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domingo, 10 de julho de 2016

BR 381 Viagem noturna rumo a Itatiba


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌙 BR-381 — Uma Viagem Noturna Rumo a Itatiba

Às vezes não é preciso viajar para muito longe para descobrir uma estrada nova. Basta voltar para casa por um caminho diferente.

Era noite e estávamos voltando para Itatiba depois de um domingo muito agradável em família, na Vila Rio Branco, região da Penha, em São Paulo.

Normalmente, minhas viagens para São Paulo tinham um roteiro praticamente automático. Na hora de voltar para casa, o caminho era quase sempre o mesmo: pegar a Rodovia dos Bandeirantes e seguir rumo ao interior.

Era a nossa rota conhecida.

Mas naquele domingo a geografia tinha outros planos.


🎂 Um dia especial em família

Havíamos ido até a Vila Rio Branco para comemorar o aniversário da Dona Anna, cercados de primos, tios, tias e daquela movimentação típica de uma reunião familiar.

E havia um detalhe especialmente bonito naquele encontro.

Juliana era confeiteira.

Dona Anna também havia sido confeiteira.

Assim, de certa maneira, duas gerações que conheciam muito bem farinha, açúcar, recheios, coberturas e a arte de transformar ingredientes em momentos felizes estavam se encontrando naquele aniversário.

Juliana resolveu presenteá-la da melhor maneira possível: preparando um belíssimo e delicioso bolo de aniversário.

Não era apenas um bolo comprado a caminho da festa.

Havia trabalho, conhecimento e carinho ali.

Uma confeiteira presenteando outra confeiteira.

E talvez apenas quem já trabalhou com isso consiga olhar para um bolo e perceber tudo aquilo que existe por trás dele: preparação, técnica, paciência, decoração e aquela inevitável expectativa de descobrir se todos irão gostar.

Gostaram.

Depois de um dia gostoso em família, chegou a inevitável hora de retornar para Itatiba.


🚗 O Pretinho estava pronto

Nosso companheiro daquela noite era o famoso Pretinho, nosso New Fiesta 2013.

E quem estava pilotando era a Juliana.

Só que havia uma pequena questão de logística.

Estávamos na região da Penha.

Voltar para o caminho tradicional e procurar a Bandeirantes não parecia fazer muito sentido.

Foi quando apareceu o argumento:

— Estamos praticamente do lado da Fernão Dias...

E contra a geografia fica difícil discutir.

😂

A BR-381 — Rodovia Fernão Dias oferecia um caminho muito mais lógico para quem estava saindo daquela região de São Paulo rumo a Itatiba.

Então, por que não?



🛣️ Vamos voltar pela Fernão Dias!

Hoje parece uma decisão absolutamente banal.

Coloque a rota no GPS e pronto.

Mas naquele momento havia um ingrediente que fazia toda a diferença:

não estávamos acostumados a fazer aquele caminho.

E isso transformou o retorno para casa numa pequena exploração.

Juliana pilotava o Pretinho enquanto avançávamos pela Fernão Dias.

A estrada era diferente.

As curvas eram diferentes.

Os acessos eram diferentes.

As referências eram diferentes.

Até as luzes pareciam diferentes.

Quando você dirige repetidamente pela mesma rodovia, o cérebro começa a apagar parte da viagem. Pontes, placas, curvas e saídas tornam-se referências automáticas.

Você praticamente sabe o que encontrará alguns quilômetros adiante.

Naquela noite não.

Tudo precisava ser observado.

🌃 Uma estrada conhecida por milhares — desconhecida para nós

Havia as luzes dos veículos vindo no sentido contrário.

Faróis surgiam nas curvas, aproximavam-se e desapareciam rapidamente atrás de nós.

As lanternas vermelhas dos carros à frente formavam pequenas linhas luminosas acompanhando o desenho da rodovia.

Placas refletivas surgiam repentinamente na escuridão.

Viadutos, acessos, postos e cidades apareciam como pequenas ilhas iluminadas no meio da noite.

E dentro do Pretinho havia aquele brilho característico do painel.

É curioso como uma viagem noturna muda completamente uma estrada.

Durante o dia enxergamos montanhas, construções, árvores, bairros e horizontes.

À noite o mundo fica reduzido àquilo que os faróis permitem descobrir.

Existe quase uma sensação de exploração.

A estrada vai sendo revelada alguns metros de cada vez.

🗺️ O prazer de sair da rota habitual

Não estávamos indo para nenhum lugar desconhecido.

Nosso destino era simplesmente casa.

Itatiba.

Mas havíamos mudado uma variável.

A rota.

E isso foi suficiente para transformar um deslocamento cotidiano em uma pequena aventura.

Talvez seja uma das coisas de que mais gosto em viajar.

Nem sempre precisamos atravessar oceanos ou visitar lugares extraordinários.

Às vezes basta fazer algo simples:

seguir por uma estrada pela qual normalmente não passaríamos.

A Fernão Dias, utilizada diariamente por milhares de motoristas, naquela noite era novidade para nós.

Cada curva despertava curiosidade.

Cada conjunto de luzes parecia anunciar alguma coisa.

E Juliana seguia pilotando o Pretinho enquanto eu aproveitava aquela experiência diferente.

❤️ Voltávamos felizes

Talvez a estrada também tenha ficado bonita porque nós estávamos felizes.

O dia havia sido bom.

Tínhamos passado algumas horas agradáveis com a família.

Havíamos comemorado mais um aniversário da Dona Anna.

Juliana tinha levado seu bolo.

Uma confeiteira havia presenteado outra confeiteira.

As conversas, os encontros, o parabéns e aquela pequena bagunça familiar tinham ficado para trás.

Agora restava o silêncio relativo da estrada.

O ronco do motor.

Os pneus tocando o asfalto.

As luzes passando pelas janelas.

E Itatiba esperando alguns quilômetros adiante.

🌙 Uma viagem que não deveria ter sido memorável

O mais curioso é justamente isso.

Não aconteceu nada extraordinário.

Não tivemos uma grande aventura.

Não nos perdemos.

Não houve tempestade.

Não houve pane.

Não encontramos nada espetacular pelo caminho.

Simplesmente voltamos para casa por uma estrada diferente.

E foi suficiente.

Porque memória não funciona segundo uma tabela de importância.

Existem acontecimentos enormes dos quais esquecemos detalhes poucos anos depois.

E existem noites absolutamente comuns que permanecem guardadas durante décadas.

Esta foi uma delas.

Uma noite de 2016.

Juliana pilotando o Pretinho.

O New Fiesta avançando pela BR-381.

As luzes dos carros.

O traçado desconhecido.

A sensação de explorar.

E nós dois voltando para Itatiba depois de um domingo feliz em família.

Talvez viajar seja exatamente isso.

Não apenas chegar a lugares novos.

Mas continuar sendo capaz de olhar para um caminho diferente e pensar:

“Vamos por aqui desta vez.”

E descobrir que até o caminho de casa ainda pode guardar uma pequena aventura.

☕ Bellacosa Mainframe — porque algumas memórias ficam armazenadas durante anos, esperando apenas o JOB certo para voltar a executar.

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Domingo delicioso passado na Vila Rio Branco


Tivemos um otimo domingo que passamos juntos a família, curtindo todos os primos, tios e tias no aniversario da Vovo Anna.



No retorno a Itatiba para evitar a porcaria da marginal Tiete com velocidade reduzida, optamos por vir via Fernão Dias.

Foi uma delicia experimentar a estrada a noite, ver as luzes do painel e os carros no sentido contrario chegando a São Paulo.

Sintam a emoção de dirigir a noite numa estrada sinuosa e cheia de surpresas.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Trenzinho e mini ferrovia no Iguatemi

Bellacosa Mainframe e as aventuras do formiga no trenzinho do shopping

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Uma tarde na fazendinha do Shopping Iguatemi de Jundiai e seu trenzinho.

Aquele era um daqueles programas simples e divertidos que fazíamos juntos: eu, Juliana e o Formiga.

Juliana adorava inventar programas para quando estávamos com ele. Não precisava ser uma grande viagem, um parque gigantesco ou alguma aventura cuidadosamente planejada com semanas de antecedência. Bastava descobrir alguma coisa diferente acontecendo por perto e pronto: lá íamos nós.

E o Iguatemi Jundiaí proporcionava algumas dessas pequenas aventuras.

Naquele dia havia uma espécie de fazendinha montada dentro do shopping. Para um adulto passando apressado pelo corredor, talvez fosse apenas mais uma atração temporária: algumas cercas decorativas, bichinhos cenográficos, um moinho de vento e um pequeno trem circulando pelo cenário.

Mas tente olhar aquilo com os olhos de uma criança.

🐄 Havia vaquinhas.

🐑 Ovelhinhas.

🌾 Uma pequena fazenda.

🌬️ Um moinho de vento.

🚂 E, principalmente, havia um trem.

Pronto.

O shopping desapareceu.



🚂 Quando o trenzinho virou uma ferrovia de verdade

Para o Formiga, aquilo não era simplesmente um brinquedo dando voltas dentro de um shopping.

Era uma ferrovia.

E ferrovia precisa ser explorada.

Entrar naquele pequeno trem significava atravessar a fronteira invisível entre o mundo dos adultos e o território da imaginação.

O moinho já não era decoração.

A vaca não era apenas uma representação de plástico.

As ovelhas não estavam simplesmente colocadas ali para compor o cenário.

Tudo fazia parte daquele novo mundo.

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de observar numa criança: ela não precisa que a ilusão seja perfeita para acreditar na aventura.

Nós, adultos, enxergamos os fios, as estruturas, as placas, os funcionários e os limites da atração.

Uma criança enxerga outra coisa.

Ela completa aquilo que está faltando.

Onde existe um metro de trilho, imagina quilômetros.

Onde existe uma pequena casinha cenográfica, surge uma fazenda inteira.

Onde existe um moinho de vento artificial, provavelmente existe algum lugar distante que precisa ser descoberto.

E onde existe um trenzinho...

existe uma viagem.



🐜 O Formiga atravessa o portal

Era justamente isso que tornava aqueles passeios tão divertidos.

O Formiga tinha aquela capacidade maravilhosa de entrar na brincadeira.

A atração podia ocupar apenas alguns metros quadrados do shopping, mas o território imaginário era praticamente infinito.

Ele embarcava.

O trem começava a andar.

E naquele instante acontecia alguma coisa que nenhum ingresso explicava.

O brinquedo transformava-se em portal.

Do lado de fora estávamos eu e Juliana, provavelmente enxergando um menino feliz andando num trenzinho.

Do lado de dentro, porém, quem sabe onde ele estava?

Talvez atravessando uma fazenda.

Talvez conduzindo uma locomotiva.

Talvez explorando algum lugar que somente ele conseguia enxergar.

Essa é uma diferença enorme entre a memória de um adulto e a memória de uma criança.

Eu consigo lembrar da estrutura.

Do shopping.

Da decoração.

Do moinho.

Dos animais.

Do pequeno circuito ferroviário.

Mas talvez o Formiga tenha guardado algo completamente diferente.

Ele pode ter guardado a aventura.



❤️ Juliana tinha entendido uma coisa importante

Olhando essas imagens tantos anos depois, percebo também outra personagem importante daquela história.

Juliana.

Ela gostava de criar esses programas.

Descobria uma atração, uma festa, um parque, um espetáculo ou alguma novidade e queria levar o Formiga.

Talvez porque tivesse entendido intuitivamente uma coisa que nós adultos frequentemente esquecemos:

infância não precisa necessariamente de grandes acontecimentos.

Ela precisa de acontecimentos.

Um passeio.

Uma pescaria de quermesse.

Um circo.

Um parque.

Um videogame.

Um brinquedo diferente.

Um trenzinho montado dentro de um shopping.

Separadamente, parecem coisas pequenas.

Quando colocadas umas ao lado das outras, porém, começam a formar algo gigantesco:

uma infância cheia de histórias.

🚂 Para alguns, apenas uma atração

E talvez seja justamente por isso que resolvi recuperar esta pequena postagem de 2016.

Porque alguém poderia olhar para aquelas fotografias e dizer:

— Ah, era um trenzinho no shopping.

Sim.

Era.

Para quem estava passando pelo corredor, talvez fosse exatamente isso.

Uma atração infantil.

Alguns minutos de diversão.

Um cenário desmontável que provavelmente desapareceria alguns dias depois para dar lugar a outra coisa.

Mas memória funciona de maneira diferente.

O cenário desaparece.

O shopping muda.

A atração é desmontada.

As crianças crescem.

E então, dez anos depois, alguém encontra algumas fotografias antigas e percebe que aquele pequeno trem continua circulando.

Não mais sobre os trilhos da fazendinha.

Agora ele circula dentro da memória.

🥚 Easter egg — talvez o trem nunca tenha sido pequeno

Existe ainda uma ironia maravilhosa escondida nesta história.

Quem acompanha estas páginas sabe da minha antiga paixão por ferrovias, locomotivas, estações e trilhos.

Passei boa parte da vida procurando estações abandonadas, observando trens, estudando antigas ferrovias e transformando viagens em desculpas para encontrar mais um pedaço de trilho perdido.

E naquele dia lá estava eu...

vendo o Formiga embarcar numa ferrovia em miniatura.

Talvez por isso eu tenha fotografado.

Talvez por isso aquela atração aparentemente banal tenha chamado minha atenção.

Ou talvez existisse uma inversão muito mais divertida acontecendo diante de nós.

Eu poderia enxergar perfeitamente que aquele trem era pequeno.

O Formiga provavelmente não.

Para ele, durante aqueles poucos minutos, o mundo é que havia ficado maior.

E talvez seja essa uma das definições mais bonitas da infância.

Para alguns adultos que passavam pelo Iguatemi naquele dia, aquilo era somente uma atração.

Para Juliana, era mais um programa divertido que havia encontrado para fazermos juntos.

Para mim, tornou-se uma fotografia, uma postagem e, anos depois, uma memória recuperada.

Mas para o Formiga?

🚂 Aquilo era um portal mágico para a próxima aventura.

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Um  programa em família no shopping Iguatemi de Jundiai.


Este shopping tem investido pesado nas atraçoes culturais. Desta vez foi uma fazendinha com diversos atractivos para as crianças.



Inicia-se com uma carroça para tirar foto, posteriormente tem uma mini ferrovia que circula por um campo repleto de surpresas, que vai instigar a imaginação dos pequeninos.

Esquilos peraltas, vaquinhas simpáticas, moinho de vento e diversas peças saídas directo da fazenda.

Na outra parte da atracção com jogos interactivos, temos jogos de argolas e pescaria.

sábado, 18 de junho de 2016

BR 383 Subindo a serra

Bellacosa Mainframe e as aventuras na estrada BR-383 com Juliana subindo a serra rumo a Campos do Jordão

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 BR-383 — Subindo a Serra com Juliana

10.000 quilômetros de estradas, viagens e memórias entre São Paulo e Minas Gerais

Pequenas crônicas pelas estradas da Região Sudeste do Brasil

Existem viagens que começam quando colocamos as malas no carro. Outras começam muito antes, quando alguém simplesmente pergunta:

— Vamos dar uma volta?


Entre 2013 e 2018, Juliana tornou-se personagem constante de muitos dos pequenos vídeos, fotografias e fragmentos que fui deixando espalhados pelo blog. Ela gostava de dirigir. Eu gostava de descobrir lugares. A combinação era perigosa para o hodômetro.

Foram aproximadamente 10.000 quilômetros rodando juntos, principalmente pelas estradas de São Paulo e Minas Gerais.

Litoral, interior, serras, montanhas, pequenas cidades, grandes rodovias e aquelas estradinhas que pareciam perguntar: “Vocês têm certeza de que querem continuar?”

Quase sempre continuávamos.

Campos do Jordão era uma das aventuras de que Juliana mais gostava. A subida da serra já fazia parte do passeio: curvas, túneis, muretas, paredões, precipícios e a paisagem mudando conforme ganhávamos altitude.

Mas havia também outro ponto importante naquele mapa.

Taubaté.

Mais precisamente Quiririm, onde meu pai morava. Assim, muitas dessas viagens misturavam passeio e família. Visitávamos meu pai e depois continuávamos pela estrada, subindo em direção à Mantiqueira e a Campos do Jordão.

Hoje percebo que aqueles pequenos vídeos não registraram somente rodovias.

Registraram uma época.

Uma câmera apontada através do para-brisa podia estar filmando apenas uma curva da serra. Mas, tantos anos depois, consigo enxergar muito mais naquela imagem.

Consigo lembrar quem estava dirigindo.

Para onde estávamos indo.

Quem encontraríamos pelo caminho.

E principalmente aquela sensação maravilhosa de que ainda havia uma estrada inteira pela frente.

Talvez seja por isso que estou chamando esses registros de Pequenas Crônicas pelas Estradas da Região Sudeste do Brasil.

Não são grandes documentários de viagem.

São fragmentos.

Alguns possuem poucos minutos. Outros são apenas fotografias e algumas linhas escritas às pressas.

Mas, quando colocados novamente em ordem, tornam-se pontos de um mapa muito maior.

Um mapa feito de estradas, cidades, pessoas e memória.

E naquele mapa existe uma Juliana ao volante, um Vagner olhando pela janela e milhares de quilômetros esperando para serem percorridos.

A estrada não era apenas o caminho para a aventura.

A estrada era a aventura.

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Um túnel em meio a serra.


Curioso que o quotidiano nos faz deixar de prestar atenção nas coisas normais, estáticas e acabamos não nos apercebendo das belezas que nos cercam.



Olhar pela janela do carro em movimento, ver a serra a estrada e seus pequenos detalhes. Túneis e muretas, abismos e encostas.

São tantas coisas para apreciar e as vezes viajamos em tão alta velocidade que nem nos apercebemos destes detalhes.



sábado, 2 de abril de 2016

Criaçao de trutas em Monte Verde

Bellacosa Mainframe e o restaurante e criadoro de trutas

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🐟 Criação de Trutas em Monte Verde — Do Tanque ao Nosso Prato

Monte Verde tinha frio, montanha, lareira e aquele clima perfeito para desaparecer do mundo durante um fim de semana. Juliana era apaixonada pelo lugar e, sempre que podíamos, pegávamos a estrada para mais uma pequena aventura a dois. Em uma delas, fomos almoçar num restaurante onde a atração começava muito antes de a comida chegar à mesa.

Juliana era apaixonada por Monte Verde.

E talvez por isso não precisássemos de grandes desculpas para voltar.

Sempre que aparecia uma oportunidade, partíamos para um fim de semana por lá. Era um daqueles programas simples que funcionavam perfeitamente: viajar a dois, caminhar sem muita pressa, aproveitar o frio da serra, entrar nas lojinhas, comer alguma coisa diferente e, no final do dia, voltar para o aconchego da lareira.

Monte Verde tinha essa capacidade de transformar um simples fim de semana numa pequena viagem para longe da rotina.

E em uma dessas viagens descobrimos que até o almoço poderia virar passeio.


🐟 Um restaurante onde o almoço ainda estava nadando

Fomos almoçar em um restaurante que possuía sua própria criação de trutas.

Mas aquilo não era simplesmente um restaurante com alguns peixes decorativos nadando num laguinho.

Havia vários tanques.

E caminhando entre eles era possível observar as diferentes etapas da criação das trutas.

Peixes menores em determinados tanques, outros já maiores, diferentes estruturas, circulação constante da água, redes de proteção e todo um pequeno sistema funcionando silenciosamente diante dos visitantes.

Para quem gosta de observar como as coisas funcionam — e eu sempre gostei — aquilo era quase uma visita técnica disfarçada de almoço.

Só que havia uma diferença fundamental.

No final daquela linha de produção havia manteiga, temperos e um prato esperando por nós.

🌊 Do tanque para a cozinha

A experiência ficava ainda mais interessante porque o comensal podia escolher a própria truta.

Não era aquela abstração que normalmente existe num restaurante.

Você olha o cardápio.

Pede peixe.

Algum tempo depois aparece um filé no prato.

Pronto.

Ali não.

O peixe estava diante de nós.

Nadando.

Você acompanhava parte daquele pequeno ecossistema, observava os tanques, escolhia a truta e ela seguia para ser preparada.

Pouco tempo depois chegava à mesa.

É difícil imaginar um peixe mais fresco.


🍽️ O sabor daquilo que acabou de sair da água

E existe diferença.

Uma enorme diferença.

A sensação de comer uma truta que pouco antes estava nadando naquele mesmo lugar é completamente diferente daquela proporcionada por um peixe que passou por processamento, transporte, armazenamento, refrigeração, distribuição e finalmente chegou ao restaurante.

Ali a distância entre origem e prato podia ser medida em metros.

E o sabor acompanhava essa distância.

A carne delicada, a textura e principalmente aquela percepção de frescor faziam parte da experiência.

Não era simplesmente:

"Vamos comer truta."

Era:

"Vamos conhecer de onde vem a nossa truta."

E isso transforma uma refeição em memória.


🐟 Os tanques contavam uma história

Antes ou depois do almoço, podíamos caminhar entre os tanques e observar as várias etapas da criação.

E talvez essa fosse uma das coisas mais interessantes daquele lugar.

Quando encontramos o produto pronto no supermercado, toda a história anterior desapareceu.

Vemos apenas a embalagem.

Naquele restaurante, não.

Os tanques mostravam que existia um processo.

A truta não aparecia magicamente no prato.

Existiam diferentes fases de desenvolvimento, manejo dos peixes, alimentação, circulação da água e cuidados necessários para que chegassem ao tamanho adequado.

Era praticamente possível caminhar pela história do peixe.

Tanque → crescimento → seleção → cozinha → prato.

Uma pequena cadeia produtiva acontecendo diante dos nossos olhos.

❄️ Por que justamente trutas em Monte Verde?

Existe também uma explicação interessante para encontrarmos esse tipo de criação nas regiões serranas.

A truta-arco-íris é um peixe associado a águas frias, limpas e bem oxigenadas.

Isso ajuda a explicar por que regiões montanhosas e de clima mais frio tornaram-se tão associadas à criação e ao consumo de trutas.

Monte Verde reúne justamente o cenário que combina com essa experiência.

Montanhas.

Frio.

Água.

Turismo.

Gastronomia.

E, naturalmente, trutas.

De repente aquele peixe no prato fazia parte da própria paisagem.

🧊 E dava para levar Monte Verde para casa

A experiência ainda tinha uma continuação.

Também era possível comprar trutas congeladas para levar.

E claro que isso era interessante.

Depois do fim de semana, podíamos voltar para casa carregando um pequeno pedaço gastronômico da viagem.

Dias depois, preparar uma daquelas trutas era quase apertar um botão de RESTORE:

Monte Verde recuperado com sucesso.

O sabor trazia novamente alguma coisa daquele fim de semana.

A estrada.

O frio.

As montanhas.

A lareira.

Os passeios.

Juliana.

E aquele restaurante.

Mas havia uma coisa impossível de congelar.

❤️ O peixe congelado voltava conosco. A experiência, não.

A truta que levávamos para casa podia ser excelente.

Mas aquela que comíamos ali tinha algo que nenhuma embalagem conseguiria reproduzir.

Não era somente o frescor.

Era o contexto.

Estávamos em Monte Verde.

Estávamos passeando.

Estávamos juntos.

Tínhamos acabado de caminhar entre os tanques e observar aqueles peixes.

Escolhíamos nossa truta.

Pouco depois ela chegava preparada à mesa.

Comíamos sem pressa.

Era uma refeição inserida dentro de uma aventura.

E talvez seja justamente por isso que, tantos anos depois, eu não me lembre apenas de ter comido uma boa truta.

Eu me lembro dos tanques.

Lembro do passeio.

Lembro da experiência de observar as várias etapas da criação.

Lembro daquela estranha satisfação de saber que o almoço estava absurdamente fresco.

E principalmente lembro que estávamos fazendo aquilo que tantas vezes fizemos juntos:

transformando um simples fim de semana numa pequena aventura.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Hoje consigo perceber uma coisa que provavelmente não pensei naquele almoço.

Nós acreditávamos estar simplesmente visitando Monte Verde novamente.

Mas estávamos alimentando outra coisa.

Um enorme banco de dados de pequenas memórias.

Nenhuma delas parecia particularmente extraordinária naquele momento.

Um restaurante.

Alguns tanques.

Trutas nadando.

Um almoço.

Uma lareira.

Um fim de semana.

Separadamente, são registros pequenos.

Juntos, tornam-se uma época inteira da vida.

Talvez memória funcione exatamente assim.

Você não sabe quais momentos serão importantes enquanto eles estão acontecendo.

Então simplesmente vive.

Décadas depois, abre uma postagem antiga, encontra algumas fotografias e percebe que aquele almoço aparentemente banal preservou muito mais que o sabor de uma truta.

Preservou quem estava sentado do outro lado da mesa.

🥚 Easter egg Bellacosa

Em algum lugar daquele criadouro havia uma espécie de processamento em batch acontecendo:

INPUT → TRUTA NO TANQUE
PROCESS → COZINHA
OUTPUT → TRUTA NO PRATO

A diferença é que naquele sistema havia um SLA particularmente agressivo.

Do tanque para a mesa em minutos.

E pela primeira vez na carreira deste programador COBOL, ninguém queria aumentar o tempo de retenção do arquivo.

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A criação de trutas em Monte Verde.


Visitamos um criadouro de trutas perdido em Monte Verde, montes de tanques com vários estágios de criação de peixe. é divertido explorar e aprender como funciona.



Ver as bombas de agua, as redes de proteçao  e o cheirinho a peixe no ar, super instrutivo ver como funciona a criação e engorda de Truta Arco-iris.

Ao fundo tinha um alambique onde pude provar uma aguinha que passarinho não bebe, no restaurante saboreamos uma truta fresquinha assada na brava.

domingo, 20 de março de 2016

Outro viveiro de aves

Bellacosa Mainframe e a costela na brasa e um viveiro a beira da estrada

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🦜 O Viveiro à Beira da Dom Pedro — Um Domingo com Gosto de Roça

Costela na brasa, sertanejo raiz, Formiguinha explorando cada canto e a beleza contraditória de pássaros que eu preferia ver voando livres

Era um domingo de 2016.

Eu, Juliana e o pequeno Formiga estávamos em um restaurante às margens da Rodovia Dom Pedro I. Na postagem original escrevi Campinas, mas, revendo minhas memórias tantos anos depois, faço a correção: estávamos em Valinhos.

E o lugar combinava perfeitamente com um domingo sem pressa.

Era daqueles restaurantes rústicos, com jeito de roça, onde a experiência começava antes mesmo de a comida chegar à mesa. Madeira, ambiente simples, natureza ao redor e, completando o cenário, sertanejo raiz.

Mas sertanejo raiz mesmo.

Nada daquela parafernália eletrônica moderna. Era música que parecia pertencer ao próprio ambiente, dessas que você imagina sendo tocadas num rancho enquanto uma viola acompanha uma conversa comprida.

E havia a costela.

Costela na brasa.

Daquelas que transformam o almoço no evento principal do domingo.

Depois de comer muito bem, fizemos aquilo que tantas vezes aparece nas minhas antigas fotografias e vídeos: fomos explorar.

Com uma criança curiosa ao lado, dificilmente um passeio terminava na mesa do restaurante.

E encontramos o viveiro.

Era realmente muito bonito.



Havia patos, marrecos, calopsitas, agapórnis, periquitos e outras aves, formando aquela algazarra característica de dezenas de pequenos habitantes dividindo o mesmo espaço.

Para o Formiga aquilo era uma descoberta.

Para mim, porém, havia dois sentimentos acontecendo ao mesmo tempo.

Eu adorava observar aquelas aves. As cores, os sons, os movimentos, as pequenas interações entre elas.

Mas também sentia certa tristeza.

Porque estavam presas.

Sempre houve alguma coisa nessa ideia que mexeu comigo. Talvez porque eu goste demais da liberdade. Gosto de olhar para uma ave e imaginar que ela pode simplesmente abrir as asas e ir embora.

Voar para uma árvore.

Depois para outra.

Escolher onde pousar.

Desaparecer no horizonte se quiser.

Ser dona do próprio caminho.

Por isso um viveiro pode ser belíssimo e, simultaneamente, despertar em mim uma pequena melancolia.

Algumas daquelas aves também acionavam outra máquina poderosíssima: a memória.

Já tive agapórnis e calopsitas em outros momentos da minha vida. Assim, olhar para aqueles pequenos pássaros em 2016 também significava reencontrar silenciosamente outros tempos, outros lugares e outros personagens da minha própria história.

Ali perto havia ainda um lago.

Carpas nadavam tranquilamente, acompanhadas por bagres e outros peixes. Água, aves, vegetação e o restaurante rústico criavam uma paisagem quase idílica.

E provavelmente era exatamente disso que precisávamos naquele domingo.

Nada extraordinário aconteceu.

Nenhuma grande viagem.

Nenhum monumento famoso.

Nenhum acontecimento capaz de entrar para os livros de História.

É justamente por isso que gosto tanto desses pequenos registros.

Porque a vida também acontece assim.

Uma costela na brasa.

Uma viola tocando ao fundo.

Juliana fazendo companhia.

Formiguinha descobrindo um viveiro.

Patos andando de um lado para outro.

Carpas desaparecendo sob a água.

E eu observando aquelas pequenas aves coloridas enquanto pensava que seriam ainda mais bonitas se pudessem simplesmente abrir as asas e escolher para onde voar.

Hoje, dez anos depois, aquele pequeno vídeo ganha outro significado.

Ele não registra apenas um viveiro de aves em um restaurante de Valinhos.

Registra um domingo feliz.

Uma boa companhia.

Um almoço delicioso com gosto de comida da roça.

Uma criança explorando o mundo.

E algumas horas de uma vida que naquele momento pareciam absolutamente comuns.

Talvez essa seja uma das coisas mais curiosas da memória.

No instante em que estamos vivendo, pensamos:

"É apenas um domingo."

Dez anos depois, abrimos uma fotografia, assistimos novamente a alguns segundos de vídeo e descobrimos:

não era apenas um domingo.

Era a nossa vida acontecendo.

E, felizmente, alguém resolveu apertar o botão de gravar.

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Outro viveiro de aves


Realmente este restaurante é uma caixinha de surpresas, encontramos outro viveiro, agora povoado de Agapornes, periquitos, papagaios, patos e no laguinho logo abaixo peixes.



O Formiguinha deu um grito de satisfação quando viu tamanha algazarra dentro do viveiro, realmente é uma diversão sem fim, ver a bagunça que nossos amigos empenados fazem.

Um pouco triste ver tão alegres aves presas em um viveiro, mas é agradável ao olhar ver tantas espécies juntas.

domingo, 13 de março de 2016

Orquestra de Campinas

Bellacosa Mainframe e uma  tarde no Parque Portugal na Concha Acústica curtindo a sinfônica municipal

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🎻 Um Domingo com a Orquestra de Campinas

Do barulho das brincadeiras no Taquaral ao silêncio antes do primeiro acorde

Existem aventuras que não precisam de grandes viagens, estradas desconhecidas ou destinos distantes. Às vezes, basta uma tarde de domingo, um parque, uma família e a disposição para apresentar uma coisa nova a uma criança.

Em março de 2016, lá estávamos nós novamente: Juliana, o Formiga e eu, em mais uma daquelas pequenas aventuras familiares que marcaram tantos anos de nossas vidas.

O destino era o Parque do Taquaral, em Campinas.

Primeiro vinha aquilo que qualquer criança entende perfeitamente: correr, brincar, gastar energia, explorar o parque e transformar qualquer espaço disponível em território de aventura.

Mas naquele domingo havia algo mais nos esperando.


🎼 A Orquestra Sinfônica de Campinas.

A Concha Acústica do Taquaral sempre me pareceu um daqueles lugares especiais onde uma coisa extraordinária acontece: a cultura deixa os salões fechados e encontra as pessoas.

Não era necessário vestir terno.

Não era preciso comprar um ingresso caro.

Não havia necessidade de conhecer Beethoven, Mozart, Bach ou Villa-Lobos para sentar, ouvir e simplesmente deixar a música entrar.

Ali, a cultura era verdadeiramente popular porque estava ao alcance de todos.

E isso era exatamente o que queríamos proporcionar ao Formiga.

Juliana e eu procurávamos apresentar ao pequeno um mundo maior do que aquilo que naturalmente chegaria até ele. Queríamos que conhecesse música clássica, instrumentos, orquestras, museus, exposições, natureza, história e tantas outras coisas capazes de alimentar a curiosidade.

Não significava decidir aquilo de que ele deveria gostar quando crescesse.

Muito pelo contrário.

Era oferecer possibilidades.

Ele poderia crescer e gostar de rock, samba, música eletrônica, heavy metal ou qualquer outra coisa. Mas queríamos que soubesse que, em algum lugar daquele imenso universo chamado música, existiam violinos, violoncelos, contrabaixos, flautas, trompetes, percussão e dezenas de músicos trabalhando juntos.

Era preparar aquele pequeno espírito para coisas grandes.

E existe algo quase mágico em apresentar uma orquestra a uma criança.

Pouco antes existe o barulho das brincadeiras.

Então os músicos ocupam seus lugares.

Os instrumentos são preparados.

O público se acomoda.

O maestro aparece.

E durante alguns segundos acontece algo maravilhoso:

silêncio.

Aquele breve silêncio antes do primeiro acorde talvez seja parte da própria música.

Então uma batuta se movimenta e dezenas de pessoas passam a funcionar como se fossem um único organismo.

Naquele momento podíamos explicar ao Formiga algumas coisas, apontar instrumentos e transformar o concerto também em uma pequena aula improvisada.

Mas havia uma lição ainda maior acontecendo diante de nós.

Uma orquestra municipal não produz apenas música.

Ela mantém músicos trabalhando, preserva conhecimento, forma novas plateias e oferece às famílias oportunidades de contato com um patrimônio cultural que atravessou séculos.



Por isso considero a Orquestra Sinfônica de Campinas um dos tesouros da cidade.

E a Concha Acústica do Taquaral representa algo igualmente precioso: um espaço onde cultura erudita pode ser também cultura popular.

Dez anos depois, olhando novamente para aquele pequeno registro de 2016, percebo que muitos daqueles passeios tinham algo em comum.

Pareciam apenas programas divertidos em família.

Mas estávamos fazendo algo muito maior.

Estávamos apresentando o mundo ao Formiga.

Não sabíamos qual música ele escolheria ouvir quando crescesse.

Nosso trabalho era apenas garantir que ele soubesse que a orquestra também existia.

E naquele domingo, entre as brincadeiras no Taquaral e o primeiro movimento da batuta, mais uma pequena porta para esse enorme mundo foi aberta. 🎻

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Um belo programa de domingo...


Levar o pequeno no parque do Taquaral, para correr, brincar e pular, gastando toda a energia acumulada... e depois ao final do dia. Terminar em grande assistindo a orquestra de Campinas.



Recebemos uma bela sessão com uma historia completa onde pude ensinar alguns fundamentos para o pequenino e nos deliciar ouvindo boa musica.

Campinas é uma cidade privilegiada, pois fornece cultura a todos em diversos pontos da cidade.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

SP 348 Rod Bandeirantes de Campinas a Piracicaba

Bellacosa Mainframe em uma aventura na rodovia bandeirantes rumos a Piracicaba

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🚗 O Pretinho Pega a Estrada — Rumo a São Pedro

Juliana no volante, eu de copiloto, o Formiga no banco de trás e alguns dias pela frente para fazer aquilo que uma família deveria fazer de vez em quando: pegar a estrada sem programar cada minuto da viagem.

Há vídeos antigos que, quando revistos muitos anos depois, parecem não mostrar absolutamente nada de extraordinário.

Uma rodovia.

Alguns carros.

O céu.

Placas passando.

O rádio tocando.

O horizonte aparecendo atrás do para-brisa.

E quilômetros e mais quilômetros de asfalto.

Mas isso acontece porque estamos olhando apenas para aquilo que a câmera conseguiu registrar.

A memória enxerga muito mais.

E aquele pequeno vídeo feito em uma viagem pelo interior de São Paulo guarda o começo de mais uma das aventuras do nosso famoso Pretinho, o New Fiesta da Juliana.

🚗💨

O Pretinho estava novamente na estrada.

E, como tantas outras vezes, não estava apenas transportando passageiros.

Estava carregando uma família rumo a mais uma pequena aventura.



🚘 A tripulação estava completa

A bordo tínhamos nossa configuração habitual.

Juliana no volante.

Eu ocupando meu tradicional posto de copiloto, navegador, observador da estrada e operador da câmera.

E no banco traseiro estava ele:

João, o nosso querido Formiga.

Provavelmente olhando tudo, perguntando alguma coisa, inventando alguma brincadeira ou simplesmente aproveitando aquela maravilhosa capacidade que as crianças possuem de transformar uma viagem de carro em parte da aventura.

Nosso destino principal era São Pedro, no interior de São Paulo.

A ideia era passar alguns dias por lá.

Nada de grandes expedições internacionais.

Nenhum aeroporto.

Nenhuma mala desaparecida.

Nenhuma conexão apertada.

Nenhum plano mirabolante.

Era apenas o Pretinho, algumas malas, estrada e alguns dias livres.

Às vezes é exatamente disso que precisamos.


🛣️ O passeio começava muito antes de chegar

Hoje percebo algo que talvez naquela época eu não pensasse conscientemente:

para nós, a estrada já fazia parte da viagem.

Não existia aquela ansiedade de simplesmente chegar ao destino.

Eu gostava de olhar a paisagem.

Observar cidades.

Ler placas.

Descobrir estradas secundárias.

Ver montanhas surgindo no horizonte.

Passar por lugares onde nunca havia estado.

E, naturalmente, registrar alguma coisa com a câmera.

Por isso tantos vídeos antigos do El Jefe Midnight Lunch começam aparentemente sem assunto.

A câmera simplesmente estava ligada.

Filmando a estrada.

Porque aquela estrada também era parte da lembrança.


🗺️ Rumo a São Pedro

Seguíamos pelo interior paulista em direção à região de Piracicaba, Águas de São Pedro e São Pedro.

O Pretinho avançava tranquilamente enquanto a paisagem urbana aos poucos dava espaço ao interior.

Esse é um dos prazeres de viajar de carro por São Paulo.

Você sai de uma região densamente urbanizada e, quilômetros depois, começa a encontrar outra paisagem.

Canaviais.

Fazendas.

Pequenas cidades.

Restaurantes de estrada.

Morros aparecendo ao longe.

Entradas de propriedades rurais.

Placas indicando lugares dos quais talvez você nunca tenha ouvido falar.

E cada placa traz aquela perigosa pergunta para alguém que gosta de explorar:

— O que será que tem ali?

😂

Pronto.

Nasce um desvio.



♨️ Primeira missão: Águas de São Pedro

Havia, naturalmente, alguns planos.

Um deles era visitar Águas de São Pedro.

E havia um motivo particularmente interessante para o Formiga:

parque aquático!

Piscinas.

Água quente.

Diversão.

Brincadeiras.

Aquele tipo de programa no qual uma criança consegue gastar uma quantidade aparentemente infinita de energia enquanto os adultos tentam convencer a si mesmos de que estão apenas relaxando.

😂

O objetivo era aproveitar as piscinas quentes, brincar, descansar e esquecer por alguns dias a rotina.

Mas o parque aquático seria apenas uma parte da viagem.


🧭 A segunda missão era não ter missão

Essa talvez fosse a parte mais interessante do nosso planejamento.

Nós deliberadamente não planejamos tudo.

Tínhamos alguns lugares que queríamos visitar.

Algumas ideias.

Alguns pontos turísticos.

Mas deixamos espaços vazios no roteiro.

E esses espaços eram importantes.

Porque seriam preenchidos pela descoberta.

Uma placa interessante.

Uma estrada diferente.

Uma recomendação recebida durante o almoço.

Uma praça bonita.

Uma cachoeira.

Um mirante.

Uma lojinha.

Uma igreja.

Uma construção antiga.

Uma estrada rural.

Um lugar que simplesmente parecia interessante.

Era o nosso pequeno método de exploração.

Planejar o suficiente para não ficar perdido.

Mas não planejar tanto a ponto de transformar férias em uma agenda corporativa.



🔎 Explorar fazia parte da brincadeira

Nossa intenção era conhecer não apenas São Pedro.

Queríamos zanzar pela região.

Conhecer as cidades próximas.

Procurar pontos turísticos.

Descobrir pequenos tesouros.

Experimentar comidas.

Olhar paisagens.

Parar onde desse vontade.

E principalmente:

divertir-nos juntos.

Talvez encontrássemos alguma coisa extraordinária.

Talvez não.

E estava tudo bem.

Porque existe uma diferença enorme entre turistar e explorar.

Turistar normalmente significa ir até aquilo que alguém já decidiu que merece ser visto.

Explorar significa permitir que alguma coisa que você nem sabia que existia encontre você.


👦 E havia uma criança no banco traseiro

Viajar com uma criança muda completamente a escala das coisas.

Para um adulto, uma pequena ponte pode ser apenas uma ponte.

Para uma criança pode ser uma aventura.

Uma piscina vira um oceano.

Uma estrada vira uma expedição.

Um inseto diferente merece investigação científica imediata.

Uma pedra estranha pode virar um tesouro.

Um sorvete pode entrar para a lista dos acontecimentos mais importantes do dia.

E talvez essa seja uma das grandes vantagens de viajar com crianças:

elas obrigam os adultos a reaprender a olhar.

O Formiga estava crescendo.

E cada passeio acrescentava mais algumas imagens ao gigantesco arquivo de experiências que estava construindo.

Enquanto isso, sem perceber, nós também estávamos construindo o nosso.


📹 A câmera tentava guardar tudo

Por isso eu filmava.

A estrada.

O carro.

As paisagens.

Os lugares.

As pequenas coisas.

Naquele momento parecia simplesmente divertido registrar.

Anos depois esses pequenos vídeos assumem outra função.

Transformam-se em âncoras da memória.

Basta assistir alguns segundos para outras informações começarem a retornar.

Quem estava dirigindo.

Onde estávamos indo.

O que aconteceu depois.

Uma conversa.

Uma brincadeira.

Um restaurante.

Uma chuva.

Uma música.

Até sensações que a câmera jamais poderia registrar.

O vídeo não guarda apenas aquilo que aparece dentro do enquadramento.

Ele abre a porta para aquilo que ficou guardado fora dele.


🚗 O Pretinho era parte dessas histórias

E existe ainda outro personagem recorrente nessas aventuras.

Nosso Pretinho.

O New Fiesta aparece em vários desses registros.

Levou-nos para parques.

Cidades.

Estradas.

Restaurantes.

Passeios.

Finais de semana.

Pequenas explorações pelo interior.

Era simplesmente um carro.

Claro.

Mas objetos que participam repetidamente de momentos importantes acabam adquirindo uma espécie de identidade dentro das nossas lembranças.

O Pretinho virou parte da narrativa.

Quando aparecia carregado e apontado para uma rodovia, alguma coisa estava para acontecer.


🧳 Alguns planos e muito espaço vazio

Nossa filosofia para aqueles dias poderia ser resumida assim:

Destino definido. Roteiro parcialmente definido. Diversão obrigatória.

São Pedro seria nossa base.

Águas de São Pedro estava nos planos.

As cidades da região estavam no radar.

Mas o restante seria decidido conforme os dias acontecessem.

Se encontrássemos algo interessante:

parávamos.

Se víssemos uma estrada convidativa:

investigávamos.

Se alguém indicasse um lugar:

anotávamos.

Se desse vontade de simplesmente passar algumas horas dentro de uma piscina quente sem fazer absolutamente nada:

melhor ainda.

Porque férias também precisam ter espaço para não fazer nada.


♨️ Existe sabedoria em uma piscina quente

Nós temos essa mania estranha de transformar até descanso em produtividade.

Queremos conhecer dez lugares.

Fotografar vinte atrações.

Visitar quatro cidades.

Experimentar cinco restaurantes.

Cumprir uma lista.

E voltar das férias precisando de férias.

😂

Naquela viagem havia exploração.

Mas também havia outra palavra importante:

relaxar.

Entrar numa piscina quente.

Ficar conversando.

Brincar com o Formiga.

Não olhar o relógio.

Deixar o corpo entender que, durante alguns dias, ele não precisava chegar a lugar nenhum.

Talvez esse seja um dos maiores luxos que podemos comprar com alguns dias de folga.

Tempo sem obrigação.


🛣️ E tudo começou naquela estrada

É por isso que hoje esse vídeo aparentemente simples ganhou outro significado para mim.

Não era apenas um registro da rodovia.

Era o prólogo da aventura.

Aquele momento dos filmes em que os personagens ainda estão viajando e nós sabemos que a história está prestes a começar.

Juliana dirigindo.

Eu filmando.

Formiga atrás.

O Pretinho seguindo pelo asfalto.

Alguns planos preparados.

Outros deliberadamente inexistentes.

São Pedro esperando.

Águas de São Pedro no roteiro.

Piscinas quentes no horizonte.

E uma região inteira disponível para ser descoberta.


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Hoje, tantos anos depois, talvez eu não consiga lembrar cada quilômetro daquela estrada.

Também não consigo reconstruir todas as conversas dentro daquele carro.

Mas consigo reconhecer perfeitamente a sensação.

Estávamos indo passear.

E havia algo maravilhoso nessa simplicidade.

Não precisávamos atravessar um oceano.

Não precisávamos encontrar uma atração mundialmente famosa.

Não precisávamos viver uma aventura digna de documentário.

Tínhamos um carro.

Alguns dias.

Uma família.

Uma estrada.

E curiosidade suficiente para descobrir o que havia depois da próxima curva.

O Pretinho seguia em frente.

Juliana no volante.

Formiga no banco traseiro.

Eu de copiloto, naturalmente com a câmera ligada.

E lá íamos nós novamente.

🚗💨

Porque algumas das melhores viagens começam exatamente assim: sabemos onde vamos dormir, temos uma vaga ideia do que faremos amanhã e absolutamente nenhuma certeza sobre o que encontraremos pelo caminho.

E talvez justamente aí esteja a graça.

O destino era São Pedro.

Mas a verdadeira viagem estava em tudo aquilo que ainda não havíamos descoberto.

☕🚗🗺️♨️


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Pegando a estrada

Estamos indo em Direcção a Piracicaba, um belo almoço de peixe a beira do rio Piracicaba nos espera, o céu esta limpo, a estrada vazia, um dia perfeito para curtir em família.

Aproveitando um trecho da estrada que ainda não tinha filmado, la vamos nos, radio ligado, filmadora ligada e vamos embora.



A viagem transcorreu tranquila sem nenhuma surpresa. chegamos em Piracicaba e saboreamos peixe na brasa, para quem não conhece este passeio recomendo faze-lo um dia. Tenho outras publicações sobre este dia.
Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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