terça-feira, 15 de janeiro de 2013

😈 Top 10 mentiras que contam sobre sistemas distribuídos

 


😈 Top 10 mentiras que contam sobre sistemas distribuídos

Conhecimento básico sobre aplicações distribuídas para quem já viu produção cair “sem motivo”


☕ 01:12 — Quando tudo “funcionava no ambiente”

Se você já ouviu:

“Distribuído escala sozinho, é resiliente e se resolve”

…parabéns. Você foi apresentado às mentiras fundacionais dos sistemas distribuídos.

Este artigo não é pessimista.
É experiente.


1️⃣ “Distribuído é mais confiável” 🧨

Mentira.
Distribuído falha de mais formas.

No mainframe:

  • Falha é binária

No distribuído:

  • Falha parcial

  • Falha lenta

  • Falha intermitente

  • Falha invisível

📌 Comentário Bellacosa:
Mais nós = mais maneiras de quebrar.


2️⃣ “Se cair, o retry resolve” 🔁

Mentira perigosa.

Retry sem:

  • Idempotência

  • Limite

  • Backoff

= duplicação + avalanche.

😈 Easter egg traumático:
Retry mal feito é GO TO recursivo com autoestima.


3️⃣ “Stateless simplifica tudo” 📦

Mentira elegante.

O estado:

  • Não desapareceu

  • Só foi escondido

📌 Tradução mainframês:
Estado sem dono vira problema de todos.


4️⃣ “Event-driven desacopla completamente” 📣

Mentira conceitual.

Eventos:

  • Criam acoplamento temporal

  • Exigem contrato

  • Precisam de versionamento

🔥 Comentário ácido:
MQ não é desculpa para ignorar consistência.


5️⃣ “Microservices facilitam manutenção” 🧩

Mentira organizacional.

Eles facilitam:

  • Deploy independente

Mas complicam:

  • Debug

  • Observabilidade

  • Governança

😈 Easter egg:
Microservices sem observabilidade = terror distribuído.


6️⃣ “Alta disponibilidade vem da cloud” ☁️

Mentira de marketing.

Alta disponibilidade vem de:

  • Arquitetura

  • Disciplina

  • Teste

  • Orçamento

📌 Mainframe feelings:
HA sempre foi requisito, não feature premium.


7️⃣ “Monitorar logs é suficiente” 📜

Mentira operacional.

Logs sem:

  • Contexto

  • Correlação

  • Métrica

são romance técnico.

😈 Comentário Bellacosa:
Quem já leu SMF sabe: log sozinho mente.


8️⃣ “Deploy contínuo reduz risco” 🚀

Mentira condicional.

Reduz risco se:

  • Houver rollback

  • Métricas pós-deploy

  • Feature flags

Sem isso:
= erro contínuo.

📌 Regra imortal:
Quem não sabe voltar, não deveria ir.


9️⃣ “Falha é exceção” 👻

Mentira infantil.

Em sistemas distribuídos:

  • Falha é estado normal

  • Sucesso é transitório

🔥 Comentário realista:
Projetar para sucesso é fácil.
Projetar para falha paga salário.


🔟 “Distribuído elimina o mainframe” ⚰️

A maior mentira de todas.

O que aconteceu foi:

  • O mundo ficou distribuído

  • O mainframe continuou crítico

  • Alguém precisou integrar tudo

😈 Easter egg final:
Cloud herdou os problemas do mainframe — sem a maturidade.


🧭 Passo a passo para não cair nessas mentiras

1️⃣ Desconfie de absolutos
2️⃣ Pergunte “e se falhar?”
3️⃣ Exija observabilidade
4️⃣ Pense em rollback
5️⃣ Trate estado como ativo crítico
6️⃣ Documente decisões
7️⃣ Proteja produção


📚 Guia de estudo honesto 📖

Conceitos

  • CAP Theorem

  • Resiliência

  • Observabilidade

  • Event-driven

  • SRE

Leitura obrigatória

  • Post-mortems reais

  • Casos de outage

  • Relatórios de falhas

📌 Dica Bellacosa:
Leia mais incidentes do que tutoriais.


🎯 Aplicações práticas no mundo real

  • Core bancário híbrido

  • Sistemas regulados

  • Plataformas críticas

  • Times de arquitetura

  • Governança técnica


🖤 Epílogo — 02:59, ninguém sabe por que caiu

Distribuído não é ruim.
É honesto com quem aceita complexidade.

El Jefe Midnight Lunch encerra:
“Quando alguém diz que distribuído é simples, prepare o café e esconda a produção.”

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Japão: um Sistema Milenar em Produção Contínua

 


Japão: um Sistema Milenar em Produção Contínua

(Uma leitura Bellacosa Mainframe da linha do tempo japonesa)

Essa imagem não é apenas uma timeline. É o diagrama de arquitetura de um dos sistemas culturais mais resilientes da história. O Japão nunca desligou. Reiniciou, sim — várias vezes — mas sempre preservando memória.


🌾 Japão Antigo – Boot Inicial (até 710 d.C.)

Aqui o sistema carrega os módulos básicos: arroz, xintoísmo e escrita. A introdução do arroz não foi só agrícola; foi administrativa. Arroz virou imposto, poder e controle social. Já o xintoísmo, com seus kami, criou uma espiritualidade descentralizada — nada de dogma pesado, tudo integrado à natureza.

📌 Easter egg: os primeiros santuários xintoístas não tinham prédios. O “templo” era a árvore, a pedra, o rio.


📜 Japão Clássico – Documentação Oficial (710–1185)

Com o Kojiki, o Japão escreve sua própria “documentação do sistema”. Mistura mito com história sem pedir desculpa. Aqui o país importa conhecimento da China: escrita, budismo, burocracia.

🗣️ Fofoquice histórica: a elite japonesa copiava a China… mas adaptava tudo. Nada era clone puro.


⚔️ Japão Feudal – Controle por Guerreiros (1185–1603)

Samurais assumem o console. Honra, espada e hierarquia rígida. O poder sai do imperador simbólico e vai para o shogun — clássico caso de quem manda não aparece no organograma.

📌 Curiosidade: o bushidō foi romantizado depois. Na prática, samurai também fazia intriga, traição e política pesada.


🚪 Período Edo – Sistema Isolado (1603–1868)

O Japão entra em Sakoku: firewall total. Nada de estrangeiros, nada de saída. Estabilidade absurda por 250 anos.

🧨 Easter egg: enquanto o país “parava”, surgiam kabuki, haicais, ukiyo-e. Cultura floresce quando o sistema não vive em guerra.


🚢 Era Meiji – Upgrade Forçado (1868–1912)

Os EUA chegam como patch não solicitado. O Japão olha, avalia e faz algo raro: aprende rápido. Industrialização acelerada, exército moderno, fim dos samurais.

🗣️ Fofoquice: foi aqui que o Japão decidiu “vamos copiar o Ocidente… mas melhor”.


💣 Taishō–Shōwa – Erros Críticos (1912–1945)

Imperialismo, guerras, Pearl Harbor. O sistema entra em modo agressivo… e paga caro. Hiroshima e Nagasaki são o maior crash da história japonesa.

📌 Curiosidade: mesmo derrotado, o Japão não perde identidade. Isso é raríssimo.


🚄 Pós-Guerra – Sistema Reconstruído (1945–1989)

Sem exército, com tecnologia. O Japão vira potência industrial, cria o Shinkansen, eletrônicos, carros, anime, manga.

🗣️ Easter egg: Godzilla nasce aqui — metáfora direta do trauma nuclear.


🌊 Japão Moderno – Resiliência Ativa (1990–presente)

Terremotos, tsunamis, crises… e o sistema continua. Cultura pop global, tradição local intacta.

📌 Curiosidade final: poucos países conseguem ser antigos e futuristas ao mesmo tempo.


☕ Conclusão Bellacosa Mainframe

O Japão é prova viva de que sistemas não sobrevivem por força, mas por adaptação. Ele cai, reinicia, aprende e continua.

E como todo bom sistema legado…
ninguém entende completamente —
mas todo mundo depende.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Mais uma mudança em Taubaté



Mais uma mudança em Taubaté

O CECAP foi um bairro especial. Daqueles locais magicos que ficam na memoria, nos lembrando deste e daquele momento, daqueles famosos e se.


Daqueles que entram em produção e ficam marcados no histórico do sistema para sempre. Foi um ambiente divertido, cheio de rotas alternativas, backdoors naturais e mapas secretos que só a molecada conhecia. Percorremos campos de arroz como se fossem territórios proibidos, atravessamos riachos e lagoas, exploramos trilhas que levavam ao Tataúba e ao Pinheirinho, sempre com aquele sentimento de aventura que hoje não cabe mais no mundo asfaltado.

Tinha a cooperativa da Volkswagen, as idas até Caçapava, as olarias, a barulhenta máquina de descascar arroz cuspindo grãos como se fosse um batch job sem JCL otimizado. Tinha os caquis furtados com técnica ninja, as jabuticabas roubadas em grupo, as iças coletadas em operação coordenada e, acima de tudo, os bons amigos. Companheiros de jornada, de ralada, de riso e de cascudo.



Mas sistemas instáveis sempre geram mudanças inesperadas.

Seu Wilson, inquieto, inconstante, aquele operador que nunca deixa o ambiente estabilizar, arrumou mais uma casa. E lá fomos nós novamente. Shutdown controlado? Nada. Foi power off mesmo.

Estamos agora em 1985.
Novo endereço: Jardim Garcez, no Parque Sabará, ainda em Taubaté, mas do outro lado do mapa. Outro extremo da cidade. Próximo de Tremembé, colado em fazendas, perto do Rio Paraíba do Sul. Um cenário completamente diferente, quase outro datacenter.

Nova casa.
Nova escola.
Novos colegas.

Aquela sensação clássica de quem acabou de dar IPL num sistema desconhecido: tudo parece estranho, os nomes não fazem sentido, os comandos ainda não funcionam direito. A gente observa, testa, mede, erra, aprende. É assim que sempre foi.

O CECAP ficou para trás, arquivado na memória como um dataset histórico, daqueles que você não apaga nunca, mesmo sabendo que não volta mais a usá-lo. As aventuras continuam, mas agora em outro ambiente, com outras regras, outros perigos, outros aliados.

E eu sigo, pequeno operador da própria vida, carregando experiências de um bairro que me ensinou a explorar, a dividir, a sobreviver e a rir. Agora é esperar os próximos eventos, porque se tem uma coisa que aprendi cedo é que, na minha história, a estabilidade nunca dura muito.

Vamos ver o que acontece.

sábado, 12 de janeiro de 2013

🧪 Plano de Tuning Batch COBOL – IBM Mainframe

 


🧪 Plano de Tuning Batch

COBOL – IBM Mainframe

“Batch lento não é destino, é diagnóstico.”


🟥 FASE 0 — PRINCÍPIO SAGRADO

Nunca tune sem medir
Nunca mude tudo de uma vez
Nunca confie só em elapsed time


🟦 FASE 1 — IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA

🎯 Objetivo

Descobrir ONDE o batch gasta tempo:

  • CPU?

  • I/O?

  • Espera?

  • Lock?

  • Storage?

📌 Ações

☑ Identificar JOB / STEP problemático
☑ Horário de execução
☑ Pico ou fora do pico

🔧 Ferramentas

  • SMF 30 (Job)

  • SMF 72 (CPU)

  • OMEGAMON

  • RMF

  • SDSF (CPU TIME)

💬 Fofoquinha:

Batch “lento” às vezes só roda no horário errado.


🟨 FASE 2 — CPU vs ELAPSED (o divisor de águas)

SituaçãoDiagnóstico
CPU alto / Elapsed baixoCódigo ruim
CPU baixo / Elapsed altoI/O, lock, espera
Ambos altosTudo errado

☑ Compare:

  • CPU TIME

  • EXCP

  • SRB vs TCB


🟩 FASE 3 — ANÁLISE DE CPU (quando a conta dói)

🧠 Verificar compilação COBOL

☑ Parâmetros:

OPTIMIZE(2) TRUNC(BIN) ARITH(EXTEND) DATA(31) RULES

☑ Evitar:

  • NUMCHECK em produção sem necessidade

  • SSRANGE

  • INITCHECK

📉 Ganho típico: 5% a 30%


🟪 FASE 4 — CÓDIGO COBOL (o crime mais comum)

🔪 Pontos clássicos de CPU alta

☑ DISPLAY em loop
☑ MOVE repetido
☑ IF aninhado
☑ PERFORM THRU
☑ Conversão implícita de tipos

💡 Melhoria

  • Código linear

  • Parágrafos curtos

  • Cálculo com COMP/COMP-5

🥚 Easter egg:

Um DISPLAY por registro já custou mais que licença de compilador.


🟧 FASE 5 — I/O (onde o tempo some)

📊 Analisar

  • EXCP alto

  • WAIT I/O

  • VSAM CI/CA mal dimensionado

☑ Ajustes

  • Buffers maiores

  • Redução de leitura repetida

  • SORT externo em vez de interno

📉 Ganho típico: 10% a 50% de elapsed


🟫 FASE 6 — SORT (o vilão invisível)

☑ Verificar:

  • SORT interno vs DFSORT

  • Quantidade de registros

  • Campos de chave

💣 Erro comum:

SORT interno com milhões de registros sem tuning.

☑ Preferir:

EXEC PGM=SORT

🟥 FASE 7 — JCL (ninguém olha, mas paga)

☑ Revisar:

  • REGION exagerado

  • STEPLIB duplicado

  • Programas obsoletos rodando

☑ Ajustar:

  • DISP correto

  • CONCATENATION mínima

  • DD redundante removido


🟦 FASE 8 — PARALELISMO E JANELA

☑ Avaliar:

  • Jobs sequenciais sem dependência

  • Execução fora do pico

  • Divisão por partição lógica

💬 Fofoquinha:

Batch mais rápido é o que não disputa CPU.


🟩 FASE 9 — zIIP / LE (dinheiro dormindo)

☑ Verificar:

  • LE habilitado

  • Versão do COBOL

  • Ambiente preparado

📉 Offload possível:

  • XML

  • JSON

  • Serviços

  • Partes do LE


🟪 FASE 10 — MEDIR NOVAMENTE (o momento da verdade)

☑ Comparar:

  • CPU antes/depois

  • Elapsed antes/depois

  • EXCP antes/depois

  • SMF

☑ Documentar:

  • Mudança aplicada

  • Ganho real

  • Risco


☠️ ERROS QUE ARRUÍNAM O TUNING

ErroConsequência
Mudar tudo de uma vezIncidente
Não medir SMFIlusão
Otimizar DEV sóNenhum ganho real
Ignorar I/OElapsed explode
Culpar o mainframeVergonha técnica


🎓 RESUMO PADAWAN

✔ Batch lento tem causa
✔ CPU não mente
✔ Código importa
✔ I/O mata
✔ JCL conta
✔ zIIP salva


🧠 FRASE FINAL BELLACOSA™

“Tuning não é mágica.
É respeito à máquina.”

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O PODER DE UMA PINTURA

 


O PODER DE UMA PINTURA
Crônica ao estilo Bellacosa Mainframe
Para o El Jefe Midnight Lunch


Existem casas que não são casas.
São repositórios de memória, versões ancestrais do nosso data lake afetivo.
E a casa dos seus bisavós Paco e Isabel — o Francisco e a eterna vó Bel — era exatamente isso:
um sistema vivo, cheio de charme, cheiro, sons e pequenos tesouros espalhados como easter eggs para qualquer criança curiosa.

Mas havia ali um elemento que ultrapassava o simples conceito de “decoração”.
Uma peça que fazia load direto na alma de todo bisneto que passava pelo corredor.

Uma pintura.
Um mural.

E não qualquer mural.




O Banco de Ônibus e o Laboratório do Pequeno Doutor

Antes de chegar ao mural, era preciso atravessar cenários icônicos do universo Bellacosa.

Na área, um velho banco de ônibus — presente do seu pai aos bisavós — havia sido promovido do transporte coletivo ao trono afetivo.

Era nele que as crianças sentavam para conversar, brincar, imaginar, disputar espaço…
Uma espécie de console central da infantaria da família.

Seguindo um corredor lateral, que saia do lado de uma mureta daquelas com piso cerâmico e coluninhas, ao lado um portão de ferro que guiava até o fundo do quintal onde ficava o quartinho externo, cheio de ferramentas, sucatas, parafusos e relíquias mecânicas.
Ali nascia o Pequeno Doutor Vagner, cientista-mirim, desmontador compulsivo, capaz de abrir um rádio com a mesma determinação de um engenheiro do CICS tentando entender um ABEND 0C7.

Havia ainda o canteiro da horta, guardado pelo lendário jaboti, um Highlander, sobrevivente de guerras, gerações e intempéries — provavelmente imortal, silencioso e sábio como as máquinas Z da IBM.

E, claro, a garagem na frente da casa coberta: o playground oficial de dias de chuva, onde as aventuras ganhavam eco, velocidade e imaginação.

Mas nada — absolutamente nada — se comparava ao que havia na varanda.




A PINTURA QUE ABRIA PORTAIS

Na parede, pintado por um amigo da família, havia um mural que poderia, tranquilamente, ter sido catalogado pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Infância Brasileira.

Um pôr do sol magnífico.
Quase dourado, quase mágico.
Aquela luz que não existe mais, que só os anos 70 sabiam produzir.

E nele, caminhando para a esquerda, um surfista.
Magro, forte, despreocupado.
Segurando uma prancha enorme.
Rumo ao infinito.

As crianças da família paravam diante daquela pintura como quem para diante de uma tela de login de um universo paralelo ou mesmo sentadas no banco de ônibus, olhavam para ela.

Ali, cada bisneto se imaginava o surfista:

  • correndo pela areia;

  • enfrentando ondas gigantes;

  • vivendo aventuras tropicais totalmente incompatíveis com a vida urbana da Mooca ou de Taubaté.

O mural era mais do que tinta.
Era um motor gráfico da imaginação.
Um gateway afetivo que alimentava sonhos, coragem e fantasia.

Era ali que o futuro adulto começava a ser desenhado — sem que ninguém percebesse.




Os Quitutes, os Vidrinhos e o Arroz com Ovo

E enquanto a arte nos transportava, a casa nos ancorava.

Tia Maria servia bolinhos de chuva tão divinos que mereciam IPL especial só pra carregar o cheiro.
Os vidrinhos vazios de remédio viravam frascos de laboratório dos pequenos cientistas.
E o arroz com ovo frito mole — aquele clássico absoluto — possuía algum tipo de opcode sagrado que registrava memória afetiva até o fim da vida.

Sem falar nos iogurtes caseiros, aqueles feitos com bacilos vivos, guardados em potes reciclados da geladeira, cuidadosamente produzidos como se fossem uma batch job culinária passada de geração a geração.

Era amor.
Simples.
Caseiro.
Imenso.
Do tipo que dura décadas, como as máquinas Z, como as histórias bem contadas, como os avós que moldam nosso código-fonte sem dizer uma palavra.


O Poder de uma Pintura

Hoje, olhando para trás, fica claro:

Aquele mural não era só um mural.
Era um servidor emocional.

Cada criança que parava ali fazia um login diferente:
um queria ser surfista, outro guerreiro, outro aventureiro.
Mas todos, absolutamente todos, saíam da varanda com o coração mais leve.

Porque o poder da arte é esse:
ela cria mundos dentro da gente.
E quando isso acontece na casa de avós amorosos, acompanhada de café, cheiro de chuva e iogurte caseiro…
o mundo inteiro fica melhor.

Aquela pintura não era apenas tinta na parede.
Era um lembrete silencioso de que a infância foi boa,
foi rica,
foi cheia de brilho,
de sonhos
e de amor.

E esse tipo de lembrança — ah, meu amigo —
é do tipo que nem o tempo, nem a vida, nem os tombos…
conseguem apagar.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

⌨️🖥️ TSO no IBM Mainframe

 



⌨️🖥️ TSO no IBM Mainframe

O ponto de ignição do z/OS (ao estilo Bellacosa Mainframe)

“Se o z/OS é o motor do mainframe,
o TSO é a chave que gira e faz tudo ganhar vida.”

Quem está chegando agora ao mundo IBM Mainframe costuma ouvir três siglas logo no primeiro dia:
TSO, ISPF e JCL.
E quase sempre explicam o TSO assim:

“É tipo um terminal.”

Errado? Não.
Completo? Nem de longe.

Vamos colocar ordem na casa.


🧠 O que é TSO, de verdade?

TSO significa Time Sharing Option.

Em bom português mainframeiro:

TSO é o ambiente interativo que permite ao usuário conversar diretamente com o z/OS em tempo real.

Sem TSO:

  • Não tem login interativo

  • Não tem edição de datasets

  • Não tem teste rápido de programa

  • Não tem vida para desenvolvedor ou operador

É o primeiro contato humano com o sistema.


🕰️ Um pouco de história (porque tudo no mainframe tem história)

Lá atrás, nos primórdios do mainframe:

  • Tudo era batch

  • Cartão perfurado

  • Resultado só horas depois

A IBM percebeu que:

“Desenvolver assim é lento, caro e improdutivo.”

Nasce então o Time Sharing:

  • Vários usuários

  • Compartilhando CPU, memória e I/O

  • Cada um com a ilusão de exclusividade

👉 TSO foi revolucionário
Ele trouxe interatividade para um mundo 100% batch.


🧑‍💻 TSO é o “terminal” do mainframe?

Sim… mas com esteróides corporativos.

Comparação honesta:

AmbienteEquivalente
WindowsCommand Prompt / PowerShell
LinuxTerminal / Shell
MainframeTSO

Mas o TSO:

  • Controla segurança corporativa

  • Gerencia milhares de sessões

  • Impõe limites de recurso

  • Audita tudo

Nada de terminalzinho anárquico.


🔐 O que você faz com TSO no dia a dia

Com TSO, você pode:

✅ Logar no mainframe com User ID e senha
✅ Executar comandos em tempo real
✅ Criar, editar e apagar datasets
✅ Compilar e testar programas
✅ Submeter jobs batch
✅ Acompanhar execução
✅ Automatizar tarefas com REXX

Sem TSO:

Você estaria programando em 1970.


🗂️ TSO e o mundo real do desenvolvimento

TSO é o alicerce invisível de tudo que você faz:

  • ISPF roda em cima do TSO

  • SDSF depende do TSO

  • Edição de código depende do TSO

  • Debug interativo depende do TSO

👉 Quando alguém diz:

“Eu trabalho no ISPF”

Na prática:

Está trabalhando no TSO, só que com interface bonita.


🧱 TSO não é só conveniência — é controle

Em ambientes corporativos:

  • Milhares de usuários conectados

  • Cada um com limites de CPU

  • Prioridades diferentes

  • Auditoria rígida

O TSO:

  • Controla sessões

  • Limita consumo

  • Garante justiça no uso de recursos

  • Protege o sistema

Sem isso:

Um estagiário com loop errado derruba o banco.


🧪 Curiosidades que padawan precisa saber

🟡 TSO não é leve
Cada sessão consome recursos — por isso existe controle.

🟡 TSO mal usado custa MIPS
Loop infinito em REXX? CPU chora.

🟡 Batch pesado não é para TSO
TSO é para interação, não para processamento massivo.

🟡 Ambiente produtivo ≠ playground
TSO em produção é privilégio, não direito.


🥚 Easter-eggs do mundo TSO

  • O famoso comando TSO ISPF é quase um mantra

  • Muitos veteranos ainda digitam comandos sem olhar

  • Todo mundo já derrubou sessão com comando errado

  • Quem nunca travou TSO com REXX… mente


⚠️ Erros clássicos de padawan

❌ Usar TSO para rodar processamento pesado
❌ Editar dataset produtivo sem backup
❌ Testar código direto em produção
❌ Não entender que cada comando consome recurso

Dica Bellacosa:

“TSO é bisturi, não marreta.”


🚀 Por que TSO ainda é essencial em 2026?

Mesmo com:

  • DevOps

  • Git

  • APIs

  • Containers

  • Cloud híbrida

👉 O TSO continua sendo:

  • Porta de entrada

  • Ferramenta de diagnóstico

  • Ambiente de emergência

  • Base do desenvolvimento mainframe

Quando tudo falha…

É no TSO que você entra para salvar o dia.


☕ Palavra final do El Jefe

O mainframe não começa no COBOL.
Não começa no JCL.
Não começa no DB2.

Ele começa no TSO.

Se o z/OS é o motor,
se o hardware é o chassi,
👉 TSO é a ignição.

Sem ele, nada liga.
Com ele, o mainframe vive.

domingo, 6 de janeiro de 2013

SMP/E for z/OS Workshop – O que é e para que serve?

 


SMP/E for z/OS Workshop – O que é e para que serve

1. O que é SMP/E?

SMP/E significa System Modification Program/Extended.

  • É a ferramenta oficial da IBM para gerenciar correções, atualizações e modificações de software no IBM z/OS Mainframe.

  • Ele controla:

    • SYSMODs (System Modifications): PTFs, APARs, USERMODs

    • Aplicação e teste de patches sem quebrar o sistema

    • Gerenciamento de versões e dependências


Resumo rápido:
SMP/E é o controle de versão, patch e deployment para sistemas z/OS.

Sem SMP/E, atualizar o Mainframe era um pesadelo: você aplicava patch e… torcia para nada quebrar.


2. História e evolução

  • Criado nos anos 1980, quando o z/OS ainda era chamado MVS/XA.

  • Antes do SMP/E: sysprogs e operadores aplicavam correções manualmente, resultando em ABENDs e erros misteriosos.

  • SMP/E introduziu:

    • Controle de dependências entre SYSMODs

    • Capacidade de desfazer patches problemáticos (RESTORE)

    • Auditoria e rastreabilidade de modificações

Fofoquice histórica:

  • Nos primeiros dias, existia uma “tradição não oficial” de aplicar patches só às sextas-feiras, depois do expediente… mas ninguém documentava os passos. Isso virou lenda: “o patch de sexta-feira que ninguém lembra”. 😅


3. Casos de uso

  • Aplicar um PTF (Program Temporary Fix) sem derrubar aplicações críticas.

  • Testar correções em uma test library antes de ir para produção.

  • Restaurar versões anteriores se uma atualização causar problemas.

  • Gerenciar múltiplos ambientes: DEV, TEST, PROD, cada um com seu DLIB e SYSMODs.

Exemplo real de uso:

1. RECEIVE: trazer o PTF do IBM Service Repository 2. APPLY: aplicar o PTF na target library de teste 3. ACCEPT: promover a correção para produção 4. RESTORE: desfazer se algo der errado

4. Estrutura de SMP/E

  • DLIB (Distribution Library): onde ficam os SYSMODs recebidos

  • HOLD Library: para SYSMODs que precisam de aprovação ou teste

  • Target Library: onde o software efetivamente roda

Pensando como Bellacosa: a DLIB é o “armário secreto do sysprog”, HOLD é o “cofre do teste”, e a Target Library é “o palco principal do Mainframe”.


5. Easter-eggs e curiosidades

  • Alguns sysprogs antigos batizavam suas bibliotecas de SMP/E com nomes secretos, tipo “JEDI-DLIB”, “R2-D2-HOLD”.

  • Existe uma piada clássica no z/OS: “Se SMP/E aceitar, você está salvo; se não, bem-vindo ao ABEND-land”.

  • Comandos clássicos: RECEIVE, APPLY, ACCEPT, RESTORE → formam a linha da vida do SYSMOD.


6. Resumo Bellacosa

  • O que: Gerenciador de patches e correções para z/OS

  • Para que serve: Aplicar, testar, aceitar e restaurar modificações de software

  • Onde atua: DLIB, HOLD, Target Library

  • História: Criado nos anos 80 para controlar modificações de forma segura

  • Dicas fofoqueiras: Sexta-feira era o dia favorito para patches misteriosos

  • Easter-eggs: Bibliotecas secretas com nomes nerds, piadas internas de sysprog