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quinta-feira, 18 de agosto de 2022

🖥️ Screensavers que dançavam na madrugada – O Museu dos Micreiros Anos 90

 




🖥️ Screensavers que dançavam na madrugada – O Museu dos Micreiros Anos 90
(Por Vagner Bellacosa ☕ — Bellacosa Mainframe / El Jefe Midnight Lunch Edition)


Ah, as madrugadas dos anos 1990...
O barulho do modem discando, o brilho do monitor CRT iluminando o quarto, e o som suave do cooler misturado ao zumbido do transformador.
Era a era dourada dos micreiros românticos, os guardiões do DOS, os padres do Windows 3.11 e os filósofos do Pentium 100.
E quando o cansaço batia — ou o download do ICQ demorava três horas — o PC começava a sonhar.

Nascia o espetáculo dos screensavers dançarinos, o ballet pixelado que embalava as madrugadas de quem acreditava que tecnologia também podia ser poesia.




🕊️ Flying Toasters – os anjos do ciberespaço

Antes do metaverso, vieram as torradeiras voadoras.
Criadas pela Berkeley Systems, no pacote lendário After Dark, eram ícones flutuando no infinito digital — asas metálicas, pão quentinho e música imaginária.
Não serviam pra nada.
Mas hipnotizavam como um mantra eletrônico.

💡 Curiosidade: o sucesso foi tão absurdo que gerou uma linha de produtos — canecas, camisetas, até adesivos de carro.
Ter o Flying Toasters era sinal de status tecnológico. Era dizer: “Meu monitor é SVGA e meu coração é ASCII.”


🏝️ Johnny Castaway – o náufrago do microchip

O screensaver mais filosófico da história.
Criado pela Sierra On-Line (1992), mostrava Johnny, um solitário náufrago preso em uma ilha minúscula, vivendo pequenas aventuras animadas: pescava, dormia, falava com gaivotas e tentava fugir.
Cada aparição era diferente — um pequeno episódio inédito, um slice of life do mar digital.

💾 Segredo: quem deixava o PC ligado por horas, via novas cenas escondidas — Johnny construindo jangada, recebendo visitas, ou olhando pro horizonte… esperando alguém que nunca vinha.

O Johnny não era só um protetor de tela.
Era uma metáfora da vida do programador dos anos 90.


🐶 Bad Dog – o mascote destruidor

Esse vinha no After Dark e era pura anarquia digital.
Um cachorro de desenho animado invadia o desktop, cavava buracos, mordia ícones e arrastava janelas como se fosse um hacker canino.
Nos escritórios, era o terror dos chefes e o deleite dos estagiários.

🐾 Fofoquice: diziam que o animador se inspirou no cachorro do vizinho — um dálmata chamado “Bingo”, que realmente roía cabos de impressora.
Ironia: o Bad Dog foi acusado de “comportamento destrutivo” por empresas de antivírus, o que o tornou ainda mais amado.


🌌 Starfield Simulation – o salto para o hiperespaço

Vinha de fábrica no Windows 95 e transformava o monitor num túnel de estrelas.
Simples, hipnótico e infinitamente elegante.
Era o screensaver oficial dos sonhadores espaciais e dos micreiros que juravam que um dia seriam astronautas… ou pelo menos comprariam uma Voodoo 3Dfx.

💡 Dica técnica: quanto mais rápido o seu processador, mais rápido o salto estelar.
Nos Pentium 200, parecia que o computador ia decolar de verdade.


🔮 Mystify / Pipes 3D – o balé geométrico

Linhas dançantes, cores mutantes e tubos 3D crescendo como se o Windows tivesse vida própria.
Era o show de luzes particular de quem deixava o PC renderizando sonhos.

Nos laboratórios de informática, o Pipes 3D era o padrão: o símbolo visual do poder — e do tédio — das máquinas modernas.
💾 O ritual era clássico:
“Sai do Word, não mexe, deixa o Pipes rodar...”
E todo mundo hipnotizado vendo aquele labirinto infinito nascer.


🐠 Aquarium & Planetarium – zen digital

Enquanto o caos reinava nas planilhas e nos disquetes, havia os screensavers serenos.
Peixes pixelados nadando suavemente, planetas girando em silêncio cósmico.
Eram o lo-fi beats dos anos 90 — calmaria de bits para quem passou o dia digitando comandos em CAPS LOCK.

💡 Curiosidade: alguns pacotes de Aquarium vinham com trilhas sonoras MIDI e “bolhas” em estéreo — um luxo digno de Sound Blaster 16.


Bellacosa comenta:

Os screensavers dos anos 1990 eram mais do que proteção contra o burn-in.
Eram o espelho da nossa relação com a máquina.
Enquanto os atuais pedem login, nuvem e IA, aqueles precisavam só de uma pausa e um pouco de curiosidade.

Eles dançavam quando você descansava.
Sonhavam quando você dormia.
E, talvez sem querer, ensinaram uma geração que tecnologia pode — e deve — ter alma.


💡 Dica do El Jefe Midnight Lunch:

Quer reviver essa magia?

  • Baixe o After Dark Revival ou o OpenSaver Project.

  • Ligue seu monitor de tubo (ou um emulador CRT).

  • Coloque um MIDI de Enigma ou Jean-Michel Jarre tocando ao fundo.

E quando o Johnny Castaway aparecer na tela, acene pra ele.
Porque ele ainda está lá —
esperando por nós, micreiros da madrugada.

sábado, 13 de agosto de 2022

“Vinte anos depois…”

 






“Vinte anos depois…”

Vinte anos depois, a memória coloriu tudo. Já não sei mais o que foi imaginação e o que foi realidade. Só sei que um dia, cansado e entediado com meu trabalho no Banco Real ABN Amro, entre planilhas, protocolos e o barulho das teclas, eu me perdi de mim mesmo.
As longas viagens de fretado até São Paulo me roubavam o brilho dos olhos e o resto da paciência. Era o tempo que escorria entre o asfalto e os fones de ouvido, enquanto eu sonhava em ser qualquer coisa, menos aquilo.

Meu namoro com a Giovana estava morno — e, ainda assim, eu me embriagava nos olhos dela, azuis como promessa de verão. Havia amor, havia encanto, mas também uma névoa. Um lado meu queria fincar raízes, casar, construir. O outro queria vento na cara, estrada, caos, Europa.
Ela estudava sem parar, obcecada, como quem luta contra o destino. Medicina era o sonho; Biologia, a realidade possível. E eu, perdido entre o amor e a inquietude, decidi chutar o pau da barraca.

Foi assim, sem mapa nem certeza, que nasceu a minha aventura.
Entre malas malfeitas e coragem improvisada, parti — não apenas para a Europa, mas para dentro de mim mesmo.

Deixando as deliciosas tarde de sábado, sentados no banco da praça, comendo algodão-doce, caminhando as margens do rio Camanducaia em Amparo, vendo preguiçosas capivaras, trocando deliciosos beijos e me encantando com lindos olhinhos azuis.

Às vezes lembrar sinto um pesar, aquele nó no estômago, imaginando o é se... mas tantas coisas aconteceram, que criaram toda uma nova narrativa emocionante e alucinante.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Venha fazer parte da Historia

é nosso dever cívico, lutar pela democracia, participe e assine, faça a diferença. #Dionitos em Ação IBM #analistas #mainframe #cobol #liberdade #democracia #eleiçãoLivre
https://www.estadodedireitosempre.com/adesao/BF773B3C-52DC-4D05-B307-B64474E9D65C?t=li

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

☕💥 IBM BPM: O Reino dos Fluxos, Aprovações e Processos

 

Bellacosa Mainframe apresenta o ibm bpm

☕💥 IBM BPM: O Reino dos Fluxos, Aprovações e Processos

Ou como um Padawan COBOL descobre que existe um CICS para humanos preencherem formulários

"Se CICS conversa com terminais 3270, IBM BPM conversa com pessoas, departamentos inteiros e regras de negócio espalhadas pelo planeta."

Bellacosa Mainframe


Introdução

Uma das maiores descobertas que um desenvolvedor COBOL faz ao sair do mundo Batch, CICS, VSAM e DB2 é perceber que muitas aplicações corporativas não processam apenas dados.

Elas processam algo muito mais complicado.

Elas processam pessoas.

E pessoas são extremamente difíceis de programar.

Arquivos VSAM obedecem.

DB2 obedece.

MQ obedece.

JCL obedece.

Usuários?

Nunca.

Um gerente pode aprovar em cinco minutos.

Outro pode levar três dias.

Compliance pode devolver.

Jurídico pode rejeitar.

Diretoria pode pedir ajustes.

É justamente para organizar esse caos corporativo que surgiu o BPM.

Business Process Management.

Ou simplesmente:

IBM BPM.


O que é IBM BPM?

IBM BPM significa:

Business Process Manager.

É uma plataforma destinada à modelagem, execução, monitoramento e automação de processos de negócio.

Pense nele como:

Um CICS para departamentos.

Um JES2 para aprovações.

Um Workflow Engine corporativo.

Um coordenador digital.


A origem do BPM

Década de 1980.

Empresas começaram a perceber algo curioso.

Automatizar programas não bastava.

Era preciso automatizar decisões.

Exemplo.

Solicitação de empréstimo.

Analista.

Supervisor.

Compliance.

Diretor.

Liberação.

Antes.

Tudo papel.

Depois.

Email.

Depois.

Workflow.


Década de 1990.

Surge o conceito BPM.

Business Process Management.


Aquisições importantes da IBM

A IBM percebeu o potencial.

Adquiriu duas empresas importantes.

Lombardi Software

Produto:

Teamworks

Especialidade:

Processos humanos


FileNet

Especialidade:

ECM

Documentos

Workflow

Case Management


Da união surgiu.

IBM BPM.


Primeiros releases

IBM BPM 7.5

2011


IBM BPM 8.0

2013


IBM BPM 8.5

2014


IBM BPM 8.6

2016


IBM BPM 8.6 CF

2017-2019


Posteriormente evoluiu para:

IBM Business Automation Workflow

BAW

Atualmente é o sucessor.


Filosofia

IBM BPM trabalha com:

Processos

Pessoas

Regras

Eventos

Integrações


Componentes

Process Designer

Desenha fluxos.


Process Center

Repositório.


Process Server

Executa.


Integration Designer

Integra sistemas.


Process Portal

Interface usuário.


Como funciona

Exemplo.

Solicitar cartão.

Cliente

Abrir pedido

Gerente

Análise crédito

Compliance

Emitir cartão

Fim


Cada etapa.

Pode esperar.

Horas.

Dias.

Semanas.


BPMN

IBM BPM usa.

BPMN 2.0

Business Process Model Notation


Elementos.

Evento

Tarefa

Gateway

Timer

Mensagem


Parece um fluxograma.

Só que muito mais poderoso.


Exemplo BPM

Solicitação de férias.

Start

Funcionário

Preencher formulário

Gestor aprova?

Gateway

Sim

RH

Fim

Não

Retorna funcionário


Gateway

É praticamente.

Nosso velho losango.


COBOL


IF APROVADO='S'

BPM

Gateway.


Como um desenvolvedor COBOL deve enxergar IBM BPM

Pense assim.

COBOL

Processa registros.

IBM BPM

Processa pessoas.


COBOL

PERFORM

IBM BPM

Human Task


COBOL

IF

IBM BPM

Exclusive Gateway


COBOL

JCL

IBM BPM

Scheduler


COBOL

COMMIT

IBM BPM

Milestone


Exemplo integrando Mainframe

Cliente solicita empréstimo.

IBM BPM

API

zOS Connect

CICS

COBOL

DB2

Resposta

BPM

Gerente

Aprovação


Passo a passo

Instalação

Necessário.

Linux

Windows

AIX


WebSphere Application Server


DB2

Oracle

SQL Server


Java


Deployment Manager


Cluster opcional.


Instalação resumida

Instalar WAS

Instalar BPM

Criar Profiles

Criar Deployment Manager

Criar Nodes

Configurar DB

Deploy

Subir ambiente


Técnicas importantes

SLA

Prazo.

Exemplo.

24 horas.


Escalation

Aprovação atrasou.

Enviar email.


Timer

Esperar 2 dias.


Human Task

Atividade humana.


Integration Service

Consumir API.


Coach

Tela Web.


Curiosidades

Easter Egg 1

BPM nasceu para substituir muitos workflows em Lotus Notes.


Easter Egg 2

Muitos bancos usam BPM apenas para aprovações.


Easter Egg 3

Boa parte dos usuários nem sabe que usa BPM.

Só recebem tarefas.


Easter Egg 4

O losango do fluxograma continua vivo.

Só ganhou nome novo.

Gateway.


Easter Egg 5

Muitos arquitetos IBM brincam:

"CICS fala com terminais."

"BPM fala com pessoas."


Vantagens

Excelente visibilidade.

KPIs.

Dashboards.

Auditoria.

SLA.

Escalabilidade.

Integração.

Baixo código.


Desvantagens

Curva aprendizado.

Infraestrutura pesada.

Licenciamento.

Dependência WebSphere.

Pode ser excessivo para processos simples.


Quando usar

Aprovações.

RH.

Compliance.

Jurídico.

Compras.

Contratos.

Onboarding.

KYC.

LGPD.

Fraude.


Quando não usar

Calcular juros.

Ordenar arquivos.

Batch noturno.

DFSORT.

ETL simples.


O futuro

IBM BPM praticamente se transformou.

Hoje falamos.

IBM BAW.

Business Automation Workflow.

Integrado com.

RPA.

IA.

OCR.

Watson.

Decision Server.

Process Mining.


Conclusão

Para um Padawan COBOL, IBM BPM é uma descoberta curiosa.

Passamos décadas modelando fluxos em papel.

Depois desenhamos fluxogramas.

Depois surgiram UML e BPMN.

E então alguém teve uma ideia brilhante:

"Se conseguimos desenhar processos, por que não executá-los?"

IBM BPM nasceu justamente dessa pergunta.

No mundo Bellacosa Mainframe, a analogia é simples:

  • JCL orquestra jobs.

  • CICS orquestra telas.

  • DB2 orquestra dados.

  • MQ orquestra mensagens.

  • IBM BPM orquestra pessoas.

E descobrir isso é perceber que o verdadeiro desafio da computação corporativa nunca foi apenas programar máquinas.

Sempre foi organizar seres humanos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

📺 Sessão Sala Especial – TV Record, anos 1980

 



📺 Sessão Sala Especial – TV Record, anos 1980
(No tom Bellacosa Mainframe, com memória de televisor de tubo, chiado VHF e cheiro de sofá de corino no verão.)


Ah, a década de 1980… quando televisão era compromisso, gravação era fita VHS de 3 cabeças e ninguém “pulava intro” porque ela era parte da experiência. Entre tantas sessões de filmes que marcaram gerações, uma brilha de forma quase mitológica para quem viveu a telinha daquela época: a Sala Especial, exibida pela TV Record.



⭐ O que era?

A Sala Especial era um slot semanal (ou quase isso — grade de TV dos 80 mudava como IPL com PARM mal ajustado) dedicado a filmes adultos – sensuais, eróticos, picantes, mas longe de pornografia explícita. Era o tipo de atração que começava tarde da noite, muitas vezes após o Jornal da Record, fazendo parte do que a gente hoje chamaria de softcore cinema nights.

Não era pornô. Era clima. Era expectativa. Era câmera lenta, música de saxofone e cortina balançando ao vento.
Era o máximo de “ousadia televisiva” que se podia ter sem precisar de codificador pirata.




🧬 Por que existiu?

A TV Record, ainda longe de ser a gigante evangélica que se tornaria nos anos 1990+, investia em programação para competir na guerra noturna com Globo e SBT. A Sala Especial foi parte do movimento das emissoras de buscar audiência no horário adulto, algo que também se via em:

📌 Cinema em Casa (SBT)
📌 Supercine / Sessão de Gala (Globo)
📌 Ciclo de Cinema Erótico (manjado nos 80 e início dos 90)



Mas a Sala Especial tinha um diferencial: trazia muitas produções da BOCA  DO LIXO PAULISTANA, com roteiros nada serio, historias malucas e títulos ainda mais malucos ainda, usando de duplo sentindo, os antepassados diretos do click bait. Às vezes aparecei um casting de primeira linha, mas era normalmente composto por estrelas decadentes. ou iniciantes no cinema artesanal brasileiro. 

Tipo  O Bom Marido, Como é Boa Nossa Empregada, Nos tempos da Vaselina, As cangaceiras eróticas, Pensionato de Vigaristas, Historias que nossas babas não contavam, Sábado Alucinante. Alguns eram  filmes de qualidade com boas história e elenco, outras eram a perversão pura. Mas sem pornografia.

Em 90 minutos de filmes, talvez uns 2 minutos de peitinho, 3 minutos de bumbum, nada de nudez frontal, simulações de cena sexual embaixo do lençol ou sombras, muito palavrão e ataque velado a ditadura, aos conservadores e a tradicional família brasileira. Nada comparado com os filmes europeus soft-porn que chegaram em 1990 em outros canais e mesmo com a internet e sua pornografia hardcore.




🔥 Como o público via?

Era praticamente um ritual urbano-suburbano-nacional:

  • Pai ligava a TV baixinho

  • Mãe fingia que ia dormir

  • Criança inventava de beber água às 23h45

  • Antena de VHF ajustada com Bombril

  • E lá estava ela: Sala Especial, em cores saturadas e néon imaginário.

Quem viveu… sabe. Quem não se lembra da Wilza Carla?




🎭 Curiosidades, fofocas & "print screen mental"

🥃 Filmes muitas vezes eram reclassificados com sinopses mais “poéticas” para driblar a censura.
📼 Muita gente usou VHS para gravar escondido — e escondia embaixo do guarda-roupa.
🔊 Trilha sonora quase sempre com sax ou sintetizador estilo Giorgio Moroder versão cafona.
📡 Em algumas cidades a transmissão era instável — formando o fetiche da imagem quase invisível.
🎞 Nos anos 90 a sessão sumiu — a TV mudou, a moral mudou, a concorrência ficou adulta demais.



🔐 Easter egg (Bellacosa Mainframe style)

Havia uma mística urbana entre adolescentes:

“Se acertar a sintonia fina no botão do televisor preto-e-branco, dá pra ver mais do que devia”.

Nunca confirmado. Nunca negado. Um mito majestoso dos 80.
Como achar EXIT em COBOL quando só te deram GOTO.


🔚 Em resumo

A Sala Especial da TV Record foi o soft-erotismo elegante do horário nobre tardio,
um pedaço de liberdade televisiva num Brasil pré-internet, pré-streaming, pré-tudo.
Era proibido para menores, liberado para insone e cultuado por quem descobria o mundo.

Um capítulo da televisão brasileira que hoje parece impossível —
mas que existe vivo e elétrico na memória RGB de quem esteve lá.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

JASHIN-CHAN DROPKICK X — A TERCEIRA TEMPORADA QUE TRANSFORMOU UM ANIME DE NICHO

 

Bellacosa Mainframe e a terceira temporada de Jashin-chan dropkick x

☕💣😈 OPERADOR, O DATACENTER SOBRENATURAL ENTROU EM MULTIRREGIÃO! O SISTEMA AGORA EXECUTA TURISMO, CROWDFUNDING, META-HUMOR E CAOS DEMONÍACO EM PRODUÇÃO SIMULTANEAMENTE!

JASHIN-CHAN DROPKICK X — A TERCEIRA TEMPORADA QUE TRANSFORMOU UM ANIME DE NICHO EM UM CASE DE SUCESSO OPERACIONAL IMPROVÁVEL DA INDÚSTRIA OTAKU


Identificação da Obra

Título Original: 邪神ちゃんドロップキックX

Romanização: Jashin-chan Dropkick X

Título Internacional: Dropkick on My Devil!! X

Autor Original: Yukiwo

Mangá: Iniciado em 2012

Estúdio: Nomad

Direção: Hikaru Sato

Estreia: Julho de 2022

Episódios: 12

Gêneros:

  • Comédia

  • Sobrenatural

  • Slice of Life

  • Paródia

  • Meta-comédia

  • Humor Absurdo

Classificação Indicativa:

  • Aproximadamente 14+

  • Violência cartunesca

  • Humor ácido

  • Referências satíricas


Sinopse

Após sobreviver a duas temporadas de incidentes operacionais catastróficos, Jashin-chan continua presa no mundo humano.

Sua missão continua oficialmente aberta:

Retornar ao Inferno eliminando Yurine.

Resultado dos testes?

Falha.

Novamente.

Mas desta vez a franquia expande seu escopo.

O que antes era apenas um apartamento caótico agora se transforma em uma espécie de universo compartilhado de turismo regional, eventos promocionais, sátiras da indústria e loucura sobrenatural.


Resumo da Temporada

Se a primeira temporada apresentou o sistema...

E a segunda consolidou a arquitetura...

A terceira mostra a operação em escala nacional.

A série amplia:

  • personagens;

  • cenários;

  • referências culturais;

  • piadas internas;

  • colaborações externas.

Tudo isso sem abandonar sua essência.


O Que Significa o "X"?

Muitos imaginaram que seria:

  • reboot;

  • reinicialização;

  • grande mudança.

Mas o "X" funciona mais como símbolo de expansão.

É o momento em que a franquia percebe:

"Podemos ir além do apartamento de Yurine."

E realmente vai.


Análise Bellacosa Mainframe

Imagine um sistema legado.

Inicialmente ele roda em um único datacenter.

Depois recebe novos módulos.

Posteriormente passa a operar em múltiplas localidades.

A terceira temporada representa exatamente isso.

O ambiente JASHIN virou um ecossistema distribuído.


O Grande Diferencial da Terceira Temporada

Turismo Como Parte da Narrativa

Aqui encontramos uma das decisões mais curiosas da história dos animes.

Diversas cidades japonesas aparecem na série.

Não apenas como cenário.

Mas como parte da própria experiência narrativa.


O Anime Que Virou Plataforma de Turismo

Muitas produções fazem publicidade discreta.

Jashin-chan resolveu executar um JOB completamente diferente.

Transformou cidades reais em participantes do projeto.

Locais do Japão apoiaram a produção.

A série passou a funcionar também como divulgação turística.


Algo Quase Inédito

Poucos animes fizeram isso de maneira tão explícita.

A obra mistura:

  • entretenimento;

  • humor;

  • marketing regional;

  • participação comunitária.

É um fenômeno bastante singular.


Personagens Principais

Jashin-chan

Continua sendo o erro de sistema mais amado da franquia.

Características:

  • arrogante;

  • egoísta;

  • preguiçosa;

  • impulsiva.

Mas também extremamente carismática.


Yurine Hanazono

A administradora-chefe.

Responsável pela estabilidade operacional.

Sempre que surge uma falha crítica:

Yurine executa procedimentos corretivos imediatos.


Medusa

O storage financeiro da operação.

Sem ela metade das aventuras não aconteceria.

Sua bondade continua sendo explorada por todos.


Pekola

Talvez a personagem que mais evoluiu em profundidade.

Apesar de permanecer cômica, continua simbolizando:

  • perseverança;

  • humildade;

  • esperança.


Minos

A unidade de processamento de força bruta.

Sua inocência continua gerando situações absurdamente engraçadas.


Meta-Humor Elevado ao Máximo

A terceira temporada praticamente transforma a quarta parede em decoração.

Os personagens:

  • falam sobre a produção;

  • comentam orçamento;

  • mencionam fãs;

  • discutem crowdfunding;

  • brincam com a própria indústria.

Em certos momentos parece que estamos assistindo um anime comentando outro anime.


As Aventuras da Temporada

As histórias continuam episódicas.

Mas agora abrangem:

  • viagens;

  • festivais;

  • eventos regionais;

  • problemas financeiros;

  • disputas sobrenaturais;

  • situações absurdas do cotidiano.

O objetivo nunca é contar uma grande saga.

O objetivo é gerar entretenimento através do caos.


Temáticas Ocultas

Embora pareça apenas uma comédia maluca, existem elementos interessantes.


Comunidade

Talvez o tema mais forte desta temporada.

O anime demonstra como comunidades ajudam projetos a sobreviver.

O próprio sucesso da franquia reflete isso.


Adaptação

Os personagens vivem em situações absurdas.

Mesmo assim continuam seguindo em frente.

Uma metáfora divertida para a vida moderna.


Imperfeição

Nenhum personagem é perfeito.

Todos possuem defeitos enormes.

Mesmo assim encontram amizade e pertencimento.


O Papel do Crowdfunding

A terceira temporada ficou famosa por reforçar algo raro.

Ela é praticamente um símbolo do relacionamento entre criadores e fãs.

O apoio da comunidade foi fundamental para a continuidade da franquia.

Poucos animes conseguem demonstrar isso de forma tão visível.


Houve Censura?

Assim como nas temporadas anteriores:

Não houve censura significativa.

Algumas transmissões utilizaram:

  • ajustes visuais;

  • pequenas adaptações para TV;

  • enquadramentos alternativos.

Mas nada comparável às grandes controvérsias de outras obras.

O humor absurdo sempre deixou claro o tom cartunesco.


Impacto Cultural

A terceira temporada consolidou Jashin-chan como algo muito além de uma simples comédia.

Ela virou:

  • fenômeno cult;

  • caso de estudo de crowdfunding;

  • exemplo de marketing regional;

  • referência em meta-humor.

Hoje a franquia é frequentemente lembrada quando se fala em:

  • participação dos fãs;

  • financiamento alternativo;

  • colaboração entre anime e turismo.


O Que Torna Jashin-chan X Especial?

Porque ela faz algo que poucas continuações conseguem.

Em vez de crescer através de batalhas maiores ou ameaças mais poderosas...

Ela cresce através da própria comunidade.

O foco não está em salvar o mundo.

O foco está em expandir o universo social da série.

É uma evolução extremamente incomum para um anime de comédia.


Análise Técnica Bellacosa Mainframe

Primeira Temporada:

  • Instalação do sistema.

Segunda Temporada:

  • Expansão dos módulos.

Terceira Temporada:

  • Operação distribuída nacionalmente.

Resultado:

O ambiente continua apresentando falhas.

Mas agora as falhas possuem patrocinadores.


Conclusão

Jashin-chan Dropkick X representa o auge da maturidade da franquia.

Não porque ficou mais séria.

Não porque ficou mais épica.

Mas porque compreendeu perfeitamente sua identidade.

Ela abraça:

  • o absurdo;

  • a repetição;

  • a autocrítica;

  • o carinho dos fãs.

E transforma tudo isso em uma experiência única.


☕💣 Relatório Final da Auditoria do Datacenter Infernal

STATUS DO SISTEMA: OPERACIONAL

Verificações realizadas:

✅ Demônio continua em produção
✅ Falhas continuam ocorrendo
✅ Usuários continuam satisfeitos
✅ Orçamento continua sendo alvo de piadas
✅ Crowdfunding continua funcionando

Conclusão da auditoria:

"Após análise completa da terceira temporada, verificou-se que o ambiente JASHIN não segue boas práticas de arquitetura, governança, documentação ou controle de mudanças."

Porém...

"O sistema atingiu um nível tão avançado de caos organizado que sua instabilidade passou a ser considerada uma característica estratégica da plataforma."

Jashin-chan Dropkick X é a rara aplicação que transformou erros recorrentes, humor nonsense e participação comunitária em um dos ambientes mais estáveis e queridos do datacenter dos animes. 😈☕💣🖥️📋🚀


quinta-feira, 14 de julho de 2022

☕💥 Arrays em COBOL: O Poder Oculto do OCCURS, SSRANGE e a Guerra Contra a Invasão de Memória

 

Bellacosa Mainframe e as tabelas internas no COBOL occurs e arrays

☕💥 Arrays em COBOL: O Poder Oculto do OCCURS, SSRANGE e a Guerra Contra a Invasão de Memória

Ou como evitar transformar seu Address Space em um filme de terror para Sysprogs



Introdução

Existe um momento na vida de todo desenvolvedor COBOL júnior em que ele descobre duas verdades universais:

A primeira é que OCCURS parece simples até deixar de ser simples.

A segunda é que existe uma entidade maligna chamada:

SSRANGE

capaz de transformar uma manhã tranquila em uma reunião emergencial envolvendo desenvolvimento, suporte, infraestrutura, DBA, operador e um sysprog segurando uma caneca de café já fria.

E tudo isso por causa de um pequeno detalhe:

MOVE WS-NOME(9999)

quando a tabela possui apenas:

OCCURS 100 TIMES.

Bem-vindo ao fascinante mundo das tabelas COBOL.


Capítulo 1 – O que é OCCURS?

OCCURS é o mecanismo utilizado pelo COBOL para criar estruturas repetitivas.

Em linguagens modernas chamaríamos isso de:

  • Array

  • Vetor

  • Lista fixa

  • Matriz

Exemplo:

01 CLIENTES.

   05 CLIENTE OCCURS 10 TIMES.

      10 NOME PIC X(30).
      10 IDADE PIC 99.

Memória:

CLIENTE(1)
CLIENTE(2)
CLIENTE(3)
...
CLIENTE(10)

COBOL simplesmente reserva um bloco contínuo.


A origem histórica

Década de 60.

Memória era absurdamente cara.

IBM 1401

4 KB

IBM System/360

256 KB

370

1 MB

Não existia:

  • Java Collections

  • Python List

  • C++ Vector

Era necessário reservar memória antecipadamente.

Daí nasceu:

OCCURS

Curiosidade histórica

Os engenheiros da IBM chamavam essas estruturas de:

Table Handling

Muito antes da expressão Array Processing se popularizar.


Capítulo 2 — Como a memória é organizada

Exemplo:

01 TAB.

   05 ITEM OCCURS 5 TIMES.

      10 CODIGO PIC 9(5).

Cada item ocupa:

5 bytes

Total

25 bytes

Layout:

0000 ITEM(1)
0005 ITEM(2)
0010 ITEM(3)
0015 ITEM(4)
0020 ITEM(5)

Acesso:

MOVE ITEM(3) TO WS-X

COBOL faz:

Base + ((3-1)*5)

Capítulo 3 – O Terror do Out of Bounds

Tabela:

05 CLIENTE OCCURS 100 TIMES.

Código:

MOVE NOME(101)

Problema.

A posição não existe.


Antigamente

Compilador:

NOSSRANGE

Padrão.

Nenhuma verificação.

Resultado:

Leitura aleatória.

Sobrescrever memória.

Corrupção.


O verdadeiro vilão

Imagine:

01 TABELA.

05 DADOS OCCURS 100 TIMES.

05 FLAG-FINAL PIC X.

Erro:

MOVE "S" TO DADOS(101)

Na prática:

FLAG-FINAL = S

ou pior.

Modifica outra estrutura.


Isso é invasão de memória?

Sim.

Tecnicamente:

Buffer overflow

Memory overwrite

Storage corruption


Capítulo 4 — Address Space

No zOS cada Job possui.

Address Space.

Exemplo

JOB1234



Private Area


LSQA


SWA


Subpools


Heap


Stack

Seu programa COBOL vive ali.


Se escrever fora da tabela:

pode corromper:

Working Storage

Heap

LE Runtime

Control Blocks


Em casos extremos:

S0C4

S878

U4038


Capítulo 5 — SSRANGE

A melhor invenção desde o café expresso.

Compilação:

SSRANGE

ou

CBL SSRANGE

Exemplo

MOVE WS-NOME(101)

Resultado:

Abend imediato.

Mensagem:

IGZxxxx

Subscript out of range


Excelente para:

Homologação

Teste

QA


Produção?

Normalmente:

NOSSRANGE

Performance melhor.


Dica Bellacosa

Desenvolvimento

SSRANGE

Produção

NOSSRANGE


Capítulo 6 — Índices

Ruim:

77 WS-I PIC 999.

Melhor:

05 CLIENTE OCCURS 100 TIMES
   INDEXED BY IDX.

SET

SET IDX TO 1

Próximo

SET IDX UP BY 1

Anterior

SET IDX DOWN BY 1

Por que índice é melhor?

Subscript:

CLIENTE(I)

Cálculo toda vez.


Index

Endereço pronto.

Ponteiro interno.

Mais rápido.


Capítulo 7 – Navegação

Crescente

SET IDX TO 1


PERFORM UNTIL IDX > MAX

PROCESSA

SET IDX UP BY 1

END-PERFORM

Decrescente

SET IDX TO MAX


PERFORM UNTIL IDX = 0


PROCESSA


SET IDX DOWN BY 1


END-PERFORM

Muito usado em:

Compressão

Ordenação

Rollback


Capítulo 8 — SEARCH

Busca sequencial.

SEARCH CLIENTE


AT END


DISPLAY "NAO ACHOU"


WHEN ID = WS-ID


DISPLAY NOME

END-SEARCH

Complexidade

O(n)


100 mil registros.

50 mil leituras médias.


SEARCH ALL

Arma secreta.

Busca binária.


Tabela obrigatoriamente ordenada.

SEARCH ALL CLIENTE


WHEN ID(IDX)=WS-ID


DISPLAY "ACHOU"

END-SEARCH

Complexidade

O(log n)


1000000 itens.

Comparações:

~20


Magia matemática.


Capítulo 9 — OCCURS DEPENDING ON

Tabela variável.

05 QTDE PIC 9(4).


05 CLIENTE OCCURS 1 TO 1000 TIMES

DEPENDING ON QTDE.

Muito usado em:

MQ

Copybooks

APIs

Arquivos


Capítulo 10 — Bidimensional

Exemplo.

Agência x Dia

05 MOVIMENTO.

10 AG OCCURS 100.

15 DIA OCCURS 31.

20 TOTAL PIC 9(10).

Uso:

TOTAL(10,15)

Agência 10.

Dia 15.


Tridimensional

ANO

MES

DIA
VENDAS(2026,6,23)

N dimensões

Teoricamente ilimitado.

Exemplo.

Banco.

País

Estado

Agência

Conta

Produto

Dia


Capítulo 11 — Ordenação

Tabela ordenada.

ASCENDING KEY

Muito útil para:

SEARCH ALL

Caches

Lookup


Capítulo 12 – Quando usar tabela

Excelente:

Parâmetros

Cache

Código UF

Tabela IR

CEP

Conversões


Ruim:

Milhões registros.


Melhor:

DB2

VSAM

IMS


Capítulo 13 – Performance

SEARCH

O(n)

SEARCH ALL

O(log n)

Index

Muito rápido

Subscript

Mais lento

SSRANGE

Seguro

NOSSRANGE

Rápido


Easter Egg COBOL

Existe uma lenda entre veteranos de mainframe.

Diz-se que em algum datacenter esquecido dos anos 80 existe um programa COBOL compilado com:

NOSSRANGE
OPT(2)
FASTSRT
ARITH(EXTEND)

executando desde 1987.

Ninguém sabe exatamente o que ele faz.

Ninguém possui o código-fonte.

Ninguém ousa recompilar.

Mas toda madrugada, às 02h17, ele produz um relatório financeiro perfeito, movimenta bilhões de dólares e desaparece novamente nas profundezas do JES2.

Os sysprogs apenas observam o spool, tomam um gole de café e repetem o antigo mantra do reino z/OS:

"Se está funcionando há 39 anos, não toque."


Conclusão

OCCURS é muito mais do que um simples array.

É uma das construções mais antigas, elegantes e eficientes já criadas para processamento em lote de grande volume.

Dominar:

  • OCCURS

  • INDEXED BY

  • SET

  • SEARCH

  • SEARCH ALL

  • SSRANGE

  • OCCURS DEPENDING ON

  • Tabelas multidimensionais

  • Navegação UP e DOWN

  • Layout de memória

  • Address Space do z/OS

é um dos marcos que separam o Padawan COBOL do Cavaleiro do Batch Jedi Council.

Porque no universo do Mainframe existe uma verdade absoluta:

"DB2 pode falhar, CICS pode reciclar, VSAM pode corromper, mas um OCCURS acessado fora dos limites sempre encontrará uma maneira criativa de arruinar o dia de alguém."