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domingo, 10 de julho de 2016

A luz de velas ai vem o parabens

Bellacosa Mainframe e o aniversario da vovó Anna

🎂 À Luz de Velas — Aí Vem o Parabéns

Os 90 anos de Anna, a matriarca da família Bellacosa

Existem aniversários e existem aqueles momentos que, sem percebermos, acabam se transformando em documentos da história de uma família.

Naquele dia de 2016, as luzes diminuíram, as velas foram acesas e começou o tradicional “Parabéns pra você”. No centro daquela pequena celebração estava Anna, comemorando seus extraordinários 90 anos de vida.

Anna era a matriarca da família Bellacosa.

Nascida em Mundo Novo, atual Urupês, no interior de São Paulo, atravessou décadas de mudanças no Brasil e acumulou histórias que acabaram se misturando às histórias de filhos, netos, parentes e amigos.



Era também boleira. E talvez exista uma pequena poesia nisso: depois de tantos bolos que passaram por suas mãos e fizeram parte das comemorações de outras pessoas, naquele momento havia um bolo esperando por ela.

Mas, para mim, Anna era ainda mais.

Era minha madrinha.

E foi ela quem escolheu meu nome: Vagner.

Talvez por isso sua presença atravesse tantas outras memórias guardadas neste blog. Às vezes ela aparece diretamente; outras vezes está escondida nos costumes, nas festas, nos bolos e nas histórias da família.

O vídeo daquele aniversário registrou apenas alguns minutos. Pessoas reunidas, vozes cantando, velinhas iluminando o ambiente e uma senhora chegando aos 90 anos.

Mas o tempo fez algo curioso com aquelas imagens.

O que naquele instante parecia apenas mais um parabéns tornou-se uma pequena cápsula do tempo.

Hoje, quando volto a essas gravações antigas, percebo que a câmera não estava simplesmente filmando uma festa.

Estava preservando Anna.

E, junto dela, um pedacinho da história da família Bellacosa.

À luz das velas, por alguns minutos, várias gerações estavam reunidas ao redor da mulher que ajudou a construir todas aquelas memórias.

Aí vem o parabéns...

E quase dez anos depois, as velinhas continuam acesas dentro da memória.

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A alegria e contagiante...


Os primos estão na maior bagunça, a Vo Anna merece conseguimos reunir a maioria dos filhos, genros, noras, netos, bisnetos e amigos.



Agora estamos no parabéns a você... depois de um delicioso dia, em que todos relembraram historias antigas, riram e se divertiram.

A Vo Anna ficou emocionado em reunir todos e fazer aquela festa.

Parabéns pelos seu 84° aniversario.

domingo, 7 de março de 2010

URUPÊS — AQUELE LUGAR ONDE O MUNDO ABRIA OS BRAÇOS

 

Bellacosa Mainframe e as memorias de infância em Urupês

URUPÊS — AQUELE LUGAR ONDE O MUNDO ABRIA OS BRAÇOS

Se Ibitinga foi meu laboratório de aventuras, Urupês foi meu estaleiro de horizontes — aquela fase da vida em que o menino paulistano, criado entre filmes, fotos, câmeras e luzes, descobria que existia um mundo inteiro além da cinzenta e opressora capital paulista.

O caminho até Urupês já era um acontecimento. Estradas vazias, quase hipnotizantes, com apenas o ronco do fusquinha vermelho (aquele guerreiro 1960 que enfrentava cascalho, poeira, barro e buracos como se fosse um tanque de guerra miniaturizado). As cidades dormiam ao redor da estrada. Só o vento, o sol e algum caminhoneiro perdido sabiam que vocês passavam por ali.

E ali, naquele pequeno ponto no mapa do Noroeste paulista, ficavam os parentes espanhóis espalhados, meio raiz, meio lenda, sempre com a oficina de tratores como um farol, uma fazenda ou uma história para contar.
Tinha o primo Eduardo da oficina de tratores, tinha o velho Wilson, meu pai, naquela época moço na casa dos trinta anos, uma figura única, boa praça, carismático, sarrista, centro das atenções onde estivesse, um contador de causos, de piadas e de vergonhas alheias — inclusive aquela famosa e indecente do vereador e o galinheiro, que você jura que um dia vai contar.

Mas o que pega na memória mesmo não é o povo — é o ambiente.


Urupês tinha cheiro.

Cheiro de lenha queimada no fogão, cheiro de terra molhada depois da chuva, cheiro de curral, de capim amassado pelo cascos dos bois.

Urupês tinha sons.

O bater da chuva no telhado sem forro.
O rangido dos móveis antigos.
O canto enlouquecido das maritacas.
O mugir manso do gado.
E o coro dos grilos ao entardecer, aquele som que parecia dizer:
Fica mais, menino. Você não precisa ir embora tão cedo.



Urupês tinha perigos.

Perigos verdadeiros, naturais, selvagens, como a galinha choca possuída pelo demônio que me perseguiu quintal adentro, defendendo o pintainho que achei que podia pegar como quem pega um brinquedo.
Ali você aprendi rápido o conceito de “instinto maternal”, “risco de vida” e “corre senão ela te acerta”.

Urupês tinha magia.

Calhambeques semi-abandonados que se tornavam naves espaciais.
Café colhido na hora, seco no rancho, torrado e moido.
Riachos que viravam mundos.
Ninhos de joão-de-barro que pareciam pequenas cidades.
Tucanos, maritacas e papagaios que faziam mais barulho que o trânsito de São Paulo.
Cavalos que pareciam saídos de livros de aventura.

E o mais importante:


Urupês te deu dimensão.

Me fez perceber que meu mundo era muito maior que o quarteirão cinzento da cidade grande.
Que existia um mundo imenso além da Vila Rio Branco na Ponte Rasa.

Que fronteiras não eram paredes.
Que horizontes eram convites.

Talvez tenha sido ali — entre poeira, galinha furiosa, cheiro de lenha e viagens intermináveis — que nasceu a minha vocação de não aceitar limites.
De ser alguém sempre em movimento, buscando, aprendendo, explorando, criando.

Um menino que viu o mundo se abrir em quilômetros antes de se abrir em mãos.

E Urupês, assim como Ibitinga, ficou marcado no meu peito como essas memórias que aquecem em dia frio e lembram:
Sim, eu vim daqui. Eu me fiz aqui. E tudo isso ainda vive em mim.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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