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| Bellacosa Mainframe e o grupo Encaminhada na Serra do Japi |
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Um Café no Bellacosa Mainframe🥾 Serra do Japi 1992 — Uma aventura do grupo Encaminhada
Este passeio pela Serra do Japi, em Jundiaí, fazia parte de uma série de pequenas aventuras que vivíamos com o grupo Encaminhada, organizado pelo setor de Benefícios e Lazer da Fundação CESP.
A proposta era simples e maravilhosa.
Periodicamente escolhíamos um roteiro, colocávamos a mochila nas costas e partíamos para explorar.
Não precisava existir resort.
Não precisava existir pacote turístico.
Muito menos aplicativo dizendo para onde virar.
Havia uma trilha, um destino, algumas pessoas dispostas a caminhar e aquela curiosidade fundamental:
— O que será que existe depois daquela curva?
🎒 Quando lazer também precisava caber no orçamento
É importante colocar esta história dentro de seu tempo.
Estamos falando do começo dos anos 1990.
A grana era curta.
Os boletos, esses aparentemente imortais predadores do orçamento doméstico, já imperavam.
Viajar e encontrar formas de lazer exigia criatividade. Por isso, iniciativas como o Encaminhada tinham um valor que talvez hoje não seja imediatamente perceptível.
Caminhar custava pouco.
Mas entregava muito.
Fazíamos atividade física, saíamos da rotina, encontrávamos amigos, respirávamos ar puro e conhecíamos lugares que estavam surpreendentemente próximos de São Paulo.
E talvez a Serra do Japi seja um dos melhores exemplos disso.
Você sai da paisagem urbana e, pouco depois, está diante de outro mundo.
Mata.
Trilhas.
Pássaros.
Insetos.
Árvores.
Pedras.
Água.
Silêncio.
E aquele cheiro característico de floresta que nenhuma fotografia consegue registrar.
🌳 Tão perto de São Paulo e aparentemente tão distante
Era justamente esse contraste que impressionava.
Geograficamente estávamos perto de uma das maiores regiões metropolitanas do planeta.
Mas entrando pelas trilhas da Serra do Japi, a sensação era outra.
Parecia que havíamos atravessado algum portal.
A cidade ficava para trás.
O ruído desaparecia.
Em seu lugar entravam os sons da mata.
Enquanto caminhávamos, observávamos a fauna e a flora, respirávamos aquele ar puro e, principalmente, descomprimíamos.
Talvez não usássemos essa palavra naquela época.
Hoje eu provavelmente diria que estávamos descarregando o buffer.
O trabalho ocupava memória.
As contas ocupavam memória.
As preocupações ocupavam memória.
Então chegava o fim de semana, colocávamos a mochila nas costas e executávamos:
PURGE STRESS
E curiosamente funcionava.
🧭 Emilio, nosso líder de exploração
À frente daquele pequeno grupo de exploradores estava Emilio, o líder do Encaminhada.
Dependendo do roteiro, contávamos também com a ajuda de guias locais, gente que conhecia os caminhos, as características da região e os acessos pela mata.
Isso permitia algo muito importante:
não estávamos simplesmente entrando aleatoriamente no mato.
Havia organização.
Havia orientação.
Havia um roteiro.
Mas continuava existindo espaço suficiente para aquilo que tornava tudo divertido:
a descoberta.
Era esse equilíbrio que transformava uma caminhada numa aventura.
Sabíamos aproximadamente para onde estávamos indo.
O que não sabíamos era tudo aquilo que encontraríamos pelo caminho.
🥾 Mochila nas costas e chapéu de Indiana Jones
E lá íamos nós.
Mochila nas costas.
Tênis ou botas preparados para a caminhada.
Água.
Alguma coisa para comer.
Máquina fotográfica.
E, no meu caso, aquele espírito de explorador que provavelmente nunca desapareceu.
Faltava apenas a trilha sonora de Indiana Jones.
Aliás, dependendo do chapéu, talvez nem isso faltasse.
Só não havia uma enorme pedra rolando atrás da gente.
Ainda bem.
Porque nas trilhas reais a aventura é muito menos cinematográfica.
Há subida.
Descida.
Pedra.
Barro.
Galho.
Cansaço.
Suor.
Às vezes alguém escorrega.
Depois alguém faz uma piada.
Todo mundo ri.
E continuamos andando.
Até alguém perguntar:
— Falta muito?
Pergunta universal de qualquer caminhada desde que o primeiro Homo sapiens resolveu seguir outro Homo sapiens por uma trilha.
💧 E então encontramos a cachoeira
Naquela exploração da Serra do Japi, caminhamos pelas trilhas observando a vegetação e os animais que apareciam pelo caminho.
O destino era uma cachoeira.
Depois de caminhar pela mata, encontrar água daquele jeito tem um efeito curioso.
Você esquece momentaneamente o cansaço.
Chegamos.
Paramos.
Descansamos.
E entramos na água.
Gelada.
Porque cachoeira aparentemente possui um acordo internacional determinando que a temperatura da água deve estar sempre alguns graus abaixo daquilo que o corpo humano considera razoável.
Primeiro você coloca o pé.
Arrepende-se.
Depois entra.
Arrepende-se novamente.
Trinta segundos depois está achando maravilhoso.
Era nosso prêmio pela caminhada.
Não havia pulseirinha de resort.
Não havia piscina aquecida.
Não havia garçom trazendo bebida.
Havia uma cachoeira no meio da Serra do Japi.
E naquele momento não precisávamos de mais nada.
📸 Tire apenas fotografias
Existia também uma máxima que acompanhava nossas caminhadas.
Era uma filosofia simples de respeito à natureza.
Da mata, não retirávamos nada além do nosso próprio lixo.
O que encontrávamos permanecia onde estava.
Pedras continuavam sendo pedras da Serra do Japi.
Flores continuavam ali.
Plantas continuavam ali.
Animais definitivamente continuavam ali.
A única coisa que capturávamos eram fotografias.
E mesmo essas eram diferentes das fotografias de hoje.
Não havia celular produzindo 300 imagens durante uma caminhada.
Fotografia custava dinheiro.
Filme tinha 12, 24 ou 36 poses.
Cada clique precisava valer alguma coisa.
Você olhava.
Escolhia.
Enquadrava.
Click.
E torcia para descobrir, alguns dias depois, que a fotografia havia ficado boa.
Curiosamente, essa limitação talvez tenha tornado aquelas fotografias ainda mais preciosas.
❤️ O restante nós guardávamos na memória
Havia, entretanto, outra coisa que trazíamos da mata.
Essa não ocupava espaço na mochila.
Memórias.
As conversas.
As piadas.
O cansaço.
O banho gelado.
Uma árvore diferente.
Um animal avistado rapidamente entre a vegetação.
Aquela subida que parecia não acabar.
A sensação maravilhosa de finalmente sentar.
O lanche compartilhado.
O caminho de volta.
Pequenos acontecimentos que naquele domingo pareciam absolutamente comuns.
Décadas depois descobrimos que não eram.
E talvez seja justamente por isso que este blog existe.
As fotografias registraram alguns segundos.
Os textos registraram algumas linhas.
Mas quando volto a essas postagens antigas percebo que cada uma delas funciona como um ponteiro.
1992 → Serra do Japi → Encaminhada → Emilio → mochila → cachoeira
E subitamente um arquivo que parecia adormecido começa novamente a carregar.
🗃️ O Encaminhada era uma série antes de sabermos que existiam séries
Este episódio da Serra do Japi não aconteceu isoladamente.
Existem outras aventuras do grupo Encaminhada espalhadas pelo blog.
Outros lugares.
Outras caminhadas.
Outras descobertas.
Quando foram publicados, eram simplesmente registros independentes de passeios.
Hoje consigo enxergar algo diferente.
Eles formam capítulos.
Era quase uma série documental feita sem intenção de produzir uma série documental.
As Aventuras do Grupo Encaminhada.
Emilio organizava.
Os guias mostravam os caminhos.
Nós caminhávamos.
E eu registrava.
Décadas depois, aqueles pequenos registros permitem reconstruir não apenas os lugares visitados, mas também quem éramos naquela época.
💾 Easter egg — talvez o verdadeiro backup fosse esse
Passei a vida profissional pensando em dados.
Backup.
Recovery.
Arquivos.
Retenção.
Histórico.
Integridade.
Mas em 1992 já estávamos fazendo uma espécie de backup sem perceber.
Cada fotografia era um registro.
Cada passeio era um dataset.
Cada história compartilhada era uma cópia distribuída entre várias pessoas.
E cada lembrança guardada era uma redundância.
Algumas cópias se perderam.
Algumas fotografias desapareceram.
Alguns nomes talvez tenham escapado.
Alguns detalhes ficaram fragmentados.
Mas basta encontrar uma velha fotografia ou algumas linhas escritas décadas atrás para executar o comando invisível:
RESTORE MEMORIES
E lá estamos novamente.
Mochila nas costas.
Chapéu de Indiana.
Emilio à frente.
Um guia mostrando a trilha.
A Serra do Japi ao nosso redor.
E um grupo de amigos entrando na mata em busca de uma coisa que provavelmente nenhum de nós saberia definir naquele momento.
Hoje eu sei.
Estávamos colecionando histórias.
E seguindo uma regra que continua perfeita décadas depois:
não deixar nada além de pegadas, não retirar nada além do nosso próprio lixo, capturar apenas fotografias e trazer para casa aquilo que realmente importa — bons momentos guardados na memória.
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Mais uma aventura do grupo Encaminhada, desta vez viemos ate Jundiai, de onde seguimos ate o parque ecológico da Serra do Japi,
Foi uma caminhada de nível médio, com alguns altos e baixos devido a Serra, com boa quantidade de árvores tínhamos sombras e era fresco.
Ao final da caminhada uma deliciosa cachoeira nos esperava, passamos um bom tempo ali antes de retornar, revigorados pelo banho de cachoeira, com uma agua bem fria para relaxar todos os musculos.