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quinta-feira, 21 de março de 2024

☁️🔥 Do RACF ao Terraform: Como um Padawan Mainframe Pode Dominar a Nuvem Antes que a Nuvem Domine Você

 

Bellacosa Mainframe fala sobre Cloud Terraform RACF

☁️🔥 Do RACF ao Terraform: Como um Padawan Mainframe Pode Dominar a Nuvem Antes que a Nuvem Domine Você

“A cloud não substituiu o mainframe. Ela apenas espalhou o mainframe pelo planeta — sem manual impresso.”

Se você vem do mundo z/OS, COBOL, CICS, JCL ou operações críticas, este artigo é para você, jovem Padawan. 🧭
Vamos traduzir Cloud Adoption + Cloud Governance + IaC + Segurança para o idioma mainframe — com exemplos reais, curiosidades e alguns easter eggs técnicos no caminho.


🧠 A Grande Verdade Que Ninguém Te Conta

Cloud não é “servidor alugado”.

Cloud é:

🏛️ Infraestrutura + Automação + Governança + Segurança + FinOps + Cultura

Sem governança, a cloud vira:

🔥 Caos rápido
💸 Conta gigantesca
🔓 Vulnerabilidades
🕵️ Shadow IT
📉 Falta de controle


🏗️ Cloud Adoption = Plano de Migração (Estilo SMPE do Século XXI)

Antes de mover qualquer workload, você precisa responder:

  • Por que migrar?
  • O que migrar?
  • Quando migrar?
  • Vale a pena migrar?
  • Como voltar se der ruim?

Sim… Exit Strategy é obrigatório.

🧩 Analogia mainframe

CloudMainframe
Cloud Adoption StrategyPlano de capacity + modernização
Workload migrationConversão batch / online
Exit strategyDR site alternativo
Hybrid cloudSysplex + distribuído

⚔️ As Estratégias de Migração (Os “Rs” da Força)

Nem todo sistema deve ser tratado igual.

🚚 Rehost — Lift and Shift

Mover sem alterar.

👉 Como rodar um COBOL antigo em outro LPAR sem recompilar.


✏️ Revise — Ajustar um pouco

Pequenas melhorias para rodar melhor na cloud.

👉 Tipo recompilar com novo runtime.


🧠 Refactor — Modernizar arquitetura

Mudanças profundas.

👉 Monolito → Microservices
👉 CICS → APIs
👉 Batch → Event-driven


🔄 Replace — Trocar por SaaS

Abandonar o sistema próprio.

👉 Sistema de RH interno → solução pronta.


🧱 Rebuild — Reescrever tudo

Quando o legado virou fóssil.

👉 Recriar do zero com arquitetura cloud-native.


🏛️ Cloud Governance = RACF + JES + SMF + Auditoria… Só que Global

Governança é o que impede a cloud de virar faroeste.

🎯 Objetivos principais

  • 🔐 Segurança
  • 💰 Controle de custos
  • ⚙️ Operação estável
  • 📜 Compliance
  • 📊 Monitoramento
  • 🧩 Padronização

🕵️ Shadow IT — O “Batch Fantasma” da Cloud

Equipes criam recursos sem controle.

Resultado:

🧟 Servidores esquecidos
💸 Custos ocultos
🔓 Riscos
📉 Ninguém sabe o que existe

No mainframe isso seria impensável.

Na cloud? Dois cliques.


💰 FinOps — Porque a Conta Chega TODO MÊS

Na cloud você paga por:

  • CPU
  • Memória
  • Storage
  • Rede (principalmente rede!)
  • Serviços gerenciados
  • Recursos ociosos 😈

💣 Maiores vilões

  1. Recursos esquecidos
  2. Transferência de dados
  3. Superdimensionamento
  4. Falta de autoscaling

⚡ Autoscaling — O WLM da Nuvem

Ajusta capacidade automaticamente.

🧠 Exemplo

E-commerce:

  • Normal → poucos servidores
  • Black Friday → centenas
  • Depois → volta ao normal

Sem autoscaling = pagar pico o ano inteiro.


📍 Regra de Ouro da Arquitetura Cloud

💰 “Você paga pela arquitetura que desenha.”

Mover dados entre regiões custa caro.
Mover entre cloud e on-prem custa MAIS caro ainda.


🔐 Segurança: O Modelo de Responsabilidade Compartilhada

Cloud NÃO é “segurança terceirizada”.

☁️ Provedor protege:

  • Datacenter
  • Hardware
  • Infra base

🏢 Cliente protege:

  • Dados
  • Aplicações
  • Configuração
  • Identidades
  • Acessos

👉 Bucket público com dados sensíveis? Culpa sua.


🪪 IAM — O RACF da Cloud (Easter Egg #1)

Identity and Access Management é o novo perímetro.

Não existe mais “cerca” física.

Quem controla identidade controla tudo.

Boas práticas dignas de um sysprog Jedi:

✔️ Princípio do menor privilégio
✔️ MFA obrigatório
✔️ Roles, não usuários diretos
✔️ Auditoria contínua


🗄️ Data Management — Nem Todo Dado É Igual

Classificação é essencial.

TipoProteção
PúblicoBásica
InternoModerada
ConfidencialAlta
ReguladoMáxima

Aplicar segurança máxima a tudo = caro e ineficiente.


📦 Arquivamento — O Hierarchical Storage Management da Cloud

Dados frios devem ir para storage barato.

🔥 Hot → rápido e caro
🌤️ Cool → intermediário
❄️ Archive → lento e barato

Padawan que não arquiva dados… paga caro.


⚙️ Infrastructure as Code — O JCL da Cloud (Easter Egg #2)

Na cloud madura, ninguém cria infraestrutura clicando.

Tudo é código.

Exemplo mental:

👉 JCL cria job
👉 IaC cria infraestrutura

Ferramentas comuns

  • Terraform
  • Ansible
  • CloudFormation
  • Bicep

💻 Exemplo simplificado (Terraform)

Criar uma VM inteira com código:

  • Região definida
  • Tipo de máquina
  • Sistema operacional
  • Tags de governança

Reprodutível. Auditável. Versionado.


🧩 Por que IaC é obrigatório?

Sem automação:

❌ Deploy manual inseguro
❌ Configurações divergentes
❌ Ambientes inconsistentes
❌ Custos fora de controle
❌ Difícil auditoria

Com IaC:

✔️ Padronização
✔️ Segurança embutida
✔️ Aprovação controlada
✔️ Recriação rápida
✔️ Governança executável


🧟 Cloud Sprawl — O “Dataset Órfão” em Escala Planetária

Recursos acumulados sem uso.

Exemplos:

  • VMs esquecidas
  • Discos soltos
  • Snapshots antigos
  • Ambientes de teste abandonados

Grandes empresas economizam milhões apenas limpando isso.


🧭 O Fluxo Completo da Adoção Cloud

🔎 Assess → 🗺️ Plan → 🚀 Adopt → 🏛️ Govern → ⚡ Optimize

Pular etapas = sofrimento garantido.


🧠 Insight de Arquitetura Avançada

Cloud não falha por tecnologia — falha por governança, planejamento e pessoas.


🧪 Easter Egg Final

Se você domina:

  • RACF
  • Auditoria
  • Capacity planning
  • Operação 24x7
  • Sistemas críticos

👉 Você já tem metade do DNA de um Cloud Architect.

O resto é aprender as ferramentas.


🏆 Mensagem ao Padawan

A nuvem não matou o mainframe.

Ela espalhou seus princípios:

✔️ Alta disponibilidade
✔️ Segurança rigorosa
✔️ Escalabilidade
✔️ Automação
✔️ Governança
✔️ Processamento crítico


☕ Conclusão no Estilo Bellacosa

O verdadeiro poder não está em migrar para a cloud.
Está em governar a cloud sem perder a disciplina do mainframe.

Padawan, se você trouxer a mentalidade z/OS para a nuvem…

👉 Você não será apenas um usuário de cloud.
👉 Você será o arquiteto que impede que tudo desmorone.

quarta-feira, 20 de março de 2024

🎮 COBOL's Laboratory — Quando o Programador COBOL Vira o Herói de um Videogame 8 Bits

 

Bellacosa Mainframe e o game COBOL em retro 8 bits

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎮 COBOL's Laboratory — Quando o Programador COBOL Vira o Herói de um Videogame 8 Bits

Da USS Enterprise ao Nintendo Entertainment System: por que um jogo sobre COBOL é muito mais profundo do que parece

"A lógica é o início da sabedoria, não o seu fim."
— Sr. Spock

Imagine acordar em 1989.

Você liga sua televisão de tubo.

Coloca um cartucho no Nintendo Entertainment System.

Aparece a clássica tela preta.

Uma música chiptune começa a tocar.

No centro da tela surge uma enorme palavra:

COBOL

Logo abaixo...

PRESS START

Nesse instante você percebe uma coisa curiosa.

Você não vai controlar um guerreiro.

Não será um ninja.

Nem um encanador italiano.

Muito menos um cavaleiro medieval.

Você será...

Dr. COBOL.

O cientista mais brilhante de toda Bit City.

Pode parecer apenas uma brincadeira criada por fãs.

Mas existe uma homenagem muito maior escondida nessa ideia.

Ela celebra uma linguagem que, discretamente, continua movimentando bancos, bolsas de valores, seguradoras, governos, companhias aéreas e sistemas críticos em praticamente todos os continentes.

E curiosamente...

Essa homenagem foi feita utilizando um videogame dos anos 80.

Parece improvável.

Mas faz todo sentido.

Hoje vamos descobrir por quê.

Pegue sua caneca de café.

O computador de bordo da USS Enterprise já calculou nossa rota.

Vamos iniciar a missão.


Capítulo 1 — O jogo realmente existe

Sim.

Não é uma montagem.

Não é IA.

Não é um conceito.

É um jogo homebrew para o Nintendo Entertainment System (NES), desenvolvido pela Oniric Factor.

Página oficial:

🎮 https://oniric-factor.itch.io/cobol

Trilha sonora oficial:

🎵 https://soundcloud.com/kevin_81

O jogo foi desenvolvido para funcionar em:

  • Emuladores NES

  • ROM (.NES)

  • Hardware original através de flash cartridges compatíveis

Ou seja...

Em pleno século XXI alguém resolveu criar um jogo inteiro onde o protagonista é...

COBOL.

Só isso já merece respeito.


Capítulo 2 — O verdadeiro significado da história

A sinopse oficial parece simples.

O cientista Dr. Cobol precisa impedir que seu antigo discípulo...

Dr. Pascal...

Roube todas as suas invenções.

Mas existe um significado escondido.

Na computação, linguagens possuem "personalidade".

COBOL nunca foi criada para fazer gráficos.

Nem jogos.

Nem inteligência artificial.

Ela nasceu para resolver problemas extremamente importantes.

  • folha de pagamento

  • contas bancárias

  • seguros

  • aposentadorias

  • impostos

  • logística

Enquanto isso...

Pascal nasceu anos depois.

Seu objetivo era completamente diferente.

Ensinar programação.

Ensinar algoritmos.

Ensinar lógica.

Percebe a genialidade?

O jogo transforma duas filosofias da computação em personagens.


Capítulo 3 — A rivalidade que nunca existiu

O jogo apresenta:

COBOL versus Pascal.

Mas isso nunca aconteceu na vida real.

Cada linguagem dominou um universo diferente.

COBOLPascal
NegóciosEducação
EmpresasUniversidades
BancosLaboratórios
Sistemas críticosAlgoritmos
Processamento em loteEstruturas de dados

Na verdade...

Elas sempre coexistiram.

O jogo apenas transforma essa diferença em uma divertida batalha entre cientistas.


Capítulo 4 — Dr. Cobol

O protagonista não é um guerreiro.

Ele é um inventor.

Isso representa perfeitamente a linguagem.

Todo sistema COBOL é uma invenção.

Cada programa resolve um problema do mundo real.

Um programa pode calcular:

  • aposentadorias

  • imposto de renda

  • folha salarial

  • juros

  • investimentos

  • previdência

Em outras palavras...

Dr. Cobol é o engenheiro responsável por manter Bit City funcionando.


Capítulo 5 — Dr. Pascal

Pascal aparece como um cientista enlouquecido.

Essa escolha lembra imediatamente personagens famosos.

  • Dr. Wily

  • Dr. Robotnik

  • Dr. Neo Cortex

Todos eles usam ciência para destruir.

Enquanto Cobol usa ciência para construir.


Capítulo 6 — Bit City

O próprio nome da cidade possui easter eggs.

Bit.

O menor elemento da computação.

Um único bit vale:

0

ou

1

Tudo nasce daí.

Bytes.

Arquivos.

Programas.

Mainframes.

Internet.

Tudo começou com bits.


Curiosidade Bellacosa

Algumas versões da descrição oficial citam M.O.S. City, uma referência muito provável à lendária MOS Technology, fabricante do processador 6502, um dos chips mais influentes da história. O NES utiliza uma CPU derivada desse projeto (Ricoh 2A03), conectando o universo do jogo diretamente às raízes da computação doméstica.


Capítulo 7 — O verdadeiro inimigo

As criaturas mutantes.

Elas representam o quê?

Vamos pensar como um desenvolvedor.

No mundo real nossos monstros são:

👾 Bugs

👾 Dados inválidos

👾 SQLCODE negativos

👾 ABENDs

👾 Arquivos corrompidos

👾 Chaves duplicadas

👾 Deadlocks

👾 Falhas de comunicação

Os monstros do jogo são uma metáfora perfeita.


Capítulo 8 — Se fosse um jogo de Mainframe

Imagine algumas fases.

Fase 1

HELLO WORLD

Objetivo

Aprender

IDENTIFICATION DIVISION

Fase 2

WORKING-STORAGE

Monstros:

PIC inválidos

VALUE incorreto

COMP-3 defeituoso


Fase 3

VSAM Forest

Chefão

INVALID KEY


Fase 4

JCL Mountain

Chefão

S806


Fase 5

DB2 Caverns

Chefão

SQLCODE -904


Fase 6

CICS Fortress

Chefão

AEI9


Última fase

Production

O maior inimigo de todos.

ABEND.


Capítulo 9 — Os Power-ups do Programador COBOL

Todo bom jogo possui itens especiais.

No universo Bellacosa Mainframe eles seriam:

☕

Café

Recupera energia.

Item obrigatório.


📘

Manual IBM

+30 Inteligência.


🖥

ISPF

Permite editar código.


📄

JCL

Desbloqueia novas fases.


🗂

COPYBOOK

Novos poderes.


🔐

RACF

Escudo de segurança.


💾

Load Module

Transformação definitiva.


📊

EXPLAIN PLAN

Permite prever ataques do chefão SQL.


Capítulo 10 — O paralelo com Star Trek

Aqui começa nossa viagem espacial.

Imagine a Enterprise.

Quem seria quem?

Capitão Kirk

Gerente do projeto.

Decide prioridades.


Sr. Spock

Analista de sistemas.

Pensa logicamente.

Nunca programa por impulso.


Scotty

Compilador COBOL.

Transforma código em algo executável.

Quando tudo funciona...

Ele diz:

"I'm giving her all she's got!"


Uhura

MQ Series.

Toda comunicação passa por ela.


Worf

RACF.

Nada entra sem autorização.


Data

Db2.

Memória perfeita.


Enterprise

IBM Z.

A nave mais confiável da Frota.


O Cadete

Você.

O Programador COBOL Padawan.


Capítulo 11 — Como um Padawan venceria o jogo

Missão 1

Aprender COBOL.

↓

Missão 2

Aprender JCL.

↓

Missão 3

Conhecer VSAM.

↓

Missão 4

Estudar Db2.

↓

Missão 5

Entender CICS.

↓

Missão 6

Aprender z/OS.

↓

Missão Final

Resolver um ABEND em produção.

Parabéns.

Você terminou o tutorial.


Curiosidades que poucos conhecem

🎮 O NES continua vivo

Mesmo décadas após seu lançamento, desenvolvedores independentes continuam criando jogos inéditos para o console. Essa cena é conhecida como homebrew e reúne programadores, artistas e músicos apaixonados por hardware clássico.


💾 O hardware impõe criatividade

O NES possui recursos extremamente limitados em comparação aos computadores atuais. Isso obriga os desenvolvedores a escrever código altamente otimizado, uma filosofia que lembra muito a programação em mainframes, onde eficiência e confiabilidade sempre foram essenciais.


🎵 Música chiptune

A trilha sonora de Cobol's Laboratory, composta por Kevin van der Burg, utiliza a estética sonora típica dos consoles 8 bits. Cada melodia precisa respeitar as limitações dos canais de áudio do NES, transformando restrições técnicas em criatividade.


🧠 O verdadeiro easter egg

COBOL foi criado em 1959.

O NES nasceu em 1983.

Mesmo separados por mais de duas décadas, ambos compartilham uma característica fundamental:

Foram projetados para serem confiáveis, simples de usar dentro de seus objetivos e capazes de atravessar gerações.


Easter Eggs Bellacosa Mainframe

🐣 Easter Egg #1

Dr. Pascal é um cientista.

Na vida real, Niklaus Wirth, criador da linguagem Pascal, também era um pesquisador e professor universitário.


🐣 Easter Egg #2

O personagem principal não luta com espadas.

Ele luta usando inteligência.

Como qualquer bom analista.


🐣 Easter Egg #3

PRESS START.

Essa talvez seja a melhor mensagem do jogo.

Todo desenvolvedor começa exatamente assim.

Sem experiência.

Sem atalhos.

Sem Continue.

Apenas...

START.


🐣 Easter Egg #4

Bit City representa o universo digital.

O IBM Z representa o coração dessa cidade.

Enquanto tudo parece silencioso...

Bilhões de transações acontecem.

Todos os dias.


🐣 Easter Egg #5 – A Diretriz Principal de Spock

Se o Sr. Spock fosse mentor de um programador COBOL, provavelmente diria:

"Um bom programa não impressiona por sua complexidade, mas por sua clareza. A lógica elegante reduz erros, facilita a manutenção e permite que outros compreendam seu raciocínio décadas depois."

Essa frase resume a essência do COBOL: escrever código para pessoas lerem, e não apenas para máquinas executarem.


Passo a passo para o Programador COBOL Padawan

  1. Domine a sintaxe básica. Entenda as divisões do COBOL e escreva pequenos programas.

  2. Aprenda JCL. Um programa precisa ser compilado e executado corretamente.

  3. Conheça arquivos VSAM e sequenciais. Eles são a base de muitos sistemas legados.

  4. Estude SQL e Db2. Grande parte das aplicações corporativas utiliza banco de dados.

  5. Entenda CICS e IMS. Eles representam o processamento online de alta disponibilidade.

  6. Aprenda a investigar ABENDs. Ler mensagens, dumps e logs faz parte da rotina.

  7. Nunca pare de aprender. Assim como um jogo libera novas fases, o universo IBM Z sempre oferece novos desafios, como APIs, DevOps, Zowe, OpenShift e Inteligência Artificial.


Conclusão — O verdadeiro significado de "PRESS START"

À primeira vista, Cobol's Laboratory parece apenas uma divertida homenagem em pixel art a uma linguagem de programação clássica. Porém, quando observamos com atenção, percebemos algo muito maior.

Ele celebra a história da computação.

Celebra a criatividade da comunidade homebrew.

Celebra os pioneiros que construíram sistemas capazes de sobreviver por décadas.

E, acima de tudo, lembra que COBOL continua sendo um dos pilares invisíveis do mundo moderno.

Assim como a USS Enterprise não impressiona apenas por sua velocidade, mas pela confiança que inspira em cada missão, o IBM Z e o COBOL permanecem cumprindo sua missão silenciosamente: manter funcionando os sistemas que sustentam a economia global.

Da próxima vez que encontrar uma tela verde, um programa COBOL ou um JCL aparentemente antigo, lembre-se da tela inicial daquele cartucho imaginário:

COBOL

PRESS START

Porque toda grande jornada na Frota Estelar — e todo grande programador COBOL — começou exatamente da mesma forma: com a coragem de apertar Start e explorar um universo onde lógica, disciplina e conhecimento são as maiores armas da missão.


Bellacosa Mainframe apresenta COBOL The Game

🎮 Links Oficiais

terça-feira, 19 de março de 2024

☕🐉💀 O Hikikomori que Só Queria um Sofá e Acabou Criando uma Civilização — Por Que Você Deveria Dar uma Chance a Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita?

 

Bellacosa Mainframe descobriu um tesouro

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

☕🐉💀 O Hikikomori que Só Queria um Sofá e Acabou Criando uma Civilização — Por Que Você Deveria Dar uma Chance a Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita?

Ou: Haruto ganhou poderes divinos, inventou streaming interdimensional, terceirizou a escola para o próprio clone, adotou monstros, conheceu uma dragão hikikomori profissional e ainda tentou resolver tudo sem levantar do sofá

Existe um momento perigoso na vida de todo otaku.

Você abre a lista de animes e encontra:

Isekai.

Protagonista reencarnado.

Magia.

Família nobre.

Poder absurdo.

O sujeito provavelmente consegue derrotar um dragão antes do café da manhã.

Você olha aquilo e pensa:

“Ah, não. Outro.”

Foi mais ou menos assim que comecei Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita? — Am I Actually the Strongest?.

E cometi um erro.

Porque aquilo que parecia ser o Isekai Overpower nº 8.427 rapidamente revelou uma criatura completamente diferente.

Este é um anime sobre um hikikomori que morreu, ganhou uma segunda vida, recebeu poderes praticamente divinos e tomou talvez a decisão mais coerente da história do gênero:

continuar sendo hikikomori.

E, meus amigos...

isso muda tudo.



1. O isekai que finalmente entendeu o hikikomori

Existe uma contradição curiosa em muitos isekais.

O protagonista passa anos isolado.

Não gosta de gente.

Não trabalha.

Evita responsabilidades.

Passa o tempo jogando videogame, lendo mangá e assistindo anime.

Morre.

Reencarna.

Cinco minutos depois está:

  • entrando numa guilda;

  • formando grupo;

  • viajando pelo continente;

  • negociando com reis;

  • fazendo amigos;

  • liderando exércitos;

  • conquistando garotas;

  • salvando civilizações.

Peraí.

Trocaram o mundo ou trocaram o sujeito?

Haruto é diferente.

Ele chega ao novo mundo e, essencialmente, pergunta:

“Legal. Como faço para recuperar meu quarto?”

Essa é a primeira grande sacada de Jitsu wa Ore.

A reencarnação não executou:

DELETE PERSONALIDADE-ANTIGA

Haruto continua sendo Haruto.

Preguiçoso.

Antissocial.

Otaku.

Profundamente comprometido com o projeto estratégico de não fazer absolutamente nada que possa ser evitado.

Só que agora ele possui magia absurda.

E começa a utilizá-la da maneira mais hikikomori possível.



2. O bebê com RACF SPECIAL

Haruto renasce numa família real.

Uma deusa lhe concedeu enorme poder mágico.

Existe apenas um pequeno problema.

O sistema utilizado naquele mundo para medir magia não consegue interpretar corretamente o poder do bebê.

Resultado?

A família acredita que ele possui pouquíssima magia.

Em linguagem Bellacosa Mainframe:

MAGIC-LEVEL PIC 9(2).

Haruto nasceu com um valor que praticamente provocou overflow na especificação.

A corte olha o relatório.

LEVEL = 02

Conclusão:

“Inútil.”

E o bebê é abandonado.

Um dos seres potencialmente mais poderosos daquele mundo sofre DELETE porque alguém confiou cegamente numa métrica que não compreendia.

Já começou bem.

Mas então aparece Gold Zenfis.



3. Gold e a primeira grande mensagem do anime

Gold encontra o bebê abandonado.

Ele poderia simplesmente seguir viagem.

Não segue.

E posteriormente descobrimos algo que torna sua decisão muito mais emocionante: Gold já havia perdido uma criança.

Ele sabe o valor de uma vida infantil justamente porque conhece a dor de perdê-la.

E aqui existe uma diferença fundamental.

Gold não salva Haruto porque percebe que ele é overpower.

Não existe:

“Este bebê possui um poder lendário! Preciso criá-lo!”

Nada disso.

Gold salva Haruto porque...

é um bebê abandonado.

Para a família biológica:

MAGIC LEVEL = LOW

VALUE = ZERO

Para Gold:

TYPE = CHILD

VALUE = INESTIMABLE

Essa pequena decisão acaba ecoando por praticamente toda a série.

Porque Haruto cresce cercado por uma família que o acolheu antes de saber o que ele poderia oferecer em troca.

Mais tarde, quando criaturas rejeitadas começam a aparecer diante dele...

Haruto fará algo muito parecido.

Mesmo que jamais admita estar fazendo isso.



4. Charlotte entrou no sistema

Então aparece Charlotte.

A irmãzinha.

A pequena criatura que executará:

ALTER HARUTO ADD HUMAN-EMOTIONS

Haruto gosta dela.

Muito.

Embora provavelmente preferisse enfrentar um exército a fazer uma declaração sentimental sobre isso.

Charlotte, por sua vez, fica completamente pinei pelo onii-chan.

E então Haruto comete um dos maiores erros operacionais de sua segunda vida.

Mostra anime para ela.


5. Sim: existe anime dentro do anime

Essa talvez seja uma das melhores piadas da série.

Haruto descobre que sua magia é tão versátil que consegue criar algo semelhante a interfaces e janelas mágicas.

Então esse homem, possuidor de poderes que poderiam revolucionar a civilização, faz aquilo que qualquer otaku responsável faria:

tenta acessar entretenimento do Japão.

Sim.

O sujeito praticamente inventa streaming interdimensional.

Outros protagonistas usariam magia dimensional para invadir fortalezas.

Haruto:

“Será que consigo pegar anime?”

Consegue.

E mostra para Charlotte.

Grande erro.

Porque Charlotte não simplesmente gosta de anime.

CHARLOTTE DESCOBRE A CULTURA OTAKU.

A menina começa a absorver conceitos de heróis, vilões, identidades secretas e organizações misteriosas.

O anime passa a influenciar a maneira como ela interpreta o próprio mundo.

Temos então:

Japão → Haruto → anime → Charlotte → delírio otaku → Haruto obrigado a participar.

Haruto inventou o próprio incidente.


6. O clone sindicalizado

Haruto também consegue criar uma cópia de si mesmo.

Protagonista convencional:

“Fantástico! Posso lutar em dois lugares simultaneamente!”

Haruto:

“Fantástico! Ele pode cumprir minhas obrigações enquanto fico em casa.”

Isso é extraordinariamente coerente.

Haruto automatizou a própria presença.

Só existe um problema.

O clone...

também é Haruto.

Portanto também não gosta de fazer aquilo.

E chega o momento maravilhoso em que a cópia reclama, basicamente argumentando:

“Você sabe que eu não gosto disso tanto quanto você e mesmo assim me obriga a fazer!”

GENIAL.

Haruto conseguiu terceirizar aquilo que odeia para o único funcionário do universo que odeia exatamente as mesmas coisas.

Nascia ali o primeiro conflito trabalhista entre processo pai e processo filho.


7. Flay e o incidente do leitinho

E então temos Flay.

Em determinado momento Haruto exagera no uso dos poderes, fica completamente sem energia e pede leite.

Uma solicitação aparentemente simples.

Flay interpreta de outra maneira.

E começa a oferecer uma solução... biologicamente direta demais.

Haruto congela.

“QUE PORRA É ESSA?! SE CUBRA, MULHER!”

Flay atende ao requisito.

Volta vestida.

Só que com uma roupa de couro ainda mais fetichista.

Haruto percebe imediatamente que:

a emenda ficou pior que o soneto.

Aqui temos uma lição clássica da engenharia de requisitos:

o sistema fez exatamente aquilo que você pediu, não aquilo que você queria.

REQUISITO: SE CUBRA

RESULTADO: COBERTA

TEST CASE: PASS

USUÁRIO: NÃO ERA ISSO!


8. Pandemônio: o hikikomori criou uma civilização

E então Jitsu wa Ore começa a ficar surpreendentemente bonito.

Haruto passa a acolher criaturas que não possuem lugar no restante daquele mundo.

Esqueletos.

Monstros.

Demônios.

Golems.

Dragões.

E nasce Pandemônio.

Não porque Haruto decidiu:

“Construirei uma grande nação onde todas as espécies viverão em harmonia!”

Isso exigiria discurso.

Reunião.

Planejamento.

Provavelmente PowerPoint.

Haruto morreria novamente.

A filosofia dele é muito mais simples:

“Podem ficar aí. Só não me encham o saco.”

Pouco depois:

POPULATION = GROWING

FOOD PRODUCTION = ACTIVE

SECURITY = STABLE

CIVILIZATION = CREATED

Haruto:

“Como diabos aconteceu isso?”


9. Os esqueletos e a bondade que ninguém ordenou

Uma das cenas mais simpáticas envolve justamente os esqueletos.

Novas criaturas começam a chegar.

Mais habitantes significam mais bocas para alimentar.

E os esqueletos começam a trabalhar duro para aumentar a produção de alimentos.

Ninguém precisou ordenar.

Não houve decreto.

Não houve palestra sobre solidariedade.

Eles simplesmente perceberam:

“Tem mais gente aqui. Precisamos garantir que haja comida.”

E aí aparece uma das mensagens mais bonitas escondidas debaixo da comédia:

bondade gera bondade.

Gold acolheu Haruto.

Haruto acolheu criaturas rejeitadas.

Essas criaturas passam a acolher outras.

PERFORM BONDADE

O problema é que ninguém colocou:

UNTIL.


10. O verdadeiro monstro talvez não seja o esqueleto

A sociedade humana daquele mundo abandonou um bebê porque ele aparentemente não possuía valor.

Enquanto isso, esqueletos classificados como monstros trabalham para garantir que desconhecidos tenham o que comer.

A série nunca precisa parar para fazer um discurso filosófico sobre isso.

Ela simplesmente coloca as duas situações diante de nós.

E deixa uma pergunta:

afinal, quem é o monstro?


11. A golem é uma menininha

Porque obviamente é.

Neste ponto você já deveria ter aprendido que Jitsu wa Ore não pretende respeitar suas expectativas.

Você escuta:

GOLEM.

Imagina:

HEIGHT = 4 METERS

DEFENSE = 9999

TUM... TUM... TUM...

Aparece uma menininha adorável.

Kawaii.

Pronto.

Aceite.

Os chimpanzés responsáveis pelo roteiro já abriram o segundo barril de saquê.


12. A dragão hikikomori profissional

E chegamos a uma das melhores personagens dessa loucura.

Uma dragão revela que viveu reclusa durante aproximadamente 300 anos.

Qualquer protagonista convencional responderia:

“Que tristeza! Você precisa voltar a conhecer o mundo!”

Haruto?

Haruto fica impressionado.

Basicamente:

“UAAAAU! PROFISSIONAL! OUTRO NÍVEL!”

Finalmente encontrou sua senpai.

Haruto achava que era hikikomori.

Apareceu uma criatura com 300 anos de experiência comprovada.

HIKIKOMORI EXPERIENCE

HARUTO:
Experiência relevante

DRAGOA:
300 ANOS

RESULTADO:
HARUTO = JUNIOR

O respeito é imediato.


13. Então queimam os livros

E o anime, que estava fazendo você gargalhar, subitamente acerta seu estômago.

A dragão passou séculos isolada.

Os livros eram sua companhia.

Sua diversão.

Sua janela para aquilo que existia além do isolamento.

E sua biblioteca é destruída.

Queimada.

De repente entendemos que não eram apenas livros.

Era parte da vida dela.

A piada dos 300 anos de hikikomori ganha melancolia.


14. Mas ela encontra um lar

A história não apaga aquela perda.

Mas oferece algo novo.

Pandemônio.

Amigos.

Pessoas que a aceitam como ela é.

Ninguém chega dizendo:

“Agora você precisa deixar de ser hikikomori!”

Muito pelo contrário.

Ela pode continuar quietinha.

Pode continuar lendo.

Pode continuar sendo ela mesma.

E depois ganha acesso à biblioteca do marquês.

Aquela pequena coisa tem um peso enorme.

Ela perdeu uma biblioteca.

Agora alguém abre outra porta e diz:

“Pode entrar.”

Isso é acolhimento.

Ela pode ficar sozinha...

sem estar abandonada.


15. Desde que aceite ser Nº 2

Também não vamos transformar Jitsu wa Ore em Dostoiévski.

😂

Porque existe hierarquia entre aquela turma.

E nossa dragão ancestral precisa aceitar a realidade administrativa:

Nº 2.

A Nº 1 é justamente uma demônio que certa vez resolveu que Haruto parecia uma excelente refeição.

Tentou comer o menino.

Escolheu o bebê errado.

Tomou uma surra.

E acabou integrada àquela gigantesca família de criaturas improváveis.

Em Jitsu wa Ore, um boss fight frequentemente termina:

“Ela mora conosco agora.”


16. Iris: porque obviamente faltava um Rei Demônio kawaii

Haruto finalmente vai para a escola.

Talvez agora tenhamos personagens normais.

HAHAHAHAHAHA.

Não.

Conhecemos Iris.

Bonita.

Simpática.

Colega de escola.

E carregando uma conexão com o Rei Demônio.

Porque neste ponto o autor já havia perdido qualquer supervisão adulta.

Haruto queria evitar socialização e terminou com uma rede de contatos formada por:

  • irmã otaku;

  • demônios;

  • dragões;

  • esqueletos agricultores;

  • golem kawaii;

  • monstros;

  • pesquisadores excêntricos;

  • figuras ligadas ao Rei Demônio.

O homem possui o LinkedIn mais extraordinário daquele continente.

E continua dizendo:

“Não gosto muito de gente.”


17. A professora pocket edition

Então aparece Tearietta.

A professora/pesquisadora em versão compacta.

Pequena no tamanho.

Gigantesca na capacidade de transformar qualquer situação acadêmica em outra camada de insanidade.

E ainda aparecem livros, teorias e nomes tão compridos que parecem ter sido escritos por alguém que cobrou o autor por caractere.

Nesse ponto nossa hipótese científica torna-se inevitável.

A sala dos roteiristas provavelmente continha:

1.000.000 de chimpanzés.

100.000 máquinas de escrever.

Quantidade industrial de saquê.

Chimpanzé nº 17:

“Clone preguiçoso!”

Chimpanzé nº 4.823:

“Esqueletos agricultores!”

Chimpanzé nº 78.201:

“Golem menina!”

Chimpanzé nº 430.112:

“Dragão hikikomori!”

Chimpanzé nº 791.443:

“REI DEMÔNIO GATONA!”

Chimpanzé nº 999.999:

“PROFESSORA MINIATURA!”

Sai Sumimori:

“PUBLICA.”

E contra todas as leis conhecidas da engenharia...

RC=00


18. A mesa-redonda e o verdadeiro poder de Haruto

Há momentos em que situações absurdamente importantes estão acontecendo na escola.

Qualquer protagonista convencional iria correndo.

Haruto desenvolveu outra metodologia.

resolver o problema deitado.

Isso resume magnificamente sua evolução.

Ele não procura novas maneiras de ficar mais poderoso.

Já possui poder suficiente.

Ele procura novas maneiras de:

reduzir sua participação presencial nos acontecimentos.

Clone.

Comunicação remota.

Barreiras.

Monitoramento.

Delegação.

Automação.

O sujeito praticamente inventou home office mágico.

Incidente na escola?

SEVERITY = HIGH

Responsável?

HARUTO

Local do responsável?

SOFÁ

Situação?

DEITADO

Problema resolvido?

YES

É o L3 definitivo.


19. O esqueleto que fala demais

Existe, porém, um inimigo contra o qual nem o poder absurdo de Haruto oferece proteção suficiente.

O chefe esqueleto.

Não porque seja poderoso.

PORQUE FALA DEMAIS.

O sujeito começa uma explicação.

Haruto mentalmente:

“Bla bla bla bla bla...”

É maravilhoso.

Haruto não está impressionado porque existe um morto-vivo inteligente diante dele.

Seu problema é muito mais sério:

o esqueleto transformou um e-mail de três linhas numa reunião de quarenta minutos.

Finalmente encontramos o verdadeiro boss.


20. Charlotte é quem realmente transportou Haruto para outro mundo

E aqui está talvez minha interpretação favorita da série.

Haruto morreu.

Reencarnou.

Recebeu poderes.

Descobriu que era absurdamente forte.

Nada disso realmente mudou sua personalidade.

Ele continuou querendo o quarto.

O sofá.

Os animes.

O isolamento.

Então apareceu Charlotte.

Ela não “cura” Haruto de ser hikikomori.

Isso seria barato.

Ela simplesmente se torna:

uma pessoa pela qual vale a pena sair do quarto.

Existe uma diferença enorme.

Haruto continua não querendo salvar o mundo.

Mas mexa com Charlotte.

Aí teremos incidente.

Ele não precisa amar a sociedade.

Aprende a amar algumas pessoas dentro dela.

Charlotte não executou:

DELETE HIKIKOMORI

Executou:

ALTER HIKIKOMORI ADD FAMILY

E talvez seja exatamente por isso que os dois funcionam tão bem.


21. O legado invisível de Gold

Quando olhamos Pandemônio depois de conhecer a história de Gold, percebemos algo ainda mais bonito.

Gold encontrou alguém rejeitado e disse:

“Você pode viver conosco.”

Haruto cresce.

Encontra criaturas rejeitadas.

E diz, à sua maneira:

“Podem viver aqui.”

Os esqueletos recebem abrigo.

Depois chegam outros monstros.

E os esqueletos trabalham para alimentá-los.

A dragão perde tudo.

Recebe um novo lar.

Depois uma biblioteca.

A bondade atravessa personagens.

Não porque alguém ordenou.

Mas porque alguém começou.


22. O reino criado pelo homem que não queria governar

Haruto não deseja ser rei.

Não quer conquistar território.

Não procura súditos.

Não precisa que ninguém o adore.

Isso talvez seja justamente o motivo pelo qual Pandemônio funciona.

Sua constituição não oficial poderia possuir apenas três artigos:

Artigo 1º — Viva como quiser.

Artigo 2º — Deixe os outros viverem como quiserem.

Artigo 3º — Não encham o saco do Haruto.

O esqueleto-chefe provavelmente acrescentaria mais 143 artigos.

Haruto:

“BLA BLA BLA. APROVADO.”


23. Por que Jitsu wa Ore faz você se sentir bem?

Talvez esta seja a maior qualidade da série.

Você termina um episódio...

bem.

Não necessariamente porque houve uma batalha espetacular.

Não porque apareceu uma animação que custou o PIB de um pequeno país.

Mas porque você quer permanecer com aquelas pessoas.

Esse é um teste muito importante para qualquer obra.

Depois de algum tempo, você não está perguntando apenas:

“O que acontecerá no próximo episódio?”

Está perguntando:

“Que merda essa turma vai aprontar agora?”

E isso significa que o anime conseguiu criar companhia.

Ele vira comfort anime.

Aquele tipo de série que você coloca à noite e sabe que provavelmente terminará os próximos vinte minutos sorrindo.


24. Não espere o próximo Mushoku Tensei

Se você entrar esperando uma construção de mundo monumental, talvez se decepcione.

Se esperar o peso psicológico de Re:Zero, também.

Se procurar batalhas gigantescas e animação revolucionária, existem escolhas melhores.

Mas talvez essa seja justamente a maneira errada de assistir Jitsu wa Ore.

Ele não está tentando ganhar essa competição.

Seu charme está no cotidiano absurdo.

Na família.

Nas amizades improváveis.

Nas pequenas piadas.

No carinho escondido atrás da preguiça de Haruto.

E naquela sensação maravilhosa de:

“Só mais um episódio.”


25. O milhão de chimpanzés produziu literatura

No papel, nada disso deveria funcionar junto.

Hikikomori.

Protagonista overpower.

Irmã otaku.

Streaming mágico.

Clone sindicalizado.

Demônio.

Esqueletos agricultores.

Golem kawaii.

Dragão hikikomori de 300 anos.

Rei Demônio na escola.

Professora pocket.

Sociedade de monstros.

Home office mágico.

Sofá.

Parece que alguém colocou ideias aleatórias dentro de um liquidificador.

E estranhamente...

funciona.

Porque existe uma cola por baixo de tudo:

pertencimento.

Os personagens mais estranhos daquele mundo encontram outros personagens estranhos.

E ninguém precisa deixar de ser estranho para ficar.


Epílogo — O homem mais forte do mundo está ocupado assistindo anime

Talvez Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita? não seja uma obra-prima do isekai.

Mas descobri algo melhor.

É uma obra que dá vontade de voltar.

Você gosta daquela família.

Gosta de Pandemônio.

Gosta dos esqueletos.

Quer que Liz tenha muitos livros.

Quer descobrir qual será a próxima maluquice de Charlotte.

Quer ver Haruto encontrar uma maneira ainda mais sofisticada de evitar trabalho.

E quando os créditos aparecem...

você sorri.

Depois procura imediatamente:

“Próximo episódio.”

Esse sentimento vale muito.

Haruto começou sua segunda vida tentando reconstruir o isolamento da primeira.

Só que aconteceu uma coisa terrível.

Encontrou pessoas de quem gosta.

Depois monstros.

Depois esqueletos.

Depois demônios.

Depois dragões.

Depois uma civilização inteira.

O homem recebeu poderes suficientes para conquistar o mundo...

...e os utilizou para construir um lugar onde todo mundo pudesse simplesmente viver em paz.

Preferencialmente sem reuniões.

Porque existe limite para tudo.

Então, caro otaku, se você passou por Jitsu wa Ore, Saikyō Deshita? na lista e pensou:

“Outro isekai de protagonista overpower...”

Faça um favor a si mesmo.


Dê uma chance.

Talvez você encontre exatamente o que eu encontrei:

uma comédia completamente maluca, surpreendentemente carinhosa e perigosamente confortável.

E quando uma dragão disser que passou 300 anos reclusa, não sinta pena imediatamente.

Observe Haruto.

Ele saberá reconhecer aquilo que você está vendo.

Uma profissional.

Outro nível.

☕🐉💀❤️

JITSU-WA-ORE

EXPECTATION = GENERIC ISEKAI

RESULT = WHOLESOME CHAOS

HAPPINESS = +100

NEXT EPISODE = YES

RC = 00



domingo, 17 de março de 2024

CI/CD no Mainframe: Como um Programador COBOL Pode Entrar na Era da Entrega Contínua Sem Esquecer Tudo o que Aprendeu

 

Bellacosa Mainframe CI/CD no Mainframe

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CI/CD no Mainframe: Como um Programador COBOL Pode Entrar na Era da Entrega Contínua Sem Esquecer Tudo o que Aprendeu

"O problema nunca foi o COBOL. O problema sempre foi imaginar que um processo criado há 40 anos precisa continuar igual para sempre."

Durante décadas, o desenvolvimento em IBM Mainframe seguiu um ritual quase sagrado.

O programador alterava um programa COBOL.

Executava alguns testes.

Enviava o fonte para uma biblioteca de homologação.

Alguém fazia uma revisão.

Outro profissional gerava o package.

Outro realizava o BIND.

Outro submetia o JOB.

Dias depois, talvez semanas, aquela alteração finalmente chegava à produção.

Esse modelo funcionou.

Aliás...

Ele continua funcionando em milhares de empresas.

Mas o mercado mudou.

Hoje bancos digitais publicam dezenas de versões por dia.

Fintechs liberam pequenas correções continuamente.

Empresas querem reduzir riscos fazendo pequenas entregas em vez de grandes implantações trimestrais.

É justamente aí que entra o CI/CD.

E não...

CI/CD não significa abandonar o Mainframe.

Significa modernizar a maneira de trabalhar com ele.


Antes de tudo: o que significa CI/CD?

CI significa Continuous Integration.

CD significa Continuous Delivery ou Continuous Deployment.

São conceitos diferentes.

Continuous Integration

É a prática de integrar alterações ao repositório principal várias vezes ao dia.

Em vez de esperar uma semana para juntar o trabalho de dez programadores, cada alteração pequena é integrada rapidamente.

Isso reduz conflitos.

Reduz retrabalho.

Reduz surpresas.


Continuous Delivery

Depois que o código foi integrado, ele já está preparado para ser implantado.

Existe uma "linha de montagem".

Cada etapa acontece automaticamente.

Por exemplo:

  • compilação

  • geração de DBRM

  • BIND

  • testes

  • análise de qualidade

  • empacotamento

  • aprovação

  • implantação

Tudo acontece de forma repetível.


Continuous Deployment

Vai além.

Após todos os testes serem aprovados, a implantação ocorre automaticamente.

Nem todas as empresas permitem isso no Mainframe.

E tudo bem.

Em ambientes bancários, normalmente existe uma aprovação humana antes da produção.


Como nasceu o CI/CD?

Nos anos 90, os projetos começaram a ficar enormes.

Cada desenvolvedor trabalhava isoladamente.

Quando chegava a hora de integrar tudo...

Era um verdadeiro pesadelo.

Esse problema ficou conhecido como Integration Hell.

Martin Fowler e outros especialistas passaram a defender integrações frequentes.

Mais tarde, o movimento Agile fortaleceu essa ideia.

Depois veio o DevOps.

E finalmente surgiram pipelines automatizados.

Hoje praticamente toda aplicação moderna utiliza CI/CD.

Inclusive aplicações que executam em IBM Z.


"Mas Mainframe sempre teve automação..."

Essa é uma observação extremamente interessante.

Muito antes de existir Jenkins...

Muito antes de existir GitHub Actions...

Muito antes de existir Azure DevOps...

O Mainframe já possuía automação.

Pense em:

  • JCL

  • PROCs

  • Scheduler

  • CA-7

  • Control-M

  • IBM Workload Scheduler

  • REXX

  • CLIST

Na prática...

O Mainframe já automatizava tarefas quando muitos servidores ainda nem existiam.

O que mudou foi a filosofia.

Antes automatizávamos jobs.

Hoje automatizamos todo o ciclo de desenvolvimento.

Essa diferença muda completamente a produtividade.


O velho processo

Imagine um desenvolvedor COBOL.

Ele altera:

CLIENTE01.CBL

Depois precisa:

  • compilar

  • gerar load

  • atualizar DBRM

  • fazer BIND

  • solicitar implantação

  • enviar documentação

  • abrir chamado

  • esperar aprovação

Cada etapa depende de uma pessoa.

Cada pessoa gera espera.

Cada espera aumenta o tempo.

Cada demora aumenta o custo.


O processo moderno

Agora imagine outra empresa.

O desenvolvedor apenas faz:

git commit
git push

O restante acontece sozinho.

Pipeline:

↓

Compila COBOL

↓

Executa testes

↓

Executa análise estática

↓

Compila DB2

↓

Gera Package

↓

Executa BIND

↓

Publica artefatos

↓

Implanta homologação

↓

Notifica equipe

↓

Solicita aprovação

↓

Produção

O programador continua escrevendo COBOL.

Quem mudou foi o processo.


O Git substitui o Endevor?

Essa é uma das perguntas mais comuns.

Resposta curta:

Depende.

Muitas empresas continuam usando:

  • Endevor

  • Changeman

  • ISPW

Outras utilizam Git integrado.

Algumas usam ambos.

Hoje existem integrações excelentes entre Git e ambientes z/OS.

O importante não é abandonar uma ferramenta.

É automatizar o fluxo.


Como funciona uma pipeline Mainframe?

Uma pipeline normalmente possui etapas bem definidas.

Etapa 1

Receber alteração.

git push

Etapa 2

Executar compilação.

COBOL.

PLI.

Assembler.

Easytrieve.

Natural.


Etapa 3

Executar análise de qualidade.

Exemplo:

  • variáveis não utilizadas

  • SQL incorreto

  • COPY duplicado

  • warnings

  • complexidade


Etapa 4

Executar testes.

Hoje existem ferramentas como:

  • zUnit

  • IBM Test Accelerator

  • Micro Focus Unit Test


Etapa 5

Gerar artefatos.

LOAD MODULE

DBRM

Package

Objetos


Etapa 6

Implantar automaticamente.

Dependendo da empresa:

  • Desenvolvimento

  • Integração

  • Homologação

  • Produção


O que muda para um programador COBOL?

Muita coisa.

Mas não na linguagem.

Na forma de trabalhar.

Antes:

"Funcionou na minha LPAR."

Agora:

"O pipeline precisa aprovar."

Antes:

"O compilador aceitou."

Agora:

"Todos os testes precisam passar."

Antes:

"Eu testei."

Agora:

"O teste automatizado comprovou."

Essa mudança cultural é enorme.


O programador passa a escrever testes

Isso assusta muitos profissionais.

Mas pense da seguinte forma.

Se você altera um cálculo de juros.

Como garante que não quebrou o restante?

Criando testes.

Os testes viram documentação viva.

E principalmente...

Protegem seu código daqui a cinco anos.


Qualidade deixa de ser opcional

Em muitas empresas modernas:

Código com warning...

Não passa.

Cobertura baixa...

Não passa.

Duplicação elevada...

Não passa.

Complexidade excessiva...

Não passa.

O pipeline torna-se um fiscal automático.


O papel do JCL muda?

Não.

Na verdade...

Ele ganha ainda mais importância.

Toda pipeline Mainframe executa JCL.

Compilação.

Link-edit.

BIND.

RUN.

Utility.

IDCAMS.

SORT.

Tudo continua passando pelo bom e velho JCL.

A diferença é que ele agora faz parte de um fluxo automatizado.


Ferramentas comuns

Hoje encontramos diversas soluções.

IBM Dependency Based Build (DBB)

Permite construir aplicações Mainframe utilizando Git e pipelines modernas.


Jenkins

Muito usado para orquestrar pipelines.


GitHub Actions

Integra facilmente repositórios Git.


GitLab CI

Muito utilizado em ambientes híbridos.


Azure DevOps

Cada vez mais presente em grandes empresas.


UrbanCode Deploy

Muito forte para implantação empresarial.


Ansible

Automação de infraestrutura.

Inclusive para IBM Z.


O que exige atenção?

Nem tudo são flores.

Alguns cuidados são fundamentais.

Dependências

Um programa COBOL pode utilizar dezenas de COPYBOOKS.

Uma alteração em COPY pode impactar centenas de programas.

A pipeline precisa descobrir essas dependências.


Ordem de compilação

No mundo distribuído isso costuma ser simples.

No Mainframe nem sempre.

Existem:

COPY

DBRM

BMS

Mapsets

PSB

DBD

Macros

Assembler

Tudo possui ordem correta.


Segurança

Automatizar não significa liberar tudo.

Pipelines precisam utilizar:

RACF

certificados

tokens

controle de acesso

segregação de funções

auditoria


Aprovação

Nem toda implantação deve ser automática.

Em ambientes regulados:

bancos

seguros

governo

saúde

geralmente existe aprovação humana.


Os riscos

Automação ruim automatiza erros.

Se o pipeline estiver incorreto...

O erro será reproduzido centenas de vezes.

Outro risco:

Implantar rapidamente código mal testado.

Velocidade sem qualidade é perigosa.

CI/CD não elimina responsabilidade.

Ele aumenta a responsabilidade.


Um erro clássico

Um desenvolvedor altera um COPYBOOK.

Compila apenas seu programa.

Tudo funciona.

Produção falha.

Por quê?

Porque outros 700 programas dependiam daquele COPY.

Uma pipeline moderna detecta esse impacto automaticamente.


Outro erro clássico

"Vamos automatizar tudo."

Sem documentação.

Sem padronização.

Sem versionamento.

Resultado?

Caos automatizado.

Automação precisa nascer de processos bem definidos.


A evolução do papel do programador

Há vinte anos.

O programador escrevia código.

Hoje ele precisa compreender:

Git

Branches

Merge

Pipeline

Testes

Qualidade

Observabilidade

Versionamento

Entrega

Automação

Isso não significa virar DevOps.

Significa entender o ciclo completo.


Curiosidades

Pouca gente sabe, mas muitos bancos já executam pipelines modernas para COBOL.

Algumas empresas realizam centenas de compilações automáticas diariamente.

Existem ambientes em que um simples Pull Request dispara:

  • compilação COBOL

  • geração de DBRM

  • testes

  • análise de qualidade

  • implantação automática em ambiente de integração

Tudo em poucos minutos.

Algo que antigamente podia consumir vários dias.


CI/CD elimina o analista de produção?

Não.

Ele muda de função.

Em vez de executar tarefas repetitivas.

Passa a administrar pipelines.

Governança.

Qualidade.

Segurança.

Métricas.

Automação.

Seu trabalho torna-se mais estratégico.


Vantagens

Os ganhos são enormes.

  • Menos erros humanos.

  • Entregas menores e mais seguras.

  • Feedback quase imediato.

  • Redução do retrabalho.

  • Maior rastreabilidade.

  • Auditoria facilitada.

  • Padronização dos processos.

  • Menor tempo entre desenvolvimento e produção.

  • Melhor qualidade do software.

  • Maior confiança nas implantações.


E as desvantagens?

Também existem.

  • Curva de aprendizado.

  • Mudança cultural.

  • Investimento inicial.

  • Necessidade de testes automatizados.

  • Dependência de boas práticas.

  • Necessidade de revisão das esteiras existentes.

Empresas que tentam implantar CI/CD apenas comprando ferramentas normalmente fracassam.

O sucesso está na mudança de cultura.


O futuro

A próxima evolução já começou.

Pipelines inteligentes.

IA revisando código COBOL.

Agentes analisando impacto.

Testes sendo gerados automaticamente.

Análise de risco baseada em Machine Learning.

Deploy assistido por Inteligência Artificial.

Tudo isso já está chegando ao IBM Z.

O programador que entender CI/CD hoje estará muito mais preparado para trabalhar com essas tecnologias amanhã.


Conclusão

Durante muito tempo acreditou-se que modernizar o Mainframe significava substituir COBOL.

A realidade mostrou exatamente o contrário.

Os maiores bancos, seguradoras e empresas do mundo continuam confiando no IBM Z para executar suas cargas mais críticas. O que mudou não foi a robustez da plataforma, mas a forma como desenvolvemos, testamos e entregamos software.

CI/CD não é uma moda importada do mundo distribuído. É a evolução natural da automação que o próprio Mainframe sempre cultivou. A diferença é que agora automatizamos toda a jornada do desenvolvimento, desde o primeiro commit até a implantação em produção, com rastreabilidade, testes, segurança e governança.

Para o Programador COBOL Padawan, a maior transformação não está em aprender uma nova linguagem, mas em adotar uma nova mentalidade. Continuará escrevendo PROCEDURE DIVISION, manipulando VSAM, DB2, CICS e JCL, porém trabalhando em equipes colaborativas, utilizando Git, pipelines, testes automatizados e revisão contínua de código.

No fim das contas, o COBOL continua sendo o motor. O CI/CD passa a ser a esteira inteligente que garante que esse motor seja atualizado com segurança, rapidez e qualidade.

Porque no universo do IBM Mainframe, o futuro não pertence a quem escreve mais linhas de código.

Pertence a quem consegue entregar valor ao negócio com confiança, repetibilidade e excelência.

E essa é, talvez, a maior evolução que um verdadeiro Padawan pode aprender.

 


sábado, 16 de março de 2024

🧾 JCL – Linha do Tempo Completa

 


🧾 JCL – Linha do Tempo Completa

Do cartão perfurado ao DevOps no z/OS



🧠 Antes do JCL (anos 1950 – início dos 60)

Contexto

  • Programas rodavam em batch puro, controlados manualmente.

  • Operadores plugavam cabos, montavam fitas, ajustavam switches.

  • Cada sistema tinha seu próprio “jeito” de rodar jobs.

📌 Problema:
Não existia uma linguagem padrão para dizer o que rodar, quando e com quais recursos.

👉 Solução da IBM: criar uma linguagem declarativa para controlar o sistema.


🟦 1964 – NASCE O JCL (OS/360)

Sistema: OS/360
Hardware: IBM System/360
Evento histórico: um único SO para toda a linha de hardware.

O que surge

  • JCL formalmente introduzido

  • Conceitos fundamentais:

    • //JOB

    • //EXEC

    • //DD

  • Sintaxe baseada em cartões perfurados

  • Colunas fixas, 80 caracteres, tolerância zero a erro

📌 Impacto

  • Pela primeira vez, o operador deixa de decidir tudo manualmente

  • O job descreve:

    • programa

    • datasets

    • dispositivos

    • prioridade

🧨 Easter Egg histórico

Fred Brooks (IBM) disse que JCL foi uma das linguagens mais difíceis já criadas —
mas impossível de abandonar.


🟨 1966–1971 – JCL no DOS/360 e OS/360 amadurece

Sistemas: DOS/360, OS/360 MFT/MVT

Evolução

  • Pequenas variações de JCL entre DOS e OS

  • Mais parâmetros em DD

  • Introdução de:

    • datasets temporários

    • concatenação

    • procedimentos simples

📌 Nota Bellacosa
Aqui nasce a primeira dor do mainframer:
👉 “Esse JCL roda no MVT mas não no DOS?”


🟧 1972–1974 – A Era do Virtual Storage (OS/VS → MVS)

Sistemas: OS/VS1, OS/VS2, depois MVS

O que muda no JCL

  • Nada quebra (compatibilidade total)

  • Mas o poder cresce:

    • mais steps

    • mais memória

    • mais jobs simultâneos

  • Procedures catalogadas se tornam padrão

  • JCL passa a ser infraestrutura crítica

📌 Marco invisível
O JCL deixa de ser “controle de job”
e vira linguagem de orquestração do datacenter.


🟥 Final dos anos 70 – JES2 / JES3

Subsistemas: JES2 e JES3

Evolução prática

  • JCL começa a dialogar mais com o spool

  • Controle refinado de:

    • SYSOUT

    • classes

    • prioridades

  • Ambientes multi-LPAR começam a surgir

🧠 Filosofia
JCL continua simples…
mas o ambiente em volta vira um monstro.


🟪 Anos 80 – Estabilidade Absoluta

Sistemas: MVS/XA, MVS/ESA

O que muda

  • Quase nada na sintaxe

  • Muitos novos parâmetros

  • JCL vira uma “linguagem fossilizada viva”

📌 Realidade
Um JCL de 1975 ainda roda.
Um COBOL também.
O estagiário não.


🟩 1995 – OS/390 (o JCL entra na era corporativa moderna)

Sistema: OS/390

Evolução

  • Consolidação:

    • MVS

    • JES

    • DFSMS

  • JCL passa a lidar fortemente com:

    • SMS

    • storage groups

    • políticas corporativas

📌 Mudança cultural
O JCL deixa de ser “do operador”
e vira ativo estratégico da empresa.


🟦 2000 – z/OS nasce (JCL entra no século XXI)

Sistema: z/OS 1.1

O que muda (sem quebrar nada)

  • Integração com:

    • Unix System Services (USS)

    • arquivos POSIX

  • JCL agora convive com:

    • shell scripts

    • Java

    • C/C++

  • Melhor controle condicional

📌 Importante
Nenhum “JCL 2.0”
Nenhuma revolução sintática
👉 só evolução silenciosa.


🟨 2005–2015 – JCL + Automação

Novidades

  • IF / THEN / ELSE / ENDIF no JCL

  • Mais lógica declarativa

  • Menos dependência de retorno via utilitários externos

📌 JCL começa a pensar
Não é programação…
mas já decide caminhos.


🟧 2016–2020 – JCL encontra o DevOps

Mudanças indiretas

  • JCL versionado em Git

  • Edição em VS Code (Z Open Editor)

  • Integração com pipelines

  • JCL analisado, validado, automatizado

🧠 Paradoxo
A linguagem mais antiga do datacenter
vira parte do pipeline moderno.


🟥 2020–2025 – JCL nos z/OS atuais (2.5, 3.x)

Situação atual

  • JCL continua:

    • estável

    • retrocompatível

    • crítico

  • Novos parâmetros continuam surgindo

  • Integração com:

    • Zowe

    • APIs

    • observabilidade

    • automação corporativa

📌 Verdade absoluta
Se o JCL parar,
o banco para.
O país sente.


🧭 Linha do tempo resumida

AnoSistemaEstado do JCL
1964OS/360JCL nasce
1974MVSJCL escala
1980sMVS/XA/ESAJCL estabiliza
1995OS/390JCL corporativo
2000z/OSJCL moderno
2010sz/OSJCL condicional
2020sz/OS 3.xJCL + DevOps

☕ Comentário final (Bellacosa Mode ON)

JCL não evoluiu para agradar desenvolvedores.
Evoluiu para não quebrar o mundo.

Enquanto linguagens vêm e vão,
o JCL permanece,
silencioso, feio, poderoso
e absolutamente indispensável.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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