segunda-feira, 23 de outubro de 2023

💫 Adeus, Lili — Crônica de uma amizade que atravessou oceanos

 


💫 Adeus, Lili — Crônica de uma amizade que atravessou oceanos
Por El Jefe, no Bellacosa Mainframe Midnight Edition

Existem amizades que não nascem de explosões épicas ou grandes coincidências do destino — mas de pequenas linhas de código da vida, compiladas com carinho ao longo dos anos. A minha com a Lili começou assim, em 1997, nos corredores do programa de trainees do Banco Real. Cada um na sua turma, cada um com sua pressa e sonhos. Mas, por um bug do universo — ou talvez uma benção — no sorteio do amigo secreto, caiu o nome dela: Lilian Yumi.



A partir dali, começou a rodar um job que duraria quase três décadas, com checkpoints de risadas, abends de brigas e reprocessamentos de amizade que só quem viveu entende.

Lili era intensa. Escorpiana no modo ON FIRE. daquelas que quando ficava brava, o ambiente inteiro dava abend S0C7. Às vezes, a fúria era contra mim — o “Capitão”, como ela gostava de me chamar. 

Brava, decidida, dona de uma energia que iluminava o andar inteiro — e às vezes queimava um ou outro no processo (eu, especialmente 😅). Quando algo saía do controle, ela vinha com a fúria típica do signo... e eu virava o alvo. 



Mas bastava o dump esfriar que vinha aquele jeitinho doce, um sorrisinho meio sem jeito e o clássico:

“Desculpa, Capitão. Foi mal.”

Aí ríamos juntos. Ríamos muito.
Ríamos da vida, dos bugs, das gambiarras, dos pepinos do sistema e dos planos malucos que fazíamos nas Horas Felizes — nosso ritual sagrado de toda semana. Fosse a marmita dividida no refeitório, fosse um restaurante étnico qualquer, o importante era estarmos juntos: eu, ela, o grupo, as histórias, as confabulações.



Conheci seus namorados — Henrique, Tokunaga, e o Alexandre, que acabou incorporado oficialmente ao grupo, como um novo módulo num sistema legado de amizade.



Em 2002, meu destino me levou para Portugal. Mas mesmo com o Atlântico no meio, nunca deixamos de manter a thread viva: emails, mensagens, reencontros ocasionais. Cada vez que eu voltava ao Brasil, lá estava ela — o mesmo sorriso, as mesmas histórias, as mesmas piadas internas que só quem viveu o Mainframe e o Banco Real entenderia.




Em 2013 voltei de vez. E a roda girou de novo — agora era ela quem partia. Canadá, novas terras, novos sonhos. A vida muda o cenário, mas nunca o vínculo.

Da época que trabalhávamos juntos, me lembro dos origamis que enfeitavam sua mesa, dos pequeninos pokemons e guardo com carinho quando começou a jornada dos mil tsurus... às vezes ajudava cortando o papel, às vezes ajudando a dobrar, era uma farra, momentos lúdicos entre um abend ou outro. Lembro dos códigos secretos e pings no computador avisando algo, que estava acontecendo no andar, ou mesmo a linguagem secreta, ao ve-la pela manha pingando buscapan na boca, sabia que aqueles dias seriam de pisar em ovos, senão levava com taco de beisebol na cabeça. A também tinha a fuga para a maquina do café e fofocas aleatórias sobre filmes, series, animes, livros, mangas, gibis e Pokémons.

Hoje, ao escrever estas linhas na penumbra da madrugada — quando as ideias ecoam e as lembranças gritam mais alto — percebo o quanto essas Horas Felizes foram um checkpoint eterno na minha história.

A Lili partiu.
Mas o job da amizade continua rodando — lá, em algum sistema maior, onde as exceções são tratadas com amor e as memórias nunca dão abend.



Adeus, Lili.
Obrigado pelas risadas, pelas broncas, pelos almoços, pelas confabulações e por ter deixado tanta luz no meu spool de lembranças.
Enquanto eu viver, o log da nossa amizade continuará ativo.

☕💻
*E lá no topo do JCL da vida, deixo registrado: //LILI FOREVER EXEC PGM=FRIENDSHIP


PS: 📓 Uma história real nascida nos bastidores do Banco Real, escrita nas madrugadas do El Jefe Midnight Lunch





🕯️ Em memória de Lilian Yumi Nishimaru (1979–2023)
👨‍💻 Por Vagner Bellacosa


📍 Blog El Jefe Midnight Lunch — onde a madrugada é produtiva, o coração é nostálgico e o Mainframe é eterno.



🎨 Parte 4 – Do Isolamento à Inspiração: Hikikomori e a Arte da Solidão Criativa

🎨 Parte 4 – Do Isolamento à Inspiração: Hikikomori e a Arte da Solidão Criativa



Ecos criativos de um quarto fechado


🌑 Introdução – Quando o Silêncio se Transforma em Voz

Há um momento, entre a madrugada e o amanhecer, em que o quarto do hikikomori parece respirar.
É o som do teclado, o brilho do monitor, o vapor do café frio.
Lá fora, o mundo dorme — aqui dentro, nasce uma ideia.

O isolamento que um dia foi refúgio começa a se tornar laboratório.
E o hikikomori, antes prisioneiro do próprio silêncio, descobre que dentro dele mora um artista.


🕯️ O Casulo da Criação

O hikikomori não foge da sociedade por ódio — mas por sensibilidade.
Ele sente demais.
E esse excesso, quando canalizado, se transforma em arte introspectiva, carregada de melancolia, ironia e lucidez.

No Japão, muitos artistas, escritores e desenvolvedores começaram suas jornadas em isolamento.
A solidão os forçou a olhar para dentro — e ali encontraram universos inteiros.

“O quarto é o estúdio do inconsciente.”
Bellacosa


💾 Criação no Silêncio – Obras Nascidas do Recolhimento

🖥️ 1. Dōjin Games e Visual Novels

Muitos hikikomoris transformaram o quarto em pequenos estúdios de desenvolvimento.
Sozinhos, criaram jogos independentes, narrativas visuais e romances interativos.

📌 Exemplo:
“OneShot”, “Yume Nikki” e “Omori” nasceram de mentes reclusas.
São obras profundamente existenciais, onde o jogador explora mundos mentais, sonhos e memórias — reflexo direto da vida interior de seus criadores.


📚 2. Escritores e Romancistas do Casulo

Alguns se tornam autores de light novels e webnovels, explorando a mesma temática que os cercava: isolamento, recomeço e mundos alternativos.

🌌 Exemplo:
O autor de “Re:Zero” começou publicando online em fóruns, escrevendo durante a madrugada enquanto vivia recluso.
A história de um jovem deslocado que acorda em outro mundo é, de certo modo, o grito simbólico do hikikomori:

“Quero renascer em um lugar onde eu possa existir sem vergonha.”


🎧 3. Músicos da Solidão Digital

No YouTube e no Niconico Douga, uma geração inteira de Vocaloid producers nasceu do isolamento.
Com pseudônimos e avatares, eles compõem melodias melancólicas e letras sobre ansiedade, tempo e autodescoberta.

🎶 Exemplo:
Hikikomori Demo Uta Itai” (“Mesmo recluso, ainda quero cantar”) tornou-se um pequeno hino para quem vive entre o online e o real.


🪞 O Isolamento como Espelho Filosófico

Na cultura japonesa, existe um termo: “Sabi” (寂) — a beleza que nasce da solidão.
O hikikomori, sem saber, vive essa filosofia.
Ele transforma o vazio em introspecção, o silêncio em insight.
E no lugar onde o mundo vê “fuga”, ele encontra forma e sentido.

Assim como monges zen se isolam em templos, o hikikomori se fecha em um quarto digital,
onde a iluminação não vem de velas, mas de monitores.


💡 Dicas Bellacosa – Como Transformar Solidão em Arte

  1. Crie um ritual – acenda uma luz suave, escolha uma música, abra o bloco de notas. Ritualizar o processo traz foco e calma.

  2. Transforme o tédio em prática – desenhe o mesmo personagem até encontrar a alma dele.

  3. Registre o invisível – tudo o que você sente pode ser escrito, desenhado ou musicado.

  4. A internet é ponte, não cela. Compartilhe algo, mesmo pequeno. A criação quer ser vista.

  5. Não busque perfeição. O quarto é o lugar do erro, e o erro é a semente da expressão.


🎭 Hikikomori Criador vs. Hikikomori Fantasma

TipoDescriçãoSímbolo
🕯️ CriadorTransforma o isolamento em disciplina criativaO artista da penumbra
🌫️ FantasmaDeixa-se apagar pelo próprio silêncioO eco do mundo não ouvido

A diferença entre eles é um pequeno gesto: continuar criando, mesmo sem aplausos.


🕊️ Conclusão – O Quarto Como Universo Interior

O hikikomori não precisa ser curado — precisa ser ouvido.
Pois dentro de cada quarto fechado há um universo não explorado,
uma constelação de ideias esperando um momento de coragem para brilhar.

E talvez, quando ele decidir abrir a cortina,
não seja para fugir do mundo —
mas para deixá-lo ver o que criou.


“O isolamento não mata a arte. Às vezes, é nele que ela nasce com mais verdade.”
Bellacosa

🌆 Amparo — a cidade que me escolheu



🌆 Amparo — a cidade que me escolheu
por El Jefe, Bellacosa Mainframe

Há cidades que escolhemos.
Mas há outras — raras, misteriosas — que nos escolhem primeiro.
Amparo foi assim: caí de paraquedas e, sem perceber, aterrissei dentro de um daqueles capítulos que mudam a trajetória da vida.

Carrego dela grandes e maravilhosas lembranças… mas também um furo no coração, desses que o tempo não remenda. Foi lá que aprendi que o amor pode ser abrigo e também partida.
Foi lá que me tornei um pouco mais frio, um pouco mais desconfiado do coração.



E, como toda boa história que insiste em ter continuação, voltei um dia — e reencontrei outro amor.
Os olhinhos azuis.
O coração gravado na árvore, ainda visível, resistindo à chuva e ao tempo.
O 23 de outubro, que se tornou data sagrada e melancólica.
Os apelidos carinhosos, a clandestinidade de Campinas, os finais de semana no banco da praça, o cinema da estação, o pastel mais famoso da cidade… e, claro, o algodão doce feito numa máquina centenária — doce até na lembrança.

Campinas virou depois minha armadilha favorita.
Mas Amparo… ah, Amparo foi o primeiro tom de uma melodia que nunca terminou.

Hoje, talvez aquela moça — agora senhora — nem se lembre mais de mim.
Mas eu ainda cultivo a memória, cuido dela com o mesmo zelo de quem guarda uma relíquia.
E, vez ou outra, entre um gole e outro, me pego suspirando…
porque há histórias que não pedem explicação.
Apenas acontecem, deixam marcas, e seguem colorindo o que fomos.




El Jefe, com um copo meio cheio e o coração meio vazio, lembrando que certas cidades não passam — elas permanecem. 🍷🌙


sábado, 21 de outubro de 2023

🌐 O Hikikomori e a Era Digital – Quando o Mundo Cabe em uma Tela

🌐 O Hikikomori e a Era Digital – Quando o Mundo Cabe em uma Tela



 Reflexões entre o silêncio e o pixel


💻 Introdução – O Quarto Iluminado pela Luz Azul

Há um brilho que nunca se apaga no quarto do hikikomori.
Não é o sol — é a tela.
O monitor torna-se janela, confidente e espelho.
Lá fora, o mundo é vasto e exigente. Aqui dentro, o universo é controlável, silencioso, feito de cliques e atalhos.

O hikikomori da era digital é a versão ampliada do eremita urbano.
Mas agora, em vez de solidão absoluta, ele encontra uma nova forma de existência conectada: invisível, mas onipresente.


⚙️ A Evolução Digital do Isolamento

Na década de 1990, os primeiros hikikomoris viviam isolados fisicamente e emocionalmente, cortando até o telefone.
Hoje, muitos estão hiperconectados — em fóruns, MMOs, streams e redes sociais — mas ainda afastados do convívio humano real.

A tecnologia transformou o isolamento em um estado híbrido:

  • Socialmente ausente, digitalmente ativo.

  • Invisível no bairro, presente no servidor.

  • Silencioso no mundo físico, eloquente no mundo virtual.

Essa é a nova solidão interativa: acompanhada, mas distante.


🌍 A Internet como Novo “Mundo Real”

O hikikomori digital encontrou algo que seus predecessores não tinham — um lugar onde ele pode existir sem corpo.

Nos fóruns japoneses como 2channel, nas comunidades do Reddit, nos mundos de MMORPGs ou nos metaversos,
eles recriam laços, identidades e propósitos.
Ali, não há julgamento de aparência, fracasso escolar ou emprego.
Há apenas o valor da presença e da palavra.

O hikikomori não desapareceu — ele migrou para o ciberespaço.


🕹️ Games e Mundos Virtuais – O Casulo Interativo

Para muitos, os jogos são mais do que passatempo: são territórios existenciais.
Em um RPG online, um jovem que teme sair de casa pode ser um guerreiro lendário, respeitado por centenas.
O teclado substitui a voz.
O avatar substitui o corpo.

🎮 Exemplo em Anime:
“Sword Art Online” e “Log Horizon” exploram a fusão entre o real e o virtual, onde o isolamento físico é compensado por conexões emocionais profundas no mundo digital.
Esses animes capturam perfeitamente o dilema moderno:

“Se posso viver plenamente em um jogo… por que sair dele?”


🧠 A Psicologia do Casulo Digital

O isolamento moderno não é apenas medo do mundo — é exaustão cognitiva.
Vivemos em uma era de sobrecarga informacional, onde tudo é visível, comparável e medido.
A retração, então, torna-se um ato de defesa da mente.

O hikikomori digital não necessariamente foge das pessoas; ele foge da pressão de ser observado o tempo todo.
A internet lhe oferece algo precioso:
anonimato — a liberdade de existir sem ser julgado.


🔍 Curiosidades da Era Digital

  • Estima-se que 40% dos hikikomoris japoneses têm alguma forma de interação online regular — jogos, fóruns ou streams.

  • O Japão criou espaços chamados “Net Cafés Refúgio”, onde pessoas vivem e trabalham totalmente conectadas.

  • Alguns hikikomoris se tornaram YouTubers, artistas digitais e programadores freelancers, transformando o isolamento em produção criativa.

  • Há inclusive o termo “Netto-Hikikomori”, usado para quem vive exclusivamente em ambientes virtuais.


☕ Filosofia Bellacosa – Entre o Ser e o Clicar

O hikikomori moderno é o novo andarilho da era digital.
Ele não percorre estradas — percorre redes.
Não fala em praças — escreve em fóruns.
Não busca abrigo físico — busca comunhão simbólica.

Mas há algo de poético nisso:
talvez ele seja o primeiro a entender que o humano e o digital não são opostos, mas extensões.
Um corpo pode se isolar, mas a mente sempre buscará um lugar para existir.

“Os fios da rede são como raízes. Mesmo longe da luz, ainda tentam tocar o mundo.”


🌱 Dicas e Caminhos de Retorno

  1. Não demonize o isolamento — ele também é um mecanismo de cura.

  2. Transforme o consumo em criação — escreva fanfics, desenhe, programe, compartilhe.

  3. Crie microconexões — uma mensagem, um fórum, um grupo de estudo.
    Pequenas presenças curam grandes silêncios.

  4. Redefina sucesso — não é voltar a “ser normal”, mas voltar a se sentir vivo.


🌙 Conclusão – Entre o Pixel e o Pulso

O hikikomori digital é o filósofo oculto do nosso tempo.
Ele vive na fronteira entre o humano e o algoritmo, onde a existência é medida em bytes e emoções.
Mas, mesmo em silêncio, ele nos ensina algo essencial:

“Desconectar-se do mundo pode ser a forma mais profunda de tentar compreendê-lo.”

Talvez, no fim, o desafio não seja “trazer o hikikomori de volta ao mundo”,
mas reconstruir um mundo onde ele queira voltar.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

🎧 Hikikomori na Cultura Otaku – O Refúgio entre Ficção e Realidade



 Entre telas, silêncios e mundos paralelos


🌌 Introdução – O Quarto como Universo

O quarto do hikikomori não é apenas um espaço físico — é um microcosmo de fuga e reinvenção.
Entre pôsteres de anime, luz azul do monitor e pilhas de mangás, ele constrói um universo próprio onde o tempo se dobra.
Ali, ele é livre das expectativas, dos olhares, da vergonha.
Mas também é prisioneiro do mesmo conforto que o protege.

Na cultura otaku, o hikikomori se tornou símbolo e espelho de uma geração que se comunica mais através de avatares do que de olhares.


🧩 A Gênese do Refúgio

O Japão pós-guerra viveu uma corrida pela excelência.
A geração seguinte cresceu sob o peso de manter o país no topo: escolas rígidas, longas jornadas de trabalho, e a ideia de que falhar é inaceitável.

O otaku e o hikikomori nasceram dessa pressão.
Ambos buscaram refúgio no imaginário — mundos controláveis, lógicos, onde o protagonista pode recomeçar quantas vezes quiser.

Enquanto o otaku se expressa por meio de fandoms e cultura pop,
o hikikomori fecha a porta e vive a fantasia por inteiro.


📺 Representações em Animes – A Ficção que Espelha o Real

Os animes frequentemente exploram o arquétipo do hikikomori como ponto de partida para uma jornada interior —
um caminho do isolamento à reconexão, ou da apatia à transcendência.


🖤 1. Welcome to the NHK – A Solidão com Voz

O protagonista, Tatsuhiro Satou, acredita em uma conspiração da emissora NHK para transformar pessoas em hikikomoris.
Entre humor e desespero, o anime desvela a solidão urbana e a culpa de quem não consegue mais participar do mundo.
A salvação não vem da sociedade, mas de outro ser humano que também carrega feridas.

💬 "Ser normal é apenas uma ilusão compartilhada."


💻 2. No Game No Life – O Isolamento como Poder

Os irmãos Sora e Shiro são gênios sociais fracassados, mas invencíveis no universo digital.
Eles representam o hikikomori que encontra domínio e propósito num mundo alternativo.
A série eleva a fuga a uma forma de resistência — o quarto vira trono, o teclado vira espada.

💬 “Neste mundo, perder é o mesmo que morrer. Por isso, nunca perdemos.”


📦 3. ReLIFE – O Recomeço Possível

Um homem de 27 anos, isolado e desempregado, recebe uma segunda chance para viver a juventude novamente.
A série fala de cura, arrependimento e reconciliação com o passado — o que muitos hikikomoris desejam, mas temem buscar.


🧠 4. Serial Experiments Lain – A Dissolução do Eu

Lain mergulha na Wired (a Internet ficcional do anime) até que os limites entre corpo e mente desaparecem.
Uma obra visionária dos anos 90 que antecipou o dilema moderno:

“Se posso existir online, por que preciso do mundo real?”


💬 Simbologia e Psicologia

O hikikomori é o monge digital do século XXI — não busca Deus, mas sentido.
Ele foge da sociedade não por fraqueza, mas por exaustão emocional.
Na cultura otaku, seu isolamento é muitas vezes visto como metamorfose, um casulo onde o indivíduo tenta se reconstruir.

O quarto é o templo.
O computador, o altar.
O anime, a prece silenciosa.


🕹️ Curiosidades Otaku

  • Muitos hikikomoris tornam-se criadores independentes de jogos, mangás ou visual novels.
    Alguns inclusive ganham a vida sem jamais sair de casa.

  • Existem cafés e comunidades online no Japão criados exclusivamente para hikikomoris, com regras de interação gradativa.

  • O termo “Internet Refugee” (refugiado digital) começou a ser usado para os que buscam vida e identidade em mundos virtuais.


🌱 Dicas e Reflexões Bellacosa

  1. Anime não é fuga — é espelho.
    Use-o para se ver, não para se perder.

  2. A solidão também é um território sagrado.
    É nela que se ouve o som da própria alma.

  3. Dar um passo para fora pode ser tão épico quanto salvar o mundo em um RPG.

  4. Transforme o quarto em estúdio, não em cela.
    Crie, escreva, desenhe — e o mundo virá até você.


☕ Epílogo – O Hikikomori como Arquetipo Contemporâneo

O hikikomori não é apenas um fenômeno japonês.
É a síndrome de uma era conectada e solitária, em que cada um de nós, em algum momento, se refugia em sua própria bolha.

Mas, como nas histórias dos animes, há sempre um portal —
um isekai inverso — em que o herói decide voltar à realidade.

E talvez o verdadeiro ato de coragem, no fim das contas,
seja abrir a cortina, deixar a luz entrar e continuar existindo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

🏠 Hikikomori — o Recolhido do Japão Moderno



 Filosofia Cotidiana e Cultura Otaku


🌸 O que é um Hikikomori?

Hikikomori (ひきこもり) é uma palavra japonesa que significa literalmente “recolher-se” ou “confinar-se”. Ela descreve pessoas — geralmente jovens, mas não exclusivamente — que se isolam completamente da sociedade, permanecendo por longos períodos (meses ou anos) dentro de seus quartos, evitando contato social e raramente saindo de casa.

Esse fenômeno não é apenas um estado de timidez ou introversão: é um recolhimento extremo, muitas vezes acompanhado por sofrimento psicológico, frustração social e medo do fracasso.

O governo japonês estima que existam mais de um milhão de hikikomori no país — e o número cresce com o passar das décadas.


🕰️ Origem e História

O termo surgiu no final dos anos 1990, cunhado pelo psiquiatra Tamaki Saitō, autor do livro “Hikikomori: Adolescence Without End”.
Saitō observou jovens que haviam desistido da escola, dos empregos e da vida social, confinando-se por anos em seus quartos.

As causas são complexas:

  • Pressão social extrema — o Japão valoriza o sucesso acadêmico e profissional.

  • Fracassos ou bullying na escola (ijime).

  • Estrutura familiar protetora, com pais que sustentam o filho mesmo isolado.

  • Mudanças culturais, como o impacto da tecnologia e o declínio das interações humanas reais.


🎎 Diferença entre Hikikomori e NEET

Embora próximos, os termos têm nuances distintas:

TermoSignificadoCaracterística principal
HikikomoriRecluso socialIsolamento físico e emocional
NEETNot in Education, Employment or TrainingDesempregado e sem estudo, mas não necessariamente isolado

Um Hikikomori pode ser NEET, mas nem todo NEET é Hikikomori.


📺 Exemplos em Animes

Os animes retrataram esse fenômeno com sensibilidade — ora de forma cômica, ora dramática.

  1. Welcome to the NHK (NHK ni Youkoso!)

    • O retrato mais famoso do tema.

    • Tatsuhiro Satou, um jovem que acredita em conspirações e vive trancado em seu quarto.

    • O anime explora solidão, paranoia e a luta para reconectar-se ao mundo.

    • 🎧 Curiosidade: O título “NHK” faz trocadilho com a emissora japonesa e uma “Sociedade Conspiratória de Hikikomoris”.

  2. ReLIFE

    • Um homem recluso recebe uma segunda chance: reviver o ensino médio.

    • Mostra o conflito entre maturidade e juventude, e a dificuldade de “recomeçar” após o isolamento.

  3. No Game No Life

    • Os irmãos Sora e Shiro são hikikomori gamers que encontram propósito num mundo onde tudo é decidido por jogos.

    • A série transforma o isolamento em metáfora para genialidade e fuga da realidade.


💭 Filosofia e Significado Social

O hikikomori é um espelho do Japão moderno: um país que equilibra tradição e tecnologia, disciplina e exaustão emocional.
É o preço da hipercompetitividade, da expectativa familiar e da falta de espaço para falhar.

Mas há também uma leitura poética:
👉 O hikikomori é o eremita urbano, um monge digital refugiado do ruído do mundo, buscando sentido em silêncio.


🌱 Dicas e Reflexões

  • Para quem observa: evite julgar. Hikikomori não é preguiça, mas dor não verbalizada.

  • Para quem vive isso: pequenos passos contam — abrir a janela, caminhar até a esquina, conversar online.

  • Para a sociedade: precisamos reaprender a valorizar a pausa, o erro e o tempo do ser humano.


🧩 Curiosidades

  • O Japão criou “programas de reabilitação social” com visitas domiciliares para ajudar hikikomoris a recomeçar.

  • Alguns pais montam comunidades rurais onde jovens isolados podem reaprender a conviver.

  • Em contraste, há hikikomoris que se tornaram criadores, escritores ou programadores — transformando o isolamento em arte.


☕ Conclusão Bellacosa

O hikikomori é mais do que um fenômeno social — é um grito silencioso da alma moderna, cansada da corrida sem sentido.
Nos animes, ele aparece como lembrete de que cada isolamento esconde um pedido de escuta.

domingo, 1 de outubro de 2023

JCL: Gerenciamento de Datasets de Saída no Mainframe

 

Bellacosa Mainframe JCL e seus datasets

JCL: Gerenciamento de Datasets de Saída no Mainframe

Se você já passou algum tempo no mainframe, sabe que o JCL (Job Control Language) é a espinha dorsal da execução de programas e da manipulação de dados. Uma das tarefas mais comuns é criar e controlar datasets de saída. Mas, se você não prestar atenção aos detalhes de DISP, UNIT, VOL e PATHOPTS, seu job pode falhar ou produzir resultados inesperados. Vamos destrinchar o assunto, passo a passo, no estilo Bellacosa Mainframe.


1️⃣ Nomeando e Criando Datasets

Datasets Permanentes

Para criar datasets permanentes em DASD (disco) ou fitas, usamos o parâmetro DSN para indicar o nome:

  • Qualificado: PROD.DAILY.RLSREP → inclui HLQ (High-Level Qualifier).

  • Não qualificado: MYDATA → nome simples de 1 a 8 caracteres.

  • Geração (GDS): PROD.DAILY.RLSREP(+1) → cria uma nova geração sem sobrescrever a anterior.

Datasets Temporários

  • Começam com &&, ex.: &&TEMP1

  • São criados automaticamente pelo sistema se nenhum DSN for informado.

  • Podem ser passados para outros steps usando DISP=(NEW,PASS).


2️⃣ Disposição do Dataset (DISP)

O parâmetro DISP controla o status e destino do dataset, e é crucial para evitar sobrescrita indesejada.

Tipo de datasetExemplo DISPSignificado
Novo datasetDISP=(NEW,CATLG,DELETE)Cria o dataset; mantém se sucesso; deleta se falha
Dataset existenteDISP=(OLD,KEEP,KEEP)Abre exclusivo; mantém independentemente do resultado
Acrescentando dadosDISP=(MOD,KEEP,KEEP)Acrescenta no final do dataset existente
IgnoradoDISP=DUMMY ou DSN=NULLFILEPara steps que não precisam de saída real

⚠️ Atenção: +0 não cria dataset novo; +1 sim. E nunca confunda OLD com MOD — o primeiro sobrescreve, o segundo acrescenta.


3️⃣ Definindo o Local de Armazenamento (UNIT e VOL)

UNIT

Define o tipo de dispositivo ou grupo:

  • SYSDA → disco genérico

  • 3390 → dispositivo específico

  • TAPE ou CART → fitas

Se você não especificar, o sistema pode usar defaults definidos pelo administrador.

VOL

Define o volume específico:

  • VOL=SER=T44489 → fita específica

  • Permite referback em steps subsequentes

  • Se o volume não estiver disponível, o operador recebe uma mensagem solicitando ação

Exemplo de dataset em fita específica:

//OUTDD DD DSN=OUT.OFFSITE.DATA, DISP=(NEW,CATLG,DELETE), UNIT=CART, VOL=SER=T44489

4️⃣ Parâmetros de z/OS UNIX Files

Para arquivos UNIX no z/OS, usamos:

ParâmetroFunção
PATHCaminho completo do arquivo
PATHOPTSTipo de acesso (read/write, exclusivo, criar)
PATHMODEPermissões (leitura, escrita, execução para user/group/other)
PATHDISPAção após execução (KEEP, DELETE)

Exemplo:

//DD1 DD PATH='/u/ibmuser/stktake', PATHOPTS=(OWRONLY,OEXCL,OCREAT), PATHMODE=(SIRWXU,SIRGRP), PATHDISP=(KEEP,DELETE)

5️⃣ Erros Comuns e Como Evitar

ErroCausaSolução
IEF210I – Incorrect UNITUNIT inválido (DISK em vez de SYSDA)Usar unidade válida: SYSDA
IEF253I – Duplicate Name on VolumeTentativa de criar dataset que já existe no volumeUse outro nome ou +1 para nova geração
VOL não disponívelVolume específico não presenteOperador recebe mensagem; deve escolher ação
DISP incompletoEsquecer subparâmetrosSempre usar os 3 subparâmetros: (NEW,CATLG,DELETE)

6️⃣ Exemplo de Criação de Dataset

Dataset em disco genérico 3390

//TESTDD DD DSN=MY.TEST.DATA, DISP=(NEW,CATLG,DELETE), UNIT=3390, SPACE=(TRK,(10,5),RLSE)

Dataset em fita específica para envio offsite

//OUTDD DD DSN=OUT.OFFSITE.DATA, DISP=(NEW,CATLG,DELETE), UNIT=CART, VOL=SER=T44489

Resumo Final

  • DSN → nome do dataset

  • DISP → controla status e destino (NEW, OLD, MOD, KEEP, DELETE)

  • UNIT → define dispositivo ou grupo

  • VOL → fita ou volume específico

  • SPACE/DCB → quantidade de espaço e atributos de formato

  • z/OS UNIX → use PATH, PATHOPTS, PATHMODE, PATHDISP

Seguindo essas práticas, você garante que seus jobs criem datasets corretamente, evitem sobrescrita acidental, respeitem volumes específicos e funcionem tanto em discos quanto fitas.


💡 Dica Bellacosa:
Sempre revise DISP, UNIT e VOL antes de submeter o job. Uma simples confusão entre OLD, MOD e NEW ou entre SYSDA e 3390 pode gerar horas de troubleshooting.