☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta Tradição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tradição. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de abril de 2023

🎭🌸 DESCUBRA MÁSCARAS DIVINAS (KAMEN DE DEUSES E ESPÍRITOS BENEVOLENTES)

 

Bellacosa Mainframe mergulha nas mascaras divinas japonesas presentes em tantos animes

🎭🌸 1) MÁSCARAS DIVINAS (KAMEN DE DEUSES E ESPÍRITOS BENEVOLENTES)



🔶 Okina (翁)

Máscara do “velho sábio divino”. Usada em rituais sagrados para trazer prosperidade.

🔶 Uba (姥)

A velha matriarca, representando longevidade e sabedoria ancestral.

🔶 Uzume / Ame-no-Uzume

Deusa do riso, alegria e celebração. Usada em danças Kagura.

🔶 Sarutahiko

Deus de nariz gigante, guardião de caminhos e rotas. Muito usado em danças rituais.



👹🔥 2) DEMÔNIOS, ESPÍRITOS MALEFICOS E YOKAIS


🔶 Oni (鬼)

O demônio clássico — já falamos dele.

🔶 Tengu (天狗)

Criatura metade homem metade corvo, mestre das artes marciais.

🔶 Hannya (般若)

A mulher transformada em demônio pelo ciúme. Uma das máscaras mais famosas.

🔶 Ja / Hebi (蛇)

Serpentes demoníacas — dependendo da máscara, podem ser vingativas ou protetoras.

🔶 Shikami (獅噛)

Demônio feroz de expressão deformada usado em teatro Noh para representar força imparável.

🔶 Ko-omote Demonizado

Versão distorcida da jovem pura, quando ela “desce a lenha espiritual”.




🦊✨ 3) ANIMAIS SAGRADOS E ESPÍRITOS

🔶 Kitsune / Inari (狐)

Raposa espiritual — serva da deusa Inari.
Pode ser protetora ou enganadora.

🔶 Hyottoko (ひょっとこ)

Nariz torto, boca arredondada, expressão cômica. Espírito do fogo doméstico.

🔶 Okame / Otafuku (おかめ)

A mulher sorridente — símbolo de fertilidade e boa sorte.

🔶 Tanuki (狸)

O guaxinim mágico do folclore japonês — trapaceiro profissional.



👺🎭 4) HUMANOS ARQUETÍPICOS (USADOS EM TEATRO NOH E KYŌGEN)

🔶 Ko-omote (小面)

Jovem mulher pura e delicada.

🔶 Fudō / Yase-otoko

Homem doente, ascético ou faminto.

🔶 Chūjō

Nobre jovem masculino — beleza idealizada.

🔶 Heida / Otoko

Guerreiro more tradicional, expressão firme.

🔶 Waka-onna

Mulher adulta refinada.

🔶 Deigan

Mulher ciumenta, mas ainda não demonizada.


👻🌕 5) ESPÍRITOS, FANTASMAS E SERES SOBRENATURAIS

🔶 Yūrei (幽霊)

Fantasma feminino clássico de cabelos longos.

🔶 Onna-men Fantasma

Mulher transformada em espírito vingativo.

🔶 Kawazu

Espírito de sapo — muito raro e regional.

🔶 Ryū (竜)

Dragão espiritual — usado em festivais e rituais.



🏮🛖 6) MÁSCARAS RITUAIS E FOLCLÓRICAS REGIONAIS

🔶 Namahage (生剥)

Demonões das montanhas de Akita que descem no Ano Novo.
Clássicos para assustar crianças preguiçosas.

🔶 Shishi-gashira (獅子頭)

Cabeça de leão usada em danças da sorte (Shishimai).

🔶 O-beshimi / Yase-otoko

Máscaras austeras e assustadoras usadas em danças budistas.

🔶 Kagura-men

Vários tipos usados em danças xintoístas — de deuses a animais.



🧠📜 7) TEATRO NOH — LISTA TÉCNICA CLÁSSICA (para puristas)

O repertório formal do Noh tem mais de 60 máscaras principais, incluindo subdivisões de:

  • Menmasu (homens)

  • Onna-men (mulheres)

  • Onryō-men (espíritos vingativos)

  • Kishin (demônios)

  • Ryō-men (duas faces)

  • Kokushiki (velhos, monges, ascetas)

Se quiser, posso listar uma por uma, junto com origem e função, mas prepare o café — é tipo ler catálogo do SMP/E.


RESUMÃO PARA GUARDAR NA MENTE (E NO SPOOl)

Existem pelo menos:

  • 10+ máscaras divinas

  • 10+ máscaras demoníacas e yokais

  • 20+ máscaras de teatro clássico (Noh e Kyōgen)

  • 10+ máscaras regionais de festivais

👉 Ou seja:
Mais de 50 máscaras tradicionais, indo facilmente a 80+ se contarmos variantes regionais.


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Animes que exploram amizade, perda, reconciliação e o peso silencioso das memórias.

 

Bellacosa Mainframe apresenta animes que mexem com a alma

Animes que exploram amizade, perda, reconciliação e o peso silencioso das memórias.

Existe anime para passar o tempo. Existe anime para acompanhar enquanto jantamos. Existe aquele que termina, recebe uma nota no MyAnimeList e desaparece silenciosamente no gigantesco arquivo morto da memória. E então existem aqueles animes.

Os perigosos.

Aqueles que começam inocentemente com estudantes, flores de cerejeira, festivais escolares e uma música bonitinha no encerramento. Algumas horas depois, você está olhando para os créditos em absoluto silêncio, enquanto o cérebro tenta processar quem autorizou um estúdio japonês a executar tamanho ABEND emocional.

É nesse território que o Bellacosa Mainframe entra hoje.

Não estamos procurando necessariamente os melhores animes, os mais famosos ou aqueles com maior orçamento. Esta é uma seleção de histórias capazes de deixar alguma coisa rodando em background muito depois do último episódio: saudade, perda, amizade, família, culpa, amadurecimento, amor e aquela inconveniente descoberta de que algumas pessoas passam rapidamente por nossa vida, mas permanecem indefinidamente em nossa memória.

De Clannad a To Your Eternity, passando por Orange, Your Lie in April e Angel Beats!, prepare o coração.

Porque desta vez não vamos analisar apenas animação.

Vamos descobrir como alguns animes conseguem acessar uma partição do mainframe humano que jurávamos estar protegida contra escrita.

🌸 1. Clannad / Clannad: After Story (2007–2009)

Sinopse:
Tomoya Okazaki é um estudante apático até conhecer Nagisa Furukawa, uma garota delicada que sonha em reviver o clube de teatro. Entre risadas e lágrimas, a história evolui para a vida adulta, mostrando o poder do amor, da família e do perdão.

Ano: 2007 (After Story: 2008)
Personagens: Tomoya, Nagisa, Ushio, Kyou, Fuko.
Resumo: Um mergulho emocional sobre amadurecimento, perda e renascimento.
Dica: After Story é considerado uma das obras mais tristes da história do anime — e também uma das mais belas.
Curiosidade: A trilha Dango Daikazoku tornou-se um ícone cultural no Japão.




🌧️ 2. Orange (2016)

Sinopse:
Naho recebe uma carta escrita por ela mesma — mas dez anos no futuro. A mensagem pede que ela impeça o arrependimento que a atormenta: salvar a vida de Kakeru Naruse, o novo colega de classe.

Ano: 2016
Personagens: Naho, Kakeru, Suwa, Hagita, Takako, Azusa.
Resumo: Uma história sobre destino, amizade e a delicadeza de cuidar de quem sofre em silêncio.
Dica: Ideal para quem busca algo que mistura slice of life com viagem no tempo emocional.
Curiosidade: A autora, Ichigo Takano, baseou a obra em um caso real de depressão adolescente.


🕊️ 3. A Lull in the Sea (Nagi no Asukara, 2013–2014)

Sinopse:
Humanos do mar e da superfície vivem separados. Quando jovens de ambos os mundos começam a estudar juntos, o amor, o ciúme e o tempo desafiam suas vidas.

Ano: 2013
Personagens: Hikari, Manaka, Chisaki, Tsumugu, Kaname.
Resumo: Um drama poético sobre amadurecer, mudar e aceitar que nem todos os sentimentos encontram retorno.
Dica: Produzido pela mesma equipe criativa de AnohanaSuper Peace Busters.
Curiosidade: Cada episódio tem composições visuais que lembram pintura aquarela, reforçando a melancolia da história.


💫 4. Your Lie in April (Shigatsu wa Kimi no Uso, 2014)

Sinopse:
Kousei Arima, um prodígio do piano, vive sem cor desde a morte da mãe. Até conhecer Kaori, uma violinista livre que devolve o som — e o sentido — à sua vida.

Ano: 2014
Personagens: Kousei, Kaori, Tsubaki, Watari.
Resumo: Um drama sobre arte, perda e a beleza do efêmero.
Dica: Veja até o fim. Cada nota tocada tem significado.
Curiosidade: Inspirou inúmeras apresentações musicais em escolas japonesas — e a peça “Etude no. 9” é símbolo do luto e da superação.


🪶 5. Angel Beats! (2010)

Sinopse:
Num mundo entre a vida e a morte, jovens com traumas não resolvidos se reúnem numa escola onde precisam fazer as pazes com o passado antes de seguir adiante.

Ano: 2010
Personagens: Otonashi, Kanade, Yuri, Hinata.
Resumo: Mistura ação, comédia e lágrimas — uma metáfora sobre redenção e aceitação.
Dica: Reassista o último episódio duas vezes. Há mensagens ocultas.
Curiosidade: Criado por Jun Maeda, o mesmo roteirista de Clannad e Charlotte.


🌻 6. A Place Further Than the Universe (Sora yori mo Tooi Basho, 2018)

Sinopse:
Quatro garotas embarcam em uma jornada à Antártida, cada uma fugindo de algo — ou buscando algo que perdeu.

Ano: 2018
Personagens: Mari, Shirase, Hinata, Yuzuki.
Resumo: Uma história sobre amizade, coragem e o luto que se transforma em impulso de vida.
Dica: Baseado em missões reais japonesas à Antártida.
Curiosidade: A carta de Shirase à mãe é considerada uma das cenas mais emocionantes da década.


💔 7. I Want to Eat Your Pancreas (Kimi no Suizou wo Tabetai, 2018)

Sinopse:
Um estudante reservado descobre o diário de uma colega com uma doença terminal. A convivência deles se torna uma breve, porém inesquecível lição sobre viver intensamente.

Ano: 2018
Personagens: Haruki, Sakura.
Resumo: Um romance sobre efemeridade, vulnerabilidade e o poder das conexões inesperadas.
Dica: Não se assuste com o título — é uma metáfora.
Curiosidade: O autor usou pseudônimo para não ser reconhecido após o sucesso repentino.


🌙 8. Kokoro Connect (2012)

Sinopse:
Cinco colegas de escola começam a vivenciar fenômenos sobrenaturais que trocam seus corpos e revelam segredos que deveriam permanecer ocultos.

Ano: 2012
Personagens: Taichi, Iori, Himeko, Yoshifumi, Yui.
Resumo: Um estudo psicológico sobre vulnerabilidade, empatia e identidade.
Dica: Repare como cada troca corporal representa traumas internos.
Curiosidade: O anime inspirou debates sobre ética emocional entre adolescentes no Japão.


🐚 9. The Anthem of the Heart (Kokoro ga Sakebitagatterunda, 2015)

Sinopse:
Jun, uma menina que perdeu a voz após um trauma, é escolhida para participar de um musical escolar que pode curar suas feridas interiores.

Ano: 2015
Personagens: Jun, Takumi, Natsuki, Daiki.
Resumo: Uma história sobre culpa, comunicação e o poder libertador da arte.
Dica: Dos mesmos criadores de Anohana — e quase um “irmão espiritual” da obra.
Curiosidade: A voz de Jun foi gravada com hesitações reais da dubladora, reforçando a fragilidade da personagem.


🌅 10. To Your Eternity (Fumetsu no Anata e, 2021)

Sinopse:
Uma entidade imortal toma forma humana e aprende o significado da vida através da perda e das conexões com os mortais que encontra.

Ano: 2021
Personagens: Fushi, March, Gugu, Pioran.
Resumo: Uma jornada espiritual sobre o que significa existir e sentir.
Dica: Ideal para quem busca emoção filosófica e profunda.
Curiosidade: A autora, Yoshitoki Ōima (A Silent Voice), descreve a série como “um estudo sobre a alma”.


🌸 Epílogo – As flores que o tempo não apaga

Todos esses animes, à sua maneira, tocam o mesmo campo emocional que Anohana:
a amizade que o tempo não apaga, a culpa que busca perdão, e o valor das conexões humanas.

Se Anohana é o lamento das flores que vimos e nunca esquecemos, cada título desta lista é um jardim diferente — onde a saudade floresce, mas também cura. 🌷

Para pensar no café

Talvez a característica mais extraordinária desses animes seja justamente aquilo que acontece depois que a tela fica preta.

O episódio terminou. A música dos créditos desapareceu. O streaming pergunta educadamente se queremos assistir a alguma coisa parecida. Mas alguma coisa continua executando silenciosamente dentro de nós.

Clannad nos faz pensar em família. Orange, nas palavras que talvez devêssemos ter dito. Your Lie in April transforma música em memória. Angel Beats! pergunta se conseguimos partir depois de fazer as pazes com o passado. A Place Further Than the Universe lembra que algumas viagens começam justamente quando precisamos encontrar coragem para seguir adiante. E To Your Eternity coloca diante de nós uma pergunta brutalmente simples: o que permanece de alguém depois que essa pessoa desaparece?

Talvez seja esse o verdadeiro poder dessas histórias.

Elas usam personagens desenhados para conversar sobre sentimentos absolutamente reais.

No Bellacosa Mainframe, poderíamos chamar isso de persistência de dados emocional: pessoas, momentos, perdas e afetos continuam gravados mesmo quando imaginávamos ter encerrado o processo.

Por isso alguns animes não recebem simplesmente um END OF JOB.

Eles deixam pequenos processos residentes na memória.

E, anos depois, basta ouvir uma música, rever uma cena ou lembrar um nome para descobrir:

o programa nunca terminou. ☕🌸


sábado, 14 de abril de 2018

Um dos Últimos Boteco Analógico de Itatiba: Torresmo, Universitários, Original em Território Brahma e uma Pinga que Ninguém Sabe de Onde Vem

 

Bellacosa Mainframe e o bar bhrama da camilo pires

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Um dos Últimos Boteco Analógico de Itatiba: Torresmo, Universitários, Original em Território Brahma e uma Pinga que Ninguém Sabe de Onde Vem

🍺 Há lugares que o Google conhece. E há lugares que Itatiba conhece.


Existe uma diferença enorme entre um bar e um boteco.

Bar pode ter branding.

Pode ter iluminação estudada, cardápio acessado por QR Code, IPA com nome de constelação, hambúrguer desconstruído e uma parede cuidadosamente preparada para você tirar uma fotografia e publicar no Instagram.

Boteco não.

Boteco simplesmente acontece.

Ele abre a porta pela manhã, alguém encosta no balcão, outro chega depois, uma cerveja aparece, alguém pergunta se fulano morreu, outro responde que não morreu coisa nenhuma, apenas mudou para Valinhos, um terceiro garante que encontrou o sujeito na semana passada e, quando você percebe, quatro homens reconstruíram quarenta anos da história municipal sem consultar uma única fonte primária.

Itatiba possui desses lugares.

E existe um deles no Centro, na Rua Coronel Camilo Pires, 441.

O endereço, pelo menos, conseguimos confirmar documentalmente: registros públicos de imóveis descrevem o nº 441 como prédio de destinação comercial e de serviços.

O resto?

Bem...

O resto pertence àquilo que existia muito antes do Google:

memória oral.

🍺 A placa diz Brahma. Eu peço Original.

Comecemos pela primeira heresia.

Na fachada existe uma enorme placa da Brahma.

Daquelas placas que não pedem licença para participar da arquitetura. Ela está lá dizendo:

BRAHMA.

O sujeito entra, olha para o balcão e pede:

— Uma Brahma?

Não.

Eu:

Me dá uma Original.

Original da Antarctica.

Porque coerência arquitetônica tem limites.

Aparentemente o boteco resolveu o problema da interoperabilidade muito antes da computação moderna:

FRONT-END....... BRAHMA
BACK-END........ BOTECO
CLIENTE......... BELLACOSA
REQUEST......... ORIGINAL ANTARCTICA
RETURN-CODE..... 00

É o verdadeiro ambiente multivendor.

Ninguém abre chamado.

Ninguém convoca reunião.

A cerveja chega gelada e seguimos o processamento.

🐷 E então aparece o verdadeiro sistema crítico: o torresmo

Porque cerveja você encontra em centenas de lugares.

Torresmo também.

Mas existe aquele torresmo que transforma um estabelecimento comercial em infraestrutura crítica municipal.

E, na minha opinião de frequentador — aqui não existe Michelin, TripAdvisor nem auditor independente —, ali mora o melhor torresmo de Itatiba.

Torresmo de boteco não precisa de apresentação.

Não vem acompanhado de manifesto gastronômico.

Ninguém explica que o porco foi “reinterpretado”.

Ninguém chama aquilo de:

Pork Belly Experience sobre cama de alguma coisa.

É torresmo.

PIC X(08).

TORRESMO.

Crocante onde precisa ser crocante, gorduroso onde Deus e o açougueiro determinaram que fosse gorduroso, acompanhado de cerveja e absolutamente incompatível com qualquer tentativa séria de alta gastronomia.

E boteco raiz tem outras coisas que desafiam a modernidade.

Salgados.

Não finger foods.

Salgados.

Coxinha, bolinho, pastel, quibe, qualquer criatura empanada cuja procedência você talvez prefira não investigar profundamente porque existe uma regra ancestral:

Se está quente, crocante e gostoso, não execute DISPLAY ORIGIN.

Aliás, a própria Prefeitura de Itatiba apresenta a gastronomia local misturando restaurantes sofisticados com comidas de boteco, torresmo, aipim à pururuca e outras tradições culinárias bastante brasileiras.

Mas boteco raiz possui uma característica adicional.

Existem coisas que não estão no cardápio.

🥃 A misteriosa pinga

Em algum lugar existe um alambique.

Provavelmente.

Quem produz?

Informação classificada.

Onde fica?

LOCATION UNKNOWN

Qual a marca?

Marca?

Você está fazendo perguntas demais.

😂

A pinga simplesmente aparece.

Alguém conhece alguém que conhece alguém.

Chega uma garrafa.

— É boa?

— Boa demais.

— De onde veio?

— De um conhecido.

Pronto.

Fim da rastreabilidade da cadeia produtiva.

O auditor ISO 9001 desmaia no balcão.

E aqui entra outra memória cultural itatibense que merece ser registrada justamente porque encontrei pouquíssima documentação digital sobre ela: a pinga com arruda no Sábado de Aleluia.

Essa é daquelas tradições que precisam ser tratadas como tradição oral enquanto não encontramos documentação histórica adequada.

No sábado entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, há itatibenses que preservam o costume de tomar sua dose de pinga com arruda.

Por quê?

Aí começa justamente a maravilha das tradições populares.

Pergunte para cinco pessoas e talvez consiga sete explicações.

Proteção.

Saúde.

Espantar mau-olhado.

Tradição dos antigos.

“Meu pai fazia.”

“Meu avô já fazia.”

E chega um momento em que a melhor explicação talvez seja simplesmente:

porque em Itatiba se fazia assim.

Isso merece pesquisa histórica própria.

👴 O banco de dados dos velhos itatibenses

Mas a bebida é apenas o protocolo de transporte.

O verdadeiro dado está sentado nas mesas.

Ali estão figuras antigas e folclóricas da cidade.

Homens que conhecem pessoas que você nunca conheceu, lembram estabelecimentos que já não existem e conseguem localizar acontecimentos históricos através de referências absolutamente impossíveis para um historiador profissional:

— Foi quando o Toninho ainda tinha aquele Opala.

Pronto.

TIMESTAMP RESOLVIDO.

Outro corrige:

— Não era Opala. Era Caravan.

E começa uma discussão paralela de vinte minutos.

Essas pessoas formam uma espécie de banco de dados distribuído da memória municipal.

Não existe DBA.

Não existe backup.

Não existe normalização.

Existem duplicidades, inconsistências e versões conflitantes do mesmo registro.

Mas faça a consulta certa e aparece informação que jamais foi digitalizada.

Até que um belo dia...

🎓 Chegaram os universitários

Sangue novo.

Gente jovem.

Novos frequentadores.

E, aparentemente, eles gostaram do lugar.

Ótimo para o estabelecimento.

Só que aconteceu uma coisa inesperada.

Os velhos começaram a ficar desconfortáveis.

Não necessariamente porque os universitários estivessem fazendo alguma coisa.

A simples presença de uma geração diferente modificou o ambiente.

A piada que João fazia havia trinta anos de repente ganhou uma audiência desconhecida.

Aquela história meio indecente agora poderia receber outra interpretação.

A opinião politicamente jurássica do Seu Fulano talvez não sobrevivesse ao compilador social de 2026.

E surgiu o:

ALERTÔMETRO.

Antes de falar, pensar.

Antes da piada, olhar.

Antes do causo, verificar quem está ouvindo.

E quando você precisa fazer análise de impacto antes de contar uma piada no boteco, alguma coisa mudou.

🚨 Reunião extraordinária do CAB

A velharada então realizou aquilo que qualquer organização madura faria diante de uma alteração crítica de produção.

Formou uma comissão.

😂

Imagino a ata:

INCIDENT: BHRAMA-001

PROBLEMA:
Excesso de universitários no ambiente.

SINTOMAS:
- redução da espontaneidade;
- histórias sendo interrompidas;
- aumento do alertômetro;
- tiozões executando autocensura.

AÇÃO:
Solicitar intervenção do barman.

SEVERIDADE:
SEV2 — cerveja ainda sendo servida.

E coube ao barman resolver o problema.

🤝 O grande diplomata da Camilo Pires

E, segundo me contaram, o homem foi conversar com os jovens praticamente ao melhor estilo ChatGPT.

Cheio de paninhos.

😂

Nada de:

— Vocês precisam ir embora.

Muito pelo contrário.

A mensagem foi aproximadamente:

vocês são bem-vindos.

Podem vir.

Voltem.

A casa também é de vocês enquanto clientes.

Mas existe uma informação importante no README deste ambiente:

isto aqui é boteco de homem velho.

Tiozões da Sukita.

Homens formados socialmente em outro século.

Alguns sem exatamente aquilo que chamaríamos de refinamento social do século XXI.

Com opiniões antigas.

Piadas antigas.

Vocabulário antigo.

Maneiras antigas.

Não precisam concordar com eles.

Mas precisam compreender onde entraram.

E isso talvez tenha sido uma das melhores soluções possíveis.

Ninguém foi expulso.

Ninguém precisou passar por reeducação compulsória.

Os universitários continuaram universitários.

Os velhos continuaram velhos.

O barman simplesmente instalou uma:

CAMADA DE COMPATIBILIDADE.

🧠 Talvez seja isso que esteja faltando

A pequena história desse boteco diz alguma coisa maior sobre nosso tempo.

Estamos ficando muito bons em identificar diferenças.

Talvez estejamos ficando piores em conviver com elas.

Nem todo lugar precisa ser igual.

Nem todo grupo precisa falar da mesma maneira.

Nem toda geração precisa compartilhar exatamente os mesmos códigos.

O universitário pode olhar para o velho e pensar:

— Meu Deus, que ideia jurássica.

E o velho pode olhar para o universitário e pensar:

— Meu Deus, essa molecada inventa palavra para tudo.

Depois ambos podem pedir cerveja.

E comer torresmo.

Isso se chama sociedade.

Não precisamos necessariamente resolver todas as divergências antes da próxima rodada.

🐷 Porque no final existe o torresmo

Talvez seja esse o segredo.

Quando ideologias, gerações, costumes e vocabulários entram em conflito, alguém coloca um prato de torresmo na mesa.

O velho pega um.

O universitário pega outro.

Alguém pede uma cerveja.

Outro pergunta:

— Você conhece o fulano?

E começa outra história.

Enquanto isso, discretamente, na fachada continua escrito Brahma.

Eu continuo bebendo Original.

Uma misteriosa pinga continua chegando de algum alambique cuja localização provavelmente está protegida pelo sigilo profissional dos botequeiros.

E em algum Sábado de Aleluia alguém ainda coloca arruda dentro da cachaça porque aprendeu com alguém que aprendeu com alguém que aprendeu com alguém.

Talvez o Google nunca indexe isso.

Talvez nenhum historiador registre.

Talvez daqui a cinquenta anos ninguém saiba quem eram aqueles homens das fotografias penduradas na parede.

Por isso vale escrever.

Porque existem lugares que são mais do que estabelecimentos comerciais.

São arquivos vivos de uma cidade.

E, enquanto houver alguém na Rua Coronel Camilo Pires contando uma história, alguém duvidando dela, outro corrigindo a data e um prato de torresmo circulando...

o velho mainframe social de Itatiba continuará processando.

Sem cloud.

Sem IA.

Sem documentação.

E, preferencialmente,

sem mexer no JCL que está funcionando.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Como é chegar na Colonia Elvetia pelas suas alamedas

Em busca de Elvetia.


Visitando Indaiatuba encontramos a antiga estação ferroviária central, vimos alguns belos prédios históricos, seus jardins e cuidados no bem estar da população.

Agora partimos rumo a Colônia Elvetica para prestigiarmos a Festa da Cultura e Tradição Suíça, onde vamos saborear diversos pratos da culinária alpina, conhecer a historia da imigração deste povo ao Brasil,  conhecer instrumentos musicais e trajes típicos, visitar a Fazenda, o estante de tiro, o Museu e a belíssima igreja construída na sede da fazenda.

Neste curto vídeo mostro o caminho que fizemos até chegar a Fazenda Suíça. Belas alamedas com muros altíssimos guardando condomínios que rementem ao The Walking Dead.

Veja se concordam comigo.



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Participe de uma Festa Suíça em Indaiatuba

Bandeira ao ar


Estamos na Festa Elvética da colonia Suíça em Indaiatuba, para quem não conhece, esta foi a primeira colonia de imigrantes que vieram e se instalaram no Brasil.

Instalados em uma fazenda no município de Indaiatuba, aqui num pequeno Museu nos contam a historia dos primeiros imigrantes que aqui se estabeleceram.

Anualmente os descentes destes imigrantes fazem uma festa para resgatar a cultura deste povo, com muita comida tipica, shows de danças, musica e desfile de trajes típicos enriquecem este evento.

Neste pequeno vídeo apresento uma dança com a bandeira da Suíça, show de habilidade com a bandeira, temos a seguir trajes típicos e musica popular com banda tocando diversos instrumentos típicos dos Alpes.


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Dance com o Grupo Folclórico Suíço de Indaiatuba

Uma festa da família de imigrantes suíços no Brasil.


As famílias imigrantes normalmente deixam seu país natal devido as necessidades econômicas ou sociais, originadas por crises, perseguições religiosas, com o coração apertado chegam a novas terras cheios de esperança por  um futuro melhor.

Na nova terra guardam com carinho memorias da pátria perdida, educando seus filhos com os costumes da nova casa e ao mesmo tempo restaurando as velhas tradições.

Trajes típicos, culinária, musica e dança fazem a festa Helvética uma das melhores de Indaiatuba que ensina ao povo brasileiro como era a vida numa Suíça do século passado.

A vida na fazenda brasileira criaram novos laços com a comunidade, para fortalecer ainda mais anualmente fazem uma festa que resgata a cultura.

Este vídeo apresenta o Grupo Folclórico com seus trajes, musica e dança, divirtam-se...


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Helvetia 2017: Tradição alpina toque da trompa e homenagem a bandeira

Trompa alpina : um instrumento com 1500 anos


O ponto alto das apresentações folclóricas da festa de cultura e tradição alpina em Helvetia 2017, foi sem sombra de duvida o toque de trompa alpina, um instrumento de sopro possante, que segundo a tradição foi criado no Século VI.

Seu som único, faz os pelos do corpo arrepiarem, a imaginação voa e sente-se transportado para os Alpes, cria-se uma imagem de homens sobre a montanha soprando o instrumento e seu estrondoso som ecoa pelas montanhas.

O palco esta montado, os músicos da banda se apresentam tocando seus instrumentos, depois os trompistas dominam o palco, compondo o cenário os componentes do Rancho Folclórico ao fundo, dão colorida a cena e fechando a cena: temos a bandeira da Suíça em um mastro sendo tremulada com muita graça e maestria.

Uma apresentação única, onde a habilidade em tremular a bandeira, assemelha-se há um bailar, ou melhor parece uma ave ao céu plainando ao vendo, um momento de muita emoção e beleza, que convido a todos a assistirem.

O vídeo tenta capturar esta coreografia, bem como os sons das trompa alpina e o som do acordão todos nos enviando para uma viagem para o coração da Europa em cima dos Alpes Suíços.


sábado, 8 de julho de 2017

Quadrilha em círculos e paralelas

Bellacosa Mainframe e a quadrilha do colegio São José em Campinas

🌽🎶 Quadrilha em Círculos e Paralelas

Danças na Festa Junina do São José

Festa Junina sem quadrilha não é Festa Junina!

Naquele dia, o São José estava tomado pelas cores, pela música e pela agitação típica de uma boa festa. No meio de tudo isso, as crianças entraram em cena para apresentar uma quadrilha cheia de movimento.

Lenços nas mãos, passos marcados e muita atenção para não perder o momento certo de mudar de posição.

A dança começava a ganhar forma.

Primeiro, os participantes se organizavam em círculos. Depois, surgiam linhas paralelas, com os grupos avançando, recuando e circulando uns entre os outros.

Palmas.

Pés marcando o ritmo.

Gente entrando.

Gente saindo.

E, por alguns minutos, aquilo parecia uma pequena coreografia geométrica acontecendo diante dos nossos olhos.

A quadrilha junina é justamente interessante por isso. Não é apenas uma sequência de passos: ela transforma o espaço em parte da dança.

Os participantes criam corredores, rodas, filas e diferentes desenhos enquanto a música continua.

E existe ainda aquela maravilhosa dose de confusão organizada que toda boa quadrilha precisa ter. 😄

Quem assiste vê diversão.

Quem está dançando precisa lembrar do próximo passo, acompanhar os colegas e tentar descobrir rapidamente para que lado deveria estar indo!

Talvez seja justamente isso que torne essas apresentações tão especiais.

Anos depois, o vídeo deixa de ser apenas o registro de uma dança.

Transforma-se em uma pequena cápsula do tempo.

Um pedaço de uma Festa Junina, preservando a música, os movimentos e a alegria daquele dia.

🎥 Quadrilha em círculos e paralelas — Festa Junina do São José, 2017.



----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Danças na Festa Junina do São José


Agora as crianças com lencinhos estão dançando uma quadrilha, com lenços ao alto e em círculos,  paralelas todas muito animadas batendo palmas e batendo o pé...

Correndo e dançando, acenando com os lenços, fazendo rodas e circulando entre elas, participe você também, curta o vidro, comente e partilhe.




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma pescaria dos miúdos na quermesse

Bellacosa Mainframe e a pescaria na quermesse


Um Café no Bellacosa Mainframe

🎣 Uma Pescaria dos Miúdos na Quermesse — Quando o Formiga Recarregou a Bateria

No Colégio São José de Campinas havia quadrilha, sanfona, comes e bebes — mas nenhuma boa festa junina estaria completa sem aquele pequeno universo de pescarias, argolas, latas, bingo, cadeia e brincadeiras onde o prêmio importava muito menos que a aventura.

Há pequenos vídeos que parecem registrar quase nada.

Algumas crianças brincando.

Uma barraca.

Uma vara de pescaria.

Adultos observando.

Barulho de festa ao fundo.

Talvez alguns segundos.

Mas quase dez anos depois, quando voltamos a assistir, descobrimos que a câmera estava gravando muito mais.

Ela estava fazendo backup de uma tarde inteira.

E voltamos novamente àquele nosso dia mágico no Colégio São José, em Campinas.

🌽 Muito além da quadrilha

Já contei em outros pequenos fragmentos dessa festa sobre as apresentações, as quadrilhas, o forró, o sanfoneiro, as crianças fantasiadas e aquele pequeno personagem que naquele dia parecia possuir energia suficiente para alimentar metade de Campinas:

o Formiga.

Mas uma festa junina brasileira não vive apenas de dança.

Também não vive apenas de comida — embora seja bastante difícil explicar isso diante de uma mesa contendo pastel, cachorro-quente, pipoca, bolo, paçoca, milho, doces e outras maravilhas capazes de transformar qualquer tentativa de dieta em ficção científica.

Existe outro elemento fundamental da velha quermesse:

as barracas de jogos.

E talvez seja justamente nelas que sobreviva uma das partes mais antigas e bonitas dessas festas.

Não precisamos de videogame.

Não precisamos de realidade virtual.

Não precisamos de uma GPU monstruosa.

Precisamos apenas de algumas latas, uma bola feita de meia, argolas, garrafas, varinhas improvisadas, papel, barbante e...

imaginação.

O resto as crianças fazem.



🎣 A pescaria que não precisa de rio

Uma das barracas mais tradicionais é a pescaria.

Pequenos peixes ficam escondidos ou espalhados em uma área decorada, normalmente com números que correspondem aos prêmios.

A criança recebe uma pequena vara.

Na ponta, algum mecanismo simples permite “pescar” o peixe.

E começa a operação.

Olhos atentos.

Mão tentando ficar firme.

A vara balançando.

— Aquele!

Não.

— O outro!

Quase.

— Vai, Formiga!

Até que finalmente...

PESCAMOS!

Para um adulto é apenas uma brincadeira.

Para uma criança, naquele instante, provavelmente estamos diante de uma operação de pesca comercial no Atlântico Norte.

O peixinho é levantado como se tivesse quinze quilos.

Descobre-se o número.

Procura-se o prêmio correspondente.

E nasce aquele sorriso.

O objeto recebido pode ser simples.

Mas existe uma diferença gigantesca entre ganhar alguma coisa e conquistar alguma coisa.

O brinquedinho agora possui uma história.

Eu pesquei.

E isso muda tudo.



🔋 Formiga.exe voltou com CPU em 100%

Antes dessa etapa da festa, naturalmente existiu uma operação extremamente importante:

abastecimento.

O Formiga havia passado pelos comes e bebes.

Comeu.

Bebeu.

Recuperou energia.

E retornou para a festa aparentemente com a bateria novamente em:

100%.

Se existisse SDSF para crianças, provavelmente veríamos algo semelhante:

JOBNAME   CPU%   STATUS
FORMIGA   99.9   RUNNING
VAGUINHO  47.2   FOLLOWING
JULIANA   63.8   FOLLOWING

E lá fomos nós.

Eu e Juliana acompanhando o pequeno em sua peregrinação pelas barracas.

Para ele, cada uma representava uma aventura diferente.

Para nós, existia outro espetáculo acontecendo simultaneamente:

ver a alegria dele.




🎯 O parque de diversões construído pela comunidade

Essas barracas possuem algo que sempre achei fascinante.

Elas são simples.

Muito simples.

A famosa brincadeira de derrubar latas, por exemplo, pode utilizar literalmente:

latas vazias + bola de meia.

Hardware praticamente gratuito.

Mas o software?

Esse está instalado na imaginação.

De repente aquelas latas tornam-se um grande desafio de precisão.

O jogo de argolas transforma algumas garrafas em alvos disputadíssimos.

A pescaria transforma papelão e plástico em um lago cheio de tesouros.

O bingo transforma números sorteados em suspense coletivo.

E cada escola, igreja, bairro ou comunidade acaba inventando suas próprias variações.

Essa talvez seja uma das grandes características da quermesse:

ela é hackeável.

Cada geração modifica alguma coisa.

Alguém inventa uma brincadeira.

Outro professor acrescenta uma regra.

Um grupo de pais constrói uma barraca.

Os alunos ajudam.

E no ano seguinte alguém copia a ideia.

É quase um software open source cultural.


💌 Correio elegante

Existe ainda aquele clássico absolutamente maravilhoso:

o correio elegante.

Alguém escreve um bilhetinho.

Um mensageiro atravessa a festa.

Procura o destinatário.

Entrega.

Às vezes existe assinatura.

Às vezes não.

Às vezes é declaração.

Às vezes brincadeira.

Às vezes alguém passa os próximos vinte minutos tentando descobrir:

QUEM MANDOU ISSO?!

Muito antes de WhatsApp, Instagram, mensagens instantâneas e notificações, a quermesse já possuía sua própria rede social.

Só que o protocolo de transporte era um aluno correndo pelo pátio.


🚔 Você está preso!

Outra brincadeira clássica, hoje menos comum em algumas festas, era a famosa cadeia.

A lógica era maravilhosamente absurda.

Você pagava ao “delegado” para prender alguém.

Dois voluntários apareciam.

A vítima era conduzida para a cadeia da festa.

E precisava cumprir alguma condição da brincadeira para sair.

Era inevitável.

Amigos prendiam amigos.

Namorados prendiam namoradas.

Crianças queriam prender os pais.

Pais conspiravam contra outros pais.

Durante algumas horas surgia no meio da quermesse um sistema jurídico paralelo administrado provavelmente por alguém usando um chapéu de xerife comprado numa loja de fantasias.

E funcionava perfeitamente.

Ou quase.



🎁 De onde vinham os prêmios?

Existe ainda uma história escondida atrás das barracas.

Os prêmios não apareciam magicamente.

Durante os preparativos da festa, alunos e famílias ajudavam a arrecadar brindes.

Havia doações.

Pequenos presentes.

Objetos oferecidos por comerciantes.

Colaborações de pais.

Doações de verdadeiros mecenas da quermesse.

Depois tudo aquilo era organizado e distribuído pelas diferentes brincadeiras.

Um pequeno ecossistema comunitário começava a funcionar semanas antes de a primeira música tocar.

É fácil chegar à festa pronta e enxergar somente bandeirinhas.

Mas existe muito trabalho escondido ali.

Professores.

Funcionários.

Pais.

Alunos.

Voluntários.

Gente carregando mesa.

Gente montando barraca.

Gente separando prêmio.

Gente preparando comida.

Gente testando brincadeira.

Quando finalmente os portões abrem, toda aquela infraestrutura desaparece atrás da festa.

Como deve acontecer com uma boa infraestrutura.



🇧🇷🇯🇵 Espera... eu já vi isso em algum anime

Anos depois comecei a perceber uma coisa curiosa assistindo aos meus animes.

Especialmente os slice of life.

Chega determinado episódio e os personagens vão para algum festival.

Barracas.

Comida.

Jogos.

Prêmios.

Amigos caminhando juntos.

Crianças tentando ganhar alguma coisa.

Casais tímidos.

Luzes.

Música.

Gente circulando.

E inevitavelmente pensei:

peraí... isso é uma quermesse!

Naturalmente existem diferenças culturais enormes entre uma festa junina brasileira e os diversos festivais tradicionais japoneses.

Mas a lógica social por trás de muitos desses momentos é surpreendentemente familiar.

A comunidade se reúne.

Existem comidas características.

Existem brincadeiras.

Existem barracas.

Existem pequenos prêmios.

Existe o prazer de caminhar sem muita pressa.

E existe principalmente aquela sensação de que, durante algumas horas, aquele lugar pertence às pessoas que estão ali juntas.

Talvez seja por isso que essas cenas de anime pareçam tão familiares mesmo acontecendo do outro lado do planeta.

Troque algumas lanternas por bandeirinhas.

Troque determinadas comidas por pastel, milho e paçoca.

Coloque uma sanfona tocando ao fundo.

E talvez algum brasileiro olhe para aquilo e pense:

— Rapaz... conheço esse ambiente.


🧠 A brincadeira é maior que o prêmio

Talvez esteja aí uma coisa que os adultos frequentemente esquecem.

Nós avaliamos o prêmio pelo valor.

Uma criança avalia pela história.

Um brinquedinho barato comprado numa loja pode ser apenas um brinquedinho.

Mas aquele mesmo objeto conquistado depois de três tentativas para derrubar uma pilha de latas torna-se:

O PRÊMIO QUE EU GANHEI.

Existe esforço.

Existe expectativa.

Existe ritual.

Existe testemunha.

— Olha, Juju!

— Olha, Vaguinho!

E então o pequeno prêmio entra no inventário afetivo daquela criança.

Alguns desaparecem dias depois.

Outros quebram.

Outros ficam esquecidos numa gaveta.

Mas curiosamente a lembrança pode sobreviver ao próprio objeto.


🐜 E o Formiga?

O Formiga estava exatamente onde uma criança deveria estar naquela tarde.

Correndo.

Brincando.

Experimentando.

Gastando toda a energia recém-adquirida nos comes e bebes.

Descobrindo cada barraca.

Provavelmente pensando muito pouco sobre memória, tradição, cultura brasileira ou antropologia das festas populares.

Ainda bem.

Essa parte ficou conosco.

Ele tinha uma tarefa muito mais importante:

divertir-se.

Eu e Juliana simplesmente acompanhávamos a farra.

Naquele momento talvez não percebêssemos que estávamos armazenando algo.

Hoje percebo.


🥚 Easter egg — o prêmio verdadeiro estava fora da barraca

Existe um pequeno easter egg escondido nesse vídeo.

Durante toda a pescaria, naturalmente olhamos para a criança tentando pegar o peixe.

Depois olhamos para o prêmio.

Qual número saiu?

O que ele ganhou?

Mas quase uma década depois o objeto já não importa muito.

Talvez nem consigamos lembrar qual foi.

O verdadeiro prêmio estava fora da barraca.

Era aquela tarde.

Era Juliana.

Era o Formiga.

Era eu.

Era a música ao fundo.

Eram dezenas de famílias circulando.

Era aquele pequeno mundo do Colégio São José funcionando durante algumas horas como se nada mais existisse.

A pescaria era apenas a interface.

O prêmio era estar lá.


💾 Um backup chamado vídeo

Talvez seja por isso que gosto tanto desses pequenos vídeos aparentemente banais.

Não são grandes acontecimentos.

Não existe monumento.

Não existe viagem internacional.

Não existe acontecimento histórico.

Existe uma criança brincando numa quermesse.

Mas são justamente essas coisas que o tempo destrói primeiro.

O jeito de falar.

A altura da criança.

A voz.

A roupa.

O movimento.

As pessoas passando ao fundo.

Uma decoração que nunca mais será montada exatamente daquela maneira.

Até aquele pequeno brinquedo desaparecido.

Então apertamos REC sem imaginar muito.

Anos depois apertamos PLAY.

E acontece uma coisa extraordinária.

Por alguns segundos...

o Formiga volta a estar com a bateria em 100%.

Juliana está ali.

Eu estou acompanhando.

A pescaria continua funcionando.

A quadrilha ainda não terminou.

O sanfoneiro continua tocando em algum outro fragmento daquele dia.

As barracas continuam cheias.

E a festa junina do Colégio São José ainda não acabou.

Talvez essa seja uma das funções mais bonitas desses velhos vídeos.

Eles não registram simplesmente o passado.

São pequenos RESTORE POINTS da nossa vida.

E enquanto conseguirmos apertar PLAY...

aquele JOB ainda pode rodar novamente.

//FORMIGA JOB (SAOJOSE),'FESTA JUNINA'
//STEP01 EXEC PGM=MEMORIA
//SYSIN DD *
PESCAR
BRINCAR
RIR
GUARDAR
/*

MAXCC = 0000

Bellacosa Mainframe — porque algumas das rotinas mais importantes da nossa vida nunca foram documentadas. Apenas vividas.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Aspectos lúdicos da Festa Junina


Uma festa junina digna desse nome não pode deixar de ter as famosas barraquinhas que fazem a alegria da criançada, jogos sociais típicos das Festas Populares tais como pescaria, roleta, tiro ao alvo com bolas, bingo e outras barracas.

Na quermesse do São José teve barraca de pescaria, da cadeia, de acertar o alvo, chutar bolo no gol....

O formiga adorou a pescaria e ficou ali um bom tempo lutando para conseguir apanhar seus peixinhos.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

A quadrilha não para

Bellacosa Mainframe e a festa junina do Colégio São José

🌽 A Quadrilha Não Para

Festa Junina no Colégio São José — Campinas

Era uma tarde inteira de música, dança e tradição no Colégio São José, em Campinas.

Durante a Festa Junina, alunos do 1º ao 9º ano se revezavam nas apresentações. Aproximadamente a cada meia hora chegava uma nova turma, transformando o espaço da festa em um palco permanente de quadrilhas, brincadeiras e danças típicas.

E a criançada estava com a corda toda.

Já tinham pulado a fogueira, corrido atrás do balão, brincado com o sanfoneiro e participado de diferentes coreografias — mas a quadrilha ainda estava longe de terminar.

Este vídeo preserva um pequeno momento daquela tarde: um registro simples de uma festa escolar que, anos depois, também se tornou memória da vida cotidiana do Colégio São José.

Mais do que uma apresentação, era uma sequência de gerações da escola entrando no tablado, cada turma deixando por alguns minutos sua própria marca na Festa Junina.

🎥 Registro histórico: Festa Junina do Colégio São José — Campinas, SP.



-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Festa Junina no São José


A criançada esta com a corda toda, ja pularam a fogueira, correram atras do balão, bagunçaram com o sanfoneiro e a tarde ainda promete muita dança.

Muita alegria e danças a tarde toda... as crianças dos 1ºs até os 9ºs dançaram a beça, a cada meia hora tinha uma nova turma.




segunda-feira, 26 de junho de 2017

1ª Festa da Tradição Nordestina de Vinhedo

Forro e Animação em Vinhedo

O Parque da Uva em Vinhedo foi palco de uma animada festa que resgata a tradição nordestina: Danças e Musica: baião, xaxado, forro... sanfona estava animada e o povo caiu na dança.

Tivemos a oportunidade de participar da 1° Festa de Cultura e Tradição Nordestina, festa que não faltou animação, o sanfoneiro mandou ver e o forro comeu solto... falando em comer... as comidas tipicas estavam maravilhosas... ai que delicia q tava o sarapatel, a rabada potente e o acarajé fritinho na hora, escondidinho de carne seca, macaxeira e tantas outras guloseimas deliciosas...




quarta-feira, 8 de julho de 2015

Vovó Anna: A Tecelã de Bolos e Destinos

 

Bellacosa Mainframe e a minha querida avó Anna

El Jefe – Anna: A Tecelã de Bolos e Destinos

Por Bellacosa Mainframe

Existem memórias que chegam como cheiros: o perfume quente do pão de ló abrindo a alma da casa, a nota doce do leite condensado que escorre da colher, o toque macio da farinha fina levantando nuvens no ar.
E existem memórias que chegam como ecos: o bater dos teares industriais da Mooca, o “tac-tac-tac” das máquinas de costura do salão paroquial, o murmúrio das orações das 18h que atravessam gerações.

Este é um poste sobre Anna, minha avó e madrinha — tecelã de tecidos, tecelã de bolos, tecelã de vidas.




I – Novo Mundo, Urupês, e o fio que começa a trama

Anna nasceu em Novo Mundo (onde hoje repousa Urupês), no interior vigoroso de São Paulo.
E como todo bom paulista de raiz, cresceu entre terra vermelha, quintal vasto, vizinhança que sabe o nome de todos e histórias contadas no portão. 

Do Noroeste paulista do café, vieram pelos trilhos da companhia Paulista, instalaram-se em São Caetano do Sul e depois parque São Lucas, reduto de imigrantes espanhóis, que rivalizavam com os imigrantes italianos da Mooca. Outro dia introduzo meu bisavô Luis, o patriarca da família e que mais confusão colocou nessa historia.

São nossas raízes que definem nossa engenharia — no Mainframe e na vida.




II – Da Mooca ao Mundo: a tecelã industrial

Ainda jovem, Anna encarou o coração industrial da Mooca — bairro de imigrantes, suor, máquinas e sonhos de metal.

Tecelã de fábrica, comandava teares como quem rege uma sinfonia:
cada fio, um compasso;
cada trama, uma decisão;
cada tecido, um código que só os olhos treinados decodificam.

E ela tinha esse dom:
o “olho mágico” — o debugger humano — capaz de encontrar qualquer falha invisível na trama de fio.
Sim, minha avó era uma espécie de SPOOL humano, identificando erros, direcionando saídas, ajustando rotas.
Pura engenharia viva.




III – A reinvenção: da fibra ao açúcar

Quando o tear ficou para trás, Anna abriu espaço para outro tipo de arte:

A confeitaria.

E aí, meu amigo…
Aí nasceu a lenda.

Os Bolos da Vila Rio Branco™

(um patrimônio não catalogado, mas reverenciado)

Bolos de noiva, aniversários, batizados, festas — todos coroados por:

  • pão de ló úmido,

  • vinho licoroso infiltrado com precisão cirúrgica,

  • glacê de banha vegetal + leite condensado (o santo graal da doçaria caseira),

  • miniaturas que pareciam um parque de diversões em cima da massa.

  • cobertura de coco ralado colorido com corantes

  • tiras de coco feitas com plaina de madeira criada pelo meu avô Pedro

  • e eu o diabinhao da familia, a formiguinha, roubando ameixas secas como se fossem ouro.

  • pegando os restinhos das latas de leite condensado

E eu ali, padawan oficial da lambança,
lambendo as travessas como quem consome o último setor do dataset mais precioso do universo.

Easter egg culinário:
O bolo farofa de geladeira — criação experimental que só quem viveu sabe descrever.




IV – Avon, reunião e o quintal que era um mundo

Nos encontros da Avon, a casa virava um OPS log social:

  • perfumes,

  • catálogos,

  • risadas,

  • bandejinhas com doces estratégicos,

O quintal?
Ah, o quintal...

Toda família brasileira tem um quintal que, na verdade, é um portal interdimensional.
O dela era desses:
meio roça, meio experimentação, meio Disneyland com cheiro de terra molhada.




V – O Salão Paroquial e a liturgia do afeto

Anna, católica fervorosa:

  • missa de sábado a tarde,

  • rezar ao terço em alguma novena

  • Ave-Maria das 18h religiosamente seguida,

  • voluntária de corte e costura na igreja.

E quando ela ia dar aula, claro: carregava este escriba junto, como unidade auxiliar para gastar energia.



(Deus escreve certo por linhas tortas, mas avó escreve certo por linhas de costura.)

Ali onde eu conhecia um outro mundo e fazia novas amizades, sem imaginar que ali havia um abismo social com crianças vindo de favelas, para as mães aprenderam uma profissão. Mas isso não percebia, magia da infância e brincava com outras crianças enquanto minha avó ensinava o mundo a criar, moldar, alinhavar — costurar destinos.

São Paulo tem disso até hoje, abismos sociais, onde uns poucos têm muito e uma multidão nada tem, lutando para conseguir uns trocados em biscastes e serviços sazonais.



VI – Bisavós, Tia Maria e o “patch de açúcar” da infância



Próximo da casa dela viviam:

  • minha bisavó Isabel,

  • meu bisavô Francisco,

  • e a lendária Tia Maria, dona dos divinos bolinhos de chuva.

  • sem esquecer do famoso cagado, que viveu quase até a imortalidade

Essa vizinhança não era só geografia;
era sistema distribuído familiar.
Um cluster de afeto, açúcar e memórias eternas.




VII – Filosofia Bellacosa Mainframe para fechar a compilação

Toda avó é uma arquiteta de memória.
Mas a Anna…
A Anna parece ter me tecido — literalmente:

  • um fio no tear,

  • um fio no glacê,

  • um fio na fé,

  • um fio no quintal,

  • um fio no carinho,

  • um fio no destino.

E eu, que lambia travessas de massa de bolo, brincava no quintal, bagunçava no quartinho de ferramentas e corria pelo salão paroquial da igreja,
onde carrego até hoje esses fios dentro de si. Não posso me esquecer do Mappin, ah outra lembrança doce de minha querida avó.

Moral do job:

Existem pessoas que compilam sistemas.
E existem pessoas que compilam famílias.

Anna foi das segundas —
um COBOL humano,
feito de estrutura, força, doçura, propósito,
e uma capacidade sobrenatural de transformar trabalho em amor.


Easter-egg da Alma:

Quem escolheu meu nome VAGNER, foi ela e para desgosto da minha mãe foi registrado pelo meu pai, mas isso é historia para outro post.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...