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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

☕💥 Algoritmos no Mainframe: Da Matemática de Al-Khwarizmi ao COBOL no z/OS

 

Bellacosa Mainframe apresenta algoritmos na programação

☕💥 Algoritmos no Mainframe: Da Matemática de Al-Khwarizmi ao COBOL no z/OS

Ou como um programador COBOL Padawan descobre que, antes de existir código, existia lógica

"Um bom algoritmo faz um bom programa. Um excelente algoritmo faz o programador parecer um mago. Um algoritmo ruim faz o operador do turno da madrugada querer abrir um chamado para exorcismo."

— Bellacosa Mainframe

Introdução

Existe uma frase que gosto de repetir aos meus alunos padawans:

"COBOL não é difícil. Difícil é pensar."

E isso pode soar estranho.

Muitos acreditam que programar significa decorar comandos, aprender sintaxe, conhecer verbos COBOL ou dominar JCL.

Não.

Programar é, essencialmente, aprender a pensar de forma estruturada.

E isso possui um nome.

Algoritmo.

Antes do COBOL.

Antes do Assembler.

Antes do FORTRAN.

Antes do System/360.

Antes do z16.

Antes do ChatGPT.

Já existiam algoritmos.

E a história deles é simplesmente fantástica.


O nascimento dos algoritmos

A palavra algoritmo deriva do nome do matemático persa:

Muhammad ibn Musa al-Khwarizmi

(cerca de 780–850 d.C.)

Ele escreveu um tratado chamado:

"Kitab al-Jabr wa-l-Muqabala"

Livro que deu origem à palavra:

Algebra

E seu nome latinizado tornou-se:

Algorismus

Posteriormente:

Algorithm

Ou seja...

Cada vez que fazemos:

ADD A TO B GIVING TOTAL

estamos usando ideias desenvolvidas há mais de mil anos.


Algoritmos antes dos computadores

Curiosamente, algoritmos são muito mais antigos que computadores.

Exemplos:

Receitas culinárias

Procedimentos militares

Construção de pirâmides

Cálculos astronômicos

Navegação marítima

Tributação romana

Tudo era algoritmo.

Apenas não era chamado assim.


O primeiro algoritmo famoso

O algoritmo de Euclides.

300 a.C.

Encontrar o MDC.

Exemplo:

MDC(48,18)

Passo 1

48 mod 18 = 12

Passo 2

18 mod 12 = 6

Passo 3

12 mod 6 =0

Resposta

6

Dois mil anos depois...

Continuamos utilizando a mesma lógica.


A chegada dos computadores

Década de 1940.

ENIAC

UNIVAC

EDSAC

LEO I

IBM 650

IBM 7070

A grande dificuldade não era processador.

Era ensinar uma máquina a pensar.

E pensar significava:

Transformar problemas em algoritmos.


O nascimento do mainframe

1952

IBM 701

1954

IBM 704

1964

System/360

Um dos projetos mais revolucionários da história.

Pela primeira vez:

Uma arquitetura única.

Diversos equipamentos.

Compatibilidade.

E o software começava a ganhar importância.


O problema dos programas gigantes

Década de 50.

Empresas começavam a automatizar:

Folha de pagamento

Seguros

Bancos

Governo

Previdência

Surgiu um problema.

Como ensinar milhares de pessoas a desenvolver sistemas?

Resposta:

Criando linguagens de alto nível.


COBOL nasce em 1959

CODASYL.

Grace Hopper.

Departamento de Defesa Americano.

Objetivo:

Criar uma linguagem próxima do inglês.

Exemplo:

READ CLIENTE

IF SALDO > 1000

   PERFORM LIBERA-CREDITO

END-IF

Mas existe um detalhe importante.

COBOL não pensa.

Quem pensa é o desenvolvedor.

COBOL apenas executa.

O algoritmo continua sendo o verdadeiro cérebro.


O algoritmo escondido dentro do COBOL

Muitos iniciantes acreditam:

"Aprendi COBOL."

Não.

Aprendeu comandos.

Programar é construir algoritmos.

Exemplo.

Problema:

Calcular média.

Padawan inexperiente:

ADD A TO B
ADD C TO TOTAL
DIVIDE 3 INTO TOTAL

Padawan treinado:

Entrada

3 notas

Processamento

Somar

Dividir

Saída

Média

Ele pensa primeiro.

Codifica depois.


Características de um algoritmo

Entrada

Pode possuir dados.

Exemplo:

Arquivo VSAM

DB2

MQ

GDG

SYSIN


Saída

Relatório

Arquivo

Mensagem

Tela CICS

API JSON


Finitude

Todo algoritmo precisa terminar.

Exemplo ruim:

PERFORM FOREVER

Exemplo bom:

PERFORM UNTIL EOF='S'

Clareza

Evitar ambiguidades.

Ruim:

"Processar cliente"

Bom:

Ler registro

Validar CPF

Consultar saldo

Atualizar DB2

Gravar auditoria


Algoritmos nos Batchs Mainframe

Imagine.

Banco processando PIX.

2 bilhões de registros.

A lógica continua igual.

Entrada

SORTIN

Processamento

JOINKEYS

ICETOOL

COBOL

Saída

SORTOUT

Relatórios

DB2

MQ


O algoritmo do fechamento bancário

Leitura

Validação

Consolidação

Apuração

Tributação

Geração de extrato

Backup

Auditoria

Tudo algoritmo.


Algoritmos no CICS

O novato vê:

EXEC CICS RECEIVE

EXEC CICS SEND

EXEC CICS LINK

Mas por trás existe:

Receber dados

Validar

Consultar

Persistir

Retornar

Fluxo decisório.


Algoritmos no Natural

Mesmo conceito.

MAP

READ

FIND

END-FIND

ESCAPE TOP

DECIDE ON

São apenas ferramentas.

O raciocínio continua sendo algoritmo.


Pseudocódigo

Excelente ferramenta para padawans.

Exemplo.

Transferência bancária.



Inicio


Ler conta origem


Ler conta destino


Ler valor


Saldo suficiente ?


SIM


Debitar


Creditar


Gerar log


Nao


Retornar erro



Fim



Só depois escrevemos COBOL.


Fluxogramas

Muito utilizados nos anos 70.

Analistas desenhavam:

Retângulos

Losangos

Setas

Pastas físicas.

Canetas.

Régua.

Pranchetas.

Sim.

Mainframe já existia antes do Visio.


Algoritmos de busca

Busca sequencial.

Busca binária.

Hash.

Índices VSAM.

DB2 Index.

B-tree.

LSM Trees.

Todos são algoritmos.


Algoritmos de ordenação

Mainframe ama ordenação.

DFSORT.

SYNCSORT.

ICETOOL.

Métodos famosos:

Bubble Sort

Merge Sort

QuickSort

HeapSort

No universo IBM, o Merge Sort praticamente reina.


Complexidade computacional

Nem todo algoritmo é igual.

O(1)

Constante

O(log n)

Busca binária

O(n)

Linear

O(n²)

Bubble

O(2ⁿ)

Exponencial


O dia em que um COBOL virou um monstro

Já vi programa COBOL com:

70 mil linhas.

350 PERFORM.

1200 IF.

85 GO TO.

Documentação inexistente.

Autor aposentado em 1998.

Chamado aberto em produção.

Ninguém sabe mexer.

Por quê?

Ausência de algoritmo.

Código cresceu.

Pensamento não.


Design de algoritmos

Força Bruta

Dividir e conquistar

Backtracking

Greedy

Programação dinâmica

Mesmo em bancos.

Mesmo em seguradoras.

Mesmo em governo.


Algoritmos modernos no IBM Z

Hoje temos:

z16

z17

LinuxONE

OpenShift

zCX

API Connect

z/OS Connect

Kafka

Python

Java

Node.js

AI

Machine Learning

Mas adivinhe.

O algoritmo continua sendo rei.


Inteligência Artificial também vive de algoritmos

Redes neurais.

Transformers.

LLMs.

Árvores.

Regressão.

Clustering.

Tudo algoritmo.

A IA não substituiu algoritmos.

Ela apenas os sofisticou.


O maior erro dos novos programadores

Querer aprender linguagem.

Antes de aprender lógica.

É equivalente a comprar um sabre de luz sem saber usar a Força.


Conselhos para um Padawan COBOL

Primeiro pense.

Depois desenhe.

Depois escreva.

Depois teste.

Depois otimize.

Nunca faça o inverso.

Pergunte sempre:

Quais entradas?

Qual processamento?

Qual saída?

Existem exceções?

Qual volume?

Como recuperar falhas?

Como auditar?

Como escalar?


O algoritmo invisível que move o mundo

Quando um cliente faz PIX.

Existe algoritmo.

Quando um avião decola.

Existe algoritmo.

Quando uma seguradora calcula prêmio.

Existe algoritmo.

Quando um cartão aprova compra.

Existe algoritmo.

Quando o INSS paga benefícios.

Existe algoritmo.

Quando um CICS responde em menos de um segundo.

Existe algoritmo.

E quando um velho programa COBOL criado em 1987 continua funcionando perfeitamente em um IBM Z moderno...

Existe um bom algoritmo escondido ali.


Considerações finais

Muitos dizem que COBOL é uma linguagem antiga.

Discordo.

COBOL é apenas um meio de expressão.

A verdadeira tecnologia imortal chama-se algoritmo.

Ela nasceu com matemáticos árabes, sobreviveu aos impérios, atravessou a Revolução Industrial, alimentou os primeiros computadores, ajudou a criar o System/360, sustentou bancos por décadas, acompanhou a internet, chegou ao z/OS, conversa hoje com APIs REST e provavelmente continuará existindo quando estivermos programando computadores quânticos.

Portanto, jovem Padawan, lembre-se:

Você não é pago para escrever DISPLAY, MOVE, ADD ou EXEC CICS.

Você é pago para transformar problemas caóticos em sequências ordenadas de decisões capazes de gerar valor para empresas, governos e pessoas.

E esse poder, desde Al-Khwarizmi até o IBM z17, continua tendo exatamente o mesmo nome:

Algoritmo.

☕🚀 E como diria um velho mestre do Bellacosa Mainframe:

"Código envelhece. Linguagens mudam. Frameworks desaparecem. Mas um algoritmo elegante continua sendo reconhecido por qualquer programador, em qualquer época, em qualquer plataforma."

 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

☕👓🖥️ OS ÓCULOS QUE ESCONDEM OS OLHOS — O MISTÉRIO VISUAL DOS ANIMES JAPONESES E O SEGREDO QUE O OCIDENTE QUASE NUNCA PERCEBE

Bellacosa Mainframe e o significado dos oculos que escondem olhos em anime


☕👓🖥️ OS ÓCULOS QUE ESCONDEM OS OLHOS — O MISTÉRIO VISUAL DOS ANIMES JAPONESES E O SEGREDO QUE O OCIDENTE QUASE NUNCA PERCEBE

Existe uma pergunta aparentemente simples que muitos espectadores fazem ao assistir animes pela primeira vez:

"Por que alguns personagens de óculos não mostram os olhos?"

À primeira vista parece apenas uma escolha estética.

Um brilho branco cobre as lentes.

Os olhos desaparecem.

O personagem fala normalmente.

A cena continua.

Mas, para quem estuda narrativa visual japonesa, psicologia comportamental, semiótica e construção de personagens, aquilo está longe de ser um detalhe.

Na verdade, estamos diante de uma das linguagens visuais mais antigas, sofisticadas e eficientes dos animes e mangás.

E como acontece com muitas coisas no Japão, por trás de uma imagem aparentemente simples existe uma camada enorme de significado cultural.

Hoje vamos tomar um café e mergulhar nesse assunto.


Quando o rosto para de falar

O ser humano nasceu programado para interpretar rostos.

Muito antes da escrita.

Muito antes da linguagem.

Muito antes da tecnologia.

Nosso cérebro aprendeu a sobreviver observando expressões faciais.

Raiva.

Medo.

Tristeza.

Alegria.

Mentira.

Confiança.

Tudo isso é lido principalmente pelos olhos.

Não é por acaso que existe o ditado:

Os olhos são a janela da alma.

Diversos estudos de psicologia mostram que quando conversamos com alguém nossa atenção se concentra principalmente na região dos olhos.

É ali que buscamos sinais emocionais.

É ali que tentamos descobrir intenções.

É ali que avaliamos riscos.

Agora imagine que alguém retire justamente essa informação.

O cérebro continua tentando interpretar a pessoa.

Mas perde seu principal instrumento.

Surge então uma sensação curiosa.

Desconforto.

Mistério.

Incerteza.

E é exatamente isso que os autores japoneses exploram.


O personagem que se torna impossível de ler

Quando um personagem tem os olhos ocultos, ele se torna imprevisível.

Você não sabe se está feliz.

Não sabe se está irritado.

Não sabe se está mentindo.

Não sabe se está planejando algo.

Seu cérebro entra em modo de observação.

É como um operador de mainframe observando um job que continua rodando sem emitir mensagens no console.

Você sabe que algo está acontecendo.

Mas não sabe exatamente o quê.

A ausência de informação gera tensão.

Essa é uma das regras mais antigas da narrativa.

O desconhecido sempre produz mais curiosidade do que o conhecido.


O brilho nos óculos

Existe até um trope famoso dos animes.

Os japoneses chamam informalmente de "megane flash".

O famoso brilho nos óculos.

A cena normalmente acontece assim:

O personagem está ouvindo uma conversa.

Permanece calado.

De repente:

BRILHO.

Os olhos desaparecem.

E ele diz algo decisivo.

Instantaneamente o espectador entende que alguma coisa mudou.

Não porque ouviu.

Mas porque viu.

É uma linguagem visual.

Uma comunicação silenciosa.

O diretor não precisa explicar nada.

O cérebro do espectador completa sozinho.


O equivalente corporativo

Imagine uma reunião de crise.

Todos discutindo.

Todos nervosos.

Todos emitindo opiniões.

No canto da sala existe um analista experiente.

Quieto.

Observando.

Anotando.

Sem demonstrar emoção.

Então ele ajusta os óculos e diz:

— Acho que encontrei o problema.

Pronto.

A sala inteira congela.

Por quê?

Porque durante todo o tempo ele estava processando informações.

Nos animes, o brilho nos óculos comunica exatamente isso.

O personagem acabou de concluir uma análise.


O Japão e a cultura das emoções ocultas

Aqui chegamos em um ponto extremamente interessante.

Para entender esse recurso visual precisamos compreender um aspecto importante da cultura japonesa.

Existe um conceito chamado:

Honne

e

Tatemae

Honne representa os sentimentos verdadeiros.

Aquilo que a pessoa realmente pensa.

Tatemae representa a máscara social.

Aquilo que ela mostra ao mundo.

A sociedade japonesa historicamente valoriza harmonia social.

Conflitos diretos costumam ser evitados.

Expressões emocionais intensas nem sempre são incentivadas.

Consequentemente surgiu uma cultura altamente especializada em comunicação indireta.

Nem tudo é dito.

Nem tudo é mostrado.

Nem tudo é revelado.

O personagem de óculos com olhos ocultos se encaixa perfeitamente nessa lógica.

Ele possui uma camada invisível.

Algo que ainda não foi revelado.


O caso clássico dos vilões

Observe quantos vilões memoráveis utilizam esse recurso.

Eles raramente mostram tudo o que sentem.

Aizen.

Kabuto.

Gendo Ikari.

Vários personagens de Death Note.

Diversos antagonistas de Gundam.

Muitos executivos corruptos de animes corporativos.

O motivo é simples.

O vilão precisa parecer difícil de interpretar.

Se enxergarmos claramente suas emoções, ele perde parte do mistério.

Ao esconder os olhos, o autor esconde também suas intenções.


O poder do olhar humano

Curiosamente, isso não surgiu apenas nos animes.

O cinema faz a mesma coisa há décadas.

Pense em quantos personagens usam:

  • óculos escuros;

  • sombras;

  • chapéus;

  • máscaras;

  • fumaça;

  • iluminação parcial.

Todos esses elementos possuem o mesmo objetivo.

Reduzir o acesso emocional do público.

Quanto menos vemos os olhos, menos compreendemos a pessoa.


Mob Psycho 100 e o vazio emocional

Na imagem que motivou este artigo vemos um exemplo fascinante.

Shigeo Kageyama.

O famoso Mob.

À primeira vista ele parece apenas um garoto comum.

Mas o design do personagem é extremamente inteligente.

Mob possui emoções reprimidas.

Tem dificuldades de expressão.

Passa boa parte da história vivendo quase em piloto automático.

Seus olhos frequentemente parecem vazios.

Neutros.

Distantes.

Quando o brilho dos óculos surge, essa sensação aumenta.

É como se estivéssemos olhando para alguém cujo mundo interior permanece inacessível.

E isso é proposital.

O autor está usando linguagem visual para contar a história sem precisar explicá-la.


O cabelo sobre os olhos

Existe um recurso semelhante.

Talvez você já tenha notado.

Muitos personagens possuem franjas cobrindo parcialmente os olhos.

Especialmente em:

  • terror;

  • horror psicológico;

  • dramas;

  • romances melancólicos.

O simbolismo é parecido.

O personagem está escondendo algo.

Pode ser:

  • trauma;

  • tristeza;

  • culpa;

  • insegurança;

  • isolamento.

O espectador percebe isso mesmo sem receber nenhuma explicação.


Por que isso funciona tão bem?

Porque o cérebro humano odeia lacunas.

Quando falta informação, tentamos preenchê-la.

É exatamente o mesmo princípio que faz funcionar:

  • histórias de mistério;

  • thrillers;

  • investigações;

  • conspirações.

O cérebro se torna participante da narrativa.

Ele começa a fazer hipóteses.

E quando o cérebro participa, o envolvimento emocional aumenta.


O operador de produção que não mostra os logs

Agora vamos trazer a discussão para nosso mundo.

Imagine um sistema crítico.

O job executa normalmente.

Nenhum erro aparece.

Nenhuma mensagem surge.

Nenhum alerta dispara.

Mas o processamento está mais lento.

Algo parece errado.

Você sabe que existe um problema.

Mas não consegue vê-lo.

Essa sensação é muito semelhante ao que sentimos diante de um personagem cujos olhos permanecem ocultos.

A informação existe.

Mas não está disponível.

O mistério gera atenção.


A evolução dos personagens

Outro detalhe interessante.

Muitos autores utilizam esse recurso apenas no início da história.

Conforme o personagem amadurece, seus olhos passam a ser mostrados com mais frequência.

É uma representação visual de crescimento emocional.

O personagem deixa de esconder quem é.

O público passa a enxergar seu interior.

Sem perceber, estamos assistindo uma transformação psicológica traduzida em elementos gráficos.


O terror japonês entende isso melhor do que ninguém

Os mestres do horror japonês exploram essa técnica há décadas.

Sadako.

Kayako.

Tomie.

Inúmeros fantasmas e espíritos.

Muitas vezes seus olhos estão:

  • escondidos;

  • cobertos;

  • sombreados;

  • distorcidos.

O motivo é profundamente psicológico.

O cérebro humano precisa dos olhos para classificar intenções.

Quando eles desaparecem, surge uma sensação ancestral de perigo.

Não sabemos o que aquela entidade quer.

Não sabemos o que está pensando.

Não sabemos se vai atacar.

A incerteza gera medo.


O oposto dos heróis clássicos

Agora observe os protagonistas tradicionais.

Dragon Ball.

Naruto.

One Piece.

My Hero Academia.

Eles geralmente possuem olhos enormes e expressivos.

O objetivo é exatamente o contrário.

O espectador deve compreender instantaneamente seus sentimentos.

Tudo é transparente.

Tudo é visível.

Tudo é emocionalmente acessível.

Por isso são personagens fáceis de gostar.

Você entende quem eles são.

Você entende o que sentem.

Você entende o que desejam.


A genialidade da linguagem visual japonesa

O que mais me impressiona nesse tema é perceber como o Japão transformou detalhes aparentemente simples em ferramentas narrativas sofisticadas.

Um brilho numa lente.

Uma sombra.

Uma franja.

Um reflexo.

Nada disso está ali por acaso.

São mensagens.

São códigos.

São informações transmitidas visualmente.

O espectador não precisa estudar psicologia para compreendê-las.

Seu cérebro interpreta tudo automaticamente.

E talvez seja exatamente por isso que os animes conseguem transmitir tantas emoções mesmo em cenas silenciosas.


Considerações finais

Quando assistimos um anime e vemos um personagem cujos olhos desaparecem atrás dos óculos, estamos observando muito mais do que um simples efeito gráfico.

Estamos vendo um recurso narrativo construído ao longo de décadas.

Uma ferramenta que mistura:

  • psicologia humana;

  • semiótica;

  • cultura japonesa;

  • linguagem cinematográfica;

  • design de personagens.

Os olhos representam acesso.

Quando aparecem, conhecemos a pessoa.

Quando desaparecem, surge o mistério.

E talvez essa seja a verdadeira magia dos animes.

Eles entendem algo que a tecnologia, os sistemas e até os ambientes corporativos nos ensinam diariamente:

Nem sempre o que mais importa está visível.

Às vezes os dados mais importantes estão escondidos atrás da interface.

Atrás da tela.

Atrás do log.

Ou, como gostam os mestres da animação japonesa...

Atrás de um simples par de óculos.


🥃 Cachaça, Uísque e Vodka – a Guerra Fria dos Copos Paulistanos

 



🥃 Cachaça, Uísque e Vodka – a Guerra Fria dos Copos Paulistanos
por El Jefe – Bellacosa Mainframe / Filosofia de Balcão Edition

Em São Paulo, o mundo se divide em três castas invisíveis, mais antigas que o DDD 011:
os que bebem cachaça, os que juram por uísque, e os que se acham modernos com vodka.
Três destilados, três ideologias, três maneiras de encarar a vida — e a ressaca.
É a luta de classes em estado líquido.

💥 CENA 1: O BOTECÃO DO PROLETARIADO
Num balcão de zinco em São Miguel, o proletário chega de macacão azul, suando dignidade.
Pede sua caninha sem olhar o rótulo.
Cachaça é cachaça — e conversa encerrada.
Bebe num copo 7, puro, sem frescura, com aquele golpe seco que parece bronca de pai.
É a bebida da honra operária, do salário suado, da marmita de alumínio e da conversa direta:

“Aqui é pinga, não é perfuminho de russo.”

A cachaça nasceu com o Brasil.
É o log do país: destilada da cana, ignorada pela elite, mas mantida viva pelo povo.
Aguardente, caninha, marvada — chame como quiser.
Ela atravessou impérios, repúblicas, planos econômicos e amores de bar.
É o firmware etílico nacional, o código-fonte da brasilidade.

📈 CENA 2: O BURGUÊS DE BLAZER E GELO IMPORTADO
Corta para o Jardins.
A taça de cristal, o terno alinhado, o “me vê um uísque com duas pedras de gelo, por favor”.
O uísque é o login do status.
É o jeito de dizer “trabalho com importação e exportação” sem precisar provar nada.
É a bebida de quem acha que “boteco” é conceito gourmet e não sobrevivência.

Mas há que se reconhecer: o uísque tem sua história.
Chegou aos bares paulistanos nos anos 50, quando os diplomatas e os publicitários começaram a sonhar em inglês.
No fim dos 70, virou febre entre os executivos da Paulista, os mesmos que usavam terno no calor e falavam “weekend” em vez de fim de semana.
Foi a era do Teacher’s, do Old Eight, do Red Label — e da pretensão líquida.

Mas até ele tem seu lado humano.
Porque depois da terceira dose, o executivo também chora, também fala da ex, e também termina a noite no pastel da esquina com os proletários.
No fim, o uísque só disfarça o mesmo bug: a solidão bem servida.

❄️ CENA 3: O FRESCO URBANO DE COPINHO TRANSPARENTE
E então veio ela: a vodka.
Filha da era pós-moderna, sem cheiro, sem cor, sem culpa.
A preferida da geração que troca “boteco” por “bar descolado” e pinga por “shot gelado”.
Nos anos 90, quando os DJs tomaram o lugar dos sanfoneiros e a Balalaika invadiu os supermercados, nasceu o beber cosmopolita.

A vodka era o símbolo da modernidade líquida de Bauman, só que servida com groselha.
Foi a bebida dos jovens da Augusta, das raves em galpão, das baladas onde a autenticidade era medida pelo teor alcoólico.
E convenhamos: vodka é uma delícia travestida de neutralidade.
Ela combina com tudo — suco, energético, drama, carência — e não fede a nada.
É o sistema operacional multiplataforma da bebedeira.

⚙️ O CHOQUE DE SISTEMAS
Cachaça é mainframe: sólida, confiável, roda há séculos.
Uísque é middleware: precisa de status, licenciamento e manual de uso.
Vodka é nuvem: leve, translúcida e cheia de bug emocional.

Mas no boteco da Sé, todos rodam no mesmo servidor.
Porque ali, a filosofia de balcão é simples:

“O copo é o mesmo. O que muda é o código-fonte da vergonha.”

🔮 ADAPTAÇÕES, GOURMETIZAÇÕES E HERESIAS
Nos anos 2000, inventaram a cachaça premium — envelhecida em barril francês e vendida em shopping.
O uísque ganhou versão com energético, pra parecer jovem.
E a vodka virou base de drink “fit” com água de coco.
A guerra virou comédia.
A elite bebe o que o povo inventou, o povo sonha com o que a elite bebe, e o fresco fotografa tudo pro Instagram.

🗣️ LENDAS DE BALCÃO
Dizem que a cachaça foi quem derrubou mais presidentes que qualquer golpe.
O uísque inspirou mais demissões que o FMI.
E a vodka... bem, a vodka é responsável por mais mensagens indevidas às 3h da manhã do que qualquer outro software emocional.

💬 REFLEXÃO FINAL – A DEMOCRACIA DO GOLÉ
No fundo, toda bebida é igual.
Todas queimam, todas consolam, todas mentem.
O que muda é a interface social.
O proletário brinda à sobrevivência.
O burguês, à aparência.
E o fresco, à estética do gole perfeito.

Mas o Bellacosa te lembra:

“No fim da noite, o copo é um espelho. E o que você bebe é o reflexo do que não quer admitir.”

🥂 Moral do balcão:
A cachaça fala a verdade.
O uísque disfarça a dor.
E a vodka finge que nada aconteceu.
Mas, no fundo, todos os três rodam sob o mesmo sistema operacional: o coração humano em modo debug.


🕶️ Bellacosa Mainframe – onde filosofia e pinga rodam na mesma partição.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Ano novo em São Tomé das Letras: Queima de fogos.


Deu 23:59 em São Tomé das Letras.


Dentro de alguns segundos, irá terminar a segunda década do século XXI,  2020 esta as portas, um ano bissexto, cheio de surpresas e coisas incomuns.

Estamos na praça central rodeado de pessoas, aguardando ansiosos por este momento mágico, quando o relógio irá reiniciar e começar tudo de novo.

Mais um ciclo em volta do Sol, nossa simpática bolinha azul segue sua orbita num ano com 366 dias, eleições municipais, possivelmente uma nova guerra no Oriente Médio, nossos bons e velhos políticos se preparando para fazerem promessas e enganar o povo.

Espero que goste do vídeo, Feliz Ano Novo, Bom 2020 a todos. Espero que este ano seja cheio de saúde, paz, realizações e prosperidade a todos.

#MinasGerais #SãoToméDasLetras #AnoNovo #Feliz2020 #Revellion #FestsDaVirada #QueimaDeFogos #FogosDeArtificio #Saude #Paz #Prosperidade #Fartura #Amigos




domingo, 5 de janeiro de 2020

Vale das Borboletas em São Tomé das Letras belas e suaves cachoeiras

Um vale cortado por um riacho com belas cachoeiras.


Estamos a caminho do Vale das Borboletas, uma pequena garganta com algumas quedas dáguas a menos de 3 quilômetros de São Tomé.

Seguindo pelo portal da cidade, descendo a serra rumo há uma estrada de terra, chegaremos numa movimentada vila, cheia de comercio, turistas e muitas surpresas.

Imagine caminhando por um gramado até encontrar a primeira corredeira e sua pequena cascata, uma piscina natural agradável para a família inteira.

Com muitas pedras e lagoas naturais, muito verde e fauna fantástica para apreciar e curtir a paz.

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sábado, 4 de janeiro de 2020

Um portal? A Pedra Furada em São Tomé das Letras

Um ponto de encontro para todas as tribos.


Seja você um hippie ou tecnológico, fan de fantasia ou cientólogo... São Tomé é unica por abrigar tantas tribos diferentes, muitas historias estranhas rolam por aqui.

Estamos num dos pontos emblemáticos da cidade , encravada em meio há uma mina de extração de placas de pedra, testemunhando explosões e caminhões.

Nos momentos de paz montes de peregrinos escalam e sentam-se sobre sua lage, apreciando o nascer do sol, ou mesmo o poente, avistado uma longa cadeias de morros, montes e colinas.

Uma visão de perder a vista,  evocando a paz e tranquilidade, alguns dizem que serve de portal para o mundo das Fadas, outros dizem que se trata de um ponto sinalizador para ovnis aqui pararem.

Escolha você a versão que mais te agrade, sinta a energia que emana deste local, reabasteça-se e curta a paz, medite, aprecie e viaje.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Toca do LEÂO e o sol poente em São Tomé das Letras.

No lado leste da cidade de São Tomé existe um pico encantado.


Formado por  pequenos labirintos de pedras, vegetação rasteira e muitos cactos este tesouro parcialmente escondido brinda seus visitantes com uma vista fabulosa.

Imagine apreciar o por do sol ao cimo de uma pedra, ver diversos pequenos animalzinhos, lagartos, aves e muito mais, passeando pelas ruas de pedra. O Parque Antonio Rosa conserva a melhor vista da cidade, uma monte de surpresas te aguarda.

Podemos ver uma estatua em homenagem aos extratores de pedra, vários caminhos levam de volta a cidade, trilhas seguem ao cruzeiro, a piramide e a pedra da Bruxa.

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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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