☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta El Jefe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta El Jefe. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Onde estou?




Onde estou?
Clique no botão para receber as coordenadas:




☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Onde Estou? — Dilbert, COBOL e a Geografia Impossível do El Jefe Midnight Lunch

🧭🦖 Quando você entra procurando mainframe, tropeça em Júlio Verne, passa por anime, encontra Grace Hopper tomando café e percebe que ninguém sabe exatamente em qual departamento este blog deveria estar

Existe uma pergunta absolutamente legítima que qualquer pessoa pode fazer depois de passar quinze minutos pelo El Jefe Midnight Lunch:

Onde diabos eu estou?

Você chegou pelo Google procurando:

COBOL S0C7

Perfeito.

Encontrou um artigo técnico.

Clicou num link.

Foi parar em:

JÚLIO VERNE

Clicou novamente.

RED TEAM

Mais um.

ANIME

Outro.

GRACE HOPPER

Outro.

TEORIA DOS JOGOS

Outro.

MAINFRAME

Ufa.

Voltamos.

Clica novamente.

Agora existe um dinossauro usando gravata explicando Db2 enquanto Phileas Fogg tenta submeter um JCL antes de completar a Volta ao Mundo em 80 Dias.

Você fecha a aba.

Abre novamente.

Confere o endereço.

Sim.

É o mesmo blog.

Bem-vindo.



🧑‍💼 Dilbert entra no prédio

Imagine Dilbert chegando para seu primeiro dia no El Jefe Midnight Lunch Corporation.

Recepção:

— Bom dia. Qual departamento?

Dilbert:

— Desenvolvimento.

— COBOL?

— Pode ser.

— Mainframe?

— Sim.

— Segurança?

— Talvez.

— Inteligência Artificial?

— Também.

— História?

— Como?

— Anime?

— Não.

— Júlio Verne?

— Senhora, eu só vim corrigir um programa.

A recepcionista entrega um crachá:

EL JEFE MIDNIGHT LUNCH

DEPARTAMENTO:
¯\_(ツ)_/¯

Primeira lição:

Aqui o organograma falhou.


🗺️ Onde estou?

Tecnicamente?

Num blog.

Conceitualmente?

Essa resposta é mais complicada.

O El Jefe Midnight Lunch parece menos uma publicação tradicional e mais um:

Knowledge Graph que tomou café demais.

Não existe apenas:

ARTIGO A
ARTIGO B
ARTIGO C
ARTIGO D

Existe:

             COBOL
            /     \
        MAINFRAME  HISTÓRIA
          /           \
       CICS          VERNE
        |              |
       DB2          FUTURO
        \              /
         \            /
             IA
            /  \
      RED TEAM  CULTURA
          \       /
            ANIME

Dilbert olha o desenho.

— Quem projetou isso?

Resposta:

— Foi crescendo.

Dilbert fecha os olhos.

Ele já ouviu essa frase antes.


🦖 Você está num blog de mainframe

Sim.

Definitivamente.

Existe COBOL.

Muito COBOL.

Tem:

JCL
CICS
Db2
VSAM
IMS
RACF
z/OS
JES2
SDSF
REXX
Assembler
LinuxONE
APIs
DevOps

Você pode entrar aqui sem saber o que significa:

DISP=(NEW,CATLG,DELETE)

e sair algumas horas depois sabendo.

Ou pelo menos sabendo que deveria tomar cuidado.

Portanto:

é um blog técnico.

Caso encerrado.

Não tão rápido.


🚀 Você também está numa máquina do tempo

Porque COBOL sem história é apenas sintaxe.

Mainframe sem contexto vira catálogo de produto.

Então abrimos uma porta.

Grace Hopper aparece.

Outra.

System/360.

Outra.

Anos 1970.

CICS.

Outra.

Internet.

Cloud.

IA.

De repente Júlio Verne entra pela lateral e pergunta:

“Vocês já pensaram em viajar até o centro da Terra?”

Claro.

Pegamos COBOL junto.

Porque por que não?


📚 Dilbert protesta

— Isso não é metodologia educacional.

Talvez seja.

Existe uma coisa curiosa sobre memória.

Compare:

“CICS é um monitor de processamento de transações.”

com:

“CICS é a cidade subterrânea encontrada durante nossa Viagem ao Centro do CPD.”

Qual você lembra amanhã?

Provavelmente a cidade subterrânea.

Agora imagine:

JES2 = ESTAÇÃO FERROVIÁRIA
JCL  = BILHETE DA VIAGEM
JOB  = TREM
DD   = BAGAGEM
COBOL = PASSAGEIRO
SDSF = PAINEL DA ESTAÇÃO

Tecnicamente a analogia possui limites.

Didaticamente?

Seu cérebro acabou de construir ganchos.


🧠 Você está dentro de uma cabeça hiperlinkada

Talvez essa seja uma descrição melhor.

Pensamento humano raramente funciona assim:

A
↓
B
↓
C
↓
D

Ele funciona mais assim:

COBOL
 ↓
1959
 ↓
GRACE HOPPER
 ↓
MARINHA
 ↓
NAVIOS
 ↓
JÚLIO VERNE
 ↓
NÁUTILUS
 ↓
CAPITÃO NEMO
 ↓
SUBMARINO
 ↓
SISTEMA CRÍTICO
 ↓
REDUNDÂNCIA
 ↓
MAINFRAME
 ↓
COBOL

Voltamos ao começo.

Dilbert observa:

— Isso parece um loop infinito.

COBOLzeiro:

PERFORM UNTIL END-OF-CURIOSITY

Dilbert:

— E quando END-OF-CURIOSITY fica TRUE?

Silêncio.

Nunca pensamos nessa possibilidade.


🎌 E por que tem anime aqui?

Excelente pergunta.

O executivo da IBM chegou procurando:

Enterprise COBOL 6.x

Encontrou.

Gostou.

Scroll.

Mais COBOL.

Scroll.

z/OS.

Scroll.

Red Team.

Scroll.

Júlio Verne.

Interessante.

Scroll.

Anime.

O executivo para.

Volta.

Confere.

Sim.

Anime.

Nesse instante acontece uma coisa importante.

O blog deixa de parecer documentação corporativa.

Ele ganha personalidade.


🧑‍💼 O Pointy-Haired Boss entra na reunião

Chefe:

— Precisamos definir nosso público-alvo.

Dilbert:

— Desenvolvedores mainframe.

Chefe:

— Excelente.

— Profissionais de segurança.

— Excelente.

— Estudantes.

— Excelente.

— Pessoas interessadas em história da computação.

— Excelente.

— Fãs de ficção científica.

— Hmm.

— Anime.

— Espere.

— Cultura japonesa.

— Dilbert...

— Cinema.

— Pare.

— Filosofia.

— PARE.

— Viagens.

— QUAL É O NICHO?

Silêncio.

No fundo da sala alguém responde:

Vagner.

Fim da reunião.


🏪 O problema da loja especializada

A internet moderna adora nichos.

Crie:

COBOLBLOG.COM

Fale apenas de COBOL.

Ótimo para classificação.

Mas depois de algum tempo você escreveu:

O QUE É COBOL
HISTÓRIA DO COBOL
VARIÁVEIS COBOL
PERFORM
COPYBOOK
ARQUIVOS
DB2
CICS

E então?

O mundo real não possui divisórias perfeitas.

COBOL conversa com:

NEGÓCIO
HISTÓRIA
ECONOMIA
BANCOS
SEGURANÇA
IA
CULTURA
PESSOAS

A partir daí começam as pontes.


🌉 O segredo são as pontes

Talvez o visitante chegue por:

JÚLIO VERNE

e descubra:

COBOL

Outro chega por:

COBOL

e encontra:

GRACE HOPPER

Outro:

RED TEAM

e encontra:

RACF

Outro chega por:

ANIME

e quinze cliques depois está lendo sobre:

NORMALIZATION OF DEVIANCE

Não pergunte como.

O grafo sabe.


🕸️ O blog como mainframe

Agora percebi o verdadeiro problema.

Talvez o El Jefe Midnight Lunch seja arquitetado como um mainframe.

Na superfície existem milhares de portas.

Por baixo:

                 BLOG
                   |
          +--------+--------+
          |                 |
      TECNOLOGIA          CULTURA
          |                 |
     +----+----+       +----+----+
     |         |       |         |
   COBOL      IA     ANIME     CINEMA
     |         |       |         |
    CICS    RED TEAM  JAPÃO    HISTÓRIA
     \         |       /         /
      \        |      /         /
       +-------+-----+---------+
               |
            PESSOAS
               |
           EXPERIÊNCIA

E lá no centro:

CURIOSIDADE.

Essa talvez seja a verdadeira CPU do negócio.


🐶 Dogbert oferece consultoria

Naturalmente Dogbert percebe uma oportunidade.

Entra usando terno.

Slide 1:

EL JEFE DIGITAL TRANSFORMATION STRATEGY

Slide 2:

CONTENT SYNERGY
KNOWLEDGE FABRIC
AI-DRIVEN STORYTELLING
CROSS-DOMAIN ENGAGEMENT
HYPERLINK ECOSYSTEM

Slide 3:

CONSULTORIA: US$ 250.000

Dilbert levanta a mão:

— Isso significa que ele escreve sobre coisas que acha interessantes e coloca links entre elas?

Dogbert:

— Não diga isso na frente do cliente.


🔬 Mas existe método no caos

Aparentemente encontramos aleatoriedade.

Por baixo existe uma estrutura recorrente.

Um assunto técnico aparece.

Depois contexto.

Depois história.

Depois analogia.

Depois cultura.

Depois humor.

Depois voltamos à tecnologia.

Algo como:

CONCEITO
   ↓
HISTÓRIA
   ↓
ANALOGIA
   ↓
ABSURDO
   ↓
PIADA
   ↓
EXPLICAÇÃO
   ↓
CONCEITO NOVAMENTE

Esse loop é importante.

Porque tecnologia pura pode ser árida.

Humor puro pode ser descartável.

História pura pode virar nostalgia.

Quando os três se encontram:

TECNOLOGIA
+
HISTÓRIA
+
HUMOR

surge algo que talvez você lembre.


🦖 Por isso existe um dinossauro

COBOL é chamado de dinossauro.

Então vamos usar um dinossauro.

Não apenas escrever:

“COBOL possui elevada longevidade.”

Isso é correto.

Também possui a capacidade de anestesiar pequenos mamíferos.

Melhor:

O dinossauro se recusa a morrer porque ainda está fechando o movimento do banco enquanto você escreve o obituário.

Agora temos uma imagem mental.

Didática também é engenharia de memória.


☕ Por isso existe café

O café também não é acidente.

Mainframe possui algo profundamente humano que frequentemente desaparece das apresentações técnicas.

Por trás de:

99,999%

existem pessoas.

Operadores.

Programadores.

DBAs.

Sysprogs.

Analistas.

Arquitetos.

Gente trabalhando às 03:17 porque:

JOB ABENDED

E alguém precisa descobrir por quê.

O café representa essa pessoa.


📊 Onde estou? — versão corporativa

Dilbert precisa preencher o formulário.

TIPO DE SITE:

Ele tenta:

[ ] BLOG TÉCNICO
[ ] BLOG PESSOAL
[ ] EDUCAÇÃO
[ ] HISTÓRIA
[ ] CULTURA
[ ] ENTRETENIMENTO
[ ] TECNOLOGIA

Marca todos.

Sistema:

ERROR:
SELECT ONLY ONE CATEGORY

Dilbert:

— Temos um problema.

COBOLzeiro:

— Não.

— O formulário tem um problema.


🤖 Então chega a Inteligência Artificial

Agora a confusão fica ainda melhor.

Porque IA consegue atravessar exatamente essas fronteiras.

Podemos perguntar:

“Explique COBOL usando Júlio Verne.”

E surge uma viagem ao centro do CPD.

“Explique debugging usando um inventor de desenho animado.”

Surge outra história.

“Explique um road map mainframe como a Volta ao Mundo em 80 Dias.”

Phileas Fogg imediatamente ganha acesso ao SDSF.

Estamos utilizando cultura como interface para conhecimento técnico.

Isso é muito mais interessante do que simplesmente:

CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO AO JCL

🗺️ Você não está numa biblioteca

Bibliotecas dizem:

TECNOLOGIA → ESTANTE 4
LITERATURA → ESTANTE 7
CINEMA → ESTANTE 12

Aqui alguém colocou um túnel entre as estantes.

Você entra em literatura.

Sai em CICS.

Entra em anime.

Sai em filosofia.

Entra em mainframe.

Sai em história.

O bibliotecário pediu demissão.


🧭 Então, novamente:

ONDE ESTOU?

Resposta curta:

No El Jefe Midnight Lunch.

Resposta técnica:

Num grande corpus hiperlinkado de tecnologia, mainframe, história, cultura, experiências, humor e curiosidade.

Resposta Bellacosa:

Num CPD mental sem mapa de evacuação.


🚪 Não existe porta principal

Talvez essa seja outra característica curiosa.

Você não precisa começar pelo primeiro artigo.

Nem existe realmente “primeiro”.

Pode chegar por qualquer porta.

GOOGLE
LINKEDIN
X
YOUTUBE
LINK INTERNO
BUSCA
ACASO

A partir dali começa sua própria rota.

É quase um RPG.

Você escolhe:

> COBOL
  IA
  HISTÓRIA
  ANIME
  RED TEAM
  VIAGENS
  FILOSOFIA

Seleciona COBOL.

Are you sure?

YES

Cinco horas depois você está lendo Júlio Verne.

Não reclame.

Foi avisado.


🧑‍💻 Dilbert finalmente entende

Depois de percorrer dezenas de páginas, Dilbert retorna à recepção.

A funcionária pergunta:

— Descobriu qual é o departamento?

Ele olha para o crachá:

DEPARTAMENTO:
¯\_(ツ)_/¯

Pensa alguns segundos.

Pega uma caneta.

Risca.

Escreve:

CURIOSIDADE APLICADA.

Talvez seja isso.

Não importa se o ponto de partida é COBOL, Verne, IA, um filme, uma viagem, um incidente ou alguma tecnologia esquecida.

A pergunta fundamental é sempre:

“O que existe atrás dessa porta?”

E então abrimos.


☕ Epílogo — Você está aqui

Imagine finalmente um gigantesco mapa do blog.

Milhares de páginas.

Milhares de conexões.

No centro existe aquela clássica marca vermelha:

📍 VOCÊ ESTÁ AQUI

Ao lado:

COBOL ................ 300 m
JÚLIO VERNE .......... 450 m
CICS ................  600 m
ANIME ................ 700 m
RED TEAM ............. 900 m
IA .................. 1,2 km
HISTÓRIA ............ 1,5 km
PRÓXIMA IDEIA ....... ???

Dilbert olha o mapa.

— Como volto para a página inicial?

O mainframeiro aponta para uma placa:

RETURN

Dilbert segue.

A placa seguinte diz:

PERFORM UNTIL END-OF-BLOG

Ele congela.

— Qual é o END-OF-BLOG?

O velho COBOLzeiro serve outra xícara de café.

Sorri.

E responde:

“Esse campo nunca foi inicializado.”

☕🦖🧭💾

Bem-vindo ao El Jefe Midnight Lunch.

Você pode até descobrir onde está.

O problema...

é saber onde vai estar daqui a três cliques.



Onde estou?


sexta-feira, 29 de março de 2019

El Jefe Midnight Lunch - Facebook

Viagens e aventuras do El Jefe



El Jefe Midnight Lunch é uma página que foi criada para divulgar meu trabalho amador em videos no Youtube, fotografia de viagens, falar bobeiras, partilhar conteúdo. Minha pequena vitrine das loucas e emocionantes aventuras em mais de 4 décadas de viagens... foram mais de 25 países e mais de 500 cidades visitadas em 3 continentes. Espero poder ir mais longe, tudo depende das verbas, claro sempre elas... porém espero que curtam este cantinho, explorem com gosto, curta a página, assistam os videos, comentem e partilhem os conteúdos, prometo sempre partilhar com vocês estes momentos. Obrigado pela sua visita.
.
#eljefemidnightlunch #bellacosaindexpage #vagnerbellacosa #viagenseaventuras #andarilho #fotos #filmes #videos #youtubers #youtube #divulgacaodecanal #compartilhamento #adventures #street #walking #building #places #museuns #photo #cine #movie #hollywood #passeio #trilhas #esportes #radicais #free #gratis
.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

El Jefe Midnight Lunch

Meia noite, estou com fome!


Deu meia noite e bateu uma fome dos diabos, abro armário, geladeira e saio fazendo a maior confusão. Encontro tudo o que preciso, resolvo fazer um sanduba, o rei dos sandubas.

Utilizo em seu preparo pão amanhecido, queijo em fatias, ovo frito com a gema mole, muita cebola, pimenta , manjericao e azeite.



Frito o bife de pernil bem temperado deixando-o ao ponto. Acrescento a cebola
Ao final frito o ovo nessa gordura



Preparo o sanduiche e coloco na chapa para derreter o queijo e deixar a casca crocante.

Graças a este sanduiche tive a epifania de montar meu blog, fotoblog, fan-page no facebook e google plus e video no youtube.

Por isso desde esse dia, assino minhas paginas como El Jefe Midnight Lunch.

Bom apetite.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Pollo frito a Mississippi

Frango frito inteiro em imersão

Sempre tive vontade de provar um frango frito a moda do Mississippi, depois de tanto enrolar, um dia inspirado comecei o preparo.

Comprei um frango inteiro e deixei marinar em tempero por 24 horas... alho, cebola, salsa, oregano, pimenta vermelha, pimenta do reino, cebolinha e sal a gosto.

(versão com áudio)

Depois em uma panela bem alta, despejei quase um litro de óleo e deixei pegar ponto de fervura.


Deixei o frango ficar crocante na pele e molhadinho por dentro. Acompanha bem com arroz a moçambique ou batatas cozidas.

Arroz a moda de moçambique e feito do género de risoto italiano e utiliza-se óleo de dende e leite de coco, para dar um sabor exótico.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Pernil de Natal receita a El Jefe

 

Bellacosa Mainframe e o pernil de natal

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🍖 Pernil de Natal à El Jefe — Quando uma Ceia Comunitária Fez o Eremita Sair da Toca

Itatiba, Natal de 2013. Um tacho enorme, um pernil cozinhando lentamente durante toda a tarde e mais de vinte pessoas mostrando que, em uma comunidade do interior, às vezes você pode até querer ficar sozinho — mas seus vizinhos não deixam.

Existem fotografias e vídeos antigos que parecem registrar apenas coisas banais.

Uma panela.

Alguns tomates.

Cebolas.

Pimentões.

Carne de porco.

Uma mão mexendo nos ingredientes.

O fogo trabalhando lentamente.

Durante anos podemos olhar para aquilo e pensar:

— Era apenas uma receita.

Mas não era.

Esse pequeno vídeo de um pernil de Natal preparado à moda El Jefe, publicado nos primórdios do blog, acabou preservando algo muito maior.

Ele registrou um daqueles momentos genuínos do El Jefe Midnight Lunch na cozinha.

E, principalmente, registrou uma tarde muito particular da minha vida.

Precisamos voltar para 2013.



🇮🇹 O homem que tinha acabado de voltar da Itália

Eu havia retornado recentemente da Itália para Itatiba.

Depois de tantos anos vivendo fora, retornar não significava simplesmente desembarcar, abrir uma mala e continuar a vida exatamente de onde ela havia parado.

Quem passa muito tempo longe descobre uma coisa curiosa:

você volta para casa, mas a casa que deixou também mudou.

As pessoas seguiram suas vidas.

As rotinas mudaram.

Você também mudou.

E naquele Natal eu estava em casa.

Sozinho.

Nada necessariamente dramático.

Era simplesmente a situação daquele momento.

Eu sempre tive algo de eremita.

Consigo passar horas sozinho, inventando alguma coisa, mexendo em computador, pesquisando, escrevendo, desmontando ideias ou, como naquele dia, entrando na cozinha e transformando ingredientes em alguma experiência gastronômica.

Provavelmente teria passado aquele Natal dessa maneira sem grandes problemas.

Mas existe uma característica deliciosa das comunidades do interior:

às vezes elas simplesmente não permitem que você fique sozinho.


🏘️ José Brunelli Filho

Eu morava na região da Rua JOSÉ Brunelli Filho no Jardim Arizona, em Itatiba.

E foi ali que apareceu o convite.

Luciana e seus familiares perceberam que aquele sujeito recém-retornado da Itália passaria o Natal sozinho.

Então veio algo muito simples:

— Venha passar o Natal conosco.

Não era uma festa formal.

Não havia convite impresso.

Não havia lista sofisticada de convidados.

Era uma ceia comunitária entre vizinhos.

Mais de vinte pessoas.

E havia uma regra implícita maravilhosa:

cada pessoa levaria alguma coisa.

Um preparava um prato.

Outro levava uma sobremesa.

Alguém aparecia com bebida.

Outro trazia alguma receita tradicional da família.

E pouco a pouco uma mesa que não pertencia a ninguém acabava pertencendo a todos.

Eu precisava levar alguma coisa.

E pensei:

vou fazer um pernil.

Mas, naturalmente, sendo El Jefe Midnight Lunch, não poderia simplesmente colocar um pernil inteiro no forno e esperar.

Tinha que inventar moda.



🍖 Pernil suíno à moda portuguesa

A ideia começou com um tacho enorme.

Daqueles que, quando colocados sobre o fogão, já deixam claro que alguma coisa séria vai acontecer.

Em vez de preparar a peça inteira, cortei o pernil em pedaços, quase como grandes bifes.

A intenção era fazer com que a carne cozinhasse lentamente junto com os vegetais e absorvesse os sabores durante horas.

E então começou a montagem.

Camada após camada.

Carne.

Cebola.

Tomate.

Pimentões.

Alho.

Salsinha.

Cebolinha.

Orégano.

Pimenta-preta.

Temperos.

Mais carne.

Mais vegetais.

Outra camada.

E outra.

Até aquele enorme recipiente começar a parecer menos uma panela e mais uma pequena obra de engenharia culinária.


🧅 Camada por camada

Essa talvez seja justamente a imagem que mais gosto de recordar.

Eu estava sozinho em casa naquela tarde de Natal.

Mas estava preparando comida para mais de vinte pessoas.

Existe alguma coisa estranhamente bonita nisso.

Cada ingrediente colocado dentro daquele tacho era destinado a pessoas que, algumas horas depois, estariam reunidas em torno de uma mesa.

A cebola começaria a liberar água.

O tomate lentamente se desfaria.

Os pimentões entregariam sabor ao caldo.

A gordura do próprio porco ajudaria a construir o molho.

E o líquido atravessaria as diferentes camadas.

Não precisava correr.

Pelo contrário.

Fogo baixo.

E tempo.

Muito tempo.


🔥 A tarde inteira cozinhando

O pernil ficou cozinhando lentamente durante praticamente toda a tarde.

Esse era o segredo.

Não havia necessidade de violência gastronômica.

Nada de fogo máximo tentando obrigar a carne a ficar pronta rapidamente.

Era preciso deixar acontecer.

O calor penetrava devagar.

Os vegetais liberavam seus líquidos.

A carne começava a amaciar.

Os sabores iam se misturando.

E aquele enorme tacho ia mudando de aparência e perfume conforme as horas passavam.

Hoje, olhando com cabeça de programador, percebo que aquilo tinha muito de processamento batch.

Você prepara os dados.

Organiza as entradas.

Confere os parâmetros.

Submete o JOB.

E então:

WAIT.

😂

Não adianta ficar apertando ENTER.

O processo precisa do seu tempo.


🎥 E alguém resolveu gravar

Em algum momento daquela preparação peguei a câmera.

Era apenas um pequeno registro.

Nada de iluminação profissional.

Nada de roteiro.

Nada de cenário cuidadosamente preparado para redes sociais.

Muito menos a ideia de que, mais de uma década depois, eu estaria novamente olhando para aquelas imagens.

Era simplesmente:

El Jefe Midnight Lunch na cozinha.

Um homem.

Um tacho.

Um pernil.

Uma tarde de Natal.

E uma câmera registrando alguns minutos daquele processo.

Hoje esse vídeo funciona quase como uma pequena cápsula do tempo.

Porque consigo olhar para aquelas imagens e enxergar coisas que não estão propriamente gravadas nelas.

Consigo lembrar por que eu estava preparando aquela comida.

Consigo lembrar para onde ela iria.

Consigo lembrar das pessoas.

E principalmente consigo lembrar do sentimento daquela noite.


🎄 Chegou a hora da ceia

Quando chegou o momento, o enorme tacho deixou minha cozinha.

O pernil que havia passado a tarde inteira cozinhando lentamente foi levado para a ceia.

E lá estava a mesa.

Farta.

Não porque uma pessoa tivesse comprado tudo.

Não porque alguém tivesse contratado buffet.

Era farta porque cada pessoa havia colocado alguma coisa nela.

Esse detalhe muda tudo.

Havia um pouquinho da história de cada família naquela mesa.

Uma receita feita por alguém.

Uma sobremesa preparada por outro.

Uma bebida trazida por um vizinho.

Um prato que provavelmente vinha sendo preparado daquela maneira havia décadas.

E no meio de tudo aquilo:

o meu enorme tacho de pernil suíno à moda portuguesa.

Minha contribuição.



🍽️ Uma mesa construída por muitas mãos

Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas de uma ceia comunitária.

Se vinte pessoas aparecem esperando serem servidas, existe apenas uma festa.

Mas quando vinte pessoas aparecem trazendo alguma coisa, surge uma comunidade.

Cada prato diz silenciosamente:

“Eu também participei.”

Não importa se alguém levou um prato sofisticado ou simplesmente uma garrafa de refrigerante.

A contribuição individual ajuda a construir o todo.

É quase impossível para alguém que trabalha com sistemas não enxergar uma analogia.

Cada componente isoladamente é pequeno.

Mas integrado aos demais produz algo muito maior.

Naquela noite não havia um grande anfitrião.

A própria comunidade era a anfitriã.

Minha saudosa mãezinha lá de cima deve ter ficado feliz, uma mulher festeira que adorava reunir pessoas, ter a casa cheia e compartilhar uma deliciosa refeição, sim sim, uma estrela no céu brilhou feliz por ver suas antigas tradições acontecendo naquela noite de consoada.

❤️ O calor humano do interior

Eu poderia ter passado aquele Natal sozinho.

Talvez tivesse preparado alguma coisa menor.

Ligado a televisão.

Mexido no computador.

Assistido algum filme.

E estaria tudo bem.

Mas Luciana e seus familiares decidiram que não.

Perceberam que eu estava sozinho e fizeram uma coisa extremamente simples:

abriram espaço na mesa.

Não existe tecnologia para substituir isso.

Não existe aplicativo.

Não existe inteligência artificial.

Não existe rede social capaz de reproduzir exatamente o momento em que alguém olha para outra pessoa e diz:

— Você vai passar o Natal sozinho? Então venha para cá.

E pronto.

Problema resolvido.


🧙 O eremita sai da toca

Para alguém com minha tendência natural de eremita, aquilo também era divertido.

Eu poderia ficar tranquilamente no meu pequeno universo.

Mas de repente estava no meio de mais de vinte pessoas.

Conversas.

Risadas.

Pratos circulando.

Gente experimentando a comida dos outros.

Alguém querendo saber quem havia feito determinada receita.

Outro repetindo.

Crianças andando de um lado para outro.

Talheres.

Copos.

Barulho.

Vida.

E aquele pernil que horas antes estava silenciosamente cozinhando na minha casa agora fazia parte da festa.

Talvez cozinhar para outras pessoas tenha justamente essa característica.

A comida carrega um pouco do tempo de quem a preparou.

Durante horas eu havia colocado atenção naquele tacho.

Naquela noite, entreguei aquelas horas para a mesa.


🇵🇹 Por que “à moda portuguesa”?

A inspiração vinha daquela cozinha que aprendi a admirar durante meus anos na Europa.

Não necessariamente uma receita portuguesa ortodoxa, registrada em algum velho livro culinário.

Era muito mais o espírito da coisa.

Carne de porco.

Cebola.

Alho.

Tomate.

Pimentão.

Ervas.

Cozimento demorado.

Comida generosa.

Comida feita para colocar no centro da mesa.

Comida que pede pão para aproveitar o molho que ficou no fundo do prato.

Era uma receita a modo El Jefe.

E essa talvez seja a definição mais correta.


👨‍🍳 A receita do Pernil de Natal à El Jefe

Para quem chegou até aqui querendo efetivamente reproduzir aquela experiência, o princípio é bastante simples.

Corte o pernil suíno em pedaços ou bifes relativamente grossos.

Separe cebolas, tomates, pimentões, alho, salsinha, cebolinha, orégano e pimenta-preta.

Tempere a carne conforme seu gosto.

Em um tacho ou panela grande, monte camadas alternando a carne e os vegetais.

Não tenha pressa.

Os vegetais vão liberar líquido durante o cozimento e formar parte do próprio molho.

Mantenha o fogo baixo.

Tampe.

Observe periodicamente.

Mexa ou reorganize cuidadosamente quando necessário para evitar que o fundo queime.

E deixe o tempo trabalhar.

A carne deve ficar macia e impregnada pelo caldo formado pelos próprios ingredientes.

Essa não é uma receita para preparar quinze minutos antes da visita chegar.

Comece à tarde.

Deixe a casa ganhar cheiro de comida.

Isso também faz parte da receita.


🕰️ Treze anos depois...

O mais curioso é que receitas envelhecem de maneira diferente.

Se eu simplesmente tivesse anotado:

“Pernil, cebola, tomate, alho, pimentão, temperos. Cozinhar em fogo baixo.”

teria preservado uma receita.

Mas aquele vídeo preservou uma história.

Quando olho novamente para ele, não vejo somente os ingredientes.

Vejo o homem que havia retornado da Itália.

Vejo a casa em Itatiba.

Vejo aquela tarde.

Vejo o enorme tacho.

Vejo Luciana e sua família.

Vejo os vizinhos.

Vejo mais de vinte pessoas reunidas.

Vejo a mesa cheia.

E lembro que alguém percebeu que havia um vizinho sozinho no Natal.


🎁 Talvez esse tenha sido o verdadeiro presente

Natal costuma ser associado a presentes embrulhados.

Naquele ano, porém, recebi algo muito mais simples.

Um convite.

“Venha ficar conosco.”

E respondi da maneira que sabia:

levando um enorme tacho de comida.

Talvez seja assim que comunidades funcionem.

Alguém oferece uma cadeira.

Outro leva um prato.

Outro traz uma sobremesa.

Outro aparece com uma bebida.

Alguém conta uma história.

Outro provoca uma gargalhada.

E quando percebemos, vinte contribuições aparentemente pequenas construíram uma noite que continuamos lembrando treze anos depois.


🍖 O pernil desapareceu. A memória ficou.

Não sei dizer quantos pedaços havia naquele tacho.

Não sei quem repetiu.

Não sei quem pegou o último pedaço.

Provavelmente ninguém naquela noite imaginou que aquilo acabaria registrado em um blog e seria revisitado tantos anos depois.

Mas é justamente por isso que gosto dessas antigas postagens.

Elas são pequenos checkpoints da vida.

Às vezes extremamente simples.

Uma locomotiva.

Uma estrada.

Um café.

Uma fotografia.

Uma panela.

Um pernil.

O objeto parece banal até descobrirmos tudo aquilo que estava acontecendo ao redor dele.

E aquele Pernil de Natal à El Jefe nunca foi somente um pernil.

Era a contribuição de um sujeito recém-retornado da Itália para uma mesa onde seus vizinhos haviam decidido que ele não passaria o Natal sozinho.

Talvez a receita verdadeira daquela noite tenha sido outra:

20 e tantas pessoas.

Uma mesa grande.

Cada uma trazendo alguma coisa.

Uma cadeira a mais para quem estava sozinho.

Misture tudo.

Acrescente conversa.

Tempere com risadas.

Deixe algumas horas em calor humano.

E sirva enquanto todos ainda estiverem juntos.

Essa receita, felizmente, não precisa de forno.

E funciona até hoje.


Bellacosa Mainframe

Porque algumas memórias ficam armazenadas em fotografias, outras em programas COBOL de quarenta anos... e algumas sobrevivem no fundo de um enorme tacho de pernil.

Easter egg: se algum programador perguntar quanto tempo aquele JOB culinário ficou executando, a resposta continua sendo a mesma desde 2013:

//PERNIL EXEC PGM=ELJEFE

//PARM='LOWHEAT,NOPRESSA'

RC=00.

O processamento terminou.

A mesa ficou cheia.

E o eremita não passou o Natal sozinho.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Pernil Fatiado a modo El Jefe


Estamos no final do ano e nada como preparar algo diferente para a ceia.

Resolvi inovar e preparar um pernil na caçarola em pequenos bifes bem temperados e cozido lentamente em fogo baixo.

Usei tudo o que havia a mão, pimentões, alho, cebola, salsinha, cebolinha, oregano, pimenta preta, tomates. Fui montando camada por camada e distribuindo as especiarias de modo que o caldo durante a fervura alcançasse toda a carne


Veja o video e qualquer duvida é so perguntar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Hambúrguer na brasa.

Bellacosa Mainframe e os hamburguer na brasa

Um Café no Bellacosa Mainframe

🍔 Hambúrguer na Brasa — Quando o Tiz-Tiz Faz Parte da Receita

Mais um daqueles episódios do El Jefe Midnight Lunch em que a missão parecia simples: preparar uma paparoca para matar a fome. Mas, desta vez, resolvi fazer do jeito americano — hambúrguer na churrasqueira, pão aquecido sobre o carvão e aquele inesquecível tiz-tiz da gordura caindo sobre a brasa.

Existem momentos em que a gente simplesmente está com fome.

E existem aqueles em que preparar a comida passa a fazer parte da diversão.

Este era mais um daqueles episódios do El Jefe Midnight Lunch, minha pequena coleção de aventuras gastronômicas em que não havia necessidade de cozinha sofisticada, equipamentos profissionais ou receitas dignas de laboratório.

A missão era muito mais importante:

fazer uma boa paparoca.

E matar a fome.

Desta vez, porém, resolvi seguir por um caminho diferente.

Queria hambúrguer.

Mas não qualquer hambúrguer.

Nada de colocar a carne numa frigideira e simplesmente esperar ficar pronta.

A ideia era fazer algo inspirado naquele imaginário clássico americano:

🔥 churrasqueira acesa;
🍔 hambúrguer diretamente sobre a grelha;
🥖 pão aquecido no calor do carvão;
💨 fumaça envolvendo tudo;
🥩 gordura pingando sobre a brasa.

E então começa uma das melhores partes.



🔥 O fogo também cozinha os sentidos

Quem já colocou uma carne gordurosa sobre uma churrasqueira conhece aquele momento.

O hambúrguer começa relativamente silencioso.

A superfície esquenta.

A gordura começa a derreter.

Uma pequena gota escapa pela grelha.

Cai sobre o carvão.

Tiz.

Outra cai.

Tiz... tiz...

Então aparecem pequenas labaredas.

A fumaça sobe novamente em direção à carne e o cheiro começa a tomar conta do ambiente.

Nesse momento você percebe que cozinhar na churrasqueira é uma experiência completamente diferente de cozinhar numa frigideira.

Você não está usando apenas o paladar.

Está usando praticamente tudo.

Você vê o carvão.

Sente o calor.

Escuta a gordura atingindo a brasa.

Observa a fumaça.

Sente o aroma.

E, antes mesmo da primeira mordida, seu cérebro já recebeu uma mensagem extremamente objetiva:

"Vai ficar bom."



🍔 O hambúrguer começa a ganhar personalidade

Sobre a grelha, o hambúrguer começa a mudar.

A carne vai tostando por fora enquanto a gordura aquece por dentro.

E existe uma pequena batalha acontecendo ali.

De um lado queremos aquela superfície tostada.

Do outro, não queremos transformar o hambúrguer numa pequena peça de carvão mineral.

É preciso observar.

Virar.

Esperar.

Sentir.

Não havia termômetro digital espetado na carne, aplicativo no celular ou inteligência artificial calculando o ponto ideal.

Era tecnologia ancestral:

olho, nariz, ouvido e fome.

O tiz-tiz continuava funcionando como uma espécie de monitor de sistema.

Enquanto havia gordura pingando e aquele barulho característico acontecendo, alguma coisa interessante estava sendo processada ali.

Talvez este fosse o SDSF da churrasqueira.

😄



🥖 E o pão também vai para a churrasqueira

Mas havia outro detalhe importante.

O pão.

Se estamos fazendo hambúrguer na brasa, por que deixar justamente o pão completamente fora da brincadeira?

Então ele também foi para perto do carvão.

Não para carbonizar.

A missão era aquecê-lo e dar aquela leve tostada.

Poucos segundos já começam a transformar sua superfície.

O pão fica quente.

A parte interna ganha uma pequena crocância.

E isso muda bastante a experiência quando finalmente recebe o hambúrguer recém-saído da grelha.

É um detalhe pequeno.

Mas cozinha é cheia desses pequenos detalhes.



👃 Antes de comer, você já havia começado a comer

Talvez essa seja a parte mais interessante dessa lembrança.

Hoje, olhando novamente para aquelas imagens, percebo que o hambúrguer era apenas uma parte da experiência.

O cheiro fazia parte.

O barulho fazia parte.

A fumaça fazia parte.

O calor da churrasqueira fazia parte.

Até ficar parado olhando para a carne e pensando:

"Será que já está bom?"

fazia parte.

Quando cozinhamos alguma coisa diretamente sobre a brasa existe uma antecipação que dificilmente aparece quando simplesmente retiramos um alimento pronto de uma embalagem.

Você acompanha a transformação.

Cru.

Quente.

Tostando.

Gordura derretendo.

Fumaça.

Aroma.

Pronto.

É quase uma pequena linha de produção gastronômica acontecendo diante dos olhos.


🇺🇸 Um pouco daquele imaginário americano

O hambúrguer tem uma ligação enorme com a cultura popular dos Estados Unidos.

Filmes, séries e desenhos ajudaram a construir aquela imagem quase universal:

um quintal, uma churrasqueira, alguém diante da grelha e hambúrgueres sendo preparados.

Naturalmente, no El Jefe Midnight Lunch, a coisa ganhava sua interpretação particular.

Não precisávamos reproduzir exatamente uma receita americana.

A graça estava justamente em pegar aquela ideia e fazer nossa própria versão.

Porque cozinhar em casa também é isso.

Você vê alguma coisa.

Fica com vontade.

Olha para aquilo que tem disponível.

E pensa:

"Dá para fazer."

Às vezes sai exatamente como imaginávamos.

Às vezes nasce uma criatura gastronômica completamente diferente.

Mas normalmente é aí que estão as melhores histórias.


🔊 TIZ-TIZ: o verdadeiro soundtrack da churrasqueira

Se eu pudesse guardar apenas um detalhe sonoro daquela preparação provavelmente seria este:

tiz... tiz... TIZZZ...

A gordura atingindo o carvão.

É quase a trilha sonora oficial de uma churrasqueira funcionando.

E existe ciência acontecendo naquele pequeno espetáculo.

Quando a gordura cai sobre uma superfície extremamente quente, parte dela vaporiza e parte sofre transformações térmicas. A fumaça e os compostos aromáticos produzidos nesse processo circulam ao redor da comida.

É justamente por isso que preparar algo sobre carvão produz sensações diferentes daquelas obtidas numa superfície elétrica ou numa frigideira.

Não significa simplesmente "colocar gosto de fumaça".

Existe uma combinação de calor intenso, tostagem da superfície, gordura, fumaça e aromas.

Por isso nosso nariz percebe a churrasqueira muito antes de nossa boca experimentar a comida.

Aliás, provavelmente os vizinhos também percebem.

😂


🧠 A fome também começa no nariz

Existe outra coisa curiosa.

O aroma da comida participa diretamente da nossa percepção de sabor.

Quando sentimos o cheiro do hambúrguer tostando, o cérebro começa a construir expectativas antes mesmo de a comida chegar à boca.

Por isso aquele hambúrguer parecia cada vez melhor enquanto assava.

Não era apenas fome.

Era uma espécie de ataque coordenado aos sentidos.

Primeiro:

👂 tiz-tiz

Depois:

👃 cheiro de carne e carvão

Depois:

👀 hambúrguer tostando sobre a grelha

Finalmente:

🍔 a mordida.

O pobre cérebro já estava cercado.


☕ A cozinha do El Jefe nunca foi apenas sobre receitas

Revendo esses antigos episódios, talvez isso fique cada vez mais evidente.

O El Jefe Midnight Lunch nunca foi exatamente um programa de culinária.

Era uma coleção de experiências.

Às vezes uma receita.

Às vezes uma invenção.

Às vezes simplesmente alguma coisa preparada porque a fome havia chegado e era necessário resolver o problema.

Mas havia sempre aquela curiosidade:

"E se eu fizer assim?"

É justamente esse espírito que transforma uma coisa tão banal quanto preparar um hambúrguer numa pequena aventura.

Você poderia simplesmente fritá-lo.

Mas resolveu acender o carvão.

Colocou a carne na grelha.

Esquentou o pão.

Esperou.

Escutou o tiz-tiz.

Sentiu o cheiro.

Viu a fumaça subir.

E finalmente montou o lanche.


🍔 A paparoca estava pronta

No final das contas, toda aquela filosofia tinha um objetivo muito menos sofisticado.

Eu estava com fome.

😂

O hambúrguer saiu da churrasqueira tostado, quente e suculento.

O pão também havia passado pelo calor da brasa.

Aquele cheiro que durante vários minutos havia tomado conta do ambiente finalmente tinha endereço.

Era hora de comer.

Missão cumprida.

Mais uma paparoca preparada.

Mais um episódio do El Jefe Midnight Lunch.

E mais uma pequena lembrança que, muitos anos depois, continua trazendo de volta algo que uma fotografia jamais conseguiria registrar completamente:

o calor da churrasqueira,

a fumaça subindo,

o cheiro do carvão,

a gordura pingando...

e aquele maravilhoso:

tiz... tiz... TIZZZZZ.

🔥🍔

Porque algumas receitas ficam guardadas num caderno.

Outras ficam guardadas no nariz, nos ouvidos e na memória.

E essas talvez sejam as mais difíceis de esquecer.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

X Salada a El Jefe

O sabor de um hambúrguer na brasa é único. Principalmente quando compramos a carne, mandamos moer no tamanho pequeno, fazemos nosso próprio tempero.

Depois o ritual de preparar o carvão e acender a churrasqueira, esperar atingir a temperatura certa e começar a assar.



Depois que a carne estiver no ponto, colocar uma folhinha de manjericão, a fatia de queijo e o pão para aquecer. Quando tudo estiver no ponto acrescentar o molho, o tomate e a alface.

Bom apetite.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sardinhas na brasa a portuguesa.

O prato mais saboroso do verão português

Vou partilhar com vocês o prato da culinária portuguesa que mais me encanta no final da primavera/inicio do verão.

Estou falando das Sardinhas na Brasa, comidas em todo território português e também no mundo todo onde tiver um imigrante português.




Um prato super simples de fazer, mas com um sabor único que me faz ficar com agua na boca so de lembrar.

Quer tentar fazer em casa? Compre sardinhas inteiras bem gordas, tire as escamas com uma faca, use muito sal grosso e deixe descansar por uma hora.

Acenda o carvão na churrasqueira na altura que estiver bem quente, ponha as sardinhas na brasa e va virando para não deixar ficar muito seca, o aroma se espalha pelo ar, deixando qualquer um com agua na boca.

Acompanha lindamente com batata cozida e pimentões assados na brasa; puré de batata; sanduíche de pão português e sanduíche de broa.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cavalgando uma mulinha no Vale dos Reis (Egito)

Donkey Rider

Tirando a parte da dozinha da Mulinha este passeio foi uma doideira, beirando o absurdo aquele mundareu de ocidentais, provenientes das maiores metrópoles e de países bem desenvolvidos. Se divertindo com algo tão simples e inocente como andar de mulinha.


Em Junho de 2010 numa grande viagem aventura no Egipto, tive a oportunidade de cavalgar uma mulinha com destino final o Vale do Reis no Egipto, foi super divertido a experiência... passar por vilarejos, ver egípcios em seus afazeres contidianos, ver fabricas, uma mesquita.

E se assistir com calma ate o final verá uns motoqueiros passando pelas mulas com caras divertidas, note como são rígidas as normas de segurança no Egipto.


terça-feira, 3 de abril de 1990

About El Jefe

About | El Jefe Midnight Lunch

El Jefe Midnight Lunch

Nem todo conteúdo nasce à luz do dia. Algumas ideias só fazem sentido depois da meia-noite.

O que é este lugar?

El Jefe Midnight Lunch não é apenas um blog. É um espaço onde cultura japonesa, personagens fora do padrão, estética underground, animes, identidade e reflexões convivem sem pedir permissão.

Aqui, o horário importa. Porque depois da meia-noite, a máscara cai, o ruído do mundo diminui e certas ideias finalmente conseguem falar.

Por que “Midnight Lunch”?

Porque este não é o conteúdo servido no horário comercial. É o lanche improvisado da madrugada, consumido em silêncio, entre uma reflexão incômoda e um anime esquecido.

“Se você chegou até aqui, provavelmente já percebeu: este blog não tenta agradar algoritmos — apenas leitores atentos.”

Sobre os temas

O blog aborda temas como tomboy, otokonoko, personagens que desafiam expectativas, cultura japonesa, comportamento, estética e narrativas que vivem à margem.

Não há manifesto. Não há cartilha. Apenas curiosidade, observação e a liberdade de escrever sobre o que normalmente passa despercebido.

Quem escreve?

Escrito por alguém que vive entre o mundo técnico e o cultural, entre o rigor do sistema e o caos criativo da madrugada.

Se você gosta de textos que não subestimam o leitor, talvez este lugar também seja seu.

© El Jefe Midnight Lunch · Depois da meia-noite, tudo faz mais sentido.
Bellacosa Mainframe e conheça nosso blog








Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...