software não começa no COBOL

Outro erro clássico do iniciante é imaginar:

Especificação
↓
COBOL
↓
Produção

Na realidade, existe um ciclo maior, o Software Development Life Cycle.

De maneira simplificada:

Requirements
↓
Design
↓
Development
↓
Testing
↓
Deployment
↓
Maintenance

O código é apenas uma parte.

Em mainframe isso é ainda mais evidente.

Você pode alterar 20 linhas COBOL que dependem de:

  • Copybook;

  • JCL;

  • Db2;

  • VSAM;

  • CICS;

  • MQ;

  • RACF;

  • scheduler;

  • arquivos recebidos;

  • programas chamados;

  • programas chamadores.

O código parece local.

O impacto pode ser interestelar.


5. Waterfall, V-Model, Iterative, Incremental, Spiral e Prototype

As imagens apresentam vários modelos de desenvolvimento.

Não precisamos transformar isso numa aula acadêmica infinita, mas vale entender o espírito.

Waterfall

Modelo sequencial.

Requirement
↓
Design
↓
Coding
↓
Testing
↓
Deployment

Funciona bem quando requisitos são estáveis.

Problema:

Se você descobre no final que o requisito estava errado, o custo da correção pode ser enorme.

V-Model

Esse merece atenção especial.

De um lado:

Requirements
System Design
Architecture
Module Design
Coding

Do outro:

Unit Test
Integration Test
System Test
Acceptance Test

A ideia central é espetacular:

o teste correspondente deve ser pensado junto com a etapa que o originou.

Por exemplo:

Business Requirement ←→ Acceptance Test
System Design         ←→ System Test
Architecture          ←→ Integration Test
Module Design         ←→ Unit Test

Isso antecipa o conceito moderno de Shift Left.

Ou seja:

Não espere terminar tudo para pensar em qualidade.


6. STLC — a estrada de tijolos amarelos dos testes

O Software Testing Life Cycle normalmente passa por etapas semelhantes a:

Requirement Analysis
↓
Test Planning
↓
Test Case Development
↓
Test Environment Setup
↓
Test Execution
↓
Defect Reporting
↓
Test Closure

Parece burocrático.

Mas cada etapa responde uma pergunta.

Requirement Analysis

O que precisamos verificar?

Test Planning

Como vamos verificar?

Test Case Development

Quais cenários serão usados?

Environment Setup

Onde vamos executar?

Test Execution

O que realmente aconteceu?

Defect Management

Como registrar e acompanhar problemas?

Closure

Quando podemos declarar que o ciclo terminou?

Isso é tudo menos prestidigitação.


7. A primeira grande armadilha: requisitos ambíguos

Imagine a regra:

Cliente pode transferir até R$ 10.000 por dia.

Parece clara.

Não é.

Um tester imediatamente pergunta:

  • Por CPF ou conta?

  • Dia civil ou últimas 24 horas?

  • PIX e TED compartilham limite?

  • Transferência agendada conta quando é criada ou executada?

  • Limite inclui tarifa?

  • R$ 10.000 exatamente é permitido?

  • Cliente PJ possui a mesma regra?

Aí percebemos uma coisa linda:

um bom tester encontra defeitos antes do software existir.

Ele encontra defeitos no requisito.

E defeito encontrado cedo costuma custar muito menos.


8. Entry Criteria e Exit Criteria

Outro conceito essencial.

Entry Criteria

Antes de começar os testes, certas condições precisam estar atendidas.

Por exemplo:

build disponível
ambiente ativo
database carregado
massa pronta
requisitos aprovados

Se o Db2 está indisponível, o teste talvez fique:

BLOCKED

Isso é diferente de:

FAILED

O sistema não falhou.

O teste não pôde ser executado.

Exit Criteria

Também precisamos definir quando parar.

Exemplo:

100% testes críticos executados
0 blockers abertos
0 critical defects abertos
95% dos casos aprovados
riscos residuais aceitos

Sem isso, “terminamos os testes” significa apenas:

Alguém cansou.


9. Pirâmide de testes — não coloque tudo no topo

A pirâmide clássica sugere:

           E2E
        Integration
     Unit Unit Unit

Ou:

  • muitos testes unitários;

  • menos testes de integração;

  • poucos testes E2E.

Por quê?

Testes unitários tendem a ser:

  • rápidos;

  • baratos;

  • estáveis;

  • fáceis de automatizar.

Testes E2E geralmente são:

  • lentos;

  • caros;

  • dependentes de ambientes;

  • vulneráveis a falhas externas.

Imagine testar um PIX apenas através do aplicativo final.

Se falhar, onde está o problema?

Mobile?
API?
Gateway?
MQ?
CICS?
COBOL?
Db2?
Rede?
RACF?

Agora imagine testes menores cobrindo cada camada.

Diagnóstico fica muito mais fácil.


10. Unit Testing — teste a peça antes da máquina inteira

Em COBOL, uma unidade pode ser um programa, rotina ou lógica isolada.

Exemplo:

COMPUTE WS-JUROS =
    WS-CAPITAL * WS-TAXA / 100

Teste:

Capital = 1000
Taxa = 10
Esperado = 100

Depois:

Capital = 0
Taxa = 10
Esperado = 0

Depois:

Taxa = 0

E assim por diante.

O objetivo é testar a lógica sem depender do universo inteiro.


11. Integration Testing — onde os monstros geralmente moram

Integração é onde módulos conversam.

No mainframe isso pode significar:

COBOL ↔ Db2
COBOL ↔ VSAM
CICS ↔ COBOL
CICS ↔ MQ
MQ ↔ Java
API ↔ z/OS Connect

Muitos defeitos aparecem exatamente nas fronteiras.

Exemplos:

  • tamanho de campo diferente;

  • packed decimal interpretado incorretamente;

  • copybook desatualizado;

  • encoding ASCII/EBCDIC;

  • commit inconsistente;

  • timeout;

  • JSON mal formado;

  • campo obrigatório ausente.

Dois módulos podem funcionar perfeitamente isolados e falhar miseravelmente juntos.

O Espantalho chamaria isso de “falta de cérebro”.

Nós chamamos de integração.


12. System Testing

Agora testamos o sistema integrado.

Exemplo bancário:

Login
↓
Consulta saldo
↓
PIX
↓
Autenticação
↓
Débito
↓
Registro
↓
Comprovante

Não estamos mais testando apenas uma rotina COBOL.

Estamos testando comportamento de negócio.


13. Acceptance Testing e UAT

Aqui entra o usuário ou área de negócio.

A pergunta muda.

QA pergunta:

O sistema atende à especificação?

Negócio pergunta:

Isso serve para trabalhar?

Um sistema pode estar tecnicamente correto e operacionalmente ser um desastre.

Por isso UAT é crucial.

Easter egg número 2: Oz pode dizer que a máquina funciona perfeitamente. Dorothy ainda precisa descobrir se ela realmente consegue levá-la de volta ao Kansas.


14. Functional Testing — o que o sistema faz?

Functional testing verifica WHAT.

Exemplo:

Usuário correto + senha correta
→ login deve funcionar

Outro:

Saldo = 1000
Saque = 200
→ saldo final = 800

Estamos testando comportamento esperado.


15. Positive e Negative Testing

Positive Testing

Usamos entradas válidas.

idade = 30

Esperamos sucesso.

Negative Testing

Usamos entradas inválidas.

idade = -10
idade = ABC
campo vazio

Aqui existe um ponto muito importante.

O objetivo não é simplesmente provocar erro.

É verificar se o sistema trata o erro corretamente.

Bom software não é aquele que nunca recebe entrada ruim.

É aquele que sabe lidar com ela.


16. Non-functional Testing — quão bem funciona?

Aqui muda tudo.

Functional pergunta:

Faz?

Non-functional pergunta:

Faz bem?

Exemplos:

  • performance;

  • segurança;

  • confiabilidade;

  • escalabilidade;

  • usabilidade;

  • compatibilidade;

  • acessibilidade.

Login funcionar é funcional.

Login demorar 47 segundos é problema não funcional.


17. Performance, Load, Stress, Spike e Volume

Esses termos frequentemente são confundidos.

Performance Testing

Avalia comportamento de desempenho.

Métricas:

response time
throughput
latency
CPU
memory
I/O

No z/OS podemos acrescentar:

CPU time
elapsed time
service units
EXCP
Db2 getpages
lock waits
CICS response time
WLM behavior

Load Testing

Carga esperada.

Exemplo:

10.000 transações/minuto

Stress Testing

Carga acima do esperado.

Objetivo:

Onde quebra e como quebra?

Spike Testing

Carga sobe abruptamente.

Black Friday é o exemplo perfeito.

Volume Testing

Muito dado.

Uma query maravilhosa com 5 mil registros pode virar carvão com 500 milhões.


18. Security Testing

Segurança não é apenas verificar se o usuário certo entra.

É verificar se o usuário errado fica fora.

Exemplo:

Usuário autorizado → permitido
Usuário não autorizado → negado

No mainframe:

RACF profiles
dataset access
CICS transactions
Db2 privileges
USS permissions
started tasks

Um teste de autorização deve testar allow e deny.

Testar apenas aquilo que deveria funcionar deixa metade da segurança invisível.


19. Black Box Testing

Black box trata o sistema como caixa fechada.

INPUT
  ↓
SYSTEM
  ↓
OUTPUT

O tester não precisa conhecer implementação.

Exemplo:

saldo 100
saque 30
esperado 70

Pode existir COBOL, Java, PL/I ou um anão verde calculando lá dentro.

Para black box pouco importa.


20. White Box Testing

Agora conhecemos o código.

Queremos verificar caminhos internos.

Considere:

IF SALDO >= VALOR
    IF CONTA-ATIVA = 'S'
        PERFORM EFETUAR-SAQUE
    END-IF
END-IF

Temos combinações:

saldo suficiente / conta ativa
saldo suficiente / conta inativa
saldo insuficiente / conta ativa
saldo insuficiente / conta inativa

Isso envolve:

  • statement coverage;

  • branch coverage;

  • condition coverage;

  • path testing.

E aqui vale um alerta:

100% de cobertura não significa ausência de bugs.


21. Equivalence Partitioning — teste representantes

Suponha:

idade válida = 18 até 60

Temos três grandes classes:

<18
18–60
>60

Em vez de testar todos os números, podemos inicialmente testar representantes:

10
30
70

Isso reduz drasticamente quantidade de testes sem jogar cobertura pela janela.


22. Boundary Value Analysis — é nas bordas que os gremlins moram

A técnica favorita de quem já viu muito bug.

Para:

18 ≤ idade ≤ 60

teste:

17
18
19
59
60
61

Por quê?

Porque humanos escrevem:

>

quando deveriam escrever:

>=

E vice-versa.

Aliás, nas próprias notas havia uma inconsistência divertida no exemplo de limite superior.

Um dos quadros rotulava valores máximos de maneira incorreta.

O que nos entrega o melhor easter egg deste artigo:

até uma apostila sobre testes precisa de teste.

Toto aprovou.


23. Decision Table Testing

Excelente para regra de negócio complexa.

Imagine aprovação:

Cliente ativo?
Score bom?
Renda suficiente?

Tabela:

AtivoScoreRendaAprovar
SSSS
SSNN
SNSN
NSSN

Isso ajuda a enxergar combinações esquecidas.


24. State Transition Testing

Alguns sistemas têm estados.

Exemplo:

ATIVO
↓
BLOQUEADO
↓
DESBLOQUEADO
↓
CANCELADO

Agora precisamos testar transições.

Pode existir:

ATIVO → BLOQUEADO

válida.

Mas talvez:

CANCELADO → ATIVO

seja proibida.

Isso aparece muito em:

  • cartões;

  • contas;

  • pedidos;

  • contratos;

  • tickets;

  • workflows.


25. Error Guessing — experiência com cicatrizes

Essa técnica parece informal, mas é poderosa.

O tester experiente pensa:

Já vi isso explodir antes.

Então testa:

zero
null
vazio
duplicado
máximo
mínimo
29/02
31/12
arquivo vazio
registro duplicado
caractere especial

É conhecimento acumulado através de incidentes.

O Leão ganha coragem.

O Homem de Lata ganha coração.

O tester ganha trauma produtivo.


26. Test Case — roteiro da investigação

Um caso de teste deve conter coisas como:

ID
Title
Objective
Preconditions
Test Data
Steps
Expected Result
Actual Result
Status
Remarks

Exemplo:

TC-PIX-001

Objetivo:
Validar PIX com saldo suficiente.

Pré-condição:
Conta ativa.
Saldo = 1000.

Entrada:
PIX = 200.

Esperado:
Saldo final = 800.
Transação registrada.
Comprovante emitido.

O segredo está no Expected Result.


27. Nunca teste sem saber o que deveria acontecer

Esse é um erro impressionantemente comum.

O sujeito executa algo e diz:

Vamos ver o resultado.

Isso é experimento exploratório.

Pode ser útil.

Mas não é um caso formal de validação.

Se você não sabe previamente o esperado, como saberá se o resultado está correto?


28. Test Data — massa de teste não é detalhe

Massa de teste determina qualidade do teste.

Pode ser:

  • válida;

  • inválida;

  • limite;

  • extrema;

  • normal;

  • sintética;

  • mascarada.

Uma coisa importante:

muito dado não significa boa massa.

Um milhão de registros iguais cobre pouco.

Cinquenta registros cuidadosamente escolhidos podem cobrir enorme variedade de risco.


29. Production Data — cuidado com Dorothy carregando o banco inteiro para QA

Copiar produção para teste pode parecer tentador.

Mas pode existir:

  • CPF;

  • telefone;

  • endereço;

  • cartão;

  • dados financeiros;

  • informações pessoais.

Por isso entram:

masking
anonymization
tokenization
synthetic data

Usar dados reais sem proteção pode transformar um projeto de testing em incidente de segurança.

E essa bruxa ninguém quer encontrar.


30. Test Environment — o ambiente também é parte do teste

Um ambiente inclui muito mais que servidor.

Pode envolver:

hardware
software
network
database
tools
data
people
documentation

No mainframe:

LPAR
z/OS
CICS
Db2
MQ
RACF
VSAM
LOADLIB
PROCLIB
JCL
scheduler
TCP/IP

O programa pode estar certo e falhar porque a STEPLIB aponta para versão antiga.

Não é lenda urbana.

É terça-feira.


31. Dev, QA, UAT, Staging, Production

Fluxo comum:

DEV
↓
QA
↓
STAGING
↓
PROD

Empresas reais inventam variações:

DEV
SIT
INT
QA
UAT
PREPROD
PROD

O importante é isolamento, rastreabilidade e controle.

Quanto mais próximo de produção, maior deveria ser a fidelidade do ambiente.


32. Test Execution

Chegamos ao momento em que o teste roda.

Fluxo:

Select Test
↓
Prepare Data
↓
Execute
↓
Compare Expected vs Actual
↓
Report Defect
↓
Update Status
↓
Retest

Estados comuns:

Not Executed
Pass
Fail
Blocked
Skipped
Retest

Fail não é Blocked.

Essa diferença pode evitar uma tarde inteira de reunião inútil.


33. Defect Life Cycle

Bug não nasce e desaparece instantaneamente.

Fluxo típico:

New
↓
Assigned
↓
Open
↓
In Progress
↓
Resolved
↓
Retest
↓
Verified
↓
Closed

Se continuar:

Reopen

“Fixed by developer” não significa “Closed”.

A correção precisa ser verificada.


34. Severity versus Priority

Esse conceito merece tatuagem temporária de projeto.

Severity mede impacto técnico.

Priority mede urgência de correção.

Imagine um erro ortográfico na home.

Severity:

LOW

Mas o CEO vai demonstrar o sistema em dez minutos.

Priority:

CRITICAL

Outro caso:

Bug grave numa funcionalidade que será desativada amanhã.

Severity alta.

Priority talvez baixa.

Portanto:

Severity ≠ Priority

Nas páginas analisadas havia também duas convenções:

P0-P3

e:

P1-P4

Ambas existem no mercado.

A empresa precisa definir sua escala.


35. Bug Reporting — “não funciona” não é relatório

Bug ruim:

Sistema não funciona.

Isso é quase poesia abstrata.

Bug bom:

BUG-5832

Título:
PIX acima de R$5.000 falha após autenticação.

Ambiente:
UAT / Build 2026.09.05

Pré-condição:
Conta ativa com saldo de R$20.000.

Passos:
1. Login
2. PIX
3. Informar R$6.000
4. Confirmar
5. Informar token

Esperado:
Transação aprovada.

Atual:
HTTP 500.

Evidência:
Timestamp 21:43:17
Transaction ID ABC123
Log anexado.

Agora temos material investigativo.


36. Regression Testing — o fantasma dos sistemas antigos

Regression pergunta:

Aquilo que funcionava antes continua funcionando depois da alteração?

Em sistemas legados isso é vital.

Você muda:

3 linhas COBOL

e quebra:

12 rotinas
4 jobs
2 relatórios
1 processo escrito em 1997

Não porque COBOL é ruim.

Porque software grande acumula dependências.


37. Smoke Test — primeiro veja se Oz ainda está respirando

Smoke test é verificação rápida.

aplicação sobe?
login funciona?
Db2 conecta?
transação básica passa?

Se falhar, não execute quatro mil testes.

Você já sabe que a build não está pronta.


38. Sanity Test

Depois de uma alteração pequena, execute testes focados.

Exemplo:

Corrigiu cálculo de juros?

Teste:

  • juros;

  • arredondamento;

  • limites;

  • casos relacionados.

Depois execute regressão adequada.


39. Manual versus Automation

Manual funciona muito bem para:

  • exploração;

  • UX;

  • ad-hoc;

  • cenários novos.

Automação é excelente para:

  • regressão;

  • repetição;

  • API;

  • unit tests;

  • CI/CD.

Mas automatizar tudo não faz sentido.

Se um caso roda uma única vez:

manual = 5 minutos
automação = 4 horas

Talvez não compense.

Se roda mil vezes:

a matemática muda.

Automação é investimento, não religião.


40. Shift Left — encontre o bug antes da Cidade das Esmeraldas

Shift Left significa trazer testing para mais cedo.

Em vez de:

Code
↓
Testing

pensamos:

Requirement
↓
Testing mindset
Design
↓
Testing mindset
Code
↓
Automated tests
Build
↓
Integration tests

O melhor bug é aquele impedido antes de nascer.


41. Shift Right — produção também fala

Depois do deploy, qualidade continua.

Entram:

  • observabilidade;

  • logs;

  • métricas;

  • tracing;

  • synthetic monitoring;

  • canary releases;

  • incident analysis.

Produção não é simplesmente o ponto em que testing termina.

É onde o software encontra o mundo real.

E o mundo real é um tester brutal.


42. Testabilidade — software que esconde erro é inimigo

Imagine dois programas.

Programa A:

ERROR 0001

Programa B:

Transaction ABC123 failed.
Reason: customer status = CLOSED.
Module: PGPIX001.
Timestamp: ...

Qual será mais fácil de investigar?

Testabilidade depende de:

  • logs;

  • mensagens claras;

  • interfaces;

  • observabilidade;

  • controle de dados;

  • isolamento.

Design também influencia testing.


43. Cobertura não é prova de perfeição

Imagine:

COMPUTE TOTAL = VALOR / QUANTIDADE

Você executa essa linha em vários testes.

Cobertura:

100%

Mas nunca testa:

QUANTIDADE = 0

Então:

coverage ≠ correctness

Cobertura informa onde passou.

Não prova que todos os comportamentos importantes foram verificados.


44. O paradoxo final

Testing consegue provar facilmente:

Existe um defeito.

Basta encontrar um.

Mas provar:

Não existe nenhum defeito.

é praticamente impossível em sistemas não triviais.

Há combinações de:

  • dados;

  • estado;

  • concorrência;

  • timing;

  • ambiente;

  • integrações;

  • versões.

Portanto testing trabalha com risco.

A meta não é testar tudo.

É testar as coisas certas com inteligência.


45. Dorothy chega finalmente ao mainframe

Vamos juntar tudo num exemplo.

Requisito:

Permitir aumento do limite diário PIX para R$20.000.

Passo 1 — Requirements

Precisamos esclarecer:

por conta?
por cliente?
dia civil?
inclui agendado?

Passo 2 — Unit

Teste cálculo e validação.

Passo 3 — Equivalence Partitioning

<0
0–20.000
>20.000

Passo 4 — Boundary

-0,01
0
0,01
19.999,99
20.000
20.000,01

Passo 5 — Integration

CICS
COBOL
Db2
MQ
API

Passo 6 — Security

cliente autorizado
cliente bloqueado
conta encerrada
usuário sem permissão

Passo 7 — Performance

10.000 transações/minuto

Passo 8 — Regression

PIX normal
PIX agendado
estorno
comprovante
consulta

Passo 9 — UAT

Negócio confirma comportamento.

Passo 10 — Production

Monitoramos.

Agora sim temos engenharia.


Epílogo — Toto puxa a cortina

Depois de atravessar todo o caminho, Dorothy finalmente encontra o Mágico.

Ela espera aquele ser sobrenatural que garante:

“Software aprovado.”

Toto puxa a cortina.

Atrás dela encontramos:

Requirements
Test Plan
Test Cases
Test Data
Environment
Automation
Execution
Defects
Logs
Metrics
Regression
UAT
Monitoring

Nada de truque.

Nada de fumaça.

Nada de prestidigitação.

A grande revelação é justamente esta:

qualidade não é algo adicionado ao software no fim.

Qualidade começa quando alguém pergunta:

“O que exatamente esse requisito quer dizer?”

Continua quando o programador pergunta:

“O que acontece nos limites?”

Amadurece quando o tester pergunta:

“Como faço isso falhar?”

E chega ao nível profissional quando toda a equipe pergunta:

“Como podemos construir algo que seja verificável, observável, seguro e resistente a mudanças?”

O Espantalho queria um cérebro.

No testing ele descobriu análise.

O Homem de Lata queria coração.

Descobriu que alguém precisa se importar com o usuário que encontra o bug.

O Leão queria coragem.

Descobriu que é preciso coragem para colocar 61, NULL, -1, arquivo vazio e concorrência pesada na aplicação que o desenvolvedor jurou estar pronta.

Dorothy queria voltar para casa.

E o programador COBOL iniciante?

Esse descobre algo ainda mais útil:

há muito tempo ele já possuía uma das melhores ferramentas de testing disponíveis — a capacidade de desconfiar do próprio código.

Porque no fim da Estrada de Tijolos Amarelos existe uma placa pregada na porta do CPD:

        NÃO EXISTE
    “FUNCIONA NA MINHA MÁQUINA”

         COMO STATUS
        DE HOMOLOGAÇÃO.

E em letras menores, provavelmente adicionadas por algum sysprog depois de um abend noturno:

Expected Result != Actual Result

      abre chamado.

☕ E se Toto aparecer perto da cortina da produção, talvez seja uma boa ideia verificar a STEPLIB antes de culpar a Bruxa Má do Oeste.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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