✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨
Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens.
Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê.
Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão.
Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
Por El Jefe — uma reflexão Bellacosa Mainframe para quem já cansou do Ctrl+C Ctrl+Casamento
Tem algo curioso acontecendo na geração over 40.
Muitas mulheres, incríveis, inteligentes, bem resolvidas, depois de dois ou três relacionamentos fracassados, decidem… tentar casar de novo.
E eu fico pensando — por quê?
Por que esse retorno quase automático ao altar emocional, como se a vida só fizesse sentido dentro de um relacionamento formal?
🕰️ A herança invisível
Talvez porque fomos criados numa cultura onde o “final feliz” ainda tem formato de cerimônia, não de liberdade.
Lá no fundo, o inconsciente coletivo ainda sussurra:
“Você só é completa se alguém te escolher.”
Mesmo que ela tenha casa própria, carreira sólida e uma bagagem emocional de guerra, ainda há uma pressão — social, familiar e até interna — para “não ficar sozinha”.
Mas o paradoxo é cruel:
quanto mais tentam preencher o vazio com outro casamento, mais se afastam da leveza que tanto buscam.
🔄 O loop do recomeço
Casar novamente, para muitas, virou uma espécie de reinício de sistema.
Uma tentativa de reconfigurar o coração, como quem formata um HD esperando que o novo sistema rode sem travar.
Mas o problema raramente está no “outro”.
Está no roteiro que se repete — nas expectativas copiadas, nos papéis herdados, nas mesmas promessas instaladas com outro nome de usuário.
E aí o ciclo se repete: paixão, convivência, desgaste, frustração… reboot.
Até que, um dia, percebem que o amor não se encontra no “recomeço”,
mas no descanso do próprio sistema.
🌙 Liberdade 4.0
Por que não viver leve?
Por que não escolher encontros sinceros, afetos breves, conexões reais — sem a necessidade de transformar tudo em contrato social?
Liberdade não é solidão.
É ter a escolha de não precisar preencher o vazio com outro CPF.
A vida adulta tem beleza no silêncio, no vinho tomado sem pressa, na cama grande com travesseiro sobrando, no encontro casual que não cobra fidelidade nem entrega carência.
☕ Amor com manutenção preventiva
Talvez o segredo não esteja em “casar de novo”,
mas em reaprender a amar fora da obrigação.
Casamento não é atualização de software —
não é porque a última versão deu bug que a próxima vai rodar liso.
Talvez o amor precise de menos altar e mais autenticidade.
Menos status e mais verdade.
Menos “felizes para sempre” e mais “felizes enquanto fizer sentido”.
Enquanto isso, sigo observando o mundo pelos reflexos da janela,
vendo corações tentando se reiniciar sem fazer backup de si mesmos.
E pensando que, às vezes, o mais bonito é simplesmente ficar offline por um tempo.
☕💣🐰 Bunny Girl Senpai — O Anime Que Provou Que Bugs Emocionais Também Derrubam Sistemas
Dados da Obra
Título Original: Seishun Buta Yarou wa Bunny Girl Senpai no Yume wo Minai Título Internacional: Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai Estúdio: CloverWorks Ano: 2018 Gênero: Drama, Romance, Sobrenatural, Mistério, Slice of Life Baseado em: Light Novel de Hajime Kamoshida
A Premissa
Imagine que adolescentes começam a sofrer fenômenos sobrenaturais causados por seus próprios conflitos emocionais.
No universo de Bunny Girl Senpai, isso recebe o nome de:
Síndrome da Puberdade (Adolescence Syndrome)
É como se emoções, traumas, medos e inseguranças fossem convertidos em eventos físicos reais.
Para alguém que trabalha com tecnologia, é fácil fazer uma analogia:
Um erro lógico interno produz um efeito visível no sistema.
O problema não está no hardware.
Está no código.
O Caso de Mai Sakurajima
A história começa quando Sakuta encontra Mai Sakurajima andando pela biblioteca vestida de coelhinha.
O detalhe?
Ninguém consegue vê-la.
Ela está literalmente desaparecendo da percepção das pessoas.
Como ex-atriz infantil famosa, Mai sofre com o peso da exposição pública e o desejo de ser esquecida.
O universo responde a esse conflito emocional:
As pessoas param de notá-la.
Sua existência vai sendo apagada.
Até registros sobre ela começam a perder significado.
A Melhor Analogia Mainframe
Mai é como um dataset catalogado que ninguém mais consegue localizar.
O dataset continua existindo.
Mas nenhum programa consegue encontrá-lo.
Nem mesmo os usuários sabem que ele está lá.
Ela virou um:
DATASET EXISTE
CATÁLOGO CORROMPIDO
Quem é Sakuta?
Sakuta Azusagawa é um protagonista extremamente diferente dos clichês.
Ele não é:
Covarde
Excessivamente tímido
Obcecado por fanservice
Pelo contrário.
É inteligente, sarcástico e emocionalmente maduro.
Seu papel é investigar os fenômenos da Síndrome da Puberdade e ajudar as pessoas afetadas.
Quase como um analista de produção investigando incidentes.
Como se uma aplicação gerasse duas instâncias simultâneas do mesmo banco de dados.
Nodoka Toyohama
Troca de corpo com a irmã.
Um erro de mapeamento entre ambientes.
PRODUÇÃO = TESTE
TESTE = PRODUÇÃO
Caos garantido.
Kaede Azusagawa
Talvez o arco mais emocionante.
Sua personalidade original desaparece após um trauma severo.
Quando ela retorna, surge uma questão devastadora:
A pessoa que existe agora é a mesma de antes?
É uma discussão filosófica profunda sobre identidade, memória e continuidade da consciência.
O Romance
Diferente de muitos animes românticos.
Mai e Sakuta:
Conversam como adultos.
Resolvem conflitos.
Confiam um no outro.
Não existe a enrolação típica de:
TEMPORADA 1
TEMPORADA 2
TEMPORADA 3
AINDA NÃO SEGURARAM AS MÃOS
A relação progride naturalmente.
Por isso muitos fãs consideram Mai e Sakuta um dos melhores casais dos animes modernos.
O Que Torna Bunny Girl Senpai Especial?
Muita gente chega esperando fanservice por causa do título.
Mas encontra algo completamente diferente.
A fantasia serve apenas como metáfora para:
Ansiedade
Solidão
Pressão social
Bullying
Trauma
Busca por identidade
É uma obra sobre crescer e lidar com as dores da adolescência.
O Filme: Rascal Does Not Dream of a Dreaming Girl
🎬 Continuação direta da série.
Sem spoilers pesados:
Este filme eleva a história para outro nível emocional.
Mistura:
Física quântica
Destinos alternativos
Sacrifício
Amor
Memória
Muitos fãs consideram este o ponto mais forte de toda a franquia.
Veredito Bellacosa Mainframe
Se Steins;Gate fala sobre corrigir linhas temporais e YU-NO sobre navegar entre realidades paralelas, então Bunny Girl Senpai fala sobre corrigir falhas emocionais que ninguém consegue enxergar.
É um anime que usa conceitos sobrenaturais para explicar problemas extremamente humanos.
Nota Técnica
Item
Nota
História
9.5/10
Personagens
10/10
Romance
10/10
Emoção
10/10
Mistério
9/10
Final da Série
9/10
Nota Final
☕💣🐰 9,7/10 — O dia em que descobrimos que o maior bug do sistema não estava no código, mas no coração dos usuários.
Bellacosa Mainframe apresenta Jenkins muito alem do botao build
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Jenkins Muito Além do Botão "Build"
O Que Todo Programador COBOL Padawan Precisa Saber Sobre CI/CD, Pipelines, DevOps, Containers, Kubernetes, Git e Como os Grandes Bancos Automatizam Milhões de Transações Todos os Dias
"Compilar um programa é uma tarefa. Automatizar uma empresa inteira é engenharia."
Quando um programador COBOL começa a ouvir falar de Jenkins, normalmente imagina uma ferramenta que "compila programas Java".
Nada poderia estar mais distante da realidade.
Se você trabalha em um banco, seguradora, empresa aérea, governo ou qualquer ambiente IBM Z, provavelmente já faz parte de um processo de CI/CD sem perceber. A diferença é que, durante muitos anos, grande parte dessa automação era construída com ferramentas proprietárias, scripts, JCLs, Control-M, CA-7, Endevor, Changeman, ISPW ou soluções internas.
O Jenkins não substituiu esses conceitos.
Ele apenas modernizou a maneira como pensamos sobre automação.
Neste café vamos muito além do famoso botão Build Now.
Vamos entender por que o Jenkins se tornou um dos pilares da Engenharia de Software moderna e como um Programador COBOL Padawan pode compreender essa tecnologia usando conceitos familiares do mundo Mainframe.
Pegue seu café.
Hoje a conversa será longa.
Antes do Jenkins
Imagine um desenvolvedor em 2005.
Ele terminava uma alteração.
Compilava localmente.
Executava alguns testes.
Gerava um pacote.
Enviava por e-mail.
Outro profissional copiava os arquivos.
Alguém fazia o deploy.
Outro executava os testes.
Outro autorizava produção.
Cada etapa era manual.
Cada etapa demorava.
Cada etapa podia falhar.
Agora imagine isso acontecendo para:
500 sistemas
4.000 desenvolvedores
20 países
milhares de deploys por dia
Seria impossível.
Era necessário automatizar.
Foi exatamente nesse cenário que ferramentas como Jenkins começaram a ganhar importância.
Jenkins não é um compilador
O primeiro erro de quem está aprendendo Jenkins é pensar:
"Jenkins serve para compilar."
Não.
Jenkins serve para orquestrar processos.
Essa diferença muda completamente a maneira de enxergar a ferramenta.
Imagine um maestro.
Ele não toca todos os instrumentos.
Ele coordena músicos.
O Jenkins faz exatamente isso.
Ele conversa com dezenas de ferramentas diferentes.
Pode executar:
Java
COBOL
Python
Node.js
Shell Script
PowerShell
Docker
Kubernetes
Terraform
Ansible
Maven
Gradle
IBM DBB
Zowe CLI
JCL
APIs REST
Ele não faz o trabalho.
Ele manda outras ferramentas fazerem.
Uma analogia para quem conhece Mainframe
Vamos imaginar um Job Batch.
Você escreve um JCL.
STEP001
STEP002
STEP003
STEP004
Cada STEP executa um programa diferente.
No Jenkins acontece exatamente o mesmo.
Só muda o nome.
Em vez de STEP...
temos STAGE.
Checkout
↓
Compile
↓
Test
↓
Package
↓
Deploy
Na prática, Pipeline é um JCL moderno.
Essa comparação ajuda muito quem vem do mundo IBM Z.
Controller e Agent
Outro conceito extremamente importante.
Imagine uma cozinha industrial.
Existe o gerente.
Existem os cozinheiros.
O gerente organiza.
Os cozinheiros executam.
No Jenkins acontece o mesmo.
Controller
É o cérebro.
Ele:
recebe requisições
agenda builds
controla filas
guarda configurações
gerencia plugins
registra logs
Mas ele não compila.
Quem faz isso são os Agents.
Agents
Os Agents são os trabalhadores.
Podem existir centenas deles.
Cada um especializado em uma tecnologia.
Por exemplo:
Agent Linux
Docker
Java
Maven
kubectl
Agent Windows
Visual Studio
MSBuild
Agent IBM Z
IBM DBB
COBOL
Enterprise COBOL
JCL
Zowe CLI
Quando um Pipeline começa, o Controller pergunta:
"Quem sabe fazer este trabalho?"
O Agent responde.
E começa a execução.
Executors
Pouca gente entende essa diferença.
Cada Agent possui Executors.
Imagine um servidor.
Ele possui:
8 CPUs
64 GB de RAM
Pode executar vários builds ao mesmo tempo.
Cada Executor representa uma capacidade de executar um Pipeline.
Se um Agent possui quatro Executors...
ele consegue executar quatro Builds simultaneamente.
É semelhante ao conceito de multitarefa.
O Pipeline é a estrela principal
Pipeline significa fluxo.
Não importa se sua empresa usa Java.
COBOL.
Python.
Go.
Rust.
O conceito é sempre o mesmo.
Existe uma sequência lógica.
Exemplo:
Receber código
↓
Compilar
↓
Executar testes
↓
Executar análise estática
↓
Criar artefato
↓
Construir imagem Docker
↓
Publicar Registry
↓
Atualizar Kubernetes
↓
Executar testes automatizados
↓
Notificar equipe
Tudo isso sem intervenção humana.
Pipeline como Código
Uma das maiores revoluções do Jenkins foi transformar configurações em código.
Antes.
Tudo era configurado clicando na interface.
Problemas:
Ninguém sabia exatamente como aquele Job funcionava.
Não existia histórico.
Não existia revisão.
Não existia versionamento.
Hoje usamos:
Jenkinsfile
Ele fica dentro do Git.
Assim como qualquer programa COBOL.
Isso significa:
histórico
revisão
Pull Request
auditoria
rollback
O próprio Pipeline passa a ser tratado como software.
Declarative Pipeline
É o padrão atual.
Mais simples.
Mais organizado.
Mais fácil de manter.
Ideal para praticamente todas as empresas.
Sua estrutura lembra bastante uma linguagem descritiva.
Cada etapa fica claramente separada.
Isso facilita manutenção, auditoria e leitura.
Scripted Pipeline
Quando o processo fica muito complexo...
usa-se Groovy.
É quase programação completa.
Pode conter:
loops
funções
classes
recursividade
tratamento de exceções
programação dinâmica
É extremamente poderoso.
Mas também exige bastante disciplina para não transformar o Pipeline em um sistema impossível de manter.
Git e Jenkins trabalham juntos
Hoje praticamente todo Pipeline começa da mesma forma.
Um desenvolvedor faz um Commit.
O Git registra a alteração.
O GitHub ou GitLab envia um Webhook.
O Jenkins recebe o evento.
O Pipeline começa automaticamente.
Ninguém precisa clicar em Build.
É tudo automático.
Essa integração é um dos pilares do DevOps moderno.
Poll SCM versus Webhook
No passado.
O Jenkins ficava perguntando:
"Houve alteração?"
"Houve alteração?"
"Houve alteração?"
Isso chamava-se Poll SCM.
Hoje quem avisa é o Git.
Assim que ocorre um Push.
O Git envia um Webhook.
Resultado:
Menor consumo de recursos.
Resposta imediata.
Automação em tempo real.
Docker mudou completamente o CI/CD
Antigamente era comum ouvir:
"Na minha máquina funciona."
Em produção não funcionava.
Dependências diferentes.
Versões diferentes.
Bibliotecas diferentes.
Docker resolveu esse problema.
Agora todo mundo utiliza exatamente o mesmo ambiente.
O Jenkins simplesmente constrói a imagem.
Publica.
Executa.
Sem diferenças.
Kubernetes levou isso para outro nível
Imagine milhares de Builds acontecendo simultaneamente.
Seria inviável manter centenas de servidores dedicados.
Então surgiu a ideia.
Cada Build cria seu próprio ambiente.
Executa.
Depois destrói tudo.
É exatamente isso que Kubernetes faz usando Pods efêmeros.
O Jenkins apenas solicita.
O Kubernetes cria.
Quando termina.
Tudo desaparece.
Resultado:
Mais economia.
Mais isolamento.
Mais escalabilidade.
CI
Continuous Integration.
Significa integrar frequentemente.
Todo Commit dispara:
Compilação.
Testes.
Validações.
Análises.
Assim os erros aparecem rapidamente.
Quanto antes um problema é encontrado.
Mais barato fica corrigi-lo.
CD
Aqui existe uma pequena confusão.
CD pode significar:
Continuous Delivery.
Ou
Continuous Deployment.
Delivery significa que tudo está pronto.
Mas alguém ainda aprova o Deploy.
Deployment significa que nem essa aprovação existe.
Passou nos testes?
Vai para produção automaticamente.
Empresas como Netflix fazem isso milhares de vezes por dia.
Bancos normalmente preferem Continuous Delivery devido às exigências regulatórias.
Shared Libraries
Imagine cem Pipelines.
Todos executam exatamente os mesmos comandos.
Seria absurdo copiar tudo cem vezes.
Para resolver isso surgiram as Shared Libraries.
Você cria funções reutilizáveis.
Como:
BuildJava()
Deploy()
DockerBuild()
RunTests()
Todos os projetos passam a reutilizar o mesmo código.
É o mesmo princípio da reutilização de módulos COBOL.
Credenciais
Jamais escreva:
Senha.
Token.
Chave SSH.
Dentro do Pipeline.
Isso é um dos erros mais graves encontrados em auditorias.
O Jenkins possui um Credentials Store.
Existem também integrações com:
Hashicorp Vault.
AWS Secrets Manager.
Azure Key Vault.
CyberArk.
Tudo criptografado.
Tudo auditável.
Segurança
Grandes bancos tratam Jenkins como infraestrutura crítica.
Não basta instalar.
É necessário proteger.
Algumas práticas:
RBAC.
LDAP.
Active Directory.
Autenticação multifator.
Plugins assinados.
TLS.
Auditoria.
Backups.
Princípio do Menor Privilégio.
Cada equipe enxerga apenas seus projetos.
Cada Pipeline recebe somente as permissões necessárias.
Monitoramento
Jenkins também precisa ser monitorado.
Empresas utilizam:
Prometheus.
Grafana.
Loki.
Elastic Stack.
OpenTelemetry.
As métricas mais importantes incluem:
Tempo médio de Build.
Fila de execução.
Uso de CPU.
Uso de memória.
Tempo de espera.
Falhas por Pipeline.
Taxa de sucesso.
MTTR.
Deploy Frequency.
Essas métricas fazem parte dos famosos DORA Metrics.
Troubleshooting
Talvez seja a habilidade mais importante.
Quando um Build falha.
Nunca comece reiniciando servidores.
Siga uma metodologia.
Primeiro.
Descubra em qual Stage ocorreu a falha.
Depois.
Leia os Logs.
Verifique credenciais.
Verifique DNS.
Verifique certificados.
Verifique armazenamento.
Verifique rede.
Somente depois investigue o código.
Na maioria das vezes o problema nem está no Jenkins.
Está na infraestrutura ao redor.
Performance
Empresas que executam milhares de Builds diariamente investem muito em desempenho.
Algumas técnicas:
Build paralelo.
Cache de dependências.
Cache Docker.
Executores distribuídos.
Agentes especializados.
Pipelines menores.
Stages independentes.
Tudo isso reduz o tempo de entrega.
Jenkins no IBM Z
Aqui chegamos ao ponto que interessa ao Programador COBOL Padawan.
Existe um mito.
"Mainframe não usa DevOps."
Usa.
E muito.
Hoje é perfeitamente possível criar Pipelines para aplicações COBOL.
Imagine um fluxo.
Desenvolvedor altera um programa.
Faz Commit.
O Jenkins recebe o evento.
Executa IBM Dependency Based Build.
Compila COBOL.
Executa testes.
Analisa qualidade.
Submete JCL.
Valida retorno.
Publica relatório.
Promove para homologação.
Tudo automaticamente.
Ferramentas frequentemente utilizadas:
IBM DBB.
Zowe CLI.
Ansible for IBM Z.
UrbanCode Deploy.
Enterprise COBOL.
ZUnit.
COBOL Check.
Git.
GitHub Enterprise.
GitLab.
O conceito é exatamente o mesmo utilizado para aplicações Java.
A única diferença é a tecnologia executada.
O que os grandes bancos realmente fazem?
Em ambientes corporativos o Jenkins raramente trabalha sozinho.
Ele faz parte de um ecossistema muito maior.
GitHub ou GitLab armazenam o código.
SonarQube mede qualidade.
Nexus ou Artifactory armazenam artefatos.
Docker Registry guarda imagens.
Kubernetes executa aplicações.
Vault protege credenciais.
Prometheus coleta métricas.
Grafana cria dashboards.
ServiceNow registra mudanças.
Slack ou Microsoft Teams notificam equipes.
O Jenkins é o maestro dessa orquestra.
Muito além do Build
Quando você compreender Jenkins apenas como um botão que compila programas, estará enxergando apenas a superfície.
Na realidade, ele representa uma mudança de paradigma na Engenharia de Software.
Ele transforma tarefas repetitivas em processos automatizados, documentados, auditáveis e reproduzíveis.
Para quem vem do universo COBOL, o Jenkins não substitui os conhecimentos adquiridos ao longo dos anos. Pelo contrário, aproveita muitos deles.
O pensamento estruturado que sempre caracterizou os profissionais de Mainframe continua extremamente valioso.
A diferença é que agora ele é aplicado em uma plataforma capaz de integrar linguagens, sistemas operacionais, containers, APIs, nuvens públicas, ambientes híbridos e até mesmo aplicações IBM Z.
No fim das contas, Jenkins não é sobre Java, Docker ou Kubernetes.
É sobre transformar conhecimento técnico em processos confiáveis, repetíveis e automatizados.
E essa sempre foi uma das maiores virtudes da informática: fazer com que computadores executem tarefas repetitivas com precisão, enquanto as pessoas se concentram naquilo que realmente exige criatividade, análise e engenharia.
Porque, no mundo moderno, o verdadeiro diferencial não está em saber apertar o botão Build.
Está em entender toda a orquestra invisível que entra em ação depois que esse botão é pressionado.
Bellacosa Mainframe e a terceira temporada de Tokyo Ghoul
☕💣🧠 O SISTEMA PERDEU A MEMÓRIA E ENTROU EM PRODUÇÃO ASSIM MESMO — TOKYO GHOUL:RE E O MAIOR RECOVERY DA HISTÓRIA DOS ANIMES
"Quando um sistema sofre corrupção crítica, às vezes não basta reiniciar. É preciso criar uma nova identidade e torcer para que os dados antigos nunca retornem."
Ficha Técnica
Título Original: 東京喰種:re
Título Internacional: Tokyo Ghoul:re
Autor Original: Sui Ishida
Mangá: Tokyo Ghoul:re (2014–2018)
Anime: 2018
Estúdio: Pierrot
Direção: Odahiro Watanabe
Temporadas:
Tokyo Ghoul:re (Parte 1) – 12 episódios
Tokyo Ghoul:re (Parte 2) – 12 episódios
Total: 24 episódios
Classificação Indicativa: 16+ a 18+
Gênero:
Seinen
Horror Psicológico
Fantasia Sombria
Drama
Ação
Tragédia
Mistério
O Que É Tokyo Ghoul:re?
Se a primeira temporada foi o IPL...
E √A foi o desastre operacional...
Tokyo Ghoul:re é o processo de RECOVERY.
Mas existe um detalhe.
O backup está incompleto.
Os dados estão corrompidos.
E ninguém sabe exatamente qual versão do sistema está sendo restaurada.
Sinopse
Anos após os eventos anteriores, o mundo continua dividido entre humanos e Ghouls.
Agora surge um novo protagonista:
Haise Sasaki
Um investigador da CCG.
Inteligente.
Calmo.
Respeitado.
Mas existe um problema.
Haise não deveria existir.
Porque por trás dessa nova identidade encontra-se alguém que acreditávamos perdido:
Ken Kaneki.
Sem memória de seu passado, ele vive uma nova vida enquanto fragmentos de sua antiga personalidade começam a retornar.
O Grande Plot Twist
No estilo Bellacosa Mainframe:
Imagine que o sistema Kaneki sofreu um ABEND catastrófico.
O administrador executou:
RESTORE USER(KANEKI)
Mas o restore recuperou apenas parte dos datasets.
O resultado foi:
NEW INSTANCE CREATED:
HAISE SASAKI
Os arquivos antigos continuam armazenados.
E mais cedo ou mais tarde serão reabertos.
A História
Tokyo Ghoul:re muda completamente a perspectiva da franquia.
Durante boa parte da temporada não acompanhamos Ghouls.
Acompanhamos investigadores.
A linha que separava monstros e heróis torna-se cada vez mais confusa.
O espectador começa a perceber algo desconfortável:
Talvez ninguém seja realmente inocente.
O Que Tem de Diferente?
Praticamente tudo.
Novo Protagonista
Haise Sasaki substitui Kaneki.
Pelo menos inicialmente.
Nova Estrutura
A narrativa torna-se mais política.
Mais estratégica.
Mais complexa.
Mundo Muito Maior
Agora conhecemos:
Estrutura da CCG
Famílias Ghoul
Conspirações
Organizações secretas
Experimentos biológicos
Escala Muito Maior
O conflito deixa de ser local.
Agora afeta toda a sociedade.
Personagens Principais
Haise Sasaki / Ken Kaneki
O coração da série.
Sua luta deixa de ser física.
Agora é uma batalha pela própria identidade.
Quinx Squad
Uma equipe especial criada pela CCG.
Humanos modificados com habilidades semelhantes às dos Ghouls.
Kuki Urie
Ambicioso.
Frio.
Obcecado por resultados.
Tooru Mutsuki
Um dos personagens mais complexos da franquia.
Possui alguns dos desenvolvimentos psicológicos mais perturbadores do anime.
Ginshi Shirazu
Carismático.
Corajoso.
Extremamente querido pelos fãs.
Saiko Yonebayashi
Gênio preguiçosa.
Responsável por diversos momentos leves da narrativa.
Kishou Arima
Continua sendo uma figura quase mitológica.
Um verdadeiro boss final.
Eto Yoshimura
Uma das maiores peças do tabuleiro.
Sua importância torna-se gigantesca.
A Temática Principal
Tokyo Ghoul:re abandona o horror tradicional.
Agora fala sobre:
Memória
Quem somos sem nossas lembranças?
Identidade
Uma pessoa pode mudar completamente?
Perdão
É possível perdoar a si mesmo?
Reconciliação
Humanos e Ghouls conseguem coexistir?
As Aventuras da Temporada
Haise e os Quinx participam de missões envolvendo:
Caça a Ghouls
Investigações
Operações militares
Conspirações da CCG
Segredos da família Washuu
Experimentos proibidos
Cada missão revela que a verdade é muito mais assustadora do que os monstros.
A Mensagem Oculta
Tokyo Ghoul:re faz uma pergunta brilhante:
Se você apagar o passado, seus erros desaparecem?
A resposta é não.
Os dados podem ser arquivados.
Mas continuam existindo.
Mais cedo ou mais tarde o sistema encontra esses registros.
E então o processamento recomeça.
O Maior Segredo da Série
Ao longo da franquia acreditamos que:
Humanos = bons
Ghouls = maus
Tokyo Ghoul:re desmonta completamente essa lógica.
A série mostra que instituições também podem ser monstros.
E que monstros também podem demonstrar humanidade.
O Conflito Final
Sem spoilers pesados.
Mas a segunda metade de :re transforma-se numa guerra em larga escala.
O que antes parecia um conflito urbano torna-se uma crise nacional.
A escala aumenta absurdamente.
Praticamente todos os personagens importantes entram em ação.
Houve Censura?
Sim.
Assim como nas temporadas anteriores.
Foram censurados:
Mutilações
Canibalismo
Torturas
Experimentos humanos
Violência gráfica
Diversas transmissões exibiram:
Escurecimento de tela
Cortes rápidos
Redução de detalhes visuais
Os Blu-rays possuem as versões mais completas.
Impacto Cultural
Tokyo Ghoul:re dividiu opiniões.
Pontos Positivos
Expansão do universo
Conclusão da história
Grandes revelações
Desenvolvimento de personagens
Principais Críticas
O anime adaptou muitos capítulos em pouco tempo.
Resultado:
Ritmo acelerado
Explicações reduzidas
Arcos condensados
Eventos importantes resumidos
Por isso leitores do mangá frequentemente recomendam a obra original para compreender todos os detalhes.
A Filosofia de Tokyo Ghoul:re
A série inteira pode ser resumida em uma pergunta:
Você é definido pelo que aconteceu com você ou pelas escolhas que faz depois disso?
Kaneki passa três temporadas tentando responder exatamente isso.
O Legado da Franquia
Tokyo Ghoul tornou-se um dos maiores fenômenos dos animes dos anos 2010.
Influenciou:
Cosplays
Moda alternativa
Fanarts
Máscaras icônicas
Discussões sobre identidade
Narrativas psicológicas modernas
A máscara de Kaneki tornou-se um símbolo mundial da cultura otaku.
Veredito Bellacosa Mainframe
Tokyo Ghoul:re é o equivalente a restaurar um ambiente após anos de falhas, descobrir datasets ocultos, logs esquecidos e códigos que ninguém sabia que ainda existiam.
É uma história sobre recuperação.
Sobre memória.
Sobre aceitar versões antigas de si mesmo.
E principalmente sobre compreender que apagar registros não muda os eventos que aconteceram.
Porque no final...
Kaneki não vence quando se torna mais forte.
Kaneki vence quando finalmente integra todas as versões de si mesmo em um único sistema operacional estável.
☕💣🧠 Tokyo Ghoul:re é o recovery definitivo de uma alma que passou três temporadas tentando descobrir qual era sua verdadeira configuração de produção.
Bellacosa Mainframe em memorias com a doce Giovanna
☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
1998: Amparo SP, Giovanna, ICQ e o Amor Antes do Algoritmo
Uma homenagem aos pioneiros dos encontros virtuais, quando procurar alguém fazia parte da história — e uma viagem até Amparo podia começar com uma fotografia de papel
Houve uma época em que conhecer alguém pela Internet era uma coisa ligeiramente suspeita.
Não perigosa no sentido moderno da palavra.
Suspeita mesmo.
Você dizia:
— Conheci uma garota pela Internet.
E imediatamente alguém levantava uma sobrancelha.
Pela Internet?
Como assim?
Ela existe?
Você já viu?
Tem certeza de que é mulher?
Eram perguntas perfeitamente razoáveis para o final dos anos 1990, quando a Internet ainda fazia aquele maravilhoso barulho de modem sendo estrangulado por um fax:
Piiiiii... tchrrrrrr... krrrrrr... piiii...
E então:
CONECTADO — 33.600 bps.
Pronto.
O mundo acabara de entrar dentro de casa.
Não havia Tinder.
Não havia Happn.
Não havia Badoo.
Não havia smartphone vibrando no bolso avisando que alguém a 327 metros gostou da sua fotografia.
Não havia uma inteligência matemática escondida num datacenter decidindo que você deveria conhecer a pessoa A, jamais ver a pessoa B e talvez receber a pessoa C depois que o sistema descobrisse que você estava ficando entediado.
O algoritmo ainda não era o cupido.
Nós éramos.
E essa diferença, que parece pequena, muda completamente a história.
Foi nesse mundo que apareceu Giovanna.
E esta não é apenas uma história sobre Giovanna.
É uma homenagem a uma geração inteira de pioneiros sentimentais que descobriu, quase por acidente, que computadores também podiam carregar saudade.
🔎 Antes do match existia uma coisa chamada procurar
Hoje abrimos um aplicativo.
O aplicativo observa nossa idade, localização, comportamento, fotografias, cliques, rejeições, permanência na tela e sabe-se lá mais o quê.
Então começa a distribuição das cartas.
Você desliza.
Direita.
Esquerda.
Direita.
Esquerda.
A sensação é de escolha.
Mas existe um intermediário invisível escolhendo previamente quem poderá ser escolhido.
No final dos anos 1990 havia outra filosofia.
Nos sites de relacionamento e amizade daquela Internet primitiva — lugares como Amigos Virtuais, Almas Gêmeas, portais como UOL e Terra, salas de bate-papo e diretórios de usuários — procurar alguém podia ser quase uma consulta SQL sentimental.
Você escolhia os atributos.
Idade.
Cidade.
Estado.
Interesses.
Às vezes aparência.
Às vezes signo.
Às vezes uma descrição pessoal deliciosamente constrangedora.
E apertava:
PESQUISAR.
Então apareciam pessoas.
Não necessariamente as melhores.
Não necessariamente as mais compatíveis.
Muito menos aquelas que uma máquina considerava estatisticamente adequadas.
E justamente por isso era maravilhoso.
Você podia bisbilhotar.
Abrir um perfil.
Voltar.
Abrir outro.
Pensar:
"Essa parece interessante."
Ler alguma coisa completamente banal e, por algum motivo inexplicável, ficar curioso.
Era você contra o banco de dados.
Nenhum algoritmo cochichava:
"Vagner, analisamos 14.782 sinais comportamentais e concluímos que Giovanna possui 87,4% de compatibilidade."
Nada disso.
O sistema dizia apenas:
Aqui estão os registros encontrados.
Boa sorte, cidadão.
O resto era problema seu.
Talvez por isso houvesse algo profundamente humano naquela Internet tecnicamente desumana.
A máquina fazia a busca.
A curiosidade fazia o match.
💬 E então começava a conversa
Hoje existe uma ansiedade estranha em tirar rapidamente uma conversa do aplicativo.
Naquela época, a conversa era o acontecimento.
Você entrava.
Esperava.
Mandava mensagem.
Recebia resposta.
Respondia novamente.
E quando percebia haviam passado duas horas.
Três.
Quatro.
Não existia a abundância audiovisual que temos hoje.
Consequentemente, havia espaço para uma tecnologia que caiu brutalmente em desuso:
a imaginação.
Uma frase precisava carregar aquilo que hoje tentamos resolver com vinte fotografias, três vídeos, localização em tempo real, stories e uma chamada em alta definição.
Você conhecia alguém pelas palavras.
Pelo jeito de escrever.
Pelas pausas.
Pelas piadas.
Pela velocidade da resposta.
Pela maneira como a pessoa descrevia o próprio dia.
A intimidade podia nascer de uma pergunta absolutamente idiota às onze da noite.
— O que você está fazendo?
— Nada.
E o nada rendia três horas de conversa.
Esse talvez seja um dos elementos mais difíceis de explicar para quem nasceu depois.
Nós não estávamos necessariamente tentando otimizar o encontro.
Nós gostávamos de conversar.
A conversa não era apenas o corredor que levava ao encontro físico.
Ela própria fazia parte do romance.
🌼 Giovanna de Amparo
Em algum momento daquela arqueologia digital apareceu uma garota de Amparo.
Giovanna.
Hoje uma distância entre São Paulo e Amparo parece quase uma informação irrelevante e no futuro acabei comprando a casa de Itatiba para ficar mais proximo.
Abre-se o mapa.
GPS.
Rota.
Tempo estimado.
Fotografias da rua.
Street View.
Avaliação do restaurante.
Previsão meteorológica.
Trânsito em tempo real.
Em 1998, entretanto, conhecer uma garota em outra cidade pela Internet tinha algo de expedição.
Primeiro existia a pessoa digital.
Depois surgia lentamente a pessoa imaginada.
E somente muito depois viria a pessoa real.
Entre essas três versões havia um espaço enorme onde morava o desejo.
📷 "Manda uma foto"
Hoje essa frase seria ridícula.
Uma pessoa manda quarenta em vinte segundos.
Em 1998 ela podia significar literalmente:
mande uma fotografia pelo correio.
Fotografia.
Papel.
Envelope.
Selo.
Correios.
Esperar.
Pense na brutal diferença psicológica.
Hoje alguém manda uma foto e você responde quinze segundos depois:
— Linda.
Naquela época alguém escolhia uma fotografia física.
Talvez tivesse apenas algumas cópias.
Colocava uma delas dentro de um envelope.
Escrevia o endereço.
Postava.
E aquela imagem atravessava fisicamente cidades.
Durante alguns dias existia uma fotografia viajando em sua direção.
Isso criava uma expectativa que nenhuma barra de progresso consegue reproduzir.
O carteiro, sem saber, participava do romance.
Imagino quantos funcionários dos Correios transportaram declarações, fotografias, cartas e pequenos segredos entre pessoas que haviam se conhecido em frente a monitores CRT.
Eles foram os roteadores sentimentais da primeira Internet brasileira.
🌼 A fotografia de Giovanna
E então havia aquela fotografia.
Giovanna.
Papel fotográfico.
Uma imagem que podia ficar sobre a mesa.
Ser observada novamente.
Guardada.
Carregada.
Não havia álbum infinito.
Não existiam 3.000 fotografias no perfil.
Havia aquela.
E quando existe apenas uma imagem, nossa cabeça faz uma coisa extraordinária:
completa o resto.
Como será a voz?
Como ela anda?
Como será vê-la sorrindo ao vivo?
Será mais alta do que imaginei?
Como será encontrá-la?
A falta de informação não diminuía o desejo.
Aumentava.
Hoje tentamos eliminar todas as incertezas antes de conhecer alguém.
Naquela época, a incerteza fazia parte do encanto.
🌐 Uh-oh!
Então surgiu outro personagem indispensável.
O ICQ.
Quem viveu aquela época provavelmente ouviu mentalmente o som antes mesmo de terminar esta frase.
Uh-oh!
Aquilo não era uma notificação.
Era uma descarga elétrica.
Você podia estar fazendo qualquer coisa.
Então:
Uh-oh!
Olhar imediatamente para o monitor.
Era ela?
Às vezes sim.
E pronto.
A noite estava comprometida.
Não havia webcam funcionando em alta definição.
Câmera digital era luxo.
Celular com câmera pertencia à ficção científica.
O que existia era teclado.
Portanto:
escreva.
Talvez tenhamos sido uma das últimas gerações a experimentar um namoro digital profundamente textual.
Precisávamos construir presença com palavras.
Era quase literatura involuntária.
🚗 Até que o virtual exigiu estrada
Existe um momento inevitável em todo relacionamento virtual.
O computador já não basta.
Você quer saber se aquela pessoa que ocupou tantas horas da sua cabeça existe do outro lado do monitor da maneira que você imagina.
Então o cursor encontra o asfalto.
Amparo.
Não mais um nome escrito no perfil.
Uma cidade.
Uma estrada.
Um destino.
Aquela viagem carregava uma pergunta gigantesca:
Como será encontrá-la?
Não havia acompanhamento pelo WhatsApp.
"Estou saindo."
"Estou chegando."
"Estou a cinco minutos."
"Estou aqui na esquina."
Localização compartilhada.
Nada.
Existia uma combinação prévia.
Um lugar.
Um horário.
E fé na engenharia logística.
O mesmo sistema que colocava astronautas na Lua agora precisava resolver um problema muito mais delicado:
fazer dois jovens que se conheceram pela Internet encontrarem o mesmo banco de praça em Amparo.
🌳 O banco da praça
E então aconteceu uma coisa revolucionária.
Nada.
Absolutamente nada.
Dois jovens sentados num banco de praça.
Conversando.
É justamente aí que mora a beleza.
Porque nossas memórias mais importantes raramente anunciam que serão importantes.
Não toca trilha sonora.
Nenhuma câmera faz travelling.
Não aparece legenda:
AMAPARO — 1998 — MOMENTO QUE SERÁ LEMBRADO DÉCADAS DEPOIS.
Você simplesmente senta.
Olha para a garota que até pouco tempo atrás era texto num monitor.
Ela está ali.
Tem três dimensões.
Tem voz.
Tem cheiro.
Tem pequenos gestos que nenhuma fotografia conseguiu antecipar.
De repente o cérebro precisa reconciliar duas pessoas.
A Giovanna imaginada.
E a Giovanna sentada ao lado.
E surge uma terceira.
A Giovanna real.
🍭 A máquina centenária de algodão-doce
Toda boa história precisa de um objeto completamente desnecessário que, décadas depois, se transforma numa cápsula do tempo.
No meu caso, havia uma máquina de algodão-doce.
Velha.
Antiga.
Quase centenária.
Uma geringonça sobrevivente de outra época produzindo aquela nuvem açucarada no meio de uma cidade que parecia igualmente resistente à passagem do tempo.
Aquilo é tão absurdamente perfeito que, se estivesse num roteiro, alguém provavelmente diria:
— Está romântico demais. Corte.
Mas aconteceu.
Giovanna.
Amparo.
Fim de semana.
Praça.
Algodão-doce feito numa máquina que provavelmente já havia produzido felicidade para crianças muito antes de nós nascermos.
E talvez aí esteja o detalhe que transforma lembrança em slice of life.
Não foi Paris.
Não havia Torre Eiffel.
Não era Veneza.
Não havia gôndola.
Não era uma praia paradisíaca.
Era Amparo.
Uma praça.
Um banco.
Uma garota.
Algodão-doce.
E tempo.
Muito tempo.
Tempo para não fazer nada.
Tempo para conversar.
Tempo para olhar.
Tempo para caminhar.
Tempo para descobrir.
🏘️ Uma cidade parada no tempo
Amparo tinha o cenário perfeito para aquela história porque parecia funcionar numa frequência diferente.
Fim de semana.
Ruas tranquilas.
Casarões.
Praças.
Uma lentidão que hoje talvez provocasse ansiedade em muita gente.
Naquele momento era exatamente o necessário.
O relacionamento nascera numa tecnologia que prometia velocidade.
Mas seus melhores momentos aconteciam devagar.
Que ironia maravilhosa.
A Internet dizia:
conecte-se instantaneamente.
Amparo respondia:
agora sente nesse banco e fique duas horas sem fazer absolutamente nada.
E nós obedecíamos.
❤️ O desejo atravessava paredes
Essa talvez seja a lembrança mais bonita daquela Internet.
Ela fazia desaparecer a distância sem conseguir eliminá-la completamente.
E isso era importante.
Giovanna estava próxima.
Mas estava longe.
Podíamos conversar.
Mas não tocar.
Podíamos escrever.
Mas não caminhar juntos.
Podíamos imaginar.
Mas ainda precisávamos esperar o próximo encontro.
Essa pequena resistência física dava peso às coisas.
O desejo precisava atravessar paredes.
Cabos telefônicos.
Centrais.
Modems.
Servidores.
Estradas.
Cidades.
Horários.
Até finalmente encontrar novamente aquele banco de praça.
Hoje eliminamos quase todas essas barreiras.
Talvez tenhamos ganhado conveniência.
Mas alguma coisa ficou pelo caminho.
🤖 O cupido ganhou um algoritmo
Não quero romantizar completamente aquela Internet.
Ela era lenta.
Caía.
Custava caro.
Fotografia demorava.
Perfis podiam mentir.
Encontrar desconhecidos tinha riscos.
Mas havia uma liberdade curiosa no ato de procurar.
Você podia entrar num sistema e dizer:
quero procurar.
Não:
mostre quem você decidiu que devo conhecer.
Essa mudança parece técnica.
Não é.
É filosófica.
Antes o banco de dados estava diante de você.
Hoje existe uma caixa-preta entre você e o banco de dados.
Ela classifica.
Prioriza.
Oculta.
Testa.
Recomenda.
Decide quem aparecerá primeiro.
O match tornou-se produto de uma arquitetura invisível.
Naquela época, procurar alguém era parte da aventura.
Você podia encontrar a pessoa errada.
E isso era excelente.
Porque às vezes a pessoa estatisticamente errada produzia a conversa certa.
🔍 A deliciosa arte de bisbilhotar
Talvez seja isso que eu mais sinta falta.
Bisbilhotar sem objetivo.
Pesquisar.
Abrir perfil.
Ler.
Voltar.
Modificar parâmetros.
Pesquisar novamente.
Não procurando necessariamente a "alma gêmea".
Apenas vendo quem estava lá.
Era como caminhar por uma biblioteca.
Você podia procurar exatamente um livro.
Ou simplesmente passar o dedo pelas lombadas até alguma coisa chamar sua atenção.
Os aplicativos modernos transformaram isso numa esteira.
Uma pessoa.
Decida.
Próxima.
Decida.
Próxima.
Decida.
A velha Internet permitia vagar.
E quem vaga encontra coisas que não estava procurando.
Às vezes encontra até Giovanna.
🎞️ Slice of life
Se eu transformasse aquela história em anime, provavelmente não haveria demônios.
Nenhum protagonista seria transportado para outro mundo.
Não haveria espada lendária.
Nem poder secreto.
O episódio inteiro poderia ser:
"Vagner vai a Amparo encontrar Giovanna."
Vinte e quatro minutos.
Tremendo sucesso.
O protagonista chega.
Caminha pela cidade.
Encontra a garota.
Os dois conversam.
Compram algodão-doce.
Sentam numa praça.
Anoitece.
Ending.
E o público diria:
— Mas não aconteceu nada!
Aconteceu tudo.
Porque slice of life é justamente perceber que uma vida é construída principalmente nesses espaços onde aparentemente nada extraordinário acontece.
Décadas depois, você dificilmente lembra o conteúdo exato de uma conversa de quatro horas no ICQ.
Mas lembra que queria que ela não terminasse.
Não lembra todas as palavras trocadas no banco.
Mas lembra do banco.
Talvez não lembre quanto custou o algodão-doce.
Mas lembra da máquina.
A memória elimina os logs.
E preserva o significado.
💾 SELECT * FROM MEMORIA WHERE NOME = 'GIOVANNA';
Se meu cérebro fosse um mainframe, em algum volume esquecido haveria um dataset.
Talvez:
BELLACOSA.MEMORIA.GIOVANNA
RECFM=VB.
LRECL imprevisível.
Retenção:
PERMANENTE.
Dentro dele não estariam apenas grandes acontecimentos.
Estariam pequenas coisas.
Uma busca na Internet.
Um perfil.
Uma mensagem.
Uma fotografia chegando pelo correio.
O som do ICQ.
Uma estrada.
Amparo.
Um banco.
Uma máquina velha.
Algodão-doce.
Uma tarde preguiçosa.
Uma garota.
E aquela extraordinária sensação de estar vivendo algo novo sem saber que estávamos inaugurando uma maneira de conhecer pessoas que décadas depois seria absolutamente normal.
Nós éramos, sem perceber, pioneiros do namoro virtual.
Só que nosso metaverso precisava de ônibus, carro, praça e algodão-doce para completar a experiência.
☕ Epílogo — Giovanna antes do algoritmo
Giovanna entrou na minha vida em uma época estranha e maravilhosa.
Quando dizer "conheci alguém pela Internet" ainda exigia explicações.
Quando uma fotografia podia levar dias para chegar.
Quando Uh-oh! fazia o coração acelerar.
Quando conversar durante horas não era perda de tempo.
Quando descobrir alguém significava preencher enormes espaços em branco com imaginação.
E quando uma cidade como Amparo podia se transformar no centro do universo durante uma tarde de fim de semana.
Muita coisa aconteceu depois.
A vida continuou.
Vieram outros anos, outras histórias, outras pessoas, outras cidades e outros capítulos.
Mas esta homenagem não é sobre aquilo que veio depois.
É sobre aquele instante.
Sobre dois jovens experimentando uma tecnologia nova e fazendo com ela a coisa mais antiga do mundo:
tentando encontrar alguém.
Talvez seja por isso que, olhando para trás, aquela Internet pareça tão romântica.
Não porque fosse melhor.
Mas porque ainda não sabíamos exatamente o que fazer com ela.
E nesse período de inocência tecnológica havia espaço para experimentar.
Pesquisar.
Errar.
Bisbilhotar.
Conversar.
Imaginar.
Esperar.
Viajar.
Encontrar.
Sentar.
E simplesmente ficar.
Hoje um algoritmo talvez analisasse Giovanna e eu e decidisse que existiam opções melhores.
Talvez nunca mostrasse nossos perfis um ao outro.
Talvez calculasse uma incompatibilidade qualquer.
Distância.
Hábitos.
Comportamento.
Engajamento previsto.
Quem sabe.
Felizmente, naquela época, o pobre computador não tinha opinião.
Ele apenas armazenava registros.
Nós fazíamos o resto.
E gosto dessa ideia.
Em algum servidor desligado há décadas, em algum backup apagado, em algum banco de dados que virou pó digital, talvez tenha existido uma linha associando temporariamente dois usuários.
Os servidores desapareceram.
Os sites mudaram.
O ICQ morreu.
Os modems silenciaram.
As fotografias tornaram-se digitais.
Os algoritmos assumiram o papel de cupido.
Mas uma coisa curiosa aconteceu.
A memória sobreviveu à infraestrutura.
E décadas depois ainda consigo executar aquela consulta:
SELECT * FROM MEMORIA WHERE CIDADE = 'AMPARO' AND NOME = 'GIOVANNA';
RETURN CODE 0000.
Registro encontrado.
Uma praça.
Um banco.
Uma tarde.
Uma máquina quase centenária girando açúcar.
Giovanna ao lado.
E por alguns minutos, enquanto a memória executa seu velho programa COBOL, Amparo volta a ficar parada no tempo.
O algodão-doce ainda está sendo feito.
O ICQ ainda vai tocar quando eu voltar para casa.
A fotografia ainda está sobre a mesa.
E a Internet ainda é aquele território enorme, estranho e inocente onde ninguém decidiu por nós quem deveríamos encontrar.
Nós mesmos procurávamos.
E, de vez em quando, entre milhões de registros absolutamente banais...
encontrávamos alguém que valia a viagem.
☕ Bellacosa Mainframe — onde alguns datasets jamais deveriam receber DELETE.
P.S. — Naturalmente, havia capivaras
E como todo bom slice of life precisa obrigatoriamente de um bichinho fofo que não tem absolutamente nada a ver com o arco principal, não podemos encerrar esta história sem registrar as verdadeiras coadjuvantes de luxo de Amparo:
as capivaras do rio Camanducaia.
Porque enquanto dois jovens atravessavam aquela fronteira estranha entre o virtual e o real, enquanto o ICQ fazia seu Uh-oh!, fotografias viajavam pelos Correios e o algodão-doce girava naquela máquina quase arqueológica, as capivaras estavam lá.
Indiferentes.
Plácidas.
Provavelmente mastigando alguma coisa.
Sem qualquer interesse pelo drama humano.
Imagino perfeitamente a cena em versão anime.
Giovanna e eu caminhando próximos ao Camanducaia.
Conversa importante.
Música delicada ao fundo.
Plano fechado.
Talvez aquele silêncio constrangedor e maravilhoso em que ninguém sabe exatamente o que dizer.
Corta a câmera.
Uma capivara.
Mastiga.
Volta para os protagonistas.
Mais cinco minutos de desenvolvimento emocional.
Corta novamente.
Outra capivara entra lentamente na água.
Nenhuma explicação.
Nenhuma importância narrativa.
Nenhuma participação posterior.
Perfeito.
Porque a capivara é exatamente o personagem que um slice of life precisa: ela não resolve conflitos, não entrega mensagens secretas, não conhece o passado da heroína e definitivamente não possui um poder oculto que será revelado no episódio 12.
Ela simplesmente existe.
E talvez seja justamente por isso que funciona tão bem na memória.
Décadas depois, quando penso naquela Amparo de finais de semana tranquilos, não aparecem apenas Giovanna, a praça, o banco, as conversas e o algodão-doce.
Aparece também o Camanducaia.
E em algum canto do cenário, como se o diretor tivesse colocado ali apenas para tornar a composição perfeita:
uma capivara absolutamente alheia ao romance.
Talvez duas.
Talvez uma família inteira.
Porque Amparo tinha dessas coisas.
Você podia estar vivendo um dos capítulos mais delicados da sua juventude e, poucos metros adiante, um roedor de cinquenta quilos estava apenas preocupado em encontrar um pedaço particularmente interessante de capim.
Há uma sabedoria nisso.
O ser humano pensa:
"Será que ela gosta de mim?"
A capivara pensa:
"capim."
O ser humano:
"Será que isso vai virar alguma coisa?"
Capivara:
"água."
O ser humano:
"Que diabos eu digo agora?"
Capivara:
mastiga intensamente.
Talvez por isso elas combinem tão bem com aquela lembrança.
Elas pertenciam ao cenário sem exigir protagonismo.
Como o rio.
Como a praça.
Como os casarões.
Como aquela máquina antiga de algodão-doce.
Pequenos elementos aparentemente irrelevantes que, somados, transformam uma lembrança comum numa coisa que nenhuma reconstrução perfeita consegue reproduzir.
Então fica registrado para evitar qualquer falha grave de continuidade:
Giovanna tinha Amparo. Amparo tinha o Camanducaia. E o Camanducaia tinha capivaras.
Logo, por transitividade romântica perfeitamente válida segundo os rigorosos padrões científicos do Bellacosa Mainframe:
Giovanna também tinha capivaras no cenário.
E agora sim o episódio pode terminar.
Último plano.
Fim de tarde.
Rio Camanducaia.
Uma capivara entra lentamente na água.
Ao fundo, Amparo continua parada no tempo.
Fade out.
ENDING THEME
UH-OH!
Continua em alguma memória que jamais recebeu DELETE.
☕ Arquivo Bellacosa — Amparo, Memória, Café e Estrada
Uma viagem por Amparo, interior de São Paulo, através de memórias,
antigas fazendas de café, ferrovias, fauna, flora, estradas,
fotografias e histórias pessoais preservadas no arquivo
El Jefe Midnight Lunch / Bellacosa Mainframe.
🌿 Amparo entre memória, café, ferrovia e vida cotidiana
Esta coleção reúne registros históricos e pessoais sobre
Amparo, São Paulo, incluindo antigas fazendas de café,
patrimônio ferroviário, a estrada SP-360, fauna e flora regional,
paisagens urbanas e memórias de diferentes décadas.
Os textos formam uma linha do tempo que conecta
história local, turismo cultural, memória afetiva,
ferrovias paulistas, cafeicultura e vida no interior de São Paulo.
Cada artigo pode ser acessado diretamente pelos links acima ou
visualizado dentro deste arquivo.
O objetivo é preservar uma pequena arqueologia digital de Amparo:
suas ruas, fazendas, estações ferroviárias, natureza, estradas e
personagens — incluindo aquelas famosas capivaras do rio Camanducaia
que aparecem silenciosamente no cenário das memórias.
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe
desde 1988
,
é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2,
z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais,
conhecimento técnico, história da computação e práticas
do universo mainframe para aproximar novas gerações das
tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos
ao redor do mundo.
IBM Champion
IBM Z
COBOL
CICS
Db2
z/OS
Mainframe desde 1988