✨ Bem-vindo ao meu espaço! ✨
Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens.
Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê.
Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão.
Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
Como se constrói os trilhos do bonde (tram) em Milão?
Sou uma pessoa curiosa e investigativa, andando por Milão fiquei admirado pela quantidade de trilhos espalhados pela cidade, esses carris de ferro são utilizados por diversos tipos de bondes e trams, apreciando esse maravilhoso sistema ferroviário, surgiu uma duvida, como será feito a construção do mesmo?
Será que os trilhos são colocados sobre os dormentes como eram no passado? Operários com pás e picaretas? Não meus amigos, usando o melhor da engenharia moderna, grandes maquinas com guindastes pega os módulos prontos e vai conectando como seu fosse um lego gigante. Incrível e rápido as linhas vão sendo colocadas e aparafusadas ao restante do caminho.
Andando por Milão com um pouco de sorte podemos assistir uma equipe construindo um novo ramal, vemos os trilhos espalhados pela asfalto, sendo retirado de um caminho e colocados no novo ramal. Este pequeno vídeo é uma homenagem aos trabalhadores que constroem os trilhos desta ferrovia urbana, que são invisíveis para nós no dia a dia corrido
.
Trilhos, trans, bondes e sua construção por guindastes e módulos semi-construídos nas ruas de Milão.
Crônica Bellacosa Mainframe — Memórias de um Tempo em que Estrada Era Universo
Antes da internet, antes dos smartphones, antes até de você saber o que era um mainframe, existia o Fusquinha Vermelho 1960, abrindo caminho pelo interior paulista como uma nave estelar rubra rasgando o asfalto quente.
Aquela lataria tremendo, o motorzinho valente, o volante fino, o cheiro de gasolina e banco de curvim — tudo isso fazia parte de um protocolo de aventura que nenhum roteador de 2025 conseguiria replicar.
Motor superaquecendo pelo calor da estrada e o tempo de funcionamento.
E o palco?
A lendária Rodovia Washington Luís —
uma linha reta infinita, cortando o estado como um track contínuo de vida, poeira e descobertas.
🛣️ Quando a Washington Luís Era Universo Expandido
Nos anos 1970, estrada ainda era o desconhecido.
Poucos carros.
Muitos caminhões.
Retões infinitos.
Declives que davam a sensação de montanha-russa.
As famosas banguelas — aquele momento mágico em que o Fusquinha engatava ponto morto e se tornava uma embarcação livre no vento.
Ali, eu descobri que estrada não é caminho: é portal.
Cada viagem era um salto quântico:
Ibitinga para comprar bordados,
Urupês e Catanduva para ver família,
São José do Rio Preto para primos e mais parentes espanhois
outras cidades para reportagens fotográficas do meu pai,
e aquela imensidão do interior, salpicada de cafezais, canaviais e laranjais ondulando como mar verde.
🌾 Paradas Estratégicas: Os Rituais da Estrada
A cada trecho, havia um ritual:
**🟢 Necessidades fisiológicas?
A natureza sempre foi a primeira área de descanso.**
O Fusquinha parava na beira do cafezal, eu corria atrás de um arbusto qualquer, e pronto. Era o “banheiro do Brasil”.
🟠 Pequeniques improvisados em postos de estrada
Sanduíche de pão com mortadela,
Tortas e bolos preparado pela minha mãezinha
Guaraná quente,
Formigas fazendo auditoria na toalha xadrez,
Laranjas doces e madurinhas apanhadas pelo caminho
E aquele vento quente bagunçando cabelo, roupa e alma.
Era simples.
Era feliz.
🎠 Os Parquinhos do Interior — O Primeiro Parque Temático da Sua Vida
Os postos de serviço da época tinham parquinhos infantis que beiravam a engenharia experimental.
Escadas metálicas, balanços altos, brinquedos de giro capazes de lançar qualquer criança para outra linha do tempo.
E o mais lendário de todos: o robô gigante.
Me lembro dele, agora mesmo o pavor, a estrutura imponente como se fosse um mecha de anime, um Gundam feito de sucata.
Hoje, adulto, reconheço não era tão grande e assustador:
— Devia ter uns 5 metros.
Mas para o pequeno Bellacosa?
— Tinha 30 metros e olhava direto para sua alma.
Foi ali que vivi o grande encontro com o medo, o limite para o pequeno malabarista de muros.
Meu pai, paciente como um processador IBM de 2MHz, me colocou no colo e começou a subir a geringonça metálica.
Chegando lá em cima — no topo do mundo — o braço do robô era um escorregador gigantesco.
Olhei pra baixo.
As pernas tremem.
O coração trava.
A coragem falha no checkpoint.
E o berreiro começa.
Meu pai — herói, sysadmin e suporte emocional Level 99 — te leva de volta pelo caminho seguro, contrariado e durante muitos anos fui lembrado via bulling deste robo.
E assim, naquele dia, entendi duas coisas:
Coragem não nasce pronta.
Às vezes o herói é o pai que te desce devagar de um robô gigante, mesmo te zoando para o resto da vida pelo fato.
🏰 O Posto Castelo — Seu Primeiro Reino Imaginário
Outro marco da estrada era o mítico Posto Castelo.
Não era só um posto.
Era meu primeiro castelo de RPG.
Uma fortaleza de concreto na beira da rodovia, que para mim era:
base militar,
reino medieval,
sala do trono,
fortaleza de cavaleiros,
portal para o outro mundo.
e palco de aventuras épicas.
O interior paulista, com seus castelos postos-de-gasolina, robôs de escada metálica e cafezais infinitos, foi o meu primeiro multiverso — antes de Tolkien, antes de Star Wars, antes de Shonen Jump.
🚗💖 Epílogo Bellacosa
Tudo isso aconteceu no velho Fusquinha Vermelho.
Ele era mais que carro:
Era nave espacial.
Era mula de carga.
Era dragão metálico.
Era cápsula de boas memórias.
E naquela Washington Luís dos anos 1970, onde cada reta parecia uma eternidade e cada descida era uma montanha-russa, aprendi o que é aventura, o que é movimento, o que é viver.
E hoje, ao lembrar dessas viagens, percebo:
A estrada não te levou apenas ao interior.
A estrada te levou para dentro de você mesmo.
🧘♂️🖥️ SHIKATA GA NAI – quando não há workaround, só aceitação 🧘♂️🖥️
ao melhor estilo Bellacosa Mainframe, para o El Jefe Midnight Lunch
Tem dias que você olha para o console, vê o job em ABEND, o SLA estourado, o gerente ligando, o café frio… e percebe: não adianta espernear. É aí que o japonês respira fundo, olha para o céu, dá um meio sorriso resignado e solta:
「仕方がない – Shikata ga nai」 👉 “Não há o que fazer.”
Mas atenção: isso não é desistência. É filosofia pura.
🧠 O que significa Shikata ga nai?
Literalmente, shikata é “modo de fazer” e ga nai é “não existe”. Ou seja:
não existe um modo de resolver isso agora.
No Ocidente, isso soa como conformismo. No Japão, é lucidez. É reconhecer os limites do controle humano e agir com dignidade diante do inevitável.
Em linguagem mainframe:
não tem fix, não tem patch, não tem IPL salvador — aceita, documenta e segue o processamento.
🕰️ Origem histórica – o Japão moldado pelo inevitável
Esse conceito nasce da convivência japonesa com:
terremotos 🌋
tsunamis 🌊
tufões 🌀
fome, guerras e incêndios
Quando o imprevisível é regra, você aprende rápido que reagir com calma é sobrevivência. O shikata ga nai virou uma ferramenta emocional coletiva.
Durante a Segunda Guerra Mundial, após Hiroshima e Nagasaki, essa expressão virou quase um mantra nacional. Não para apagar a dor — mas para seguir vivendo apesar dela.
🎭 Filosofia na prática
Shikata ga nai aparece quando:
você perde algo que não pode recuperar
uma decisão superior é irreversível
o passado não pode ser reescrito
Mas atenção ao easter egg filosófico: 👉 Aceitar o que não pode mudar libera energia para mudar o que pode.
☕ Bellacosa comenta…
Já vi muito profissional quebrar emocionalmente tentando lutar contra o imutável. O japonês olha, aceita e preserva a honra. Não é apatia — é economia de alma.
No mainframe, isso é clássico:
dataset corrompido sem backup
janela perdida
falha elétrica histórica
Você registra o incidente, aprende… e segue em frente.
🎎 Curiosidades & fofoquices
É comum ouvir “shikata ga nai” em animes em momentos de perda silenciosa
Personagens como samurais, monges ou veteranos sempre usam essa frase
Em famílias japonesas antigas, era ensinada às crianças como ferramenta emocional
Anime watch 👀:
Rurouni Kenshin
Grave of the Fireflies
Samurai Champloo
March Comes in Like a Lion
🧩 Como entender de verdade (e não confundir)
❌ Não é: “deixa pra lá” ❌ Não é: desistir ❌ Não é: preguiça emocional
✅ É:
aceitar limites
manter compostura
agir sem drama
seguir adiante com dignidade
🛠️ Como praticar Shikata ga nai
Pergunte: isso está sob meu controle?
Se não estiver, pare de gastar energia
Redirecione foco para o próximo passo possível
Preserve relações, honra e saúde mental
🗾 Importância para o Japão
Esse conceito sustenta:
resiliência social
disciplina emocional
comportamento coletivo em crises
ética do trabalho silencioso
Sem shikata ga nai, o Japão não teria se reconstruído tantas vezes.
🧠 Fechamento Bellacosa Mainframe
No fim das contas, shikata ga nai é aceitar que nem todo problema tem solução imediata, mas todo ser humano pode escolher como reage.
📌 Parece LINK, mas o comportamento é radicalmente diferente.
🥊 XCTL vs LINK (clássico eterno)
Critério
XCTL
LINK
Retorno
Não
Sim
Stack
Não empilha
Empilha
Uso
Troca de fluxo
Sub-rotina
Risco
Fluxo perdido
Stack overflow
📌 Se precisa voltar, nunca use XCTL.
🧠 Quando usar XCTL (casos corretos)
✔ Navegação de telas (pseudo-conversacional)
✔ Separação clara de etapas
✔ Fluxo linear (estado → próximo estado)
✔ Evitar profundidade excessiva de LINK
📌 XCTL é ótimo para “passar o bastão”.
⚠️ Quando NÃO usar XCTL (easter eggs)
🐣 Para chamar regra de negócio
🐣 Quando precisa retornar status
🐣 Em loops lógicos
🐣 Em fluxo condicional mal definido
📌 XCTL errado vira bug invisível.
🛠️ Passo a passo mental antes do XCTL
1️⃣ Preciso voltar para este programa?
→ Se sim, não é XCTL
2️⃣ O estado está completo na COMMAREA ou CHANNEL?
3️⃣ O próximo programa sabe exatamente o que fazer?
4️⃣ Existe risco de fluxo perdido?
5️⃣ Estou tentando “simplificar” algo que é LINK?
Se tiver dúvida, pare.
📦 XCTL com COMMAREA vs CHANNEL
COMMAREA
Simples
Limitada a ~32 KB
Forte acoplamento
CHANNEL
Flexível
Ideal para navegação moderna
Menos impacto em mudanças
📌 XCTL + CHANNEL é o padrão moderno.
🧪 Exemplo mental de fluxo
Fluxo pseudo-conversacional clássico
1️⃣ Programa A recebe tela
2️⃣ Valida dados
3️⃣ XCTL para Programa B
Programa A não existe mais.
Programa B continua como se fosse o primeiro.
🍺 XCTL evita stack overflow que LINK pode causar
🍺 Muitos sistemas antigos abusam de XCTL como “goto”
🍺 Navegação de telas em CICS nasceu com XCTL
🍺 Um XCTL mal colocado pode “sumir” com lógica inteira
💬 Comentário El Jefe Midnight Lunch
“LINK é conversa.
XCTL é despedida.
Se você confunde os dois, o CICS te ensina.”
Meu filho adorava assistir o desenho do Barbapappa, após minha mudança para Milão, um dia caminhando pela rua, vi uma loja de brinquedos e qual a minha surpresa ao me deparar com este boneco do Barbapappa.
Sem comentar nada, compro e fico aguardando uma oportunidade para retornar a Portugal. Quando consigo a folga necessária, parte eu e meu amigo cor de rosa.
Meio excêntrico da minha parte, fiz todo o documentário da viagem do Barbapappa, primeiro metro ate a estação de trem, depois pegamos o trem em Milano Centrale com destino ao aeroporto internacional de Malpensa. Sempre como o Barba comportado sentado, tirando fotos, usando o computador e olhando a paisagem.
No avião comportado, o Barba colocou o cinto e ficou aguardando instruções, sempre olhando apreensivo pela janela. Fomos batendo aquele papo, algo que divertiu muito a comissária de bordo que até trouxe um drink para ele.
Ao chegarmos em Portugal o reencontro com o meu filho, foi a maior alegria, fizemos uma super festa e o novo amigo enfim chegou a casa nova.
O que são os Barbapappas?
Se você cresceu entre os anos 1970 e 1980, como eu, existe uma grande chance de os Barbapapas estarem guardados em algum canto macio da sua memória RAM emocional. Eles não eram apenas um desenho animado — eram quase um sistema operacional infantil, rodando em background na nossa formação.
Os Barbapapas surgiram na França, criados por Annette Tison e Talus Taylor, e tinham uma premissa absurdamente simples e genial: formas vivas que se transformavam em qualquer coisa. Barbapapá, Barbamamá e aquela penca de filhotes coloridos eram literalmente blobs conscientes. Hoje eu olho para eles e penso: isso era programação orientada a objetos para crianças, muito antes da gente falar de polimorfismo no mundo adulto.
Cada Barbapapa tinha uma cor, uma personalidade e uma função bem definida. Barbazul era o inventor, Barbalala a artista, Barbacuca o intelectual, Barbabella a vaidosa… parecia até um time bem montado de um data center emocional. Nada de competição tóxica: cada um contribuía com o que sabia fazer melhor. Uma lição de arquitetura social disfarçada de desenho.
E o mais curioso: eles não resolviam problemas com violência. Transformavam-se em pontes, casas, barcos, instrumentos musicais. O conflito era tratado com criatividade, não com pancadaria. Isso, nos anos 70 e 80, era quase revolucionário.
Os Barbapapas também tinham uma forte mensagem ecológica. Amavam a natureza, respeitavam o planeta e viviam em harmonia com o ambiente. Era ESG antes do termo existir, rodando em modo batch na nossa infância.
Hoje, olhando com olhos de mainframeiro calejado, vejo os Barbapapas como um manifesto silencioso: adaptabilidade é sobrevivência. Quem não se transforma, quebra. E eles se transformavam o tempo todo — sem perder a essência.
No fundo, os Barbapapas nos ensinaram que flexibilidade, cooperação e imaginação são recursos tão valiosos quanto qualquer CPU poderosa. E isso, convenhamos, é uma baita lição para qualquer geração.
🌆 El Jefe Midnight Lunch – Bellacosa Mainframe Log nº 005
“Meu Pai, o Super-Herói do Formigueiro”
Hoje eu escrevo não para debochar, não para cutucar feridas familiares, não para repassar as falhas que tantas vezes narrei com ironia ou mágoa.
Hoje é mea culpa.
Confissão.
Revisão de código emocional.
Porque, sim — eu já listei defeitos do meu pai como quem roda IEBGENER despejando linha por linha sem filtro, sem compressão. Já contei episódios que machucaram, já mostrei versões dele cheias de abend S0C7, falhas lógicas, corrupção de memória emocional. Mas existe uma verdade que preciso gravar neste blog como se fosse LOAD TO PDS PERMANENTE:
meu pai também foi herói.
De verdade. Daqueles que sangram e salvam.
Não sei se veio dos tempos de escoteiro.
Não sei se foi o treinamento duro na Polícia do Exército.
Só sei que havia nele algo raro: conhecimento de primeiros socorros + uma coragem temerária, daquelas que fazem alguém correr em direção ao acidente enquanto os demais recuam ou entram em desespero. Se fosse em nossos dias estariam filmando e fazendo selfies.
E o trânsito brasileiro — você sabe — não perdoa nem no século XXI.
Imprudência alcoólica, velocidade inconsequente, ultrapassagem suicida, farol ignorado…
Um campo de batalha diário.
E lá estava Wilson, sempre em circulação: ônibus, caminhão, táxi, quilômetros de asfalto sob pneus e destino.
E quando havia acidente… ele não desviava.
Ele parava.
Sinalizava a via.
Corria.
Prestava socorro.
Voltava para casa com sangue seco na camisa e histórias que ele contava nas festas como quem narra guerra vencida com as próprias mãos.
E eu vi.
Com estes olhos que agora digitam.
Padaria da Vila Rio Branco, rua Utrecht.
Um Fusca verde atropela uma criança — pequena demais para o impacto da vida.
Antes da multidão, antes do caos, antes da gritaria, meu pai voou.
Literalmente.
Levantou o carro — sim, levantou — com ajuda de outros, mas ele na linha de frente, joelho cravado no asfalto, rosto vermelho de esforço.
Resgatou a criança do assoalho quente, aplicou primeiros socorros, conteve o sangramento até que outra alma caridosa a levou para o Hospital da Penha.
Eu, pequeno, petrificado.
Vendo meu pai com o carro erguido no ar.
Como se fosse Hulk em versão SP suburbana.
Como se nada no mundo fosse mais importante do que aquele menino preso entre o metal e o medo.
Outras vidas ele salvou.
Outras ele somente acompanhou no último suspiro — mas não deixou as pessoas morrerem sozinhas.
Essa parte ninguém conta, ninguém ergue estátua, ninguém registra na Wikipédia.
Mas eu registro aqui.
Porque às vezes esquecemos que heróis reais não usam capa.
Usam chave de fenda no bolso, mãos calejadas, coragem imprudente.
Erram muito.
Acertam onde importa.
Meu pai — com todas as falhas, com todos os logs sujos, com todo o dump de mágoas — foi super-herói de formiguinha.
Daqueles anônimos que sustentam o mundo nas costas sem plateia.
E hoje, finalmente, eu reconheço.
Bellacosa — desligando, coração em RC=0000, consciência mais leve no spool.
Ps: Muitos anos depois, inspirado nesses eventos do meu pai, em diversos locais que trabalhei, sempre me escrevia como voluntario na Brigada de Incêndio e ao longo dos anos fiz alguns cursos de primeiros socorros, para poder ajudar, mas isso acaba sendo uma história para outro dia.
Quando a paixão pelos trens vira filosofia de vida — ao estilo Bellacosa Mainframe, direto para o El Jefe Midnight
TODOS A BORDO!!!!!
Senhoras e senhores passageiros, apertem os cintos do assento 42B do expresso da meia-noite, porque hoje o El Jefe Midnight vai entrar nos trilhos de um dos grupos mais fascinantes — e pouco compreendidos — da cultura japonesa contemporânea.
Prepare-se para mergulhar na mente, no coração e no vagão desse fenômeno cultural: o Tetsudō Otaku (鉄オタ).
Se você achava que sua paixão por locomotivas, trilhos e vapor era coisa rara… meu amigo, você não está sozinho. No Japão, isso tem nome, sotaque, comunidades organizadas e até subcategorias que fariam um sysprog do MVS gaguejar.
Senta que lá vem história, nostalgia, ferrovia e um toque de Bellacosa Mainframe.
🚄 1. Origem: onde nasce um Tetsudō Otaku
No Japão, trens não são apenas meio de transporte.
Eles são personagens, instituições, organismos vivos, praticamente mainframes sobre trilhos — confiáveis, precisos e quase indestrutíveis.
O termo Tetsudō Otaku (鉄道オタク) junta duas palavras:
Tetsudō = ferrovia
Otaku = entusiasta fanático
A cultura começou a ganhar força nos anos 1970 e 1980, quando o Japão entrou no auge do romantismo ferroviário: Shinkansen, linhas regionais, ferrovias privadas futuristas e aquela estética impecável que só os japoneses conseguem colocar até em bilhetes de trem.
Mas a fagulha verdadeira surgiu antes:
📍 Era Showa (anos 1950–60):
Os últimos suspiros das locomotivas a vapor no Japão acenderam o coração de jovens que correriam pelas plataformas para registrar fotos, números de série e horários.
O vapor acabava, mas ali nascia uma geração de Tetsudō Otaku.
📸 2. Tipos de Tetsudō Otaku (sim, há subcategorias — muitas!)
E aqui começa o universo paralelo.
Assim como no mainframe existe JCL guy, CICS dude, Storage wizard, RACF lord…
No mundo ferroviário japonês também há especializações.
📷 Densha Otaku (電車オタク)
Focados nos trens urbanos, metrôs e composições do dia a dia.
🚉 Ekisha Otaku (駅舎オタク)
Obcecados por estações de trem — arquitetura, história, detalhes, placas, carimbos.
🛤️ Haisen Otaku (廃線オタク)
Exploradores de linhas abandonadas.
A vibe é pura arqueologia ferroviária.
🔢 Toritetsu (撮り鉄)
Os fotógrafos profissionais da coisa.
Carregam câmeras como se fossem equipamentos de operação do z/OS.
✍️ Nori-Tetsu (乗り鉄)
Amam andar nos trens.
Conhecem cada percurso, cada curva, cada túnel.
🗾 Tabi-Tetsu (旅鉄)
A galera que transforma viagens ferroviárias em aventuras espirituais.
📚 Sharyō-Tetsu (車両鉄)
Especialistas em modelos, engenharia, motores, design, séries e gerações de carros ferroviários.
E claro, há os mixados, híbridos, multipass.
Porque ninguém é obrigado a amar apenas uma bitola.
🧭 3. Por que essa paixão existe?
Motivos profundos:
📌 1. Cultura japonesa de precisão e rotina
Trens japoneses são templos de confiabilidade.
Para um país que reverencia pontualidade, ordem e estética funcional, é natural surgir devoção.
📌 2. História ferroviária rica
No Japão, as ferrovias conectaram o país, modernizaram cidades e viraram símbolo de progresso — como o mainframe nos bancos e governos.
Do Shinkansen ao trem-maglev, trens no Japão são obras-primas tecnológicas.
🪄 4. Curiosidades que parecem mentira (mas não são)
🔸 Os Tetsudō Otaku mantêm registros mais completos que o governo
Muitos possuem planilhas que fariam um DBA reverenciar:
número de série, ano de fabricação, motor, rota, revisão e até sons característicos de cada trem.
🔸 Existem cafés e hostels temáticos para Tetsudō Otaku
Com maquetes, trechos de trilhos, cabines simuladas e até camas dentro de vagões desativados.
🔸 Alguns trens regionais fabricam carimbos exclusivos
Sim, carimbos — e é mania nacional colecioná-los.
🔸 Jogos, animes e mangás baseados em trens
De “Rail Wars!” a simuladores hiperrealistas de condução.
🔸 Há fotógrafos tão dedicados que acampam em montanhas
Só para pegar o ângulo perfeito com cerejeiras ao fundo.
🏯 5. Comunidades e Grupos Tetsudō Otaku
📍 Railfan Clubs
Clássicos clubes escolares e universitários que existem há décadas.
📍 Museus ferroviários
Que viram ponto de encontro, como o mega famoso Railway Museum de Saitama.
📍 Grupos online
Redes sociais japonesas, fóruns, YouTube e sites de “train-spotting”.
📍 Eventos de fotografia e encontros anuais
Onde fãs trocam equipamentos, dicas e histórias.
🥚 O Shinkansen nunca teve um acidente fatal desde 1964.
Uma espécie de “uptime” ferroviário recorde de 60 anos.
🥚 O canto dos trens nas estações (“hassha melody”) é projetado para reduzir a ansiedade dos passageiros.
🥚 Existem línguas de trilho, como notas musicais, produzidas por degraus, freios e motores — e os Tetsudō Otaku identificam cada uma.
🥚 O Japão tem mais de 9000 estações, algumas tão pequenas que só passam 5 pessoas por dia.
🥚 Há uma estação (Seiryu Miharashi) que não leva a lugar nenhum: existe apenas para apreciar a paisagem.
💬 7. Comentário Bellacosa Mainframe
Os Tetsudō Otaku são a prova viva de que paixões sinceras atravessam gerações e tecnologias.
Num mundo de IA, metaverso, nuvem e mainframes de 16 TB de memória, ainda existe um grupo de pessoas que encontra felicidade em:
ouvir o som do apito,
observar um trem cruzando um vale,
sentir o chão vibrar,
registrar números de série,
fotografar o instante perfeito.
A verdade é simples: trens são poesia em movimento.
E poesia, como mainframe, nunca sai de moda.
Se você, como eu, cresceu apaixonado por locomotivas — vapor, diesel ou elétricas — saiba que no Japão essa paixão tem nome, cultura, história e sociedade própria.
O Tetsudō Otaku é mais que um hobby:
é uma janela para o passado, para a engenharia e para o coração das cidades.
E talvez, só talvez, seja também um lembrete de que seguimos viajando pelos trilhos da vida —
alguns de trem expresso, outros no vagão caipira —
mas todos levando histórias que merecem ser contadas.
Próxima parada: nostalgia.
Desembarque com cuidado.