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sábado, 1 de janeiro de 2000

🧙‍♂️ O EX-PROGRAMADOR E A DUNGEON DO DOWNSIZING — QUANDO TRÊS 386 ENFRENTARAM UM IBM 4341

Bellacosa Mainframe e o downsize dos anos 1990

 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🧙‍♂️ O EX-PROGRAMADOR E A DUNGEON DO DOWNSIZING — QUANDO TRÊS 386 ENFRENTARAM UM IBM 4341

IBM 4341, COBOL, CICS, VSAM, 3278, NetWare, Clipper, DOS, cliente-servidor, TCO, migração — e o dia em que um ex-programador entrou em outro mundo com um laptop e descobriu que trocar o mainframe por 98 PCs não fazia os problemas desaparecerem.

Sob a tutela de A Former Programmer Enters Another World and Uses a Laptop to Hack S-Rank Mage Skills



🎬 PRÓLOGO — O EX-PROGRAMADOR ACORDOU EM 1990

O ex-programador abriu os olhos.

Não havia Wi-Fi.

Não havia GitHub.

Não havia Stack Overflow.

Não havia Docker.

Não havia Kubernetes.

Não havia Cloud.

Não havia sequer uma tomada USB onde carregar seu misterioso laptop vindo de outro mundo.

Na parede havia um terminal.

Ele olhou para o teclado.

IBM 3278.

— Onde estou?

Um analista aproximou-se carregando uma listagem COBOL de aproximadamente quatro centímetros de espessura.

— No Banco Inter-Atlântico.

— Em que ano?

— 1990.

O programador olhou novamente para o terminal.

— E onde está o computador?

O analista apontou para outra sala.

— Lá.

Era um IBM 4341.

Nosso aventureiro sorriu.

Finalmente reconhecia alguma coisa naquele mundo.

Mas então apareceu o diretor da guilda.

— Temos uma missão S-Rank.

— Qual?

— Vamos aposentar o mainframe.

Silêncio.

O programador fechou lentamente seu laptop.

A dungeon acabara de começar.



🏰 CAPÍTULO 1 — QUANDO O COMPUTADOR ERA O CASTELO

Para um programador COBOL iniciante entender o downsizing, primeiro precisa compreender como funcionava grande parte da computação empresarial antes da popularização dos PCs.

Imagine um castelo.

Dentro dele estão os recursos mais importantes do reino:

  • CPU;

  • memória;

  • discos;

  • aplicações;

  • arquivos;

  • processamento transacional;

  • segurança;

  • operação.

Esse castelo é o mainframe.

Os usuários não carregavam pequenos castelos consigo.

Eles possuíam terminais.

Podemos simplificar a arquitetura assim:

             +-------------------+
             |     IBM 4341      |
             |                   |
             | COBOL CICS VSAM   |
             +---------+---------+
                       |
                 Controladores
                       |
          +------------+------------+
          |            |            |
       3278         3278         3278

O terminal IBM 3278 não era equivalente ao PC moderno.

Ele servia principalmente como interface entre o usuário e o sistema central.

O processamento importante acontecia no ambiente central.

Isso nos leva ao primeiro conceito.

Centralização

Na arquitetura centralizada, grande parte da capacidade computacional encontra-se concentrada.

O usuário diz:

“Quero consultar a conta 12345.”

O terminal transmite a solicitação.

CICS recebe a transação.

Um programa COBOL é acionado.

O programa acessa VSAM.

O resultado retorna.

Conceitualmente:

3278
 |
 v
CICS
 |
 v
COBOL
 |
 v
VSAM
 |
 v
COBOL
 |
 v
CICS
 |
 v
3278

Para quem está começando em COBOL, guarde esse desenho.

Ele explica uma quantidade enorme da arquitetura clássica de aplicações comerciais.



⚔️ CAPÍTULO 2 — COBOL, CICS E VSAM: OS TRÊS MAGOS DO CASTELO

O relato do Banco Inter-Atlântico menciona três tecnologias importantíssimas:

COBOL, CICS e VSAM.

Elas não são a mesma coisa.

COBOL

COBOL é a linguagem na qual podemos escrever a lógica de negócio.

Por exemplo:

IF SALDO-CONTA >= VALOR-SAQUE
    SUBTRACT VALOR-SAQUE
        FROM SALDO-CONTA
ELSE
    MOVE 'SALDO INSUFICIENTE'
        TO MENSAGEM
END-IF.

A regra é:

somente autorize o saque quando houver saldo suficiente.

COBOL representa a lógica.


CICS

CICS é um monitor de processamento transacional.

Imagine centenas ou milhares de usuários realizando:

consulta
depósito
saque
transferência
alteração cadastral
pagamento

simultaneamente.

Precisamos administrar essas transações.

É aí que entra o CICS.

Em uma analogia de RPG:

COBOL é o guerreiro.

VSAM é o inventário.

CICS é o mestre da dungeon coordenando quem pode fazer o quê e quando.


VSAM

VSAM fornece estruturas de armazenamento de dados muito utilizadas em sistemas mainframe.

Um programador iniciante provavelmente encontrará siglas como:

KSDS
ESDS
RRDS
LDS

Um KSDS, por exemplo, permite acessar registros através de chave.

Imagine:

000001 | MARIA | 1500.00
000002 | JOAO  | 3270.00
000003 | ANA   | 4341.00

Você fornece a chave:

000002

e procura o registro correspondente.

Portanto, quando o texto diz:

COBOL/CICS e VSAM

não está simplesmente despejando três siglas.

Está descrevendo boa parte de uma arquitetura transacional.



🧟 CAPÍTULO 3 — O MONSTRO NÃO ERA NECESSARIAMENTE O MAINFRAME

O Banco Inter-Atlântico enfrentava problemas.

Entre eles:

  • sistemas obsoletos;

  • analistas consumidos por manutenção;

  • usuários insatisfeitos;

  • upgrades caros.

É extremamente tentador concluir:

“O IBM 4341 era o problema.”

Nosso ex-programador levantaria a mão imediatamente.

— Prova?

Silêncio na War Room.

Essa pergunta é fundamental.

Porque:

HARDWARE ANTIGO
       ≠
SOFTWARE RUIM
       ≠
PROCESSO RUIM
       ≠
ARQUITETURA RUIM
       ≠
DÍVIDA TÉCNICA

Eles podem coexistir.

Mas não são sinônimos.

Imagine este código:

IF WS-TIPO = 'A'
    PERFORM 7000-ROTINA-ANTIGA
ELSE
    IF WS-TIPO = 'B'
        PERFORM 7100-ROTINA-NOVA
    ELSE
        PERFORM 7999-TRATAMENTO
    END-IF
END-IF.

Perguntamos:

Por que clientes A utilizam a rotina antiga?

Resposta:

— Ninguém sabe.

Quem escreveu?

— Almeida.

Onde está Almeida?

— Saiu da empresa em 1987.

Existe documentação?

— Talvez no armário do terceiro andar.

Trocar o IBM 4341 por PCs não explica a regra.

Apenas transporta o mistério para outra plataforma.

Easter egg #1

Se encontrar no fonte:

0317-ROTINA-ESPECIAL.

não mexa antes de descobrir por quê.

Às 03:17, produção sempre cobra juros.



🖥️ CAPÍTULO 4 — SURGE UMA NOVA MAGIA: DOWNSIZING

No final dos anos 1980 e começo dos anos 1990, microcomputadores tornavam-se cada vez mais poderosos.

O raciocínio parecia irresistível.

Se um computador enorme custa muito e vários computadores pequenos custam pouco, por que não substituir o grande pelos pequenos?

Nascia a febre do:

DOWNSIZING

Não significa simplesmente:

“comprar computadores menores.”

Significa transferir workloads que antes dependiam de plataformas maiores e centralizadas para plataformas menores, frequentemente distribuídas.

A transformação conceitual era:

ANTES

Terminal
   |
Mainframe
   |
Aplicação
   |
Dados

para algo parecido com:

DEPOIS

PC ----\
PC -----+---- Rede ---- Servidor
PC ----/                 |
                         Dados

Isso é uma mudança arquitetural profunda.

O PC não é mais apenas uma janela.

Ele possui:

  • CPU;

  • RAM;

  • armazenamento;

  • sistema operacional;

  • programas;

  • capacidade de processamento local.

A inteligência começa a se espalhar.


💰 CAPÍTULO 5 — "CEM VEZES MAIS BARATO!"

O vendedor entrou na dungeon.

— Tenho uma magia capaz de reduzir o custo de processamento em até cem vezes!

Nosso ex-programador cruzou os braços.

— Qual custo?

O vendedor hesitou.

E aí encontramos uma das maiores lições do caso.

Preço de hardware não é necessariamente o mesmo que:

TCO — TOTAL COST OF OWNERSHIP

Ou Custo Total de Propriedade.

Você pode comparar:

IBM 4341
versus
386 SX

e descobrir enorme vantagem de preço para o pequeno computador.

Mas a empresa não estava adquirindo simplesmente um 386.

O ambiente terminou com:

3 servidores 386 SX

98 micros entre XT e 386 SX

2 GB de armazenamento

rede

software

suporte

Agora existem dezenas de equipamentos para administrar.

Cada PC pode precisar de:

instalação
configuração
backup
suporte
manutenção
placa de rede
sistema operacional
aplicativos
atualizações

Surge então uma verdade clássica da computação distribuída:

O custo não desaparece necessariamente. Parte dele muda de lugar.


🧙 CAPÍTULO 6 — NASCE O MAGO DO SUPORTE DE DESKTOP

No mundo 3270, o usuário possuía uma interface relativamente controlada.

Com dezenas de PCs aparecem novas aventuras:

— Meu AUTOEXEC.BAT não funciona!

— Minha placa de rede sumiu!

— Não consigo mapear o drive!

— Meu CONFIG.SYS está diferente!

— O aplicativo funciona no computador do João!

— O disquete trouxe um vírus!

— Minha impressora não imprime!

— Alguém apagou o arquivo!

Bem-vindo à computação distribuída.

Você reduziu determinado tipo de centralização.

Em compensação, criou dezenas de novos pontos que precisam ser administrados.

Esse princípio permanece válido em 2026.

Troque:

PC

por:

container
microservice
VM
pod
endpoint
cloud account

e perceberá que o problema continua reconhecível.

Distribuir processamento também significa distribuir complexidade.


🌐 CAPÍTULO 7 — NETWARE: A ESTRADA ENTRE AS VILAS

O banco adotou Novell NetWare 386.

Para entender sua importância, imagine dezenas de PCs isolados:

PC     PC     PC     PC

Eles são ilhas.

Uma LAN cria estradas:

 PC \
 PC  \
 PC --- REDE --- SERVIDOR
 PC  /
 PC /

O servidor pode centralizar recursos como:

arquivos
diretórios
aplicações
impressoras
autenticação

NetWare tornou-se extremamente importante nesse período.

Era a infraestrutura que permitia transformar um conjunto de PCs em um ambiente corporativo conectado.


🔌 CAPÍTULO 8 — A REDE TAMBÉM PRECISA DE ARQUITETURA

Uma recomendação do relato parece banal:

“Planejar a rede antes de instalar.”

Não é banal.

Você precisa pensar em:

topologia
cabeamento
servidores
protocolos
capacidade
distância
crescimento
backup
segurança
impressão
falhas

Até a instalação elétrica entra na arquitetura.

Antes:

CPD
 |
infraestrutura especializada
 |
IBM

Agora:

Sala 1 → PCs
Sala 2 → PCs
Sala 3 → PCs
Gerência → PCs
Operações → PCs
Servidores → outra sala

Computação distribuída significa também distribuir:

energia, cabeamento e pontos de falha.

Não basta comprar 98 computadores e gritar:

“Transformação digital!”


💾 CAPÍTULO 9 — 2 GB ERA MUITA COISA

O jovem aventureiro de 2026 abriu seu laptop.

— Dois gigabytes? Meu celular usa isso para...

O mago interrompeu:

— Estamos em 1991.

Esse contexto é essencial.

Suponha registros comerciais com aproximadamente 200 bytes.

Um milhão deles representaria aproximadamente:

200 × 1.000.000
=
200.000.000 bytes

aproximadamente 200 MB em uma conta simplificada.

Dois gigabytes podiam armazenar enorme quantidade de dados estruturados daquela época.

Isso ensina algo importante:

Nunca avalie uma arquitetura histórica usando apenas os padrões de consumo atuais.

Um arquivo VSAM com milhões de registros comerciais pode representar enorme valor empresarial sem possuir terabytes.

Valor do dado não é proporcional ao tamanho do arquivo.


🧰 CAPÍTULO 10 — CLIPPER ENTRA NA GUILDA

Outro nome importante no relato é Clipper.

Clipper tornou-se muito conhecido no desenvolvimento de aplicações comerciais para microcomputadores.

Era comum trabalhar com estruturas como:

CLIENTES.DBF
CONTAS.DBF
MOVIMENTO.DBF

Para alguém vindo de ambientes mais centralizados, desenvolver diretamente no PC podia produzir uma enorme sensação de liberdade.

O ciclo podia parecer:

EDITAR
  ↓
COMPILAR
  ↓
EXECUTAR
  ↓
TESTAR
  ↓
CORRIGIR

Tudo perto do desenvolvedor.

Compare isso mentalmente com processos centralizados de desenvolvimento, compilação e implantação.

Não é difícil compreender por que os micros eram vistos como libertadores.


🪟 CAPÍTULO 11 — POR QUE DOS E NÃO UMA INTERFACE GRÁFICA?

Aqui existe uma decisão arquitetural muito interessante.

O banco tinha pressa.

Tempo era crítico.

Então escolheu DOS em vez de perseguir imediatamente um ambiente gráfico.

Para o arquiteto moderno, isso ensina:

Não escolha uma tecnologia simplesmente porque ela parece mais moderna. Escolha-a porque atende aos requisitos.

GUI poderia significar:

mais memória
hardware melhor
novo treinamento
novas ferramentas
maior complexidade

DOS já era conhecido e leve.

O objetivo era migrar.

Não ganhar um concurso de interface.


📦 CAPÍTULO 12 — O VERDADEIRO FEITIÇO TALVEZ TENHA SIDO O PACOTE

Existe uma frase no caso que merece enorme atenção:

“adotar pacotes prontos no lugar de desenvolvimento interno.”

Isso significa que duas variáveis foram modificadas simultaneamente.

Antes:

MAINFRAME
+
SOFTWARE DESENVOLVIDO INTERNAMENTE

Depois:

MICROS/SERVIDORES
+
PACOTES

Agora alguém anuncia:

“Nossa produtividade aumentou porque abandonamos o mainframe!”

Nosso aventureiro responde:

— Como você provou isso?

Talvez a produtividade tenha aumentado porque:

  • houve menos desenvolvimento interno;

  • processos foram padronizados;

  • interfaces melhoraram;

  • aplicações antigas foram eliminadas;

  • regras foram simplificadas;

  • hardware tornou-se mais barato;

  • usuários ganharam autonomia.

Provavelmente houve contribuição de várias dessas coisas.

Arquitetura séria exige cuidado com causalidade.


👨‍💻 CAPÍTULO 13 — O CHEFÃO FINAL ERA HUMANO

O relato diz algo extraordinariamente moderno:

O maior impasse eram as pessoas.

Eis o verdadeiro S-Rank.

Não IBM.

Não COBOL.

Não CICS.

Não NetWare.

Pessoas.

Imagine um analista que passou dez anos aprendendo:

COBOL
CICS
VSAM
3270
produção
regras bancárias

Agora o diretor anuncia:

“Vamos substituir tudo.”

O analista pode ouvir algo completamente diferente:

“Tudo aquilo que você aprendeu não vale mais.”

Isso cria:

medo
resistência
insegurança
territorialismo
desmotivação

Por isso o relato enfatizava:

  • apoio da alta administração;

  • treinamento;

  • motivação;

  • comunicação da nova cultura;

  • cronogramas realistas.

Cloud, DevOps e IA continuam tropeçando exatamente nessa dungeon.


🗺️ CAPÍTULO 14 — COMO MIGRAR SEM EXPLODIR O REINO

O IBM 4341 não foi simplesmente desligado.

A migração durou 14 meses, segundo o relato.

Essa é uma pista importantíssima.

Provavelmente existiu alguma forma de coexistência entre ambientes.

Didaticamente podemos imaginar:

FASE 1

IBM 4341
COBOL/CICS/VSAM
████████████████████

NOVO
██

Depois:

FASE 2

IBM
████████████

NOVO
████████

Depois:

FASE 3

IBM
████

NOVO
████████████████

Finalmente, em julho de 1991:

IBM
OFF

NOVO AMBIENTE
████████████████████

Essa estratégia reduz o risco do temido:

BIG BANG

O Big Bang seria:

SEXTA 18:00

IBM OFF

e:

SEGUNDA 08:00

NOVO SISTEMA ON

seguido, eventualmente, por:

SEGUNDA 08:07

WAR ROOM

E, por alguma razão inexplicável:

03:17

continua sendo o horário em que tudo resolve quebrar.

Easter egg localizado. ☕


🧪 CAPÍTULO 15 — COMO EU AUDITARIA ESSA MIGRAÇÃO

Nosso ex-programador abre seu laptop.

Não vai começar copiando arquivos.

Primeiro criará um inventário.

Passo 1 — Aplicações

Sistema
Programa
Função
Usuários
Criticidade
Dependências

Passo 2 — COBOL

Catalogar:

programas
subprogramas
copybooks
interfaces
regras especiais

Passo 3 — CICS

Identificar:

transactions
programas associados
arquivos
dependências
fluxos

Passo 4 — VSAM

Catalogar:

KSDS
ESDS
RRDS
chaves
layouts
volumetria
retenção

Passo 5 — Batch

Não esqueça do batch!

Um erro clássico seria migrar apenas aquilo que o usuário vê.

O usuário vê:

TELA

mas atrás dela podem existir:

JCL
SORT
COBOL batch
arquivos
fechamentos
relatórios
conciliações

A interface é apenas a porta da dungeon.


💰 CAPÍTULO 16 — MIGRAR DINHEIRO EXIGE RECONCILIAÇÃO

Agora chegamos ao ponto mais importante para um banco.

Imagine o mainframe dizendo:

TOTAL CONTAS:
R$ 10.000.000

Depois da migração:

NOVO SISTEMA:
R$ 9.997.413

Alguém pergunta:

— Migração concluída?

Não.

Você precisa provar que os dados mantiveram:

quantidade
valor
identidade
relacionamentos
significado

Isso é reconciliação.

Podemos criar controles como:

ANTES
1.000.000 registros

DEPOIS
1.000.000 registros

Mas quantidade sozinha não basta.

Precisamos verificar também:

soma de saldos
soma de movimentos
quantidade por categoria
hashes
amostragens
totais de controle
exceções

Em sistemas financeiros:

Mover o dado não basta. É necessário demonstrar que seu significado sobreviveu à viagem.


🏦 CAPÍTULO 17 — MAS ERA UM BANCO!

Isso torna tudo mais sério.

Aplicações bancárias precisam considerar:

integridade
consistência
segurança
concorrência
auditoria
disponibilidade
recuperação
backup
transações

Suponha:

Conta A = 1000
Conta B = 500

Transferência:

A → B = 200

Precisamos terminar com:

A = 800
B = 700

Não podemos aceitar:

A = 800
B = 500

porque o sistema caiu no meio.

Nem:

A = 1000
B = 700

Senão acabamos de criar dinheiro.

É por isso que processamento transacional não pode ser reduzido à pergunta:

“Qual computador é mais rápido?”

Existem propriedades muito mais importantes.


⚖️ CAPÍTULO 18 — MAINFRAME CONTRA PC É A PERGUNTA ERRADA

Um iniciante frequentemente procura respostas absolutas:

Mainframe é melhor?

Cloud é melhor?

Microservices são melhores?

PC é melhor?

A arquitetura responde:

Depende do workload.

Considere:

volume
transações
latência
segurança
disponibilidade
custo
crescimento
equipe
software
integração
regulação

Então:

WORKLOAD
   +
REQUISITOS
   +
RISCOS
   +
CUSTOS
   +
PESSOAS
   =
ARQUITETURA ADEQUADA

O Banco Inter-Atlântico possuía apenas 25 terminais 3278 no ambiente descrito.

Talvez uma infraestrutura menor realmente oferecesse excelente relação custo-benefício.

Isso não demonstra universalmente:

PC > MAINFRAME

Da mesma maneira que uma grande instalação financeira não demonstra:

MAINFRAME > TUDO

Arquitetura não é torcida de futebol.


🔄 CAPÍTULO 19 — E ENTÃO O PÊNDULO VOLTOU

Agora vem a ironia histórica.

Durante décadas fizemos:

MAINFRAME
   |
TERMINAL

Depois:

PC
 |
SERVIDOR

Depois:

BROWSER
 |
WEB SERVER
 |
DATABASE

Depois:

SMARTPHONE
 |
INTERNET
 |
CLOUD

E hoje temos:

NOTEBOOK
   |
HTTPS
   |
API
   |
LOAD BALANCER
   |
CONTAINER
   |
DATABASE

Nosso ex-programador olha para isso.

Depois olha para:

3278
 |
CICS
 |
COBOL
 |
VSAM

E sorri.

Não são arquiteturas tecnicamente equivalentes.

Mas existe uma ironia conceitual deliciosa.

O usuário continua muitas vezes diante de uma interface local que depende de recursos computacionais remotos.


☁️ CAPÍTULO 20 — CLOUD NÃO É UM MAINFRAME GIGANTE, MAS...

Precisamos evitar uma simplificação enganosa.

Cloud não é mainframe.

As arquiteturas, modelos operacionais, virtualização, redes, elasticidade, software e economia são diferentes.

Mas existe uma semelhança econômica interessante:

recursos caros são concentrados e compartilhados.

No passado:

Muitos usuários
      ↓
   MAINFRAME

Hoje:

Milhões de clientes
       ↓
DATACENTERS / CLOUD REGIONS

Portanto, depois de décadas celebrando a descentralização, construímos alguns dos maiores centros de processamento da história humana.

O pêndulo não voltou ao mesmo lugar.

Mas voltou a passar perto.


👻 CAPÍTULO 21 — O MAINFRAME NÃO MORREU

Durante os anos do downsizing, era fácil imaginar:

“Mais alguns anos e ninguém precisará dessas máquinas.”

Isso não aconteceu.

O que realmente perdeu força foi outra ideia:

todo processamento empresarial precisa morar no mainframe.

Essa ideia realmente foi derrotada.

Passamos a construir ambientes híbridos:

MAINFRAME
     |
     +---- API
     |
     +---- MQ
     |
     +---- Kafka
     |
     +---- Cloud
     |
     +---- Mobile
     |
     +---- Analytics
     |
     +---- IA

O mainframe deixa de precisar representar:

“toda a computação da empresa”

e pode representar:

“um motor especializado dentro de um ecossistema maior.”

Essa diferença é fundamental.


🧠 CAPÍTULO 22 — DOWNSIZING, CLOUD E IA ENSINAM A MESMA LIÇÃO

1991:

“Vamos abandonar o mainframe porque micros são mais baratos.”

2015:

“Vamos colocar tudo na cloud porque será mais barato.”

2026:

“Vamos colocar IA em tudo porque aumentará a produtividade.”

Nosso aventureiro pergunta nas três ocasiões:

— Você mediu?

Essa talvez seja a maior skill S-Rank de arquitetura.

Não acreditar cegamente.

Medir.

Para downsizing:

TCO
disponibilidade
produtividade
suporte
incidentes
tempo de resposta

Para cloud:

compute
storage
network
egress
observabilidade
operações
licenciamento

Para IA:

qualidade
tempo economizado
erros
revisão humana
tokens
risco
governança

Tecnologia nova não elimina engenharia.


🧙 CAPÍTULO 23 — AS DEZ REGRAS DO EX-PROGRAMADOR

Antes de abandonar a dungeon, nosso aventureiro deixou dez regras escritas na parede:

  1. Nunca confunda hardware antigo com arquitetura ruim.

  2. Nunca confunda hardware barato com operação barata.

  3. Descubra o workload antes de escolher a plataforma.

  4. Inventarie antes de migrar.

  5. Entenda as regras de negócio escondidas no COBOL.

  6. Não esqueça batch, interfaces e arquivos.

  7. Reconcilie os dados depois da migração.

  8. Planeje coexistência e rollback.

  9. Treine as pessoas antes de culpá-las pela resistência.

  10. Meça o resultado antes de declarar vitória.

Depois acrescentou uma décima primeira:

Se alguém disser que uma nova tecnologia vai resolver todos os problemas, verifique primeiro se ele está vendendo essa tecnologia.


🥚 EASTER EGG — O PROGRAMA COBOL ESQUECIDO

Trinta e cinco anos depois, um jovem desenvolvedor encontra um programa antigo:

       IDENTIFICATION DIVISION.
       PROGRAM-ID. BIA0317.

      *--------------------------------------------*
      * BANCO INTER-ATLANTICO
      * NAO REMOVER SEM CONSULTAR OPERACOES
      * MIGRACAO - 1991
      *--------------------------------------------*

       PROCEDURE DIVISION.

           DISPLAY 'HELLO, OTHER WORLD'.

           STOP RUN.

Ele abre um chamado:

“Alguém sabe por que isso ainda existe?”

Um veterano responde:

“Não mexa.”

— Por quê?

— Ninguém sabe.

O ciclo está completo.


☕ EPÍLOGO — ACREDITE SE QUISER!

Em julho de 1991, segundo o relato histórico, o IBM 4341 foi finalmente desativado depois de aproximadamente 14 meses de migração.

No lugar daquele ambiente centralizado havia redes NetWare, três servidores 386 SX e quase uma centena de micros.

Os usuários estavam mais satisfeitos.

O custo teria diminuído.

A expansão continuava.

E o autor da época encerrou praticamente piscando para o leitor:

“Acredite se quiser!”

Décadas depois, aquela frase ficou ainda melhor.

Porque o mais extraordinário não é que pequenos computadores tenham conseguido substituir aquele IBM em determinado banco.

O extraordinário é perceber que a história não terminou ali.

Depois do downsizing vieram:

cliente-servidor
Internet
Web
Java
Linux
virtualização
SOA
Cloud
containers
microservices
APIs
event streaming
IA

E o velho COBOL?

Continua por aí.

CICS?

Também.

VSAM?

Também.

Mainframe?

Também.

Não porque a computação tenha parado no tempo.

Justamente pelo contrário.

A indústria descobriu que modernização nem sempre significa destruir aquilo que existia anteriormente.

Às vezes significa conectá-lo ao próximo mundo.

Nosso ex-programador finalmente abriu o portal de retorno.

Antes de atravessá-lo, olhou uma última vez para o IBM 4341 de um lado e os servidores 386 do outro.

O jovem aprendiz perguntou:

— Mestre, afinal, quem venceu? O mainframe ou o micro?

Ele respondeu:

— Você ainda está fazendo a pergunta errada.

— Então qual é a pergunta certa?

O portal começou a fechar.

O ex-programador sorriu.

“Qual arquitetura resolve melhor o problema que realmente temos?”

E desapareceu.

Na tela 3278 permaneceu apenas:

READY

Em algum lugar da empresa, entretanto, uma rotina esquecida aguardava pacientemente.

Seu nome?

0317-ROTINA-ESPECIAL

Porque certas coisas sobrevivem ao downsizing, à cloud, à inteligência artificial e, aparentemente, até mesmo ao isekai.

Bem-vindo ao mainframe, Padawan.

1


sexta-feira, 31 de dezembro de 1999

Caminhando pelo Brasil

Bellacosa Mainframe e as viagens pelo Brasil Parte II

Caminhando pelo Brasil 


Uma década de fotografias Parte II



Continuando a serie de fotos das viagens pelo Brasil, segue o segundo video com mais paisagens deslumbrantes, porem devido ao tempo q ficou armazenado o acetato perdeu muita qualidade.




segunda-feira, 23 de agosto de 1999

🚀 Blogger — A Spindrift que Pousou na Terra de Gigantes

 

Bellacosa Mainframe e a historia do Blogger

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚀 Blogger — A Spindrift que Pousou na Terra de Gigantes

A história do Blogger e do Blogspot sob o comando do Capitão Steve Burton, de Terra de Gigantes

Imagine a cena.

Estamos em 23 de agosto de 1999.

A Internet ainda é um território estranho.

Google mal começara sua jornada. Facebook não existia. YouTube não existia. Twitter não existia. Instagram, TikTok e praticamente tudo aquilo que hoje associamos à publicação de conteúdo simplesmente não existia.

Criar uma página na Internet normalmente significava conhecer HTML, preparar arquivos, conseguir hospedagem e enviar tudo para algum servidor.

Publicar uma ideia não era simplesmente tocar em PUBLICAR.

Era uma pequena operação de informática.

Então surge uma nave.

Pequena.

Experimental.

Talvez até um pouco improvisada.

Na lateral poderíamos escrever:

PYRA LABS — BLOGGER

E no cockpit imaginário está o Capitão Steve Burton.

— Dan, confirme os instrumentos.

— HTML?

— Funcionando.

— FTP?

— Funcionando.

— Servidor?

— Mais ou menos.

— Dinheiro?

Silêncio.

Fitzhugh olha para os outros.

— Bem... talvez seja melhor não falarmos sobre isso.

E assim começa nossa viagem.

Porque a história do Blogger lembra assustadoramente Terra de Gigantes.



🚀 A Spindrift original

Land of the Giants, conhecida no Brasil como Terra de Gigantes, foi uma série de ficção científica criada e produzida por Irwin Allen.

Foi exibida originalmente pela ABC entre 22 de setembro de 1968 e 22 de março de 1970, totalizando duas temporadas e 51 episódios.

Gary Conway interpretava o Capitão Steve Burton, comandante da nave Spindrift.

Na história, a Spindrift fazia uma viagem entre Los Angeles e Londres quando atravessava uma misteriosa perturbação espacial.

Quando finalmente conseguia pousar, seus passageiros descobriam algo assustador.

Estavam em uma espécie de Terra paralela.

Só havia um pequeno problema.

Tudo era gigantesco.

Casas.

Carros.

Animais.

Pessoas.

Uma simples cadeira podia se transformar numa montanha.

Um gato doméstico podia representar praticamente o mesmo perigo que um tigre representa para nós.

A missão inicial de Burton era simples:

sobreviver.

Depois descobrir onde estavam.

E, finalmente, tentar encontrar um caminho de volta para casa.

Agora troque:

Spindrift → Blogger

e

Terra de Gigantes → Internet

Nossa história começa.



🧪 1999 — Pyra Labs prepara a nave

O Blogger não nasceu originalmente dentro do Google.

Isso é importante.

Sua origem está numa pequena empresa chamada Pyra Labs, fundada por Evan Williams e Meg Hourihan.

A Pyra estava trabalhando originalmente em ferramentas de produtividade e gerenciamento de projetos.

Só que uma ferramenta interna utilizada pela própria equipe começou a revelar uma possibilidade muito mais interessante.

Publicar pequenas atualizações na Web poderia ser muito mais simples.

A ideia evoluiu.

E em 23 de agosto de 1999, a Pyra Labs colocou o Blogger à disposição do público.

O próprio Google posteriormente registraria essa data como o aniversário oficial da plataforma.

O impacto da ideia parece banal hoje porque estamos olhando para 1999 com os olhos de 2026.

Precisamos voltar mentalmente àquela Internet.

Publicar conteúdo frequentemente envolvia algo parecido com:

Escrever texto
      ↓
Criar HTML
      ↓
Editar página
      ↓
Salvar arquivo
      ↓
Abrir cliente FTP
      ↓
Conectar ao servidor
      ↓
Enviar arquivos
      ↓
Testar página
      ↓
Descobrir que alguma coisa quebrou
      ↓
Editar novamente

O Blogger começou a retirar essas etapas do caminho.

Você escrevia.

Clicava.

Publicava.

Parece ridiculamente simples.

Era justamente essa simplicidade que mudaria tudo.



📝 O grande truque não era o blog

Blogs já existiam.

Weblogs já existiam.

Pessoas já mantinham diários e páginas pessoais.

A revolução estava em outra coisa:

reduzir drasticamente a barreira técnica da publicação.

Antes, publicar na Web era principalmente território de pessoas que conheciam alguma tecnologia.

Com ferramentas como Blogger, começava a surgir outra possibilidade:

Você não precisava ser webmaster para possuir um pedaço da Web.

Professor poderia publicar.

Estudante poderia publicar.

Jornalista poderia publicar.

Programador poderia publicar.

Dona de casa poderia publicar receitas.

Viajante poderia registrar suas aventuras.

Fã de anime poderia escrever análises.

Um sujeito poderia escrever sobre COBOL, mainframes, viagens, fotografias, estradas, família e praticamente qualquer coisa que passasse pela cabeça.

Soa familiar?

😏



🌎 Blogger e Blogspot não são exatamente a mesma coisa

Aqui encontramos uma confusão histórica que permanece até hoje.

Blogger é a plataforma de publicação.

Blogspot tornou-se principalmente a infraestrutura/domínio utilizado para hospedar os blogs.

Por isso encontramos endereços como:

meublog.blogspot.com

Você administra o conteúdo através do Blogger.

O público normalmente encontra o site hospedado no ecossistema Blogspot.

Na prática, os nomes ficaram tão associados que durante décadas usuários disseram simplesmente:

"Tenho um Blogspot."

É quase como dizer:

"Pegue um Xerox."

A marca acabou se confundindo com a experiência.



💸 Capitão, temos um problema

A Spindrift da Pyra Labs começou a voar.

Mas havia um detalhe desagradavelmente terrestre:

dinheiro.

Manter servidores custa dinheiro.

Programadores custam dinheiro.

Conexões custam dinheiro.

Empresas precisam pagar salários.

E startups da Internet no final da década de 1990 estavam entrando numa época extremamente turbulenta.

A bolha pontocom explodiria.

A Pyra passou por sérias dificuldades financeiras.

A pequena tripulação começou a diminuir.

Evan Williams chegou a continuar tocando boa parte da operação praticamente sozinho durante um período.

Imagine Burton olhando para os instrumentos:

SERVIDORES............. OK
USUÁRIOS............... CRESCENDO
POPULARIDADE........... CRESCENDO
DINHEIRO............... ABEND S0C7

Fitzhugh imediatamente sugere:

— Podemos abandonar os usuários.

Burton responde:

— Não.

— Podemos cobrar por tudo.

— Não.

— Podemos vender a nave?

Burton olha pela janela.

Talvez alguém estivesse interessado.


🏠 Entra o Blogspot

Nesse período aparece outro elemento importante da história:

Blogspot.

A hospedagem permitia que usuários tivessem seus blogs publicados sem precisar necessariamente administrar toda a infraestrutura.

Era uma combinação poderosa:

BLOGGER
 ferramenta de publicação
        +
BLOGSPOT
 hospedagem
        =
PUBLICAÇÃO SIMPLIFICADA

A Internet começava a receber milhões de páginas produzidas por pessoas comuns.

A Spindrift havia pousado.

Só que agora começávamos a perceber o tamanho dos gigantes ao redor.


🔍 2003 — aparece um gigante chamado Google

Em fevereiro de 2003, aconteceu uma mudança decisiva.

O Google adquiriu a Pyra Labs.

O valor não foi divulgado publicamente.

Na época, o Google já estava crescendo rapidamente, mas ainda não era o gigantesco conglomerado que conhecemos hoje.

Para o Blogger, porém, a aquisição significava acesso a algo que a pequena Pyra nunca conseguiria oferecer na mesma escala:

infraestrutura.

Servidores.

Engenheiros.

Capital.

Integração.

Distribuição global.

A pequena Spindrift agora estava estacionada no quintal de um gigante.


👨‍✈️ Burton entra na sala do Google

Imagine nosso Capitão Steve Burton olhando para cima.

Muito para cima.

Uma voz gigantesca pergunta:

— O que é isso?

Burton responde:

— Blogger.

— Para que serve?

— Pessoas escrevem coisas.

— Quantas pessoas?

— Muitas.

— E como vocês ganham dinheiro?

Fitzhugh imediatamente começa:

— Bem, eu tenho algumas ideias...

Burton empurra Fitzhugh para trás.

— Ignore-o.

😂


🎁 Google começa a retirar as barreiras

A aquisição teve uma consequência particularmente importante.

Recursos que anteriormente estavam associados a ofertas premium passaram a ser disponibilizados gratuitamente.

Isso ajudou a acelerar a adoção.

A lógica começava a ficar poderosa:

Conta
 ↓
Blog
 ↓
Template
 ↓
Texto
 ↓
PUBLICAR
 ↓
Internet

Nenhum servidor próprio.

Nenhum Apache para configurar.

Nenhum FTP obrigatório para o usuário comum.

Nenhuma madrugada tentando descobrir por que o HTML fechou uma <table> no lugar errado.

Para milhões de pessoas, aquilo era praticamente magia.


📷 2004 — fotografias chegam à nave

Em 2004 o Google comprou a Picasa.

A tecnologia de compartilhamento de imagens Hello acabou integrada ao Blogger.

Isso era importantíssimo.

A Web estava deixando de ser predominantemente textual.

Agora o blogueiro poderia combinar:

texto + fotografias + comentários + arquivos + identidade visual.

Também em 2004 aconteceu uma grande reformulação do Blogger.

Chegaram melhorias em templates, páginas individuais para posts, comentários e publicação por e-mail.

A nave estava recebendo upgrades.

SPINDRIFT BLOGGER MK-II

[✓] Texto
[✓] Imagens
[✓] Comentários
[✓] Arquivos
[✓] Templates
[✓] Postagem por e-mail

Burton observa satisfeito.

— Agora temos alguma coisa.


👥 A blogosfera explode

Então aconteceu algo culturalmente enorme.

Pessoas começaram a descobrir umas às outras.

Um blog apontava para outro.

Comentários geravam conversas.

Blogrolls criavam pequenas comunidades.

Autores desconhecidos conquistavam leitores.

Jornalistas começaram a observar blogueiros.

Políticos começaram a observar blogueiros.

Empresas começaram a observar blogueiros.

E os mecanismos de busca começaram a indexar aquela gigantesca quantidade de conteúdo.

Nascia aquilo que ficou conhecido como:

blogosfera.

O Google revelou posteriormente um número impressionante.

Quando adquiriu o Blogger em fevereiro de 2003, aproximadamente 250 mil pessoas visitavam o Blogger por mês.

Em 2009, quando a plataforma comemorou dez anos, o número informado pelo Google havia ultrapassado:

300 MILHÕES.

A Spindrift havia encontrado gigantes.

Só que ela própria havia se tornado gigantesca.


📰 O blogueiro vira editor

Existe um aspecto dessa revolução que frequentemente esquecemos.

Durante grande parte do século XX, publicar para uma audiência significativa exigia acesso a algum intermediário.

Editora.

Jornal.

Revista.

Rádio.

Televisão.

Gráfica.

O blog destruiu parte dessa barreira.

Agora alguém poderia simplesmente escrever:

MINHA OPINIÃO

e apertar:

PUBLICAR

Tecnicamente, aquilo poderia estar disponível para bilhões de pessoas.

Isso é extraordinário.

O Blogger foi uma das ferramentas responsáveis por popularizar essa democratização.


🛸 2006 — mudança para servidores Google

A integração continuou.

Em 2006 surgiu uma nova versão do Blogger, conhecida durante seu desenvolvimento como Invader.

Usuários começaram a ser migrados para a infraestrutura do Google.

Posteriormente a migração seria completada.

Era uma mudança fundamental nos bastidores.

O usuário provavelmente via:

meublog.blogspot.com

Mas por trás daquela URL existia agora uma infraestrutura global.

É uma característica que programadores mainframe conhecem muito bem.

O usuário vê uma tela simples.

Por trás dela:

uma catedral tecnológica.


📡 2009 — dez anos no ar

Quando o Blogger completou dez anos, em 2009, a Internet já era completamente diferente daquela de 1999.

Google era gigante.

YouTube existia.

Facebook crescia violentamente.

Twitter começava a mudar a comunicação em tempo real.

E havia outro competidor importante.

WordPress.

A Spindrift agora estava cercada.

Burton observa pelo vidro:

— Dan, relatório.

— WordPress crescendo.

— Facebook crescendo.

— Twitter crescendo.

— YouTube crescendo.

Fitzhugh pergunta:

— Podemos ir embora?

Burton responde:

— Não.


⚔️ Blogger versus WordPress

Essa comparação marcaria boa parte das décadas seguintes.

WordPress acabou conquistando enorme espaço, principalmente porque oferecia algo extremamente atraente:

controle e extensibilidade.

Plugins.

Temas.

Hospedagem própria.

Ecossistema gigantesco.

Personalização profunda.

Blogger oferecia outra filosofia:

simplicidade.

Você não precisava atualizar PHP.

Não precisava cuidar de banco de dados.

Não precisava corrigir plugin quebrado.

Não precisava atualizar servidor.

Não precisava administrar WordPress.

Google fazia boa parte da infraestrutura.

É quase uma comparação entre:

WORDPRESS
"Esta máquina é sua.
Faça o que quiser."

BLOGGER
"Entre, escreva e publique."

As duas filosofias têm vantagens.


🦖 Então chegaram os gigantes de verdade

O problema seguinte não seria WordPress.

Seriam as redes sociais.

Facebook.

Twitter.

Instagram.

YouTube.

TikTok.

LinkedIn.

A Internet começou lentamente a abandonar a ideia:

"Tenho meu espaço."

para adotar:

"Tenho meu perfil dentro da plataforma de alguém."

Essa diferença parece pequena.

Não é.

É gigantesca.


🏠 Blog é terreno; rede social é apartamento alugado

No blog você organiza seu arquivo.

Você cria páginas.

Você cria links.

Você escreve textos enormes.

Mecanismos de busca encontram conteúdo publicado anos atrás.

Em redes sociais existe outra lógica.

Feed.

Publicou hoje.

Explodiu.

Amanhã desceu.

Semana seguinte praticamente desapareceu.

O blog funciona mais como:

biblioteca.

A rede social funciona mais como:

praça pública.

Uma não necessariamente substitui a outra.


🦕 "Blogger morreu!"

E então começou uma tradição curiosa.

Periodicamente alguém declarava:

BLOGS MORRERAM.

Depois:

BLOGGER MORREU.

Depois:

TEXTOS LONGOS MORRERAM.

Depois:

NINGUÉM MAIS LÊ BLOGS.

Curiosamente...

Blogger continuava funcionando.

Décadas depois.

Essa situação deveria ser extremamente familiar para qualquer pessoa do universo mainframe.

1995 — COBOL vai morrer.

2000 — Mainframe vai morrer.

2005 — Mainframe vai morrer.

2010 — Mainframe vai morrer.

2015 — Mainframe vai morrer.

2020 — Mainframe vai morrer.

2026 — Mainframe vai morrer.

Enquanto isso:

JOB STATUS: EXECUTING

Blogger ganhou exatamente a mesma aura.


☕ Blogger é o COBOL da Internet

Aqui está talvez a melhor definição Bellacosa Mainframe desta história:

Blogger virou o COBOL da publicação na Web.

Não é a tecnologia sobre a qual os influenciadores fazem vídeos empolgados toda semana.

Não aparece constantemente em apresentações de startups.

Não é novidade.

Não é sexy.

Mas você digita:

.blogspot.com

e encontra milhões de pedaços da história da Internet.

Receitas.

Tutoriais.

Fotografias.

Diários.

Fanfiction.

Política.

Computação.

Eletrônica.

Anime.

Viagens.

Programação.

Memórias familiares.

Algumas páginas estão online há vinte anos.


🏺 O verdadeiro valor começou a mudar

Em 2005, o valor de um blog era:

publicar.

Em 2026, existe outro valor que começa a se tornar igualmente importante:

preservar.

Imagine alguém escrevendo regularmente durante quinze ou vinte anos.

Não temos simplesmente um site.

Temos uma série temporal da vida de uma pessoa.

Mudam:

empregos,

computadores,

fotografias,

família,

tecnologias,

viagens,

opiniões,

conhecimentos,

linguagem.

Um blog antigo acaba se transformando involuntariamente em um pequeno arquivo histórico.


🤖 E então chegou outro gigante: IA

Burton olha pela janela da Spindrift.

Algo gigantesco aparece.

Muito maior que Facebook.

Muito maior que Twitter.

Fitzhugh pergunta:

— O que diabos é aquilo?

Mark Wilson observa os instrumentos.

— Inteligência Artificial.

Silêncio.

Burton pergunta:

— Ela come blogs?

Wilson responde:

— Curiosamente... ela lê.

E aqui temos uma nova transformação fascinante.

Durante décadas escrevíamos principalmente pensando em:

leitores humanos + mecanismos de busca.

Agora conteúdo público também pode fazer parte do ecossistema informacional utilizado por:

buscadores semânticos, sistemas de recuperação de informação, agentes e ferramentas de IA, dependendo de acesso, políticas, indexação e permissões.

Conteúdo estruturado, textual e público voltou a ganhar uma importância inesperada.


👨‍✈️ Capitão Burton olha o horizonte

Nossa viagem começou em 1999.

A pequena Pyra Labs criou uma ferramenta que simplificava publicar na Web.

Sobreviveu a problemas financeiros.

Blogspot ajudou a oferecer hospedagem.

Google comprou a Pyra em 2003.

Blogger ganhou infraestrutura.

Fotografias chegaram.

Comentários chegaram.

Templates evoluíram.

Milhões de pessoas começaram a publicar.

A blogosfera explodiu.

WordPress cresceu.

Facebook apareceu.

Twitter apareceu.

Instagram apareceu.

YouTube apareceu.

TikTok apareceu.

A Web mudou.

E mudou novamente.

E novamente.

Mas existe algo curioso.

Digite hoje:

https://algumacoisa.blogspot.com

Muitas vezes a página ainda responde.


🥚 EASTER EGG — INCIDENTE 03:17

São 03:17 da madrugada.

A Spindrift permanece escondida dentro de uma enorme parede.

Todos dormem.

Exceto Burton.

Uma luz verde pisca no painel.

BLOGGER MONITOR

HTTP...................... 200
DNS....................... OK
HTML...................... OK
ARCHIVE................... OK
POSTS..................... THOUSANDS
AGE....................... ANCIENT

Burton toma um café.

Fitzhugh aparece sonolento.

— Capitão... por que ainda estamos mantendo essa coisa funcionando?

Burton olha para ele.

Depois para o monitor.

E responde:

— Porque ainda funciona.

Em algum lugar distante, um programador COBOL sorri sem saber exatamente por quê.


☕ EPÍLOGO — A Spindrift não voltou para casa

Em Terra de Gigantes, Steve Burton passava seus dias tentando proteger sua pequena tripulação num mundo enorme.

Talvez essa seja uma boa metáfora para os blogs independentes.

Eles também se tornaram pequenos.

Ao redor deles cresceram gigantes:

GOOGLE
FACEBOOK
YOUTUBE
INSTAGRAM
TIKTOK
LINKEDIN
IA
ALGORITMOS

Mas pequenos não significa irrelevantes.

Às vezes significa simplesmente:

independentes.

Um post publicado quinze anos atrás ainda pode aparecer numa pesquisa hoje.

Uma fotografia esquecida pode recuperar uma memória.

Um tutorial antigo pode resolver um problema.

Uma história familiar pode ser encontrada por um descendente décadas depois.

Um artigo técnico pode ensinar alguém que ainda nem havia nascido quando foi escrito.

Talvez esse seja o verdadeiro legado do Blogger.

Ele ajudou milhões de pessoas a descobrir uma ideia extremamente poderosa:

Você também pode publicar.

Não precisava possuir jornal.

Não precisava possuir editora.

Não precisava possuir emissora de televisão.

Nem precisava dominar HTML profundamente.

Precisava ter alguma coisa para contar.

E apertar:

PUBLICAR.


🚀 ÚLTIMO REGISTRO DA SPINDRIFT

MISSÃO: BLOGGER

LANÇAMENTO............... 23/08/1999
CRIADOR.................. PYRA LABS
COMANDANTES.............. EVAN WILLIAMS / MEG HOURIHAN
AQUISIÇÃO GOOGLE......... 2003
DESTINO.................. INTERNET
MISSÃO ORIGINAL.......... FACILITAR PUBLICAÇÃO
STATUS EM 2026............ ONLINE

ERROS.................... MUITOS
CONCORRENTES............. GIGANTES
PREVISÕES DE MORTE....... INCONTÁVEIS

ÚLTIMO TESTE.............. HTTP 200

STATUS FINAL:

                    STILL RUNNING

Capitão Steve Burton fecha o diário de bordo.

Olha para aquela imensa Terra de Gigantes chamada Internet.

E ordena:

— Mantenham a Spindrift operacional.




A incrível história do Blogger, da Pyra Labs ao Google, contada como uma aventura do Capitão Steve Burton pela gigantesca Internet.


Porque algumas tecnologias não precisam conquistar o futuro.

Às vezes basta fazer algo ainda mais difícil:

sobreviver a ele.

terça-feira, 20 de julho de 1999

Camburiu e suas praias

Balneario de Camburiu

A trupe Tio B, Tia Z, Mamy estão famintos depois de um belo dia de praia resolvemos abancar em um restaurante para almoçar, este dia ficou marcado para sempre, comemos quilos de camarão fritinho, era delicioso, postas de peixe e muita cervejinha gelada.




A tarde de barriguinha cheia e feliz, fomos navegar em um barco de passeio, passamos perto de uma caravela pirata, andamos de trenzinho pela cidade e ainda ficamos assistindo o pouso de um helicoptero. Assim passou nosso dia de praia no balneario de Camburiu.

domingo, 18 de julho de 1999

Ferias em Brusque : Parte II

Mais maravilhas de Brusque


Em continuaçao as aventuras de Brusque, em nossas mega ferias de meio de ano, eu e minha trupe composta por Tio B, Tia Z e Mamy estamos nos divertindo a grande.

Hoje o dia foi das meninas fazerem compras, aproveitei para andar e fotografar, palmilhei Brusque de uma ponta a outra em busca de boas imagens.


A mistura dos açoreanos com alemaes produziu um povo unico, sua arquitetura ligeramente diferente do nosso cotidiano, a cortesia e educaçao. Sem contar os sabores que provamos aqui, Me fez amar o estado de Santa Catarina e coloca-lo em minha lista de estados onde gostaria de morar.

Ferias em Brusque

Conhecendo as maravilhas do litoral catarinense.

Em nossa aventura no sul, estamos em Brusque visitando a cidade, encontramos varios tesouros escondidos nos parques e jardins, vale a pena explorar a cidade. Tanta coisa bacana para ver, sabores para sentir.


O grupo de sempre : Mamy, Tio B, Tia Z estávamos aproveitando de montão estas ferias a meio do ano, para conhecer as terras de Santa Catarina e seu litoral norte, conhecendo cada cantinho e enchendo de fotos os rolos de 35 mm.

Descobrimos parques com teleférico, árvores petrificadas, trenzinhos e aviões em exibição para os turistas.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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