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quarta-feira, 11 de setembro de 2024

🐴💩 Dois Cavalos e uma Filosofia Brasileira O cocô do cavalo do bandido e o cavalo do desfile de 7 de Setembro

 

Bellacosa Mainframe frase escatologicas sobre cavalos e cocos

☕ Um café no Bellacosa Mainframe

🐴💩 Dois Cavalos e uma Filosofia Brasileira

O cocô do cavalo do bandido e o cavalo do desfile de 7 de Setembro

Uma pequena cápsula do tempo linguística para algum arqueólogo digital de 2126

Caro leitor do futuro,

Se por algum acidente arqueológico você encontrou este texto daqui a cinquenta, cem ou duzentos anos, talvez esteja tentando compreender por que brasileiros do século XXI falavam tanto de cavalos que aparentemente possuíam funções filosóficas.

Não tente traduzir literalmente.

Vai piorar.

Existem expressões que pertencem tão profundamente à cultura de um povo que traduzi-las palavra por palavra produz uma frase perfeitamente compreensível e absolutamente incompreensível.

O Brasil possui pelo menos duas preciosidades desse gênero:

“Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido.”

e

“Vou fazer igual ao cavalo do desfile de 7 de Setembro.”

Curiosamente, ambas utilizam cavalos.

Mais curiosamente ainda, ambas envolvem merda.

E, apesar disso, representam posições filosóficas praticamente opostas diante da existência.



🐴 1. Primeiro conheça o bandido

Imagine um velho filme de faroeste.

Existe o mocinho.

Existe a mocinha.

Existe o xerife.

Existe o bandido.

Existem os capangas.

E existem os cavalos.

O cavalo do mocinho ainda possui alguma dignidade cinematográfica. Pode receber close, salvar o protagonista, galopar heroicamente contra o pôr do sol e, nos filmes mais generosos, até possuir nome.

Mas existe também o cavalo do bandido.

Esse pobre animal já está bastante abaixo na cadeia alimentar do roteiro.

Ninguém comprou ingresso para vê-lo.

Ninguém pergunta o que aconteceu com ele depois que o bandido levou um tiro.

Provavelmente nem aparece nos créditos.

Agora imagine algo ainda menos importante.

💩 O cocô do cavalo do bandido.

Pronto.

Chegamos ao brasileiro.



💩 2. “Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido”

Essa extraordinária construção significa aproximadamente:

“Minha importância nesta situação atingiu níveis subterrâneos.”

Mas isso ainda é uma tradução ruim.

Porque alguém poderia simplesmente dizer:

“Estou sendo desprezado.”

Não tem graça.

Ou:

“Sinto que ninguém valoriza minha participação.”

Parece reunião de Recursos Humanos.

Ou ainda:

“Estou me sentindo insignificante.”

Parece sessão de terapia.

O brasileiro resolveu o problema adicionando um bandido, um cavalo e suas necessidades fisiológicas.

“Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido.”

Instantaneamente o interlocutor entende.

Você não está apenas mal.

Você não está apenas esquecido.

Você não está simplesmente no fim da fila.

Existe toda uma hierarquia acima de você.

Mocinho.

Bandido.

Cavalo.

E finalmente...

você.



🪰 3. Naturalmente, o brasileiro achou que isso ainda não era suficiente

Uma expressão popular brasileira raramente permanece intacta quando existe possibilidade de piorá-la.

Em algum momento apareceu:

“A mosca do cocô do cavalo do bandido.”

Fantástico.

Criamos mais um nível hierárquico.

Posteriormente poderiam surgir versões envolvendo a pata da mosca, a sujeira da pata da mosca, a bactéria presente na sujeira da pata da mosca...

Não existe limite teórico.

É uma espécie de recursividade escatológica brasileira.

BANDIDO
   ↓
CAVALO
   ↓
COCÔ
   ↓
MOSCA
   ↓
PATA DA MOSCA
   ↓
SUJEIRA DA PATA
   ↓
VOCÊ

COBOL não faria isso.

LISP provavelmente faria.



🇧🇷🐴 4. Então aparece o segundo cavalo

Agora mudamos completamente de estado de espírito.

Imagine o desfile brasileiro de 7 de Setembro, comemoração da Independência.

Autoridades.

Uniformes impecáveis.

Bandeiras.

Banda militar.

Marcha.

Cerimônia.

Público.

Câmeras.

Tudo organizado segundo um protocolo cuidadosamente preparado por seres humanos.

Então passa um cavalo.

O cavalo não conhece o protocolo.

O cavalo não estudou História do Brasil.

O cavalo desconhece solenidades republicanas.

O cavalo simplesmente...

caga.

No meio da parada.

E continua andando.

Majestosamente.



😎 5. “Vou fazer igual ao cavalo do desfile de 7 de Setembro”

Aqui encontramos uma filosofia completamente diferente.

O sujeito não está derrotado.

Também não está revoltado.

Muito menos desesperado.

Ele atingiu um estágio superior de indiferença.

A tradução aproximada seria:

“Vou permanecer absolutamente tranquilo, cumprir meu caminho, fazer aquilo que considero necessário e deixar que os demais lidem com as consequências.”

Novamente, tradução horrível.

A original é infinitamente melhor:

“Vou fazer igual ao cavalo do desfile de 7 de Setembro.”

O interlocutor brasileiro imediatamente completa mentalmente:

andar calmamente...

olhar para o público...

cagar na parada...

e continuar andando.

😂



🧘 6. O segredo está na serenidade

Existe uma diferença importantíssima entre:

“mandar tudo à merda”

e

ser o cavalo do desfile.

Quem manda tudo à merda ainda está emocionalmente envolvido.

Está bravo.

Grita.

Bate a porta.

Talvez escreva um e-mail de 1.700 palavras copiando quinze gerentes.

O cavalo não.

O cavalo não discute com o comandante da parada.

Não abre chamado.

Não pede escalation.

Não cria PowerPoint.

Não coloca ninguém em cópia.

Ele simplesmente realiza sua contribuição pessoal ao evento...

e segue caminhando.

Essa serenidade é essencial.



🐴 7. Os dois cavalos representam extremos da existência

E aqui chegamos à beleza dessas duas expressões.

No primeiro caso:

Você é o cocô do cavalo.

No segundo:

Você é o cavalo.

Parece uma diferença pequena.

É gigantesca.

O cocô do cavalo do bandido representa alguém submetido às circunstâncias.

O cavalo do desfile de 7 de Setembro representa alguém que decidiu que as circunstâncias não merecem mais sua preocupação.

Um diz:

“Ninguém liga para mim.”

O outro responde:

“Eu não ligo para ninguém.”

E assim aproximadamente dois séculos de filosofia ocidental podem ser resumidos utilizando apenas dois cavalos.



🌎 8. Agora tente traduzir isso para inglês

Boa sorte.

“I feel like the poop of the bandit's horse.”

Um americano provavelmente perguntará se você precisa de assistência médica.

“I'm going to behave like the horse at the September 7th Independence Day parade.”

Agora você precisará explicar:

— September 7th is Brazilian Independence Day...

— Okay...

— There are military parades...

— Right...

— Sometimes there are horses...

— Sure...

— And the horse shits...

— What?

Acabou.

A piada morreu durante a imigração.


🧠 9. Porque a verdadeira expressão não está nas palavras

Esse talvez seja o ponto linguisticamente mais interessante.

Essas frases funcionam porque o ouvinte participa da construção da piada.

Quando alguém diz:

“Estou igual ao cocô do cavalo do bandido.”

não precisa acrescentar:

“Isso significa que estou me sentindo desprestigiado.”

Todo mundo entendeu.

Quando alguém anuncia:

“Agora vou fazer igual ao cavalo do 7 de Setembro.”

não precisa explicar o restante.

O interlocutor já está sorrindo.

Porque sua cabeça produziu o filme inteiro.

E frequentemente a gargalhada acontece justamente antes da explicação que nunca será necessária.


📦 10. São arquivos ZIP culturais

Talvez essa seja uma boa definição.

Essas expressões são arquivos ZIP da cultura popular.

Poucas palavras armazenam:

memória coletiva, imagens, ironia, hierarquia social, resignação, cinismo, autodepreciação e humor.

O falante envia:

“Cavalo do bandido.”

O cérebro do receptor executa:

DESCOMPACTAR.EXE

E recebe todo o restante.

É por isso que traduções literais fracassam.

Você consegue traduzir as palavras.

Não consegue transportar automaticamente o arquivo cultural que permite descompactá-las.


🍺 11. Manual prático para o brasileiro contemporâneo

Segunda-feira.

O chefe esqueceu seu nome.

Seu projeto perdeu orçamento.

Seu computador atualizou sozinho.

O café acabou.

Você declara:

“Hoje estou o cocô do cavalo do bandido.”

Quarta-feira.

Depois de oito reuniões, quatro apresentações e alguém perguntar pela terceira vez aquilo que estava escrito no primeiro slide, alguma coisa muda dentro de você.

Finalmente chega sexta-feira.

17h43.

Alguém manda:

“Rapidinho, você consegue olhar uma coisinha antes de sair?”

Nesse momento ocorre a metamorfose.

Você deixa de ser o cocô.

Você se torna o cavalo.

Endireita a coluna.

Olha serenamente para o horizonte.

E pensa:

“Agora vou de cavalo do desfile de 7 de Setembro.”


🏺 12. Nota para o arqueólogo digital do futuro

Se você encontrou este texto no ano de 2126 tentando descobrir o significado dessas expressões, registre isto cuidadosamente:

sim, brasileiros realmente falavam essas coisas.

Não sabemos exatamente quem pronunciou cada uma delas pela primeira vez.

Provavelmente circularam durante muito tempo pela oralidade, ganhando versões, exageros e novos detalhes conforme passavam de uma pessoa para outra.

E justamente por isso vale deixar mais uma ocorrência escrita.

Porque expressões populares possuem uma característica curiosa:

todo mundo conhece,

ninguém sabe quem inventou,

ninguém lembra onde ouviu pela primeira vez,

mas todo mundo sabe exatamente quando usar.


☕ Conclusão — A sabedoria dos dois cavalos

Talvez algum filósofo do futuro encontre uma teoria sofisticada para explicar tudo isso.

Nós podemos economizar o trabalho.

Existem momentos na vida em que você inevitavelmente será:

💩 o cocô do cavalo do bandido.

Aceite.

Sobreviva.

Dê risada.

Mas existem outros momentos em que a melhor estratégia possível será transformar-se no:

🐴 cavalo do desfile de 7 de Setembro.

Mantenha a postura.

Caminhe calmamente.

Sorria para o público.

Faça aquilo que precisa fazer.

E siga adiante sem olhar para trás.

Porque talvez uma pequena parte da filosofia brasileira possa ser resumida assim:

Quando o mundo fizer você se sentir o cocô do cavalo do bandido, sobreviva tempo suficiente para um dia poder ser o cavalo do desfile.

O resto...

bem...

fica para quem vem marchando atrás. 🐴💩🇧🇷



terça-feira, 23 de agosto de 2022

Tensei Shitara Ken Deshita — Quando o Sistema Operacional Empunha o Usuário: A Arquitetura IBM Mainframe Escondida no Melhor Isekai de Parceria dos Últimos Anos

 

Bellacosa Mainframe apresenta tensei shitara ken deshita

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

⚔️ 転生したら剣でした (Tensei Shitara Ken Deshita) — Quando o Sistema Operacional Empunha o Usuário: A Arquitetura IBM Mainframe Escondida no Melhor Isekai de Parceria dos Últimos Anos

"Na engenharia de sistemas existe uma verdade absoluta: infraestrutura sozinha não gera valor. Aplicações sem infraestrutura também não. O sucesso acontece quando ambas trabalham em perfeita sintonia. Reincarnated as a Sword transforma esse princípio em uma das metáforas mais inteligentes do gênero isekai."


Informações Gerais

Título original: 転生したら剣でした

Romanização: Tensei Shitara Ken Deshita

Título internacional: Reincarnated as a Sword

Autor: Yuu Tanaka

Ilustrador (Light Novel): Llo

Mangá: Tomowo Maruyama

Estúdio: C2C

Diretor: Shinji Ishihira

Composição da série: Takahiro Nagano

Música: Yasuharu Takanashi

Lançamento da Light Novel: 2015 (Web Novel)

Light Novel impressa: 2016

Anime: Outubro de 2022

Episódios: 12

Status: Segunda temporada oficialmente anunciada.


Classificação

  • Fantasia

  • Isekai

  • Aventura

  • RPG

  • Ação

  • Drama

  • Slice of Adventure

  • Progressão de Personagem

Classificação indicativa: aproximadamente 14 anos.

Embora possua violência, o anime evita excessos gráficos e praticamente não utiliza fanservice gratuito.


O diferencial que muda tudo

O gênero Isekai normalmente segue uma fórmula conhecida.

O protagonista:

  • renasce extremamente poderoso;

  • monta um harém;

  • derrota reis demônios;

  • resolve tudo sozinho.

Aqui acontece exatamente o contrário.

O protagonista não possui corpo.

Ele virou...

uma espada.

E isso muda completamente toda a dinâmica narrativa.


Sinopse

Após morrer em nosso mundo, um homem desperta como uma espada mágica em um universo de fantasia.

Sem braços.

Sem pernas.

Sem voz para conversar com humanos.

Sem possibilidade de empunhar a si mesmo.

Depois de passar anos derrotando monstros sozinho e absorvendo habilidades, ele encontra uma jovem escrava chamada Fran.

Ao libertá-la, nasce uma parceria que redefine completamente o conceito de protagonista.


A verdadeira história

Na superfície, parece apenas mais um anime de aventura.

Mas por baixo existe uma história sobre identidade.

Teacher perdeu seu corpo.

Fran perdeu sua liberdade.

Ambos são incompletos.

Separados possuem limitações.

Juntos tornam-se praticamente imparáveis.

Essa construção é muito mais sofisticada do que parece.


Os protagonistas

⚔️ Teacher

Jamais descobrimos seu nome humano.

Ele passa a ser conhecido apenas como:

Teacher (Shishou).

Sua função não é vencer batalhas.

Sua função é fazer outra pessoa crescer.

Isso já o diferencia de praticamente todos os protagonistas do gênero.

Ele é:

  • mentor;

  • estrategista;

  • biblioteca viva;

  • suporte;

  • administrador de recursos.


🐈 Fran

Fran talvez seja uma das protagonistas femininas mais interessantes dos últimos anos.

Ela não fala muito.

Não faz discursos.

Não busca atenção.

Ela simplesmente evolui.

Seu sonho é provar que sua raça pode evoluir além das limitações impostas pelo mundo.

Ela representa disciplina.

Não talento.


O mundo

O universo funciona como um enorme MMORPG.

Existem:

  • Guildas

  • Classes

  • Skills

  • Evoluções

  • Níveis

  • Magias

  • Rank de aventureiros

  • Cristais mágicos

  • Dungeons

Mas curiosamente...

O anime quase nunca deixa esses números dominarem a narrativa.

Eles servem apenas como ferramenta.

Nunca como objetivo.


O verdadeiro protagonista é a parceria

A maioria dos isekais vende poder.

Este vende confiança.

Teacher nunca tenta controlar Fran.

Fran nunca depende totalmente de Teacher.

Cada um possui responsabilidades.

Isso lembra muito uma arquitetura corporativa.


Bellacosa Mainframe — A metáfora escondida

Aqui começa a parte interessante.

Teacher é praticamente um IBM z/OS.

Ele possui:

  • gerenciamento de memória;

  • gerenciamento de recursos;

  • segurança;

  • catálogo de serviços;

  • APIs;

  • monitoramento;

  • inteligência operacional.

Mas sozinho...

Não produz valor.

Fran representa os programas COBOL.

Ela executa:

  • regras de negócio;

  • decisões;

  • processamento;

  • interação com clientes;

  • operações críticas.

Sem z/OS:

o COBOL não roda.

Sem COBOL:

o z/OS não gera negócio.

É exatamente essa relação.


Teacher como um Sysprog

Observe suas funções.

Ele:

analisa logs.

Monitora ameaças.

Otimiza desempenho.

Escolhe skills.

Gerencia recursos.

Protege usuários.

Controla consumo de energia.

Isso lembra muito um Sysprog administrando um ambiente de produção.

Enquanto Fran...

faz as transações.


A arquitetura distribuída da dupla

Imagine:

Teacher = Middleware

Fran = Aplicação

Guilda = Scheduler

Skills = APIs

Mana = CPU

Cristais = Banco de Dados

Monstros = Eventos de Produção

Tudo conversa entre si.

Nada funciona isoladamente.


A evolução como engenharia de software

Outro ponto brilhante.

Teacher nunca fica forte apenas aumentando atributos.

Ele aprende.

Analisa.

Experimenta.

Combina habilidades.

É praticamente um processo de melhoria contínua.

Como fazemos em:

  • DevOps

  • SRE

  • Engenharia de Performance

  • Capacity Planning


Fran representa o usuário ideal

Ela:

ouve.

aprende.

testa.

repete.

evolui.

Não existe evolução instantânea.

Existe treinamento.


O estúdio C2C

O estúdio C2C não é conhecido por superproduções milionárias.

Mesmo assim entregou um excelente trabalho.

Os destaques:

  • animação consistente;

  • ótima direção de ação;

  • excelente uso de partículas mágicas;

  • fotografia bonita;

  • trilha sonora emocionante;

  • CGI discreto.

A qualidade é surpreendentemente estável.

Não há episódios claramente "quebrados".


A direção

Shinji Ishihira entende uma regra importante.

Nem toda luta precisa durar vinte minutos.

As batalhas possuem ritmo.

Movimento.

Peso.

E principalmente...

Objetivo narrativo.


As mensagens escondidas

O anime fala sobre muito mais do que fantasia.

Liberdade

Fran começa escrava.

Mas o anime mostra que liberdade verdadeira exige capacidade.

Não basta retirar as correntes.

É preciso aprender a viver sem elas.


Conhecimento

Teacher não resolve problemas.

Ele ensina.

Essa diferença muda tudo.

É o velho princípio:

"Dar o peixe versus ensinar a pescar."


Cooperação

Ninguém cresce sozinho.

Nem mesmo uma espada lendária.


Confiança

Teacher nunca usa Fran.

Fran nunca usa Teacher.

Eles trabalham juntos.

É uma relação extremamente saudável.


O simbolismo da espada

Historicamente, espadas representam poder.

Aqui representam conhecimento.

Teacher é literalmente uma ferramenta.

Ferramentas não existem para aparecer.

Existem para ampliar capacidades humanas.

Essa é uma metáfora poderosa para tecnologia: seu valor está em potencializar pessoas, não em substituí-las.


O que existe de diferente?

Muita coisa.

Não há harém.

Não existe protagonista narcisista.

Não existe comédia apelativa.

Não há excesso de fanservice.

As relações são maduras.

A protagonista feminina realmente cresce.

As batalhas têm consequência.


Houve censura?

Não houve registros relevantes de censura que tenham alterado a história, personagens ou direção artística da obra. A adaptação para TV manteve a essência da light novel e do mangá. Algumas cenas violentas foram naturalmente enquadradas dentro do padrão de exibição televisiva japonesa, mas não houve controvérsias significativas envolvendo cortes ou proibições.


Impacto cultural

Talvez não tenha sido o maior sucesso comercial da década.

Mas tornou-se um dos isekais mais respeitados pelos fãs.

Hoje costuma aparecer entre as listas de:

  • melhores isekais sem harém;

  • melhores protagonistas femininas;

  • melhores relações mentor-aluno;

  • melhores adaptações de light novel.

Fran tornou-se uma personagem extremamente popular.

Teacher também virou um dos protagonistas mais originais do gênero.


Vale a pena assistir?

Sem dúvida.

Especialmente para quem está cansado da fórmula repetitiva dos isekais modernos.

Reincarnated as a Sword prova que ainda é possível inovar em um gênero saturado, substituindo o protagonismo individual por uma parceria construída com confiança, aprendizado e respeito mútuo.


Conclusão Bellacosa Mainframe

Nos grandes ambientes IBM Z, ninguém elogia o sistema operacional porque ele "apareceu". O sucesso acontece justamente quando ele permanece invisível, garantindo disponibilidade, segurança e desempenho para que as aplicações façam seu trabalho. Teacher representa essa infraestrutura silenciosa: administra recursos, protege, otimiza e orienta. Fran simboliza as aplicações de negócio que transformam toda essa capacidade técnica em valor real para os usuários.

A maior lição do anime é que sistemas verdadeiramente robustos não dependem de um herói solitário. Eles dependem da integração harmoniosa entre plataforma e aplicação, entre mentor e aprendiz, entre tecnologia e propósito. Assim como em um ambiente IBM Mainframe, onde a excelência está na confiabilidade e na cooperação entre componentes, 転生したら剣でした mostra que a força mais duradoura não nasce do poder absoluto, mas da arquitetura bem projetada, da evolução contínua e da confiança construída ao longo da jornada.


sexta-feira, 10 de abril de 2020

🕯️ Os Santos Populares da Ressaca: Engov, Epocler e Sonrisal — o trio que salvou o proletariado da segunda-feira

 

Bellacosa Mainframe e os santos populares da ressaca    


🔥🩵 Post Bellacosa Mainframe / El Jefe Midnight Lunch Edition

🕯️ Os Santos Populares da Ressaca: Engov, Epocler e Sonrisal — o trio que salvou o proletariado da segunda-feira


Há santos que protegem os motoristas, os pescadores e até os programadores. Mas, em São Paulo, especialmente entre as esquinas da Sé e da Augusta, entre o boteco do Zé e o balcão do Estadão, o povo criou seus próprios santos de devoção alcoólica:
São Engov, São Epocler e São Sonrisal.
Os três juntos formam a Santíssima Trindade da Ressaca — padroeiros da sexta-feira sem juízo e do domingo de arrependimento.




🟡 São Engov – O Santo da Prevenção

O primeiro da procissão.
Reza a lenda que o Engov nasceu nos anos 60, criado por um farmacêutico inspirado entre um gole e outro de vinho do padre. A bula nunca prometeu cura pra ressaca, mas o povo decretou por conta própria: “Se faz bem antes e depois, é milagre!”.

O comprimido amarelo virou ritual. Tinha quem tomasse um antes da pinga, outro depois da batida, e guardasse um terceiro “pra garantir”.
E quando veio o Engov líquido, pequeno, de bolso, com ares de amuleto de feira… pronto: virou o Rosário do Boêmio.

“Quem tem Engov, tem fé.
Quem não tem, reza pra acordar vivo.”


🟢 São Epocler – O Protetor do Fígado

Ah, o Epocler. O mais amargo dos santos, o que desce rasgando mas renova a alma.
Nos botecos dos anos 80 e 90, era comum ver o sujeito pedindo o combo clássico:

“Uma dose de 51 e um Epocler de chaser.”

Essa era a penitência do guerreiro. Um gole pro pecado, outro pra absolvição.
O Epocler nunca julgou ninguém. Feito de arginina e vitamina B6, ele é o santo que entende o fígado cansado, aquele que trabalha em regime CLT e plantão noturno.
Dizem que, nos anos 2000, ele quase ganhou beatificação popular — tamanha era sua devoção nas madrugadas da Augusta e nas segundas do Brás.


São Sonrisal – O Anjo Efervescente

O mais pop dos três.
Enquanto Engov e Epocler eram austeros, Sonrisal é pura festa, espuma e esperança.
Basta jogar na água e assistir o milagre efervescente: em segundos, o mundo volta a girar no eixo.
É o santo do estômago, do azedume e do arrependimento.
Foi companheiro fiel de muitos que, depois da cerveja quente, da coxinha duvidosa e da batida de amendoim, só queriam um recomeço.

“O mundo pode acabar, mas se tiver Sonrisal, ainda há bolhas de fé.”


🍸 O Dogma do Boteco

Os antigos diziam:

“Engov antes, Epocler depois e Sonrisal no fim — e a ressaca vai embora amém.”

Mas há quem inverta a ordem, como se fosse alquimia, buscando a fórmula perfeita da ressuscitação.
Na real, o segredo não está no princípio ativo, mas na esperança que cada dose carrega.
O brasileiro, mesmo de ressaca, acorda e vai pra luta — e se o fígado reclamar, toma outro Epocler e segue o baile.


💬 Comentário de balcão

Na boca da madrugada, entre uma última dose e o primeiro pão na chapa, o garçom filosofa:

“Santo que não cura ressaca não entra no altar do boteco.”

E assim, de bar em bar, o povo canonizou seus próprios milagreiros — os que não estão no Vaticano, mas sim na farmácia 24 horas da esquina, ao lado da coxinha, da mortadela e da fé etílica.


🔸 Dica do El Jefe:
Não existe milagre que cure a culpa. Mas entre um Engov e um Sonrisal, dá pra disfarçar a ressaca da alma.
E se o dia amanhecer pesado, tome um Epocler, olhe pro horizonte e lembre-se:

“Enquanto houver boteco, haverá redenção.”

 

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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