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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Trem a diesel manobrando composição de passageiro eletrica

Locomotora diesel em manobra na estação de Novara


Desde a mais tenra infância sou um aficionado por trens e ao morar na Europa, este prazer aumentou exponencialmente, o parque ferroviário é vasto com composições dos mais diversos feitios e modelos.

Então sempre que descubro uma nova locomotiva, la estou eu de maquina em punho registrando para a posteridade.


Esta maquina a diesel esta estacionada na estação Tronco de Novara, esta estação tem sua malha distribuída em ramais e subramais que interligam diversas pequenas cidades da região. Devido a esta distribuição de interligamentos, o tráfego ferroviário é grande, partindo diversas trens varias vezes ao dia, 

Deste pequenos trens de uma única carruagem ate composições velozes interligando Novara a Europa. Por isso esta pequena diesel desempenha um papel fundamental posicionando composição para la e para cá.


segunda-feira, 2 de abril de 2012

SEITOKAI NO ICHIZON LV.2 — A SEGUNDA TEMPORADA QUE MIGROU O CONSELHO ESTUDANTIL PARA UMA NOVA REGIÃO E CONTINUOU EXECUTANDO PIADAS SEM PLANO DE CONTINGÊNCIA

 

Bellacosa Mainframe e a segunda temporada de seitokai no ichizon

☕💣📋 OPERADOR, O CHANGE REQUEST FOI REABERTO!

SEITOKAI NO ICHIZON LV.2 — A SEGUNDA TEMPORADA QUE MIGROU O CONSELHO ESTUDANTIL PARA UMA NOVA REGIÃO E CONTINUOU EXECUTANDO PIADAS SEM PLANO DE CONTINGÊNCIA


Dados da Obra

Título Original: 生徒会の一存 Lv.2
Romanização: Seitokai no Ichizon Lv.2

Título Internacional: Student Council's Discretion Level 2

Obra Original: Light Novel de Aoi Sekina

Ilustrações: Kira Inugami

Lançamento: Outubro de 2012 a Janeiro de 2013

Quantidade de Episódios: 10

Estúdio: AIC

Diretor: Kenichi Imaizumi

Antecessora: Seitokai no Ichizon (2009)


O Que Mudou em Relação à Primeira Temporada?

A primeira temporada foi produzida pelo Studio Deen.

A segunda foi transferida para o AIC.

☕ Em linguagem Mainframe:

Foi como migrar uma aplicação crítica de uma LPAR para outra.

O sistema continuou funcionando.

Mas alguns detalhes mudaram.


Mudanças Visuais

O design dos personagens ficou:

  • mais moderno

  • mais detalhado

  • mais próximo das ilustrações originais das light novels

Alguns fãs adoraram.

Outros sentiram falta do visual clássico da primeira temporada.

Até hoje existe discussão sobre qual versão era melhor.


Sinopse

Após os eventos da primeira temporada, o Conselho Estudantil da Academia Hekiyou continua operando normalmente.

Ou seja:

não opera absolutamente nada.

As reuniões continuam sendo dominadas por:

  • discussões absurdas

  • referências otaku

  • teorias sobre relacionamentos

  • piadas meta

  • sonhos românticos de Ken Sugisaki

Porém agora a série dedica mais tempo ao passado dos personagens e aos seus sentimentos.

O humor continua presente.

Mas existe uma carga emocional maior.


Resumo da História

Enquanto a primeira temporada focava quase exclusivamente na comédia, Lv.2 começa a explorar:

  • crescimento pessoal

  • amadurecimento

  • relacionamentos

  • futuro dos membros do conselho

A sensação é de que os personagens finalmente percebem que a vida escolar está chegando ao fim.

Pela primeira vez surge uma preocupação real com o amanhã.


Os Personagens Principais

Ken Sugisaki

Continua sendo o maior gerador de incidentes do ambiente.

Mas sua evolução é clara.

Por trás das piadas de harém existe um jovem extremamente solitário.

Lv.2 explora esse lado de forma mais profunda.

Descobrimos que sua necessidade de criar vínculos não é apenas comédia.

É uma tentativa de evitar ficar sozinho novamente.


Kurimu Sakurano

A presidente continua sendo um caos ambulante.

Porém ganha momentos emocionais importantes.

Sua insegurança sobre o futuro começa a aparecer.


Chizuru Akaba

A rainha do terrorismo psicológico.

Nesta temporada conhecemos mais de sua personalidade real.

Ela deixa de ser apenas uma máquina de sarcasmo.


Minatsu Shiina

Continua sendo energia pura.

Mas demonstra maturidade inesperada quando situações emocionais surgem.


Mafuyu Shiina

Talvez a personagem mais beneficiada por Lv.2.

Suas inseguranças, sonhos e visão sobre amizade recebem muito mais atenção.


O Que Torna Lv.2 Diferente?

Menos Piadas por Minuto

A primeira temporada parecia uma metralhadora de referências.

Lv.2 reduz um pouco esse ritmo.

Em troca oferece mais desenvolvimento.


Mais Sentimento

A série passa a discutir:

  • despedidas

  • crescimento

  • sonhos

  • mudanças inevitáveis

Temas que estavam escondidos sob o humor anteriormente.


Mais Profundidade

O anime deixa de ser apenas uma paródia.

Passa a ser também uma reflexão sobre juventude.


As Aventuras

Embora continuem praticamente presos na sala do conselho, as aventuras desta temporada são mais emocionais do que físicas.

Os episódios exploram:

O Futuro

O que acontecerá após a formatura?


O Valor da Amizade

Os laços criados ao longo dos anos podem sobreviver ao tempo?


O Medo da Mudança

Como lidar com o encerramento de uma fase importante da vida?


As Mensagens Ocultas

Nada Dura Para Sempre

A principal mensagem de Lv.2 é simples:

Tudo termina.

Escola.

Amizades.

Rotinas.

Momentos felizes.

A beleza está justamente nisso.


O Valor do Presente

Os personagens percebem que passaram anos vivendo reuniões aparentemente inúteis.

Mas essas reuniões se tornaram memórias preciosas.


O Conselho Estudantil Como Metáfora

O conselho representa a juventude.

Um lugar temporário.

Cheio de sonhos.

Cheio de possibilidades.

Mas destinado a desaparecer.


A Solidão Masculina

Ken continua sendo uma das representações mais interessantes desse tema.

Seu comportamento cômico esconde inseguranças profundas.

Algo raramente explorado em comédias escolares da época.


Impacto Cultural

Lv.2 não teve o mesmo impacto da primeira temporada.

Por vários motivos:

  • mudança de estúdio

  • mudança visual

  • intervalo de três anos

  • mercado de anime mais competitivo

Mesmo assim tornou-se muito respeitada pelos fãs da franquia.

Hoje é vista como uma continuação digna que trouxe maturidade para a série.


Houve Censura?

Não houve censura relevante.

Porém ocorreram algumas adaptações:

Referências Alteradas

Algumas menções a outras franquias foram suavizadas.


Piadas Regionalizadas

Certos trocadilhos foram modificados em traduções internacionais.


Perdas na Localização

Muitas referências otaku continuaram difíceis de traduzir para o público ocidental.


Análise do Estúdio AIC

O AIC adotou uma abordagem diferente da Studio Deen.

Enquanto o Studio Deen apostava em:

  • ritmo acelerado

  • humor constante

O AIC investiu em:

  • expressões faciais

  • momentos emocionais

  • desenvolvimento dos personagens

O resultado é uma temporada mais madura.

Menos explosiva.

Mas emocionalmente mais rica.


Curiosidades

📌 O título "Lv.2" não é apenas marketing

Ele representa literalmente uma evolução dos personagens.


📌 Muitos fãs enxergam Lv.2 como um epílogo emocional

A temporada funciona quase como uma despedida da turma.


📌 Continua sendo uma das maiores obras de meta-humor dos animes

Mesmo reduzindo as referências, ainda quebra a quarta parede constantemente.


Pontos Fortes

✅ Desenvolvimento dos personagens

✅ Melhor profundidade emocional

✅ Excelente encerramento temático

✅ Visual atualizado

✅ Continua extremamente engraçado

✅ Explora melhor Ken Sugisaki


Pontos Fracos

❌ Menos frenética que a primeira temporada

❌ Algumas referências perderam impacto

❌ Mudança visual dividiu fãs

❌ Apenas 10 episódios

❌ Certos arcos poderiam ser mais longos


Veredito Bellacosa Mainframe

☕💣 OPERADOR, IMAGINE QUE O AMBIENTE DE TESTES VIROU PRODUÇÃO.

Na primeira temporada todos estavam apenas se divertindo.

Na segunda eles descobrem que o contrato está acabando.

E que em breve precisarão desligar a região.

É nesse momento que as piadas ganham significado.

As reuniões ganham valor.

E os personagens percebem que aquilo que parecia inútil era justamente o que tornava tudo especial.

Seitokai no Ichizon Lv.2 é menos uma continuação e mais um processo de encerramento elegante de um ambiente que os espectadores aprenderam a amar.


Nota Bellacosa Mainframe

CritérioNota
Humor9,0
Personagens10
Desenvolvimento10
Metalinguagem9,5
Romance8,5
Animação8,5
Impacto Cultural8,0
Reassistibilidade9,0

Nota Final

9,2/10 — STATUS DO SISTEMA: ENCERRAMENTO CONTROLADO SEM ABEND

Uma sequência que trocou parte do humor frenético por emoção genuína e mostrou que, por trás das piadas, existia uma das histórias de amizade mais sinceras da era das light novels.


domingo, 1 de abril de 2012

Uma viagem de trem pelo Piemonte.

Passeando de Trenitalia 


A melhor coisa que existe na Itália são os meios de transporte. Voce consegue viajar para onde quiser, sem muita dificuldade ou constrangimento.



Aqui estou viajando em uma composição de passageiros tracionada a locomotiva eléctrica, olhando pela janela vemos a planície do Piemonte. Vários casario, algumas pequenas propriedades agrícola, campos e pastos, gado e ovelha passeando e aproveitando o dia.

Meu destino é retornar para a cidade de Novara, após um delicioso passeio em Alessandria. Onde provei um delicioso sorvete e aproveitei para conhecer a cidade.


quinta-feira, 29 de março de 2012

🌊 Crônica Bellacosa Mainframe — O Rio, os Salgados e o Pequeno Guerreiro do Mogi-Guaçu



 🌊 Crônica Bellacosa Mainframe — “O Rio, os Salgados e o Pequeno Guerreiro do Mogi-Guaçu”

(Para o blog El Jefe Midnight Lunch)


Há rios que cortam cidades.
E há rios que cortam vidas.
O Mogi-Guaçu dos anos 80 fazia os dois.

Para um paulistano recém-teletransportado para Pirassununga, aquele rio não era apenas água correndo:
era um animal vivo, pulsante, cheio de voz.
Era a primeira vez que eu via a natureza não como paisagem, mas como espetáculo.



🐟 O Mogi-Guaçu antes da ganância: água limpa, peixe farto, vida abundante

  1. Pirassununga.
    O rio era quase uma entidade mística.

  • Águas mais claras, mais calmas.

  • Muitas áreas verdes.

  • Barrancos que eram convites ao descanso.

  • Pescadores em fila, cada qual com seu kit de aventura.

  • Lambaris, piaus, dourados, cascudos — parecia cardápio ambulante.

O pessoal da cidade tratava o rio como um templo.
E eu, com apenas 9 anos, tratava como um parque de diversões gratuito.


🐟✨ A piracema: o milagre que parecia invenção do Maurício de Sousa

Se tem algo que nunca mais esqueci, foi a primeira piracema que vi.

Peixes voando do rio.
Sim, voando.
Saltando contra a correnteza como os samurais da água.

E o mais surreal:
os moradores usando guarda-chuvas abertos como redes improvisadas —
capturando os peixes que vinham literalmente pulando para dentro.

Era a Pirassununga versão "modo lendário ativado".



☀️🧺 Praiamas, represa e piqueniques com cheiro de infância

As tardes à beira do Mogi-Guaçu eram um convite ao ócio criativo:

  • brincadeiras nas “praiamas”, pequenas faixas de areia improvisadas;

  • visitas às instalações da represa, que para mim pareciam uma espécie de usina futurista;

  • adultos rindo, crianças correndo, vento soprando cheiro de mato e água.

Era tudo tão vivo, tão fresco, tão…
Brasil que deu certo, antes da mão pesada do progresso sem alma.



💸 A parte dura da história: a vida real da Família Wilson Bellacosa

Mas todo paraíso tem sua fenda de realidade.

A fotografia — a paixão do meu pai — não sustentava uma família inteira.
E ali começava o capítulo que me forjou:
o trabalho infantil involuntário mais épico e mais formador que já tive.

Sim, meus caros leitores do El Jefe:
antes de ser Bellacosa Mainframe, eu fui Bellacosa CoxinhaWare 1.0.


🍗🔥 O Empreendimento da Coxinha — Versão 1983

A operação era digna de startup:

Squad Bellacosa:

  • Dona Mercedes (Product Owner & Masterchef)

  • Eu e Vivi (junior devs de empanar, testes e QA de textura)

  • Sr. Wilson (DevOps: fritava, entregava e tentava não queimar nada)

Nós produzíamos coxinhas e risoles artesanais.
E nos finais de semana…
lá estávamos nós à beira do Mogi-Guaçu, vendendo salgados para turistas.

Eu com 9 anos.
Tabuleiro na mão.
Subindo e descendo o barranco.
Chamando clientes.
Fazendo troco.
Entendendo capitalismo raiz antes de saber o que era economia.

Parecia brincadeira.
Mas hoje vejo:
era sobrevivência.
Era caráter em construção.
Era vida me empurrando pra frente.


⚔️ O Pequeno Guerreiro do Mogi-Guaçu

Eu cresci rápido.

Aquele trabalho de final de semana, aquela responsabilidade, aquele suor pré-adolescente, forjaram algo em mim:

  • resiliência;

  • senso de urgência;

  • autoconfiança;

  • noção de valor;

  • e a certeza de que nada cai do céu — nem peixe, a não ser na piracema.

Fui moldado ali, entre barrancos, coxinhas e trocos contados.

O mesmo menino que carregava tabuleiro à beira do rio…
anos depois desembarcou em Lisboa com a coragem de quem já havia conquistado o Mogi inteiro.


🥚 Easter Egg Bellacosa Mainframe

A receita da coxinha original da Dona Mercedes ainda existe.
E pasme:
até hoje nunca comi outra igual —
nem no Brasil, nem em Portugal, nem na Europa inteira.

Quando o sistema é clássico…
não tem update que supere.

quarta-feira, 28 de março de 2012

🖥️📚 Michael Crichton: o impacto cultural e o manual de sobrevivência tecnológica

 


🖥️📚 Michael Crichton: o impacto cultural e o manual de sobrevivência tecnológica


🌍 Impacto cultural

Michael Crichton ensinou a sociedade a desconfiar de sistemas complexos. Antes de IA, big data e automação total, ele já alertava: tecnologia amplifica erros humanos. Seus livros moldaram o cinema, a TV (ER), o debate científico popular e a mentalidade de risco em engenharia, saúde e TI. Crichton fez o público pensar como operador: “funciona… até falhar”.



📖 Livros (ordem de publicação – romances sob o nome Michael Crichton)

1️⃣ A Case of Need — 1968

👤 Dr. John Berry
📜 Ética médica e erro sistêmico.
🥚 Base de ER.
💬 Auditoria clínica antes do termo.

2️⃣ The Andromeda Strain — 1969

👤 Dr. Jeremy Stone
📜 Patógeno extraterrestre.
🥚 Protocolos reais.
💬 Isolamento é governança.

3️⃣ The Terminal Man — 1972

👤 Harry Benson
📜 Neurotecnologia fora de controle.
🤫 IA biológica primitiva.
💬 Automação sem fallback.

4️⃣ The Great Train Robbery — 1975

👤 Edward Pierce
📜 Golpe vitoriano.
🥚 Engenharia social.
💬 Hack analógico.

5️⃣ Eaters of the Dead — 1976

👤 Ahmad ibn Fadlan
📜 Vikings “científicos”.
🤫 Beowulf reprogramado.
💬 Método > mito.

6️⃣ Congo — 1980

👤 Karen Ross
📜 Tecnologia vs natureza.
🥚 IA primata.
💬 Campo sem teste = desastre.

7️⃣ Sphere — 1987

👤 Norman Johnson
📜 Psicologia sob pressão.
🥚 Interface alien.
💬 Usuário é o bug.

8️⃣ Rising Sun — 1992

👤 Peter Smith
📜 Cultura corporativa.
🤫 Política nos bastidores.
💬 Contexto importa.

9️⃣ Jurassic Park — 1990

👤 Alan Grant
📜 Caos e biotecnologia.
🥚 Teoria do caos.
💬 Sistema complexo não perdoa.

🔟 The Lost World — 1995

👤 Ian Malcolm
📜 Continuação caótica.
💬 “Eu avisei.”

1️⃣1️⃣ Disclosure — 1994

👤 Tom Sanders
📜 Poder e tecnologia.
💬 RH também é sistema.

1️⃣2️⃣ Airframe — 1996

👤 Casey Singleton
📜 Investigação técnica.
🥚 Engenharia real.
💬 Logs salvam reputações.

1️⃣3️⃣ Timeline — 1999

👤 André Marek
📜 Viagem no tempo.
💬 Latência mata.

1️⃣4️⃣ Prey — 2002

👤 Jack Forman
📜 Nanotecnologia swarm.
🥚 IA distribuída.
💬 Microserviços assassinos.

1️⃣5️⃣ State of Fear — 2004

👤 Peter Evans
📜 Ciência, política e mídia.
🤫 Controverso.
💬 Dados ≠ narrativa.

1️⃣6️⃣ Next — 2006

👤 Alex Burnett
📜 Genética e patentes.
🥚 DNA como IP.
💬 Propriedade do código-fonte humano.

1️⃣7️⃣ Pirate Latitudes — 2009 (póstumo)

👤 Charles Hunter
📜 Piratas históricos.
💬 Operação sem TI.

1️⃣8️⃣ Micro — 2011 (com Richard Preston, póstumo)

👤 Jack Parker
📜 Miniaturização extrema.
💬 Escala muda tudo.


🖥️ Comentário final Bellacosa
Crichton deixou um legado essencial: tecnologia exige humildade operacional. Seus livros são manuais narrativos para quem mantém sistemas críticos vivos. Leia como quem revisa JCL: cada capítulo é um alerta de produção.

MAINFRAME ONLINE. CONSCIÊNCIA ATIVA.

terça-feira, 27 de março de 2012

💣 Event-Driven Architecture explicada para quem já confiou em MQ às cegas





💣 Event-Driven Architecture explicada para quem já confiou em MQ às cegas



00:00 — Introdução: quando o sistema falava por bilhetes

Antes de Kafka, antes de cloud, antes de “arquitetura hexagonal”, já existia mensageria.
Mainframer raiz lembra bem: MQSeries, filas persistentes, mensagens garantidas, commit, rollback e aquele silêncio confortável de quem confiava que “se entrou na fila, chega do outro lado”.

A Event-Driven Architecture (EDA) nada mais é do que isso:
👉 sistemas conversando por eventos, não por chamadas diretas.

💥 Easter egg: quem já depurou mensagem envenenada em fila sabe mais EDA do que muito arquiteto de LinkedIn.



1️⃣ O que é Event-Driven Architecture (sem buzzword)

EDA é um modelo onde:

  • Um produtor emite um evento

  • O evento é colocado em um broker

  • Um ou mais consumidores reagem a esse evento

  • Nenhum produtor sabe quem vai consumir

Tradução mainframe:

“Eu jogo na fila e durmo tranquilo.”


2️⃣ Por que EDA virou moda (de novo)

Nos sistemas distribuídos modernos:

  • Tudo é instável

  • A rede falha

  • Serviços sobem e descem

  • Escalar síncrono vira gargalo

EDA resolve isso com:

  • Desacoplamento

  • Assincronia

  • Resiliência

  • Escalabilidade horizontal

📌 Curiosidade: o que a cloud vende hoje como inovação, o mainframe entregava há décadas com disciplina.


3️⃣ O paralelismo direto: MQSeries vs Kafka 🧠

MQSeriesKafka
FilaTópico
MensagemEvento
PersistênciaLog distribuído
CommitOffset
DLQDead Letter Topic
Retry manualReprocessamento

😈 Easter egg: Kafka não garante “exatamente uma vez” tão fácil quanto prometem. Mainframer já desconfiava.


4️⃣ Evento não é chamada de serviço (grave isso)

Erro clássico de quem vem do síncrono:

  • Usar evento esperando resposta

  • Criar dependência invisível

  • Transformar EDA em RPC disfarçado

👉 Evento é:

  • Algo que já aconteceu

  • Imutável

  • Registrado para sempre (ou até expirar)

💬 “PedidoCriado” ≠ “CriaPedido()”


5️⃣ Passo a passo mental para desenhar EDA

1️⃣ O que aconteceu? (evento)
2️⃣ Quem precisa saber disso? (consumidores)
3️⃣ O produtor precisa esperar? (não!)
4️⃣ O evento pode ser repetido? (sempre!)
5️⃣ Existe reprocessamento? (obrigatório)
6️⃣ O sistema aguenta mensagens duplicadas?

📎 Dica Bellacosa:
Se duplicar quebra, não está pronto para EDA.


6️⃣ Idempotência: o velho truque com nome novo

Mainframer conhece:

  • Controle por chave

  • Flags de processamento

  • Tabelas de controle batch

No EDA moderno:

  • Idempotência é obrigatória

  • Consumidor deve aguentar evento repetido

  • “Exatamente uma vez” é lenda urbana

😈 Easter egg:
Quem já escreveu batch reentrante já venceu essa fase.


7️⃣ Falhas fazem parte do design 🔥

Em EDA:

  • Mensagem pode atrasar

  • Consumidor pode cair

  • Ordem pode se perder

  • Evento pode ficar órfão

📌 Curiosidade:
No mainframe isso chamava reprocessamento controlado.
Na cloud chamam de resiliência.


8️⃣ Guia de estudo para mainframers migrantes 📚

Conceitos-chave

  • Event-Driven Architecture

  • At-least-once delivery

  • Idempotência

  • Eventual Consistency

  • Dead Letter Queue

Ferramentas modernas (espírito antigo)

  • Kafka

  • RabbitMQ

  • IBM MQ

  • EventBridge

  • Pub/Sub


9️⃣ Aplicações práticas no mundo real

  • Integração entre sistemas legados e cloud

  • Processamento assíncrono de pedidos

  • Auditoria e rastreabilidade

  • Desacoplamento de core systems

  • Alta escalabilidade sem travar tudo

🎯 Mainframer com EDA vira arquiteto natural.


🔟 Comentário final (03:04, plantão eterno)

Event-Driven Architecture não é moda.
É mensageria com orgulho.

Se você já:

  • Confiou em MQ sem ver o consumidor

  • Lidou com DLQ às 06h da manhã

  • Reprocessou lote sem duplicar dado

Então você já viveu EDA.

🖤 El Jefe Midnight Lunch decreta:
Quem entende filas, entende o futuro.

 

sábado, 17 de março de 2012

🥃 Paco, o Espanhol de Aço — O Imigrante que Derrotou a Morte Três Vezes

 


🥃 Paco, o Espanhol de Aço — O Imigrante que Derrotou a Morte Três Vezes

Crônica ao estilo Bellacosa Mainframe para o blog El Jefe Midnight Lunch

Alguns homens vêm ao mundo para trabalhar, outros para sobreviver, e uma pequena minoria para desafiar as estatísticas, a lógica e até mesmo a Morte.
Entre esses últimos, estava meu bisavô Francisco — mas para a família, o nome verdadeiro era Paco, espanhol de sangue quente, sotaque carregado, bigode bravo e coração leal.



🚢 Do Mar de Almería à Pauliceia dos Trilhos

Paco não nasceu no Brasil — ele atravessou o Atlântico, ainda pequeno, espremido com a família num navio a vapor que partiu de Almería.
Espanha vivia dias difíceis; o Brasil prometia fartura, café e futuro.

Chegaram em Santos, foram para a célebre Hospedaria dos Imigrantes, e dali seguiram para o interior profundo — o então Novo Mundo, hoje Catanduva. A família cresceu como crescem famílias fortes: espalhando-se em raízes, galhos e histórias por São José do Rio Preto, Barretos e arredores.

Foi ali que Paco conheceu Bel, moça firme, descendente também de espanhóis, com quem construiu um lar. Mas o destino, esse maquinista incansável, os chamava de volta aos trilhos — e embarcaram rumo a São Paulo pela Companhia Paulista, a ferrovia que costurava sonhos e cidades.

Foram morar em São Caetano, depois Parque São Lucas, depois onde a vida pedisse. Família sempre crescendo, sempre trabalhando, sempre lutando.


🔥 Paco: pouca fala, muito jornal

Meu bisavô era de poucas palavras e muitas opiniões. O português dele vinha carregado de Espanha, de poeira, de trabalho.
Bravo, mas justo.
Sério, mas com um sorriso meio torto que valia mais que discurso.

E havia uma liturgia diária:

  • A Gazeta Esportiva — porque todo espanhol de respeito é corinthiano sofredor por vocação.

  • O infame Notícias Populares — porque ninguém resiste a uma manchete absurda antes do almoço.

  • O Estado de São Paulo aos domingos — porque até os bravos têm seu dia de calmaria.

Eu gostava de ouvi-lo. Às vezes achava que ele exagerava nas histórias. Depois percebi que não. Ele era realmente aquilo tudo.


💀 Primeiro Superpoder: vencer a Morte por desabamento

Um dia, enquanto trabalhava como encarregado no restauro de um alto-forno, aconteceu o impensável: a chaminé inteira desabou.
Gente morreu.
Houve gritos, poeira, caos.

Do meio dos escombros, levantou-se Paco — machucado, sangrando, mas vivo.
E, segundo ele, xingando em espanhol quem tivesse culpa.

A Morte errou a mão.
E Paco devolveu a encarada.


🚗 Segundo Superpoder: atropelamento? Só um incômodo

Anos depois, atravessando a famigerada estrada Mogi das Cruzes — a querida Avenida Imperador da Vila Rio Branco — um motorista covarde o atropelou e fugiu.

Ambulância. Hospital.
E alguns dias depois ele já estava em casa, rindo da situação, como quem toma chuva sem guarda-chuva.

A Morte tentou de novo.
Paco 2 x 0.



🍽️ Terceiro Superpoder: AVC com banho de sangue teatral

Mas a cena mais absurda foi durante um almoço de domingo.
A família toda reunida.
De repente Paco convulsiona — um AVC súbito.

Na queda, bate o pulso num prato de colorex.
Corta o braço.
Jorra sangue.
Parece filme de samurai.

E no fim?
Saiu ileso do AVC.
Só perdeu movimento da mão.

Paco 3 x 0.

A Morte, coitada, pediu música no Fantástico.

🪙 O Guardião do Troco e o Imperador da Sarjeta

Meu bisavô tinha regras.
Firmes.
E sagradas.

Ele me dava moedas para doces, pipas, piões — mas ao voltar da padaria ou do jornaleiro, pedia o troco.
Se estivesse certo, era meu prêmio.
Se estivesse errado, eu tinha que voltar para pegar o troco correto.

Aprendi duas lições:

  1. Honestidade não é opção — é procedimento operacional.

  2. Corinthiano até no troco é rígido.

Outra mania: limpar a guia da sarjeta em frente à casa.
Adorava uma calçada impecável.
Eu, claro, era o estagiário oficial.
Ganhava algumas coroas pela auditoria.

🍺 A guerra com seu genro — e o acordo entre as famílias

Paco era teimoso.
Bravo.
Um rolo compressor de Espanha e turrice.

Quando sua filha apaixonou-se por meu avô Pedro — um italiano — o mundo quase acabou.
Espanhol e italiano na mesma mesa?
Que ousadia!

Foi preciso meu outro bisavô, Luigi, subdelegado meio rufião, intervir para negociar a paz.
Um tratado quase diplomático.

No fim, o casamento durou décadas, só terminando quando meu avô Pedro faleceu.

A paz latina, selada na base do amor e do tranco.

🥘 Epílogo: o homem que virou lenda

Paco não foi herói de cinema.
Não saiu no jornal (pelo menos não nas manchetes sérias).
Mas foi um daqueles homens raros:

  • que chegam com pouco e constroem muito

  • que criam filhos, netos e bisnetos com dureza e ternura

  • que batalham pela vida até o último round

  • que deixam marcas invisíveis, mas permanentes

Quando penso no meu bisavô, vejo um sobrevivente, um mestre rude, um espanhol corinthiano que encarava a vida com coragem, humor e jornal na mão.

E no grande Mainframe da memória, o registro do velho Paco permanece em STATUS ACTIVE, com retenção infinita e proibição permanente de purge.

Porque certos homens não viram lembrança.
Eles viram fundação.

E o Paco?
Ah… esse foi puro aço forjado no calor da Pauliceia.