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domingo, 3 de dezembro de 2017

Quem construiu a maquete ferroviária de Campinas?

A cabine 2 abriga uma ferrovia em seu interior

Um grupo de amigos há 10 anos atrás juntaram-se e começaram a trabalhar para por em pratica um sonho. Construir uma ferrovia em escala, com um trabalho sem parar, construíram mais de 300 metros de trilhos distribuídos em 3 níveis, criaram um diorama que representa a Estação Central de Campinas com varias estruturas, uma refinaria de petróleo, armazéns e silos, casa e botecos, pessoas e animais.

No material ferroviário existem diversas locomotiva a vapor, elétricas e diesel,  vagões de carga e carruagens de passageiro, lindo de ser ver, perde-se a noção do tempo, assistindo o vai e vem das composições, o comboio parte da plataforma principal, gruas se movimentam com contentores.

O grau de realismo espanta vendo a vegetação rasteiro, as arvores, as construções com desgaste do tempo, as pontes em madeira, pontes em ferro. Tudo construído com profissionalismo e esmero para para comporem o cenário.

Quem curte maquetes em escala H0 tem a obrigação de visitar o complexo da Fepasa em Campinas. Aqui na sala de controle existe uma ferrovia em miniatura que encantara a todos.

O que é a Cabine de controle número 2?

É uma construção singular, situada na Estação Ferroviária de Campinas no sentido interior, próximo a a antiga plataforma da Mogiana. Sua função era controlar os movimentos das locomotivas e locomotoras nos diversos ramais que existiam na estação, através de alavancas mecanizadas abria-se ou fechava-se um desvio para outro trilho. Em suas paredes havia mostradores analógicos que indicavam o status da linha e a movimentação no local. O mostradores eram eletro-mecânicos numa era em que tudo era a válvulas, testemunhas de um tempo em que não existiam computadores nem celulares.




sábado, 4 de junho de 2016

Equipamentos ferroviários abandonados


Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Equipamentos Ferroviários Abandonados — Entre a Ferrugem e os Fantasmas da FEPASA

Naquele sábado, enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu caminhava entre locomotivas, oficinas vazias e ferramentas esquecidas. Não estava apenas explorando ruínas. Estava tentando ouvir novamente um mundo que havia parado de funcionar.

Voltei à Estação Cultura de Campinas.

Enquanto Ana Paula fazia sua aula de teatro, eu precisava encontrar alguma maneira de matar o tempo.

E poucas coisas combinam mais comigo do que isto:

zanzar.

Sem roteiro.

Sem guia.

Sem saber exatamente o que encontraria depois da próxima porta.

Assim comecei novamente a explorar as estruturas ferroviárias espalhadas pelo enorme complexo da antiga estação.

Só que, quanto mais caminhava, mais aquela exploração adquiria outro significado.

Porque havia uma quantidade impressionante de coisas abandonadas.

E algumas delas eram verdadeiros tesouros.


🚶 Zanzando pelas ruínas

Eu entrava em um galpão.

Depois em outro.

Olhava por uma porta.

Contornava uma construção.

Seguia um trilho.

Encontrava outra estrutura.

Fotografava.

Filmava.

Curiava.

Era praticamente uma pequena expedição de arqueologia industrial.

Havia velhas locomotivas diesel, equipamentos ferroviários, vagões de serviço, guindastes, restos de oficinas, ferramentas e enormes peças metálicas cuja função original nem sempre era imediatamente evidente.

Em alguns lugares apareciam aqueles parafusos gigantescos que parecem absurdos para quem está acostumado com objetos domésticos.

Mas aquilo era ferrovia.

Ali tudo precisava suportar toneladas.

Cada peça dava uma pista sobre o que aquele lugar havia sido.


🕸️ O silêncio depois da oficina

O que mais impressionava, entretanto, não era aquilo que estava ali.

Era aquilo que não estava mais.

As pessoas.

Imaginei aqueles mesmos galpões décadas antes.

O som de metal contra metal.

Martelos.

Ferramentas pneumáticas.

Motores.

Solda.

Pontes rolantes.

Homens gritando alguma instrução de um lado para outro.

Uma locomotiva entrando para manutenção.

Outra esperando uma peça.

Alguém desmontando um componente.

Outro funcionário verificando medidas.

Óleo.

Graxa.

Fumaça.

Calor.

Barulho.

Vida.

Agora havia silêncio.

Em algumas estruturas, teias de aranha.

Em outras, ferrugem.

Partes haviam sido saqueadas.

Objetos desapareciam lentamente.

O tempo fazia o restante do serviço.

E algumas daquelas construções abandonadas acabavam servindo de abrigo improvisado para pessoas em situação de rua.

Era impossível olhar para aquilo sem sentir um aperto no coração.


🔧 Quando uma ferramenta deixa de ser apenas uma ferramenta

Para alguém passando rapidamente pelo lugar, aquilo talvez fosse apenas tralha.

Ferro velho.

Uma peça enferrujada.

Um parafuso enorme jogado em algum canto.

Mas bastava colocar um pouquinho de imaginação para aquilo começar a funcionar novamente.

Eu olhava para uma oficina vazia e tentava reconstruí-la mentalmente.

Aqui poderia ter trabalhado um mecânico.

Ali talvez fosse feita determinada manutenção.

Naquele ponto alguma peça pesada poderia ter sido içada.

Aquele equipamento provavelmente tinha uma função específica.

E, de repente, o galpão abandonado ficava novamente cheio de gente.

Essa talvez seja uma das coisas mais fascinantes da arqueologia industrial.

As máquinas contam a história das pessoas.

👷 Pessoas ganharam o pão de cada dia aqui

Era nisso que eu pensava enquanto fotografava.

Não queria registrar apenas locomotivas.

Queria, mesmo sem perceber completamente naquele momento, homenagear quem havia trabalhado ali.

Durante décadas, milhares de pessoas tiveram sua vida ligada à ferrovia.

Maquinistas.

Mecânicos.

Eletricistas.

Caldeireiros.

Soldadores.

Engenheiros.

Operadores.

Manobristas.

Funcionários administrativos.

Trabalhadores das oficinas.

Gente que acordava cedo, batia o ponto, trabalhava, reclamava do chefe, esperava o almoço, contava os dias para receber o salário e depois voltava para casa.

Com aquele dinheiro criaram filhos.

Compraram comida.

Pagaram aluguel.

Construíram casas.

Formaram famílias.

A ferrovia não era somente trilho e locomotiva.

Era trabalho.

E aqueles galpões foram, durante muito tempo, o lugar onde muita gente ganhou o pão de cada dia com seu labor.

🔍 Procurando a rotunda da Mogiana

Em determinado momento resolvi procurar uma coisa específica.

A rotunda ferroviária associada à antiga Mogiana.

Uma rotunda é uma daquelas estruturas maravilhosas da ferrovia clássica: locomotivas eram posicionadas por meio de uma ponte giratória e distribuídas para diferentes baias de manutenção ou estacionamento.

Para alguém apaixonado por ferrovia, encontrar uma estrutura dessas seria quase descobrir um templo perdido.

Então fui procurar.

Andei.

Observei trilhos.

Tentei interpretar estruturas.

Procurei vestígios.

Mas falhei.

Não encontrei a rotunda naquele dia.

Talvez estivesse procurando no lugar errado.

Talvez alguma transformação do complexo dificultasse identificar o que procurava.

Mas curiosamente isso tornou a exploração ainda mais divertida.

Havia sempre a sensação de que alguma coisa poderia estar escondida depois do próximo galpão.

Era meu pequeno Indiana Jones ferroviário.

Só faltava o chapéu.

🏗️ A infraestrutura que ajudou a construir São Paulo

Mas existe uma dimensão maior nessa história.

Aquelas ruínas não representam somente uma empresa ferroviária que deixou de operar daquela maneira.

Representam parte de uma infraestrutura que teve enorme importância para o desenvolvimento econômico do interior paulista.

As ferrovias acompanharam e estimularam ciclos econômicos, conectaram áreas produtoras aos grandes centros e ao porto, facilitaram deslocamentos e ajudaram cidades a crescer.

Também transportaram pessoas.

Entre elas, inúmeros imigrantes e trabalhadores que avançaram pelo interior em busca de oportunidades.

Onde o trilho chegava, novas possibilidades apareciam.

Mercadorias circulavam.

Pessoas circulavam.

Informação circulava.

Capital circulava.

Cidades se transformavam.

Por isso me incomodava profundamente observar tamanho patrimônio sendo lentamente consumido.

🇧🇷 Um país estranho diante da própria memória

Enquanto caminhava entre aquelas estruturas, surgia uma raiva silenciosa.

Porque há algo que sempre achei difícil compreender no Brasil.

Em muitos lugares do mundo, antigas estruturas ferroviárias são restauradas, preservadas e transformadas em museus, centros culturais, ferrovias turísticas ou espaços de interpretação histórica.

Não porque alguém seja simplesmente apaixonado por locomotivas.

Mas porque aquilo é considerado patrimônio tecnológico, industrial e social.

Uma velha oficina explica como uma sociedade trabalhava.

Uma locomotiva explica engenharia.

Uma estação explica urbanização.

Um mapa ferroviário explica economia.

Uma ferramenta explica tecnologia.

Uma fotografia dos trabalhadores explica sociedade.

Quando destruímos tudo isso, não perdemos apenas objetos.

Perdemos páginas inteiras de nossa própria história.

E ali, diante de mim, algumas dessas páginas estavam sendo comidas pela ferrugem.

🚛 Quando percebemos a falta que a ferrovia faz

Anos depois, durante crises logísticas como a paralisação nacional dos caminhoneiros de 2018, ficou novamente evidente o tamanho da dependência brasileira do transporte rodoviário.

Postos ficaram sem combustível.

Produtos deixaram de chegar.

Cadeias logísticas sofreram.

Supermercados começaram a sentir os efeitos.

Não significa que uma ferrovia substituiria magicamente os caminhões.

Cada modal possui sua função.

Mas uma infraestrutura nacional mais equilibrada e diversificada aumenta alternativas e resiliência.

E eu inevitavelmente lembraria daqueles trilhos.

Daquelas oficinas.

Daquelas locomotivas.

Daquilo que havíamos deixado desaparecer.

🚂 A locomotiva enferrujada ainda estava trabalhando

Talvez essa seja a ironia mais bonita daquela tarde.

As locomotivas estavam paradas.

Mas ainda estavam trabalhando.

Não transportavam mais passageiros.

Não puxavam vagões.

Não movimentavam cargas.

Mas transportavam memória.

Cada fotografia que fiz naquele sábado roubou alguma coisa do esquecimento.

Cada minuto de vídeo preservou um pedaço daquele lugar.

Mesmo uma ferramenta enferrujada fotografada sem saber exatamente para que servia passou a existir em outro lugar além daquele galpão.

No meu arquivo.

Na Internet.

Neste blog.

Na memória.

📸 Fotografar também pode ser uma forma de preservação

Na época talvez eu estivesse simplesmente fazendo aquilo que sempre gostei de fazer.

Explorar.

Fotografar.

Filmar.

Descobrir.

Mas tantos anos depois percebo outra dimensão desses registros.

Algumas coisas que fotografei talvez nem existam mais.

Um objeto pode ter sido levado.

Uma parede pode ter caído.

Uma estrutura pode ter sido restaurada.

Outra pode ter desaparecido.

A vegetação pode ter tomado determinado espaço.

O lugar muda.

A fotografia fica.

É por isso que tenho tanto carinho por esses velhos registros aparentemente banais.

Quando foram produzidos eram apenas fotografias de sábado.

Com o tempo começaram a virar documentos.

👻 Os fantasmas não estavam mortos

Continuei caminhando.

E quanto mais olhava, menos abandonado aquele lugar parecia dentro da minha cabeça.

Eu conseguia imaginar novamente as oficinas funcionando.

As fundições.

Os reparos.

As locomotivas entrando.

Os guindastes trabalhando.

As ferramentas passando de mão em mão.

Os operários caminhando pelos galpões.

Talvez seja esse o verdadeiro poder das ruínas.

Elas exigem participação de quem observa.

Uma construção nova mostra aquilo que ela é.

Uma ruína obriga você a imaginar aquilo que ela foi.

E naquele sábado minha imaginação trabalhou horas extras.

☕ O ocaso de uma ferrovia

Enquanto Ana Paula estudava teatro, eu havia encontrado outro palco.

Não havia cortina.

Não havia atores.

Não havia plateia.

O cenário era feito de tijolos, trilhos, óleo antigo e aço enferrujado.

Os protagonistas haviam ido embora muitos anos antes.

Mas os objetos permaneciam no palco.

Uma locomotiva.

Um guindaste.

Um vagão.

Uma ferramenta.

Um parafuso gigantesco.

Uma oficina vazia.

Cada um esperando alguém suficientemente curioso para perguntar:

“O que aconteceu aqui?”

Naquele sábado eu fiz exatamente isso.

Zanzei.

Explorei.

Fotografei.

Filmei.

Curiei cada canto que consegui.

Procurei uma rotunda e não encontrei.

Encontrei dezenas de outras coisas que nem sabia que estava procurando.

Fiquei maravilhado.

Fiquei triste.

Fiquei indignado.

E continuei fotografando.

Porque talvez eu já soubesse, mesmo sem formular isso claramente, que um dia aquelas imagens seriam importantes.

Naquela tarde, este que vos escreve não conseguiu salvar locomotivas, oficinas ou equipamentos.

Mas conseguiu fazer uma pequena coisa.

Relembrou a glória da ferrovia e eternizou um pedaço de seu ocaso.

E enquanto existir alguém disposto a olhar uma fotografia antiga, reconhecer uma locomotiva enferrujada e perguntar quem trabalhou nela...

talvez aqueles velhos ferroviários ainda não tenham terminado completamente o seu turno.

Bellacosa

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Belíssimos exemplares de maquinaria ferroviário.


Estamos na antiga oficina mecânica da estação ferroviária de Campinas. Este prédio que outrora abrigou um grande complexo de manutenção de trens e locomotivas.

Hoje abandonado guarda em seu interior alguns tesouros para os amantes de locomotivas, guindaste tipo grua, locomotiva a diesel, locomotiva eléctrica, vagões e vários artefactos.



No complexo existe um poço para manutenção sob as locomotivas. Possível descer e espionar como era o funcionamento da oficina.

 Pena que o abandono e generalizado, pois daria um excelente museu.

domingo, 29 de maio de 2016

Mais detalhes desta maravilhosa mini ferrovia

Bellacosa Mainframe e a cabine 2 clube de feerromodelismo

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Mais Detalhes Desta Maravilhosa Mini Ferrovia — Um Mundo Inteiro Dentro da Cabine nº 2

Era mais um sábado na Estação Cultura de Campinas.

Ana Paula estava em sua aula de teatro amador e, enquanto esperava o ensaio terminar, eu tinha algumas horas disponíveis para fazer aquilo que já havia se tornado quase um ritual: zanzar pelo antigo complexo ferroviário.

E havia muito para explorar.

A velha estação e suas construções guardavam marcas de uma época em que aquele lugar não era patrimônio histórico, espaço cultural ou cenário para fotografias. Era uma ferrovia viva. Havia gente trabalhando, locomotivas circulando, oficinas funcionando e trens chegando e partindo.

Para alguém apaixonado por ferrovias, história e máquinas, esperar algumas horas ali estava muito longe de ser um castigo.

Era uma oportunidade.

E naquele sábado meus passos acabaram novamente diante de um dos meus lugares favoritos de todo o complexo.



🚦 Meu pequeno templo ferroviário

A famosa Cabine nº 2 de comandos.

Só o edifício já era especial.

Em outra época, cabines como aquela faziam parte do cérebro operacional da ferrovia. Ali, homens acompanhavam movimentos de trens, comandavam aparelhos e ajudavam a decidir por quais trilhos aquelas enormes máquinas deveriam passar.

Mas os tempos haviam mudado.

A velha cabine ganhara outra função.

Em seu interior funcionava um clube de ferromodelismo.

E talvez não pudesse existir destino melhor para ela.

A ferrovia em tamanho real havia desaparecido de boa parte daquele cenário, mas, dentro da antiga cabine de comandos, ela renascia alguns centímetros de cada vez.

Em miniatura.



🏙️ Uma cidade inteira sobre uma mesa

Desta vez não fiquei apenas olhando os trens circularem.

Comecei a observar a maquete com mais calma.

E foi aí que ela começou a revelar seus segredos.

Havia trilhos, naturalmente.

Muitos trilhos.

Linhas se cruzavam, desviavam, desapareciam atrás de construções e reapareciam alguns metros adiante.

Mas reduzir aquela obra a uma coleção de trilhos seria uma tremenda injustiça.

Ali estava representado praticamente um pequeno universo ferroviário.

Pontes.

Árvores.

Oficinas.

Máquinas.

Locomotivas.

Vagões.

Carros.

Caminhões.

Um bonde.

E a maravilhosa rotunda ferroviária, uma daquelas estruturas que imediatamente chamam a atenção de qualquer apaixonado por ferrovias.

Quanto mais eu olhava, mais coisas apareciam.



🔍 O segredo estava nos detalhes

Essa talvez fosse a parte mais divertida daquela maquete.

Você podia olhar durante alguns minutos, afastar-se e pensar que já havia visto tudo.

Não havia.

Era só aproximar novamente o rosto e alguma coisa surgia.

Uma pequena pessoa que passara despercebida.

Um trabalhador.

Um detalhe em uma oficina.

Um veículo parado em determinado canto.

Um cachorro.

Depois outro personagem.

Era quase uma espécie de Onde Está Wally ferroviário.

Só que ninguém estava procurando Wally.

Estávamos procurando histórias.

Porque os modelistas não haviam construído simplesmente uma ferrovia.

Eles haviam criado cenas.

🍺 Até o ferroviário precisava descansar

Em determinado ponto aparecia um bar.

E dentro dele...

Uma mesa de sinuca.

Aquilo me divertia justamente porque demonstrava o cuidado colocado na construção daquele mundo.

Não bastava colocar locomotivas sobre trilhos.

Se existe uma ferrovia, existem ferroviários.

Se existem ferroviários, existem pessoas.

E pessoas trabalham, descansam, conversam, bebem alguma coisa, jogam uma partida de sinuca e continuam suas vidas.

De repente, aquela pequena mesa deixava de ser apenas um objeto decorativo.

Ela sugeria uma história.

Talvez alguns trabalhadores tivessem terminado o turno.

Talvez alguém estivesse esperando o próximo serviço.

Talvez houvesse uma aposta valendo uma cerveja imaginária.

A maquete não dizia.

Nossa imaginação completava.

🐕 Havia até cachorros

E naturalmente naquele pequeno mundo também havia cachorros.

Pequenos cães espalhados pelo cenário.

Detalhes absolutamente desnecessários para fazer um trem elétrico funcionar.

E justamente por isso maravilhosos.

Porque são essas pequenas coisas aparentemente inúteis que dão vida a um diorama.

Um cachorro não melhora o contato elétrico dos trilhos.

Não controla um desvio.

Não alimenta uma locomotiva.

Não aciona um sinal.

Mas coloca vida naquele cenário.

Assim como as pequenas figuras humanas.

A ferrovia deixa de parecer uma demonstração técnica e começa a parecer um lugar.

👷 O uniforme não precisava estar limpo

Outra coisa que me chamou atenção foi o cuidado com as figuras.

Nem tudo parecia recém-saído da caixa.

Havia trabalhadores representados em seu ambiente de serviço, inclusive com a aparência coerente com aquele universo de oficinas, graxa, carvão, óleo e manutenção.

Uniformes sujos.

Pequenas marcas.

Cores cuidadosamente aplicadas.

São detalhes minúsculos.

Mas nosso cérebro percebe essas coisas.

Um ferroviário perfeitamente limpo diante de uma locomotiva sendo reparada pareceria artificial.

Um pouco de sujeira na roupa conta imediatamente uma história:

aquele homem estava trabalhando.

Talvez seja esse o segredo dos bons dioramas.

Eles não precisam explicar tudo.

Um detalhe bem colocado faz nossa cabeça construir o restante.

🔧 A oficina em miniatura

E naturalmente fiquei fascinado pela oficina.

Máquinas, trabalhadores, equipamentos e pequenos elementos mecânicos compunham aquele ambiente.

Era possível imaginar manutenção acontecendo ali.

Uma locomotiva chegando.

Uma ferramenta sendo utilizada.

Uma peça sendo desmontada.

Um trabalhador atravessando a oficina.

Outro reclamando que alguma coisa estava atrasada.

Nada disso realmente acontecia.

Mas parecia que poderia acontecer.

Esse é o ponto em que uma boa maquete deixa de ser brinquedo e passa a ser narrativa tridimensional.

🌳 Nem tudo era ferro

Outro detalhe importante eram as árvores e a vegetação.

Quando pensamos em ferromodelismo, nossa cabeça imediatamente vai para locomotivas, trilhos, estações e pontes.

Mas uma ferrovia existe dentro de uma paisagem.

E reproduzir essa paisagem é justamente aquilo que dá escala às máquinas.

Árvores ajudam nossos olhos a entender o tamanho das locomotivas.

Casas dão proporção aos trilhos.

Pessoas mostram a dimensão dos vagões.

Carros e caminhões colocam a ferrovia dentro de uma cidade.

Aos poucos, deixamos de enxergar objetos sobre uma bancada.

Passamos a enxergar um recorte do mundo.

🚋 E lá estava o bonde

No meio de tudo aquilo ainda havia um bonde.

Mais um daqueles elementos capazes de prender minha atenção.

Porque o bonde conecta dois mundos.

O ferroviário e o urbano.

Ele nos lembra de uma época em que trilhos não estavam apenas escondidos em pátios ferroviários ou reservados aos grandes trens.

Eles faziam parte das ruas.

Ao redor dele estavam carros, caminhões, construções e pequenas pessoas.

Era Campinas reduzida a uma escala em que cabia diante dos nossos olhos.

🌉 Pontes, trilhos e a rotunda

Naturalmente, algumas estruturas roubavam a cena.

As pontes eram uma delas.

A rotunda, outra.

A rotunda ferroviária possui algo quase hipnótico para quem gosta desse universo.

Sua própria geometria denuncia sua função.

Locomotivas chegando de diferentes direções, sendo posicionadas e encaminhadas.

Na maquete, aquele elemento ajudava a contar a história de um complexo ferroviário que havia sido gigantesco.

O curioso era pensar onde eu estava.

Eu observava uma reprodução em escala do complexo ferroviário...

estando dentro do próprio complexo ferroviário.

Uma ferrovia dentro da ferrovia.

Uma memória dentro da memória.

⚡ E por baixo daquele mundo havia tecnologia

Mas havia outra camada fascinante.

Aquela cidade minúscula precisava funcionar.

Por trás das árvores, prédios, oficinas e personagens existia a parte que normalmente não aparece nas fotografias bonitas:

a engenharia.

Fiação.

Circuitos.

Comandos.

Controles eletrônicos.

Motores.

Iluminação.

Mecanismos.

Era essa infraestrutura escondida que dava vida ao cenário.

Luzes acendiam.

Trens se movimentavam.

Elementos respondiam aos controles.

Sons completavam a experiência.

Aquilo tinha algo que sempre me fascinou nas grandes máquinas: existe uma camada visível que encanta o público e outra, escondida, que faz tudo funcionar.

Talvez por isso eu gostasse tanto daquele lugar.

Na superfície havia arte.

Por baixo havia lógica.

🎛️ O antigo e o novo dividindo a mesma cabine

E tudo aquilo acontecia justamente dentro de uma antiga cabine ferroviária de comandos.

Existe uma bela ironia nisso.

Décadas antes, controles naquele prédio ajudavam a movimentar trens verdadeiros.

Agora outros controles movimentavam trens em miniatura.

Mudaram as escalas.

Mudaram as tecnologias.

Mudaram os operadores.

Mas permaneceu a mesma ideia fundamental:

alguém precisava dizer ao trem para onde ir.

A Cabine nº 2 continuava comandando uma ferrovia.

Só que agora ela cabia dentro da própria cabine.

🎥 A câmera tenta registrar tudo

Naturalmente levei a câmera comigo.

Filmei a maquete procurando registrar aqueles detalhes.

Os trilhos.

As construções.

As pontes.

A rotunda.

O bonde.

Os veículos.

As pessoas.

Os cachorros.

A oficina.

Os controles.

As luzes.

Os movimentos.

Mas existe um problema.

O vídeo nunca captura tudo.

Não porque a câmera seja ruim.

Mas porque nosso olhar funciona de maneira diferente.

Quando estamos diante de uma maquete dessas, podemos parar.

Voltar.

Aproximar.

Olhar novamente.

Descobrir alguma coisa escondida atrás de uma construção.

Perceber uma figura que estava ali desde o começo.

Então olhar pela terceira vez e descobrir mais alguma coisa.

A câmera registra aquilo para onde apontamos.

A memória registra também aquilo que sentimos.

🔎 Sempre havia alguma coisa que eu não tinha visto

Talvez essa seja minha lembrança mais forte daquela visita.

A sensação de descoberta permanente.

Eu olhava.

Encontrava alguma coisa.

Continuava.

Voltava.

E percebia:

— Caramba... isso estava aqui antes?

Estava.

Eu é que não tinha visto.

E isso se repetia.

Era justamente esse processo que tornava a maquete tão deliciosa de observar.

Ela recompensava quem tivesse paciência.

Não era uma atração para olhar durante cinco segundos e seguir adiante.

Era necessário explorar.

Quase como eu fazia com a própria Estação Cultura enquanto esperava Ana Paula terminar sua aula.

Talvez por isso aquelas duas experiências combinassem tão bem.

Do lado de fora eu explorava um gigantesco complexo ferroviário real procurando vestígios de seu passado.

Dentro da Cabine nº 2 eu explorava sua versão em miniatura procurando pequenos detalhes construídos pelos modelistas.

Macro e micro.

Ruína e preservação.

Passado e representação.

🕰️ Oito anos dentro de alguns metros quadrados

Pensar que aquele trabalho havia consumido anos de dedicação tornava tudo ainda mais impressionante.

Cada árvore precisou ser colocada.

Cada trilho, alinhado.

Cada construção, montada.

Cada personagem, posicionado.

Cada detalhe, pintado.

Cada circuito, instalado.

Cada problema elétrico, resolvido.

E certamente muita coisa foi feita, refeita e melhorada.

Quem observa uma maquete pronta durante alguns minutos dificilmente consegue perceber a quantidade de horas humanas escondidas dentro dela.

Talvez essa seja outra semelhança com uma ferrovia verdadeira.

O passageiro vê o trem chegando.

Não vê milhares de horas de manutenção, engenharia, sinalização, operação e trabalho necessárias para que aquilo aconteça.

Na maquete era parecido.

Víamos o pequeno trem circulando.

Por baixo dele existiam anos de trabalho.

🚂 Um mundo que continuava existindo

Quando saí da Cabine nº 2 naquele sábado, Ana Paula provavelmente ainda estava envolvida com seu teatro.

E eu havia conseguido novamente matar algumas horas.

Mas chamar aquilo de simplesmente "matar o tempo" seria injusto.

Eu havia viajado.

Sem sair da estação.

Durante algum tempo caminhei por uma Campinas ferroviária reduzida a alguns metros quadrados.

Vi oficinas.

Pontes.

Trens.

Trabalhadores.

Cachorros.

Um bar.

Uma mesa de sinuca.

Um bonde.

Carros.

Caminhões.

Árvores.

Luzes.

Movimentos.

E provavelmente dezenas de coisas que estavam lá e que nem naquele dia consegui perceber.

Talvez essa seja a maior qualidade de uma grande maquete ferroviária.

Você nunca termina realmente de olhar.

Sempre existe outra pequena história escondida em algum canto.

E, tantos anos depois, aquele vídeo ainda permite fazer exatamente a mesma coisa:

dar play...

aproximar os olhos...

e procurar mais uma vez por algum pequeno detalhe que passou despercebido.

Porque dentro daquela antiga Cabine nº 2 havia algo muito maior que uma maquete.

Havia um mundo inteiro esperando para ser descoberto.

☕🚂 Bellacosa Mainframe — histórias, máquinas, memória e aqueles pequenos detalhes que só aparecem para quem resolve olhar uma segunda vez.

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Rica em detalhes


Para quem ama ferromodelismo esta mini ferrovia tem tudo para alegrar.

Construída por um grupo de amigos no decorrer de 8 anos, foram incorporados diversos temas, construções, diversas linhas se intercomunicam fazendo um show para os visitantes.

 Sem contar a sensação única de estar na cabine de controle, onde os operadores através de alavancas, movimentavam os trilhos para ligar ramais internos a malha ferroviária.

Nesta maquete tem diversos tipos de túneis, pontes, construções e ate uma replica de uma refinaria de petróleo.


sábado, 21 de maio de 2016

8118 Teatro na Estaçao: Ulisses a deriva

Bellacosa Mainframe e o teatro amador na estação cultura em campinas

🚂 8118 — Teatro na Estação: Ulisses à Deriva

Até perdi a conta do capítulo...

Em algum ponto desta história eu deveria estar simplesmente gravando uma apresentação de teatro amador.

Esse era o plano.

Mas planos, como horários ferroviários e documentação de sistemas legados, possuem uma relação bastante flexível com a realidade.

Estamos nos corredores do antigo prédio administrativo da Companhia Paulista, posteriormente incorporado à Fepasa, testemunha de uma época em que os trilhos cortavam São Paulo rumo ao oeste carregando passageiros, trabalhadores, histórias e uma quantidade incalculável de café.

E lá estou eu.

Câmera na mão.

Completamente à deriva.

Nosso grupo teatral continua avançando pelos corredores, salas e salões do antigo complexo ferroviário, enquanto eu sigo atrás tentando descobrir onde termina a peça e começa a exploração do prédio.

A essa altura, sinceramente, já perdi a conta do capítulo.



🍺 Recapitulando o episódio anterior...

Porque toda grande saga precisa de um resumo.

Já passamos pelo boteco.

Filamos a breja na faixa.

Ouvimos os músicos tocando.

Observamos personagens que provavelmente nem faziam parte oficialmente do espetáculo, mas que imediatamente foram incorporados ao universo cinematográfico desta produção absolutamente descontrolada.

E agora seguimos para o interior da estação.

Sem mapa.

Sem GPS.

Sem documentação.

Sem garantia de que alguém saiba exatamente para onde estamos indo.

Perfeito.



🚪 Uma porta leva a outra

Entramos em novos ambientes.

Corredores aparecem.

Salões surgem.

Portas conduzem a outras portas.

E aquele velho prédio administrativo começa a revelar pequenas partes de uma história muito maior do que nossa apresentação teatral.

Durante décadas, pessoas trabalharam ali.

Papéis circularam por aquelas salas.

Decisões ferroviárias foram tomadas.

Funcionários chegaram pela manhã, tomaram café, reclamaram dos chefes, olharam relógios e foram embora no final do expediente.

Agora, anos depois, um grupo de teatro atravessa os mesmos espaços.

E atrás deles segue um sujeito com uma câmera registrando tudo.

Há algo maravilhosamente estranho nisso.



🎭 Ulisses continua à deriva

Talvez por isso o título funcione tão bem.

Ulisses passou anos tentando encontrar o caminho de casa.

Eu estou tentando encontrar o próximo ato.

Cada sala parece uma pequena ilha.

Cada corredor oferece uma nova possibilidade.

E seguimos.

Depois da cerveja.

Depois dos músicos.

Depois do boteco.

Depois de tantos capítulos que o departamento responsável pela continuidade simplesmente desistiu.

Agora resta apenas uma ordem operacional:

vamos que vamos.


E talvez seja justamente esse o encanto desses vídeos.

Não existe roteiro perfeito.

Não existe fotografia cuidadosamente planejada.

Não existe alguém explicando solenemente diante da câmera a importância histórica de cada parede.

Existe simplesmente gente ocupando novamente um prédio antigo.

Existe música.

Existe teatro.

Existe cerveja.

Existe ferrovia.

Existe história.

E existe uma câmera curiosa registrando aquilo que, naquele momento, parecia apenas uma noite divertida.

Anos depois, o vídeo ganha outra função.

Vira documento.

Mostra corredores que talvez tenham mudado.

Salas que podem ter recebido outras funções.

Paredes restauradas ou desaparecidas.

Pessoas mais jovens.

Vozes.

Roupas.

Sons.

Pequenos detalhes que ninguém pensou em registrar deliberadamente.


📼 E o capítulo?

Não faço a menor ideia.

Talvez seja o 8118.

Talvez seja o capítulo 37.

Talvez seja apenas:

ULISSES.A.DERIVA.CONTINUA

Mas isso pouco importa.

Porque filamos a breja.

Ouvimos os músicos.

Sobrevivemos ao boteco.

Entramos novamente na estação.

E agora continuamos seguindo o grupo teatral pelos corredores da velha ferrovia para descobrir onde diabos esta história vai terminar.

Se é que vai terminar.

🚂🍺🎭

Vamos que vamos...

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8118 Teatro na Estação: Ulisses a deriva 

ate perdi a conta do capitulo


Nos corredores do antigo prédio administrativo da Cia Paulista, posteriormente Fepasa na extinta ferrovia que cortava São Paulo rumo a oeste, esta eu gravando teatro amador. mas perdido entre salas e salões continuo seguindo o grupo teatral, após passarmos no boteco, seguimos para o interior da estação e vamos descobrir novos ambientes.... esperando para ver o desenlace da historia. filamos a breja na faixa, ouvimos os músicos no boteco e agora vamos que vamos...



☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎭 Teatro na Estação — Campinas 2016

Uma viagem pelos registros do Teatro na Estação, na Estação Cultura de Campinas, incluindo a passagem de Ulisses à Deriva em 21 de maio de 2016.

Esta coleção reúne vídeos, relatos e memórias registrados durante o evento Teatro na Estação, preservando diferentes momentos da programação cultural realizada na antiga estação ferroviária de Campinas.

🚂 Uma estação transformada em palco

Em maio de 2016, a Estação Cultura de Campinas recebeu apresentações em que teatro, música, performances e personagens ocuparam plataformas, vagões e antigos espaços ferroviários.

Estes registros formam uma pequena memória digital daquele encontro entre ferrovia, patrimônio histórico, teatro, música e cultura em Campinas.

Entre as apresentações estava Ulisses à Deriva, montagem relacionada ao universo de Ulysses, de James Joyce, transformando a antiga estação em mais uma parada na longa viagem de Leopold Bloom.

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📚 Teatro, ferrovia e memória cultural de Campinas

O projeto Teatro na Estação ocupou a histórica Estação Cultura de Campinas com apresentações, música, teatro e performances. Estes registros publicados no Bellacosa Mainframe preservam diferentes fragmentos daquela experiência cultural.

A coleção inclui cenas relacionadas a Ulisses à Deriva, além de músicos, personagens, performances e intervenções realizadas no ambiente ferroviário.

O conjunto conecta temas como Campinas, Estação Cultura, patrimônio ferroviário, teatro brasileiro, James Joyce, Ulysses, Leopold Bloom, Molly Bloom, literatura, música e memória cultural.

8116 Teatro na estaçao: Boteco no vagao

Bellacosa Mainframe e o boteco no vagão teatro na estação cultura

🎭 Teatro na Estação — Boteco no Vagão

Quando um velho vagão ferroviário virou boteco e a Estação Cultura inteira se transformou em palco

Em 2016, a Estação Cultura de Campinas recebeu experiências teatrais que aproveitaram muito mais do que suas salas. Trilhos, plataformas, instalações ferroviárias e antigos vagões transformaram-se em cenários de uma peça que fazia o público caminhar pela estação acompanhando cada nova cena.

Uma dessas paradas aconteceu dentro de um velho vagão de serviço ferroviário.

Estacionados sobre os trilhos da antiga estação existem diversos vagões utilizados no passado em atividades de apoio e manutenção. Entre eles estava um carro adaptado como espaço de refeição para os funcionários da ferrovia. Um lugar onde trabalhadores podiam sentar, comer, conversar e descansar antes de retornar ao serviço.

Naquela apresentação, porém, o velho vagão ganhou outra vida.

Virou um boteco teatral.



Dentro dele, um personagem bebia enquanto lamentava seus problemas e perdas. Músicos acompanhavam a cena, ajudando a criar aquele ambiente típico de bar onde histórias, tristezas e copos acabam dividindo a mesma mesa.

E o público não ficou apenas observando.

Os espectadores também receberam pequenos copos de cerveja, tornando-se, por alguns instantes, fregueses daquele boteco imaginário.

Era justamente essa a magia da apresentação.

A peça percorria diferentes espaços da Estação Cultura. O público caminhava pelos trilhos, vagões, instalações e salas, descobrindo novas cenas pelo caminho. Não havia necessidade de trocar a cenografia: bastava caminhar até outro pedaço da antiga ferrovia.

Assim, a própria estação tornou-se personagem.

E talvez exista algo poeticamente ferroviário nisso tudo.

Durante décadas, aqueles trilhos transportaram pessoas para outros lugares. Naquela noite, já sem precisar partir da plataforma, continuaram fazendo exatamente isso.

Só que o destino agora era outro.

O teatro.

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Nosso amigo chora suas magoas no boteco


Estamos no boteco com nosso amigo, os músicos fazendo sua parte, bebendo e animando o ambiente com uma deliciosa trilha sonora.



Nosso épico personagem esta bebendo e chorando suas magoas... infeliz com seus problemas, suas perdas para deleite da plateia.

Todos foram servidos com um copito de cerveja, como bons frequezes consolamos e ouvimos as magoas do personagem.



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🎭 Teatro na Estação — Campinas 2016

Uma viagem pelos registros do Teatro na Estação, na Estação Cultura de Campinas, incluindo a passagem de Ulisses à Deriva em 21 de maio de 2016.

Esta coleção reúne vídeos, relatos e memórias registrados durante o evento Teatro na Estação, preservando diferentes momentos da programação cultural realizada na antiga estação ferroviária de Campinas.

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Em maio de 2016, a Estação Cultura de Campinas recebeu apresentações em que teatro, música, performances e personagens ocuparam plataformas, vagões e antigos espaços ferroviários.

Estes registros formam uma pequena memória digital daquele encontro entre ferrovia, patrimônio histórico, teatro, música e cultura em Campinas.

Entre as apresentações estava Ulisses à Deriva, montagem relacionada ao universo de Ulysses, de James Joyce, transformando a antiga estação em mais uma parada na longa viagem de Leopold Bloom.

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O projeto Teatro na Estação ocupou a histórica Estação Cultura de Campinas com apresentações, música, teatro e performances. Estes registros publicados no Bellacosa Mainframe preservam diferentes fragmentos daquela experiência cultural.

A coleção inclui cenas relacionadas a Ulisses à Deriva, além de músicos, personagens, performances e intervenções realizadas no ambiente ferroviário.

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8114 Teatro na estaçao : baile no mesanino

Bellacosa Mainframe e o teatro na estação baile no mezanino

🎭 Teatro na Estação — Baile no Mezanino

Quando o público deixou de assistir e passou a fazer parte da peça

Naquela noite, a Estação Cultura de Campinas não possuía palco, plateia ou quarta parede. A antiga estação ferroviária inteira havia se transformado em teatro, e nós acompanhávamos os personagens pelas diferentes dependências do enorme complexo.

Era a mesma peça, mas cada cena acontecia em um lugar diferente.



Já havíamos seguido a misteriosa Noiva Fantasma pelos trilhos, caminhando pela escuridão do antigo pátio e estacionamento ferroviário. Depois entramos em um velho vagão, transformado em boteco, onde chegamos a compartilhar um copo de cerveja enquanto a história continuava ao nosso redor.

Éramos espectadores, mas também voyeurs daquela estranha realidade.

Então seguimos novamente os personagens.

Desta vez chegamos ao imenso salão do mezanino. A iluminação baixa mudou completamente o ambiente. A música tomou conta do espaço e aquilo que minutos antes era apenas mais uma dependência da velha estação transformou-se em um grande salão de baile.

Os personagens começaram a dançar.

E então convidaram o público.

Foi nesse momento que desapareceu qualquer fronteira que ainda pudesse existir entre atores e espectadores. Algumas pessoas aceitaram o convite e começaram a dançar. Sem perceber, o público havia se transformado na figuração da própria peça.

Essa era a magia daquele Teatro na Estação.

O cenário não mudava diante de uma plateia imóvel. Éramos nós que caminhávamos até o próximo cenário, seguindo os personagens pelos trilhos, vagões, salas e corredores da estação.

Ora observadores, ora testemunhas, ora participantes.

No Baile no Mezanino, talvez tenha acontecido a transformação definitiva.

Entramos ali para assistir.

Quando percebemos, também estávamos dentro da história.

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Seguindo a musica nosso amigo se solta


Realmente esta muito intrigante seguir os músicos, agora nosso de verde pega uma gatinha e leva para um animado arrasta pé no mesanino.



Continuo intrigado com o q vai rolar... a curiosidade me impede de abandonar a cena... então sigo o grupo para ver as próximas cenas emocionantes desta novelinha na estação.

Acompanhe em nosso blog, todos os capítulos.



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🎭 Teatro na Estação — Campinas 2016

Uma viagem pelos registros do Teatro na Estação, na Estação Cultura de Campinas, incluindo a passagem de Ulisses à Deriva em 21 de maio de 2016.

Esta coleção reúne vídeos, relatos e memórias registrados durante o evento Teatro na Estação, preservando diferentes momentos da programação cultural realizada na antiga estação ferroviária de Campinas.

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Em maio de 2016, a Estação Cultura de Campinas recebeu apresentações em que teatro, música, performances e personagens ocuparam plataformas, vagões e antigos espaços ferroviários.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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