sábado, 24 de setembro de 2011

🔥 Program Control Operation – XCTL no CICS

 


🔥 Program Control Operation – XCTL no CICS



☕ Midnight Lunch, fluxo quebrado e um XCTL mal compreendido

São 13h02.
A transação entra, processa metade da lógica… e nunca mais volta.
O analista jura:

“Mas eu só fiz um XCTL…”

Pois é. XCTL não volta mesmo.
Hoje vamos falar dessa operação poderosa, perigosa e frequentemente mal usada: o EXEC CICS XCTL.


🏛️ História: controle total desde os primórdios

Desde os primeiros releases do CICS, havia a necessidade de:

  • Trocar completamente o fluxo de execução

  • Manter a mesma transação

  • Evitar empilhamento excessivo de programas

Assim nasceu o XCTL (Transfer Control).

📌 XCTL é o “goto elegante” do CICS — se usado com juízo.


🧠 Conceito essencial (grave isso)

XCTL = transfere o controle para outro programa e NÃO retorna

✔ Mesma task
✔ Mesma transação
✔ Mesma UOW
❌ Sem retorno ao programa chamador

Quando você usa XCTL, o programa atual morre com dignidade.


🔀 O que é o XCTL no CICS?

O EXEC CICS XCTL:

  • Encerra o programa corrente

  • Passa o controle para outro programa

  • Opcionalmente passa uma COMMAREA ou CHANNEL

  • Continua a execução no novo programa


🧾 Sintaxe básica

EXEC CICS XCTL PROGRAM('PGM002') COMMAREA(WS-COMMAREA) LENGTH(LEN) END-EXEC.

📌 Parece LINK, mas o comportamento é radicalmente diferente.


🥊 XCTL vs LINK (clássico eterno)

CritérioXCTLLINK
RetornoNãoSim
StackNão empilhaEmpilha
UsoTroca de fluxoSub-rotina
RiscoFluxo perdidoStack overflow

📌 Se precisa voltar, nunca use XCTL.


🧠 Quando usar XCTL (casos corretos)

✔ Navegação de telas (pseudo-conversacional)
✔ Separação clara de etapas
✔ Fluxo linear (estado → próximo estado)
✔ Evitar profundidade excessiva de LINK

📌 XCTL é ótimo para “passar o bastão”.


⚠️ Quando NÃO usar XCTL (easter eggs)

🐣 Para chamar regra de negócio
🐣 Quando precisa retornar status
🐣 Em loops lógicos
🐣 Em fluxo condicional mal definido

📌 XCTL errado vira bug invisível.


🛠️ Passo a passo mental antes do XCTL

1️⃣ Preciso voltar para este programa?
→ Se sim, não é XCTL

2️⃣ O estado está completo na COMMAREA ou CHANNEL?

3️⃣ O próximo programa sabe exatamente o que fazer?

4️⃣ Existe risco de fluxo perdido?

5️⃣ Estou tentando “simplificar” algo que é LINK?

Se tiver dúvida, pare.


📦 XCTL com COMMAREA vs CHANNEL

COMMAREA

  • Simples

  • Limitada a ~32 KB

  • Forte acoplamento

CHANNEL

  • Flexível

  • Ideal para navegação moderna

  • Menos impacto em mudanças

📌 XCTL + CHANNEL é o padrão moderno.


🧪 Exemplo mental de fluxo

Fluxo pseudo-conversacional clássico

1️⃣ Programa A recebe tela
2️⃣ Valida dados
3️⃣ XCTL para Programa B

Programa A não existe mais.
Programa B continua como se fosse o primeiro.

🔥 Simples. Elegante. Perigoso se mal desenhado.


📚 Guia de estudo para dominar XCTL

Estude profundamente:

  • Program Control no CICS

  • Pseudo-conversational design

  • COMMAREA vs CHANNEL

  • Transaction scope

  • Recovery e rollback

📖 Manual essencial: CICS Application Programming Guide


🤓 Curiosidades de boteco mainframe

🍺 XCTL evita stack overflow que LINK pode causar
🍺 Muitos sistemas antigos abusam de XCTL como “goto”
🍺 Navegação de telas em CICS nasceu com XCTL
🍺 Um XCTL mal colocado pode “sumir” com lógica inteira


💬 Comentário El Jefe Midnight Lunch

“LINK é conversa.
XCTL é despedida.
Se você confunde os dois, o CICS te ensina.”


🚀 Aplicações reais hoje

  • Navegação pseudo-conversacional

  • Sistemas de atendimento

  • Fluxos de validação

  • Aplicações transacionais críticas


🎯 Conclusão Bellacosa

O EXEC CICS XCTL é simples, direto e definitivo.

Quem domina:

  • Desenha fluxos limpos

  • Evita empilhamento desnecessário

  • Cria sistemas previsíveis

🔥 XCTL não é erro. Erro é esperar que ele volte.

Se quiser, no próximo Midnight Lunch:


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Barbapappa viaja para Portugal

A aventura do Barbapappa e seu amigo.

Meu filho adorava assistir o desenho do Barbapappa, após minha mudança para Milão, um dia caminhando pela rua, vi uma loja de brinquedos e qual a minha surpresa ao me deparar com este boneco do Barbapappa.



Sem comentar nada, compro e fico aguardando uma oportunidade para retornar a Portugal. Quando consigo a folga necessária, parte eu e meu amigo cor de rosa. 

Meio excêntrico da minha parte, fiz todo o documentário da viagem do Barbapappa, primeiro metro ate a estação de trem, depois pegamos o trem em Milano Centrale com destino ao aeroporto internacional de Malpensa. Sempre como o Barba comportado sentado, tirando fotos, usando o computador e olhando a paisagem.

No avião comportado, o Barba colocou o cinto e ficou aguardando instruções, sempre olhando apreensivo pela janela. Fomos batendo aquele papo, algo que divertiu muito a comissária de bordo que até trouxe um drink para ele.

Ao chegarmos em Portugal o reencontro com o meu filho, foi a maior alegria, fizemos uma super festa e o novo amigo enfim chegou a casa nova.



O que são os Barbapappas?


Se você cresceu entre os anos 1970 e 1980, como eu, existe uma grande chance de os Barbapapas estarem guardados em algum canto macio da sua memória RAM emocional. Eles não eram apenas um desenho animado — eram quase um sistema operacional infantil, rodando em background na nossa formação.

Os Barbapapas surgiram na França, criados por Annette Tison e Talus Taylor, e tinham uma premissa absurdamente simples e genial: formas vivas que se transformavam em qualquer coisa. Barbapapá, Barbamamá e aquela penca de filhotes coloridos eram literalmente blobs conscientes. Hoje eu olho para eles e penso: isso era programação orientada a objetos para crianças, muito antes da gente falar de polimorfismo no mundo adulto.

Cada Barbapapa tinha uma cor, uma personalidade e uma função bem definida. Barbazul era o inventor, Barbalala a artista, Barbacuca o intelectual, Barbabella a vaidosa… parecia até um time bem montado de um data center emocional. Nada de competição tóxica: cada um contribuía com o que sabia fazer melhor. Uma lição de arquitetura social disfarçada de desenho.

E o mais curioso: eles não resolviam problemas com violência. Transformavam-se em pontes, casas, barcos, instrumentos musicais. O conflito era tratado com criatividade, não com pancadaria. Isso, nos anos 70 e 80, era quase revolucionário.

Os Barbapapas também tinham uma forte mensagem ecológica. Amavam a natureza, respeitavam o planeta e viviam em harmonia com o ambiente. Era ESG antes do termo existir, rodando em modo batch na nossa infância.

Hoje, olhando com olhos de mainframeiro calejado, vejo os Barbapapas como um manifesto silencioso: adaptabilidade é sobrevivência. Quem não se transforma, quebra. E eles se transformavam o tempo todo — sem perder a essência.

No fundo, os Barbapapas nos ensinaram que flexibilidade, cooperação e imaginação são recursos tão valiosos quanto qualquer CPU poderosa. E isso, convenhamos, é uma baita lição para qualquer geração.









quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Meu Pai, o Super-Herói do Formigueiro

 


🌆 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Log nº 005
“Meu Pai, o Super-Herói do Formigueiro”


Hoje eu escrevo não para debochar, não para cutucar feridas familiares, não para repassar as falhas que tantas vezes narrei com ironia ou mágoa.
Hoje é mea culpa.
Confissão.
Revisão de código emocional.

Porque, sim — eu já listei defeitos do meu pai como quem roda IEBGENER despejando linha por linha sem filtro, sem compressão. Já contei episódios que machucaram, já mostrei versões dele cheias de abend S0C7, falhas lógicas, corrupção de memória emocional. Mas existe uma verdade que preciso gravar neste blog como se fosse LOAD TO PDS PERMANENTE:


meu pai também foi herói.
De verdade. Daqueles que sangram e salvam.



Não sei se veio dos tempos de escoteiro.
Não sei se foi o treinamento duro na Polícia do Exército.
Só sei que havia nele algo raro:
conhecimento de primeiros socorros + uma coragem temerária, daquelas que fazem alguém correr em direção ao acidente enquanto os demais recuam ou entram em desespero. Se fosse em nossos dias estariam filmando e fazendo selfies.

E o trânsito brasileiro — você sabe — não perdoa nem no século XXI.


Imprudência alcoólica, velocidade inconsequente, ultrapassagem suicida, farol ignorado…
Um campo de batalha diário.
E lá estava Wilson, sempre em circulação: ônibus, caminhão, táxi, quilômetros de asfalto sob pneus e destino.
E quando havia acidente… ele não desviava.
Ele parava.

Sinalizava a via.
Corria.
Prestava socorro.
Voltava para casa com sangue seco na camisa e histórias que ele contava nas festas como quem narra guerra vencida com as próprias mãos.

E eu vi.
Com estes olhos que agora digitam.



Padaria da Vila Rio Branco, rua Utrecht.
Um Fusca verde atropela uma criança — pequena demais para o impacto da vida.
Antes da multidão, antes do caos, antes da gritaria, meu pai voou.
Literalmente.

Levantou o carro — sim, levantou — com ajuda de outros, mas ele na linha de frente, joelho cravado no asfalto, rosto vermelho de esforço.
Resgatou a criança do assoalho quente, aplicou primeiros socorros, conteve o sangramento até que outra alma caridosa a levou para o Hospital da Penha.
Eu, pequeno, petrificado.
Vendo meu pai com o carro erguido no ar.
Como se fosse Hulk em versão SP suburbana.
Como se nada no mundo fosse mais importante do que aquele menino preso entre o metal e o medo.



Outras vidas ele salvou.
Outras ele somente acompanhou no último suspiro — mas não deixou as pessoas morrerem sozinhas.
Essa parte ninguém conta, ninguém ergue estátua, ninguém registra na Wikipédia.
Mas eu registro aqui.

Porque às vezes esquecemos que heróis reais não usam capa.
Usam chave de fenda no bolso, mãos calejadas, coragem imprudente.
Erram muito.
Acertam onde importa.

Meu pai — com todas as falhas, com todos os logs sujos, com todo o dump de mágoas —
foi super-herói de formiguinha.
Daqueles anônimos que sustentam o mundo nas costas sem plateia.

E hoje, finalmente, eu reconheço.

Bellacosa — desligando, coração em RC=0000, consciência mais leve no spool.



Ps: Muitos anos depois, inspirado nesses eventos do meu pai, em diversos locais que trabalhei, sempre me escrevia como voluntario na Brigada de Incêndio e ao longo dos anos fiz alguns cursos de primeiros socorros, para poder ajudar, mas isso acaba sendo uma história para outro dia.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

🚂 Tetsudō Otaku (鉄オタ) Quando a paixão pelos trens vira filosofia de vida

 



🚂 Tetsudō Otaku (鉄オタ)

Quando a paixão pelos trens vira filosofia de vida — ao estilo Bellacosa Mainframe, direto para o El Jefe Midnight

TODOS A BORDO!!!!!

Senhoras e senhores passageiros, apertem os cintos do assento 42B do expresso da meia-noite, porque hoje o El Jefe Midnight vai entrar nos trilhos de um dos grupos mais fascinantes — e pouco compreendidos — da cultura japonesa contemporânea.
Prepare-se para mergulhar na mente, no coração e no vagão desse fenômeno cultural:
o Tetsudō Otaku (鉄オタ).



Se você achava que sua paixão por locomotivas, trilhos e vapor era coisa rara… meu amigo, você não está sozinho. No Japão, isso tem nome, sotaque, comunidades organizadas e até subcategorias que fariam um sysprog do MVS gaguejar.

Senta que lá vem história, nostalgia, ferrovia e um toque de Bellacosa Mainframe.



🚄 1. Origem: onde nasce um Tetsudō Otaku

No Japão, trens não são apenas meio de transporte.
Eles são personagens, instituições, organismos vivos, praticamente mainframes sobre trilhos — confiáveis, precisos e quase indestrutíveis.

O termo Tetsudō Otaku (鉄道オタク) junta duas palavras:

  • Tetsudō = ferrovia

  • Otaku = entusiasta fanático

A cultura começou a ganhar força nos anos 1970 e 1980, quando o Japão entrou no auge do romantismo ferroviário: Shinkansen, linhas regionais, ferrovias privadas futuristas e aquela estética impecável que só os japoneses conseguem colocar até em bilhetes de trem.

Mas a fagulha verdadeira surgiu antes:

📍 Era Showa (anos 1950–60):
Os últimos suspiros das locomotivas a vapor no Japão acenderam o coração de jovens que correriam pelas plataformas para registrar fotos, números de série e horários.
O vapor acabava, mas ali nascia uma geração de Tetsudō Otaku.



📸 2. Tipos de Tetsudō Otaku (sim, há subcategorias — muitas!)

E aqui começa o universo paralelo.
Assim como no mainframe existe JCL guy, CICS dude, Storage wizard, RACF lord…
No mundo ferroviário japonês também há especializações.

📷 Densha Otaku (電車オタク)

Focados nos trens urbanos, metrôs e composições do dia a dia.

🚉 Ekisha Otaku (駅舎オタク)

Obcecados por estações de trem — arquitetura, história, detalhes, placas, carimbos.

🛤️ Haisen Otaku (廃線オタク)

Exploradores de linhas abandonadas.
A vibe é pura arqueologia ferroviária.

🔢 Toritetsu (撮り鉄)

Os fotógrafos profissionais da coisa.
Carregam câmeras como se fossem equipamentos de operação do z/OS.

✍️ Nori-Tetsu (乗り鉄)

Amam andar nos trens.
Conhecem cada percurso, cada curva, cada túnel.

🗾 Tabi-Tetsu (旅鉄)

A galera que transforma viagens ferroviárias em aventuras espirituais.

📚 Sharyō-Tetsu (車両鉄)

Especialistas em modelos, engenharia, motores, design, séries e gerações de carros ferroviários.

E claro, há os mixados, híbridos, multipass.
Porque ninguém é obrigado a amar apenas uma bitola.



🧭 3. Por que essa paixão existe?

Motivos profundos:

📌 1. Cultura japonesa de precisão e rotina

Trens japoneses são templos de confiabilidade.
Para um país que reverencia pontualidade, ordem e estética funcional, é natural surgir devoção.

📌 2. História ferroviária rica

No Japão, as ferrovias conectaram o país, modernizaram cidades e viraram símbolo de progresso — como o mainframe nos bancos e governos.

📌 3. Paisagem + Nostalgia

Linhas rurais atravessam cenários que parecem pinturas: arrozais, bosques, montanhas, litoral.

📌 4. Tecnologia e engenharia

Do Shinkansen ao trem-maglev, trens no Japão são obras-primas tecnológicas.



🪄 4. Curiosidades que parecem mentira (mas não são)

🔸 Os Tetsudō Otaku mantêm registros mais completos que o governo

Muitos possuem planilhas que fariam um DBA reverenciar:
número de série, ano de fabricação, motor, rota, revisão e até sons característicos de cada trem.

🔸 Existem cafés e hostels temáticos para Tetsudō Otaku

Com maquetes, trechos de trilhos, cabines simuladas e até camas dentro de vagões desativados.

🔸 Alguns trens regionais fabricam carimbos exclusivos

Sim, carimbos — e é mania nacional colecioná-los.

🔸 Jogos, animes e mangás baseados em trens

De “Rail Wars!” a simuladores hiperrealistas de condução.

🔸 Há fotógrafos tão dedicados que acampam em montanhas

Só para pegar o ângulo perfeito com cerejeiras ao fundo.




🏯 5. Comunidades e Grupos Tetsudō Otaku

📍 Railfan Clubs
Clássicos clubes escolares e universitários que existem há décadas.

📍 Museus ferroviários
Que viram ponto de encontro, como o mega famoso Railway Museum de Saitama.

📍 Grupos online
Redes sociais japonesas, fóruns, YouTube e sites de “train-spotting”.

📍 Eventos de fotografia e encontros anuais
Onde fãs trocam equipamentos, dicas e histórias.




🎩 6. Easter Eggs ferroviários (Bellacosa-approved)

  • 🥚 O Shinkansen nunca teve um acidente fatal desde 1964.
    Uma espécie de “uptime” ferroviário recorde de 60 anos.

  • 🥚 O canto dos trens nas estações (“hassha melody”) é projetado para reduzir a ansiedade dos passageiros.

  • 🥚 Existem línguas de trilho, como notas musicais, produzidas por degraus, freios e motores — e os Tetsudō Otaku identificam cada uma.

  • 🥚 O Japão tem mais de 9000 estações, algumas tão pequenas que só passam 5 pessoas por dia.

  • 🥚 Há uma estação (Seiryu Miharashi) que não leva a lugar nenhum: existe apenas para apreciar a paisagem.



💬 7. Comentário Bellacosa Mainframe

Os Tetsudō Otaku são a prova viva de que paixões sinceras atravessam gerações e tecnologias.
Num mundo de IA, metaverso, nuvem e mainframes de 16 TB de memória, ainda existe um grupo de pessoas que encontra felicidade em:

  • ouvir o som do apito,

  • observar um trem cruzando um vale,

  • sentir o chão vibrar,

  • registrar números de série,

  • fotografar o instante perfeito.

A verdade é simples:
trens são poesia em movimento.
E poesia, como mainframe, nunca sai de moda.



Memorias Ferroviarias

🎌 8. Para fechar a composição…

Se você, como eu, cresceu apaixonado por locomotivas — vapor, diesel ou elétricas — saiba que no Japão essa paixão tem nome, cultura, história e sociedade própria.
O Tetsudō Otaku é mais que um hobby:
é uma janela para o passado, para a engenharia e para o coração das cidades.

E talvez, só talvez, seja também um lembrete de que seguimos viajando pelos trilhos da vida —
alguns de trem expresso, outros no vagão caipira —
mas todos levando histórias que merecem ser contadas.

Próxima parada: nostalgia.
Desembarque com cuidado.

🚂✨


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

🏺✨KINTSUGI – quando a falha vira feature (e o bug vira legado) 🏺✨

 

Bellacosa Mainframe momento de paz e serenidade com kintsugi ao redor

🏺✨KINTSUGI – quando a falha vira feature (e o bug vira legado) 🏺✨


Eu sempre digo que o Japão tem uma habilidade quase mágica de transformar erro em filosofia. E se tem um conceito que parece ter sido escrito por um velho programador de COBOL zen, sentado num data center silencioso às três da manhã, esse conceito se chama Kintsugi.

Kintsugi (金継ぎ) significa literalmente “emenda de ouro”. É a arte japonesa de consertar cerâmicas quebradas usando laca misturada com pó de ouro, prata ou platina. Em vez de esconder a rachadura, o japonês faz exatamente o oposto: ele destaca a cicatriz. O objeto não volta a ser “como era antes” — ele se torna algo novo, único e mais valioso.

Se isso não é filosofia de vida, eu não sei o que é.


🕰️ Origem – quando o conserto virou arte

A história mais contada diz que, no século XV, o xogum Ashikaga Yoshimasa quebrou sua tigela de chá favorita. Mandou consertar na China e recebeu de volta algo remendado com grampos metálicos (bem feio, diga-se). Insatisfeito, artesãos japoneses resolveram criar um método que respeitasse a estética… e nasceu o Kintsugi.

Aqui já aparece o primeiro easter egg japonês:

não é só consertar — é respeitar a história do objeto.


🧠 Filosofia por trás do ouro

Kintsugi está profundamente ligado ao wabi-sabi — a beleza do imperfeito, do transitório, do incompleto.

Traduzindo para o nosso mundo:

  • a falha não é vergonha

  • a quebra faz parte do caminho

  • a cicatriz conta uma história

Ou, como eu diria em bom mainframe:

sistema que nunca caiu não tem histórico confiável.


🛠️ A prática do Kintsugi (spoiler: não é rápido)

Nada de cola instantânea. O processo tradicional pode levar semanas ou meses:

  1. união das partes com urushi (laca natural)

  2. tempo de cura em ambiente controlado

  3. aplicação do pó de ouro nas fissuras

  4. polimento final

É quase um batch job filosófico: lento, cuidadoso, sem pressa e sem rollback.


🗾 Importância cultural no Japão

O Kintsugi vai muito além da cerâmica. Ele influencia:

  • arte

  • arquitetura

  • literatura

  • comportamento social

  • forma de lidar com perdas e fracassos

No Japão, falhar não é o fim — é uma etapa. O que importa é como você retorna.


🎎 Curiosidades & fofoquices

  • Nem todo Kintsugi usa ouro: há versões com prata ou latão

  • Algumas peças restauradas ficam mais valiosas que as originais

  • Em animes e mangás, o conceito aparece de forma simbólica em personagens “quebrados” que retornam mais fortes (👀 sim, estou olhando para você, Naruto, Vagabond, Demon Slayer)


🎮 Dicas para entender (e viver) o Kintsugi

  • Não esconda suas falhas — aprenda com elas

  • Aceite que você não volta ao “estado original”

  • Transforme dor em narrativa

  • Use suas rachaduras como assinatura


☕ Bellacosa comenta…

Se o Japão fosse um sistema, o Kintsugi seria aquele módulo legado que ninguém ousa reescrever, mas todo mundo respeita. Ele nos ensina que não somos descartáveis por quebrar, e sim mais interessantes por ter sido consertados.

No fundo, Kintsugi é isso:
a vida não exige perfeição — exige continuidade.

E se for para remendar… que seja com ouro.

domingo, 28 de agosto de 2011

A estaçao ferroviaria em Cremona

Descansando e aguardo o trem para retornar a casa.


Em minha estadia na Italia, aproveitava todos os tempos livres para andar, feito um andarilho caminhava pelas cidades, apreciando cada cantinho. Nestes dias de liberdade, as vezes caminhava mais de 20 quilómetros.

Então ao final do dia estava mortinho, quando retornava a estação só queria um banquinho para sentar e aguardar meu trem para voltar a bat-caverna.



A maneira de Forrest Gump sentado e esperando o trem, aproveitada para conversar com as pessoas, outras vezes ficava fotografando trens, em uma destas vezes aproveitei para registrar o movimento em Cremona.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse

 


📜 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Logs
O dia em que o mini Oni perdeu para o cãozinho do apocalipse

Voltemos à Pirassununga, 1983 — aquele ambiente rural-urbano onde o asfalto não era bem asfalto, o silêncio não era bem silêncio, e as crianças não eram exatamente crianças… eram unidades autônomas de caos, equipadas com energia infinita, pés ligeiros e zero bom senso.

E no meu caso específico:
um pequeno Oni em modo provocação contínua.




🐕💀 O cruz-credo em miniatura – 30 cm de ódio puro

No caminho da escola, existia um ser.
Um daemon canídeo.
Uma criatura saída diretamente do IBM Hell Center, versão 30 centímetros de altura, perninhas finas, latência zero e latido com volume de sirene de teste de descompressão.

Eu tentava passar no modo stealth.
Mas a peste me detectava a 100 metros de distância, como se tivesse um RACF EXIT escrito só para identificar Bellacosa.

E começava o ataque sonoro.
Latido atrás de latido…
Um log interminável de aborrecimento.

A antipatia era mútua:
eu achava ele insuportável,
e ele achava que minha existência era uma ofensa pessoal.



🥢 A guerra fria Bellacosa vs. Mini-Cão

Em certos dias, eu no modo Oni provocador:

  • batia o pé no chão

  • arrastava galhos na grade

  • fazia tec-tec-tec-tec só pra irritar

  • e ainda olhava com cara de “chama no x1, coragem!”

Todo santo dia tinha algum episódio.
E nenhum de nós queria perder.

Mas… toda guerra tem um dia decisivo.



☠ A vingança canina – O ataque surpresa

Lá vou eu caminhando com um pote de peixinhos (não lembro por quê, mas a vida do Bellacosa é um RDD cheio de registros bizarros).
Um adolescente estava com o portão aberto e pediu para ver os peixes.
Eu, educado, entreguei o pote.

Foi quando, do fundo do inferno, saiu ele:

o mini Cavaleiro do Apocalipse, versão toy, vindo na velocidade de um I/O mal configurado.

Eu, com o dono ali do lado, não podia reagir como de costume.
Então fiz o que qualquer Oni covarde, desesperado e consciente da própria mortalidade faria:

fugi e trepei numa árvore.

E foi por pouco.
Mas o ódio canino daquele demônio de 30 cm era maior que seu tamanho.

Ele deu um salto.
Um salto digno de Olimpo canino.

E abocanhou minha panturrilha.

Não foi profundo.
Não foi sério.
Mas doeu…
e pior…
feriu o orgulho.

Meu log interno registrou:

“Erro crítico: mini-cão venceu o embate. Orgulho comprometido. Reiniciar?”

O dono capturou a fera, pediu desculpas, prendeu o mini-cerberus e quase se ajoelhou de vergonha.
Eu respondi:

— “Tá tudo bem… não foi nada…”

Por dentro?

Eu queria formatar aquele cachorro.
Com baixa densidade.
E sem backup.



🐦 Sobre animais… cada um com seu bicho

Esse episódio reforçou algo que me acompanha até hoje:
nunca fui fã de cachorros, principalmente os barulhentos.

A Vivi sempre foi o oposto: ama cães, gatos, tudo que tenha pelo e quatro patas.
Os bichinhos sempre foram dela — eu só convivia.

Eu?
Sou do time das aves.
Mas não curto gaiolas.
Gosto de liberdade.
Gosto do som de asas.
Da ideia de voar.

Mas essa conversa fica para outro capítulo.



📌 E assim termina o dia em que o Oni foi derrotado…

Derrotado por um canino de bolso.
Um microserviço do caos.
Um processo zombie cheio de dentes.

Mas faz parte da vida.
Nem sempre o herói vence.
Às vezes, quem ganha é o monstrinho de 30 cm com complexo de Napoleão.

Quando quiser, puxo mais um registro desse data set da infância.
É só mandar o comando:

CALL RARIDADE,MODE=NOSTALGIA

Bellacosa out. 🐕🔥🕶️