| Bellacosa Mainframe e lembranças da Festa Junina no Colégio São José |
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
🌽 Quadrilha e o Forró do São João — Uma Festa Perdida no Tempo
Voltamos ao Colégio São José, naquela animada Festa Junina em que os verdadeiros protagonistas eram o pequeno Formiga e seus colegas.
Era uma daquelas quermesses escolares feitas para reunir todo mundo. Crianças, professores, papais, mamães, irmãos, avós e convidados dividiam o mesmo espaço entre bandeirinhas coloridas, música, barracas e os inevitáveis comes e bebes de uma boa festa junina.
Mas a grande atração eram mesmo as crianças.
Ao longo da festa, cada turma, cada classe e cada série tinha preparado sua própria apresentação. A cada hora, aproximadamente, um novo grupo ocupava o espaço da dança para mostrar a coreografia ensaiada durante os dias anteriores.
E começava novamente aquele pequeno ritual.
Os pais procuravam um bom lugar.
Celulares e câmeras apareciam.
Alguém chamava:
— Olha aqui!
Outro tentava descobrir onde estava o próprio filho no meio daquele pequeno exército de chapéus de palha, vestidos coloridos e rostos pintados.
E então começava a música.
🎶 Cada turma contava sua própria história
Não era simplesmente colocar todas as crianças para repetir a mesma quadrilha.
Cada grupo havia preparado sua apresentação, criando coreografias diferentes e enriquecendo ainda mais aquela tarde de festa.
Em uma delas, as crianças formavam círculos. Em outro momento, os meninos ficavam agachados enquanto as meninas circulavam ao redor deles. Depois os papéis se invertiam.
Tudo acompanhado pelo ritmo alegre do forró e pela atenção absoluta dos familiares.
Para as crianças provavelmente era principalmente uma grande brincadeira.
Para os pais havia outra coisa acontecendo.
Era orgulho.
Aquele instante em que você procura seu filho no meio de dezenas de crianças e, quando finalmente o encontra, praticamente esquece todo o restante da apresentação.
Ali está ele.
E pronto.
Durante alguns minutos, aquele pequeno dançarino torna-se a pessoa mais importante de toda a festa.
Naquele dia, para mim, esse pequeno protagonista era o Formiga.
📹 Na época era apenas um vídeo
Talvez esta seja uma das coisas mais interessantes de manter um blog durante tantos anos.
Em 2017 eu estava simplesmente registrando o presente.
Peguei a câmera, filmei alguns minutos, publiquei o vídeo e escrevi sobre aquilo que estava acontecendo diante dos meus olhos.
Não parecia História.
Era apenas sábado.
Era apenas uma Festa Junina.
Era apenas uma apresentação das crianças.
Era apenas mais um daqueles pequenos acontecimentos do cotidiano que imaginamos que estarão disponíveis para sempre.
Mas não estão.
O tempo passou.
E aquele pequeno vídeo começou silenciosamente a mudar de significado.
⏳ As crianças cresceram
Hoje, ao rever essas imagens tantos anos depois, existe uma sensação completamente diferente.
Aquelas crianças cresceram.
Muitas são hoje adolescentes. Outras já estão entrando na vida adulta.
Possivelmente algumas delas nem se lembram mais espontaneamente daquela Festa Junina do Colégio São José.
Vieram outras escolas, outros professores, provas, amizades, namoros, vestibulares, empregos e milhares de acontecimentos que foram sendo empilhados sobre aquela memória.
Talvez alguém que aparece durante poucos segundos naquele vídeo jamais tenha pensado novamente naquele dia.
Até apertar PLAY.
Então acontece uma coisa maravilhosa.
A música começa.
A imagem se movimenta.
Aparecem os colegas.
Surge um rosto conhecido.
— Nossa! Fulano!
Depois outro.
— Olha eu ali!
E, subitamente, uma tarde aparentemente perdida de 2017 reaparece.
Não apenas intelectualmente.
A memória começa a reconstruir detalhes que a pessoa nem sabia que ainda guardava.
Talvez se lembre da roupa.
Do professor.
Do amigo que estava ao lado.
Do ensaio.
Da vergonha de dançar.
Da mãe filmando.
Do pai assistindo.
Do cheiro da comida.
Da música.
De alguma pequena confusão ocorrida minutos antes da apresentação.
É o poder curioso de uma fotografia ou de alguns segundos de vídeo: eles funcionam como índices para arquivos que o nosso cérebro acreditava ter apagado.
🏮 Uma festa perdida no tempo
É justamente por isso que hoje gosto ainda mais deste pequeno registro.
Ele deixou de ser apenas o vídeo de uma quadrilha.
Transformou-se numa espécie de cápsula do tempo do Colégio São José.
Ali estão roupas, músicas, brincadeiras, professores, famílias e principalmente crianças congeladas em determinado ponto de suas vidas.
Durante alguns minutos ninguém precisava pensar no que aconteceria dez anos depois.
Não existiam vestibulares.
Não existiam currículos.
Não existiam boletos.
Não existiam chefes.
Não existia a pergunta sobre qual profissão seguir.
Existia apenas:
— Agora é a nossa turma!
E lá iam eles.
Dançar.
Errar um passo.
Olhar para o colega.
Tentar lembrar a coreografia.
Procurar os pais no meio da multidão.
E continuar dançando.
❤️ O verdadeiro valor aparece depois
Talvez ninguém naquela tarde tivesse consciência de que estava construindo uma memória.
É justamente isso que torna esses registros cotidianos tão preciosos.
As grandes ocasiões nós sabemos que devemos fotografar.
Casamentos, formaturas, aniversários importantes e viagens recebem centenas de fotografias.
Mas são esses pequenos momentos aparentemente banais que frequentemente adquirem um valor gigantesco décadas depois.
Uma Festa Junina escolar.
Uma quadrilha.
Um prato de alguma coisa comprado numa barraca.
Uma criança usando chapéu de palha.
Uma música tocando.
Um pai segurando uma câmera.
Nada disso parecia extraordinário naquele momento.
Hoje é impossível repetir exatamente aquela tarde.
Podemos fazer outra festa.
Podemos montar as mesmas barracas.
Podemos tocar as mesmas músicas.
Podemos até reunir algumas das mesmas pessoas.
Mas jamais conseguiremos reunir novamente aquelas crianças, com aquelas idades, naquele Colégio São José, naquele instante de suas vidas.
Essa festa existe agora somente nas lembranças de quem esteve lá — e nos pequenos fragmentos que tivemos a sorte de guardar.
Por isso este vídeo continua aqui.
Para o Formiga.
Para seus antigos colegas.
Para os papais e mamães que estavam orgulhosos assistindo às apresentações.
E talvez para algum daqueles pequenos dançarinos que, muitos anos depois, encontre esta página por acaso, aperte PLAY e reconheça a si mesmo correndo ou dançando no fundo da imagem.
Nesse momento talvez venha um sorriso involuntário.
E aquela sensação tão estranha e gostosa:
— Meu Deus... eu lembro disso.
Então, durante alguns minutos, aquela Festa Junina perdida no tempo estará acontecendo novamente.
As bandeirinhas voltarão a balançar.
O forró voltará a tocar.
As crianças voltarão para suas posições.
E o pequeno Formiga e seus colegas serão crianças outra vez.
Nem que seja apenas enquanto durar o vídeo.
Forro do São João no São José
Chapéu de palha, vestidinho de chita e sardinhas nos rostos rosados estas caipirinhas estão todas paramentadas prontas para a festa.
As crianças da Quadrilha não param de aprontar, agora estão dançando um forro de São João todas as crianças estão em círculos: os meninos agachados e as meninas em rodando os círculos, depois os meninos circulando as rodinhas e aproveitando para fazer a maior farra... você já dançou a quadrilha?