🟦 COBOL no Mainframe e seu esqueleto
Programa → Divisões → Seções → Parágrafos → Frases → Declarações
(ou: como o código mais longevo do planeta ainda governa o mundo)
“COBOL não é velho. Velho é o problema que ele resolve.”
— Bellacosa, olhando um extrato bancário
🧬 Origem: antes do Java, antes do C, antes do hype
COBOL nasceu em 1959, patrocinado pelo Departamento de Defesa dos EUA, com uma ideia revolucionária para a época:
👉 programas legíveis por humanos de negócios, não apenas por matemáticos.
Enquanto outras linguagens focavam em ciência e engenharia, o COBOL foi criado para:
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Folha de pagamento
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Contabilidade
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Bancos
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Seguros
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Governo
-
Tudo que não pode parar
E aqui vai o primeiro easter-egg:
🥚 Mais de 70% das transações financeiras globais ainda passam por COBOL.
Se ele cair, o mundo sente.
🧱 O mantra sagrado do COBOL
Todo programa COBOL clássico segue esta hierarquia:
Isso não é só estilo.
É contrato social, organização mental e engenharia de sobrevivência.
Vamos por partes, Padawan.
🧠 1️⃣ Programa: o universo
O programa COBOL é a unidade máxima:
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Compilável
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Executável
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Chamável por outro programa
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Controlado por JCL
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Versionado (ou não… dependendo do museu 😅)
Exemplo:
Se não tem PROGRAM-ID, não é programa.
É só tristeza.
🧩 2️⃣ Divisões: os grandes blocos da mente COBOL
O COBOL clássico tem 4 divisões principais:
🔹 IDENTIFICATION DIVISION
Quem você é:
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Nome do programa
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Autor
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Data
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Comentários históricos (às vezes fósseis)
🥚 Easter-egg: muitos programas em produção ainda têm DATE-WRITTEN. 1987.
🔹 ENVIRONMENT DIVISION
Onde você vive:
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Arquivos
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Dispositivos
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Ambiente de execução
Hoje em dia:
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Muitas vezes vazia
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Mas ainda respeitada por tradição
🔹 DATA DIVISION
O coração do COBOL.
Aqui você define:
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Arquivos
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Registros
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Variáveis
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Estruturas
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Formatos
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Tamanhos
-
Regras de negócio implícitas
👉 Se você erra aqui, o programa compila… e falha em produção.
🔹 PROCEDURE DIVISION
Onde a mágica acontece.
É o fluxo lógico, a história do programa, o passo a passo do negócio.
🧩 3️⃣ Seções: organização lógica (nem sempre usada)
As seções são agrupadores de parágrafos.
Exemplo clássico:
Hoje:
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Alguns usam
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Outros ignoram
-
Todos respeitam quando encontram
🥚 Easter-egg: programas antigos têm seções enormes com 5 mil linhas.
🧩 4️⃣ Parágrafos: unidades de execução
O parágrafo é:
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Um ponto de entrada
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Um bloco executável
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Algo que você pode
PERFORM
👉 Parágrafo bom:
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Nome claro
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Uma responsabilidade
-
Fácil de testar (na teoria 😄)
🧩 5️⃣ Frases: uma ou mais declarações terminadas por ponto
No COBOL clássico:
-
O ponto (
.) encerra uma frase -
E também pode quebrar fluxo
Exemplo:
⚠️ Dica Bellacosa:
Ponto em excesso mata legibilidade e cria bugs invisíveis.
🧩 6️⃣ Declarações: as instruções de verdade
Aqui estão os verbos COBOL:
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MOVE -
ADD -
SUBTRACT -
MULTIPLY -
DIVIDE -
IF -
EVALUATE -
PERFORM -
READ -
WRITE
Exemplo:
👉 Leia em voz alta.
Se fizer sentido, é COBOL bem escrito.
🛠️ Boas práticas Bellacosa Approved™
✔ Um parágrafo = uma responsabilidade
✔ Nomeie tudo como se fosse explicar para auditor
✔ Evite GO TO (sim, ele existe…)
✔ Centralize regras no DATA DIVISION
✔ Comente o porquê, não o como
✔ Código COBOL é lido mais do que escrito
🧠 Curiosidades que ninguém te conta
🥚 COBOL foi feito para ser lento para mudar, rápido para confiar
🥚 Programas com 40 anos rodam sem recompilar
🥚 O maior risco não é o COBOL — é ninguém entender o que ele faz
🥚 Modernizar não é reescrever, é encapsular e expor
🧘 Visão final para o Padawan
COBOL não é uma linguagem.
É uma forma de pensar sistemas críticos.
A hierarquia:
Programa → Divisões → Seções → Parágrafos → Frases → Declarações
existe para:
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Clareza
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Controle
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Manutenção
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Sobrevivência a décadas
Se você entende isso, você:
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Lê qualquer programa
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Não tem medo de legado
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Está pronto para integrar com cloud, APIs, microsserviços
E lembre-se:
“Todo hype passa.
O extrato bancário continua.”