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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Meu Pai, o Super-Herói do Formigueiro

 


🌆 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Log nº 005
“Meu Pai, o Super-Herói do Formigueiro”


Hoje eu escrevo não para debochar, não para cutucar feridas familiares, não para repassar as falhas que tantas vezes narrei com ironia ou mágoa.
Hoje é mea culpa.
Confissão.
Revisão de código emocional.

Porque, sim — eu já listei defeitos do meu pai como quem roda IEBGENER despejando linha por linha sem filtro, sem compressão. Já contei episódios que machucaram, já mostrei versões dele cheias de abend S0C7, falhas lógicas, corrupção de memória emocional. Mas existe uma verdade que preciso gravar neste blog como se fosse LOAD TO PDS PERMANENTE:


meu pai também foi herói.
De verdade. Daqueles que sangram e salvam.



Não sei se veio dos tempos de escoteiro.
Não sei se foi o treinamento duro na Polícia do Exército.
Só sei que havia nele algo raro:
conhecimento de primeiros socorros + uma coragem temerária, daquelas que fazem alguém correr em direção ao acidente enquanto os demais recuam ou entram em desespero. Se fosse em nossos dias estariam filmando e fazendo selfies.

E o trânsito brasileiro — você sabe — não perdoa nem no século XXI.


Imprudência alcoólica, velocidade inconsequente, ultrapassagem suicida, farol ignorado…
Um campo de batalha diário.
E lá estava Wilson, sempre em circulação: ônibus, caminhão, táxi, quilômetros de asfalto sob pneus e destino.
E quando havia acidente… ele não desviava.
Ele parava.

Sinalizava a via.
Corria.
Prestava socorro.
Voltava para casa com sangue seco na camisa e histórias que ele contava nas festas como quem narra guerra vencida com as próprias mãos.

E eu vi.
Com estes olhos que agora digitam.



Padaria da Vila Rio Branco, rua Utrecht.
Um Fusca verde atropela uma criança — pequena demais para o impacto da vida.
Antes da multidão, antes do caos, antes da gritaria, meu pai voou.
Literalmente.

Levantou o carro — sim, levantou — com ajuda de outros, mas ele na linha de frente, joelho cravado no asfalto, rosto vermelho de esforço.
Resgatou a criança do assoalho quente, aplicou primeiros socorros, conteve o sangramento até que outra alma caridosa a levou para o Hospital da Penha.
Eu, pequeno, petrificado.
Vendo meu pai com o carro erguido no ar.
Como se fosse Hulk em versão SP suburbana.
Como se nada no mundo fosse mais importante do que aquele menino preso entre o metal e o medo.



Outras vidas ele salvou.
Outras ele somente acompanhou no último suspiro — mas não deixou as pessoas morrerem sozinhas.
Essa parte ninguém conta, ninguém ergue estátua, ninguém registra na Wikipédia.
Mas eu registro aqui.

Porque às vezes esquecemos que heróis reais não usam capa.
Usam chave de fenda no bolso, mãos calejadas, coragem imprudente.
Erram muito.
Acertam onde importa.

Meu pai — com todas as falhas, com todos os logs sujos, com todo o dump de mágoas —
foi super-herói de formiguinha.
Daqueles anônimos que sustentam o mundo nas costas sem plateia.

E hoje, finalmente, eu reconheço.

Bellacosa — desligando, coração em RC=0000, consciência mais leve no spool.



Ps: Muitos anos depois, inspirado nesses eventos do meu pai, em diversos locais que trabalhei, sempre me escrevia como voluntario na Brigada de Incêndio e ao longo dos anos fiz alguns cursos de primeiros socorros, para poder ajudar, mas isso acaba sendo uma história para outro dia.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

🚂 Tetsudō Otaku (鉄オタ) Quando a paixão pelos trens vira filosofia de vida

 

Bellacosa Mainframe paixao por trens, conheca o tetsudo otaku


🚂 Tetsudō Otaku (鉄オタ)

Quando a paixão pelos trens vira filosofia de vida — ao estilo Bellacosa Mainframe, direto para o El Jefe Midnight

TODOS A BORDO!!!!!

Senhoras e senhores passageiros, apertem os cintos do assento 42B do expresso da meia-noite, porque hoje o El Jefe Midnight vai entrar nos trilhos de um dos grupos mais fascinantes — e pouco compreendidos — da cultura japonesa contemporânea.
Prepare-se para mergulhar na mente, no coração e no vagão desse fenômeno cultural:
o Tetsudō Otaku (鉄オタ).



Se você achava que sua paixão por locomotivas, trilhos e vapor era coisa rara… meu amigo, você não está sozinho. No Japão, isso tem nome, sotaque, comunidades organizadas e até subcategorias que fariam um sysprog do MVS gaguejar.

Senta que lá vem história, nostalgia, ferrovia e um toque de Bellacosa Mainframe.



🚄 1. Origem: onde nasce um Tetsudō Otaku

No Japão, trens não são apenas meio de transporte.
Eles são personagens, instituições, organismos vivos, praticamente mainframes sobre trilhos — confiáveis, precisos e quase indestrutíveis.

O termo Tetsudō Otaku (鉄道オタク) junta duas palavras:

  • Tetsudō = ferrovia

  • Otaku = entusiasta fanático

A cultura começou a ganhar força nos anos 1970 e 1980, quando o Japão entrou no auge do romantismo ferroviário: Shinkansen, linhas regionais, ferrovias privadas futuristas e aquela estética impecável que só os japoneses conseguem colocar até em bilhetes de trem.

Mas a fagulha verdadeira surgiu antes:

📍 Era Showa (anos 1950–60):
Os últimos suspiros das locomotivas a vapor no Japão acenderam o coração de jovens que correriam pelas plataformas para registrar fotos, números de série e horários.
O vapor acabava, mas ali nascia uma geração de Tetsudō Otaku.



📸 2. Tipos de Tetsudō Otaku (sim, há subcategorias — muitas!)

E aqui começa o universo paralelo.
Assim como no mainframe existe JCL guy, CICS dude, Storage wizard, RACF lord…
No mundo ferroviário japonês também há especializações.

📷 Densha Otaku (電車オタク)

Focados nos trens urbanos, metrôs e composições do dia a dia.

🚉 Ekisha Otaku (駅舎オタク)

Obcecados por estações de trem — arquitetura, história, detalhes, placas, carimbos.

🛤️ Haisen Otaku (廃線オタク)

Exploradores de linhas abandonadas.
A vibe é pura arqueologia ferroviária.

🔢 Toritetsu (撮り鉄)

Os fotógrafos profissionais da coisa.
Carregam câmeras como se fossem equipamentos de operação do z/OS.

✍️ Nori-Tetsu (乗り鉄)

Amam andar nos trens.
Conhecem cada percurso, cada curva, cada túnel.

🗾 Tabi-Tetsu (旅鉄)

A galera que transforma viagens ferroviárias em aventuras espirituais.

📚 Sharyō-Tetsu (車両鉄)

Especialistas em modelos, engenharia, motores, design, séries e gerações de carros ferroviários.

E claro, há os mixados, híbridos, multipass.
Porque ninguém é obrigado a amar apenas uma bitola.



🧭 3. Por que essa paixão existe?

Motivos profundos:

📌 1. Cultura japonesa de precisão e rotina

Trens japoneses são templos de confiabilidade.
Para um país que reverencia pontualidade, ordem e estética funcional, é natural surgir devoção.

📌 2. História ferroviária rica

No Japão, as ferrovias conectaram o país, modernizaram cidades e viraram símbolo de progresso — como o mainframe nos bancos e governos.

📌 3. Paisagem + Nostalgia

Linhas rurais atravessam cenários que parecem pinturas: arrozais, bosques, montanhas, litoral.

📌 4. Tecnologia e engenharia

Do Shinkansen ao trem-maglev, trens no Japão são obras-primas tecnológicas.



🪄 4. Curiosidades que parecem mentira (mas não são)

🔸 Os Tetsudō Otaku mantêm registros mais completos que o governo

Muitos possuem planilhas que fariam um DBA reverenciar:
número de série, ano de fabricação, motor, rota, revisão e até sons característicos de cada trem.

🔸 Existem cafés e hostels temáticos para Tetsudō Otaku

Com maquetes, trechos de trilhos, cabines simuladas e até camas dentro de vagões desativados.

🔸 Alguns trens regionais fabricam carimbos exclusivos

Sim, carimbos — e é mania nacional colecioná-los.

🔸 Jogos, animes e mangás baseados em trens

De “Rail Wars!” a simuladores hiperrealistas de condução.

🔸 Há fotógrafos tão dedicados que acampam em montanhas

Só para pegar o ângulo perfeito com cerejeiras ao fundo.




🏯 5. Comunidades e Grupos Tetsudō Otaku

📍 Railfan Clubs
Clássicos clubes escolares e universitários que existem há décadas.

📍 Museus ferroviários
Que viram ponto de encontro, como o mega famoso Railway Museum de Saitama.

📍 Grupos online
Redes sociais japonesas, fóruns, YouTube e sites de “train-spotting”.

📍 Eventos de fotografia e encontros anuais
Onde fãs trocam equipamentos, dicas e histórias.




🎩 6. Easter Eggs ferroviários (Bellacosa-approved)

  • 🥚 O Shinkansen nunca teve um acidente fatal desde 1964.
    Uma espécie de “uptime” ferroviário recorde de 60 anos.

  • 🥚 O canto dos trens nas estações (“hassha melody”) é projetado para reduzir a ansiedade dos passageiros.

  • 🥚 Existem línguas de trilho, como notas musicais, produzidas por degraus, freios e motores — e os Tetsudō Otaku identificam cada uma.

  • 🥚 O Japão tem mais de 9000 estações, algumas tão pequenas que só passam 5 pessoas por dia.

  • 🥚 Há uma estação (Seiryu Miharashi) que não leva a lugar nenhum: existe apenas para apreciar a paisagem.



💬 7. Comentário Bellacosa Mainframe

Os Tetsudō Otaku são a prova viva de que paixões sinceras atravessam gerações e tecnologias.
Num mundo de IA, metaverso, nuvem e mainframes de 16 TB de memória, ainda existe um grupo de pessoas que encontra felicidade em:

  • ouvir o som do apito,

  • observar um trem cruzando um vale,

  • sentir o chão vibrar,

  • registrar números de série,

  • fotografar o instante perfeito.

A verdade é simples:
trens são poesia em movimento.
E poesia, como mainframe, nunca sai de moda.



Memorias Ferroviarias

🎌 8. Para fechar a composição…

Se você, como eu, cresceu apaixonado por locomotivas — vapor, diesel ou elétricas — saiba que no Japão essa paixão tem nome, cultura, história e sociedade própria.
O Tetsudō Otaku é mais que um hobby:
é uma janela para o passado, para a engenharia e para o coração das cidades.

E talvez, só talvez, seja também um lembrete de que seguimos viajando pelos trilhos da vida —
alguns de trem expresso, outros no vagão caipira —
mas todos levando histórias que merecem ser contadas.

Próxima parada: nostalgia.
Desembarque com cuidado.

🚂✨


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Kamisama Dolls : Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Legado Pode Ser Aposentado

 

Bellacosa Mainframe kamisama dolls

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Kamisama Dolls (神様ドォルズ)

Quando um Programador COBOL Descobre que Nem Todo Sistema Legado Pode Ser Aposentado

"No IBM Z aprendemos uma lição importante: alguns sistemas antigos permanecem em produção não porque sejam perfeitos, mas porque sustentam processos críticos que ninguém ousou substituir. Em Kamisama Dolls, os antigos 'deuses mecânicos' representam exatamente isso: uma tecnologia ancestral, poderosa e perigosa, cujo maior desafio nunca foi sua engenharia, mas a responsabilidade de quem a controla."


Introdução

Lançado em 2011, Kamisama Dolls (神様ドォルズ) é um daqueles animes que passaram relativamente despercebidos pelo grande público, mas que escondem uma narrativa surpreendentemente sofisticada. Misturando suspense, ação, drama psicológico e elementos sobrenaturais, a obra utiliza gigantescas entidades mecânicas chamadas Kakashi para discutir temas muito mais profundos: tradição, ética, trauma, poder, responsabilidade e o peso do passado.

Sob a superfície, não é um anime sobre batalhas.

É um anime sobre pessoas.

Sobre como seres humanos utilizam tecnologias extremamente poderosas.

E isso possui uma semelhança impressionante com o mundo do IBM Mainframe.


Ficha Técnica

  • Título original: 神様ドォルズ (Kamisama Dōruzu)

  • Título internacional: Kamisama Dolls

  • Autor do mangá: Hajime Yamamura

  • Publicação do mangá: 2006–2013

  • Volumes: 12

  • Estúdio: Brain's Base

  • Diretor: Seiji Kishi

  • Roteiro: Makoto Uezu

  • Design de personagens: Kazuaki Morita

  • Música: Narasaki

  • Exibição: Julho a Setembro de 2011


O Estúdio Brain's Base

O Brain's Base ficou conhecido por produzir animes que privilegiam desenvolvimento de personagens em vez de ação gratuita.

Entre suas obras estão:

  • Durarara!!

  • Baccano!

  • Natsume Yuujinchou

  • Blood Lad

O estúdio costuma equilibrar excelente direção, fotografia discreta e narrativas bastante humanas.

Em Kamisama Dolls, isso fica evidente.

As batalhas nunca são o foco principal.

O verdadeiro conflito sempre acontece dentro das pessoas.


Sinopse

Kyōhei Kuga abandona sua pequena vila rural para estudar em Tóquio.

Seu objetivo é simples.

Esquecer o passado.

Esquecer os antigos "deuses".

Esquecer Aki.

Esquecer tudo.

Mas durante um encontro aparentemente comum ocorre um assassinato brutal.

Pouco depois ele descobre que seu antigo amigo Aki conseguiu escapar da prisão.

E pior.

Levou consigo um dos mais poderosos Kakashi já construídos.

Agora Kyōhei será obrigado a enfrentar novamente aquilo que passou anos tentando esquecer.


Resumo da História

Existe uma pequena vila isolada.

Durante séculos seus habitantes preservaram uma tradição secreta.

Algumas famílias possuem o direito de controlar enormes entidades chamadas Kakashi.

Essas máquinas parecem bonecos gigantes.

Mas são tratadas como divindades.

Cada Kakashi responde apenas ao seu controlador, chamado Seki.

Eles obedecem pensamentos.

Sentimentos.

Emoções.

Não existem joysticks.

Não existem comandos.

Existe apenas conexão mental.

Quando um controlador perde o equilíbrio emocional, o Kakashi também perde.

A partir daí começa toda a tragédia da série.


A Grande Analogia Bellacosa Mainframe

Imagine um sistema bancário escrito em COBOL há quarenta anos.

Milhões de contas dependem dele.

Pouquíssimos especialistas compreendem sua arquitetura.

Documentação incompleta.

Regras de negócio acumuladas durante décadas.

Esse sistema é poderoso.

Confiável.

Mas também extremamente perigoso nas mãos erradas.

Os Kakashi representam exatamente isso.

São tecnologias críticas.

Não possuem moral.

Não escolhem o bem ou o mal.

Executam aquilo que o operador determina.

No IBM Z acontece exatamente o mesmo.

O computador nunca toma decisões.

Quem decide sempre é o profissional.


Os Kakashi

Os Kakashi são provavelmente uma das ideias mais originais dos animes dos anos 2010.

Eles misturam:

  • robôs

  • entidades espirituais

  • armas militares

  • símbolos religiosos

Cada um possui habilidades únicas.

Alguns são especializados em combate.

Outros em defesa.

Outros em velocidade.

Eles são literalmente ferramentas de enorme poder.

Assim como um ambiente IBM Z.


Personagens

Kyōhei Kuga

O protagonista.

Foi um dos melhores controladores da vila.

Mas um acidente destruiu sua confiança.

Sua jornada é aprender que fugir do passado nunca resolve problemas.

No universo Mainframe, representa o analista experiente que abandona um sistema legado após um incidente crítico, apenas para descobrir que seu conhecimento continua indispensável.


Utao Kuga

Sua irmã mais nova.

Controla o Kakashi chamado Kukuri.

No início é insegura.

Comete erros.

Aprende lentamente.

Representa perfeitamente o Programador COBOL Padawan.

Ela demonstra que responsabilidade cresce junto com experiência.


Aki

Um dos antagonistas mais complexos da década.

Não deseja apenas destruir.

Deseja provar sua visão de mundo.

Seu problema nunca foi inteligência.

Foi ausência de limites.

É exatamente o tipo de profissional brilhante que ignora processos, governança e auditoria.

Todo ambiente crítico já conheceu alguém assim.


Mahiru Hyūga

A ligação emocional entre Kyōhei e Aki.

Mostra que decisões técnicas sempre possuem consequências humanas.


Kukuri

Muito mais do que uma arma.

Representa confiança.

Responsabilidade.

E o vínculo entre operador e tecnologia.


Temáticas

Kamisama Dolls aborda uma quantidade impressionante de temas.

Responsabilidade

Quem possui poder precisa aprender limites.

No IBM Z isso aparece diariamente.

Permissões RACF.

Mudanças em produção.

Deploys.

Todos dependem de responsabilidade.


Tradição

A vila preserva conhecimentos durante séculos.

Da mesma forma que o Mainframe preserva regras de negócio há décadas.

Nem tudo deve ser descartado apenas porque é antigo.


Trauma

Todos carregam cicatrizes.

As maiores batalhas da série acontecem dentro da mente dos personagens.


Liberdade

É possível escapar do passado?

Ou sempre carregaremos nossas decisões?


Poder

O anime deixa claro.

O problema nunca foi criar armas.

O problema sempre foi decidir quando utilizá-las.


O que diferencia Kamisama Dolls?

Enquanto muitos animes usam robôs apenas como espetáculo visual, aqui eles são metáforas para responsabilidade, tradição e legado.

As batalhas existem para revelar o estado emocional dos personagens, não apenas para impressionar.

Não há heróis perfeitos nem vilões unidimensionais; quase todos carregam culpa, medo ou convicções conflitantes.

Outro diferencial é a atmosfera: a combinação de uma pequena vila tradicional com uma metrópole moderna cria um contraste constante entre passado e futuro.


As Aventuras

Ao longo dos 13 episódios, Kyōhei tenta reconstruir sua vida enquanto enfrenta o retorno de Aki e o peso das tradições da vila. Utao precisa amadurecer rapidamente para controlar Kukuri, e diversos confrontos revelam antigos segredos e disputas familiares.

Cada batalha entre Kakashi representa mais do que um duelo físico: é um choque de ideais, traumas e escolhas.


As Mensagens Ocultas

A tecnologia é neutra

Ferramentas não possuem ética.

Quem possui ética é o operador.


Conhecimento sem maturidade é perigoso

Quanto maior o poder, maior a responsabilidade.


Sistemas legados possuem memória

Assim como um programa COBOL guarda décadas de regras de negócio, as tradições da vila preservam decisões tomadas por gerações anteriores.


Fugir não resolve problemas

Kyōhei tenta abandonar o passado.

O passado o encontra.

No Mainframe, ignorar uma dívida técnica apenas a torna mais cara no futuro.


Governança é indispensável

Os Kakashi precisam de regras claras.

Sem elas, tornam-se instrumentos de destruição.

O mesmo vale para ambientes corporativos críticos.


Impacto Cultural

Embora nunca tenha alcançado a popularidade de Steins;Gate, Puella Magi Madoka Magica ou Fate/Zero, Kamisama Dolls conquistou um público fiel por sua narrativa madura e atmosfera única.

Entre seus pontos mais lembrados estão:

  • excelente construção psicológica;

  • conceito original dos Kakashi;

  • antagonista complexo;

  • trilha sonora marcante;

  • abertura ("Fukanzen Nenshou") bastante elogiada.

A principal crítica foi o encerramento aberto: o anime adapta apenas parte do mangá e deixa diversos acontecimentos para a obra original, frustrando parte do público.


Classificação

  • Gênero: Seinen

  • Ação: ★★★★☆

  • Drama: ★★★★★

  • Suspense: ★★★★★

  • Sobrenatural: ★★★★☆

  • Violência: Moderada

  • Romance: Baixo

  • Fanservice: Muito baixo

  • Complexidade psicológica: Muito alta

  • Classificação indicativa: 16 anos ou mais


Curiosidades

  • O termo Kakashi normalmente significa "espantalho" em japonês, mas na série representa entidades sagradas e mecânicas.

  • O mangá possui um desfecho mais completo do que o anime.

  • A direção de Seiji Kishi prioriza tensão e desenvolvimento emocional em vez de grandes cenas de ação.

  • A ambientação mistura elementos do folclore japonês com ficção científica de forma incomum.


Lições para um Programador COBOL Padawan

Imagine que você acabou de receber acesso a um sistema bancário responsável por processar milhões de transações por dia. O software existe há décadas, a documentação é incompleta e poucas pessoas realmente entendem todas as regras de negócio.

Sua primeira reação pode ser pensar: "Vou reescrever tudo."

Um profissional experiente faz diferente. Primeiro observa, estuda, entende a arquitetura, identifica os riscos e respeita o conhecimento acumulado antes de propor mudanças.

Kyōhei segue exatamente esse caminho. Ele aprende que abandonar um sistema crítico não elimina sua responsabilidade. Aki representa o extremo oposto: alguém brilhante que usa seu conhecimento sem limites, transformando uma ferramenta poderosa em instrumento de destruição.

No mundo IBM Z, RACF, CICS, Db2, JCL e COBOL são equivalentes modernos dos Kakashi: tecnologias extremamente poderosas, mas que exigem disciplina, governança e responsabilidade.


Veredito Bellacosa Mainframe

Kamisama Dolls não é um anime sobre robôs. É um anime sobre governança tecnológica.

Os Kakashi lembram sistemas corporativos legados: poderosos, confiáveis e capazes de sustentar uma sociedade inteira, desde que administrados por pessoas preparadas. A obra ensina que tecnologia nunca é o maior risco; o verdadeiro risco sempre está em quem a opera.

Como aprendemos no IBM Z, o conhecimento técnico abre portas, mas é a ética que mantém um sistema seguro. E essa talvez seja a maior mensagem escondida de Kamisama Dolls: legado, tradição e poder só permanecem valiosos quando caminham lado a lado com responsabilidade.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

🏺✨KINTSUGI – quando a falha vira feature (e o bug vira legado) 🏺✨

 

Bellacosa Mainframe momento de paz e serenidade com kintsugi ao redor

🏺✨KINTSUGI – quando a falha vira feature (e o bug vira legado) 🏺✨


Eu sempre digo que o Japão tem uma habilidade quase mágica de transformar erro em filosofia. E se tem um conceito que parece ter sido escrito por um velho programador de COBOL zen, sentado num data center silencioso às três da manhã, esse conceito se chama Kintsugi.

Kintsugi (金継ぎ) significa literalmente “emenda de ouro”. É a arte japonesa de consertar cerâmicas quebradas usando laca misturada com pó de ouro, prata ou platina. Em vez de esconder a rachadura, o japonês faz exatamente o oposto: ele destaca a cicatriz. O objeto não volta a ser “como era antes” — ele se torna algo novo, único e mais valioso.

Se isso não é filosofia de vida, eu não sei o que é.


🕰️ Origem – quando o conserto virou arte

A história mais contada diz que, no século XV, o xogum Ashikaga Yoshimasa quebrou sua tigela de chá favorita. Mandou consertar na China e recebeu de volta algo remendado com grampos metálicos (bem feio, diga-se). Insatisfeito, artesãos japoneses resolveram criar um método que respeitasse a estética… e nasceu o Kintsugi.

Aqui já aparece o primeiro easter egg japonês:

não é só consertar — é respeitar a história do objeto.


🧠 Filosofia por trás do ouro

Kintsugi está profundamente ligado ao wabi-sabi — a beleza do imperfeito, do transitório, do incompleto.

Traduzindo para o nosso mundo:

  • a falha não é vergonha

  • a quebra faz parte do caminho

  • a cicatriz conta uma história

Ou, como eu diria em bom mainframe:

sistema que nunca caiu não tem histórico confiável.


🛠️ A prática do Kintsugi (spoiler: não é rápido)

Nada de cola instantânea. O processo tradicional pode levar semanas ou meses:

  1. união das partes com urushi (laca natural)

  2. tempo de cura em ambiente controlado

  3. aplicação do pó de ouro nas fissuras

  4. polimento final

É quase um batch job filosófico: lento, cuidadoso, sem pressa e sem rollback.


🗾 Importância cultural no Japão

O Kintsugi vai muito além da cerâmica. Ele influencia:

  • arte

  • arquitetura

  • literatura

  • comportamento social

  • forma de lidar com perdas e fracassos

No Japão, falhar não é o fim — é uma etapa. O que importa é como você retorna.


🎎 Curiosidades & fofoquices

  • Nem todo Kintsugi usa ouro: há versões com prata ou latão

  • Algumas peças restauradas ficam mais valiosas que as originais

  • Em animes e mangás, o conceito aparece de forma simbólica em personagens “quebrados” que retornam mais fortes (👀 sim, estou olhando para você, Naruto, Vagabond, Demon Slayer)


🎮 Dicas para entender (e viver) o Kintsugi

  • Não esconda suas falhas — aprenda com elas

  • Aceite que você não volta ao “estado original”

  • Transforme dor em narrativa

  • Use suas rachaduras como assinatura


☕ Bellacosa comenta…

Se o Japão fosse um sistema, o Kintsugi seria aquele módulo legado que ninguém ousa reescrever, mas todo mundo respeita. Ele nos ensina que não somos descartáveis por quebrar, e sim mais interessantes por ter sido consertados.

No fundo, Kintsugi é isso:
a vida não exige perfeição — exige continuidade.

E se for para remendar… que seja com ouro.

domingo, 28 de agosto de 2011

A estaçao ferroviaria em Cremona

Descansando e aguardo o trem para retornar a casa.


Em minha estadia na Italia, aproveitava todos os tempos livres para andar, feito um andarilho caminhava pelas cidades, apreciando cada cantinho. Nestes dias de liberdade, as vezes caminhava mais de 20 quilómetros.

Então ao final do dia estava mortinho, quando retornava a estação só queria um banquinho para sentar e aguardar meu trem para voltar a bat-caverna.



A maneira de Forrest Gump sentado e esperando o trem, aproveitada para conversar com as pessoas, outras vezes ficava fotografando trens, em uma destas vezes aproveitei para registrar o movimento em Cremona.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse

 

Bellacosa Mainframe e o pequeno cao do inferno

📜 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Logs
O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse

Voltemos à Pirassununga, 1983 — aquele ambiente rural-urbano onde o asfalto não era bem asfalto, o silêncio não era bem silêncio, e as crianças não eram exatamente crianças… eram unidades autônomas de caos, equipadas com energia infinita, pés ligeiros e zero bom senso.

E no meu caso específico:
um pequeno Oni em modo provocação contínua.




🐕💀 O cruz-credo em miniatura – 30 cm de ódio puro

No caminho da escola, existia um ser.
Um daemon canídeo.
Uma criatura saída diretamente do IBM Hell Center, versão 30 centímetros de altura, perninhas finas, latência zero e latido com volume de sirene de teste de descompressão.

Eu tentava passar no modo stealth.
Mas a peste me detectava a 100 metros de distância, como se tivesse um RACF EXIT escrito só para identificar Bellacosa.

E começava o ataque sonoro.
Latido atrás de latido…
Um log interminável de aborrecimento.

A antipatia era mútua:
eu achava ele insuportável,
e ele achava que minha existência era uma ofensa pessoal.



🥢 A guerra fria Bellacosa vs. Mini-Cão

Em certos dias, eu no modo Oni provocador:

  • batia o pé no chão

  • arrastava galhos na grade

  • fazia tec-tec-tec-tec só pra irritar

  • e ainda olhava com cara de “chama no x1, coragem!”

Todo santo dia tinha algum episódio.
E nenhum de nós queria perder.

Mas… toda guerra tem um dia decisivo.



☠ A vingança canina – O ataque surpresa

Lá vou eu caminhando com um pote de peixinhos (não lembro por quê, mas a vida do Bellacosa é um RDD cheio de registros bizarros).
Um adolescente estava com o portão aberto e pediu para ver os peixes.
Eu, educado, entreguei o pote.

Foi quando, do fundo do inferno, saiu ele:

o mini Cavaleiro do Apocalipse, versão toy, vindo na velocidade de um I/O mal configurado.

Eu, com o dono ali do lado, não podia reagir como de costume.
Então fiz o que qualquer Oni covarde, desesperado e consciente da própria mortalidade faria:

fugi e trepei numa árvore.

E foi por pouco.
Mas o ódio canino daquele demônio de 30 cm era maior que seu tamanho.

Ele deu um salto.
Um salto digno de Olimpo canino.

E abocanhou minha panturrilha.

Não foi profundo.
Não foi sério.
Mas doeu…
e pior…
feriu o orgulho.

Meu log interno registrou:

“Erro crítico: mini-cão venceu o embate. Orgulho comprometido. Reiniciar?”

O dono capturou a fera, pediu desculpas, prendeu o mini-cerberus e quase se ajoelhou de vergonha.
Eu respondi:

— “Tá tudo bem… não foi nada…”

Por dentro?

Eu queria formatar aquele cachorro.
Com baixa densidade.
E sem backup.



🐦 Sobre animais… cada um com seu bicho

Esse episódio reforçou algo que me acompanha até hoje:
nunca fui fã de cachorros, principalmente os barulhentos.

A Vivi sempre foi o oposto: ama cães, gatos, tudo que tenha pelo e quatro patas.
Os bichinhos sempre foram dela — eu só convivia.

Eu?
Sou do time das aves.
Mas não curto gaiolas.
Gosto de liberdade.
Gosto do som de asas.
Da ideia de voar.

Mas essa conversa fica para outro capítulo.



📌 E assim termina o dia em que o Oni foi derrotado…

Derrotado por um canino de bolso.
Um microserviço do caos.
Um processo zombie cheio de dentes.

Mas faz parte da vida.
Nem sempre o herói vence.
Às vezes, quem ganha é o monstrinho de 30 cm com complexo de Napoleão.

Quando quiser, puxo mais um registro desse data set da infância.
É só mandar o comando:

CALL RARIDADE,MODE=NOSTALGIA

Bellacosa out. 🐕🔥🕶️


domingo, 21 de agosto de 2011

Viagem de trem de Milao a Monza.

Olhando pela janela do trem entre Milano e Monza.


Feito uma criança la vou eu olhando pela janelinha do trem, vendo a paisagem correndo sem fim...

E uma sensação prazeirosa, deixar a mente divagar enquanto se vê a paisagem, ouvindo o ta-tata-taaaaa ta-tata-taaaaa


Ansioso por chegar a famosa Monza, cidade que tantas historia ouvi de um amigo de outra época, o Geovanio, que como funcionário da Honda la pelos idos dos 90, fez algumas actividades nesta cidade, para auxiliar na organização a equipe Honza que participava do GP de Monza.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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