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domingo, 5 de julho de 2020

🏐 Bellacosa Otaku Blog — Parte 16: Expressões de Esportes, Competição e Espírito de Equipe nos Animes 🏐

 



🏐 Bellacosa Otaku Blog — Parte 16: Expressões de Esportes, Competição e Espírito de Equipe nos Animes 🏐


A adrenalina do esporte em palavras japonesas

(Versão Bellacosa: suor, determinação e aquele grito de vitória que atravessa a tela.)

Nos animes esportivos, cada ação é acompanhada de expressões de motivação, tensão e espírito de equipe.
O japonês transmite emoção pura, incentivo e rivalidade, tornando cada partida inesquecível.
Vamos conferir as mais icônicas! 🏆


💪 1. 頑張れ! (ganbare!)

Tradução: “Força! / Vá com tudo!”
👉 Clássico grito de incentivo durante treinos e competições.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Kuroko no Basket.
💬 Exemplo: “Ganbare! Não desista agora!” 🏐


🏃‍♂️ 2. ファイト! (faito!)

Tradução: “Vamos lá! / Lute!”
👉 Palavra emprestada do inglês, usada para motivar companheiros e a si mesmo.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Yuri on Ice.
💬 Exemplo: “Faito! Estamos quase ganhando!” ⚡


🥇 3. 勝つ (katsu)

Tradução: “Vencer!”
👉 Um mantra para jogadores e atletas, focado em vitória e determinação máxima.

📺 Anime vibe: Kuroko no Basket, Prince of Tennis.
💬 Exemplo: “Katsu! Por nossa equipe!” 🏆


🎯 4. 集中! (shuuchuu!)

Tradução: “Concentre-se!”
👉 Palavra essencial durante momentos críticos do jogo, para foco total.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Ace of Diamond.
💬 Exemplo: “Shuuchuu! Não perca a bola agora!” 🏐


👐 5. ナイスプレー! (naisu puree!)

Tradução: “Belo lance! / Boa jogada!”
👉 Reconhecimento do esforço e habilidade de colegas de equipe.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Kuroko no Basket.
💬 Exemplo: “Naisu puree! Que bloqueio incrível!” ✨


🤝 6. チームワーク (chiimu waaku)

Tradução: “Trabalho em equipe.”
👉 Palavra-chave para qualquer esporte — enfatiza cooperação e confiança.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Captain Tsubasa.
💬 Exemplo: “Chiimu waaku é a nossa força!” 💪


⚡ 7. 気合 (kiai)

Tradução: “Energia / espírito de luta.”
👉 Grito ou postura que aumenta foco e força durante partidas.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Prince of Tennis.
💬 Exemplo: “Com kiai, conseguimos virar o jogo!” 🔥


🏐 8. 攻めろ! (semero!)

Tradução: “Ataque!”
👉 Ordem direta durante o jogo para pressionar o adversário ou intensificar ofensiva.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Ace of Diamond.
💬 Exemplo: “Semero! É nossa chance de marcar!” ⚡


🏃‍♀️ 9. 諦めるな! (akirameru na!)

Tradução: “Não desista!”
👉 Grito de incentivo para superar dificuldade ou desvantagem.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Yuri on Ice.
💬 Exemplo: “Akirameru na! Ainda dá tempo de virar o jogo!” 💪


🥳 10. 勝利! (shouri!)

Tradução: “Vitória!”
👉 Exclamação usada ao final de partidas, celebrando o esforço coletivo e a conquista.

📺 Anime vibe: Haikyuu!!, Kuroko no Basket.
💬 Exemplo: “Shouri! Conseguimos, equipe!” 🏆


🏮 Curiosidades Bellacosa:

  • Em animes esportivos, gritos como ganbare! ou kiai são mais que palavras: são manifestação de energia e emoção.

  • Expressões de reconhecimento (naisu puree!) fortalecem vínculo entre personagens e mostram espírito esportivo.

  • Frases curtas e diretas aumentam a tensão e empolgação da partida, tornando o espectador parte do jogo. ⚡


🌟 Dica Bellacosa:

  • Preste atenção à entonação: mesmo uma palavra simples pode transmitir adrenalina ou motivação.

  • Tente repetir essas expressões enquanto assiste ou pratica esportes — aumenta a empolgação!

  • Essas frases são ótimas para entender a cultura de esforço, dedicação e espírito coletivo japonês. 🏐


🌸 Conclusão Bellacosa:

As expressões esportivas nos animes transmitem energia, foco e emoção coletiva.
Cada grito, cada incentivo e cada comemoração faz o espectador sentir a tensão e a adrenalina da competição.
No mundo dos animes esportivos, o japonês não é só linguagem: é força, espírito e coração pulsando em cada partida. 🏆

“Ganbare! Katsu! Chiimu waaku é tudo — vamos à vitória!” ⚡

sábado, 4 de julho de 2020

👁️‍🗨️ O Olhar Proibido

 




👁️‍🗨️ O Olhar Proibido

Por Vagner Bellacosa Mainframe

Há coisas que não se explicam, apenas se sentem.
Um rosto bonito, olhos que refletem luz de tempestade, cabelos longos que dançam com o vento.
O homem olha — e nesse instante o mundo volta a ser simples.
Não há tese, nem política, nem medo.
Há apenas o eco primitivo do desejo, o mesmo que moveu a humanidade desde o primeiro olhar trocado entre dois corpos na fogueira ancestral.

Mas hoje, esse olhar é suspeito.
O que antes era natural virou código de conduta, e o que era impulso virou “problema de comportamento”.
Vivemos numa era em que sentir atração precisa vir acompanhado de justificativas morais.
O desejo, domesticado, virou réu.

Dizem que é objetificação.
Talvez.
Mas há uma diferença entre olhar e reduzir.
Quem deseja o belo não o destrói — o contempla.
Quem admira uma mulher por seus olhos, seu rosto, seus cabelos, não a diminui; reconhece nela a centelha do que é raro, do que fascina, do que ainda nos faz humanos.
Porque o desejo não é pecado — é linguagem.

No entanto, a sociedade do algoritmo e da hashtag exige que tudo seja dito da forma certa,
sem tropeço, sem sombra, sem humanidade.
Esquecemos que o amor começa no erro, no tropeço, no olhar que dura um segundo a mais.
Hoje, até o olhar é medido, e o silêncio, vigiado.
Vivemos tempos em que a sinceridade assusta mais que a mentira.

Mas o instinto não desaparece — ele apenas muda de esconderijo.
O homem continua visual, continua sendo arrastado por olhos que o atravessam,
por sorrisos que desarmam, por cabelos que parecem ter memória de vento.
Ele só aprendeu a calar, a filtrar, a pedir desculpa por sentir.

E isso é triste.
Porque o desejo não deveria ser crime — deveria ser poesia.
Há beleza em admitir o que te move, há verdade em dizer “é isso que me encanta”.
O problema não está em ver beleza no outro,
mas em fingir que não a vê.

A mulher moderna merece respeito, sem dúvida —
mas também merece ser desejada, admirada, celebrada.
O olhar que respeita não é o que se desvia,
é o que reconhece e sabe onde parar.

E talvez o erro da nossa era seja esse:
confundir o respeito com o apagamento do desejo.

Porque no fim, o homem que não olha não é mais civilizado — é apenas vazio.
E o mundo sem olhar, sem fascínio, sem atração,
é um mundo que desaprendeu a sentir.


Quer que eu adicione uma nota de rodapé editorial ao estilo do blog, tipo:

“Reflexões do Bellacosa Mainframe — o diário de um homem que ainda se permite olhar.”
ou prefere deixar o texto puro, como ensaio direto?

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Monster Musume no Oisha-san : Quando um Programador COBOL Descobre que até um Dragão Precisa Abrir um Chamado para o Suporte Médico

 

Bellacosa Mainframe e o anime Monster Musume no Oisha-san

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Monster Musume no Oisha-san (モンスター娘のお医者さん) sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que até um Dragão Precisa Abrir um Chamado para o Suporte Médico

Imagine que alguém resolveu pegar um RPG medieval, misturar Grey's Anatomy, House M.D., um pouco de Monster Hunter, uma pitada de ecchi e ainda perguntar:

"Quem cuida da saúde das garotas-monstro quando elas ficam doentes?"

Foi exatamente dessa pergunta que nasceu Monster Musume no Oisha-san, conhecido internacionalmente como Monster Girl Doctor.

E aqui o Programador COBOL Padawan percebe uma verdade absoluta da computação:

Enquanto todo mundo admira os heróis derrotando dragões, existe alguém fazendo manutenção preventiva no dragão para que ele continue funcionando.

Porque alguém precisa cuidar da infraestrutura.

E infraestrutura nunca ganha créditos.


Ficha Técnica

Título original: モンスター娘のお医者さん (Monster Musume no Oisha-san)

Título internacional: Monster Girl Doctor

Autor: Yoshino Origuchi

Ilustrador: Z-Ton

Origem: Light Novel

Publicação da Light Novel: 24 de junho de 2016 até 25 de março de 2022

Volumes: 10

Estúdio: Arvo Animation

Diretor: Yoshiaki Iwasaki

Roteiro: Hideki Shirane

Música: TO-MAS

Exibição do anime: 12 de julho de 2020 a 27 de setembro de 2020

Episódios: 12

Duração: aproximadamente 24 minutos

Demografia: Seinen

Fonte: Light Novel. (Wikipedia)


Sinopse

Depois de uma longa guerra entre humanos e monstros, finalmente a paz foi estabelecida.

A cidade multicultural de Lindworm tornou-se um símbolo dessa convivência.

Ali vive o jovem médico Dr. Glenn Litbeit, especialista em medicina para espécies monstruosas.

Ao seu lado trabalha sua inseparável assistente:

Saphentite Neikes, uma lamia extremamente competente (e completamente apaixonada pelo doutor).

Enquanto aventureiros enfrentam monstros nas masmorras…

Glenn enfrenta:

  • dragões com febre;

  • centauras machucadas;

  • sereias lesionadas;

  • harpias com problemas nas asas;

  • aracnes;

  • golems;

  • ciclopes;

  • e praticamente qualquer criatura fantástica que precise de atendimento médico. (Wikipedia)


História

A história foge completamente do padrão dos animes de fantasia.

Não existe:

  • grande guerra;

  • rei demônio;

  • torneio;

  • protagonista apelão.

O protagonista resolve tudo utilizando:

✔ conhecimento

✔ medicina

✔ observação

✔ anatomia

✔ experiência

Cada episódio funciona quase como um "caso clínico", no qual Glenn precisa compreender a fisiologia única de uma espécie fantástica para chegar ao diagnóstico correto. Isso dá ao anime uma estrutura episódica bastante diferente dos tradicionais isekais e fantasias de ação. (Random Anime)


Os Personagens

Dr. Glenn Litbeit

Nosso protagonista.

É humano.

Gentil.

Calmo.

Brilhante.

Sua espada é um estetoscópio.

Seu superpoder é o conhecimento.

É praticamente o Analista de Produção que nunca entra em pânico durante um ABEND.


Saphentite "Sapphee" Neikes

A lamia mais famosa da série.

Inteligente.

Competente.

Extremamente dedicada.

Possui um enorme ciúme de Glenn.

É quem mantém praticamente toda a clínica funcionando.

Ou seja...

Ela é o JES2.


Tisalia Scythia

Uma centaura da nobreza.

Elegante.

Orgulhosa.

Corajosa.

Também desenvolve sentimentos por Glenn.


Arahnia Taranterra

Uma aracne.

Especialista em tecidos.

Sedutora.

Carismática.


Kunai Zenau

Harpia.

Pequena.

Agitada.

Muito divertida.


Skadi Dragenfelt

A poderosa líder dos dragões.

Apesar da aparência intimidadora, também precisa de cuidados médicos.

E Glenn demonstra que até os seres mais fortes podem ser vulneráveis.


O Grande Diferencial

Aqui ninguém pergunta:

"Como derrotar um dragão?"

A pergunta é:

"Como fazer uma cirurgia em um dragão?"

Isso muda completamente a perspectiva da fantasia.

Enquanto outros animes focam no combate...

Monster Girl Doctor foca na ciência.


O Worldbuilding

Esse talvez seja o maior mérito da obra.

Cada espécie possui:

  • anatomia própria;

  • doenças específicas;

  • metabolismo diferente;

  • costumes;

  • alimentação;

  • cultura;

  • limitações físicas.

É um verdadeiro exercício de biologia fantástica.

Para um fã de RPG, isso é ouro.


O Programador COBOL Descobre o Hospital da Matrix

Imagine que cada raça representa um sistema legado diferente.

Uma sereia?

→ Sistema Aquático 1.0

Uma harpia?

→ Aplicação distribuída em nuvem.

Uma lamia?

→ Banco de dados orientado a serpentes.

Uma golem?

→ Hardware de pedra.

Um dragão?

→ Mainframe refrigerado por lava.

Agora imagine que Glenn precisa manter todos funcionando.

Sem documentação.

Sem manual.

Sem Stack Overflow.

Sem ChatGPT.

Só na experiência.

É exatamente o que acontece quando um Analista Mainframe herda cinquenta anos de sistemas diferentes.


Temática

Embora seja lembrado pelo ecchi, o anime trabalha temas interessantes:

  • convivência entre espécies;

  • preconceito;

  • ética médica;

  • responsabilidade profissional;

  • respeito às diferenças;

  • cooperação;

  • ciência.

Glenn nunca trata uma paciente diferente da outra.

Para ele:

Todo paciente merece o melhor atendimento.


Aventuras

As aventuras não envolvem batalhas épicas.

Envolvem diagnósticos.

Alguns exemplos:

  • exames em centauras;

  • recuperação de sereias;

  • cirurgias delicadas;

  • problemas nas asas das harpias;

  • questões envolvendo ovos de monstros;

  • doenças raras de espécies mágicas.

Cada episódio apresenta um desafio diferente.

É praticamente um RPG clínico.


As Mensagens Ocultas

O verdadeiro herói nem sempre luta

Às vezes ele salva vidas.


Conhecimento vale mais que força

Glenn nunca vence pela violência.

Sempre vence estudando.


Toda sociedade depende dos profissionais invisíveis

Enquanto aventureiros recebem medalhas...

Existe um médico mantendo todo mundo vivo.

Lembra alguém?

Sim.

Os Programadores COBOL.


Diversidade é riqueza

Cada raça possui diferenças.

Ao invés de criar conflitos, o anime mostra como aprender com elas.


Humor

Grande parte da comédia surge justamente da medicina aplicada às criaturas fantásticas.

Como medir uma centaura?

Como examinar uma lamia?

Como tratar uma golem?

Como operar uma dragonesa?

São situações absurdas e muito divertidas.


Ecchi

O anime possui bastante fanservice e romance leve, especialmente envolvendo as diferentes garotas-monstro que demonstram interesse por Glenn. Entretanto, muitas cenas são contextualizadas por exames e procedimentos médicos, o que dá uma justificativa narrativa para parte desse conteúdo. Ainda assim, é uma obra voltada ao público seinen com forte componente ecchi. (Wikipedia)


Qualidade da Animação

O estúdio Arvo Animation fez um trabalho consistente.

Os destaques ficam para:

  • excelente design das garotas-monstro;

  • boa direção de arte;

  • cenários detalhados;

  • cores vibrantes.

O CGI empregado em algumas criaturas maiores dividiu opiniões entre os fãs, mas o visual geral foi considerado competente para uma produção de uma temporada. (Anime United)


Impacto Cultural

Monster Musume no Oisha-san nunca atingiu a enorme popularidade de Monster Musume no Iru Nichijou, mas conquistou uma base fiel de fãs justamente por sua proposta original: trocar aventuras de combate por medicina fantástica. Também gerou discussões sobre biologia fictícia, construção de mundo e anatomia de criaturas imaginárias. É importante destacar que as duas franquias têm autores e universos diferentes, compartilhando apenas a expressão "Monster Musume" no título. (Reddit)


O que torna esse anime diferente?

✔ Um protagonista que salva vidas em vez de derrotar monstros.

✔ Fantasia baseada em medicina.

✔ Excelente worldbuilding biológico.

✔ Casos clínicos criativos.

✔ Grande diversidade de espécies.

✔ Humor leve misturado com romance.

✔ Ecchi contextualizado.

✔ Uma abordagem rara dentro da fantasia japonesa.


Classificação

Gênero:

  • Fantasia

  • Ecchi

  • Romance

  • Comédia

  • Slice of Life

  • Médico

  • Harém

Classificação indicativa: recomendado para público adolescente mais velho e adulto devido ao fanservice e temas sugestivos. (Wikipedia)


Nota Bellacosa Mainframe

CritérioNota
História⭐⭐⭐⭐☆
Worldbuilding⭐⭐⭐⭐⭐
Personagens⭐⭐⭐⭐☆
Originalidade⭐⭐⭐⭐⭐
Humor⭐⭐⭐⭐☆
Fantasia⭐⭐⭐⭐⭐
Romance⭐⭐⭐⭐☆
Ecchi⭐⭐⭐⭐⭐
Reassistir⭐⭐⭐⭐☆

Veredito Final

Monster Musume no Oisha-san demonstra que nem toda fantasia precisa girar em torno de espadas lendárias ou guerras épicas. Ao colocar um médico como protagonista, a obra explora um lado pouco visto dos mundos fantásticos: a ciência, a empatia e a responsabilidade de cuidar de criaturas completamente diferentes entre si. O resultado é uma combinação curiosa de fantasia, humor, romance e medicina, enriquecida por um worldbuilding que trata cada espécie como um verdadeiro desafio biológico.

E o Programador COBOL Padawan termina a maratona entendendo uma grande verdade do universo Bellacosa Mainframe:

Todo mundo admira quem derrota o dragão. Mas quando o dragão entra em produção com um ABEND biológico às três da manhã, é o médico — assim como o analista de sistemas — que realmente salva o dia.

 

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Por que os Anime & Mangas são tão amados no Brasil?

 

Bellacosa Mainframe e o mundo do Animes na sociedade Brasileira

O que dizem os estudos

  1. “Tribo de Consumo de Animes: O Anime como um Totem”
    Esse estudo etnográfico analisa como os fãs de anime formam uma “tribo de consumo” no Brasil. Os autores mostram que o anime funciona quase como um símbolo central (um totem) para a identidade dos jovens: ele molda hábitos, estilo visual, preferências culturais, organização social e até valores. Ou seja, o anime não é só entretenimento, mas algo que ajuda as pessoas a se definirem socialmente. Revista Feevale+1

  2. Comportamento de consumo entre plataformas legais e ilegais
    Outro estudo (Universidade de Fortaleza) investigou como os consumidores lidam com streaming (legal) vs plataformas ilegais para assistir animes. O que aparece bastante: existe uma “complexidade” no comportamento. Muitas pessoas usam serviços legais, mas continuam consumindo conteúdo pirata. Um dos motivos é simplesmente acesso / custo / disponibilidade. Se algo não está disponível legalmente de forma acessível, a pirataria acaba ocupando esse espaço. Periódicos UFPE

  3. Eventos e a dimensão social (o “turismo otaku”)
    Há estudos que olham para os eventos de cultura pop/anime — por exemplo, o Anime Friends. Esses eventos não são só para consumo (comprar produtos, assistir painéis etc.), mas também para socialização, compartilhamento de identidade cultural, pertencimento a uma comunidade. Isso reforça os laços entre fãs, gera redes de convívio, amizades etc. Sou UCS+1

  4. Geração, memória afetiva e infância
    Muitos fãs cresceram vendo animes na TV aberta (nos anos 80/90/2000) — Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon, etc. Isso cria uma memória afetiva forte. Animes foram parte da infância de muitas pessoas, e isso facilita a identificação, nostalgia e o costume de consumir esse tipo de mídia. Há uma aceitação cultural grande porque várias gerações viram isso “como normal”. Estudos sobre streetwear, moda etc. também apontam que essa exposição antiga conta muito. Repositorio PUCSP+2Correio Braziliense+2

  5. Estética, narrativa e diversidade de temas
    Os animes/mangás trazem estilos de narrativa, estética visual e temas que podem ser distintos do que é comum em outras mídias ocidentais: sejam temas mais fantásticos, roteiros que mesclam drama, comédia, ação, romance, dilemas morais ou existenciais, etc. A variedade permite que diferentes públicos encontrem algo que fale mais diretamente com suas emoções, sua imaginação ou seus valores. Isso também aparece como um fator nos estudos de preferência. Por exemplo, em pesquisas de geração Z, os motivos mais citados para consumir anime são qualidade da animação, personagens/relacionamentos envolventes, criatividade da narrativa. Fatos do Mundo Geek

  6. Acesso tecnológico / digitalização
    Com a chegada de plataformas de streaming e internet de banda larga, ficou mais fácil assistir animes legendados, dublados ou com bom acesso. O acesso digital diminuiu barreiras de distribuição, legendas e importações, e isso permite que conteúdos que antes eram “difíceis” de achar agora estejam ao alcance. Isso amplia muito o público. Também o compartilhamento em redes sociais, fanarts, memes, tudo isso cria visibilidade e contagia mais pessoas. (Embora nem todos os conteúdos sejam oficiais, claro.) JBox+1



Possíveis razões mais gerais (teóricas)

Com base nesses estudos, algumas hipóteses que explicam por que muitos brasileiros gostam tanto de anime/mangá:

  • Pertencimento e identidade: fazer parte de algo (tribo otaku) gera sentido, relacionamentos sociais, reconhecimento mútuo entre fãs.

  • Escapismo e fantasia: animes oferecem mundos diferentes, que permitem escapar da realidade, explorar imaginação, temas mais universais, às vezes menos centrados ou limitados pelas convenções culturais ocidentais.

  • Nostalgia: para quem cresceu assistindo, há um vínculo emocional; para nov@s, a nostalgia é passada culturalmente (familiares, amigos que já gostavam).

  • Variedade de gênero: não é só ação ou comédia; há romance, drama psicológico, slice of life, horror, ficção científica, esportes. Essa diversidade atrai públicos muito distintos.

  • Ícone cultural vigente / influência global: animes/mangás são parte de um fenômeno global; o Japão se tornou uma marca de cultura pop com forte apelo em música, moda, games etc. Brasil “importa” isso culturalmente, e muitos jovens veem como algo “cool” ou de status cultural dentro de grupos.

  • Custo-benefício, acessibilidade: embora existam custos (assinaturas, produtos oficiais), há também muitas formas de acesso gratuito ou de baixo custo (TV aberta, internet, pirataria). Isso facilita a difusão em camadas mais amplas da população.

Os animes na TV Manchete


quarta-feira, 1 de julho de 2020

CICS Conversacional e Pseudo-Conversacional - Parte I

 

Bellacosa Mainframe e as tecnicas de conversação em programas CICS parte I

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

CICS Conversacional e Pseudo-Conversacional

Parte 1 — Das Conversas Eternas ao Modelo que Move o Mundo

"Salve, jovem Padawan Mainframe! Pegue seu café, abra uma sessão do SDSF, deixe o IPCS de prontidão e venha comigo entender uma das maiores sacadas de engenharia já criadas pela IBM. Hoje vamos falar sobre dois conceitos que sustentam boa parte das aplicações bancárias do planeta: CICS Conversacional e Pseudo-Conversacional."


O que é uma aplicação Conversacional?

Imagine que você está conversando com alguém pelo telefone.

Você liga.

A pessoa atende.

A ligação permanece aberta.

Vocês conversam.

Você pensa.

Procura um documento.

Vai tomar café.

Volta.

Continua falando.

Finalmente desliga.

Foi exatamente esta filosofia que inspirou o primeiro modelo de aplicações CICS.

Modelo Conversacional

O programa permanece residente na memória durante toda a interação com o usuário.

Visualmente:

Usuário
   │
EXEC CICS RECEIVE
   │
Programa permanece ativo
   │
Processa
   │
EXEC CICS SEND
   │
Espera usuário
   │
EXEC CICS RECEIVE
   │
Processa
   │
EXEC CICS SEND
   │
...
   │
EXEC CICS RETURN

O programa nunca sai da memória.

A task permanece viva.

A TCA continua alocada.

O TCB continua associado.

A área de trabalho permanece disponível.

Tudo fica esperando.

Inclusive o usuário.


O problema

Vamos imaginar um banco em 1982.

Existem:

5.000 terminais.

3.000 usuários.

2.000 consultas simultâneas.

Cada usuário fica parado.

Lendo a tela.

Pensando.

Conferindo CPF.

Procurando documentos.

Tomando café.

Atendendo telefone.

Conversando.

Enquanto isso...

O programa continua residente.

A task continua viva.

O CICS continua consumindo recursos.

A memória continua ocupada.


O nascimento da pseudo-conversação

Os engenheiros da IBM olharam para isso e disseram:

"Por que manter um programa carregado esperando um ser humano pensar?"

E a resposta foi brilhante.

Não vamos esperar.

Vamos embora.

Quando o usuário voltar...

Criamos outra task.

Recuperamos o estado.

Continuamos.

Nascia a pseudo-conversação.


O que é Pseudo-Conversação?

A pseudo-conversação é um modelo onde o programa não fica esperando.

Ele:

Mostra a tela.

Encerra a task.

Libera recursos.

Quando o usuário aperta ENTER...

Uma nova task é criada.

Tudo continua.

Como se nada tivesse acontecido.


Fluxo


Usuário

   │

Executa CLI1

   │

Programa COBOL

   │

SEND MAP

   │

RETURN TRANSID

COMMAREA

   │

Task termina



=====================


Usuário digita


ENTER


=====================


Nova Task


Recebe COMMAREA


RECEIVE MAP


Processa


SEND MAP


RETURN


É quase uma ilusão.

Parece conversacional.

Mas não é.

Por isso o nome:

Pseudo-Conversacional.


Comparando os dois modelos

CaracterísticaConversacionalPseudo
Task ativaSimNão
Programa residenteSimNão
Consome memóriaAltaBaixa
EscalabilidadeRuimExcelente
Usado atualmenteRaroPadrão
Ideal para milhares usuáriosNãoSim

Por que a IBM venceu?

Porque ela resolveu um problema gigantesco.

Imagine.

100 mil usuários.

Cada um esperando.

Em modelo conversacional.

Seria inviável.

No pseudo.

As tasks duram poucos milissegundos.

O usuário pensa.

Mas o mainframe trabalha em outra coisa.


Analogia moderna

Conversacional:

Você deixa o Uber esperando na porta enquanto toma banho.

Pseudo-conversacional:

Você pede outro Uber quando estiver pronto.

O custo muda completamente.


O segredo: COMMAREA

A memória da aplicação.

Entre uma task e outra.

Exemplo:


01 WS-COMM.

   05 WS-CLIENTE.

      10 WS-CODIGO PIC 9(6).

      10 WS-NOME PIC X(30).

      10 WS-PAGINA PIC 99.

      10 WS-MODO PIC X.



Primeira execução

Como descobrir?

Usando:

EIBCALEN



IF EIBCALEN = ZERO

   PERFORM PRIMEIRA-VEZ

END-IF


Primeira vez.

Sem COMMAREA.


Retorno



IF EIBCALEN > ZERO

   PERFORM RETORNO


END-IF


Existe contexto.

Usuário voltou.


Salvando estado



EXEC CICS RETURN

TRANSID('CLI1')

COMMAREA(WS-COMM)

LENGTH(100)

END-EXEC.


CICS guarda.

Task termina.

Memória liberada.


Criando nova task

Usuário aperta ENTER.

CICS cria:

Nova TCA

Nova Task

Novo TCB

Novo EIB

Mas entrega a COMMAREA.

Tudo continua.

Mágica.

Engenharia.

IBM.


O papel do BMS

Sem BMS.

Pseudo-conversação seria muito mais complicada.

Precisaríamos:

Salvar coordenadas.

Salvar cursor.

Salvar atributos.

Salvar campos.

O BMS faz tudo isso.


SEND MAP

Mostra tela.



EXEC CICS SEND MAP

MAP('TELA1')

MAPSET('CLIMAP')

ERASE

FREEKB

END-EXEC.



RECEIVE MAP

Recebe dados.



EXEC CICS RECEIVE MAP

MAP('TELA1')

MAPSET('CLIMAP')

INTO(TELA1I)

END-EXEC.



Curiosidade Bellacosa Mainframe

Muitos sistemas bancários desenvolvidos em 1985 ainda utilizam exatamente este modelo.

Mudou o hardware.

Mudou o storage.

Mudou a CPU.

Mudou a interface.

Mas a arquitetura continua.

E continua funcionando.

Talvez esta seja uma das maiores demonstrações da elegância da engenharia IBM.


Easter Egg Mainframe

Alguns desenvolvedores chamavam aplicações conversacionais de:

Programas preguiçosos.

Porque passavam a maior parte do tempo...

Esperando o usuário pensar.

Enquanto os programas pseudo-conversacionais eram apelidados de:

Programas ninja.

Aparecem.

Executam.

Desaparecem.

Voltam.

Executam.

Somem novamente.

Tudo em poucos milissegundos.


Continua...

Na Parte 2 veremos:

✔ Problemas clássicos do modelo conversacional;

✔ Deadlocks de recursos;

✔ Pseudo-conversação com múltiplas telas;

✔ COMMAREA versus Channels e Containers;

✔ Web Services no CICS;

✔ REST, SOAP e z/OS Connect;

✔ Exemplos COBOL completos;

✔ Boas práticas;

✔ Troubleshooting;

✔ Curiosidades e easter eggs pouco conhecidos do universo CICS.


terça-feira, 30 de junho de 2020

Isekai Karutetto 2 : Quando o Multiverso Isekai Fica Ainda Mais Lotado… e Nem Ainz Ooal Gown Consegue Fazer Chamada sem Perder Alguém

 

Bellacosa Mainframe e a segunda temporada de isekai karutetto

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Isekai Karutetto 2 sem Mistérios

Quando o Multiverso Isekai Fica Ainda Mais Lotado… e Nem Ainz Ooal Gown Consegue Fazer Chamada sem Perder Alguém

Imagine que você é o administrador de um ambiente IBM Z.

Tudo está funcionando perfeitamente.

CICS conversa com Db2.

MQ entrega mensagens.

IMS responde às transações.

Linux on Z hospeda APIs.

Java executa microsserviços.

Então alguém diz:

"Vamos adicionar mais dois sistemas críticos em produção... agora."

É exatamente isso que acontece em Isekai Karutetto 2.

A primeira temporada já havia reunido quatro dos maiores universos isekai da Kadokawa. A segunda não tenta reinventar a fórmula; ela a expande, adicionando novos personagens, novas piadas e ainda mais interações improváveis. O resultado é um crossover mais ambicioso, repleto de referências para quem acompanha o gênero.


Ficha Técnica

ItemInformação
Título Original異世界かるてっと2 (Isekai Karutetto 2)
Título InternacionalIsekai Quartet 2
DireçãoMinoru Ashina
RoteiroMinoru Ashina
EstúdioStudio PuYUKAI
ProduçãoKadokawa
Baseado nas obras deKugane Maruyama, Natsume Akatsuki, Tappei Nagatsuki, Carlo Zen, Aneko Yusagi, Light Tuchihi
Estreia14 de janeiro de 2020
FormatoTV (episódios curtos)
Quantidade de episódios12
Duração média12 minutos por episódio

O Studio PuYUKAI Evolui

A equipe do Studio PuYUKAI já conhecia profundamente as características de cada franquia.

Na segunda temporada isso fica evidente.

As animações continuam simples.

Mas:

  • o ritmo cômico melhora;

  • as expressões faciais ficam ainda mais exageradas;

  • existem muito mais personagens simultaneamente;

  • praticamente cada cena possui alguma referência escondida.

O desafio não era produzir belas batalhas.

Era conseguir fazer mais de cinquenta personagens dividirem espaço sem perder suas personalidades.

E eles conseguem.


A História

Depois dos acontecimentos da primeira temporada...

A escola continua funcionando normalmente.

Ou melhor...

O mais próximo possível do "normal".

Os alunos continuam presos naquele universo misterioso enquanto novas classes começam a aparecer.

Agora chegam novos estudantes.

E isso muda completamente a dinâmica da escola.


Os Novos Personagens

A maior novidade da temporada é a chegada dos heróis de outras franquias.

The Rising of the Shield Hero

Entram:

  • Naofumi

  • Raphtalia

  • Filo

Naofumi rapidamente assume o papel do adulto responsável.

Enquanto isso...

Filo consegue competir com Aqua pelo prêmio de personagem mais caótica.


Cautious Hero

Também aparecem:

  • Seiya

  • Ristarte

Talvez sejam os personagens que melhor exploram o humor da série.

Enquanto todos entram nas aventuras sem pensar...

Seiya passa metade do tempo planejando.

Mesmo quando não existe perigo algum.


Os Universos Presentes

Agora convivem:

  • Overlord

  • Re:Zero

  • KonoSuba

  • Youjo Senki

  • Shield Hero

  • Cautious Hero

Cada universo continua obedecendo às próprias regras, mas todos compartilham o mesmo espaço escolar.


Sinopse

A misteriosa escola continua recebendo visitantes de diferentes mundos.

Com a chegada de novos alunos, as atividades escolares tornam-se ainda mais imprevisíveis.

Festivais, provas, exercícios físicos e eventos especiais passam a reunir heróis, anti-heróis e vilões em situações absurdamente engraçadas.


O Que Diferencia a Segunda Temporada?

A primeira temporada tinha como objetivo apresentar os personagens.

A segunda faz algo mais interessante.

Ela explora:

  • amizades improváveis;

  • rivalidades inéditas;

  • choque entre filosofias;

  • comparações entre protagonistas.

Agora o público já conhece todos.

O anime passa a brincar com suas diferenças.


As Aventuras

Entre as atividades estão:

  • festivais culturais;

  • esportes;

  • excursões;

  • aulas práticas;

  • eventos sobrenaturais;

  • exercícios militares;

  • apresentações escolares;

  • brincadeiras envolvendo magia.

Cada episódio parece um pequeno laboratório de "e se esses personagens precisassem trabalhar juntos?".


Os Personagens

Ainz Ooal Gown

Continua sendo extremamente poderoso.

Mas descobre que administrar uma escola pode ser mais complicado do que governar Nazarick.


Kazuma

Permanece o mestre das respostas sarcásticas.

Quase sempre é quem verbaliza aquilo que o público está pensando.


Aqua

Consegue transformar qualquer situação simples em caos absoluto.

Até quando tenta ajudar.


Subaru

Continua emocionalmente complexo.

Mesmo em uma comédia, sua personalidade permanece coerente com Re:Zero.


Tanya

Ainda enxerga qualquer atividade escolar como operação militar.


Naofumi

Serve como contraponto aos protagonistas mais impulsivos.


Seiya

Planeja absolutamente tudo.

Mesmo quando a situação exige apenas entrar em sala de aula.


Temáticas

A temporada trabalha temas interessantes.

Cooperação

Cada personagem resolve problemas de maneira diferente.

Mas quando trabalham juntos...

As diferenças tornam-se vantagens.


Liderança

Existem vários líderes.

Cada um lidera de maneira completamente distinta.

Ainz.

Naofumi.

Tanya.

Todos possuem estilos incompatíveis.

Mesmo assim funcionam.


Diversidade

O anime mostra que diferentes culturas, religiões, sistemas mágicos e formas de governo conseguem coexistir.


Identidade

Nenhum personagem abandona sua essência.

Essa talvez seja a maior qualidade da série.


Mensagens Ocultas

O contexto muda tudo

No universo original...

Ainz é praticamente um deus.

Na escola...

Precisa seguir regras.

O ambiente altera completamente o significado do poder.


Experiência importa

Naofumi reage de forma diferente porque já foi traído.

Subaru reage diferente porque conhece o sofrimento.

Kazuma pensa diferente porque já fracassou inúmeras vezes.

Cada protagonista leva sua bagagem emocional para dentro da sala de aula.


Equipes fortes são heterogêneas

A temporada reforça a ideia de que pessoas muito diferentes conseguem formar grupos altamente eficientes.

É uma metáfora interessante para equipes de desenvolvimento de software.


Curiosidades

  • A abertura da segunda temporada acrescenta novos personagens e brinca com suas habilidades características.

  • Muitos dos dubladores originais retornaram, preservando o carisma de cada franquia.

  • O roteiro intensifica as referências cruzadas, recompensando quem assistiu às obras originais.


Impacto Cultural

A segunda temporada consolidou Isekai Quartet como um dos crossovers mais bem-sucedidos da animação japonesa recente. Ela mostrou que um encontro entre franquias populares poderia ir além de uma simples ação promocional, criando uma obra consistente, divertida e respeitosa com o material de origem. Também ajudou a divulgar séries como The Rising of the Shield Hero e Cautious Hero para um público que talvez ainda não as conhecesse, fortalecendo o ecossistema de light novels da Kadokawa.


O Café no Bellacosa Mainframe ☕

Agora imagine a escola de Isekai Quartet como um grande Data Center IBM Z.

Cada universo é um subsistema:

  • Overlord → CICS (robusto, poderoso e centralizador).

  • Re:Zero → Recovery Manager (falhou? volta do último checkpoint).

  • KonoSuba → Ambiente de desenvolvimento onde sempre aparece um bug inesperado.

  • Youjo Senki → WLM, definindo prioridades com disciplina militar.

  • Shield Hero → RACF, protegendo recursos e absorvendo ataques.

  • Cautious Hero → Ambiente de homologação, onde nada vai para produção sem dezenas de testes.

Separados, todos funcionam muito bem.

Juntos, tornam-se um ecossistema resiliente, exatamente como acontece em um ambiente corporativo moderno com COBOL, Db2, MQ, CICS, Java, APIs REST e Linux on IBM Z convivendo no mesmo hardware.

Essa é a verdadeira mensagem de Isekai Karutetto 2: a maior força não está em reunir os personagens mais poderosos, mas em fazer personalidades completamente diferentes colaborarem sem perder sua identidade.

Avaliação Bellacosa Mainframe

⭐⭐⭐⭐⭐ 9,6/10

A segunda temporada mantém o humor da primeira, amplia o elenco com inteligência e transforma a escola mais caótica dos animes em uma divertida metáfora sobre integração, diversidade e trabalho em equipe — conceitos tão valiosos para heróis de fantasia quanto para programadores COBOL e arquitetos de sistemas IBM Z.


segunda-feira, 29 de junho de 2020

DotCom : Capítulo VI — Os Sobreviventes da Tempestade: Como o Colapso das Dot-Com Transformou o Mercado de Trabalho e a Engenharia de Software

 

Bellacosa Mainframe e o estouro da bolha dotcom capitulo vi

Capítulo VI — Os Sobreviventes da Tempestade: Como o Colapso das Dot-Com Transformou o Mercado de Trabalho e a Engenharia de Software

Quando milhares de profissionais perderam seus empregos, mas a computação ganhou uma nova geração de engenheiros muito mais preparados

"Toda crise destrói ilusões. Mas também constrói profissionais que jamais seriam formados em tempos de abundância."

Quando estudamos a bolha da Internet, quase sempre vemos gráficos.

Linhas descendentes.

Índices financeiros.

Bilhões de dólares evaporando.

Empresas desaparecendo.

Mas existe uma história muito menos comentada.

A história das pessoas.

Por trás de cada startup que fechava existiam desenvolvedores.

Analistas.

Arquitetos.

DBAs.

Gerentes de projeto.

Administradores de rede.

Profissionais de suporte.

Designers.

Testadores.

Especialistas em banco de dados.

Milhares deles acreditavam estar construindo o futuro.

E, de certa forma...

Estavam.

O problema é que nem todos trabalhariam para vê-lo chegar.


A Grande Onda de Demissões

Conforme o dinheiro dos investidores desaparecia, as empresas precisavam tomar decisões rápidas.

A folha de pagamento era, normalmente, a maior despesa.

A consequência foi inevitável.

Demissões em massa.

Algumas startups reduziram metade do quadro de funcionários.

Outras dispensaram praticamente todos.

Diversas simplesmente fecharam as portas de um dia para o outro.

Imagine chegar ao escritório numa segunda-feira e descobrir que a empresa havia encerrado suas atividades durante o fim de semana.

Infelizmente, isso aconteceu inúmeras vezes.

Muitos profissionais sequer tiveram tempo de procurar outro emprego antes do fechamento definitivo.


A Ilusão das Stock Options

Um dos grandes atrativos das startups era o famoso pacote de stock options.

Em vez de oferecer apenas salário, muitas empresas prometiam participação acionária.

A ideia parecia excelente.

Aceitar um salário um pouco menor hoje para ficar milionário quando a empresa abrisse capital.

Em alguns casos isso realmente aconteceu.

Funcionários da Microsoft, Google, Amazon e outras gigantes construíram fortunas dessa maneira.

Entretanto, para milhares de trabalhadores das Dot-Com, aquelas opções de ações simplesmente perderam todo o valor.

Papel que um dia parecia representar riqueza transformou-se em lembrança.

Foi uma lição dura sobre o risco de concentrar expectativas em um único cenário.


O Mercado Mudou da Noite para o Dia

Poucos meses antes, empresas disputavam profissionais.

Agora...

Profissionais disputavam vagas.

O mercado ficou completamente diferente.

As startups deixaram de contratar.

Fundos interromperam investimentos.

Projetos foram cancelados.

Empresas tradicionais voltaram a receber currículos de especialistas que antes jamais cogitariam trabalhar nelas.

Foi uma mudança brusca de equilíbrio.

Em vez de escassez de mão de obra, surgiu um enorme excesso de profissionais altamente qualificados procurando oportunidades.


O Perfil do Profissional Também Mudou

Antes da crise, bastava dizer que alguém trabalhava com Internet.

Depois da crise...

As perguntas ficaram mais específicas.

Você sabe projetar sistemas escaláveis?

Conhece banco de dados?

Entende arquitetura distribuída?

Consegue otimizar desempenho?

Tem experiência com segurança?

Sabe administrar servidores?

O mercado deixou de procurar apenas entusiasmo.

Passou a valorizar competência técnica.

Foi o nascimento de uma nova geração de engenheiros de software.


O Desenvolvedor "Faz-Tudo"

Nas startups da época era comum encontrar profissionais acumulando diversas funções.

O mesmo desenvolvedor escrevia código.

Configurava servidores.

Administrava banco de dados.

Respondia clientes.

Instalava equipamentos.

Configurava roteadores.

Hoje chamamos isso de perfil full stack.

Naquele período era simplesmente necessidade.

As equipes eram pequenas.

Os recursos limitados.

Todos precisavam aprender rapidamente.

Essa cultura acabou influenciando profundamente a engenharia de software das décadas seguintes.


As Certificações Ganharam Valor

Depois do colapso, muitas empresas passaram a buscar profissionais com formação técnica mais sólida.

Certificações começaram a ganhar importância.

Experiência comprovada tornou-se diferencial.

Conhecimento profundo passou a valer mais do que apresentações bonitas.

Foi também um período em que cursos de administração de sistemas, redes, bancos de dados e engenharia de software cresceram bastante.

O mercado buscava estabilidade.

E estabilidade exige conhecimento.


Enquanto Isso... Os Mainframes Continuavam Contratando

Existe uma curiosidade pouco lembrada.

Enquanto diversas startups demitiam funcionários, muitos bancos, seguradoras e órgãos governamentais continuavam contratando profissionais de tecnologia.

Por quê?

Porque suas operações não dependiam do humor dos investidores.

O banco continuava precisando processar pagamentos.

A seguradora continuava emitindo apólices.

O governo continuava arrecadando impostos.

As empresas de infraestrutura crítica não podiam simplesmente "esperar a crise passar".

Elas precisavam funcionar todos os dias.

Foi nesse período que muitos profissionais migraram das startups para ambientes corporativos tradicionais.

Alguns descobriram pela primeira vez o universo dos grandes sistemas.


O Preconceito Contra o COBOL Começou a Ser Questionado

Durante os anos de euforia, era comum ouvir frases como:

"O COBOL morreu."

"Mainframe é coisa do passado."

"O futuro pertence apenas à Internet."

Entretanto, quando a crise chegou, ocorreu algo curioso.

As empresas perceberam que seus sistemas mais importantes continuavam funcionando justamente nas plataformas consideradas antigas.

Enquanto startups fechavam as portas, milhões de transações financeiras continuavam sendo processadas diariamente em programas COBOL escritos anos antes.

Isso levou muitos executivos a reconsiderarem um conceito fundamental.

Tecnologia moderna não substitui necessariamente tecnologia confiável.

Frequentemente elas coexistem.

E se complementam.


A Engenharia Voltou a Ser Importante

Durante a bolha, existia uma obsessão por lançar produtos rapidamente.

O famoso:

"Depois corrigimos."

Após a crise, essa mentalidade começou a mudar.

Arquitetura voltou a ser discutida.

Documentação passou a receber atenção.

Modelagem de dados tornou-se prioridade.

Processos de desenvolvimento amadureceram.

Testes automatizados começaram a ganhar espaço.

Planejamento deixou de ser visto como desperdício de tempo.

A indústria percebeu que improvisação funciona apenas enquanto tudo está dando certo.

Quando surgem problemas...

Quem salva o projeto é a engenharia.


O Cliente Voltou ao Centro

Outro aprendizado importante foi a mudança de foco.

Durante a bolha, muitas empresas desenvolviam produtos pensando principalmente em investidores.

Depois da crise...

O foco voltou para o cliente.

Uma pergunta simples começou a orientar projetos:

Este produto realmente resolve um problema?

Pode parecer óbvio.

Mas essa pergunta havia sido parcialmente esquecida durante os anos de euforia.

Empresas passaram a investir menos em promessas.

E mais em utilidade.

Foi um enorme amadurecimento do setor.


O Surgimento da Cultura da Eficiência

Até então, crescimento era praticamente a única métrica importante.

Depois da crise surgiram outras preocupações.

Eficiência operacional.

Controle de custos.

Produtividade.

Qualidade.

Retenção de clientes.

Suporte.

Escalabilidade sustentável.

Esses conceitos hoje fazem parte de qualquer empresa de tecnologia.

Na época foram aprendidos através de uma das crises mais dolorosas da história do setor.


As Gigantes Também Aprenderam

Curiosamente, até empresas que sobreviveram precisaram mudar profundamente.

Amazon reduziu custos.

Google focou ainda mais em engenharia.

eBay investiu em infraestrutura.

PayPal aprimorou seus sistemas antifraude.

Salesforce refinou seu modelo SaaS.

Nenhuma delas saiu da crise igual.

Sobreviver exigiu disciplina.

Não apenas inovação.


O Mainframe Nunca Foi o Vilão

Existe uma ironia interessante.

Enquanto jornais discutiam diariamente o futuro da Internet, poucos percebiam que praticamente todas as transações importantes da nova economia terminavam passando por sistemas tradicionais.

Quando alguém comprava um produto online...

O pagamento era autorizado por sistemas bancários.

Quando um cartão era utilizado...

Mainframes validavam limites.

Quando uma transferência era realizada...

Programas COBOL processavam registros.

A nova economia não substituiu a antiga.

Ela passou a depender dela.

Essa talvez seja uma das maiores lições para quem trabalha com tecnologia atualmente.

A inovação raramente elimina completamente o passado.

Na maioria das vezes...

Ela se apoia nele.


O Renascimento da Engenharia de Software

Muitos historiadores da computação afirmam que a bolha da Internet foi responsável por acelerar a maturidade da engenharia de software.

Antes dela, bastava lançar rapidamente.

Depois dela, tornou-se necessário construir corretamente.

Foi nesse ambiente que ganharam força conceitos como:

  • arquitetura em camadas;

  • padrões de projeto;

  • integração contínua;

  • automação de testes;

  • monitoramento;

  • observabilidade;

  • recuperação de desastres;

  • alta disponibilidade.

Não porque eram novidades.

Mas porque as empresas finalmente entenderam quanto custava ignorá-los.


O Paralelo com a Inteligência Artificial

Hoje, em plena era dos agentes inteligentes e da IA generativa, vemos um movimento semelhante.

Existe enorme demanda por profissionais.

Salários elevados.

Novas startups surgindo diariamente.

Mas também cresce a procura por competências mais profundas.

Engenharia de prompts já não basta.

É preciso entender:

  • arquitetura de sistemas;

  • integração com APIs;

  • segurança;

  • governança;

  • bancos vetoriais;

  • infraestrutura;

  • observabilidade;

  • custos de inferência.

Assim como aconteceu após as Dot-Com, o mercado começa novamente a valorizar quem compreende sistemas completos, e não apenas ferramentas da moda.


Lições para o Padawan COBOL

Todo Padawan COBOL aprende, cedo ou tarde, que um programa pode funcionar perfeitamente durante anos e, ainda assim, precisar ser continuamente aprimorado.

Empresas seguem exatamente a mesma lógica.

A crise das Dot-Com mostrou que entusiasmo abre portas.

Mas é competência que mantém essas portas abertas.

Profissionais que sobreviveram àquele período desenvolveram características que continuam extremamente valorizadas:

  • pensamento crítico;

  • disciplina técnica;

  • visão de longo prazo;

  • preocupação com qualidade;

  • respeito pela arquitetura;

  • foco em resolver problemas reais.

No universo da Frota Estelar, qualquer cadete consegue pilotar uma nave durante um treinamento em céu aberto. O verdadeiro oficial é aquele que mantém os motores funcionando quando a nave perde energia, os sensores falham e uma tempestade cósmica ameaça toda a tripulação.

Foi exatamente isso que aconteceu após o colapso das Dot-Com.

A tempestade revelou quem apenas navegava... e quem realmente sabia construir naves.

No próximo capítulo conheceremos um dos aspectos mais fascinantes dessa história: por que algumas empresas não apenas sobreviveram ao colapso, como saíram dele muito mais fortes, transformando-se nas gigantes que dominariam a Internet nas décadas seguintes. A crise eliminou milhares de companhias, mas também criou os futuros impérios digitais.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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