| Bellacosa Mainframe e o impacto da bolha da internet 25 anos apos os eventos |
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25 Anos Depois da Bolha da Internet
O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Aprender com o Maior Crash Tecnológico da Era Digital
"Nem toda inovação sobrevive. Mas toda inovação deixa código, cicatrizes e conhecimento."
Introdução — A História se Repete... Apenas Troca de Interface
Imagine um jovem programador COBOL entrando pela primeira vez no CPD em 1999.
Enquanto ele aprendia JCL, CICS e Db2, do outro lado do mundo acontecia algo considerado "o futuro absoluto".
Internet.
Sites.
Portais.
E-commerce.
Empresas que nunca haviam vendido absolutamente nada estavam sendo avaliadas em bilhões de dólares.
Bastava colocar ".com" no nome da empresa.
O dinheiro aparecia.
Investidores compravam ações sem perguntar uma única coisa:
"Como essa empresa ganha dinheiro?"
Foi provavelmente o maior delírio coletivo já visto na história da tecnologia moderna.
E, como quase toda bolha financeira...
Ela estourou.
Milhões perderam dinheiro.
Empresas desapareceram.
Profissionais ficaram desempregados.
Projetos gigantescos foram abandonados.
Mas...
Curiosamente...
Foi justamente daquele caos que nasceram praticamente todas as gigantes digitais que usamos hoje.
Google.
Amazon.
Netflix.
PayPal.
Salesforce.
Wikipedia.
LinkedIn.
A bolha destruiu milhares de empresas.
Mas fortaleceu as poucas que realmente tinham fundamentos.
Hoje, mais de vinte anos depois, vale perguntar:
Estamos vivendo algo parecido novamente?
Prepare seu café.
Vamos voltar para 1995.
Capítulo 1 — O Mundo Antes da Internet Comercial
Para quem nasceu depois dos anos 2000 é difícil imaginar.
Não existia:
Google
YouTube
WhatsApp
Streaming
Redes sociais
Smartphones
A internet era praticamente um ambiente acadêmico.
Empresas utilizavam:
Mainframes
AS/400
UNIX
Novell
Lotus Notes
Os sistemas corporativos eram fechados.
A Web ainda parecia um experimento.
Até surgir algo revolucionário.
O navegador gráfico.
Primeiro Mosaic.
Depois Netscape.
Pela primeira vez qualquer pessoa podia navegar clicando em imagens.
Parecia magia.
Capítulo 2 — A Febre das Dot-Com
Entre 1995 e 2000 aconteceu uma explosão.
Todo empreendedor dizia possuir uma startup.
Na época nem existia esse nome.
Chamavam simplesmente de empresas ".com".
Qualquer ideia parecia revolucionária.
Vendia-se:
comida
livros
flores
brinquedos
viagens
carros
Tudo online.
Investidores passaram a acreditar que a internet substituiria completamente o comércio tradicional em poucos anos.
Começou uma corrida maluca.
A lógica da época era assustadoramente simples
Não importava:
lucro
Nem:
faturamento
Nem:
clientes
Nem:
produtos
Importava apenas:
"Crescimento."
Era comum ouvir frases como:
"Primeiro conquistamos usuários.
Depois descobrimos como ganhar dinheiro."
Soa familiar?
Capítulo 3 — A Economia do "Queime Caixa"
Hoje chamamos isso de:
Burn Rate.
Na época:
Era praticamente um esporte.
Empresas queimavam milhões de dólares por mês.
Publicidade.
Marketing.
Escritórios luxuosos.
Contratações gigantescas.
Sem receita.
Sem lucro.
Sem modelo sustentável.
O dinheiro vinha dos investidores.
Enquanto houvesse investidores...
Tudo parecia funcionar.
Capítulo 4 — O Mercado Entrou em Histeria
O índice NASDAQ praticamente explodiu.
As ações subiam diariamente.
Jornais diziam:
"A Nova Economia chegou."
Especialistas afirmavam:
"O lucro não importa mais."
Foi um dos maiores erros intelectuais da história econômica.
Durante alguns anos...
Parecia verdade.
Capítulo 5 — O Estouro da Bolha (2000)
Então veio a pergunta que ninguém queria responder.
"Essas empresas realmente valem isso?"
A resposta apareceu rapidamente.
Não.
O capital desapareceu.
Os investidores correram.
As ações despencaram.
Empresas quebraram em semanas.
O NASDAQ perdeu aproximadamente 78% de seu valor entre março de 2000 e outubro de 2002, marcando um dos maiores colapsos da história dos mercados financeiros.
Bilhões evaporaram.
Capítulo 6 — O Efeito Dominó
Quando uma startup quebrava...
Ela deixava de pagar:
fornecedores
publicidade
hospedagem
infraestrutura
salários
Outra empresa também quebrava.
Depois outra.
Depois outra.
O caos espalhou-se rapidamente.
Era um problema sistêmico.
Capítulo 7 — Milhares de Programadores Ficaram Sem Emprego
Esse ponto costuma ser esquecido.
A bolha não afetou apenas investidores.
Ela afetou profissionais.
Desenvolvedores.
Analistas.
Administradores.
DBAs.
Engenheiros.
Muitos mudaram completamente de carreira.
Outros voltaram para empresas tradicionais.
Inclusive para...
Mainframes.
Enquanto muitas startups desapareciam...
Bancos continuavam funcionando.
Seguradoras continuavam processando milhões de transações.
Governos continuavam pagando aposentadorias.
Os grandes sistemas corporativos permaneceram de pé.
Capítulo 8 — Amazon Quase Morreu
Pouca gente sabe.
A Amazon perdeu cerca de 95% de seu valor de mercado durante o colapso.
Muitos analistas afirmavam:
"A empresa nunca dará lucro."
Jeff Bezos tomou uma decisão histórica.
Reduzir custos.
Melhorar eficiência.
Pensar no longo prazo.
Não abandonar a visão.
Essa disciplina permitiu que a empresa sobrevivesse quando milhares desapareceram.
Capítulo 9 — Google Nasceu no Meio da Crise
Outro fato curioso.
Google surgiu praticamente durante o caos.
Enquanto empresas quebravam...
Google construía tecnologia.
Não publicidade exagerada.
Não marketing.
Infraestrutura.
Algoritmos.
Qualidade.
Foi exatamente isso que fez diferença.
Capítulo 10 — A Grande Lição
Tecnologia não substitui fundamentos.
Ela apenas acelera.
Uma empresa ruim...
fica ruim mais rápido.
Uma empresa boa...
escala mais rapidamente.
Capítulo 11 — O Que Isso Tem a Ver com COBOL?
Muito mais do que parece.
Durante toda a bolha, muitos diziam:
"O mainframe morreu."
"O COBOL acabou."
"O futuro pertence apenas às startups."
Vinte anos depois...
Quem continua processando:
cartões
folha salarial
bolsas de valores
pagamentos
impostos
previdência
São justamente sistemas construídos com décadas de engenharia sólida.
O hype passou.
Os sistemas críticos permaneceram.
Capítulo 12 — As Lições para o Padawan COBOL
Imagine um sistema bancário.
Você pode criar uma interface moderna.
Pode colocar IA.
Pode usar Kubernetes.
Pode rodar APIs REST.
Mas...
Se a transação financeira falhar...
Nada disso importa.
A base continua sendo:
confiabilidade;
consistência;
disponibilidade;
recuperação;
auditoria.
São princípios que existiam antes da Web e continuam indispensáveis.
Capítulo 13 — Comparando com Outras Bolhas
A história econômica mostra um padrão recorrente. A tecnologia muda, mas o comportamento humano permanece semelhante.
A bolha ferroviária (século XIX)
As ferrovias revolucionaram o transporte, e investidores aplicaram recursos em qualquer empresa ligada aos trilhos. Muitas fracassaram, mas a infraestrutura construída transformou a economia mundial.
A bolha das empresas de energia e telecomunicações
No fim dos anos 1990, além das empresas de internet, houve excesso de investimentos em redes de fibra óptica e telecomunicações. Muitas companhias faliram, mas os cabos permaneceram e sustentaram a internet de alta velocidade dos anos seguintes.
A crise financeira de 2008
O problema não era uma nova tecnologia, mas a crença de que o mercado imobiliário subiria para sempre. Quando essa premissa caiu, todo o sistema financeiro sofreu.
As criptomoedas
Entre 2017 e 2022 surgiram milhares de projetos sem utilidade real. Muitos desapareceram, mas a tecnologia de blockchain continuou evoluindo para aplicações específicas.
O Metaverso
Após 2021, diversas empresas anunciaram que o metaverso substituiria a internet tradicional. O entusiasmo foi muito maior do que a adoção real. Ainda assim, tecnologias como realidade virtual, aumentada e computação espacial continuam evoluindo.
A Inteligência Artificial Generativa
Vivemos hoje um momento que lembra, em alguns aspectos, a era das dot-com. Há investimentos bilionários, criação acelerada de startups e expectativas elevadas. A diferença é que a IA já demonstra aplicações concretas em produtividade, programação, pesquisa, atendimento e automação. Ainda assim, permanece a mesma pergunta fundamental:
Qual problema real está sendo resolvido?
Capítulo 14 — Os Efeitos na Sociedade
A bolha deixou marcas profundas.
Mudou a forma como investidores analisam empresas.
Fortaleceu a cultura das startups.
Popularizou o capital de risco (venture capital).
Acelerou a transformação digital.
Criou milhões de empregos na economia digital nos anos seguintes.
Também ensinou que inovação precisa caminhar ao lado de governança, gestão financeira e planejamento.
Capítulo 15 — Os Efeitos no Trabalho
Depois do colapso, o mercado passou a valorizar muito mais profissionais capazes de construir sistemas robustos do que apenas criar demonstrações impressionantes.
Ganharam espaço competências como:
arquitetura de sistemas;
segurança da informação;
banco de dados;
integração entre plataformas;
engenharia de software;
testes automatizados;
observabilidade;
continuidade de negócios.
É exatamente esse perfil que encontramos em muitos profissionais de mainframe.
Capítulo 16 — Os Riscos dos Novos Hypes
Hoje ouvimos frases parecidas com as do ano 2000:
"A IA substituirá todos os programadores."
"Não será mais necessário aprender arquitetura."
"Modelos resolvem tudo."
"Quem não usar IA ficará para trás."
Essas afirmações podem conter parte da verdade, mas também escondem exageros.
Um modelo de IA depende de:
dados de qualidade;
infraestrutura;
governança;
segurança;
integração;
pessoas.
Assim como uma página HTML não fazia uma empresa lucrativa em 1999, um chatbot não transforma automaticamente um negócio em sucesso.
Capítulo 17 — O Mainframe e a Sabedoria dos Sistemas Duradouros
Uma das maiores lições da bolha da internet é que tecnologia de verdade não é aquela que aparece nas manchetes, mas a que continua funcionando décadas depois.
Mainframes atravessaram:
a popularização do PC;
a internet;
o comércio eletrônico;
os smartphones;
a computação em nuvem;
os microsserviços;
a IA generativa.
Não porque resistiram à mudança, mas porque evoluíram continuamente.
Hoje, plataformas IBM Z executam Linux, Kubernetes, APIs REST, OpenShift, criptografia avançada e aceleradores para IA, sem abrir mão da confiabilidade que sempre os caracterizou.
Easter Egg Bellacosa Mainframe 🍵
Na Frota Estelar existe uma regra não escrita:
Nunca escolha um capitão apenas porque a nave é bonita. Escolha porque ela consegue voltar para casa.
Foi exatamente isso que aconteceu com as dot-com.
Muitas tinham interfaces espetaculares.
Poucas tinham motores confiáveis.
As que sobreviveram aprenderam que design atrai, marketing encanta, inovação impressiona — mas são arquitetura, disciplina, execução e sustentabilidade que mantêm uma empresa viva por décadas.
Conclusão — A História Não se Repete, Mas Costuma Rimar
Vinte anos após o estouro da bolha da internet, percebemos que ela não foi o fim da revolução digital. Pelo contrário, foi seu processo de amadurecimento.
O entusiasmo excessivo financiou infraestrutura, talentos e ideias que pareciam exageradas para a época. Muitas fracassaram, mas deixaram sementes que floresceram em empresas capazes de transformar a economia global.
Para um Padawan COBOL, essa história traz uma mensagem poderosa. Não se deixe levar apenas pelo brilho das novidades nem rejeite toda inovação por apego ao passado. O profissional valioso é aquele que consegue distinguir modismo de transformação estrutural.
Hoje, enquanto Inteligência Artificial, agentes autônomos, computação quântica e novas arquiteturas ocupam as manchetes, a pergunta continua a mesma de 1999:
Existe um problema real sendo resolvido?
Se a resposta for "sim", estamos diante de uma tecnologia com potencial para mudar o mundo.
Se a resposta depender apenas de apresentações bonitas, promessas vagas e crescimento sem fundamentos, talvez estejamos apenas assistindo ao próximo capítulo de uma história que já vimos antes.
Como todo bom oficial da Frota Estelar sabe, a missão não é perseguir cada estrela que aparece no radar, mas construir naves capazes de atravessar gerações. O mesmo vale para empresas, carreiras e sistemas: as tecnologias mudam, os princípios permanecem. E é justamente essa combinação entre inovação e fundamentos que separa um fenômeno passageiro de um verdadeiro legado tecnológico.