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sábado, 17 de junho de 2023

IBM Z Resiliency Como um Padawan COBOL Pode Evoluir do "Meu Programa Funciona" para "Meu Sistema Nunca Para"

 

Bellacosa Mainframe expande as ideias em IBM Z Resiliency

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Holocron da IBM Z Resiliency

Como um Padawan COBOL Pode Evoluir do "Meu Programa Funciona" para "Meu Sistema Nunca Para"

"O melhor programa COBOL não é apenas aquele que produz o resultado correto. É aquele que continua produzindo o resultado correto mesmo quando discos falham, servidores reiniciam, links caem, operadores cometem erros e o datacenter enfrenta uma crise."


Introdução

Quando um desenvolvedor COBOL começa sua jornada no IBM Z, normalmente sua preocupação é bastante simples:

  • aprender PROCEDURE DIVISION;

  • entender WORKING-STORAGE;

  • fazer READ e WRITE em arquivos VSAM;

  • acessar Db2;

  • executar um programa via JCL;

  • tratar um SQLCODE.

Tudo isso é importante.

Mas existe uma realidade muito maior que normalmente só é descoberta anos depois.

Seu programa não vive sozinho.

Ele faz parte de um enorme ecossistema composto por:

  • IBM Z Hardware

  • z/OS

  • JES2

  • WLM

  • CICS

  • IMS

  • Db2

  • MQ

  • RACF

  • GDPS

  • Parallel Sysplex

  • Storage

  • Redes

  • Operação

  • Monitoramento

  • Backup

  • Disaster Recovery

Todo esse conjunto possui um único objetivo:

Nunca deixar o negócio parar.

É justamente isso que a IBM chama de Resiliency.


O maior equívoco do desenvolvedor iniciante

O Padawan COBOL costuma pensar:

"Meu programa compilou."

Depois:

"Funcionou no teste."

Depois:

"Funcionou em produção."

Fim da história.

Na realidade...

A história apenas começou.

Porque a pergunta correta nunca é:

"O programa funciona?"

A pergunta correta é:

"Ele continua funcionando quando alguma coisa dá errado?"

Essa mudança de mentalidade separa um programador júnior de um engenheiro de software para ambientes críticos.


O mundo perfeito não existe

Imagine um banco.

Às 10 horas da manhã.

Existem:

  • 8 milhões de clientes conectados.

  • milhares de caixas eletrônicos.

  • PIX.

  • cartões.

  • internet banking.

  • aplicativos móveis.

  • APIs REST.

  • Open Finance.

Nesse momento:

uma CPU apresenta defeito.

O que acontece?

Se você respondeu:

"O banco para."

Você ainda está pensando como quem programa um computador doméstico.

No IBM Z, o esperado é que ninguém perceba.

Esse é o verdadeiro significado da palavra Resiliency.


Resiliência não significa nunca falhar

Essa é outra confusão muito comum.

Nenhum computador é perfeito.

Discos quebram.

Memórias apresentam defeitos.

Cabos rompem.

Fontes queimam.

Operadores erram comandos.

Aplicações possuem bugs.

Até meteoros poderiam destruir um datacenter.

Resiliência significa:

Aceitar que falhas acontecerão e projetar o sistema para continuar operando apesar delas.


O conceito mais importante

A IBM define resiliência como:

Capacidade de fornecer os serviços necessários diante da adversidade sem impacto significativo.

Perceba um detalhe.

Ela não fala em hardware.

Ela não fala em COBOL.

Ela fala em:

Serviço.

O cliente quer sacar dinheiro.

Ele não quer saber quantas CPUs existem.


O iceberg invisível

Quando você executa:

EXEC SQL
SELECT SALDO
END-EXEC

Você enxerga apenas uma linha.

Por trás dela existem dezenas de componentes trabalhando juntos.

Seu programa depende de:

  • compilador COBOL;

  • runtime;

  • Db2;

  • buffer pools;

  • storage;

  • cache;

  • canais FICON;

  • discos;

  • processadores;

  • WLM;

  • z/OS;

  • JES;

  • rede;

  • segurança RACF.

A resiliência protege toda essa cadeia.


O verdadeiro custo de um downtime

Muitos iniciantes imaginam:

"Se o sistema parar por cinco minutos não faz diferença."

Na prática, cinco minutos podem significar:

  • milhões de transações não realizadas;

  • PIX rejeitados;

  • compras canceladas;

  • multas;

  • perda de reputação;

  • ações caindo na bolsa.

O Redbook mostra que o custo de uma interrupção vai muito além da infraestrutura. Há perdas diretas de receita, custos fixos durante a parada e impactos intangíveis, como perda de confiança dos clientes e danos à marca.


O famoso RAS

Quase todo Sysprog conhece esta sigla.

Reliability

Confiabilidade.

Quanto menor a chance de quebrar.

Availability

Disponibilidade.

Mesmo quebrando,

continua funcionando.

Serviceability

Facilidade para manutenção.

Trocar peças.

Atualizar firmware.

Fazer manutenção.

Sem parar o ambiente.


O COBOL participa da Resiliência?

Sim.

Muito mais do que parece.

Um programa COBOL mal escrito pode derrubar um ambiente inteiro.

Por exemplo:

  • LOOP infinito.

  • COMMIT inexistente.

  • Deadlock.

  • Consumo exagerado de CPU.

  • SQL sem índice.

  • Arquivos bloqueados.

  • Storage leak.

  • Falta de tratamento de exceção.

Resiliência também é responsabilidade do desenvolvedor.


O que um Padawan precisa aprender

Primeira fase.

Programar.

Segunda fase.

Programar corretamente.

Terceira fase.

Programar para recuperação.

Quarta fase.

Programar pensando na infraestrutura.

Quinta fase.

Programar pensando no negócio.

Essa evolução leva anos.


A importância do COMMIT

Imagine:

Você atualiza:

100.000 registros.

No registro 99.999 ocorre uma queda elétrica.

Sem COMMIT.

Tudo volta.

Com COMMIT periódico.

A perda é mínima.

O programa consegue reiniciar.

Esse pequeno detalhe pode economizar horas de processamento.


Checkpoints

Batchs gigantes normalmente possuem checkpoints.

Imagine um processamento de:

40 milhões de clientes.

No cliente 39 milhões ocorre uma falha.

Sem checkpoint.

Tudo recomeça.

Com checkpoint.

Continua do ponto salvo.

É resiliência aplicada ao desenvolvimento.


Idempotência

Uma palavra moderna.

Mas extremamente útil.

Se o mesmo programa executar novamente,

ele não deve:

duplicar pagamentos;

duplicar TED;

duplicar PIX;

duplicar lançamentos.

Grandes sistemas financeiros dependem disso.


Tratamento de exceções

Nunca escreva:

IF SQLCODE NOT = 0
    DISPLAY 'ERRO'
END-IF

Isso não resolve nada.

Um bom programa:

  • registra logs;

  • identifica contexto;

  • faz rollback quando necessário;

  • encerra de forma segura;

  • permite recuperação.


O papel do WLM

O Workload Manager decide quem recebe prioridade.

Imagine:

  • Folha de pagamento.

  • PIX.

  • Batch estatístico.

Quem deve receber CPU primeiro?

O WLM responde.

Seu programa faz parte dessa fila.


Parallel Sysplex

Talvez seja a tecnologia mais famosa do IBM Z.

Vários sistemas trabalham como se fossem um único computador.

Se um deles cair,

os demais continuam.

O usuário nem percebe.

Parece magia.

Na realidade,

é engenharia.


GDPS

Geographically Dispersed Parallel Sysplex.

Imagine:

São Paulo inteiro sem energia.

Outro datacenter assume.

Essa é a ideia.

Algumas empresas conseguem continuar operando mesmo após perder completamente um site.


Zero Data Loss

Um conceito impressionante.

Perder:

zero.

Nem um registro.

Nem um pagamento.

Nem um PIX.

Nem um centavo.

Nem um byte.

É um objetivo que depende de arquiteturas de replicação síncrona e soluções como GDPS e tecnologias de espelhamento de armazenamento.


Curiosidade

Muitos bancos realizam manutenção durante o horário comercial.

Você nem percebe.

Enquanto um sistema recebe manutenção,

outro assume.

Depois ocorre o inverso.

Esse processo chama-se:

Rolling Maintenance.


Easter Egg nº 1

O maior inimigo da disponibilidade nem sempre é o hardware.

É o operador.

Estudos da indústria mostram que erros humanos continuam entre as causas mais frequentes de indisponibilidade.

Por isso existem:

  • automação;

  • procedimentos;

  • scripts;

  • validações;

  • System Automation;

  • Runbooks.


Easter Egg nº 2

Os engenheiros IBM costumam perseguir um objetivo curioso.

Eliminar o que chamam de:

Single Point of Failure

Qualquer componente único que possa derrubar todo o ambiente.

Vale para:

  • CPU;

  • disco;

  • switch;

  • cabo;

  • storage;

  • operador;

  • documentação.

Até pessoas podem ser um "Single Point of Failure" quando apenas um especialista conhece um procedimento crítico.


Easter Egg nº 3

Um COBOL pode ser resiliente mesmo sendo escrito há 40 anos.

Se:

  • estiver bem estruturado;

  • tratar exceções;

  • possuir restart;

  • possuir checkpoints;

  • respeitar transações;

ele continua extremamente moderno.


O que estudar depois deste curso

Depois de entender Resiliency, o caminho natural é aprofundar-se na própria stack IBM Z.

Infraestrutura

  • IBM Z Hardware

  • CPC

  • LPAR

  • PR/SM

  • HMC

Sistema Operacional

  • z/OS

  • JES2

  • SDSF

  • WLM

  • SMF

  • RMF

Armazenamento

  • DFSMS

  • DFSMShsm

  • Copy Services

  • Metro Mirror

  • Global Mirror

Redes

  • VTAM

  • TCP/IP

  • DVIPA

  • Sysplex Distributor

Middleware

  • CICS

  • IMS

  • Db2

  • MQ

Alta Disponibilidade

  • Parallel Sysplex

  • Coupling Facility

  • Data Sharing

  • GDPS

Operação

  • IBM System Automation

  • OMEGAMON

  • IBM Z Operations Analytics


As habilidades modernas do desenvolvedor COBOL

O mercado mudou.

Hoje um desenvolvedor COBOL pode agregar muito mais valor quando conhece:

  • APIs REST com z/OS Connect;

  • JSON e XML;

  • Git;

  • GitHub;

  • DevOps;

  • CI/CD;

  • testes automatizados;

  • observabilidade;

  • OpenTelemetry;

  • containers para ferramentas de apoio;

  • Ansible;

  • Zowe;

  • VS Code;

  • automação operacional;

  • inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento.


Os perigos de ignorar a resiliência

Quem pensa apenas em "fazer funcionar" costuma criar sistemas frágeis.

Os principais riscos são:

  • perda de dados;

  • duplicidade de transações;

  • indisponibilidade prolongada;

  • degradação de desempenho;

  • dificuldade de recuperação;

  • manutenção cara;

  • dependência de especialistas;

  • aumento do risco operacional.

Em ambientes financeiros, esses problemas podem gerar prejuízos milionários.


Como evoluir de Padawan para Mestre

Uma evolução sólida pode seguir esta trilha:

Nível 1 — Fundamentos

  • COBOL

  • JCL

  • VSAM

  • Db2

  • CICS

Nível 2 — Sistema

  • z/OS

  • SDSF

  • JES2

  • TSO/ISPF

  • WLM

Nível 3 — Arquitetura

  • Parallel Sysplex

  • Coupling Facility

  • Data Sharing

  • ARM

  • SFM

Nível 4 — Continuidade de Negócios

  • RAS

  • HA

  • DR

  • RTO

  • RPO

  • GDPS

Nível 5 — Modernização

  • APIs

  • z/OS Connect

  • DevOps

  • Observabilidade

  • IA

  • Automação


A maior lição do IBM Z Resiliency

Depois de estudar esse tema, muitos desenvolvedores descobrem que escrever código representa apenas uma pequena parte do trabalho. Um programa COBOL faz sentido somente quando está inserido em uma arquitetura capaz de sobreviver a falhas, manter dados íntegros e continuar entregando serviços ao negócio.

É por isso que os profissionais mais valorizados no ecossistema IBM Z não são apenas excelentes programadores. Eles entendem infraestrutura, operação, banco de dados, middleware, redes, automação e continuidade de negócios. Eles sabem que um COMMIT bem posicionado, um tratamento adequado de exceções ou um checkpoint inteligente podem ter tanto impacto quanto uma nova funcionalidade.

No fim da jornada, o verdadeiro Mestre do IBM Z não é aquele que escreve o código mais sofisticado. É aquele que projeta soluções que continuam funcionando quando o inesperado acontece. Essa é a essência da IBM Z Resiliency: construir sistemas preparados para enfrentar falhas sem interromper aquilo que realmente importa — o negócio de milhões de pessoas.


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Os Assassinos Silenciosos do System Design

 

Bellacosa Mainframe e os assassinos sileciosos do system design

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Os Assassinos Silenciosos do System Design

O guia do Programador COBOL Padawan para construir sistemas que não explodem quando chegam à produção

Existe um momento muito perigoso na vida de todo projeto de software.

Não é quando o programa apresenta erro de compilação.

Não é quando o JCL retorna JCL ERROR.

Não é quando o COBOL encerra com um S0C7, um S0C4 ou um S806.

O momento mais perigoso acontece muito antes disso.

Acontece naquela reunião aparentemente inocente em que alguém diz:

“É um sistema simples. Vamos começar a programar e depois ajustamos os detalhes.”

Nesse instante, caro Programador COBOL Padawan, uma perturbação surge na Força.

Ou, para os oficiais da Frota Estelar, os sensores da ponte detectam uma anomalia arquitetural se formando perto do núcleo de dobra.

Muitos sistemas não fracassam porque seus programadores desconhecem sintaxe. Eles fracassam porque começaram sem requisitos claros, cresceram sem planejamento, acumularam complexidade desnecessária, ignoraram segurança, não prepararam mecanismos de recuperação e foram colocados em produção sem monitoramento adequado.

No início, tudo parece funcionar.

O sistema cadastra clientes.

A API responde.

O batch termina.

A tela CICS abre.

O SELECT retorna dados.

Todos comemoram.

Entretanto, meses depois, a quantidade de usuários aumenta, o banco de dados cresce, as integrações se multiplicam e aquela pequena aplicação começa a mostrar rachaduras.

As respostas ficam lentas.

O banco atinge níveis perigosos de utilização.

Ninguém consegue localizar os erros.

A equipe tem medo de alterar o código.

Uma mudança de configuração exige nova compilação.

Um servidor cai e leva todo o sistema junto.

O que parecia ser um pequeno cargueiro espacial agora está tentando operar como a USS Enterprise, mas foi construído sem escudos, sem sensores e sem plano de evacuação.

Este artigo é uma viagem completa pelos principais erros de System Design, explicando como eles surgem, por que são perigosos e como evitá-los. A missão é traduzir os conceitos de arquitetura para quem está começando em COBOL, mainframe e sistemas corporativos.

Prepare seu café, ajuste o comunicador e assuma seu posto na ponte.

Temos uma arquitetura para salvar.


1. O que é System Design?

System Design, ou projeto de sistemas, é o processo de decidir como uma solução será estruturada para atender a determinados objetivos.

Não se resume a desenhar caixas e setas em um diagrama.

Também não significa apenas escolher:

  • linguagem de programação;

  • banco de dados;

  • framework;

  • servidor;

  • provedor de nuvem.

O projeto de sistemas procura responder perguntas muito mais profundas:

  • Quem utilizará o sistema?

  • Quantos usuários serão atendidos?

  • Qual volume de dados será processado?

  • O sistema precisa funcionar 24 horas por dia?

  • O que acontece quando um componente falha?

  • Como os dados serão protegidos?

  • Como o ambiente será monitorado?

  • Como a solução crescerá?

  • Como uma versão será implantada?

  • Como recuperar o sistema após um desastre?

  • Quanto custará manter tudo funcionando?

Em um ambiente mainframe, essas perguntas aparecem há décadas.

Um sistema COBOL corporativo normalmente não é apenas um programa. Ele pode envolver:

  • transações CICS;

  • programas batch;

  • JCL;

  • arquivos VSAM;

  • tabelas Db2;

  • filas IBM MQ;

  • segurança RACF;

  • logs SMF;

  • gerenciamento de carga pelo WLM;

  • rotinas de recuperação;

  • interfaces com sistemas externos.

Portanto, System Design é a arte de transformar requisitos de negócio em uma estrutura técnica capaz de funcionar com segurança, desempenho, disponibilidade e possibilidade de evolução.

Um bom projeto não tenta prever o futuro inteiro.

Ele cria uma base suficientemente sólida para que o sistema possa se adaptar sem precisar ser destruído e reconstruído a cada nova necessidade.


2. O primeiro assassino silencioso: começar sem requisitos claros

Um dos erros mais graves é iniciar a programação antes de compreender o problema.

A frase normalmente soa assim:

“Vamos codificar logo para ganhar tempo.”

Na prática, esse atalho costuma produzir o efeito contrário.

Quando os requisitos são vagos, cada pessoa imagina um sistema diferente.

O gestor imagina um portal.

O cliente imagina um aplicativo.

O desenvolvedor imagina uma API.

A infraestrutura imagina uma solução em nuvem.

O analista mainframe imagina uma integração com CICS e Db2.

Todos estão trabalhando, mas cada um está construindo uma nave diferente.

Um exemplo simples

O cliente solicita:

“Precisamos modernizar o sistema de pagamentos.”

A palavra “modernizar” pode significar muitas coisas:

  • substituir telas 3270 por uma interface web;

  • expor transações COBOL como APIs;

  • migrar programas para outra plataforma;

  • reorganizar o código;

  • melhorar desempenho;

  • automatizar implantação;

  • atualizar a segurança;

  • criar acesso por dispositivos móveis;

  • simplesmente documentar o legado.

Sem esclarecimento, a equipe pode passar meses resolvendo o problema errado.

Requisitos funcionais e não funcionais

Os requisitos funcionais descrevem o que o sistema deve fazer.

Exemplos:

  • cadastrar clientes;

  • consultar saldo;

  • emitir boleto;

  • processar pagamento;

  • gerar relatório;

  • cancelar uma transação.

Os requisitos não funcionais descrevem como o sistema deve se comportar.

Exemplos:

  • responder em menos de dois segundos;

  • atender dez mil usuários simultâneos;

  • manter disponibilidade de 99,99%;

  • criptografar dados sensíveis;

  • registrar todas as operações;

  • recuperar o serviço em até quinze minutos.

Muitos projetos documentam apenas as funcionalidades e ignoram os requisitos não funcionais.

Depois descobrem, tarde demais, que o sistema funciona — porém é lento, inseguro ou impossível de operar.

Passo a passo antes de programar

Antes de escrever o primeiro IDENTIFICATION DIVISION, procure responder:

  1. Qual problema de negócio será resolvido?

  2. Quem são os usuários?

  3. Qual volume inicial de dados?

  4. Qual crescimento esperado?

  5. Quais integrações existem?

  6. Qual horário de funcionamento?

  7. Qual nível de indisponibilidade é aceitável?

  8. Quais dados são sensíveis?

  9. Como os erros serão tratados?

  10. Quem dará suporte em produção?

Clareza no início não elimina mudanças.

Ela apenas impede que a equipe viaje em dobra máxima para o quadrante errado.


3. Ignorar escalabilidade desde cedo

Escalabilidade é a capacidade de um sistema continuar funcionando quando sua carga aumenta.

Um projeto pode começar com cem usuários e atingir cem mil.

Uma tabela pode começar com dez mil registros e chegar a bilhões.

Um processo batch que inicialmente trabalha com vinte arquivos pode, anos depois, receber milhares.

O erro está em pensar:

“Quando crescer, nós resolvemos.”

Às vezes isso é possível.

Em outras situações, a solução inicial cria limitações tão profundas que o crescimento exige uma reescrita completa.

Escala vertical e escala horizontal

Escala vertical significa tornar uma máquina mais poderosa:

  • mais CPU;

  • mais memória;

  • mais armazenamento;

  • processadores mais rápidos.

Escala horizontal significa adicionar mais máquinas ou instâncias para dividir o trabalho.

Em ambientes distribuídos, a escala horizontal é comum.

No mainframe, há décadas existem mecanismos sofisticados de expansão e gerenciamento de carga, como:

  • múltiplas LPARs;

  • Parallel Sysplex;

  • WLM;

  • compartilhamento de dados;

  • filas;

  • particionamento de workloads;

  • recursos especializados.

O importante não é defender uma única estratégia.

É reconhecer que o crescimento precisa ser considerado.

Exemplo de programa COBOL

Imagine um batch que processa um arquivo sequencial inteiro usando apenas uma etapa e um programa.

No começo:

  • 50 mil registros;

  • execução em três minutos.

Cinco anos depois:

  • 500 milhões de registros;

  • execução em nove horas;

  • janela batch insuficiente.

Talvez o projeto devesse ter considerado:

  • particionamento;

  • processamento paralelo;

  • checkpoints;

  • retomada após falha;

  • divisão por faixas;

  • utilização de banco com índices adequados;

  • filas de trabalho.

Escalabilidade não significa construir uma arquitetura gigante no primeiro dia.

Significa evitar escolhas que impossibilitem o crescimento.


4. Overengineering: quando a solução é maior que o problema

Overengineering acontece quando criamos uma solução excessivamente complexa para uma necessidade simples.

É o famoso caso de utilizar um torpedo de fótons para abrir uma lata de conservas.

Imagine uma aplicação interna usada por vinte pessoas.

A equipe decide criar:

  • quinze microsserviços;

  • três bancos de dados;

  • um cluster Kubernetes;

  • Kafka;

  • Redis;

  • Elasticsearch;

  • Service Mesh;

  • Event Sourcing;

  • CQRS;

  • múltiplos pipelines;

  • dezenas de dashboards.

Tudo isso para cadastrar fornecedores.

A arquitetura parece impressionante em uma apresentação.

Mas agora exige:

  • mais servidores;

  • mais especialistas;

  • mais monitoramento;

  • mais segurança;

  • mais custos;

  • mais pontos de falha.

Complexidade não é sinônimo de maturidade.

O princípio KISS

KISS significa:

Keep It Simple.

Ou, em português:

Mantenha a solução simples.

Uma solução simples tende a ser:

  • mais fácil de entender;

  • mais barata;

  • mais testável;

  • mais confiável;

  • mais rápida de corrigir.

Isso não significa escrever código descuidado.

Significa usar apenas a complexidade necessária.

Monólito não é palavrão

Muitas equipes tratam qualquer monólito como tecnologia ultrapassada.

Entretanto, um monólito modular pode ser excelente para diversos cenários.

O problema não é o monólito.

O problema é um monólito sem organização, com dependências caóticas e responsabilidades misturadas.

Da mesma forma, microsserviços não são automaticamente modernos.

Um ambiente de microsserviços mal projetado pode se tornar um monólito distribuído, mais difícil de depurar e mais caro de operar.

A melhor arquitetura não é a mais elegante no diagrama.

É a que atende aos requisitos com o menor nível razoável de complexidade.


5. Negligenciar tolerância a falhas

Todo componente falha.

Discos falham.

Redes falham.

Servidores param.

Programas recebem dados inválidos.

APIs externas ficam indisponíveis.

Filas enchem.

Bancos bloqueiam recursos.

Pessoas cometem erros.

O arquiteto maduro não pergunta:

“Será que vai falhar?”

Ele pergunta:

“Quando falhar, o que acontecerá?”

Falha não pode virar desastre

Uma falha local deveria permanecer local.

Se uma API de consulta de endereço estiver indisponível, isso não deveria necessariamente derrubar todo o sistema de cadastro.

Se um servidor parar, outra instância deveria assumir.

Se um programa batch interromper após processar 80% do arquivo, deveria ser possível retomar do ponto correto.

Padrões importantes

Timeout

Nenhuma chamada deveria esperar eternamente.

Um timeout define quanto tempo o sistema aguardará antes de considerar a operação malsucedida.

Retry

Algumas falhas são temporárias.

Uma nova tentativa pode resolver.

Entretanto, repetir sem controle é perigoso. Mil clientes realizando cinco tentativas podem transformar uma pequena lentidão em colapso completo.

Circuit Breaker

Funciona como um disjuntor.

Quando um serviço começa a falhar repetidamente, o sistema interrompe temporariamente as chamadas para evitar sobrecarga.

Failover

Quando um componente principal falha, outro assume.

Checkpoint

Um processo longo salva pontos de progresso para poder continuar após interrupção.

Dead Letter Queue

Mensagens que não podem ser processadas são desviadas para uma fila de análise, evitando que bloqueiem todo o fluxo.

A tradição do mainframe

A tolerância a falhas está no coração dos ambientes IBM Z.

Conceitos como:

  • Parallel Sysplex;

  • Coupling Facility;

  • GDPS;

  • replicação;

  • recuperação de logs;

  • commit e rollback;

  • reinício de jobs;

  • journaling;

  • gerenciamento de workload;

existem porque sistemas bancários, governamentais e de companhias aéreas não podem simplesmente parar e aguardar alguém reiniciar o computador.

A lição é simples:

Falhar é inevitável. Falhar sem plano é opcional.


6. Ignorar estratégias de cache

Cache é uma camada de armazenamento rápido utilizada para evitar processamento ou acesso repetitivo a fontes mais lentas.

Imagine que dez mil usuários consultem a mesma tabela de códigos de países.

Sem cache, cada requisição pode acessar o banco.

Com cache, a informação pode ser lida uma vez e reutilizada.

Isso reduz:

  • latência;

  • carga no banco;

  • consumo de CPU;

  • tráfego de rede;

  • custos.

Tipos de cache

O cache pode existir:

  • no navegador;

  • na aplicação;

  • em memória;

  • em servidores como Redis;

  • em proxies;

  • em CDNs;

  • em estruturas internas do banco;

  • em subsistemas mainframe.

O lado difícil

Cache traz um problema delicado:

Como garantir que os dados não fiquem desatualizados?

Se o preço de um produto mudar no banco, quando o cache será atualizado?

Estratégias comuns incluem:

  • tempo de expiração;

  • invalidação explícita;

  • atualização após gravação;

  • leitura através do cache;

  • atualização antecipada.

Existe uma velha piada entre programadores:

Há duas coisas difíceis em computação: invalidar cache, nomear coisas e erros de contagem.

Sim, a frase diz duas coisas e lista três.

Esse é o easter egg clássico.

Cache não conserta consulta ruim

Adicionar cache sobre uma arquitetura defeituosa pode apenas esconder o problema.

Primeiro, ajuste:

  • índices;

  • consultas;

  • modelo de dados;

  • volume retornado.

Depois, utilize cache onde houver benefício real.


7. Projeto ruim de banco de dados

O banco de dados frequentemente se torna o coração e o gargalo do sistema.

Um modelo mal projetado pode causar:

  • consultas lentas;

  • duplicidade;

  • inconsistência;

  • bloqueios;

  • dificuldade de manutenção;

  • crescimento descontrolado.

Erros comuns

Falta de índices

Uma consulta por CPF em uma tabela com milhões de registros pode exigir varredura completa se não houver índice adequado.

Índices demais

Índices aceleram leitura, mas também ocupam espaço e aumentam o custo de inserções, atualizações e exclusões.

Uso indiscriminado de SELECT *

Buscar todas as colunas desperdiça:

  • I/O;

  • memória;

  • rede;

  • CPU.

Solicite apenas os dados necessários.

Tipos inadequados

Armazenar datas como texto ou valores numéricos como caracteres cria problemas de validação, ordenação e desempenho.

Ausência de integridade

Chaves primárias, estrangeiras, restrições e validações ajudam a impedir dados inválidos.

Transações longas

Uma transação aberta por muito tempo pode manter locks e afetar outros usuários.

No Db2

O programador COBOL precisa conhecer a importância de:

  • índices;

  • EXPLAIN;

  • RUNSTATS;

  • REORG;

  • planos de acesso;

  • cardinalidade;

  • commits;

  • níveis de isolamento;

  • cursores;

  • tabelas particionadas.

Um SQL correto do ponto de vista sintático pode ser desastroso do ponto de vista operacional.

A consulta retorna o resultado.

Mas talvez consuma milhões de leituras para localizar vinte linhas.

O banco não deve ser tratado como um depósito onde jogamos dados.

Ele é um motor que precisa ser modelado, observado e ajustado.


8. Ignorar segurança

Segurança não deve ser adicionada no final do projeto como um acessório.

Ela precisa acompanhar todo o ciclo de vida.

Cada atalho pode criar uma superfície de ataque.

Autenticação e autorização

Autenticação responde:

Quem é você?

Autorização responde:

O que você pode fazer?

Uma pessoa pode estar corretamente autenticada e ainda assim não possuir permissão para consultar salários, alterar limites ou excluir registros.

Princípio do menor privilégio

Cada usuário, programa ou serviço deve receber apenas as permissões necessárias.

Nada além disso.

Uma aplicação que precisa apenas consultar uma tabela não deveria ter permissão para apagá-la.

Criptografia

Dados precisam ser protegidos:

  • em trânsito;

  • em repouso;

  • durante backups;

  • em arquivos temporários;

  • em logs.

Segredos não pertencem ao código

Senhas, tokens e chaves não devem aparecer em programas ou repositórios.

Nada de:

01 WS-PASSWORD PIC X(20) VALUE 'ADMIN123'.

Além de inseguro, isso transforma qualquer troca de senha em alteração de código.

Mainframe e segurança

No IBM Z, a proteção pode envolver:

  • RACF;

  • SAF;

  • perfis de recursos;

  • MFA;

  • TLS;

  • ICSF;

  • Crypto Express;

  • auditoria SMF;

  • separação de funções.

Entretanto, possuir ferramentas poderosas não garante segurança.

Configuração incorreta, privilégios excessivos e ausência de revisão continuam sendo riscos.

Segurança é tecnologia, processo e disciplina.


9. Não ter monitoramento, logs e observabilidade

Um sistema sem monitoramento é como a Enterprise atravessando uma nebulosa com os sensores desligados.

Talvez a nave esteja bem.

Talvez esteja a segundos de uma colisão.

Sem telemetria, ninguém sabe.

Logs

Logs registram eventos importantes:

  • início e fim de processamento;

  • erros;

  • decisões;

  • identificadores;

  • mensagens recebidas;

  • duração de operações.

Um bom log precisa ser útil.

Mensagens como:

“Erro inesperado.”

ajudam muito pouco.

Melhor seria registrar:

  • operação;

  • horário;

  • módulo;

  • código do erro;

  • contexto;

  • identificador da transação.

Naturalmente, sem expor senhas ou dados sensíveis.

Métricas

Métricas mostram valores ao longo do tempo:

  • CPU;

  • memória;

  • transações por segundo;

  • tempo médio de resposta;

  • quantidade de erros;

  • tamanho de fila;

  • uso de conexões;

  • duração do batch.

Tracing

Em sistemas distribuídos, uma única operação pode atravessar diversos serviços.

Tracing permite acompanhar a jornada da requisição.

Observabilidade no mainframe

Podemos relacionar esse universo a:

  • SMF;

  • RMF;

  • OMEGAMON;

  • SDSF;

  • logs do CICS;

  • estatísticas do Db2;

  • mensagens JES;

  • registros de MQ;

  • relatórios de WLM.

O objetivo é responder:

  • O que aconteceu?

  • Quando aconteceu?

  • Onde aconteceu?

  • Qual componente foi afetado?

  • Quantos usuários sofreram impacto?

  • Qual foi a causa?

  • O problema está piorando?

Se a equipe só descobre uma falha quando o cliente telefona, o sistema não está verdadeiramente monitorado.


10. Configurações hardcoded

Hardcoding ocorre quando valores específicos de ambiente são gravados diretamente no código.

Exemplos:

  • endereço de servidor;

  • senha;

  • diretório;

  • fila;

  • porta;

  • nome de banco;

  • limite operacional;

  • e-mail;

  • URL.

Por que isso é ruim?

Porque o código fica preso ao ambiente.

Para mover de desenvolvimento para teste, talvez seja necessário alterar e recompilar.

Para trocar um servidor, nova mudança.

Para ajustar timeout, novo deploy.

Isso aumenta riscos e reduz flexibilidade.

Estratégia correta

Separar:

  • código;

  • configuração;

  • segredo.

Configurações podem ficar em:

  • arquivos externos;

  • variáveis de ambiente;

  • tabelas de parâmetros;

  • sistemas de gestão de configuração;

  • cofres de segredos;

  • propriedades de runtime.

No mundo COBOL e mainframe, essa separação também pode envolver:

  • PARM de JCL;

  • SYSIN;

  • DDs;

  • arquivos de controle;

  • tabelas Db2;

  • variáveis simbólicas;

  • parâmetros de transação.

O mesmo programa pode operar em vários ambientes sem alteração do fonte.

Essa é uma característica valiosa de sistemas bem projetados.


11. Não testar em escala realista

O notebook do desenvolvedor não é a produção.

No ambiente local:

  • há poucos dados;

  • apenas um usuário;

  • quase nenhuma concorrência;

  • rede rápida;

  • banco vazio;

  • recursos disponíveis.

Em produção:

  • milhares de usuários;

  • milhões de registros;

  • chamadas simultâneas;

  • períodos de pico;

  • integrações lentas;

  • falhas intermitentes.

Um sistema pode funcionar perfeitamente no teste funcional e colapsar sob carga.

Tipos de teste

Teste de carga

Verifica o comportamento sob volume esperado.

Teste de estresse

Aumenta a carga até localizar o limite.

Teste de pico

Simula aumento repentino de uso.

Teste de longa duração

Avalia vazamentos de memória, degradação e acúmulo de recursos.

Teste de concorrência

Identifica condições de corrida, locks e conflitos.

Teste de recuperação

Confirma se o sistema volta corretamente após falha.

Chaos Engineering

Introduz falhas controladas para verificar a resiliência.

Por exemplo:

  • derrubar uma instância;

  • atrasar uma chamada;

  • bloquear uma dependência;

  • simular perda de rede;

  • encher uma fila.

No mainframe, também é essencial testar:

  • grandes massas;

  • duração da janela batch;

  • contenção Db2;

  • transações CICS;

  • reinício de jobs;

  • checkpoints;

  • indisponibilidade de datasets;

  • falha de comunicação MQ.

Produção não deveria ser o primeiro teste de escala.

Quando isso acontece, o cliente se torna parte involuntária da equipe de QA.


12. O erro invisível: monitorar tecnologia, mas ignorar o negócio

Muitas equipes monitoram CPU, memória e disco.

Mas não sabem responder:

  • Quantos pagamentos foram processados?

  • Quantas vendas foram perdidas?

  • Quantos clientes abandonaram a operação?

  • Quantas transações falharam por regra de negócio?

  • Qual valor financeiro ficou represado?

O sistema pode estar tecnicamente saudável e ainda assim falhar na missão.

Imagine que todos os servidores estejam verdes no painel, mas uma regra errada esteja rejeitando metade dos pedidos.

A infraestrutura diz:

“Tudo normal.”

O negócio diz:

“Estamos perdendo dinheiro.”

Por isso, métricas técnicas e de negócio precisam caminhar juntas.

A ponte da Enterprise não monitora apenas o motor de dobra.

Ela também monitora destino, tripulação, missão e ameaças.


13. O custo também faz parte da arquitetura

Uma arquitetura pode funcionar e ainda assim ser inviável financeiramente.

Recursos ociosos, bancos superdimensionados, tráfego excessivo, logs sem retenção controlada e componentes desnecessários aumentam despesas.

Na nuvem, cada decisão pode gerar custo recorrente:

  • processamento;

  • armazenamento;

  • transferência;

  • chamadas;

  • serviços gerenciados;

  • licenciamento.

No mainframe, também existem questões de:

  • consumo de CPU;

  • MSU;

  • janelas;

  • classes de serviço;

  • licenças;

  • capacidade;

  • uso de processadores especializados.

Um bom arquiteto não pensa apenas:

“Funciona?”

Ele também pergunta:

“É sustentável?”

A melhor solução equilibra:

  • desempenho;

  • confiabilidade;

  • segurança;

  • simplicidade;

  • custo.


14. Um roteiro prático para projetar melhor

Aqui está um pequeno plano de missão para o Programador COBOL Padawan.

Etapa 1 — Compreenda o problema

Converse com usuários e responsáveis pelo negócio.

Evite começar pela tecnologia.

Etapa 2 — Levante requisitos funcionais

Liste as operações que o sistema deverá executar.

Etapa 3 — Levante requisitos não funcionais

Defina:

  • desempenho;

  • volume;

  • disponibilidade;

  • segurança;

  • recuperação;

  • auditoria.

Etapa 4 — Identifique dados e integrações

Pergunte:

  • De onde os dados vêm?

  • Onde serão armazenados?

  • Quem poderá acessá-los?

  • Quais sistemas dependem deles?

Etapa 5 — Desenhe uma solução simples

Comece com a menor arquitetura capaz de atender aos requisitos.

Etapa 6 — Mapeie pontos de falha

Para cada componente, pergunte:

“O que acontece se ele parar?”

Etapa 7 — Planeje observabilidade

Defina logs, métricas, alertas e painéis antes da produção.

Etapa 8 — Separe configuração do código

Prepare a solução para múltiplos ambientes.

Etapa 9 — Teste com volume realista

Não teste apenas o caminho feliz.

Etapa 10 — Revise segurança

Aplique menor privilégio, criptografia e auditoria.

Etapa 11 — Documente decisões

Registre por que determinada alternativa foi escolhida.

Isso evita que, anos depois, alguém veja uma solução estranha e a substitua sem compreender o contexto.

Etapa 12 — Evolua gradualmente

Arquitetura não é um monumento congelado.

Ela deve ser revisada conforme o negócio e a tecnologia evoluem.


15. Curiosidades da sala de máquinas

Curiosidade 1 — Mainframes já faziam “cloud” antes do nome existir

Compartilhamento de recursos, virtualização, isolamento e gerenciamento centralizado são práticas antigas no mainframe.

O termo mudou.

Muitos princípios permaneceram.

Curiosidade 2 — Filas não são novidade

Mensageria assíncrona parece moderna, mas sistemas corporativos utilizam filas e processamento desacoplado há décadas.

IBM MQ é um exemplo clássico dessa filosofia.

Curiosidade 3 — O batch continua vivo

Mesmo com APIs e eventos, processamento batch continua essencial para:

  • fechamento financeiro;

  • faturamento;

  • conciliação;

  • geração de relatórios;

  • tratamento de grandes volumes.

A diferença é que batch moderno pode ser integrado a pipelines, APIs e eventos.

Curiosidade 4 — Simplicidade exige experiência

Criar algo complicado é relativamente fácil.

Criar uma solução simples que atenda aos requisitos exige entendimento profundo.

É como a ponte da Enterprise: o painel parece organizado porque uma enorme complexidade foi cuidadosamente controlada abaixo do convés.


16. Easter egg da Frota Estelar

Em muitos episódios de Star Trek, a Enterprise encontra tecnologias extremamente poderosas construídas por civilizações avançadas.

Entretanto, o perigo raramente está apenas na tecnologia.

O problema aparece quando:

  • ninguém compreende os limites;

  • não existem controles;

  • a tripulação ignora sinais;

  • alguém tenta obter poder rapidamente;

  • uma falha pequena se propaga.

Isso é System Design.

Uma arquitetura sofisticada sem compreensão pode ser mais perigosa que uma solução simples.

O melhor oficial de engenharia não é aquele que instala mais componentes.

É aquele que mantém a nave funcionando, conhece seus limites e sabe exatamente o que fazer quando uma luz vermelha aparece no painel.

Como diria Montgomery Scott em espírito:

Você não pode mudar as leis da física, capitão.

Na engenharia de software, também não podemos ignorar:

  • latência;

  • concorrência;

  • falhas;

  • volume;

  • capacidade;

  • custo.

Podemos administrá-los.

Nunca eliminá-los por decreto.


Conclusão — O sistema não quebra de repente

Os grandes problemas arquiteturais raramente chegam anunciados.

Eles crescem silenciosamente.

Uma consulta sem índice parece inofensiva enquanto a tabela é pequena.

Uma configuração hardcoded parece conveniente enquanto existe apenas um ambiente.

A ausência de cache não incomoda enquanto há poucos usuários.

A falta de logs passa despercebida enquanto nada falha.

A inexistência de failover parece aceitável enquanto o servidor está funcionando.

Depois, um dia, tudo converge.

O tráfego aumenta.

O banco fica lento.

A aplicação gera timeout.

Os retries sobrecarregam ainda mais o sistema.

A fila cresce.

Os logs são insuficientes.

A equipe não consegue identificar a causa.

A direção pede uma previsão.

O cliente reclama.

E alguém diz:

“Precisamos reescrever tudo.”

Na realidade, o desastre começou meses ou anos antes, em pequenas decisões que pareciam não ter importância.

O verdadeiro objetivo de System Design não é criar diagramas bonitos nem utilizar todas as tecnologias da moda.

É construir sistemas capazes de:

  • cumprir sua missão;

  • resistir a falhas;

  • crescer com controle;

  • proteger dados;

  • ser observados;

  • ser mantidos;

  • evoluir sem caos.

Para o Programador COBOL Padawan, compreender arquitetura é o passo que transforma alguém que apenas escreve programas em um profissional que entende sistemas.

O COBOL pode processar a regra.

O JCL pode executar o job.

O Db2 pode armazenar os dados.

O CICS pode receber a transação.

O MQ pode transportar a mensagem.

Mas é o projeto de sistemas que faz todas essas partes trabalharem juntas.

Na Frota Estelar, uma nave não é apenas o motor de dobra.

É a combinação de propulsão, sensores, escudos, comunicação, suporte à vida, segurança, comando e uma tripulação treinada.

No mundo corporativo, a arquitetura também depende de integração, observabilidade, resiliência, dados, processos e pessoas.

Antes de liberar a próxima versão, pare diante do painel e faça a pergunta mais importante:

“Estamos construindo apenas algo que funciona hoje, ou um sistema capaz de sobreviver à missão de amanhã?”

Porque o melhor sistema não é aquele que nunca falha.

É aquele que foi projetado para continuar sua jornada quando o inesperado inevitavelmente aparecer no horizonte.

Vida longa e próspera aos seus programas, aos seus jobs e às suas arquiteturas.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

⏳ A Filosofia do Desejo em Anime — Parte 6: O Amor e o Fetiche da Eternidade

 


A Filosofia do Desejo em Anime — Parte 6: O Amor e o Fetiche da Eternidade

Amar é um gesto contra o tempo.
É desafiar o esquecimento, gritar no vazio do relógio:

“Eu ainda me lembro.”

O fetiche final não é o toque, o poder, o caos ou o ideal.
É a memória.
O amor que sobrevive à ausência, o eco que insiste mesmo depois do silêncio.
Os japoneses chamam isso de natsukashii
uma nostalgia doce, dolorida e irresistível.


🌌 1. Your Name (君の名は。)

Ano: 2016 | Direção: Makoto Shinkai

Dois jovens trocam de corpo, de vida e de destino.
Separados por tempo e tragédia, buscam reencontrar-se sem lembrar exatamente o porquê.
O fetiche aqui é a conexão impossível — amar alguém que já se foi, mas ainda está.

🔎 Curiosidade Bellacosa: Shinkai declarou que queria fazer “um filme sobre o destino como código genético do amor”.
A trilha do RADWIMPS é quase uma oração moderna.


🌸 2. 5 Centimeters per Second (秒速5センチメートル)

Ano: 2007 | Direção: Makoto Shinkai

Cada episódio é uma estação da vida — e um adeus.
Takaki e Akari se amam, mas a vida os separa, como neve que cai devagar demais.
O fetiche aqui é a saudade, o prazer doloroso de lembrar.

🔎 Curiosidade Bellacosa: O título se refere à velocidade de queda das pétalas de cerejeira —
um símbolo do quanto o amor pode ser lento e rápido ao mesmo tempo.


🎶 3. Vivy: Fluorite Eye’s Song (ヴィヴィ)

Ano: 2021 | Estúdio: Wit Studio

Uma androide cantora atravessa cem anos tentando impedir a guerra entre humanos e máquinas.
Mas o que ela descobre é mais humano que qualquer algoritmo:
amar é aprender a falhar.

O fetiche da eternidade aqui é o ciclo, o desejo de corrigir, salvar, e cantar para alguém que já não existe.

🔎 Curiosidade Bellacosa: A música “Sing My Pleasure” virou um hino digital — mistura de IA e emoção em pura harmonia.


🌧 4. The Garden of Words (言の葉の庭)

Ano: 2013 | Direção: Makoto Shinkai

Um jovem e uma mulher se encontram nos dias de chuva, em um jardim silencioso.
Nada acontece — e é isso que acontece.
O fetiche é a suspensão do tempo, o instante que se recusa a passar.

🔎 Curiosidade Bellacosa: O som da chuva foi tratado como instrumento musical.
Shinkai disse: “a água é o toque dos que não se tocam”.


Epílogo de Balcão: A Eternidade como Fetiche

No fim de tudo, o amor talvez não queira durar —
quer apenas ser lembrado.
Os animes de Shinkai e seus herdeiros nos ensinam que o desejo não é sobre possuir,
mas sobre preservar o instante antes que ele se desfaça.

O verdadeiro fetiche da eternidade é este:
guardar o cheiro de um beijo que o tempo já levou.
Rever um rosto que talvez nunca tenha existido.
Sorrir por dentro e pensar:

“Se eu a encontrasse hoje... ainda reconheceria seu olhar.”

E então, o ciclo se fecha.
Do corpo ao espírito, do toque ao eco, do agora ao sempre —
o amor continua sendo a mais humana das ficções,
e o mais belo dos bugs da alma.



🏙️ Estrutura Moderna do Fūzoku Japonês

 

Bellacosa Mainframe e a estrutura moderna do fuzoku japones

🏙️ Estrutura Moderna do Fūzoku Japonês

(A indústria do entretenimento adulto no Japão)


🌸 1. Conceito de “Fūzoku” (風俗)

No Japão, fūzoku significa literalmente “costumes” ou “hábitos sociais”, mas no contexto moderno se refere a negócios ligados ao prazer e entretenimento adulto.

A lei diferencia dois grandes grupos:

  • Fūzoku legal (registrado) → fiscalizado, paga impostos e segue regras locais.

  • Fūzoku ilegal → atividades de prostituição direta (sexo pago), tráfico, exploração de menores, etc.

Tudo é regido pela Lei de Controle de Negócios de Entretenimento e Moralidade (Fūeihō, 風営法).


🧩 2. Tipos de Estabelecimentos (Fūzoku tenpo)

💦 1. Soaplands (ソープランド)

  • Origem: Evoluíram das antigas “Turkish baths” dos anos 60.

  • Serviço: O cliente é banhado e massageado por uma atendente nua ou seminudada.
    O ato sexual é “teoricamente” não contratado, mas frequentemente ocorre sob o pretexto de “consentimento pessoal”.

  • Localização: Tóquio (Yoshiwara), Kawasaki, Sapporo.

  • Legalidade: Registrados como banhos públicos privados, não como prostíbulos.

🧴 Curiosidade: Há uma linguagem codificada nos anúncios — palavras como “relax total”, “VIP course” e “deluxe bath” indicam o nível de intimidade.


💋 2. Fashion Health (ファッションヘルス)

  • Serviço: Massagens eróticas, masturbação manual e oral.

  • Sem sexo completo, portanto legal.

  • Nome curioso: “Health” é usado como eufemismo de “prazer”, e “fashion” dá uma aparência moderna e higiênica.

  • Preço: Mais acessível que um soapland.

👗 Curiosidade: As atendentes muitas vezes se vestem conforme “temas” — enfermeiras, secretárias, estudantes, etc.


🚗 3. Delivery Health (デリヘル / Deriheru)

  • Serviço: Acompanhantes enviadas para hotéis ou apartamentos (“delivery”).

  • Registro: Legalmente descritos como agências de massagem domiciliar.

  • Popularidade: É o tipo de fūzoku mais comum no Japão moderno.

  • Regras: Sexo não pode ser oficialmente contratado, mas o “extra” é negociado de forma privada.

💡 Curiosidade: Muitos sites de “deriheru” funcionam com perfis, avaliações e agendamento online, como aplicativos de namoro.


🍸 4. Hostess Clubs (キャバクラ / Kyabakura) e Snack Bars

  • Serviço: Companhia, conversa, charme e bebida — sem sexo direto.

  • As hostess entretêm os clientes, fazem o cliente se sentir desejado, mas mantêm distância física.

  • Locais: Áreas como Kabukichō (Shinjuku) ou Ginza.

  • Hierarquia: Existem hostesses iniciantes (kyabajō) e veteranas com status de celebridade.

👠 Curiosidade: Muitos clientes gastam fortunas apenas para “fazer parte do mundo dela”, sem relação física alguma.


🕴️ 5. Host Clubs

  • Versão masculina dos hostess clubs.

  • Clientes: Mulheres, frequentemente casadas ou executivas.

  • Serviço: Atenção, flerte, bebida, ego e fantasia romântica.

  • Cultura: Os hosts cultivam uma imagem de “príncipe moderno” e constroem vínculos emocionais com suas clientes.

💰 Curiosidade: Alguns hosts se tornam celebridades nacionais; um dos mais famosos, Roland, é multimilionário e figura pública.


🎭 6. Image Clubs (イメクラ / Imekura)

  • Serviço: Encenações de fetiches e fantasias (professora, médica, policial, etc.).

  • O foco é o roleplay, não necessariamente o ato sexual.

  • Legalidade: 100% legal se não houver penetração.

🎬 Curiosidade: Muitos roteiros são inspirados em mangás e animes — há inclusive “imekura” de estilo cosplay.


⚖️ 3. Regras e Fiscalização

A Fūeihō (Lei de Moralidade Pública) impõe:

  • Horário limitado: Geralmente até 00h.

  • Zonas específicas: Não podem operar perto de escolas ou templos.

  • Registro obrigatório: Cada loja deve ter licença e número de operação visível.

  • Idade mínima: 18 anos.

  • Fiscalização policial periódica.

Mas a aplicação da lei é flexível — as autoridades muitas vezes fecham os olhos desde que não haja escândalo ou crime associado.


🏗️ 4. Hierarquia e Economia Interna

  • Topo: Donos e gerentes (geralmente ex-funcionários ou ex-proprietários).

  • Meio: Mama-san (madames que gerenciam hostesses) e captains (supervisores).

  • Base: Atendentes, massagistas, hostesses ou hosts.

💵 Lucros vêm de:

  • Taxas por tempo e bebida.

  • Presentes e “extra fees”.

  • Comissões para intermediários (scouts).

Estima-se que o setor mova mais de 4 trilhões de ienes por ano — maior que a indústria de videogames japonesa.


🧠 5. Impacto Cultural e Social

  • Ambiguidade moral: O Japão trata o sexo como tabu e negócio ao mesmo tempo.

  • Mulheres do fūzoku frequentemente enfrentam preconceito, mas também ganham autonomia financeira.

  • Homens e solidão: A clientela é movida tanto por desejo quanto por carência emocional.

  • Pop culture: Muitos animes, mangás e filmes abordam o universo fūzoku — como Midnight Diner, Shinjuku Swan e Kabukichō Sherlock.

  • Turismo sexual: Estrangeiros são malvistos em muitos desses locais, especialmente onde há regras rígidas de “japoneses apenas”.


🌆 Conclusão

O fūzoku japonês é um espelho da sociedade:
sofisticado, discreto, contraditório e altamente regulado.
Apesar da proibição formal da prostituição, o Japão criou um ecossistema onde o prazer é “legalizado” até o limite da lei, transformando tabus em negócio — e negócio em tradição.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

10 animes Slice of Life sobre criação, evolução e desafios



O anime Usagi Drop (também conhecido como Bunny Drop) é um elogiado slice of life que aborda a temática da paternidade/cuidado de uma criança em circunstâncias inesperadas, focando no crescimento emocional dos personagens e no cotidiano da nova família. A ressalva do "limite ético" geralmente se refere ao final do mangá, que diverge drasticamente do anime.

Considerando o foco do anime (relação pura de cuidado, calor humano, cotidiano, amadurecimento e "família não convencional"), aqui está uma lista de 10 animes com temáticas semelhantes, todos dentro do limite ético e do gênero slice of life / drama familiar:

#AnimeAno de LançamentoAutor (Mangaká Original)
1Amaama to Inazuma (Doçura & Relâmpago)2016Gido Amagakure
2Barakamon2014Satsuki Yoshino
3Kakushigoto2020Kōji Kumeta
4The Yakuza's Guide to Babysitting (Guia do Yakuza para Cuidar de Crianças)2022Tsukiya
5Aishiteruze Baby (Aishiteruze Baby ★★)2004Yōko Maki
6Udon no Kuni no Kiniro Kemari (Poco's Udon World)2016Shinomaru Nodoka
7Somali to Mori no Kamisama (Somali e o Espírito da Floresta)2020Yako Gureishi
8If It's for My Daughter, I'd Even Defeat a Demon Lord (Sewayaki Kitsune no Senko-san)2019CHIROLU (Light Novel)
9Deaimon: Recipe for Happiness2022Ren Mochizuki
10Chichin Puipui! (curta-metragem/ONA)2013Takashi Taniguchi

1. Amaama to Inazuma (Doçura & Relâmpago)

  • Sinopse: Kōhei Inuzuka, um professor viúvo, está lutando para cozinhar refeições nutritivas para sua filha pequena, Tsumugi. Ao se deparar com Kotori Iida, uma de suas alunas, que oferece um jantar em sua casa, ele descobre que cozinhar com outras pessoas e compartilhar as refeições pode ser uma atividade deliciosa e fortalecedora de laços. O anime foca na culinária como meio de união familiar.

  • Personagens Principais: Kōhei Inuzuka (Pai, professor), Tsumugi Inuzuka (Filha pequena), Kotori Iida (Colega de escola de Kōhei).

  • Dica: Perfeito para quem ama a combinação de comida e conforto (iyashikei). As reações de Tsumugi à comida são um show à parte.

  • Curiosidade: O mangaká, Gido Amagakure, costuma incluir receitas detalhadas no final de cada capítulo do mangá.


2. Barakamon

  • Sinopse: Handa Seishuu, um jovem e talentoso calígrafo, é enviado para uma ilha remota após agredir um crítico de arte. Esperando encontrar paz para se concentrar em sua arte, ele encontra a agitada e caótica Naru Kotoishi, uma garotinha local. O relacionamento inesperado e as interações com os moradores da ilha forçam Handa a crescer como pessoa e como artista.

  • Personagens Principais: Seishuu Handa (Calígrafo), Naru Kotoishi (Criança da ilha).

  • Dica: É um excelente anime de desenvolvimento de personagem, mostrando como a ingenuidade de uma criança pode ensinar lições valiosas a um adulto.

  • Curiosidade: O anime tem um spin-off chamado Handa-kun, que é uma comédia focada na vida de Handa no ensino médio, antes dos eventos de Barakamon.


3. Kakushigoto

  • Sinopse: Kakushi Gotō é um mangaká de sucesso que desenha mangás com conteúdo adulto e um tanto questionável. Ele faz de tudo para esconder sua profissão da sua filha, Hime, que ele cria sozinho, acreditando que ela seria julgada e envergonhada se descobrisse seu segredo. O anime transita entre o hilário cotidiano de esconder a verdade e flashforwards mais emocionais.

  • Personagens Principais: Kakushi Gotō (Pai, mangaká), Hime Gotō (Filha).

  • Dica: Ótimo para quem gosta de comédia com um forte toque de drama familiar, semelhante à forma como Usagi Drop mistura fofura e a seriedade da paternidade.

  • Curiosidade: O autor, Kōji Kumeta, é conhecido por seu estilo de comédia satírica e seu trabalho mais famoso é Sayonara Zetsubou Sensei.


4. The Yakuza's Guide to Babysitting (Guia do Yakuza para Cuidar de Crianças)

  • Sinopse: Toru Kirishima é um yakuza temido conhecido por sua violência. Cansado de lidar com sua natureza destrutiva, seu chefe lhe dá a tarefa mais difícil de sua vida: ser o babá de sua filha de sete anos, Yaeka Sakuragi. O anime segue a transformação gradual de Toru e o vínculo crescente entre a dupla.

  • Personagens Principais: Toru Kirishima (Yakuza, babá), Yaeka Sakuragi (Filha do chefe).

  • Dica: Assim como Usagi Drop, mostra um adulto "durão" ou sem experiência se tornando responsável por uma criança, forçando-o a mudar de vida.

  • Curiosidade: O contraste entre a aparência intimidante de Toru e seu jeito desajeitado, mas atencioso, com Yaeka é o motor da comédia e emoção.


5. Aishiteruze Baby (Aishiteruze Baby ★★)

  • Sinopse: Kippei Katakura, um estudante do ensino médio popular e despreocupado, tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua tia, após um colapso nervoso, abandona sua filha de 5 anos, Yuzuyu Sakashita. Kippei é forçado a assumir a responsabilidade de cuidar da prima, descobrindo o peso e a alegria da paternidade responsável.

  • Personagens Principais: Kippei Katakura (Estudante, primo/cuidador), Yuzuyu Sakashita (Prima de 5 anos).

  • Dica: É um shoujo clássico com uma abordagem muito honesta sobre a responsabilidade e o amadurecimento através do cuidado. Tem uma forte semelhança temática com Usagi Drop.

  • Curiosidade: O mangá aborda o desenvolvimento romântico de Kippei e como ele equilibra a vida escolar, social e a nova responsabilidade.


6. Udon no Kuni no Kiniro Kemari (Poco's Udon World)

  • Sinopse: Souta Tawara, um web designer de 30 anos que trabalha em Tóquio, volta à sua cidade natal na província de Kagawa após a morte de seu pai. Lá, ele encontra um garoto misterioso (Poco) em seu antigo restaurante de udon. O garoto acaba sendo um tanuki (espécie de guaxinim mágico japonês) que assume a forma humana. Souta decide cuidar de Poco, redescobrindo sua cidade e lidando com memórias do seu pai.

  • Personagens Principais: Souta Tawara (Web designer), Poco (Tanuki/Garoto).

  • Dica: Mistura o calor humano e a temática familiar de Usagi Drop com elementos de fantasia suave. Focado na paisagem rural e na culinária regional.

  • Curiosidade: A província de Kagawa é famosa no Japão pela produção de udon, e o anime faz um belo trabalho em mostrar a cultura e os pontos turísticos da região.


7. Somali to Mori no Kamisama (Somali e o Espírito da Floresta)

  • Sinopse: Em um mundo habitado por espíritos, goblins e outras criaturas, onde os humanos foram quase extintos, um Golem (ser guardião da floresta com pouco tempo de vida) encontra uma garotinha humana chamada Somali. O Golem assume o papel de pai e embarca em uma jornada com Somali para encontrar outros humanos, tudo isso enquanto seu tempo de vida se esgota.

  • Personagens Principais: Golem (Pai adotivo), Somali (Menina humana).

  • Dica: Embora seja um anime de fantasia, o cerne da história é a relação paternal e a proteção incondicional, muito parecida com a de Usagi Drop e com uma grande carga emocional.

  • Curiosidade: A animação é notável pela sua direção de arte e a beleza dos cenários de fantasia, transportando o espectador para um mundo visualmente rico e melancólico.


8. If It's for My Daughter, I'd Even Defeat a Demon Lord

  • Sinopse: Dale, um aventureiro talentoso e reservado, encontra Latina, uma jovem garota demônio, abandonada em uma floresta. Sem conseguir deixá-la sozinha, ele a adota e se torna seu pai. A vida de aventureiro de Dale é substituída pelas alegrias e desafios da paternidade, enquanto ele faz tudo para proteger Latina.

  • Personagens Principais: Dale (Aventureiro/Pai), Latina (Garota demônio/Filha).

  • Dica: É uma série de fantasia que, na verdade, é um slice of life disfarçado. O foco está quase inteiramente nas interações adoráveis de Latina e no instinto superprotetor e carinhoso de Dale.

  • Curiosidade: Assim como em Usagi Drop, a história original (light novel/mangá) também possui uma progressão que pode ser polêmica para alguns leitores, mas o anime de TV se concentra apenas na fase de paternidade/infância, mantendo o tom "fofo e ético".


9. Deaimon: Recipe for Happiness

  • Sinopse: Nagomu Irino, de 30 anos, retorna à sua casa em Kyoto para assumir a tradicional loja de doces japoneses (wagashi) da família, depois que seu pai é hospitalizado. No entanto, ele descobre que a herdeira "escolhida" é Itsuka Yukihira, uma garota de 10 anos que foi acolhida pela família Irino. Nagomu e Itsuka aprendem a conviver, e ele assume um papel de mentor e figura familiar para a garota.

  • Personagens Principais: Nagomu Irino (Filho que retorna), Itsuka Yukihira (Garota de 10 anos).

  • Dica: Um anime calmante (iyashikei) que usa a culinária tradicional e a atmosfera de Kyoto para explorar as dinâmicas familiares, a responsabilidade e o conceito de lar.

  • Curiosidade: O anime dedica bastante tempo a detalhes sobre a criação dos doces wagashi e sua conexão com as estações do ano, sendo também uma celebração da cultura local.


10. Chichin Puipui! (Curta-metragem/ONA)

  • Sinopse: Um adorável curta-metragem/Original Net Animation que se passa em uma época mais antiga, acompanhando o dia a dia de um homem mais velho que cuida de sua neta pequena em uma casa rural. A história é simples, focada nos pequenos momentos de ternura, nas brincadeiras e no calor do lar, sem diálogo, apenas com música e sons ambientes.

  • Personagens Principais: Avô, Neta.

  • Dica: Se você gostou da atmosfera tranquila e da pura inocência infantil do anime Usagi Drop, este curta é uma dose concentrada desse sentimento.

  • Curiosidade: O estilo de animação e o design de som criam uma atmosfera de conto de fadas, sendo um exemplo perfeito de como os animes podem evocar emoções fortes com uma simplicidade sublime.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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