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sábado, 28 de dezembro de 2013

☕🔥 ABEND S806 — O “PROGRAMA FANTASMA” DO z/OS

 

Bellacosa Mainframe e o Abend S806

☕🔥 ABEND S806 — O “PROGRAMA FANTASMA” DO z/OS

Quando o Mainframe Diz:

“EU NÃO ENCONTREI O QUE VOCÊ MANDOU EXECUTAR.”

Se existe um ABEND que já fez TODO programador COBOL Junior Padawan olhar para o JCL em silêncio absoluto…

é o lendário:

🚨 S806

E normalmente ele aparece assim:

IEF450I JOBNAME STEP01 - ABEND=S806

ou:

CSV028I ABEND806-04 JOBNAME STEP01
PROGRAM PROGXYZ NOT FOUND

ou ainda:

IEC130I PROGRAM NOT FOUND

E então começa a crise existencial:

“MAS O PROGRAMA EXISTE!”
“EU COMPILEI!”
“FUNCIONAVA ONTEM!”
“O LOADLIB SUMIU?”
“O z/OS ESTÁ ME GASLIGHTEANDO?”

☕ Respira.

Porque o S806 é um dos ABENDs MAIS CLÁSSICOS da história do mainframe.

E um dos mais importantes para aprender:

JCL

LOADLIB

STEPLIB

LINKLIST

BINDER

EXEC PGM

load modules


🔥 O QUE É O S806?

O S806 é um:

🚨 PROGRAM NOT FOUND

Traduzindo:

O z/OS NÃO CONSEGUIU ENCONTRAR O PROGRAMA EXECUTÁVEL.


☕ A FILOSOFIA DO S806

Seu JCL disse:

//STEP1 EXEC PGM=COBPROG

O z/OS respondeu:

❌ “NÃO EXISTE NENHUM EXECUTÁVEL COM ESSE NOME NOS LUGARES ONDE PROCUREI.”


🔥 O QUE O z/OS FAZ QUANDO VÊ EXEC PGM=

Fluxo real:

EXEC PGM=PROG1
 ↓
Procurar módulo
 ↓
STEPLIB
 ↓
JOBLIB
 ↓
LNKLST
 ↓
SYS1.LINKLIB
 ↓
Encontrou?

Se NÃO:

💥 S806


☕ ANALOGIA BELLACOSA MAINFRAME

Imagine um aeroporto.

O sistema anuncia:

“CHAMEM O PILOTO DO VOO.”

Mas:

  • piloto não apareceu

  • nome errado

  • terminal errado

  • aeroporto errado

  • piloto nem existe

O voo nunca sai.

Isso é o:

☠️ S806


🔥 O MAIOR SEGREDO

S806 NÃO significa:

“source COBOL não existe.”

Significa:

o LOAD MODULE executável não foi encontrado.


☕ SOURCE ≠ EXECUTÁVEL

Isso traumatiza juniors.

Você pode ter:

✅ source COBOL
✅ compile OK

Mas sem:

LINK-EDIT/BINDER

não existe executável.


🔥 O MAIOR VILÃO DO S806

🚨 STEPLIB ERRADA

O rei absoluto.


☕ EXEMPLO CLÁSSICO

 //STEPLIB DD DSN=EMPRESA.TEST.LOAD,DISP=SHR

Mas o programa está em:

EMPRESA.PROD.LOAD

Resultado:

💥 S806


🔥 O ERRO MAIS HUMANO DA HISTÓRIA

//STEP1 EXEC PGM=COBPRG1

Mas o member real é:

COBPROG1

Faltou:

O

Resultado:

☠️ S806


☕ O MAINFRAME NÃO “ADIVINHA”

No z/OS:

nome precisa ser EXATO.


🔥 O S806 E O BINDER

Aqui nasce o verdadeiro conhecimento Jedi.


☕ O QUE É O BINDER?

Ferramenta que cria:

LOAD MODULES

Executáveis do z/OS.


🔥 FLUXO REAL COBOL

SOURCE COBOL
 ↓
COMPILER
 ↓
OBJETO
 ↓
BINDER/LINK-EDIT
 ↓
LOAD MODULE
 ↓
EXECUÇÃO

Se faltar binder:

💥 S806


☕ O ERRO CLÁSSICO DO PADAWAN

“Compilei com sucesso.”

Mas esqueceu:

LINK-EDIT


🔥 O S806 E O FTP ASCII

Lenda urbana real.

Load module transferido em:

ASCII

ao invés de:

BINARY

O executável vira lixo hexadecimal.

Às vezes:

  • S806

  • S0C1

  • S0C4

dependendo do dano.


☕ O S806 E O CALL

Outro clássico COBOL.

CALL 'CALCPGM'

Mas:

CALCPGM não existe na loadlib

Resultado:

💥 S806


🔥 O CALL DINÂMICO MALDITO

CALL WS-PGM

Mas:

WS-PGM = 'ABC123'

e esse módulo não existe.


☕ O S806 E O CICS

No CICS normalmente aparece como:

🚨 PGMIDERR

ou:

AEI0

ASRA

dependendo do cenário.


🔥 O S806 E O DB2

Outro clássico sombrio.

Programa depende de runtime DB2:

DSNHLI

ou módulos LE.

STEPLIB errada?

☠️ caos.


☕ COMO INVESTIGAR O S806 PASSO A PASSO


✅ PASSO 1 — IDENTIFIQUE O PROGRAMA

Mensagem:

CSV028I ABEND806-04 PROGRAM PROGXYZ NOT FOUND

Suspeito identificado.


✅ PASSO 2 — VERIFIQUE STEPLIB

Veja:

//STEPLIB DD DSN=...

Confirme:

  • dataset correto

  • DISP=SHR

  • biblioteca existe


✅ PASSO 3 — USE ISPF 3.4

Procure o member.

Existe?

PROGXYZ

✅ PASSO 4 — CONFIRA O NOME

Mainframe não perdoa:

  • typo

  • espaço

  • caractere errado


✅ PASSO 5 — VERIFIQUE O BINDER

Talvez o módulo nunca tenha sido gerado.


🔥 O SEGREDO DO ISPF 3.4

Veteranos vivem nele.

Comandos:

MEMBER

ou:

B

ajudam localizar executáveis.


☕ O S806 E O LNKLST

Se não há STEPLIB/JOBLIB:

o z/OS procura em:

LINKLIST

Bibliotecas globais do sistema.


🔥 O S806 FANTASMA

O mais traiçoeiro.

Funcionava ontem.

Hoje:

💥 S806

Porque:

  • loadlib mudou

  • promoção falhou

  • member deletado

  • IEBCOPY sobrescreveu

  • deploy incompleto


☕ O S806 E O PDSE

Hoje muitos ambientes usam:

PDSE

Mais moderno que PDS.

Mas problemas de sincronização e membros ainda acontecem.


🔥 O S806 E O JCLLIB

Às vezes o PROC aponta:

biblioteca errada

E o EXEC herda erro invisível.


☕ O DUMP DO S806

Normalmente pouco útil.

Porque o programa:

NEM CHEGOU A EXECUTAR.

O problema ocorre ANTES.


🔥 O OURO ESTÁ NAS MENSAGENS

Especialmente:

CSV028I
IEF452I
IEWxxxx

☕ COMO O VETERANO PENSA

Veterano vê:

S806

e imediatamente pergunta:

“ONDE ESTÁ A LOADLIB?”


🔥 CURIOSIDADE HISTÓRICA

O S806 vem da era:

IBM OS/360

Década de:

🏛️ 1960

Naquela época:

  • programas eram carregados fisicamente de bibliotecas em disco/tape

  • loader era parte vital do sistema

O S806 virou um dos ABENDs mais clássicos da história corporativa.


☕ EASTER EGG MAINFRAME

Veteranos brincam:

“S806 é o z/OS dizendo:

VOCÊ TEM CERTEZA QUE ESSE PROGRAMA EXISTE?”


🔥 O MAIOR ERRO DO PADAWAN

Ver:

S806

e recompilar COBOL.

Frequentemente o problema NÃO está no source.

Está em:

  • loadlib

  • binder

  • STEPLIB

  • deploy

  • member

  • ambiente


☕ COMO EVITAR S806


✅ Validar STEPLIB


✅ Confirmar LOADLIB


✅ Revisar BINDER


✅ Nunca FTP executável em ASCII


✅ Conferir nome do member


✅ Padronizar deploy


✅ Validar CALLs dinâmicos


🔥 A VERDADE FINAL

O S0C7 pune números inválidos.
O S0C4 pune memória inválida.
O S013 pune datasets incompatíveis.
O S322 pune tempo excessivo.
O S306 pune falhas de carregamento.

Mas…

☕ O S806 É O MOMENTO EM QUE O z/OS PROCURA UM PROGRAMA… E ENCONTRA APENAS O VAZIO.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

☕⚔️ “O SAMURAI QUE NEM TÓQUIO TEVE CORAGEM DE DESATIVAR” — A LENDA SOMBRIA DE TAIRA NO MASAKADO, A MALDIÇÃO QUE ASSOMBRA O JAPÃO HÁ MAIS DE MIL ANOS 💀🏯

 

Bellacosa Mainframe e a vingança de Taira No MASAKADO

☕⚔️ “O SAMURAI QUE NEM TÓQUIO TEVE CORAGEM DE DESATIVAR” — A LENDA SOMBRIA DE TAIRA NO MASAKADO, A MALDIÇÃO QUE ASSOMBRA O JAPÃO HÁ MAIS DE MIL ANOS 💀🏯

Existem histórias que parecem anime.
Outras parecem filme de terror.

Mas algumas ultrapassam isso.

Porque ninguém consegue explicar totalmente por que elas continuam acontecendo.

E poucas lendas japonesas misturam política, guerra, espiritualidade, medo coletivo e eventos inexplicáveis de forma tão poderosa quanto a história de Taira no Masakado.

Um homem que viveu no século X…
foi decapitado…
teve a cabeça exibida como troféu…
e acabou se tornando talvez o espírito vingativo mais temido da história do Japão.

Uma entidade tão respeitada que até hoje grandes empresas, políticos e engenheiros japoneses evitam desafiar sua memória.

Sim.

Estamos falando de uma “maldição” que sobreviveu a:

  • guerras civis

  • terremotos

  • incêndios

  • bombardeios da Segunda Guerra

  • modernização de Tóquio

  • reconstrução econômica

  • era digital

E mesmo em pleno Japão tecnológico…

…há locais ligados a Masakado que continuam sendo tratados quase como zonas de risco espiritual.


☕🏯 Quem Foi Taira no Masakado?

Taira no Masakado viveu durante o período Heian, aproximadamente entre os anos 900 e 940.

Ele fazia parte do poderoso clã Taira — uma das famílias samurais mais importantes da história japonesa.

Mas Masakado não era apenas um guerreiro.

Ele era:

  • líder regional

  • estrategista militar

  • rebelde político

  • senhor feudal independente

  • símbolo de resistência contra Kyoto

Na prática?

Ele foi um dos primeiros grandes samurais insurgentes da história do Japão.


⚔️ O Homem Que Desafiou o Governo Imperial

Naquela época, o Japão ainda era fortemente controlado pela corte imperial em Kyoto.

O problema?

As regiões distantes sofriam:

  • corrupção

  • abuso político

  • disputas entre clãs

  • cobrança excessiva de impostos

  • abandono administrativo

Masakado começou inicialmente envolvido em disputas familiares.

Só que o conflito escalou.

E rapidamente ele passou a enfrentar diretamente forças ligadas ao governo imperial.

O que torna tudo ainda mais impressionante:

Ele começou a vencer.


🔥 O “Imperador Rebelde”

Em determinado momento, Masakado tomou territórios importantes na região de Kanto.

Algumas crônicas dizem que ele chegou a ser proclamado:

  • “Novo Imperador”

  • ou uma espécie de governante paralelo

Isso era praticamente impensável no Japão do século X.

Era quase como:

  • desafiar o sistema operacional central do império

  • criar uma fork política do Japão

  • iniciar uma rebelião distribuída contra Kyoto

No estilo Bellacosa Mainframe?

Masakado tentou fazer um IPL alternativo do Japão feudal. ☕💣


⚔️ A Queda de Masakado

O governo imperial reagiu.

Forças rivais foram mobilizadas.

E em 940, Masakado acabou derrotado em batalha.

Segundo relatos históricos:

  • foi atingido por uma flecha

  • decapitado

  • sua cabeça foi enviada para Kyoto

Mas é aqui que a história deixa de ser apenas história…

…e entra no território da lenda.


💀 A Cabeça Que Não Queria Morrer

A tradição popular afirma que a cabeça de Masakado:

  • não apodrecia

  • movia os olhos

  • cerrava os dentes

  • gritava durante a noite

As pessoas acreditavam que o espírito do guerreiro ainda estava furioso.

Mas o detalhe mais famoso da lenda é outro:

Dizem que a cabeça voou sozinha de Kyoto até a região onde hoje fica Tóquio.

Sim.

Voou.

E caiu no local onde posteriormente surgiria um dos centros políticos e financeiros mais importantes do planeta.


🏯 O Túmulo Que Tóquio Não Consegue Ignorar

Hoje existe um local conhecido como:

Masakado Kubizuka

O “Túmulo da Cabeça de Masakado”.

O curioso?

Mesmo durante a expansão absurda de Tóquio moderna…
o túmulo permaneceu praticamente intacto.

Arranha-céus surgiram ao redor.

Empresas gigantes apareceram.

Linhas ferroviárias cresceram.

Mas o local continuou sendo tratado com extremo cuidado.

Por quê?

Porque ao longo do século XX começaram a surgir histórias bizarras.


☕💀 A Maldição Moderna

A fama da maldição ganhou força principalmente após vários acontecimentos considerados “estranhos”.

Entre eles:

🔥 Ministério das Finanças

Após reformas e interferências na área ligada ao túmulo:

  • funcionários morreram

  • acidentes ocorreram

  • incêndios surgiram

Os rumores explodiram.


⚔️ Grandes Empresas Evitando o Local

Algumas empresas japonesas preferiram:

  • não construir sobre a área

  • preservar pequenos santuários

  • realizar cerimônias espirituais

Mesmo executivos extremamente racionais evitavam “provocar” Masakado.


💣 Pós-Guerra

Após os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, houve relatos de novos incidentes ligados ao local.

Funcionários americanos envolvidos em mudanças urbanas teriam sofrido acidentes.

Naturalmente:

  • parte disso virou folclore

  • parte foi exagerada

  • parte nunca foi comprovada

Mas a reputação cresceu ainda mais.


👁️ O Que Faz Essa Lenda Ser Tão Forte?

Aqui começa a parte realmente interessante.

Porque Masakado não é apenas um “fantasma”.

Ele representa várias camadas psicológicas e culturais do Japão.


🏯 1. O Espírito do Samurai Injustiçado

No imaginário japonês, espíritos vingativos chamados:

Onryō

são extremamente importantes.

São almas consumidas por:

  • raiva

  • injustiça

  • humilhação

  • traição

E acredita-se que podem causar:

  • desastres

  • doenças

  • incêndios

  • morte

  • caos político

Masakado encaixa perfeitamente nesse arquétipo.


⚔️ 2. O Rebelde Que Nunca Foi “Derrotado”

Mesmo morto…

…ele nunca desapareceu da memória coletiva.

Isso é raro.

Muitos rebeldes viram apenas notas históricas.

Mas Masakado virou:

  • mito

  • entidade espiritual

  • protetor regional

  • símbolo de resistência

É quase como se a cultura japonesa tivesse transformado um erro político em divindade.


☕💣 3. O Medo Japonês do Desequilíbrio

A sociedade japonesa tradicional possui forte preocupação com:

  • harmonia

  • respeito ancestral

  • equilíbrio espiritual

  • continuidade histórica

Interferir brutalmente em um local sagrado pode ser visto como:

  • arrogância

  • ruptura simbólica

  • quebra da ordem

E isso alimenta ainda mais a permanência da maldição.


🏯 O Mais Fascinante: Até os Céticos Respeitam

Talvez essa seja a parte mais incrível.

Muita gente no Japão não acredita literalmente na maldição.

Mas mesmo assim:

  • evitam mexer no túmulo

  • fazem homenagens

  • mantêm oferendas

  • respeitam o local

Porque culturalmente…

…o custo de “desafiar” Masakado parece maior do que simplesmente respeitá-lo.

É quase um comportamento operacional de risco.

No mundo mainframe isso seria:

“Não mexa no job legado que funciona há 40 anos sem entender o impacto.” ☕💀


👁️ Taira no Masakado Virou Algo Maior Que História

Hoje ele existe simultaneamente como:

  • personagem histórico

  • espírito vingativo

  • símbolo samurai

  • lenda urbana

  • entidade religiosa

  • ícone cultural japonês

A linha entre fato e mito desapareceu.

E talvez seja exatamente isso que mantém sua presença tão poderosa após mais de mil anos.

Porque no fim…

…o Japão moderno pode ter:

  • shinkansen

  • IA

  • robótica

  • cidades futuristas

  • automação total

Mas algumas lendas antigas continuam rodando silenciosamente no background da sociedade.

Como um processo ancestral impossível de encerrar.

☕⚔️💀

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

🎍☕ KAGAMI MOCHI — O “CHECKPOINT ESPIRITUAL” JAPONÊS QUE APARECE EM ANIMES E ESCONDE SÉCULOS DE SIMBOLISMO ☕🎍

 

Bellacosa Mainframe e a tradição do mochi

🎍☕ KAGAMI MOCHI — O “CHECKPOINT ESPIRITUAL” JAPONÊS QUE APARECE EM ANIMES E ESCONDE SÉCULOS DE SIMBOLISMO ☕🎍

Se você assiste anime slice of life, romance escolar, comédia familiar ou episódios de Ano Novo…
já viu isso dezenas de vezes:

🍊 uma laranja pequena em cima
⚪ dois mochis redondos empilhados
🎍 decoração tradicional
🏮 casa silenciosa de inverno
🎌 clima de renovação

E provavelmente pensou:

“ok… comida aleatória japonesa.”

MAS NÃO.

Aquilo é:

🎍 Kagami Mochi (鏡餅)

Uma das decorações espirituais MAIS IMPORTANTES do Japão.

E por trás daqueles “dois bolinhos” existe:

  • xintoísmo
  • culto ancestral
  • espiritualidade agrícola
  • simbolismo imperial
  • medo de má sorte
  • purificação de ano novo
  • e conceitos de renovação espiritual que aparecem em anime o tempo TODO.

⚪ O QUE É KAGAMI MOCHI?

O Kagami Mochi é uma decoração tradicional de Ano Novo japonês feita com:

⚪ dois mochis redondos empilhados
🍊 uma daidai (laranja amarga japonesa) em cima

Normalmente colocado:

  • em casas
  • templos
  • empresas
  • escolas
  • restaurantes
  • e até escritórios corporativos japoneses.

Ele funciona como:

oferenda espiritual de Ano Novo.


☕ O MAINFRAME ESPIRITUAL DO ANO NOVO

Ao estilo Bellacosa Mainframe:

Imagine o Ano Novo japonês como:

um IPL espiritual nacional.

O Kagami Mochi seria:

  • o checkpoint do sistema
  • a inicialização ritual do próximo ciclo
  • um “dataset sagrado” temporário
  • carregando prosperidade para o novo período operacional

Sem ele:
❌ sistema espiritual incompleto
❌ risco de “falhas energéticas”
❌ azar simbólico
❌ quebra da harmonia ritual


🏮 POR QUE “KAGAMI”?

鏡 (Kagami)

Significa:

espelho.

E aqui começa a parte PROFUNDA.

O formato arredondado do mochi lembra:

espelhos sagrados japoneses.

Especialmente:

o Yata no Kagami

Um dos:

Três Tesouros Sagrados do Japão Imperial.

Ou seja:
o Kagami Mochi NÃO é apenas comida.

Ele simboliza:

  • pureza
  • reflexão espiritual
  • conexão divina
  • renovação da alma

⚪ POR QUE DOIS MOCHIS?

Isso é extremamente simbólico.

Os dois discos representam:
☯️ dualidade e continuidade.

Interpretações tradicionais incluem:

  • yin e yang
  • passado e futuro
  • velho e novo ano
  • lua e sol
  • céu e terra

A ideia é:

continuidade harmoniosa da existência.


🍊 A LARANJA EM CIMA NÃO É DECORAÇÃO

A fruta chama-se:

Daidai (橙)

E o nome soa parecido com:

“gerações sucessivas.”

Então ela simboliza:

  • continuidade familiar
  • descendência
  • prosperidade da linhagem
  • sobrevivência ancestral

Em outras palavras:

“que a família continue existindo por gerações.”


🎌 A RELAÇÃO COM O XINTOÍSMO

No xintoísmo:
objetos podem armazenar:

presença espiritual.

O Kagami Mochi atua como:

  • receptáculo ritual
  • ponto de purificação
  • oferenda aos kami
  • convite espiritual para boa fortuna

Durante o Ano Novo:
acredita-se que divindades chamadas:

Toshigami

visitam as casas.

O Kagami Mochi funciona como:

“terminal de recepção divina.”


👻 O MEDO DE NÃO FAZER

No Japão tradicional:
não preparar adequadamente o Ano Novo era MUITO sério.

Porque significava:

  • desrespeito espiritual
  • má preparação energética
  • quebra ritual familiar

As consequências simbólicas poderiam incluir:
⚠️ azar
⚠️ doenças
⚠️ problemas financeiros
⚠️ colheita ruim
⚠️ conflitos familiares


🔥 O DETALHE MAIS ABSURDO: NÃO PODE CORTAR COM FACA

Isso é IMPORTANTÍSSIMO.

O Kagami Mochi tradicionalmente NÃO deve ser cortado com faca.

Porque faca:

  • “corta” a sorte
  • quebra harmonia
  • simboliza violência

Então existe o ritual:

Kagami Biraki

Onde o mochi é:

  • quebrado manualmente
  • despedaçado com martelo de madeira

Isso representa:

abertura simbólica do novo ciclo.


🍡 POR QUE MOCHI?

Mochi no Japão tradicional era:

comida sagrada.

Historicamente ligado a:

  • arroz ritual
  • fertilidade
  • energia vital
  • espiritualidade agrícola

O arroz japonês não era apenas alimento.

Era:

combustível espiritual da civilização.


📺 POR QUE APARECE TANTO EM ANIME?

Porque instantaneamente comunica:

✅ Ano Novo
✅ tradição japonesa
✅ reunião familiar
✅ nostalgia
✅ espiritualidade
✅ renovação
✅ “Japão raiz”

É praticamente um:

shortcut visual cultural.


👘 ANIMES CHEIOS DE KAGAMI MOCHI

🌸 Chibi Maruko-chan

Japão doméstico tradicional puro.


🎍 Sazae-san

Praticamente um museu vivo da vida familiar japonesa.


❄️ Fruits Basket

Muita simbologia de tradição e espiritualidade familiar.


🍵 Barakamon

Interior japonês e costumes tradicionais aparecem DIRETO.


🎌 Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu

Detalhes culturais japoneses extremamente ricos.


👁️ O EASTER EGG QUE QUASE NINGUÉM PERCEBE

Em anime:
quando aparece Kagami Mochi:

  • geralmente a cena fala sobre família
  • continuidade
  • memória
  • renovação emocional

Mesmo que ninguém explique diretamente.

Ele costuma aparecer:

  • em momentos de recomeço
  • reconciliação
  • mudança de fase
  • despedida de ano

🧠 O LADO PSICOLÓGICO

O Kagami Mochi representa algo MUITO japonês:

recomeço sem romper continuidade.

No ocidente:
Ano Novo = “novo começo”.

No Japão:
Ano Novo =

continuação harmoniosa do fluxo da existência.

Nada realmente “reinicia”.

Tudo:

  • continua
  • evolui
  • se transforma

O Kagami Mochi simboliza exatamente isso.


🎎 O MAIS PROFUNDO DE TUDO

O Kagami Mochi parece simples.

Mas ele concentra:

  • xintoísmo
  • budismo
  • espiritualidade agrícola
  • simbolismo imperial
  • culto ancestral
  • prosperidade familiar
  • renovação temporal

Tudo em:

dois discos de arroz e uma laranja.

E talvez seja exatamente por isso que ele aparece tanto em anime.

Porque poucos objetos representam tão bem:

a alma silenciosa da cultura japonesa.


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Pernil de Natal receita a El Jefe

Pernil Fatiado a modo El Jefe



Estamos no final do ano e nada como preparar algo diferente para a ceia.

Resolvi inovar e preparar um pernil na caçarola em pequenos bifes bem temperados e cozido lentamente em fogo baixo.

Usei tudo o que havia a mão, pimentões, alho, cebola, salsinha, cebolinha, oregano, pimenta preta, tomates. Fui montando camada por camada e distribuindo as especiarias de modo que o caldo durante a fervura alcançasse toda a carne


Veja o video e qualquer duvida é so perguntar.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Uma árvore solitaria, o romanzeiro do bisavô Paco

 


Uma árvore solitária, o romanzeiro do bisavô Paco

Ao melhor estilo Bellacosa Mainframe, registro aqui uma memória que roda em batch noturno, daquelas que não dá abend, não precisa de restart e segue ativa no coração desde sempre.

Estou falando do meu bisavô Paco, o espanhol. Homem sisudo, poucas palavras, olhar firme — daqueles que parecem um programa antigo em assembler: econômico, direto, sem comentários no código, mas absolutamente funcional e confiável.

A cena é sempre a mesma quando faço o IPL dessa lembrança. Ele lá fora, na antiga rua de terra, cuidando da horta, das plantas do jardim e principalmente da sarjeta, que insistia em entupir. Trabalho de formiguinha, diário, repetitivo, quase um JOB em loop infinito, mas feito com disciplina de quem sabe que se não limpar hoje, amanhã o problema dobra. Às vezes eu ajudava. Ganhava umas coroas para segurar a pá, puxar o barro, aprender que manutenção preventiva evita desastre — lição que anos depois eu reencontraria no mundo do mainframe, só que com outro tipo de sujeira.


O bisavô Paco tinha a mão esquerda semioperacional, consequência de um AVC provocado por um acidente doméstico. Nada de vitimismo. Ele seguia firme, fazendo exercícios com uma bolinha de tênis, apertando, soltando, insistindo. Era o recovery manual do corpo, numa época em que reabilitação era força de vontade e teimosia. No frio de São Paulo, usava luva para aquecer a mão — imagem gravada em storage protegido da minha memória.

Apesar do jeito fechado, ele tinha seus logs de ternura. Um deles era comigo. Sempre elogiava minhas caricaturas, como ele chamava meus desenhos, incentivava, observava, aprovava com um aceno curto de cabeça. Poucas palavras, mas impacto máximo. Era como um RC=0 silencioso.

Mas o verdadeiro dataset crítico dessa história é outro.

O pé de romã.

Um romanzeiro solitário, ali no quintal, cuidado com um afinco quase ritualístico. Podar, adubar, observar. Nada era feito às pressas. Era um processamento em modo síncrono, respeitando o tempo da planta. E quando surgia um fruto — às vezes um só, às vezes dois — a alegria do meu bisavô era genuína, quase infantil. Um sorriso raro, um brilho no olho. No final do ano, comer romã virava um pequeno evento, desses que não precisam de anúncio nem plateia.

Sempre me perguntei, já adulto, que memória aquela árvore despertava nele. Espanha? Infância? Alguma terra seca deixada para trás? Algum quintal que não pude conhecer? A romã, para ele, parecia ser mais que fruto. Era checkpoint emocional, uma âncora silenciosa entre passado e presente.

Hoje, quando vejo uma romã, faço um link-edit automático com essa imagem: o homem calado, a mão lutando para não desistir, a rua de terra, a sarjeta limpa, o cuidado diário, o fruto raro. Entendo, finalmente, que aquele carinho todo não era só pela planta. Era pela memória que ela mantinha viva.

E algumas memórias, assim como certos sistemas legados, precisam ser preservadas, não porque são antigas, mas porque continuam funcionando perfeitamente.

A tradição de comer romãs na virada do ano

Existe um hábito nos países latinos de comer romãs e guardar suas sementes para dar boa sorte no decorrer do ano, justamente na virada do ano, dando as boas vindas para o Ano Novo.



sábado, 21 de dezembro de 2013

📉 Checklist de Redução de MIPS Pós-Migração COBOL 5.00 — IBM Mainframe

 


📉 Checklist de Redução de MIPS

Pós-Migração COBOL 5.00 — IBM Mainframe

“Migrar é sobreviver. Reduzir MIPS é reinar.”


🟥 FASE 1 — MEDIÇÃO (sem medição é fé)

Antes de otimizar, medir

  • ☐ SMF 30 / 72 / 110 coletados

  • ☐ CPU por job / step

  • ☐ Elapsed vs CPU

  • ☐ Consumo em horário de pico

Ferramentas

  • RMF

  • OMEGAMON

  • MXG

  • SAS

  • SMF Dump Analyzer

💬 Fofoquinha:

Time que “acha” que reduziu MIPS geralmente aumentou.



🟧 FASE 2 — COMPILAÇÃO INTELIGENTE (ganho rápido)

⚙ Parâmetros que economizam CPU

OPTIMIZE(2) ← obrigatório TRUNC(BIN) ARITH(EXTEND) RULES DATA(31)

🧠 Avaliar com cuidado

NUMCHECK(ZON,BIN) SSRANGE INITCHECK

📉 Estratégia:

  • DEV/QA → ON

  • PROD → OFF somente se validado

💣 Erro comum:

Desligar NUMCHECK “pra ganhar CPU” sem limpar código.


🟨 FASE 3 — LIMPEZA DE CÓDIGO (onde mora o ouro)

🧹 Remover desperdícios clássicos

☑ DISPLAY em loop
☑ MOVE redundante
☑ IF aninhado desnecessário
☑ PERFORM THRU
☑ WORKING-STORAGE gigante não usada

📉 Impacto:

  • ↓ CPU

  • ↓ Cache miss

  • ↓ Path length

🥚 Easter-egg:

Um DISPLAY esquecido num batch grande já pagou um carro zero.


🟦 FASE 4 — ESTRUTURA DO PROGRAMA (pipeline feliz)

☑ Preferir:

  • PERFORM único

  • Parágrafos curtos

  • Fluxo previsível

☑ Evitar:

  • GO TO

  • PERFORM cruzando seções

  • Código “criativo”

🧠 COBOL 5 + z Architecture:

Código linear = melhor uso de pipeline e cache L1/L2


🟩 FASE 5 — DADOS E FORMATOS (CPU invisível)

💥 Erros caros

ErroCusto
DISPLAY usado como cálculoAlto
COMP mal definidoMédio
REDEFINES abusivoAlto
Conversão implícitaAltíssimo

☑ Use:

  • COMP / COMP-5 corretamente

  • PIC consistente

  • TRUNC(BIN)


🟪 FASE 6 — I/O: O ASSASSINO SILENCIOSO

☑ Minimizar:

  • Leitura redundante

  • WRITE desnecessário

  • SORT interno mal usado

☑ Melhorar:

  • Buffers maiores

  • Uso correto de SORT externo

  • VSAM tuning (CI/CA)

💬 Fofoquinha:

Muitas “otimizações de CPU” são na verdade I/O mal feito.


🟫 FASE 7 — JCL E EXECUÇÃO (ninguém olha, mas pesa)

☑ Revisar:

  • REGION excessivo

  • STEPLIB desnecessário

  • Programas antigos ainda rodando

☑ Avaliar:

  • Rodar batch pesado fora do pico

  • Paralelismo controlado

  • zIIP offload

📉 Ganho indireto:

CPU MSU fora do pico = custo menor


🟧 FASE 8 — zIIP / Offload (dinheiro esquecido)

☑ Verificar:

  • LE habilitado

  • Compilação compatível

  • Ambiente preparado

📉 O que pode ir pra zIIP:

  • XML

  • JSON

  • Serviços

  • Web Services

  • Partes do LE

💬 Fofoquinha:

Tem cliente pagando MIPS caro enquanto o zIIP dorme.


🟥 FASE 9 — REMOÇÃO DE CHECKS (só depois de adulto)

📌 Sequência correta:

  1. NUMCHECK ON

  2. Corrigir código

  3. Medir estabilidade

  4. NUMCHECK OFF

  5. Medir MIPS

❌ Pular etapa = incidente garantido


☠️ ERROS QUE MATAM ECONOMIA

ErroResultado
Otimizar sem SMFIlusão
OPTIMIZE(3) sem testeBug
Desligar checks cedoAbend
Ignorar I/OCPU sobe
Medir só elapsedFatura explode

🎓 RESUMO PADAWAN

✔ COBOL 5 pode reduzir MIPS
✔ Código limpo = CPU baixa
✔ Compilação correta = ganho imediato
✔ Medição manda, opinião não
✔ zIIP é dinheiro esquecido


🧠 FRASE FINAL BELLACOSA™

“Mainframe não é caro.
Caro é código ruim rodando rápido.”

 

domingo, 15 de dezembro de 2013

O BBS dos Yōkai — Guia da Expedição : Do fantasma contado ao redor da fogueira ao yōkai que vive no algoritmo

  

Bellacosa Mainframe e o bbs dos yokai guia da expedicao

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O BBS dos Yōkai — Guia da Expedição

Do fantasma contado ao redor da fogueira ao yōkai que vive no algoritmo: um mapa para explorar a arqueologia do folclore da Internet japonesa

Por Vagner Bellacosa


☕ Introdução — Pegue o café, vamos entrar no arquivo

Tudo começou com uma pergunta aparentemente inocente:

por que existe no Japão a piada de que um homem que chega virgem aos 30 anos ganha poderes mágicos e vira mago?

Era para ser apenas uma curiosidade sobre anime e cultura otaku.

Naturalmente, deu errado.

Ou melhor:

deu Bellacosa.

😂

Quando começamos a procurar de onde surgira aquela ideia, encontramos algo muito maior: fóruns anônimos, BBS, ASCII art, memes, lendas urbanas, fantasmas escolares, estações ferroviárias inexistentes, imagens estranhas, fitas amaldiçoadas, videogames assombrados e histórias cuja origem havia desaparecido depois de milhares de reproduções.

E percebemos que estávamos diante de algo fascinante:

a Internet não matou o folclore.

Ela o acelerou.

Durante milhares de anos, histórias viajaram de pessoa para pessoa.

Alguém via alguma coisa estranha.

Contava para outra pessoa.

A história era repetida.

Um detalhe era acrescentado.

Outro desaparecia.

Décadas depois ninguém sabia mais quem havia contado primeiro.

Então chegaram os computadores.

BBS.

Fóruns.

Imageboards.

Blogs.

Vídeos.

Redes sociais.

Algoritmos.

Inteligência artificial.

A infraestrutura mudou.

O comportamento humano permaneceu assustadoramente familiar.

Foi dessa descoberta que nasceu a série:

O BBS dos Yōkai

Uma pequena expedição arqueológica pelas ruínas da Internet japonesa.

Pegue sua lanterna.

Abra o terminal.

E principalmente:

não clique em nenhum arquivo chamado DO_NOT_OPEN.JPG.


👻 A grande pergunta: o que é um yōkai digital?

Não existe aqui a intenção de estabelecer uma nova classificação acadêmica.

Nosso “yōkai digital” é uma metáfora.

É aquela criatura, personagem, história, rumor ou ideia que começa a apresentar algumas características típicas do folclore:

ninguém sabe exatamente quem criou;

existem inúmeras versões;

a história muda quando é retransmitida;

comunidades diferentes acrescentam elementos;

eventualmente a criação abandona seu contexto original;

e novas pessoas passam a reproduzi-la sem sequer conhecer sua origem.

Nesse momento acontece algo extraordinário.

A história começa a viver independentemente do autor.

É quase como um programa legado cujo programador original desapareceu décadas atrás.

Ele continua executando.

Todo mundo utiliza.

Existem centenas de alterações.

Ninguém possui a documentação original.

E existe aquele comentário:

* NAO ALTERAR ESTA ROTINA

Por quê?

Ninguém sabe.

Mas ninguém tem coragem de apagar.

Folclore e sistemas legados talvez sejam parentes mais próximos do que imaginávamos.


🔥 Da fogueira ao servidor

Podemos resumir milhares de anos de evolução narrativa assim:

FOGUEIRA
   ↓
CONTADOR DE HISTÓRIAS
   ↓
TRADIÇÃO ORAL
   ↓
LENDAS
   ↓
LIVROS E JORNAIS
   ↓
RÁDIO / TELEVISÃO
   ↓
BBS
   ↓
FÓRUNS
   ↓
IMAGEBOARDS
   ↓
MEMES
   ↓
VÍDEOS
   ↓
REDES SOCIAIS
   ↓
ALGORITMOS
   ↓
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O meio muda.

A necessidade humana permanece:

“Você não vai acreditar no que aconteceu...”

Essa talvez seja uma das frases mais antigas da humanidade.


🏺 Parte I — Escavando os primeiros fósseis digitais

A primeira etapa da nossa viagem começa nas camadas mais antigas.

BBS.

Comunidades online.

2channel.

Futaba.

ASCII art.

Mona.

Memes.

E uma velha piada japonesa segundo a qual chegar aos 30 anos ainda virgem desbloqueia a classe:

WIZARD.

O que parecia apenas humor otaku revelou uma característica fundamental da Internet japonesa:

ideias circulam, são modificadas, reaparecem em outras comunidades e eventualmente entram na cultura popular.

Mas o grande fantasma da primeira expedição foi:

🚉 Kisaragi Station

Uma pessoa entra num trem.

O trem deveria parar.

Não para.

Finalmente chega a uma estação.

Kisaragi.

Só existe um pequeno problema.

A estação aparentemente não existe.

A história tornou-se um dos exemplos mais conhecidos de lenda urbana associada à Internet japonesa.

E existe algo particularmente moderno nela.

O monstro não precisa ser uma criatura.

O próprio sistema tornou-se sobrenatural.

A infraestrutura falhou.

Você entrou no trem correto.

Na linha correta.

No horário correto.

E chegou a um lugar que não deveria existir.

Para um programador:

JOB COMPLETED
RC=0000

OUTPUT DATASET:
UNIVERSE.UNKNOWN

Não gosto disso.

😂

📚 Leia a Parte I — O BBS dos Yōkai: uma arqueologia do folclore da Internet japonesa

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2013/09/o-bbs-dos-yokai-uma-arqueologia-do.html


👹 Parte II — As criaturas começam a nascer dentro da rede

Na segunda expedição, descemos mais fundo.

Agora não estamos simplesmente observando histórias antigas sendo transmitidas digitalmente.

Começamos a encontrar criaturas cuja identidade moderna está profundamente ligada às próprias comunidades online.

Entre elas:

Kunekune.

Uma figura distante.

Branca.

Movendo-se de maneira impossível.

Você consegue vê-la.

Mas não consegue entender exatamente o que está vendo.

E talvez seja melhor continuar assim.

Porque, em determinadas versões da história, tentar compreender claramente aquilo pode ter consequências terríveis.

Para nosso mainframeiro:

IF KUNEKUNE = UNKNOWN
   CONTINUE
ELSE
   RUN.

😂

Depois encontramos:

👩 Hachishakusama

Uma mulher absurdamente alta.

Uma presença inquietante.

E uma assinatura sonora inesquecível:

Po...

Po...

Po...

Aqui percebemos outra característica importante do bom folclore:

compressão narrativa.

Não precisamos de cinquenta páginas.

Às vezes três elementos bastam.

Mulher.

Muito alta.

Som estranho.

O cérebro do leitor completa o resto.


🚽 Japão encontra Brasil

Durante a segunda parte também encontramos fantasmas escolares japoneses, especialmente histórias envolvendo banheiros.

Inevitavelmente apareceu uma brasileira para participar da conversa:

A Loira do Banheiro.

E surgiu uma questão deliciosa.

Quantas versões da Loira do Banheiro existem?

Tem que bater na porta?

Dar descarga?

Chamar diante do espelho?

Quantas vezes?

Como ela morreu?

Qual escola?

Cada região parece possuir sua própria implementação.

LOIRA_DO_BANHEIRO_V7.2
REGIONAL BUILD

😂

Isso nos levou a uma conclusão importante.

O Brasil também possui uma quantidade extraordinária de matéria-prima folclórica.

Curupira.

Boitatá.

Corpo-Seco.

Pisadeira.

Mapinguari.

Iara.

Boto.

Mula-sem-Cabeça.

E inúmeras lendas locais.

Talvez não precisemos copiar os yōkai japoneses.

Precisamos aprender com o Japão uma coisa muito mais importante:

continuar reinventando nossos próprios monstros.

📚 Leia a Parte II — Quando os fantasmas aprenderam TCP/IP

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2013/10/o-bbs-dos-yokai-parte-ii-quando-os.html


💻 Parte III — A maldição descobre o protocolo

Então chegamos à terceira camada.

E as coisas pioraram.

O fantasma percebeu uma coisa:

arquivos podem ser copiados.

Antes, uma entidade precisava assombrar uma casa.

Agora pode assombrar uma mídia.

Fita VHS.

Fotografia.

Mensagem.

Celular.

Arquivo.

Videogame.

Vídeo.

Streaming.

A maldição tornou-se distribuída.


📼 O fantasma encontra a fita VHS

O terror tecnológico moderno percebeu rapidamente o potencial de uma mídia amaldiçoada.

A lógica é assustadoramente semelhante a malware:

USER
 ↓
MEDIA
 ↓
EXECUTION
 ↓
PAYLOAD
 ↓
CURSE
 ↓
REPLICATION

Quando uma maldição pode ser copiada, o sobrenatural ganhou escalabilidade.

Antes:

uma casa assombrada.

Depois:

dez mil cópias da maldição.

O fantasma descobriu computação distribuída.

Estamos perdidos.


📱 Depois ele encontrou o celular

E existe algo ainda mais interessante no telefone celular.

Nós carregamos o dispositivo conosco.

Possui:

microfone;

câmera;

localização;

contatos;

fotografias;

mensagens;

histórico.

O telefone tornou-se provavelmente o objeto mais íntimo tecnologicamente que já criamos.

Portanto é perfeito para terror.

Uma chamada do número errado é normal.

Uma chamada do seu próprio número é estranha.

Uma mensagem de alguém morto é assustadora.

Uma mensagem enviada por você mesmo...

amanhã...

já começa a complicar.


🎮 O save game como fantasma

A terceira parte também explorou um dos meus conceitos favoritos:

dados persistentes como assombração.

Imagine comprar um videogame antigo.

Existe um save.

Criado décadas atrás.

O antigo jogador desapareceu.

Mas o personagem continua lá.

Nome.

Itens.

Localização.

Horas jogadas.

Tecnicamente nada sobrenatural aconteceu.

Mas existe algo profundamente fantasmagórico nisso.

O ser humano foi embora.

Os dados ficaram.

E essa ideia nos levou inevitavelmente para algo muito maior.


🤖 Inteligência artificial e os mortos digitais

Hoje deixamos quantidades gigantescas de informação.

Fotografias.

Vídeos.

E-mails.

Mensagens.

Posts.

Áudios.

Comentários.

Textos.

Durante quase toda a história humana, a maioria das pessoas desaparecia deixando pouquíssimos registros.

Agora podemos deixar terabytes.

E então surge uma pergunta desconfortável:

o que acontece quando sistemas de inteligência artificial conseguem reproduzir estatisticamente a maneira como alguém escrevia, falava ou respondia?

Não é o morto.

Mas também não é simplesmente uma fotografia.

Existe interação.

Talvez o yūrei tecnológico do século XXI não precise atravessar uma parede.

Talvez ele apareça numa janela de chat.

📚 Leia a Parte III — O arquivo amaldiçoado

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2013/11/o-bbs-dos-yokai-parte-iii-o-arquivo.html


🕯️ O fantasma que criamos quando éramos crianças

E no meio dessa viagem japonesa apareceu uma lembrança brasileira.

Quando éramos crianças, eu e meus irmãos utilizávamos algumas vezes velas e latas velhas numa trilha escura no meio do mato para assustar pessoas que passavam por ali.

Para nós:

CRIANÇAS + VELAS + LATAS = DIVERSÃO

Para quem passava:

LUZES + BARULHOS + MATO + ESCURIDÃO = ???

Décadas depois, uma dessas pessoas poderia perfeitamente dizer:

“Eu vi umas luzes estranhas naquela trilha.”

E estaria dizendo a verdade.

Ela viu.

O que talvez não soubesse era o que estava vendo.

Agora imagine essa história sendo contada.

Depois recontada.

Alguém acrescenta um detalhe.

Outro esquece outro.

Décadas passam.

Talvez surja:

“Dizem que existem luzes naquela trilha.”

Depois:

“São almas.”

Finalmente:

“Nunca passe ali depois da meia-noite.”

Pronto.

A assombração nasceu.


🧬 Folclore é software sem controle de versão

Depois de três artigos, talvez essa seja minha analogia favorita.

Imagine:

VERSION 1:
Vi uma luz.

VERSION 2:
Vi uma luz estranha.

VERSION 3:
Existe uma luz naquela estrada.

VERSION 4:
É uma pessoa que morreu.

VERSION 5:
Meu avô conhecia quem morreu.

VERSION 6:
TODO MUNDO SABE QUE ESSA HISTÓRIA É VERDADE.

Onde está a versão original?

Perdida.

Quem criou?

Não sabemos.

Qual alteração introduziu o fantasma?

Não sabemos.

Quem fez o commit?

UNKNOWN.

Bem-vindo ao folclore.


🌐 A Internet não criou esse comportamento

Essa talvez seja a conclusão mais importante de toda a série.

Temos tendência a imaginar que memes são fenômenos completamente novos.

Mas muitos dos mecanismos são antiquíssimos.

Copiar.

Modificar.

Repetir.

Adaptar.

Combinar.

Esquecer a origem.

A Internet apenas aumentou brutalmente:

velocidade + alcance + capacidade de reprodução.

Antes uma história atravessava uma região durante décadas.

Agora pode atravessar o planeta durante a madrugada.


🤖 E agora temos um novo participante

A inteligência artificial entrou no circuito.

Temos:

HUMANO
   ↓
HISTÓRIA
   ↓
INTERNET
   ↓
IA
   ↓
HUMANO
   ↓
NOVA HISTÓRIA

Isso cria oportunidades extraordinárias.

Mas também um perigo.

Uma informação incorreta pode ser copiada por dezenas de sites.

Uma IA encontra dezenas de páginas dizendo a mesma coisa.

Parece consenso.

Mas talvez todas tenham copiado a mesma fonte errada.

É o equivalente acadêmico da velha frase:

“Todo mundo sabe.”

Quem é todo mundo?

Ninguém sabe.

😂

Por isso a arqueologia digital precisa preservar uma palavra importantíssima:

incerto.


🏺 O problema do arqueólogo de 2076

Imagine alguém tentando estudar nossa Internet daqui a cinquenta anos.

Ele encontrará quantidades gigantescas de informação.

Mas quantidade não significa contexto.

Talvez encontre este blog.

Leia os três artigos.

Encontre COBOL.

Yōkai.

Loira do Banheiro.

Kisaragi.

Mainframe.

Peixeira.

Café.

IA.

E conclua:

“No início do século XXI existia uma corrente espiritual brasileira denominada Bellacosa Mainframe, cujos integrantes utilizavam café para comunicar-se com entidades japonesas através de computadores IBM.”

😂😂😂

E então alguém cita.

Outro artigo cita o primeiro.

Uma IA aprende.

Em 2097 alguém pergunta:

“O que era Bellacosa Mainframe?”

E recebe:

“Antigo ritual tecnológico brasileiro envolvendo café, COBOL e yōkai.”

Pronto.

Nós mesmos viramos folclore.


☕ Conclusão — Toda lenda começa como uma dúvida

Começamos perguntando por que um homem japonês virgem aos 30 anos poderia virar mago.

Terminamos discutindo como a inteligência artificial poderá modificar nossa relação com a memória dos mortos.

No caminho encontramos:

BBS.

2channel.

Futaba.

ASCII art.

Kisaragi Station.

Kunekune.

Hachishakusama.

Hanako-san.

Densha Otoko.

OS-tan.

Yukkuri.

Nico Nico.

Loira do Banheiro.

VHS.

Celulares.

Jogos.

Creepypastas.

Algoritmos.

IA.

E algumas crianças brasileiras com velas e latas numa trilha escura.

Aparentemente são assuntos completamente diferentes.

Mas existe um fio conectando tudo.

Histórias querem viajar.

Nós somos seus transportadores.

Cada vez que contamos novamente, alguma coisa pode mudar.

E quando a origem finalmente desaparece...

começa o trabalho do arqueólogo.

Talvez seja justamente por isso que estudar o folclore da Internet seja tão fascinante.

Estamos observando em velocidade acelerada um processo que acompanha a humanidade há milhares de anos.

A fogueira virou BBS.

O contador de histórias virou usuário anônimo.

O manuscrito virou thread.

A assombração virou arquivo.

O boato virou meme.

E o yōkai...

bem...

o yōkai continua sendo yōkai.

Só aprendeu TCP/IP.


📚 A expedição completa

Parte I — O BBS dos Yōkai: uma arqueologia do folclore da Internet japonesa

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2013/09/o-bbs-dos-yokai-uma-arqueologia-do.html

Parte II — O BBS dos Yōkai: quando os fantasmas aprenderam TCP/IP

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2013/10/o-bbs-dos-yokai-parte-ii-quando-os.html

Parte III — O BBS dos Yōkai: o arquivo amaldiçoado

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2013/11/o-bbs-dos-yokai-parte-iii-o-arquivo.html


//YOKAI    JOB CLASS=BELLACOSA
//CAFE     EXEC PGM=FOLKLORE
//SYSIN    DD *

  ORIGIN ............. UNKNOWN
  REPLICATION ........ ACTIVE
  MUTATION ........... ENABLED
  INTERNET ........... CONNECTED
  AI .................. ONLINE
  COFFEE .............. READY

/*

$HASP395 YOKAI ENDED - RC=0000

WARNING:
STORY MAY CONTINUE EXECUTING
AFTER AUTHOR LOGOFF.

☕👻💻

Toda lenda começa como uma dúvida.

Toda dúvida merece um café.

— Vagner Renato Bellacosa

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O BBS dos Yōkai — Guia da Expedição

Do fantasma contado ao redor da fogueira ao yōkai que vive no algoritmo: explore a série sobre arqueologia do folclore da Internet japonesa, BBS, 2channel, Futaba, lendas urbanas, creepypastas, cultura otaku, terror tecnológico e inteligência artificial.

O BBS dos Yōkai é uma série do Bellacosa Mainframe dedicada à arqueologia cultural da Internet japonesa.

A expedição acompanha a evolução das histórias desde os antigos fóruns e BBS japoneses até lendas como Kisaragi Station, Kunekune e Hachishakusama, chegando às creepypastas, vídeos amaldiçoados, jogos, algoritmos e inteligência artificial.

Escolha abaixo uma etapa da expedição. Os links são páginas independentes e podem ser abertas diretamente ou visualizadas no leitor incorporado.

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Bellacosa Mainframe — Toda lenda começa como uma dúvida. Toda dúvida merece um café.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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