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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Segunda braba, cansado e com chuva a chegada do fretado


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🌧️ Segunda Braba — Quando Trabalhar em São Paulo Deixou de Fechar a Conta

O salário era da capital. O custo também. E quatro horas do meu dia não apareciam no holerite.

Durante muitos anos, morar em Itatiba e trabalhar em São Paulo fazia sentido.

A distância era grande, o deslocamento cansativo, mas existia uma compensação importante: a diferença salarial era brutal.

Os salários oferecidos na capital, principalmente para profissionais especializados em tecnologia, justificavam acordar cedo, pegar o fretado e percorrer diariamente dezenas de quilômetros. Morávamos no interior, com um custo de vida relativamente menor, enquanto recebíamos salários do mercado paulistano.

A conta fechava.

Só que o tempo passou.

Entre o começo dos anos 2000 e aquela segunda-feira fria de 2016, muita coisa mudou.

Os salários sofreram um verdadeiro arrocho. O ganho real diminuiu enquanto praticamente todo o resto ficou mais caro.

E São Paulo ficou cada vez mais distante.

Não geograficamente.

Distante em horas.



A Rodovia dos Bandeirantes, que durante muito tempo representou uma ligação relativamente rápida com a capital, começou a encontrar seus próprios gargalos. Depois vinham as Marginais, onde aquilo que já era ruim conseguiu ficar ainda pior.

Mas apareceu outro complicador: as restrições impostas aos ônibus fretados.

Foram criadas áreas onde eles não podiam mais circular livremente. Para quem vinha do interior, isso significava descer antes do destino e procurar outra maneira de completar a viagem.

Metrô.

Ônibus.

Táxi.

Caminhada.

Mais dinheiro.

Mais tempo.

Mais uma conexão em uma viagem que já era longa.

E então comecei a perceber que havia algo errado naquela velha equação.

Porque trabalhar em São Paulo nunca custou apenas o fretado.

Havia o almoço.

O café.

O lanche.

Uma refeição que no interior custava determinado valor facilmente podia custar duas ou três vezes mais na Vila Olímpia.

Havia também outro custo quase invisível: vestir-se para trabalhar em São Paulo.

Camisa adequada.

Calça social.

Sapatos impecáveis e engraxados.

Um guarda-roupa compatível com aquele ambiente corporativo também fazia parte do preço de estar ali.

E ainda faltava colocar na planilha o item mais caro de todos:

tempo.

O Vilão Kassab como uma canetada afetou milhares de trabalhadores e piorou o transito em Sampa

Duas horas para ir.

Duas horas para voltar.

Quatro horas do meu dia que jamais apareceram no holerite.

Quatro horas que não eram consideradas jornada de trabalho, mas também não eram exatamente minhas.

Naquela segunda-feira de abril de 2016 fazia frio.

Chovia.

Eu estava cansado.

Dentro do fretado aquecido ainda existia algum conforto. Talvez alguns minutos de sono enquanto observava São Paulo despertar através da janela.

Mas inevitavelmente a porta se abriria.

Era preciso colocar o gorro, enfrentar a chuva e completar o caminho até o escritório.

Naquele momento talvez eu não estivesse fazendo todas essas contas conscientemente.

Hoje, olhando para trás, consigo enxergá-las.

O problema nunca foi apenas uma segunda-feira braba.

Era uma equação econômica que lentamente deixava de funcionar.

Salário da capital.

Alimentação da capital.

Roupa da capital.

Trânsito da capital.

E o custo de morar longe sendo pago todos os dias.

Talvez a pergunta correta nunca tenha sido:

“Quanto posso ganhar trabalhando em São Paulo?”

A pergunta deveria ser:

“Quanto São Paulo precisa me pagar para comprar quatro horas da minha vida todos os dias?”

Naquela segunda-feira fria e chuvosa, a resposta começava a ficar evidente.

A conta já não fechava como antigamente.

E ainda era preciso trabalhar o dia inteiro antes de enfrentar todo o caminho de volta para casa.

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Segundona com chuva


Mais uma semana começa e agora com chuvinha, por sorte a estrada estava boa sem nenhum acidente, agora e só correr para o escritório, tentando se molhar pouco.



O sono era tanto que ate estava de óculos escuro e gorrinho para sair a rua, o fretado estava quentinho e la fora tava tão friozinho.

Eh gostoso acompanhar o dia a dia da cidade com a chegada do fretado.






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Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
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Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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