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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

🧿📜 Shikigami — Os Scripts Espirituais que Executam Ordens no Mundo Invisível

 

Bellacosa Mainframe explora os shikigami

🧿📜 Shikigami — Os Scripts Espirituais que Executam Ordens no Mundo Invisível

Se yokai são processos autônomos e ayakashi são bugs emocionais…
os Shikigami são scripts invocados sob comando direto.

Eles não agem por vontade própria.
Eles executam.

E se você errar a instrução…
o erro não dá rollback.


🧠 Conceito — Invocação como Código

O termo Shikigami (式神) pode ser entendido como:

  • “espírito comandado”
  • “entidade invocada”
  • “servo espiritual”

📌 Bellacosa traduz:

Shikigami = script que executa tarefas no plano espiritual.


📜 Origem — O Sistema Operacional do Onmyōdō

Os shikigami vêm do Onmyōdō, sistema esotérico japonês baseado em:

  • Yin-Yang (equilíbrio de forças)
  • Elementos naturais
  • Astrologia e espiritualidade

Figura central:

👉 Abe no Seimei — o “arquiteto root” dos shikigami

📌 Ele era conhecido por:

  • Invocar espíritos
  • Controlar entidades invisíveis
  • Operar no limite entre mundo físico e espiritual

🧬 Classificação — Não São Monstros, São Ferramentas

Shikigami não são criaturas independentes como yokai.

Eles são:

  • 🧿 Espíritos controlados
  • 📜 Manifestados via talismãs
  • 🧠 Dependentes do invocador
  • ⚙️ Extensões da vontade do usuário

👉 Em termos técnicos:

Não são processos autônomos — são subprocessos.


👁 Aparência — Do Papel ao Pesadelo

Formas comuns:

  • Papéis animados (ofuda)
  • Animais espirituais (raposas, aves)
  • Criaturas humanoides
  • Entidades grotescas

📌 Regra:

Quanto mais forte o invocador… mais complexo o “código”.


⚙️ Funcionamento — Execução Sob Comando

Para invocar um shikigami:

  1. Preparação espiritual
  2. Uso de talismãs
  3. Canalização de energia
  4. Comando direto

👉 Ele então:

  • Ataca
  • Espiona
  • Protege
  • Executa tarefas específicas

📌 Bellacosa:

Input errado = comportamento inesperado.


🎲 Atributos (Estilo RPG/Anime)

  • Dependência: Alta (do invocador)
  • Força: Variável
  • Inteligência: Limitada ou programada
  • Habilidades:
    • Ataque espiritual
    • Selamento
    • Rastreamento
    • Defesa

🧠 Comportamento

  • Não têm vontade própria (em teoria)
  • Seguem ordens
  • Podem se rebelar se mal controlados
  • Refletem o poder do invocador

👉 São estáveis… até não serem.


🤫 Fofoquices Espirituais

  • Dizem que invocadores fracos perdem controle
  • Alguns shikigami “ganham consciência” com o tempo
  • Mestres escondem seus shikigami mais poderosos
  • Há histórias de shikigami que mataram seus próprios donos

📌 Fofoquinha:

Nem todo script aceita ser encerrado.


🕹️ Easter Eggs nos Animes

  • Jujutsu Kaisen → invocações como shikigami (Megumi)
  • Naruto → invocações têm base conceitual semelhante
  • Onmyoji → representação direta
  • Nioh → uso histórico e espiritual

🎮 Easter Egg clássico:

Todo summon controlado em anime tem DNA de shikigami.


🧠 Diferença Rápida (Bellacosa Mode)

EntidadeFunção
YokaiProcesso autônomo
AyakashiBug emocional
MajuuMonstro físico
ShikigamiScript controlado

🧠 Interpretação Profunda

Shikigami representam:

  • Controle sobre o invisível
  • Poder mediado por conhecimento
  • Relação entre criador e criação
  • Responsabilidade sobre aquilo que você invoca

📌 Comentário Final — O Poder Não Está no Espírito

Você pode:

  • Invocar
  • Controlar
  • Executar

Mas no final…

o risco nunca está no shikigami
está em quem escreveu o comando.


🔥 Conclusão — Nem Todo Código Deve Ser Executado

No mundo dos animes (e da vida):

  • Nem tudo que pode ser invocado deve ser usado
  • Nem todo controle é absoluto
  • Nem toda ferramenta é segura

Porque quando você começa a rodar scripts no invisível…

você também passa a fazer parte do sistema.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

☕💥 VSAM sem Mistério: Do Zero ao Jedi dos Datasets — O LAB que vai destravar sua mente Mainframe!

 

Bellacosa Mainframe VSAM em primeiros passos para padawans

☕💥 VSAM sem Mistério: Do Zero ao Jedi dos Datasets — O LAB que vai destravar sua mente Mainframe!

Se você é um padawan COBOL tentando entender VSAM e ainda acha que KSDS é nome de sindicato… chegou a hora da virada.

Aqui não tem teoria chata. É mão na massa, com JCL, IDCAMS, conceitos e aquele tempero Bellacosa: história + prática + sacadas que só quem já tomou dump às 3 da manhã entende 😄


🧠 ANTES DE COMEÇAR — O MAPA DA FORÇA (VSAM em 1 minuto)

VSAM (Virtual Storage Access Method) é o método de acesso mais poderoso do z/OS para dados estruturados.

👉 Tipos principais:

  • ESDS → Sequencial (sem chave)
  • KSDS → Indexado (com chave)
  • RRDS → Acesso direto por número (RRN)

👉 Conceitos fundamentais:

  • CI (Control Interval) → menor unidade de I/O
  • CA (Control Area) → conjunto de CIs
  • INDEX → árvore B usada no KSDS

🧪 LAB 1 — Criando seu primeiro ESDS (o “arquivo raiz”)

🎯 Objetivo

Criar um dataset sequencial VSAM.

🔧 JCL + IDCAMS

//ESDSJOB JOB (ACCT),'LAB ESDS',CLASS=A,MSGCLASS=X
//STEP1 EXEC PGM=IDCAMS
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSIN DD *
DEFINE CLUSTER(NAME(LAB.VSAM.ESDS)
RECORDSIZE(80 80)
TRACKS(1 1)
CISZ(4096)
NONINDEXED)
/*

💡 Insights Bellacosa

  • ESDS não tem chave → leitura sequencial pura
  • Ideal para logs, trilhas, arquivos históricos
  • CISZ(4096) → tuning começa aqui!

🧪 LAB 2 — KSDS: o cérebro do VSAM (com índice)

🎯 Objetivo

Criar um dataset indexado com chave.

🔧 JCL

//KSDSJOB JOB (ACCT),'LAB KSDS',CLASS=A,MSGCLASS=X
//STEP1 EXEC PGM=IDCAMS
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSIN DD *
DEFINE CLUSTER(NAME(LAB.VSAM.KSDS)
RECORDSIZE(80 80)
KEYS(10 0)
INDEXED
TRACKS(1 1)
CISZ(4096))
/*

💡 Insights de guerra

  • KEYS(10 0) → chave começa na posição 0 com tamanho 10
  • KSDS usa árvore B (index) → acesso rápido tipo DB2-lite
  • Pode acessar:
    • sequencial
    • random (pela chave)

🧪 LAB 3 — RRDS: acesso direto estilo “memória RAM”

🎯 Objetivo

Criar dataset por número relativo.

🔧 JCL

//RRDSJOB JOB (ACCT),'LAB RRDS',CLASS=A,MSGCLASS=X
//STEP1 EXEC PGM=IDCAMS
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSIN DD *
DEFINE CLUSTER(NAME(LAB.VSAM.RRDS)
RECORDSIZE(80 80)
NUMBERED
TRACKS(1 1)
CISZ(4096))
/*

💡 Sacada ninja

  • Acesso via RRN (Relative Record Number)
  • Tipo array:
    • Registro 1
    • Registro 2
    • Registro 3…

👉 Muito usado em sistemas antigos de alta performance


🔍 LAB 4 — Explorando INDEX (o segredo do KSDS)

🎯 Ver o INDEX

//LISTCAT JOB (ACCT),'LISTCAT',CLASS=A,MSGCLASS=X
//STEP1 EXEC PGM=IDCAMS
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//SYSIN DD *
LISTCAT ENT(LAB.VSAM.KSDS) ALL
/*

💡 O que observar:

  • INDEX LEVELS
  • CI/CA splits
  • FREESPACE

👉 Aqui você começa a pensar como performance engineer 😎


⚙️ LAB 5 — Brincando com CI e CA (onde mora a performance)

🎯 Criar KSDS com tuning

DEFINE CLUSTER(NAME(LAB.VSAM.KSDS.TUNED)
RECORDSIZE(80 80)
KEYS(10 0)
CISZ(8192)
FREESPACE(20 10)
INDEXED)

💡 Tradução prática

  • CISZ(8192) → menos I/O (mais dados por leitura)
  • FREESPACE(20 10):
    • 20% no CI
    • 10% no CA

👉 Evita CA SPLIT (o terror do desempenho)


🔥 LAB 6 — Carga de dados (REPRO)

//LOADJOB JOB (ACCT),'LOAD',CLASS=A,MSGCLASS=X
//STEP1 EXEC PGM=IDCAMS
//SYSPRINT DD SYSOUT=*
//INFILE DD *
0000000001CLIENTE001
0000000002CLIENTE002
/*
//OUTFILE DD DSN=LAB.VSAM.KSDS,DISP=SHR
//SYSIN DD *
REPRO INFILE(INFILE) OUTFILE(OUTFILE)
/*

💻 LAB 7 — COBOL acessando VSAM (o momento Jedi)

📌 Exemplo KSDS

SELECT ARQ-KSDS ASSIGN TO 'LAB.VSAM.KSDS'
ORGANIZATION IS INDEXED
ACCESS MODE IS RANDOM
RECORD KEY IS WS-KEY.

FD ARQ-KSDS.
01 REGISTRO.
05 WS-KEY PIC X(10).
05 WS-DADOS PIC X(70).

🧠 MENTALIDADE DE PRODUÇÃO (ouro puro)

👉 ESDS = simples, rápido, bruto
👉 KSDS = flexível, poderoso, mais caro
👉 RRDS = ultra rápido, mas limitado

👉 Problemas reais que você vai ver:

  • CI SPLIT
  • CA SPLIT
  • Fragmentação
  • Performance degradando com o tempo

⚡ DESAFIO FINAL (modo Bellacosa ON)

  1. Crie um KSDS com chave cliente
  2. Insira 100 registros
  3. Faça leitura random via COBOL
  4. Gere LISTCAT antes/depois
  5. Analise splits

👉 Se você fizer isso, você deixou de ser padawan.


FECHAMENTO

VSAM não é só dataset.

É:

  • engenharia de performance
  • organização de dados
  • base de sistemas críticos há décadas

E quando você entende CI, CA e INDEX…

👉 você começa a enxergar o mainframe como ele realmente é.


quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Como os algoritmos sequestraram a liberdade de escolha

 


Como os algoritmos sequestraram a liberdade de escolha

Quando a internet decide por você

A promessa inicial da internet era simples: liberdade. Escolher o que ler, o que assistir, o que explorar. Mas, pouco a pouco, a realidade se distanciou dessa utopia. Hoje, parece que não escolhemos mais — somos escolhidos por algoritmos.

Mas como isso aconteceu? E por que sentimos que nossas decisões online não são mais nossas?


1. Algoritmos como “curadores invisíveis”

Tudo que aparece no feed, no TikTok, no Instagram ou no YouTube é resultado de cálculos matemáticos. O algoritmo decide:

  • O que você verá primeiro

  • O que é “relevante” para você

  • O que gera engajamento — e, portanto, lucro

O efeito é sutil, mas poderoso: o usuário passa a acreditar que está explorando livremente, quando na verdade está sendo conduzido.


2. O princípio da recompensa constante

Algoritmos exploram gatilhos psicológicos: likes, comentários, cliques e recompensas imediatas. Cada ação é registrada e usada para refinar o conteúdo entregue.

O problema é que isso modela o comportamento, reforçando apenas aquilo que já gostamos ou com o que reagimos.
Exemplo: alguém que gosta de memes de anime tende a receber apenas memes similares, perdendo exposição a obras diferentes ou críticas construtivas.


3. Filtragem de ideias e censura algorítmica

Além de moldar gostos, os algoritmos filtram informações consideradas sensíveis, ofensivas ou politicamente arriscadas.
O resultado é:

  • Conteúdos legítimos sendo ocultados

  • Opiniões divergentes sufocadas

  • Narrativas uniformizadas

A sensação de que tudo que é fora do padrão é proibido não é coincidência — é efeito direto da automação de decisões.


4. Ilusão de escolha

O perigo é o mais sutil: acreditamos que temos autonomia. Escolhemos clicar, mas as opções já foram pré-selecionadas.

É como entrar em uma loja onde apenas algumas prateleiras são visíveis. Você acha que decide livremente, mas o inventário real é maior — e invisível.


5. Consequências culturais e individuais

  • Cultura: algoritmos uniformizam tendências e tornam o consumo previsível

  • Psicológico: reforçam bolhas, vícios de atenção e reforço de comportamentos

  • Criativo: conteúdos arriscados, inovadores ou complexos desaparecem, pois não garantem engajamento imediato

Em resumo: o algoritmo substituiu a curiosidade por conforto e previsibilidade.


6. O que ainda podemos fazer

  • Reconhecer os padrões: entender que a maioria do que vemos é curadoria automática

  • Procurar fontes alternativas: feeds não convencionais, blogs, fóruns especializados

  • Praticar consumo crítico: questionar “por que estou vendo isso?”

  • Experimentar o “offline”: criar espaço fora do fluxo de recomendação

Mesmo sob controle algorítmico, ainda existe espaço de liberdade consciente.


Conclusão

O algoritmo sequestrou a liberdade de escolha, mas não a eliminou completamente.
Ele organiza, recomenda e direciona, mas cabe ao usuário redescobrir o sentido de navegar por vontade própria.

A pergunta que fica: estamos usando a internet ou apenas sendo usados por ela?

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Debugando programa COBOL

DISPLAY e BUG TRAP as melhores maneiras de debugar um programa COBOL. Qual é a sua técnica? #ibm #mainframe #cobol #debug #trap #bug #returncode #maxcc #jcl #sdsf #job

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Conversão do REAL um grande trabalho da informática mainframe


A resiliência e a tenacidade técnica dos Analistas de Sistemas Mainframe, que em quatro dias conseguiram virar a chave, convertendo sistemas críticos para a conversão de moeda, do URV para o REAL. 



Feriado bancário na Sexta-feira, mas Segunda-feira estava tudo no ar, funcionando, quatro dias de loucura no Departamento de Informatica, muita pizza, companheirismo, horas-extra, mas sensação de dever cumprido. 




 Programas em COBOL, PLI e Natural em Sistemas Mainframe alterados para a conversão da Moeda, sem perdas ou prejuízos aos clientes e empresas. Sendo um Caso de Estudo de Sucesso, visto de perto pelas autoridades europeias, que passado 7 anos repetiram o processo na Conversão do Euro.

#ibm #mainframe #real #urv #conversao #cobol #natural #jcl #pli #db2 #adabas #job #sistemas #dev #programador #sucesso
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

⚠️ A Filosofia do Desejo em Anime

 

Bellacosa Mainframe e a filosofia do desejo em anime

⚠️ A Filosofia do Desejo em Anime

Entre o Fetiche, o Amor e o Tempo

Introdução
O desejo humano sempre foi um sistema arcaico, cheio de ruídos, desvios e obsessões.
Nos animes, ele encontra formas estéticas, narrativas e simbólicas que transformam o olhar em filosofia.
Esta série explora seis aspectos do desejo: o fetiche pelo corpo, pelo poder, pela solidão, pelo caos e, finalmente, pela eternidade.
Não se trata de pornografia nem de moralismo — trata-se de entender como o humano deseja e como o desejo se manifesta através da arte japonesa.


Índice

  1. Parte 1 — Entre o Desejo e o Estilo: 5 Animes na Fronteira do Fetichismo

  2. Parte 2 — Poder, Submissão e o Mito da Mulher Ideal

  3. Parte 3 — O Fetiche da Solidão: amor, vazio e hiperconectividade

  4. Parte 4 — O Amor como Simulação: quando o humano compete com o virtual

  5. Parte 5 — O Amor e o Fetiche do Caos: quando o desejo vira autodestruição

  6. Parte 6 — O Amor e o Fetiche da Eternidade: quando o desejo desafia o tempo


<a name="parte-1"></a>

Parte 1 — Entre o Desejo e o Estilo: 5 Animes na Fronteira do Fetichismo

Existem animes que flertam com o fetiche sem cruzar a linha do hentai.
Eles exploram o corpo, o poder e o detalhe, transformando o olhar em experiência estética.

Animes e destaques:

  • Kill la Kill (2013) — Uniformes que concedem poder e vulnerabilidade.

  • Neon Genesis Evangelion (1995) — O corpo como prisão e desejo psicológico.

  • Prison School (2015) — Controle, punição e humor exagerado.

  • Code Geass (2006) — Poder como sedução.

  • Black Lagoon (2006) — Força e agressividade feminina como fetiche.

Reflexão de Balcão:
O fetiche não é vulgaridade, é olhar, símbolo e poesia do desejo humano.

Inicio


<a name="parte-2"></a>

Parte 2 — Poder, Submissão e o Mito da Mulher Ideal

O desejo humano é ambivalente: dominar e se entregar.
Nos animes, isso aparece como poder e submissão, e o fetiche se torna filosofia visual.

Animes e destaques:

  • Code Geass — O olhar que domina e seduz.

  • Evangelion — Vulnerabilidade e confiança.

  • Personagens femininas — Rei Ayanami, Belldandy, Esdeath, Revy: ideal vs. força.

Reflexão de Balcão:
O fetiche é o que nos revela o que mais desejamos e tememos: o poder e a entrega.

Parte 2


<a name="parte-3"></a>

Parte 3 — O Fetiche da Solidão: amor, vazio e hiperconectividade

A era digital transformou o desejo em pixel, tela e notificação.
O fetiche moderno é o “quase amor”, a conexão impossível e a saudade virtual.

Animes e destaques:

  • Your Name (2016) — Amor à distância e conexão impossível.

  • Oshi no Ko (2023) — Idol como objeto de desejo consumível.

  • Sword Art Online (2012) — Amor simulado em mundos digitais.

  • Violet Evergarden (2018) — Amor traduzido em cartas e palavras.

Reflexão de Balcão:
O fetiche da solidão mostra que o toque pode não existir, mas o desejo persiste.

Parte 3


<a name="parte-4"></a>

Parte 4 — O Amor como Simulação: quando o humano compete com o virtual

O desejo humano se projeta em máquinas e inteligência artificial.
O fetiche se torna programação emocional, onde amar é interagir com a perfeição sintética.

Animes e destaques:

  • Chobits (2002) — Amor por androide que aprende a sentir.

  • Plastic Memories (2015) — Paixão por IA com prazo de validade.

  • Her (2013) — Vínculo emocional digital perfeito.

  • NieR:Automata (2017) — Androides que amam e sofrem como humanos.

Reflexão de Balcão:
O novo fetiche é amar sem risco físico, mas sentir a dor de forma intensamente real.

Parte 4


<a name="parte-5"></a>

Parte 5 — O Amor e o Fetiche do Caos: quando o desejo vira autodestruição

O amor pode ser destrutivo e fascinante ao mesmo tempo.
O fetiche do caos é amar sabendo que vai doer.

Animes e destaques:

  • Neon Genesis Evangelion (1995) — Traumas e desejo de fusão emocional.

  • Perfect Blue (1997) — A obsessão com a própria imagem.

  • Koi Kaze (2004) — Amor proibido e culpa.

  • Nana (2006) — Destruição mútua e vício afetivo.

Reflexão de Balcão:
O caos revela o humano em sua forma mais crua: desejo, dor e vulnerabilidade.

Parte 5


<a name="parte-6"></a>

Parte 6 — O Amor e o Fetiche da Eternidade: quando o desejo desafia o tempo

O último estágio do fetiche é a memória e a saudade.
O amor se torna eterno na lembrança, mesmo quando o tempo insiste em separar.

Animes e destaques:

  • Your Name (2016) — Conexão impossível e destino.

  • 5 Centimeters per Second (2007) — Amor lento e doloroso.

  • Vivy: Fluorite Eye’s Song (2021) — Amor e falha atravessando décadas.

  • The Garden of Words (2013) — Instantes suspensos, o toque que não acontece.

Reflexão de Balcão:
O fetiche da eternidade é amar alguém que talvez nunca exista — e, ainda assim, sentir-se pleno por isso.

Parte 6


Conclusão da Série

Do corpo ao espírito, do toque ao pixel, do caos à eternidade:
o anime nos ensina que o desejo humano é multifacetado.
O fetiche não é apenas sexual, mas filosófico, psicológico e estético.
É o modo de compreender o amor, a saudade, a solidão e a eternidade.

Como todo bom café de balcão, ele deixa resquícios:
uma sensação de prazer, um pouco de dor e muito sobre o que somos.


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

☕🚀 O QUE ANIMES, QUADRINHOS, CENSURA E A INQUISIÇÃO TÊM EM COMUM? UMA VIAGEM PELA PSICOLOGIA HUMANA

Bellacosa Mainframe e a censura nos animes

☕🚀 O QUE ANIMES, QUADRINHOS, CENSURA E A INQUISIÇÃO TÊM EM COMUM? UMA VIAGEM PELA PSICOLOGIA HUMANA

Ao longo das últimas semanas me peguei refletindo sobre um tema aparentemente simples.

Tudo começou com uma notícia sobre tentativas de aumentar controles e restrições sobre determinados animes e mangás japoneses.

Nada de novo.

Quando eu era adolescente, o alvo eram os quadrinhos.

Antes dos quadrinhos, foram os romances populares.

Depois vieram os videogames.

Mais tarde a internet.

Agora os animes.

A cada geração parece surgir uma nova ameaça capaz de destruir a juventude, corromper a sociedade e colocar em risco a civilização.

A pergunta que me veio à mente foi simples:

Por que a humanidade repete esse comportamento há séculos?

Ao investigar essa questão acabamos entrando em um território fascinante que mistura psicologia, sociologia, política, religião e até arqueologia cultural.

Prepare seu café.

A viagem é longa.

☕ A ILUSÃO DE QUE O PROBLEMA ESTÁ SEMPRE NO OBJETO

Quando eu tinha cerca de 15 anos, andar com quadrinhos debaixo do braço era motivo para receber conselhos não solicitados.

Sempre aparecia alguém dizendo:

"Você deveria ler livros de verdade."

O curioso é que eu lia livros.

Muitos livros.

Mas isso não importava.

O quadrinho era visto como um símbolo de atraso intelectual.

Décadas depois, muitos daqueles mesmos quadrinhos são estudados em universidades.

O que mudou?

Os quadrinhos ficaram mais inteligentes?

Ou fomos nós que mudamos nossa percepção?

A resposta nos leva a um fenômeno conhecido na psicologia social como Pânico Moral.

☕ O QUE É PÂNICO MORAL?

O pânico moral ocorre quando uma sociedade identifica um fenômeno novo e passa a enxergá-lo como uma ameaça exagerada aos seus valores.

A lista histórica é impressionante:

  • Romances populares

  • Cinema

  • Rádio

  • Rock and Roll

  • Histórias em quadrinhos

  • RPG

  • Heavy Metal

  • Videogames

  • Internet

  • Redes sociais

  • Animes

O padrão é quase sempre idêntico.

Uma geração mais velha observa um hábito que não compreende completamente.

Surge então a suspeita:

"Isso está estragando os jovens."

Décadas depois, aquilo se torna normal.

Então aparece um novo alvo.

☕ A REATÂNCIA PSICOLÓGICA: O EFEITO DO FRUTO PROIBIDO

Existe uma teoria fascinante proposta pelo psicólogo Jack Brehm chamada Reatância Psicológica.

Ela afirma que quando percebemos que alguém está tentando restringir nossa liberdade, surge um impulso natural para recuperar essa liberdade.

Em termos simples:

Quanto mais tentam proibir algo, mais interessante aquilo se torna.

Esse mecanismo explica o famoso Efeito Streisand.

Quando uma informação é censurada, ela frequentemente se torna mais popular.

O mesmo acontece com livros proibidos, músicas censuradas, filmes vetados e animes controversos.

O cérebro humano possui uma curiosidade quase irresistível pelo proibido.

☕ CORRELAÇÃO NÃO É CAUSALIDADE

Uma das armadilhas mais comuns do pensamento humano é confundir correlação com causalidade.

Se alguém que cometeu um crime assistia filmes violentos, surge a conclusão:

"Os filmes causaram o crime."

Mas essa lógica possui um problema enorme.

Milhões de pessoas assistem exatamente os mesmos filmes e jamais cometem qualquer ato violento.

O mesmo vale para:

  • Animes

  • Jogos

  • Livros

  • Música

A realidade costuma ser muito mais complexa.

Eventos humanos raramente possuem uma única causa.

Massacres, violência e radicalização normalmente envolvem fatores psicológicos, familiares, econômicos, culturais e sociais simultaneamente.

Mas nosso cérebro prefere explicações simples.

E é aí que surgem os bodes expiatórios.

☕ O MECANISMO DO BODE EXPIATÓRIO

Talvez uma das descobertas mais desconfortáveis da psicologia social seja esta:

Seres humanos possuem uma enorme tendência a procurar culpados.

Quando algo dá errado, buscamos alguém para responsabilizar.

É um comportamento ancestral.

Uma colheita fracassou.

Uma epidemia apareceu.

A economia entrou em crise.

Quem é o culpado?

A busca por culpados produz uma sensação temporária de controle.

Mesmo que a explicação seja falsa.

Esse mecanismo aparece repetidamente na história.

☕ DA INQUISIÇÃO ÀS REDES SOCIAIS

Quando estudamos a Inquisição encontramos algo surpreendente.

As vítimas raramente representavam uma ameaça real.

Judeus.

Mouros.

Hereges.

Parteiras.

Mulheres idosas.

Pessoas diferentes.

A grande pergunta é:

Por que eram consideradas tão perigosas?

Porque o medo coletivo amplifica ameaças.

Quando uma sociedade acredita estar enfrentando um perigo existencial, qualquer diferença pode parecer uma ameaça.

A psicologia das multidões transforma suspeitas em certezas.

E certezas em perseguições.

A tecnologia mudou.

A natureza humana nem tanto.

☕ O PODER DOS GRUPOS

Outra teoria importante é a Teoria da Identidade Social.

Ela explica nossa tendência de dividir o mundo em:

"Nós"

e

"Eles"

Essa divisão surge naturalmente.

Meu time.

Minha religião.

Meu partido.

Minha comunidade.

Meu país.

Não há nada de errado nisso.

O problema surge quando passamos a acreditar que:

"Nós somos legítimos."

"Eles são o problema."

É exatamente nesse ponto que conflitos sociais começam a crescer.

☕ A TIRANIA DA MAIORIA

Quando pensamos em regimes autoritários normalmente imaginamos ditadores.

Mas filósofos como Alexis de Tocqueville identificaram outro perigo.

A tirania da maioria.

Imagine uma sociedade dividida em dois grupos.

51% contra 49%.

Se os 51% puderem impor tudo aos demais, a democracia continua existindo apenas no papel.

É por isso que surgiram:

  • Constituições

  • Direitos fundamentais

  • Liberdade religiosa

  • Liberdade de expressão

Esses mecanismos não existem para proteger opiniões populares.

Existem para proteger opiniões impopulares.

☕ O DILEMA DA CENSURA

Toda censura nasce de uma justificativa.

Sempre.

Proteger a moral.

Proteger as crianças.

Proteger a sociedade.

Proteger a segurança nacional.

O problema raramente está na intenção inicial.

O problema está na pergunta seguinte:

Quem decide?

Quem recebe o poder de determinar o que pode ser lido?

O que pode ser assistido?

O que pode ser publicado?

A história mostra que essa pergunta é mais importante do que a justificativa utilizada.

Porque governos mudam.

Ideologias mudam.

Maiorias mudam.

Mas os mecanismos de controle permanecem.

☕ O JAPÃO, OS ANIMES E UMA CONTRADIÇÃO INTERESSANTE

Muitas críticas modernas aos animes partem da ideia de que obras violentas produzem comportamentos violentos.

Mas a realidade apresenta um quadro mais complexo.

O Japão produz algumas das obras mais violentas e sombrias da cultura popular moderna.

Ainda assim apresenta índices de violência muito inferiores aos de diversos países ocidentais.

Isso não prova que a mídia não influencia ninguém.

Mas demonstra que explicações simplistas raramente funcionam.

O comportamento humano é multifatorial.

E talvez essa seja uma das palavras mais importantes da psicologia moderna:

Multifatorial.

☕ O SER HUMANO É UMA MÁQUINA DE NARRATIVAS

Existe uma razão pela qual gostamos tanto de histórias.

Nosso cérebro foi moldado para compreender o mundo através delas.

Mitologias.

Religiões.

Romances.

Quadrinhos.

Animes.

Filmes.

Todas essas formas narrativas servem para explorar medos, sonhos e conflitos humanos.

Quando alguém lê Berserk, assiste Attack on Titan ou acompanha um drama psicológico, não está necessariamente procurando um modelo de comportamento.

Muitas vezes está explorando simbolicamente aspectos da condição humana.

☕ O ARQUEÓLOGO DE 2526

Durante uma conversa surgiu uma hipótese divertida.

Imagine um arqueólogo vivendo daqui a 500 anos.

Ele encontra:

  • Garrafas de Coca-Cola

  • Smartphones

  • Mangás

  • Bonecos de Pokémon

  • Estatuetas de Goku

O que ele concluiria?

Talvez que esses símbolos possuíam enorme importância cultural.

E provavelmente estaria correto.

Assim como estudamos vasos gregos e moedas romanas, futuros historiadores talvez estudem Pikachu, Mario e Goku para compreender o século XXI.

Isso mostra algo fascinante.

Os objetos culturais frequentemente sobrevivem mais do que os debates sobre eles.

As críticas desaparecem.

Os símbolos permanecem.

☕ UMA LIÇÃO DE HUMILDADE HISTÓRICA

Talvez a maior lição de toda essa jornada seja a humildade.

Quase todas as gerações acreditaram ter identificado uma ameaça cultural devastadora.

Quase todas estavam convencidas.

E quase todas erraram em algum grau.

Os quadrinhos não destruíram a juventude.

O rock não destruiu a juventude.

Os videogames não destruíram a juventude.

A internet certamente trouxe problemas reais, mas também transformou o acesso ao conhecimento.

Os animes provavelmente seguirão caminho semelhante.

Isso não significa que devemos abandonar o pensamento crítico.

Significa apenas reconhecer que o medo coletivo frequentemente exagera ameaças.

☕ CONCLUSÃO

Depois de décadas observando tecnologia, sociedade e comportamento humano, cheguei a uma conclusão simples.

As ferramentas mudam.

Os medos mudam.

Os alvos mudam.

Mas os mecanismos psicológicos permanecem surpreendentemente estáveis.

Continuamos formando tribos.

Continuamos procurando culpados.

Continuamos desconfiando do novo.

Continuamos acreditando que nossa geração finalmente descobriu o verdadeiro problema.

Talvez por isso estudar psicologia seja tão fascinante.

No fundo, ela não fala apenas sobre indivíduos.

Ela fala sobre nós.

Sobre nossas esperanças.

Nossos medos.

Nossas certezas.

E principalmente sobre nossa incrível capacidade de repetir os mesmos padrões ao longo dos séculos.

Da próxima vez que alguém disser que uma nova forma de cultura está destruindo a civilização, talvez valha a pena fazer uma pausa e lembrar:

Alguém já disse exatamente a mesma coisa sobre os quadrinhos que eu carregava debaixo do braço quando tinha 15 anos.