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domingo, 5 de junho de 2016

Engenharia Militar : Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Engenharia Militar

 

Bellacosa Mainframe e a engenharia militar em 10 animes 

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Engenharia Militar : Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Engenharia Militar

Quando um Programador COBOL Descobre que Grandes Comandantes Pensavam Como Arquitetos de Mainframe Muito Antes da Existência dos Computadores

Introdução

Ao longo deste livro vimos que engenharia militar nunca foi apenas sobre espadas, muralhas ou canhões.

Sempre foi sobre algo muito maior.

Planejamento.

Logística.

Arquitetura.

Distribuição de recursos.

Inteligência.

Comunicação.

Continuidade.

Os japoneses sempre tiveram enorme fascínio por esses temas, e isso aparece em diversos animes. Alguns retratam guerras históricas, outros apresentam impérios fictícios, batalhas espaciais ou mundos de fantasia, mas todos compartilham uma característica: mostram que nenhuma vitória depende apenas da força. Ela nasce da engenharia, da estratégia e da capacidade de coordenar pessoas e recursos.

Para um profissional IBM Z, é surpreendente perceber como muitos desses comandantes pensam exatamente como um arquiteto de sistemas críticos: observam métricas, administram recursos limitados, criam redundâncias, protegem infraestrutura e evitam decisões impulsivas.

Pegue uma xícara de café.

Vamos conhecer dez obras que ensinam muito mais do que batalhas.


1. Legend of the Galactic Heroes (銀河英雄伝説)

Lançamento: OVA (1988–1997)

Resumo

Considerado por muitos o maior anime de estratégia militar já produzido, acompanha a guerra secular entre o Império Galáctico e a Aliança dos Planetas Livres. Em vez de focar em heróis individuais, mostra logística, política, economia, inteligência e planejamento em escala interestelar.

Principais personagens

  • Reinhard von Lohengramm

  • Yang Wen-li

  • Siegfried Kircheis

  • Paul von Oberstein

  • Oskar von Reuenthal

O que ensina sobre engenharia militar

  • Cadeia de comando

  • Logística de frotas

  • Planejamento estratégico

  • Inteligência militar

  • Gestão de recursos

  • Continuidade operacional

Analogia IBM Z

Reinhard pensa como um arquiteto corporativo.

Yang Wen-li lembra um excelente sysprog: resolve problemas com eficiência, economiza recursos e vence utilizando conhecimento em vez de força bruta.


2. Kingdom

Lançamento: 2012

Resumo

Baseado no período dos Reinos Combatentes da China, acompanha a unificação do país através de campanhas militares extremamente bem planejadas.

Personagens

  • Xin (Shin)

  • Ei Sei

  • Ou Ki

  • Ri Boku

  • Kanki

Engenharia Militar

  • Fortificações

  • Engenharia de campanha

  • Logística

  • Rotas de suprimento

  • Reconhecimento

  • Cerco

Analogia IBM Z

Cada campanha lembra um grande processamento Batch envolvendo centenas de dependências.


3. The Heroic Legend of Arslan (アルスラーン戦記)

Lançamento: 1991 (OVA) / 2015 (TV)

Resumo

Inspirado na antiga Pérsia, acompanha o jovem príncipe Arslan tentando reconstruir seu reino.

Personagens

  • Arslan

  • Daryun

  • Narsus

  • Elam

  • Gieve

Engenharia Militar

  • Construção de alianças

  • Inteligência

  • Diplomacia

  • Administração

  • Logística

Analogia IBM Z

Mostra que arquitetura não é apenas tecnologia.

É coordenação de pessoas.


4. Shoukoku no Altair

Lançamento: 2017

Resumo

Uma obra extremamente rica em geopolítica, cartografia, diplomacia e movimentação de exércitos.

Personagens

  • Mahmut

  • Khalil

  • Kyros

  • Zağanos

Engenharia Militar

  • Cartografia

  • Fortificações

  • Rotas comerciais

  • Inteligência

  • Planejamento territorial

Analogia IBM Z

Equivale ao desenho de uma arquitetura corporativa distribuída.


5. Alderamin on the Sky (Nejimaki Seirei Senki)

Lançamento: 2016

Resumo

Ikta Solork vence batalhas utilizando matemática, logística e inteligência.

Personagens

  • Ikta Solork

  • Yatorishino

  • Haroma

  • Matthew

Engenharia Militar

  • Economia de recursos

  • Logística

  • Gestão de riscos

  • Engenharia de campanha

Analogia IBM Z

Ikta lembra um especialista em WLM.

Não desperdiça CPU.

Não desperdiça soldados.


6. Gate: Jieitai Kanochi nite, Kaku Tatakaeri

Lançamento: 2015

Resumo

O Exército Japonês atravessa um portal para um mundo medieval, demonstrando como logística, engenharia e organização superam tecnologia isolada.

Personagens

  • Youji Itami

  • Rory Mercury

  • Lelei

  • Tuka

  • Pina Co Lada

Engenharia Militar

  • Cadeia logística

  • Bases avançadas

  • Engenharia de campanha

  • Inteligência

  • Comunicações

Analogia IBM Z

Integração entre sistemas legados e tecnologias modernas.


7. Vinland Saga

Lançamento: 2019

Resumo

Embora conhecido pelas batalhas vikings, apresenta excelente retrato sobre liderança, planejamento e organização militar.

Personagens

  • Thorfinn

  • Askeladd

  • Canute

  • Thorkell

Engenharia Militar

  • Estratégia

  • Moral

  • Liderança

  • Logística marítima

Analogia IBM Z

Mostra que liderança supera força bruta.


8. Grancrest Senki

Lançamento: 2018

Resumo

Diversos reinos disputam poder enquanto engenheiros militares organizam fortalezas, suprimentos e alianças.

Personagens

  • Theo Cornaro

  • Siluca

  • Villar

  • Alexis

Engenharia Militar

  • Administração de fortalezas

  • Logística

  • Planejamento

  • Diplomacia

Analogia IBM Z

Muito semelhante ao gerenciamento de múltiplos ambientes distribuídos.


9. Goblin Slayer

Lançamento: 2018

Resumo

Muito além da fantasia, Goblin Slayer mostra operações militares de pequena escala, reconhecimento, armadilhas, logística e engenharia de combate.

Personagens

  • Goblin Slayer

  • Priestess

  • High Elf Archer

  • Dwarf Shaman

  • Lizard Priest

Engenharia Militar

  • Reconhecimento

  • Cerco

  • Guerra subterrânea

  • Fortificações improvisadas

  • Controle de terreno

Analogia IBM Z

Cada missão lembra uma investigação de produção.

Primeiro entender.

Depois agir.


10. Attack on Titan (Shingeki no Kyojin)

Lançamento: 2013

Resumo

Apesar de ser lembrado pelos Titãs, a obra é também um tratado sobre engenharia de muralhas, logística, defesa urbana e administração de recursos limitados.

Personagens

  • Eren Yeager

  • Mikasa Ackerman

  • Armin Arlert

  • Erwin Smith

  • Levi Ackerman

Engenharia Militar

  • Defesa em profundidade

  • Muralhas

  • Inteligência

  • Reconhecimento

  • Gestão de crises

Analogia IBM Z

As três muralhas lembram perfeitamente o conceito de Defesa em Camadas (Defense in Depth): múltiplas barreiras de proteção, onde cada nível reduz o impacto caso o anterior seja comprometido.


Menções Honrosas

  • Valkyria Chronicles

  • Drifters

  • Code Geass

  • Record of Grancrest War

  • The Twelve Kingdoms

  • Pumpkin Scissors

  • Arpeggio of Blue Steel

  • Mobile Suit Gundam (Universal Century)

  • Saga of Tanya the Evil (Youjo Senki)

  • Crest of the Stars


O Que Esses Animes Ensinam ao Programador COBOL

Apesar de ambientados em épocas, mundos ou galáxias diferentes, todos compartilham princípios que qualquer profissional de sistemas críticos reconhece imediatamente:

  • Planejamento supera improviso.

  • Logística vence batalhas antes do primeiro combate.

  • Inteligência reduz riscos.

  • Comunicação evita desastres.

  • Disciplina mantém operações funcionando.

  • Conhecimento compartilhado fortalece equipes.

  • Infraestrutura é tão importante quanto a linha de frente.

  • Liderança consiste em proteger pessoas, não apenas alcançar objetivos.

Um arquiteto IBM Z, um Sysprog ou um desenvolvedor COBOL provavelmente encontrará nesses animes mais do que entretenimento. Encontrará estudos de caso sobre continuidade operacional, gestão de recursos, capacidade de adaptação e tomada de decisão sob pressão.


Conclusão

Quando olhamos além das espadas, dos uniformes e das batalhas, percebemos que esses animes falam da mesma missão que move a engenharia de sistemas críticos.

Nenhuma fortaleza resiste apenas por possuir muralhas altas.

Nenhum Data Center permanece disponível apenas por possuir computadores rápidos.

O verdadeiro diferencial sempre esteve nas pessoas capazes de planejar, coordenar, documentar, aprender e transmitir conhecimento.

É por isso que obras como Legend of the Galactic Heroes, Kingdom, Goblin Slayer ou Attack on Titan continuam fascinando engenheiros décadas depois de seus lançamentos. Elas mostram que a tecnologia muda, mas os princípios da boa engenharia permanecem.

Talvez seja essa a maior lição para quem trabalha com COBOL e IBM Z: cada Job executado com sucesso, cada transação concluída e cada incidente evitado representam uma pequena vitória silenciosa. Assim como nas grandes campanhas militares desses animes, o verdadeiro triunfo raramente pertence ao guerreiro mais forte.

Pertence ao engenheiro que preparou a fortaleza para resistir.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL

Uma campanha completa sobre estratégia, logística, inteligência, segurança, liderança, continuidade, sistemas críticos, IBM Z e COBOL.

Consultar arquivo
25 documentos
2014–2016 linha histórica
IBM Z fortaleza digital
COBOL linguagem da missão
Arquivo estratégico

Um Data Center analisado como uma fortaleza em guerra

A série Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL compara castelos, exércitos, muralhas, cadeias de comando, logística, inteligência e operações militares com os ambientes IBM Z responsáveis por bancos, governos, seguros, transportes e serviços essenciais.

Cada artigo apresenta uma parte dessa arquitetura: aplicações COBOL, Jobs JCL, transações CICS, bancos Db2, filas MQ, segurança RACF, monitoramento, contingência, liderança, documentação e continuidade operacional.

Sala de operações

Índice da campanha

25 documentos localizados
Índice permanente

Links completos da série Engenharia Militar

Esta relação permanece disponível no HTML da página para mecanismos de busca, leitores de tela, navegadores sem JavaScript e ferramentas de arquivamento.

  1. Engenharia Militar sem Mistérios para Programadores COBOL
  2. Prólogo — O Chamado do Guardião
  3. Capítulo I — O Castelo, a Ponte e o Job que Não Podia Falhar
  4. Capítulo II — Estratégia, Operação e Tática
  5. Capítulo III — A Cadeia de Comando
  6. Capítulo IV — Logística
  7. Capítulo V — As Muralhas Invisíveis
  8. Capítulo VI — Inteligência, Reconhecimento e Espionagem
  9. Capítulo VII — A Arte da Guerra Aplicada ao Mainframe
  10. Capítulo VIII — Liderança, Moral e Disciplina
  11. Capítulo IX — Inovação, Evolução e o Futuro
  12. Capítulo X — O Legado do Engenheiro
  13. Capítulo XI — O Guardião Invisível
  14. Capítulo XII — A Fortaleza Invisível
  15. Capítulo XIII — Os Sentinelas da Madrugada
  16. Capítulo XIV — A Civilização Invisível
  17. Capítulo XV — Engenharia de Cerco
  18. Glossário IBM Z + Engenharia Militar
  19. Apêndice A — Correspondências Históricas e Técnicas
  20. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Engenharia Militar
  21. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Logística Militar
  22. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Tática Militar
  23. Os 10 Animes Mais Emblemáticos Sobre Estratégia Militar
  24. Especial — Guerrilha Urbana
  25. Especial — Guerrilha no Campo e na Floresta
Bellacosa Mainframe — Arquivo de Engenharia Militar

Estratégia, disciplina, conhecimento, resiliência e continuidade aplicados aos sistemas que não podem parar.

sábado, 4 de junho de 2016

Equipamentos ferroviários abandonados


Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Equipamentos Ferroviários Abandonados — Entre a Ferrugem e os Fantasmas da FEPASA

Naquele sábado, enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu caminhava entre locomotivas, oficinas vazias e ferramentas esquecidas. Não estava apenas explorando ruínas. Estava tentando ouvir novamente um mundo que havia parado de funcionar.

Voltei à Estação Cultura de Campinas.

Enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu precisava encontrar alguma maneira de matar o tempo.

E poucas coisas combinam mais comigo do que isto:

zanzar.

Sem roteiro.

Sem guia.

Sem saber exatamente o que encontraria depois da próxima porta.

Assim comecei novamente a explorar as estruturas ferroviárias espalhadas pelo enorme complexo da antiga estação.

Só que, quanto mais caminhava, mais aquela exploração adquiria outro significado.

Porque havia uma quantidade impressionante de coisas abandonadas.

E algumas delas eram verdadeiros tesouros.


🚶 Zanzando pelas ruínas

Eu entrava em um galpão.

Depois em outro.

Olhava por uma porta.

Contornava uma construção.

Seguia um trilho.

Encontrava outra estrutura.

Fotografava.

Filmava.

Curiava.

Era praticamente uma pequena expedição de arqueologia industrial.

Havia velhas locomotivas diesel, equipamentos ferroviários, vagões de serviço, guindastes, restos de oficinas, ferramentas e enormes peças metálicas cuja função original nem sempre era imediatamente evidente.

Em alguns lugares apareciam aqueles parafusos gigantescos que parecem absurdos para quem está acostumado com objetos domésticos.

Mas aquilo era ferrovia.

Ali tudo precisava suportar toneladas.

Cada peça dava uma pista sobre o que aquele lugar havia sido.


🕸️ O silêncio depois da oficina

O que mais impressionava, entretanto, não era aquilo que estava ali.

Era aquilo que não estava mais.

As pessoas.

Imaginei aqueles mesmos galpões décadas antes.

O som de metal contra metal.

Martelos.

Ferramentas pneumáticas.

Motores.

Solda.

Pontes rolantes.

Homens gritando alguma instrução de um lado para outro.

Uma locomotiva entrando para manutenção.

Outra esperando uma peça.

Alguém desmontando um componente.

Outro funcionário verificando medidas.

Óleo.

Graxa.

Fumaça.

Calor.

Barulho.

Vida.

Agora havia silêncio.

Em algumas estruturas, teias de aranha.

Em outras, ferrugem.

Partes haviam sido saqueadas.

Objetos desapareciam lentamente.

O tempo fazia o restante do serviço.

E algumas daquelas construções abandonadas acabavam servindo de abrigo improvisado para pessoas em situação de rua.

Era impossível olhar para aquilo sem sentir um aperto no coração.


🔧 Quando uma ferramenta deixa de ser apenas uma ferramenta

Para alguém passando rapidamente pelo lugar, aquilo talvez fosse apenas tralha.

Ferro velho.

Uma peça enferrujada.

Um parafuso enorme jogado em algum canto.

Mas bastava colocar um pouquinho de imaginação para aquilo começar a funcionar novamente.

Eu olhava para uma oficina vazia e tentava reconstruí-la mentalmente.

Aqui poderia ter trabalhado um mecânico.

Ali talvez fosse feita determinada manutenção.

Naquele ponto alguma peça pesada poderia ter sido içada.

Aquele equipamento provavelmente tinha uma função específica.

E, de repente, o galpão abandonado ficava novamente cheio de gente.

Essa talvez seja uma das coisas mais fascinantes da arqueologia industrial.

As máquinas contam a história das pessoas.

👷 Pessoas ganharam o pão de cada dia aqui

Era nisso que eu pensava enquanto fotografava.

Não queria registrar apenas locomotivas.

Queria, mesmo sem perceber completamente naquele momento, homenagear quem havia trabalhado ali.

Durante décadas, milhares de pessoas tiveram sua vida ligada à ferrovia.

Maquinistas.

Mecânicos.

Eletricistas.

Caldeireiros.

Soldadores.

Engenheiros.

Operadores.

Manobristas.

Funcionários administrativos.

Trabalhadores das oficinas.

Gente que acordava cedo, batia o ponto, trabalhava, reclamava do chefe, esperava o almoço, contava os dias para receber o salário e depois voltava para casa.

Com aquele dinheiro criaram filhos.

Compraram comida.

Pagaram aluguel.

Construíram casas.

Formaram famílias.

A ferrovia não era somente trilho e locomotiva.

Era trabalho.

E aqueles galpões foram, durante muito tempo, o lugar onde muita gente ganhou o pão de cada dia com seu labor.

🔍 Procurando a rotunda da Mogiana

Em determinado momento resolvi procurar uma coisa específica.

A rotunda ferroviária associada à antiga Mogiana.

Uma rotunda é uma daquelas estruturas maravilhosas da ferrovia clássica: locomotivas eram posicionadas por meio de uma ponte giratória e distribuídas para diferentes baias de manutenção ou estacionamento.

Para alguém apaixonado por ferrovia, encontrar uma estrutura dessas seria quase descobrir um templo perdido.

Então fui procurar.

Andei.

Observei trilhos.

Tentei interpretar estruturas.

Procurei vestígios.

Mas falhei.

Não encontrei a rotunda naquele dia.

Talvez estivesse procurando no lugar errado.

Talvez alguma transformação do complexo dificultasse identificar o que procurava.

Mas curiosamente isso tornou a exploração ainda mais divertida.

Havia sempre a sensação de que alguma coisa poderia estar escondida depois do próximo galpão.

Era meu pequeno Indiana Jones ferroviário.

Só faltava o chapéu.

🏗️ A infraestrutura que ajudou a construir São Paulo

Mas existe uma dimensão maior nessa história.

Aquelas ruínas não representam somente uma empresa ferroviária que deixou de operar daquela maneira.

Representam parte de uma infraestrutura que teve enorme importância para o desenvolvimento econômico do interior paulista.

As ferrovias acompanharam e estimularam ciclos econômicos, conectaram áreas produtoras aos grandes centros e ao porto, facilitaram deslocamentos e ajudaram cidades a crescer.

Também transportaram pessoas.

Entre elas, inúmeros imigrantes e trabalhadores que avançaram pelo interior em busca de oportunidades.

Onde o trilho chegava, novas possibilidades apareciam.

Mercadorias circulavam.

Pessoas circulavam.

Informação circulava.

Capital circulava.

Cidades se transformavam.

Por isso me incomodava profundamente observar tamanho patrimônio sendo lentamente consumido.

🇧🇷 Um país estranho diante da própria memória

Enquanto caminhava entre aquelas estruturas, surgia uma raiva silenciosa.

Porque há algo que sempre achei difícil compreender no Brasil.

Em muitos lugares do mundo, antigas estruturas ferroviárias são restauradas, preservadas e transformadas em museus, centros culturais, ferrovias turísticas ou espaços de interpretação histórica.

Não porque alguém seja simplesmente apaixonado por locomotivas.

Mas porque aquilo é considerado patrimônio tecnológico, industrial e social.

Uma velha oficina explica como uma sociedade trabalhava.

Uma locomotiva explica engenharia.

Uma estação explica urbanização.

Um mapa ferroviário explica economia.

Uma ferramenta explica tecnologia.

Uma fotografia dos trabalhadores explica sociedade.

Quando destruímos tudo isso, não perdemos apenas objetos.

Perdemos páginas inteiras de nossa própria história.

E ali, diante de mim, algumas dessas páginas estavam sendo comidas pela ferrugem.

🚛 Quando percebemos a falta que a ferrovia faz

Anos depois, durante crises logísticas como a paralisação nacional dos caminhoneiros de 2018, ficou novamente evidente o tamanho da dependência brasileira do transporte rodoviário.

Postos ficaram sem combustível.

Produtos deixaram de chegar.

Cadeias logísticas sofreram.

Supermercados começaram a sentir os efeitos.

Não significa que uma ferrovia substituiria magicamente os caminhões.

Cada modal possui sua função.

Mas uma infraestrutura nacional mais equilibrada e diversificada aumenta alternativas e resiliência.

E eu inevitavelmente lembraria daqueles trilhos.

Daquelas oficinas.

Daquelas locomotivas.

Daquilo que havíamos deixado desaparecer.

🚂 A locomotiva enferrujada ainda estava trabalhando

Talvez essa seja a ironia mais bonita daquela tarde.

As locomotivas estavam paradas.

Mas ainda estavam trabalhando.

Não transportavam mais passageiros.

Não puxavam vagões.

Não movimentavam cargas.

Mas transportavam memória.

Cada fotografia que fiz naquele sábado roubou alguma coisa do esquecimento.

Cada minuto de vídeo preservou um pedaço daquele lugar.

Mesmo uma ferramenta enferrujada fotografada sem saber exatamente para que servia passou a existir em outro lugar além daquele galpão.

No meu arquivo.

Na Internet.

Neste blog.

Na memória.

📸 Fotografar também pode ser uma forma de preservação

Na época talvez eu estivesse simplesmente fazendo aquilo que sempre gostei de fazer.

Explorar.

Fotografar.

Filmar.

Descobrir.

Mas tantos anos depois percebo outra dimensão desses registros.

Algumas coisas que fotografei talvez nem existam mais.

Um objeto pode ter sido levado.

Uma parede pode ter caído.

Uma estrutura pode ter sido restaurada.

Outra pode ter desaparecido.

A vegetação pode ter tomado determinado espaço.

O lugar muda.

A fotografia fica.

É por isso que tenho tanto carinho por esses velhos registros aparentemente banais.

Quando foram produzidos eram apenas fotografias de sábado.

Com o tempo começaram a virar documentos.

👻 Os fantasmas não estavam mortos

Continuei caminhando.

E quanto mais olhava, menos abandonado aquele lugar parecia dentro da minha cabeça.

Eu conseguia imaginar novamente as oficinas funcionando.

As fundições.

Os reparos.

As locomotivas entrando.

Os guindastes trabalhando.

As ferramentas passando de mão em mão.

Os operários caminhando pelos galpões.

Talvez seja esse o verdadeiro poder das ruínas.

Elas exigem participação de quem observa.

Uma construção nova mostra aquilo que ela é.

Uma ruína obriga você a imaginar aquilo que ela foi.

E naquele sábado minha imaginação trabalhou horas extras.

☕ O ocaso de uma ferrovia

Enquanto Ana Paula estudava teatro, eu havia encontrado outro palco.

Não havia cortina.

Não havia atores.

Não havia plateia.

O cenário era feito de tijolos, trilhos, óleo antigo e aço enferrujado.

Os protagonistas haviam ido embora muitos anos antes.

Mas os objetos permaneciam no palco.

Uma locomotiva.

Um guindaste.

Um vagão.

Uma ferramenta.

Um parafuso gigantesco.

Uma oficina vazia.

Cada um esperando alguém suficientemente curioso para perguntar:

“O que aconteceu aqui?”

Naquele sábado eu fiz exatamente isso.

Zanzei.

Explorei.

Fotografei.

Filmei.

Curiei cada canto que consegui.

Procurei uma rotunda e não encontrei.

Encontrei dezenas de outras coisas que nem sabia que estava procurando.

Fiquei maravilhado.

Fiquei triste.

Fiquei indignado.

E continuei fotografando.

Porque talvez eu já soubesse, mesmo sem formular isso claramente, que um dia aquelas imagens seriam importantes.

Naquela tarde, este que vos escreve não conseguiu salvar locomotivas, oficinas ou equipamentos.

Mas conseguiu fazer uma pequena coisa.

Relembrou a glória da ferrovia e eternizou um pedaço de seu ocaso.

E enquanto existir alguém disposto a olhar uma fotografia antiga, reconhecer uma locomotiva enferrujada e perguntar quem trabalhou nela...

talvez aqueles velhos ferroviários ainda não tenham terminado completamente o seu turno.

Bellacosa

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Belíssimos exemplares de maquinaria ferroviário.


Estamos na antiga oficina mecânica da estação ferroviária de Campinas. Este prédio que outrora abrigou um grande complexo de manutenção de trens e locomotivas.

Hoje abandonado guarda em seu interior alguns tesouros para os amantes de locomotivas, guindaste tipo grua, locomotiva a diesel, locomotiva eléctrica, vagões e vários artefactos.



No complexo existe um poço para manutenção sob as locomotivas. Possível descer e espionar como era o funcionamento da oficina.

 Pena que o abandono e generalizado, pois daria um excelente museu.

Os cowboys dançam com os chicotes

Bellacosa Mainframe e a dança com chicote dos pequenitos cowboys da escola infantil catatau

🤠 Os Cowboys Dançam com os Chicotes

🐜 O Catatau e a dança caipira dos pequeninos

Esses pequenos cowboys são fogo.

Aliás, chamar aquilo simplesmente de dança caipira talvez seja uma interpretação generosa dos acontecimentos. 😂

Tem chapéu de cowboy.

Tem roupa caipira.

Tem chicote.

Tem criança correndo.

Tem coreografia tentando sobreviver.

E, para completar a operação, toca “Oh! Susanna” enquanto nossos pequenos pistoleiros transformam o salão numa espécie de encontro entre festa junina, Velho Oeste e motoclube infantil.

São meio caipiras.

Meio cowboys.

Meio harleiros.

E 100% bagunceiros.


🐜 Naturalmente, temos o Formiga

E no meio daquela pequena fauna do faroeste aparece ele:

Formiga.

Também conhecido nestes registros arqueológicos como Catatau.

Como sempre, aprontando mil e uma.

O cidadão não consegue simplesmente participar da dança.

Não.

Ele precisa investigar.

Olhar para os lados.

Observar os colegas.

Inventar alguma coisa fora da especificação original da coreografia.

E, principalmente, conferir se Vaguinho está filmando.

Porque existe uma informação fundamental para compreender o comportamento do nosso pequeno cowboy:

ele sabe que está sendo gravado.

E gosta disso.

Muito.

De vez em quando surge aquele olhar para a câmera que parece perguntar:

— Tá filmando, Vaguinho?

Está.

Pode continuar aprontando.


📹 Porque depois vem a melhor parte

Formiga ficava todo animado quando sabia que eu estava filmando.

Porque para ele a câmera não encerrava a brincadeira.

Criava uma segunda sessão.

Depois vinha a curiosidade:

“Quero ver!”

E então aquela bagunça que havia acabado de acontecer podia ser assistida novamente.

Talvez seja justamente aí que esses vídeos tenham adquirido, tantos anos depois, um valor que ninguém imaginava naquele momento.

Na época, Vaguinho estava simplesmente filmando.

Formiga estava simplesmente dançando.

Os outros pequenos cowboys estavam tentando não acertar o chicote no cidadão ao lado.

E “Oh! Susanna” seguia heroicamente tocando enquanto a coreografia entrava e saía de produção.

Hoje?

Hoje aquilo virou uma pequena cápsula do tempo.


🤠 O Velho Oeste nunca esteve tão caipira

Não procure rigor histórico.

Não pergunte por que cowboys estão numa dança caipira.

Muito menos tente compreender onde entram os harleiros nessa arquitetura.

Apenas aceite.

Porque infância funciona assim.

Um chapéu transforma uma criança em cowboy.

Um chicote transforma o salão em Velho Oeste.

Uma música transforma bagunça em apresentação.

E uma câmera transforma alguns minutos aparentemente banais em algo que podemos rever décadas depois.

No meio de tudo isso está o Formiga.

Pequeno.

Elétrico.

Curioso.

Aprontando alguma.

E ocasionalmente olhando para Vaguinho para verificar se o sistema de gravação continua operacional.

FORMIGA.STATUS = APRONTANDO

CHICOTE = ONLINE

OH_SUSANNA = PLAYING

COREOGRAFIA = MAIS_OU_MENOS

VAGUINHO.CAMERA = REC

FELICIDADE = 100%

🤠🐜📹

E vamos que vamos.

Porque esses pequenos cowboys ainda têm muita bagunça para fazer.

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Os cowboys dançam com os chicotes

O Catatau e a dança caipira dos pequeninos


Esses pequenos cowboys são fogo... meio caipiras, meio harleiros estão com o chicote todo... dançando Oh Susana na maior bagunça.

O Formiga como sempre, aprontando mil e uma, todo animado que o Vaguinho ta filmando ... q ele fica muito curioso para assistir depois.














El Formiga e a dança do Laço

Bellacosa Mainframe e a dança do laço do formiga

El Formiga e a dança do Laço

A turminha do Catatau esta com a corda toda.


Literalmente esta turminha esta dançando com o laço ao som de oh Suzana, bem animados e um pouco desconcertados, correm de um lado a outro fazendo aquela bagunça.






A quadrilha do Catatau

Bellacosa Mainframe e a festa junina e sua quadrilha na escola infantil catatau


A quadrilha do Catatau

As crianças aprontam muito na quadrilha


A turminha do Catatau esta aprontando mais uma festa da quadrilha, com todas as coisas tipicas...

A ponte quebrou, olha a cobra, o noivo fugiu, chama o pai da noiva etc...

O formiga aprontou bem nesta festa e ficou todo animado qdo viu seu companheiro de bagunça filmando tudo.







📝 Nota especial — Dez anos depois

Quando escrevi estas poucas linhas, em 2016, isto era apenas mais um vídeo da nossa bagunça.

Uma quadrilha, crianças correndo para todos os lados, “olha a cobra!”, “a ponte quebrou!”, o noivo fugindo e o Formiga, naturalmente, aproveitando cada oportunidade disponível para aprontar alguma.

Eu estava atrás da câmera.

E ele sabia.

Quando percebia que seu companheiro de bagunça estava filmando, imediatamente ficava ainda mais animado. Havia também uma razão importantíssima: depois ele queria assistir a tudo.

Naquela época eu achava que estava simplesmente gravando uma festa.

Hoje percebo que estava fazendo backup de uma infância.

A câmera guardou coisas que minha memória jamais conseguiria preservar sozinha: as vozes, os movimentos, as roupas, as músicas, os amigos, as brincadeiras e aquele jeito absolutamente espontâneo que as crianças tinham antes de descobrirem que um dia cresceriam.

E talvez seja por isso que não quero reescrever demais o pequeno texto original acima.

Ele também pertence àquele momento.

Os erros, as abreviações, o “qdo”, as frases rápidas... tudo foi escrito por alguém que ainda estava muito perto dos acontecimentos. Não havia nostalgia porque ainda não existia distância suficiente para sentir saudade.

Dez anos depois, existe.

Mas é uma saudade feliz.

Porque posso apertar PLAY e, durante alguns minutos, o relógio executa um pequeno rollback impossível.

A quadrilha começa novamente.

A ponte quebra outra vez.

Alguém grita:

— OLHA A COBRA!

O noivo foge.

Chamam o pai da noiva.

As crianças dão risada.

E lá está o Formiga, aprontando alguma, até perceber que Vaguinho está com a câmera apontada para ele.

Então aquele sorriso aparece novamente.

📹 CAMERA = REC

🐜 FORMIGA = APRONTANDO

🎶 QUADRILHA = EM_EXECUÇÃO

❤️ MEMORIA = PRESERVADA

Talvez seja essa a verdadeira importância destes vídeos antigos.

Não filmamos porque sabíamos que aqueles dias seriam preciosos.

Eles se tornaram preciosos porque tivemos a sorte de filmá-los.

E assim fica este pequeno registro, guardado no Bellacosa Mainframe, para que um dia possamos voltar aqui, apertar PLAY e descobrir que certas festas terminam...

mas algumas alegrias continuam dançando para sempre.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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