| Bellacosa Mainframe e a viagem sem visibilidade na SP 065 |
SP 065: Viagem sem visibilidade
✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨ Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens. Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê. Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão. Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
| Bellacosa Mainframe e a viagem sem visibilidade na SP 065 |
| Bellacosa Mainframe e a costela na brasa e um viveiro a beira da estrada |
Era um domingo de 2016.
Eu, Juliana e o pequeno Formiga estávamos em um restaurante às margens da Rodovia Dom Pedro I. Na postagem original escrevi Campinas, mas, revendo minhas memórias tantos anos depois, faço a correção: estávamos em Valinhos.
E o lugar combinava perfeitamente com um domingo sem pressa.
Era daqueles restaurantes rústicos, com jeito de roça, onde a experiência começava antes mesmo de a comida chegar à mesa. Madeira, ambiente simples, natureza ao redor e, completando o cenário, sertanejo raiz.
Mas sertanejo raiz mesmo.
Nada daquela parafernália eletrônica moderna. Era música que parecia pertencer ao próprio ambiente, dessas que você imagina sendo tocadas num rancho enquanto uma viola acompanha uma conversa comprida.
E havia a costela.
Costela na brasa.
Daquelas que transformam o almoço no evento principal do domingo.
Depois de comer muito bem, fizemos aquilo que tantas vezes aparece nas minhas antigas fotografias e vídeos: fomos explorar.
Com uma criança curiosa ao lado, dificilmente um passeio terminava na mesa do restaurante.
E encontramos o viveiro.
Era realmente muito bonito.
Havia patos, marrecos, calopsitas, agapórnis, periquitos e outras aves, formando aquela algazarra característica de dezenas de pequenos habitantes dividindo o mesmo espaço.
Para o Formiga aquilo era uma descoberta.
Para mim, porém, havia dois sentimentos acontecendo ao mesmo tempo.
Eu adorava observar aquelas aves. As cores, os sons, os movimentos, as pequenas interações entre elas.
Mas também sentia certa tristeza.
Porque estavam presas.
Sempre houve alguma coisa nessa ideia que mexeu comigo. Talvez porque eu goste demais da liberdade. Gosto de olhar para uma ave e imaginar que ela pode simplesmente abrir as asas e ir embora.
Voar para uma árvore.
Depois para outra.
Escolher onde pousar.
Desaparecer no horizonte se quiser.
Ser dona do próprio caminho.
Por isso um viveiro pode ser belíssimo e, simultaneamente, despertar em mim uma pequena melancolia.
Algumas daquelas aves também acionavam outra máquina poderosíssima: a memória.
Já tive agapórnis e calopsitas em outros momentos da minha vida. Assim, olhar para aqueles pequenos pássaros em 2016 também significava reencontrar silenciosamente outros tempos, outros lugares e outros personagens da minha própria história.
Ali perto havia ainda um lago.
Carpas nadavam tranquilamente, acompanhadas por bagres e outros peixes. Água, aves, vegetação e o restaurante rústico criavam uma paisagem quase idílica.
E provavelmente era exatamente disso que precisávamos naquele domingo.
Nada extraordinário aconteceu.
Nenhuma grande viagem.
Nenhum monumento famoso.
Nenhum acontecimento capaz de entrar para os livros de História.
É justamente por isso que gosto tanto desses pequenos registros.
Porque a vida também acontece assim.
Uma costela na brasa.
Uma viola tocando ao fundo.
Juliana fazendo companhia.
Formiguinha descobrindo um viveiro.
Patos andando de um lado para outro.
Carpas desaparecendo sob a água.
E eu observando aquelas pequenas aves coloridas enquanto pensava que seriam ainda mais bonitas se pudessem simplesmente abrir as asas e escolher para onde voar.
Hoje, dez anos depois, aquele pequeno vídeo ganha outro significado.
Ele não registra apenas um viveiro de aves em um restaurante de Valinhos.
Registra um domingo feliz.
Uma boa companhia.
Um almoço delicioso com gosto de comida da roça.
Uma criança explorando o mundo.
E algumas horas de uma vida que naquele momento pareciam absolutamente comuns.
Talvez essa seja uma das coisas mais curiosas da memória.
No instante em que estamos vivendo, pensamos:
"É apenas um domingo."
Dez anos depois, abrimos uma fotografia, assistimos novamente a alguns segundos de vídeo e descobrimos:
não era apenas um domingo.
Era a nossa vida acontecendo.
E, felizmente, alguém resolveu apertar o botão de gravar.
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👨💻 Perfil no LinkedIn 📚 Assinar "Aprenda mais no Bellacosa Mainframe" ☕ Acompanhar "Um Café no Bellacosa Mainframe"IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.