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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Quadrilha e o forro do São João

Bellacosa Mainframe e lembranças da Festa Junina no Colégio São José

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌽 Quadrilha e o Forró do São João — Uma Festa Perdida no Tempo

Voltamos ao Colégio São José, naquela animada Festa Junina em que os verdadeiros protagonistas eram o pequeno Formiga e seus colegas.

Era uma daquelas quermesses escolares feitas para reunir todo mundo. Crianças, professores, papais, mamães, irmãos, avós e convidados dividiam o mesmo espaço entre bandeirinhas coloridas, música, barracas e os inevitáveis comes e bebes de uma boa festa junina.

Mas a grande atração eram mesmo as crianças.

Ao longo da festa, cada turma, cada classe e cada série tinha preparado sua própria apresentação. A cada hora, aproximadamente, um novo grupo ocupava o espaço da dança para mostrar a coreografia ensaiada durante os dias anteriores.

E começava novamente aquele pequeno ritual.

Os pais procuravam um bom lugar.

Celulares e câmeras apareciam.

Alguém chamava:

— Olha aqui!

Outro tentava descobrir onde estava o próprio filho no meio daquele pequeno exército de chapéus de palha, vestidos coloridos e rostos pintados.

E então começava a música.



🎶 Cada turma contava sua própria história

Não era simplesmente colocar todas as crianças para repetir a mesma quadrilha.

Cada grupo havia preparado sua apresentação, criando coreografias diferentes e enriquecendo ainda mais aquela tarde de festa.

Em uma delas, as crianças formavam círculos. Em outro momento, os meninos ficavam agachados enquanto as meninas circulavam ao redor deles. Depois os papéis se invertiam.

Tudo acompanhado pelo ritmo alegre do forró e pela atenção absoluta dos familiares.

Para as crianças provavelmente era principalmente uma grande brincadeira.

Para os pais havia outra coisa acontecendo.

Era orgulho.

Aquele instante em que você procura seu filho no meio de dezenas de crianças e, quando finalmente o encontra, praticamente esquece todo o restante da apresentação.

Ali está ele.

E pronto.

Durante alguns minutos, aquele pequeno dançarino torna-se a pessoa mais importante de toda a festa.

Naquele dia, para mim, esse pequeno protagonista era o Formiga.



📹 Na época era apenas um vídeo

Talvez esta seja uma das coisas mais interessantes de manter um blog durante tantos anos.

Em 2017 eu estava simplesmente registrando o presente.

Peguei a câmera, filmei alguns minutos, publiquei o vídeo e escrevi sobre aquilo que estava acontecendo diante dos meus olhos.

Não parecia História.

Era apenas sábado.

Era apenas uma Festa Junina.

Era apenas uma apresentação das crianças.

Era apenas mais um daqueles pequenos acontecimentos do cotidiano que imaginamos que estarão disponíveis para sempre.

Mas não estão.

O tempo passou.

E aquele pequeno vídeo começou silenciosamente a mudar de significado.



⏳ As crianças cresceram

Hoje, ao rever essas imagens tantos anos depois, existe uma sensação completamente diferente.

Aquelas crianças cresceram.

Muitas são hoje adolescentes. Outras já estão entrando na vida adulta.

Possivelmente algumas delas nem se lembram mais espontaneamente daquela Festa Junina do Colégio São José.

Vieram outras escolas, outros professores, provas, amizades, namoros, vestibulares, empregos e milhares de acontecimentos que foram sendo empilhados sobre aquela memória.

Talvez alguém que aparece durante poucos segundos naquele vídeo jamais tenha pensado novamente naquele dia.

Até apertar PLAY.

Então acontece uma coisa maravilhosa.

A música começa.

A imagem se movimenta.

Aparecem os colegas.

Surge um rosto conhecido.

— Nossa! Fulano!

Depois outro.

— Olha eu ali!

E, subitamente, uma tarde aparentemente perdida de 2017 reaparece.

Não apenas intelectualmente.

A memória começa a reconstruir detalhes que a pessoa nem sabia que ainda guardava.

Talvez se lembre da roupa.

Do professor.

Do amigo que estava ao lado.

Do ensaio.

Da vergonha de dançar.

Da mãe filmando.

Do pai assistindo.

Do cheiro da comida.

Da música.

De alguma pequena confusão ocorrida minutos antes da apresentação.

É o poder curioso de uma fotografia ou de alguns segundos de vídeo: eles funcionam como índices para arquivos que o nosso cérebro acreditava ter apagado.

🏮 Uma festa perdida no tempo

É justamente por isso que hoje gosto ainda mais deste pequeno registro.

Ele deixou de ser apenas o vídeo de uma quadrilha.

Transformou-se numa espécie de cápsula do tempo do Colégio São José.

Ali estão roupas, músicas, brincadeiras, professores, famílias e principalmente crianças congeladas em determinado ponto de suas vidas.

Durante alguns minutos ninguém precisava pensar no que aconteceria dez anos depois.

Não existiam vestibulares.

Não existiam currículos.

Não existiam boletos.

Não existiam chefes.

Não existia a pergunta sobre qual profissão seguir.

Existia apenas:

— Agora é a nossa turma!

E lá iam eles.

Dançar.

Errar um passo.

Olhar para o colega.

Tentar lembrar a coreografia.

Procurar os pais no meio da multidão.

E continuar dançando.

❤️ O verdadeiro valor aparece depois

Talvez ninguém naquela tarde tivesse consciência de que estava construindo uma memória.

É justamente isso que torna esses registros cotidianos tão preciosos.

As grandes ocasiões nós sabemos que devemos fotografar.

Casamentos, formaturas, aniversários importantes e viagens recebem centenas de fotografias.

Mas são esses pequenos momentos aparentemente banais que frequentemente adquirem um valor gigantesco décadas depois.

Uma Festa Junina escolar.

Uma quadrilha.

Um prato de alguma coisa comprado numa barraca.

Uma criança usando chapéu de palha.

Uma música tocando.

Um pai segurando uma câmera.

Nada disso parecia extraordinário naquele momento.

Hoje é impossível repetir exatamente aquela tarde.

Podemos fazer outra festa.

Podemos montar as mesmas barracas.

Podemos tocar as mesmas músicas.

Podemos até reunir algumas das mesmas pessoas.

Mas jamais conseguiremos reunir novamente aquelas crianças, com aquelas idades, naquele Colégio São José, naquele instante de suas vidas.

Essa festa existe agora somente nas lembranças de quem esteve lá — e nos pequenos fragmentos que tivemos a sorte de guardar.

Por isso este vídeo continua aqui.

Para o Formiga.

Para seus antigos colegas.

Para os papais e mamães que estavam orgulhosos assistindo às apresentações.

E talvez para algum daqueles pequenos dançarinos que, muitos anos depois, encontre esta página por acaso, aperte PLAY e reconheça a si mesmo correndo ou dançando no fundo da imagem.

Nesse momento talvez venha um sorriso involuntário.

E aquela sensação tão estranha e gostosa:

— Meu Deus... eu lembro disso.

Então, durante alguns minutos, aquela Festa Junina perdida no tempo estará acontecendo novamente.

As bandeirinhas voltarão a balançar.

O forró voltará a tocar.

As crianças voltarão para suas posições.

E o pequeno Formiga e seus colegas serão crianças outra vez.

Nem que seja apenas enquanto durar o vídeo.

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Forro do São João no São José


Chapéu de palha, vestidinho de chita e sardinhas nos rostos rosados estas caipirinhas estão todas paramentadas prontas para a festa.

As crianças da Quadrilha não param de aprontar, agora estão dançando um forro de São João todas as crianças estão em círculos: os meninos agachados e as meninas em rodando os círculos, depois os meninos circulando as rodinhas e aproveitando para fazer a maior farra... você já dançou a quadrilha?




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma pescaria dos miúdos na quermesse

Bellacosa Mainframe e a pescaria na quermesse


Um Café no Bellacosa Mainframe

🎣 Uma Pescaria dos Miúdos na Quermesse — Quando o Formiga Recarregou a Bateria

No Colégio São José de Campinas havia quadrilha, sanfona, comes e bebes — mas nenhuma boa festa junina estaria completa sem aquele pequeno universo de pescarias, argolas, latas, bingo, cadeia e brincadeiras onde o prêmio importava muito menos que a aventura.

Há pequenos vídeos que parecem registrar quase nada.

Algumas crianças brincando.

Uma barraca.

Uma vara de pescaria.

Adultos observando.

Barulho de festa ao fundo.

Talvez alguns segundos.

Mas quase dez anos depois, quando voltamos a assistir, descobrimos que a câmera estava gravando muito mais.

Ela estava fazendo backup de uma tarde inteira.

E voltamos novamente àquele nosso dia mágico no Colégio São José, em Campinas.

🌽 Muito além da quadrilha

Já contei em outros pequenos fragmentos dessa festa sobre as apresentações, as quadrilhas, o forró, o sanfoneiro, as crianças fantasiadas e aquele pequeno personagem que naquele dia parecia possuir energia suficiente para alimentar metade de Campinas:

o Formiga.

Mas uma festa junina brasileira não vive apenas de dança.

Também não vive apenas de comida — embora seja bastante difícil explicar isso diante de uma mesa contendo pastel, cachorro-quente, pipoca, bolo, paçoca, milho, doces e outras maravilhas capazes de transformar qualquer tentativa de dieta em ficção científica.

Existe outro elemento fundamental da velha quermesse:

as barracas de jogos.

E talvez seja justamente nelas que sobreviva uma das partes mais antigas e bonitas dessas festas.

Não precisamos de videogame.

Não precisamos de realidade virtual.

Não precisamos de uma GPU monstruosa.

Precisamos apenas de algumas latas, uma bola feita de meia, argolas, garrafas, varinhas improvisadas, papel, barbante e...

imaginação.

O resto as crianças fazem.



🎣 A pescaria que não precisa de rio

Uma das barracas mais tradicionais é a pescaria.

Pequenos peixes ficam escondidos ou espalhados em uma área decorada, normalmente com números que correspondem aos prêmios.

A criança recebe uma pequena vara.

Na ponta, algum mecanismo simples permite “pescar” o peixe.

E começa a operação.

Olhos atentos.

Mão tentando ficar firme.

A vara balançando.

— Aquele!

Não.

— O outro!

Quase.

— Vai, Formiga!

Até que finalmente...

PESCAMOS!

Para um adulto é apenas uma brincadeira.

Para uma criança, naquele instante, provavelmente estamos diante de uma operação de pesca comercial no Atlântico Norte.

O peixinho é levantado como se tivesse quinze quilos.

Descobre-se o número.

Procura-se o prêmio correspondente.

E nasce aquele sorriso.

O objeto recebido pode ser simples.

Mas existe uma diferença gigantesca entre ganhar alguma coisa e conquistar alguma coisa.

O brinquedinho agora possui uma história.

Eu pesquei.

E isso muda tudo.



🔋 Formiga.exe voltou com CPU em 100%

Antes dessa etapa da festa, naturalmente existiu uma operação extremamente importante:

abastecimento.

O Formiga havia passado pelos comes e bebes.

Comeu.

Bebeu.

Recuperou energia.

E retornou para a festa aparentemente com a bateria novamente em:

100%.

Se existisse SDSF para crianças, provavelmente veríamos algo semelhante:

JOBNAME   CPU%   STATUS
FORMIGA   99.9   RUNNING
VAGUINHO  47.2   FOLLOWING
JULIANA   63.8   FOLLOWING

E lá fomos nós.

Eu e Juliana acompanhando o pequeno em sua peregrinação pelas barracas.

Para ele, cada uma representava uma aventura diferente.

Para nós, existia outro espetáculo acontecendo simultaneamente:

ver a alegria dele.




🎯 O parque de diversões construído pela comunidade

Essas barracas possuem algo que sempre achei fascinante.

Elas são simples.

Muito simples.

A famosa brincadeira de derrubar latas, por exemplo, pode utilizar literalmente:

latas vazias + bola de meia.

Hardware praticamente gratuito.

Mas o software?

Esse está instalado na imaginação.

De repente aquelas latas tornam-se um grande desafio de precisão.

O jogo de argolas transforma algumas garrafas em alvos disputadíssimos.

A pescaria transforma papelão e plástico em um lago cheio de tesouros.

O bingo transforma números sorteados em suspense coletivo.

E cada escola, igreja, bairro ou comunidade acaba inventando suas próprias variações.

Essa talvez seja uma das grandes características da quermesse:

ela é hackeável.

Cada geração modifica alguma coisa.

Alguém inventa uma brincadeira.

Outro professor acrescenta uma regra.

Um grupo de pais constrói uma barraca.

Os alunos ajudam.

E no ano seguinte alguém copia a ideia.

É quase um software open source cultural.


💌 Correio elegante

Existe ainda aquele clássico absolutamente maravilhoso:

o correio elegante.

Alguém escreve um bilhetinho.

Um mensageiro atravessa a festa.

Procura o destinatário.

Entrega.

Às vezes existe assinatura.

Às vezes não.

Às vezes é declaração.

Às vezes brincadeira.

Às vezes alguém passa os próximos vinte minutos tentando descobrir:

QUEM MANDOU ISSO?!

Muito antes de WhatsApp, Instagram, mensagens instantâneas e notificações, a quermesse já possuía sua própria rede social.

Só que o protocolo de transporte era um aluno correndo pelo pátio.


🚔 Você está preso!

Outra brincadeira clássica, hoje menos comum em algumas festas, era a famosa cadeia.

A lógica era maravilhosamente absurda.

Você pagava ao “delegado” para prender alguém.

Dois voluntários apareciam.

A vítima era conduzida para a cadeia da festa.

E precisava cumprir alguma condição da brincadeira para sair.

Era inevitável.

Amigos prendiam amigos.

Namorados prendiam namoradas.

Crianças queriam prender os pais.

Pais conspiravam contra outros pais.

Durante algumas horas surgia no meio da quermesse um sistema jurídico paralelo administrado provavelmente por alguém usando um chapéu de xerife comprado numa loja de fantasias.

E funcionava perfeitamente.

Ou quase.



🎁 De onde vinham os prêmios?

Existe ainda uma história escondida atrás das barracas.

Os prêmios não apareciam magicamente.

Durante os preparativos da festa, alunos e famílias ajudavam a arrecadar brindes.

Havia doações.

Pequenos presentes.

Objetos oferecidos por comerciantes.

Colaborações de pais.

Doações de verdadeiros mecenas da quermesse.

Depois tudo aquilo era organizado e distribuído pelas diferentes brincadeiras.

Um pequeno ecossistema comunitário começava a funcionar semanas antes de a primeira música tocar.

É fácil chegar à festa pronta e enxergar somente bandeirinhas.

Mas existe muito trabalho escondido ali.

Professores.

Funcionários.

Pais.

Alunos.

Voluntários.

Gente carregando mesa.

Gente montando barraca.

Gente separando prêmio.

Gente preparando comida.

Gente testando brincadeira.

Quando finalmente os portões abrem, toda aquela infraestrutura desaparece atrás da festa.

Como deve acontecer com uma boa infraestrutura.



🇧🇷🇯🇵 Espera... eu já vi isso em algum anime

Anos depois comecei a perceber uma coisa curiosa assistindo aos meus animes.

Especialmente os slice of life.

Chega determinado episódio e os personagens vão para algum festival.

Barracas.

Comida.

Jogos.

Prêmios.

Amigos caminhando juntos.

Crianças tentando ganhar alguma coisa.

Casais tímidos.

Luzes.

Música.

Gente circulando.

E inevitavelmente pensei:

peraí... isso é uma quermesse!

Naturalmente existem diferenças culturais enormes entre uma festa junina brasileira e os diversos festivais tradicionais japoneses.

Mas a lógica social por trás de muitos desses momentos é surpreendentemente familiar.

A comunidade se reúne.

Existem comidas características.

Existem brincadeiras.

Existem barracas.

Existem pequenos prêmios.

Existe o prazer de caminhar sem muita pressa.

E existe principalmente aquela sensação de que, durante algumas horas, aquele lugar pertence às pessoas que estão ali juntas.

Talvez seja por isso que essas cenas de anime pareçam tão familiares mesmo acontecendo do outro lado do planeta.

Troque algumas lanternas por bandeirinhas.

Troque determinadas comidas por pastel, milho e paçoca.

Coloque uma sanfona tocando ao fundo.

E talvez algum brasileiro olhe para aquilo e pense:

— Rapaz... conheço esse ambiente.


🧠 A brincadeira é maior que o prêmio

Talvez esteja aí uma coisa que os adultos frequentemente esquecem.

Nós avaliamos o prêmio pelo valor.

Uma criança avalia pela história.

Um brinquedinho barato comprado numa loja pode ser apenas um brinquedinho.

Mas aquele mesmo objeto conquistado depois de três tentativas para derrubar uma pilha de latas torna-se:

O PRÊMIO QUE EU GANHEI.

Existe esforço.

Existe expectativa.

Existe ritual.

Existe testemunha.

— Olha, Juju!

— Olha, Vaguinho!

E então o pequeno prêmio entra no inventário afetivo daquela criança.

Alguns desaparecem dias depois.

Outros quebram.

Outros ficam esquecidos numa gaveta.

Mas curiosamente a lembrança pode sobreviver ao próprio objeto.


🐜 E o Formiga?

O Formiga estava exatamente onde uma criança deveria estar naquela tarde.

Correndo.

Brincando.

Experimentando.

Gastando toda a energia recém-adquirida nos comes e bebes.

Descobrindo cada barraca.

Provavelmente pensando muito pouco sobre memória, tradição, cultura brasileira ou antropologia das festas populares.

Ainda bem.

Essa parte ficou conosco.

Ele tinha uma tarefa muito mais importante:

divertir-se.

Eu e Juliana simplesmente acompanhávamos a farra.

Naquele momento talvez não percebêssemos que estávamos armazenando algo.

Hoje percebo.


🥚 Easter egg — o prêmio verdadeiro estava fora da barraca

Existe um pequeno easter egg escondido nesse vídeo.

Durante toda a pescaria, naturalmente olhamos para a criança tentando pegar o peixe.

Depois olhamos para o prêmio.

Qual número saiu?

O que ele ganhou?

Mas quase uma década depois o objeto já não importa muito.

Talvez nem consigamos lembrar qual foi.

O verdadeiro prêmio estava fora da barraca.

Era aquela tarde.

Era Juliana.

Era o Formiga.

Era eu.

Era a música ao fundo.

Eram dezenas de famílias circulando.

Era aquele pequeno mundo do Colégio São José funcionando durante algumas horas como se nada mais existisse.

A pescaria era apenas a interface.

O prêmio era estar lá.


💾 Um backup chamado vídeo

Talvez seja por isso que gosto tanto desses pequenos vídeos aparentemente banais.

Não são grandes acontecimentos.

Não existe monumento.

Não existe viagem internacional.

Não existe acontecimento histórico.

Existe uma criança brincando numa quermesse.

Mas são justamente essas coisas que o tempo destrói primeiro.

O jeito de falar.

A altura da criança.

A voz.

A roupa.

O movimento.

As pessoas passando ao fundo.

Uma decoração que nunca mais será montada exatamente daquela maneira.

Até aquele pequeno brinquedo desaparecido.

Então apertamos REC sem imaginar muito.

Anos depois apertamos PLAY.

E acontece uma coisa extraordinária.

Por alguns segundos...

o Formiga volta a estar com a bateria em 100%.

Juliana está ali.

Eu estou acompanhando.

A pescaria continua funcionando.

A quadrilha ainda não terminou.

O sanfoneiro continua tocando em algum outro fragmento daquele dia.

As barracas continuam cheias.

E a festa junina do Colégio São José ainda não acabou.

Talvez essa seja uma das funções mais bonitas desses velhos vídeos.

Eles não registram simplesmente o passado.

São pequenos RESTORE POINTS da nossa vida.

E enquanto conseguirmos apertar PLAY...

aquele JOB ainda pode rodar novamente.

//FORMIGA JOB (SAOJOSE),'FESTA JUNINA'
//STEP01 EXEC PGM=MEMORIA
//SYSIN DD *
PESCAR
BRINCAR
RIR
GUARDAR
/*

MAXCC = 0000

Bellacosa Mainframe — porque algumas das rotinas mais importantes da nossa vida nunca foram documentadas. Apenas vividas.

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Aspectos lúdicos da Festa Junina


Uma festa junina digna desse nome não pode deixar de ter as famosas barraquinhas que fazem a alegria da criançada, jogos sociais típicos das Festas Populares tais como pescaria, roleta, tiro ao alvo com bolas, bingo e outras barracas.

Na quermesse do São José teve barraca de pescaria, da cadeia, de acertar o alvo, chutar bolo no gol....

O formiga adorou a pescaria e ficou ali um bom tempo lutando para conseguir apanhar seus peixinhos.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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