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Este blog é o diário de um otaku apaixonado por animes, tecnologia de mainframe e viagens.
Cada entrada é uma mistura única: relatos de viagem com fotos, filmes, links, artigos e desenhos, sempre buscando enriquecer a experiência de quem lê.
Sou quase um turista profissional: adoro dormir em uma cama diferente, acordar em um lugar novo e registrar tudo com minha câmera sempre à mão.
Entre uma viagem e outra, compartilho também reflexões sobre cultura otaku/animes
Em COBOL, um número computational é um tipo de dado numérico armazenado em formato interno otimizado para processamento, em vez de formato textual. Ele é definido usando cláusulas como COMP, COMP-1, COMP-2, COMP-3, COMP-4 e COMP-5. Esses formatos permitem cálculos mais rápidos e eficientes, utilizando representação binária, decimal empacotada ou ponto flutuante. Números computacionais são amplamente usados em sistemas de mainframe para contadores, cálculos financeiros e operações matemáticas intensivas. A escolha do tipo correto garante melhor desempenho, precisão e compatibilidade com o hardware IBM z/OS.
1. COMPUTATIONAL-1 (COMP-1)
Uso principal: Representar números reais de ponto flutuante de precisão simples (single precision).
Formato interno:
Armazena números em 32 bits (4 bytes).
Compatível com operações matemáticas em ponto flutuante, permitindo frações.
Quando usar:
Para cálculos que envolvem valores decimais aproximados, como medições científicas, estatísticas ou cálculos financeiros que toleram pequenas imprecisões.
Exemplo de declaração:
01 SALDO PIC S9(7)V99 COMP-1.
Aqui V indica a posição decimal virtual; COMP-1 diz que será armazenado como 32-bit float.
2. COMPUTATIONAL-2 (COMP-2)
Uso principal: Representar números reais de ponto flutuante de precisão dupla (double precision).
Formato interno:
Armazena números em 64 bits (8 bytes).
Permite maior precisão e alcance do que COMP-1.
Quando usar:
Para cálculos que requerem alta precisão, como cálculos científicos complexos, engenharia ou finanças com grandes valores e frações pequenas.
Exemplo de declaração:
01 TAXA-INTERESSE PIC S9(9)V999 COMP-2.
💡 Dica Mainframe:
Evite usar COMP-1/COMP-2 para somas monetárias exatas, porque erros de arredondamento podem ocorrer. Para dinheiro, prefira PACKED-DECIMAL (COMP-3).
COMP-1 e COMP-2 são ideais para científico ou grande alcance numérico.
🔹 COMPUTATIONAL-3 (COMP-3)
O queridinho do mundo bancário
📌 O que é
Decimal empacotado (Packed Decimal)
Cada dígito ocupa 4 bits
Último nibble guarda o sinal (C/D/F)
📦 Armazenamento
2 dígitos por byte
Muito compacto e exato
🧠 Para que serve
Valores monetários
Cálculos que NÃO podem ter erro de arredondamento
💰 Onde é usado
Bancos 🏦
Folha de pagamento
Sistemas financeiros
Contabilidade
🧪 Exemplo
01 SALDO-CONTA PIC S9(9)V99 COMP-3.
🕵️ Fofoquice mainframe
Se você fizer cálculo de dinheiro sem COMP-3, algum sysprog vai te xingar mentalmente.
🔹 COMPUTATIONAL-4 (COMP-4)
O binário antigo / compatível
📌 O que é
Número inteiro binário
Representação dependente do compilador
Hoje é tratado como sinônimo de COMP em muitos ambientes
📦 Armazenamento típico
2 bytes → até 4 dígitos
4 bytes → até 9 dígitos
8 bytes → até 18 dígitos
🧠 Para que serve
Contadores
Índices
Quantidades
Performance melhor que COMP-3
🧪 Exemplo
01 TOTAL-REGISTROS PIC S9(9) COMP-4.
🕵️ Fofoquice mainframe
COMP-4 é aquele tio antigo: funciona, mas ninguém recomenda para sistemas novos.
🔹 COMPUTATIONAL-5 (COMP-5)
O binário moderno e rápido
📌 O que é
Binário puro de hardware
Totalmente compatível com o processador IBM Z
Não depende de PIC decimal
🚀 Performance
Mais rápido que COMP e COMP-4
Ideal para loops intensivos
🧠 Para que serve
Contadores grandes
Cálculos inteiros pesados
Alto desempenho
🧪 Exemplo
01 LOOP-COUNTER PIC S9(9) COMP-5.
⚠️ Atenção
Nunca use para dinheiro
Pode gerar resultados inesperados se misturado com decimais
🕵️ Easter-egg
Se você quer performance máxima, COMP-5 é o “turbo mode” do COBOL.
🧾 Comparação rápida (estilo prova)
Tipo
Formato
Exatidão
Performance
Uso típico
COMP-3
Decimal empacotado
✅ Exata
Média
Dinheiro
COMP-4
Binário
❌ Inteiro
Boa
Contadores
COMP-5
Binário nativo
❌ Inteiro
🚀 Alta
Loops, índices
🧠 Regra de ouro Bellacosa
💰 Dinheiro → COMP-3
🔢 Contador simples → COMP-4
⚡ Performance → COMP-5
❌ Nunca misture sem conversão
☠️ Erros clássicos (que dão ABEND ou bug fantasma)
Usar COMP-5 para valores monetários
Somar COMP-3 com COMP-5 sem MOVE intermediário
Definir PIC errado para binário
Converter automático e confiar “na sorte”
Mini-diagrama COBOL – Tipos Computacionais
Tipo
Armazenamento
Tamanho típico
Precisão / Uso principal
Observações importantes
COMP-1
Ponto flutuante
32 bits (4 bytes)
Números reais de precisão simples (float)
Aproximado; cuidado com cálculos monetários
COMP-2
Ponto flutuante
64 bits (8 bytes)
Números reais de precisão dupla (double float)
Para cálculos científicos ou alta precisão
COMP-3
Decimal empacotado
1.5 bytes por 3 dígitos
Inteiros ou decimais exatos; usado para dinheiro
Evita erros de arredondamento; mais lento que binário
COMP-4
Binário nativo
2, 4 ou 8 bytes
Inteiros; compatível com operações de hardware nativo
Dependente do compilador; às vezes usado em sistemas antigos
Bellacosa Mainframe explorando as rainhas demonios do anime maous
🔥 Top 10 Maous — Rainhas Demônio que Governam o Caos com Estilo
As Rainhas Demônio conquistaram um espaço cada vez maior nos animes de fantasia e isekai. Diferentemente das representações clássicas, em que o Rei Demônio era quase sempre um vilão masculino, as obras modernas passaram a apresentar soberanas poderosas, inteligentes e carismáticas, capazes de liderar exércitos, governar impérios e influenciar o destino de mundos inteiros. Algumas são antagonistas temíveis; outras tornam-se aliadas ou até protagonistas, mostrando que força e liderança podem coexistir com compaixão, humor ou diplomacia.
Entre as mais conhecidas estão Vermil (Vermeil in Gold), Echidna (Queen's Blade), Lufasu Maphaahl (A Wild Last Boss Appeared!), além de personagens que governam nações demoníacas em diversas light novels e adaptações para anime. Muitas dessas rainhas rompem o estereótipo do "mal absoluto", sendo retratadas como estrategistas, administradoras ou protetoras de seus povos.
Entretanto, a figura feminina mais lendária associada ao conceito de soberana demoníaca é, para muitos fãs, Albedo, de Overlord. Embora seu título oficial seja o de Supervisora dos Guardiões da Grande Tumba de Nazarick, ela é frequentemente vista como a verdadeira Rainha Demônio da obra. Sua beleza, inteligência, lealdade inabalável a Ainz Ooal Gown e capacidade de comandar os exércitos de Nazarick fizeram dela um dos maiores ícones da fantasia japonesa contemporânea.
Albedo combina elegância aristocrática, poder devastador e habilidade política, tornando-se uma referência para inúmeras personagens femininas que surgiram depois e consolidando seu lugar entre as figuras mais memoráveis dos animes de fantasia.
💄 1. Maou (Yuusha ni Narenakatta Ore wa Shibushibu...)
A Rainha Demônio desempregada.
Sim, ela perdeu o trono — e foi trabalhar numa loja de eletrodomésticos no Japão moderno.
Ironia? Não. Genialidade narrativa.
💡 Curiosidade: O autor quis mostrar “como seria o inferno em tempos de recessão econômica”.
💋 Bellacosa Insight: Ser Maou é fácil. Pagar boletos depois da guerra santa é que é hard mode.
⚔️ 2. Jahy-sama (Jahy-sama wa Kujikenai!)
Pequena no corpo, gigantesca no ego.
Jahy perdeu seus poderes, caiu no mundo humano e aprendeu a lidar com... o aluguel.
Entre faxinas e planos de reconquista, ela ensina que o orgulho também pode ser fofo.
💡 Fofoquice: O design chibi de Jahy foi inspirado na vocalista da banda japonesa Scandal.
💋 Conclusão: A verdadeira realeza sabe reinar mesmo quando está lavando pratos.
🐍 3. Albedo (Overlord)
A beleza que é pura simetria infernal.
Protetora, obcecada, devota — e completamente apaixonada por Ainz Ooal Gown.
💡 Curiosidade: A palavra “Albedo” vem da alquimia e significa “purificação pela luz”.
💋 Bellacosa Insight: Ela é a síntese da dualidade: o anjo que sorri enquanto destrói.
👑 4. Lucoa (Miss Kobayashi’s Dragon Maid)
Deusa azteca, dragão milenar, espírito livre.
Lucoa é a Rainha Demônio disfarçada de amiga que chega pra festa com uma garrafa e um olhar que já leu sua alma.
💡 Fofoquice: Inspirada em Quetzalcoatl, a serpente emplumada.
💋 Conclusão: Ela não governa com medo — governa com afeto. E todo império é vulnerável ao afeto.
🌑 5. Beelzebub (Beelzebub-jou no Okinimesu mama)
Rainha do Inferno, amante de roupas fofas e doces.
Uma Maou que prefere chá a tortura e fofura a caos.
💡 Curiosidade: Ela é baseada no demônio bíblico “Senhor das Moscas”, reinventado em versão kawaii.
💋 Bellacosa Insight: Até o inferno precisa de uma curadoria estética.
🔮 6. Shalltear Bloodfallen (Overlord)
A vampira aristocrática que mistura erotismo e estratégia.
Sádica, leal e com um senso de humor que faria Freud pedir férias.
💡 Fofoquice: O criador de Shalltear disse que ela foi “programada para ser a mais bela das aberrações”.
💋 Conclusão: Às vezes, o horror é só a outra face da elegância.
🦋 7. Morrigan Aensland (Darkstalkers)
A Maou do glamour digital.
Súcubo, rainha e ícone da Capcom — Morrigan foi responsável por milhões de crushes gamer nos anos 90.
💡 Curiosidade: Seu design foi baseado nas pinturas de Alphonse Mucha e na estética Art Nouveau.
💋 Bellacosa Insight: Ela não seduz pra dominar. Domina porque seduz.
🕯️ 8. Hela (Marvel x Anime Universe)
Sim, até os deuses nórdicos foram adotados pela cultura japonesa.
Nas versões animadas, Hela mistura o trágico com o divino, transformando a destruição em arte performática.
💡 Curiosidade: O termo “Hela” vem do nórdico antigo “Hel”, que significava “ocultar” — a deusa dos segredos.
💋 Conclusão: A morte tem marketing quando é dirigida por uma Maou.
🐉 9. Milim Nava (That Time I Got Reincarnated as a Slime)
A Maou infantil, caótica e superpoderosa.
Milim é o glitch da lógica — uma criança com poder para destruir civilizações e sorriso de mascote.
💡 Fofoquice: Ela é baseada no arquétipo da “menina-dragão” dos contos japoneses.
💋 Bellacosa Insight: Às vezes, a inocência é a máscara mais perigosa do inferno.
🪞 10. Echidna (Re:Zero)
A Bruxa da Ganância — e a mais intelectual de todas.
Ela oferece conhecimento, mas cobra com emoções.
E o preço de saber demais é nunca sentir o suficiente.
💡 Curiosidade: O nome vem da criatura mitológica grega, mãe de monstros.
💋 Conclusão: O inferno começa quando a curiosidade deixa de ser inocente.
🌹 Epílogo Bellacosa: Quando o Inferno Tem Charme
As Maous femininas não governam com fogo — governam com presença.
Elas não gritam, não imploram, não caçam.
Elas esperam, e o mundo se dobra em silêncio.
No Japão, a figura da Maou feminina é o espelho distorcido da Amaterasu — a deusa do sol.
Enquanto a luz cria vida, a sombra dá forma.
E, no fim, é o equilíbrio entre ambas que sustenta o universo.
Assim como na madrugada, quando a luz azul do monitor encontra a escuridão do quarto…
É nesse contraste que nasce o encanto.
☕💻 El Jefe Midnight Lunch "Porque até o inferno precisa de uma boa história e de uma rainha que saiba contá-la."
☕💣📚🌌 OPERADOR, O DATASET SECRETO DOS ESPÍRITOS ACABOU DE SER LIBERADO PARA CONSULTA!
DATE A LIVE IV — A TEMPORADA QUE ABRIU A BASE DE CONHECIMENTO DO UNIVERSO E REVELOU QUE O MAIOR INCIDENTE DA HISTÓRIA ESTAVA ESCONDIDO NOS REGISTROS DO PRIMEIRO ESPÍRITO
Informações Gerais
Título Original: デート・ア・ライブ IV (Date A Live IV)
Obra Original: Date A Live
Autor: Kōshi Tachibana
Ilustrações: Tsunako
Estúdio: GEEKTOYS
Direção: Jun Nakagawa
Exibição Original: 8 de abril de 2022 a 24 de junho de 2022
Episódios: 12
Origem: Light Novel
Volumes Adaptados: Principalmente volumes 13 a 16
O Renascimento da Franquia
Date A Live IV possui uma importância histórica gigantesca.
Após anos de incerteza e problemas envolvendo o antigo estúdio Production IMS, muitos fãs acreditavam que a franquia jamais retornaria.
Então aconteceu algo semelhante a um recovery completo de datacenter.
O estúdio GEEKTOYS assumiu a operação.
O resultado surpreendeu o público.
A franquia voltou mais bonita, mais estável e mais próxima do material original.
Na linguagem Bellacosa Mainframe:
O ambiente saiu de uma plataforma legada e foi migrado para uma infraestrutura moderna sem perda de dados.
Sinopse
Após inúmeros eventos envolvendo Espíritos e alterações temporais, Shido continua sua missão de estabilizar o ambiente dimensional.
Entretanto novos Espíritos surgem.
E desta vez eles estão diretamente ligados aos maiores segredos da criação dos Espíritos.
A temporada apresenta:
Nia Honjou
Mukuro Hoshimiya
Duas personagens fundamentais para a reta final da história.
Além disso, antigas conspirações começam a emergir.
O que parecia ser um conjunto de incidentes isolados começa a revelar uma origem comum.
Resumo da História
A quarta temporada é dividida principalmente em dois grandes arcos.
Arco de Nia Honjou
Arco de Mukuro Hoshimiya
E ambos mudam completamente a compreensão do universo da série.
Arco de Nia Honjou
A Espírito do Conhecimento
Nia é uma mangaká reclusa.
Mas também é uma das entidades mais perigosas da franquia.
Seu Anjo:
Rasiel
Permite acessar praticamente qualquer informação existente.
Passado.
Presente.
Segredos.
História.
Dados ocultos.
Quase tudo.
Interpretação Bellacosa Mainframe
Nia é literalmente:
O NotebookLM do universo Date A Live.
Imagine um sistema capaz de consultar qualquer documentação já criada.
Um gigantesco repositório de conhecimento interdimensional.
Arco de Mukuro Hoshimiya
A Espírito dos Cadeados
Mukuro vive isolada no espaço.
Ela perdeu completamente a capacidade de confiar nas pessoas.
Seu poder permite:
bloquear memórias
selar emoções
restringir habilidades
trancar informações
Interpretação Bellacosa Mainframe
Mukuro é um RACF cósmico.
Ela controla permissões da própria realidade.
Pode conceder ou revogar acessos emocionais.
O Que Há de Diferente?
Aqui ocorre uma enorme mudança.
As temporadas anteriores focavam principalmente:
nos Espíritos
nos conflitos emocionais
Date A Live IV começa a focar:
na origem da história
nos segredos do universo
nos mistérios do Primeiro Espírito
A obra entra definitivamente em sua fase final.
Principais Personagens
Shido Itsuka
Mais maduro do que nunca.
Agora atua quase como um arquiteto da estabilidade dimensional.
Nia Honjou
Uma das personagens mais carismáticas da franquia.
Mistura:
humor
cultura otaku
inteligência
conhecimento absoluto
Mukuro Hoshimiya
Uma das personagens mais trágicas da série.
Seu arco é profundamente emocional.
Kurumi Tokisaki
Continua cada vez mais próxima do núcleo principal da narrativa.
Tohka Yatogami
Mantém seu papel como coração emocional da obra.
Origami
Segue como uma das figuras mais importantes do grupo.
Temáticas Principais
Conhecimento
O arco de Nia explora:
informação
verdade
responsabilidade
Saber tudo não significa compreender tudo.
Isolamento
Mukuro representa pessoas que se afastam do mundo para evitar sofrimento.
Confiança
Grande parte da temporada gira em torno da dificuldade de confiar novamente.
Memória
As memórias tornam-se um elemento central da narrativa.
Conexão Humana
Mais uma vez Date A Live reforça sua principal mensagem.
A conexão entre pessoas continua sendo mais poderosa que a força bruta.
As Aventuras da Temporada
Operação Nia
Missão:
Acessar a maior base de conhecimento já criada.
Objetivo:
Recuperar informações críticas para o futuro do universo.
Operação Mukuro
Missão:
Restaurar acessos bloqueados.
Objetivo:
Reconectar uma Espírito isolada do restante da realidade.
Investigação do Primeiro Espírito
Missão:
Descobrir a origem de todos os incidentes registrados.
Preparação para o Evento Final
Missão:
Mapear ameaças que podem comprometer toda a existência.
Mensagens Ocultas
Date A Live IV possui algumas das reflexões mais interessantes da franquia.
Informação Não Substitui Sabedoria
Nia sabe quase tudo.
Mas isso não resolve seus problemas emocionais.
O Isolamento Parece Seguro
Mukuro acredita que afastar-se das pessoas elimina o sofrimento.
Mas também elimina a felicidade.
Memórias Definem Nossa Identidade
Alterar memórias significa alterar quem somos.
Conexões Humanas São Necessárias
A temporada reforça constantemente essa ideia.
Houve Censura?
Sim.
Assim como temporadas anteriores:
ajustes de enquadramento
redução de fan service em transmissões
pequenas alterações visuais
As versões Blu-ray apresentaram conteúdo mais próximo do material original.
Porém a censura foi considerada leve.
Impacto Cultural
Date A Live IV foi extremamente bem recebida.
Muitos fãs consideram a quarta temporada superior à terceira em:
animação
ritmo
fidelidade à obra original
Ela também marcou oficialmente o retorno triunfal da franquia após anos de incerteza.
Foi a prova de que Date A Live ainda possuía uma enorme base de fãs mundial.
Análise Bellacosa Mainframe
Date A Live IV representa a fase em que os operadores finalmente obtêm acesso à documentação restrita do ambiente.
Durante anos eles lidaram com sintomas.
Agora começam a enxergar a arquitetura.
Nia fornece os manuais.
Mukuro controla os acessos.
Kurumi continua investigando os logs históricos.
E Shido atua como o integrador responsável por manter todos os subsistemas funcionando.
A temporada é menos focada em batalhas e mais focada em descobertas.
É o momento em que a franquia começa a responder perguntas que os fãs carregavam há mais de uma década.
Veredito Final Bellacosa Mainframe
Critério
Nota
História
9,5
Desenvolvimento de Personagens
9,4
Arco de Nia
9,5
Arco de Mukuro
9,7
Construção de Mundo
9,6
Mistério
9,8
Animação
9,3
Impacto na Franquia
10
Nota Final: 9,6/10
Date A Live IV é a temporada que abriu a documentação secreta do universo, revelou os registros ocultos da origem dos Espíritos e preparou o caminho para o maior evento de recuperação de desastre dimensional da história da franquia. Enquanto as temporadas anteriores monitoravam alarmes, esta finalmente começou a explicar quem escreveu o sistema operacional da realidade. ☕💣📚🌌
Pastel, Algodão-Doce e Giovanna — Pequenas Máquinas do Tempo
Ou: como uma feira paulista, uma estação de trem, uma velha máquina de algodão-doce e os olhos azuis de uma jovem de 1999 continuaram executando um programa dentro da memória quase trinta anos depois
START GIOVANNA1999
Alguns programas nunca foram feitos para terminar.
Há momentos em que os milhões de chimpanzés que habitam minha cabeça fazem silêncio.
É raro.
Normalmente existe uma chuva permanente de ideias, pensamentos, lembranças, absurdos, projetos e associações aparentemente impossíveis. Um chimpanzé pensa em mainframe, outro em história, outro em alguma viagem realizada décadas atrás, enquanto um quarto provavelmente tenta descobrir por que determinada palavra japonesa parece portuguesa.
Mas existem pequenos gatilhos capazes de interromper tudo.
Não importa quanto tempo tenha passado.
Não importa onde eu esteja.
O gatilho acontece e o CPD para.
Um deles é o pastel.
Sim.
Pastel.
Aquela pequena massa frita que talvez algum historiador do futuro considere simples demais para merecer registro, mas que qualquer paulista criado entre feiras livres sabe que pertence a uma categoria muito mais elevada da existência.
Pastel não é apenas comida.
Pastel é memória.
E, no meu caso, pastel também é Giovanna.
O sacramento dominical do paulista
Para compreender essa história, talvez seja necessário explicar às gerações futuras o que significava uma feira livre paulista.
Imagino algum leitor em 2126 consultando este texto enquanto um robô doméstico sintetiza sua refeição molecularmente perfeita e perguntando:
— Mas por que alguém sairia de casa para comprar legumes numa rua?
Porque era muito melhor assim, meu caro descendente.
A feira tinha sons.
Cheiros.
Gente gritando preços.
Crianças.
Senhoras discutindo a qualidade do tomate.
Sacolas.
Caixas.
Frutas cortadas para degustação.
E, em algum ponto estratégico daquele pequeno caos urbano, estava a barraca de pastel.
Ao lado dela, quase obrigatoriamente, caldo de cana.
Ou garapa.
Cada região adotava sua palavra.
O pastel chegava quente demais para ser comido imediatamente, embora invariavelmente tentássemos.
A primeira mordida quebrava a casquinha crocante e libertava uma pequena nuvem de vapor capaz de queimar o céu da boca de qualquer pessoa impaciente.
Dentro poderia haver carne.
Queijo.
Palmito.
Pizza.
Frango.
Ou dezenas de outras invenções.
Mas havia ainda um ingrediente secreto que jamais aparecia na placa:
o óleo.
Não qualquer óleo.
O óleo ancestral da feira.
Depois de fritar uma quantidade arqueológica de pastéis, aquele óleo parecia possuir memória própria.
O pastel de queijo carregava talvez uma lembrança distante do pastel de carne.
A carne poderia ter conhecido o palmito.
O palmito certamente havia cruzado com algum pastel de pizza.
Era quase uma rede neural gastronômica treinada durante milhares de frituras.
E aquilo era delicioso.
O velho japonês que a história transformou em “chinês”
Existe ainda uma história humana por trás das barracas de pastel paulistas.
São Paulo recebeu uma enorme imigração japonesa ao longo do século XX. Essas famílias chegaram, trabalharam, criaram filhos, atravessaram preconceitos, guerras, transformações econômicas e adaptações culturais.
Em determinado período de nossa história, especialmente sob o peso do preconceito antijaponês relacionado à Segunda Guerra Mundial, identidades precisaram ser escondidas, adaptadas ou reinterpretadas.
No imaginário popular paulista surgiu então aquela figura que muitas crianças da minha geração conheceram simplesmente como:
“o chinês da feira”.
Muitas vezes era japonês.
Ou descendente de japoneses.
A história real é muito mais complexa que essa pequena frase, naturalmente. Envolve imigração, racismo, sobrevivência, assimilação e empreendedorismo.
Mas décadas depois algo extraordinário havia acontecido.
O pastel tinha deixado de parecer japonês, chinês ou estrangeiro.
Tornara-se simplesmente paulista.
Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas da cultura.
Ela mistura pessoas, histórias, ingredientes e circunstâncias até que ninguém consiga mais separar completamente as origens.
O resultado vira tradição.
1991 — Pastel, Márcia e Freddie Mercury
Minha história pessoal com pastel também possui algumas pequenas ramificações.
Em 1991, ano em que Freddie Mercury morreu, houve Márcia.
Márcia era filha de uma pasteleira.
Tivemos um breve relacionamento.
É curioso como o cérebro cataloga acontecimentos. Alguém poderia imaginar que uma relação com a filha de uma mulher que fazia pastéis seria suficiente para criar a grande associação gastronômica da minha vida.
Cidade marcada pelo ciclo do café e por uma arquitetura que ainda guarda fragmentos daquela época em que fortunas atravessavam o interior paulista junto com trilhos, fazendas e estações ferroviárias.
Ali existia uma pastelaria próxima à antiga estação.
Sua própria existência carregava história.
Originalmente aquele tipo de estabelecimento atendia viajantes que chegavam ou partiam pelos trens. Pessoas desciam carregando malas, notícias, saudades, negócios e expectativas.
Comiam alguma coisa.
Tomavam alguma bebida.
Esperavam.
Depois seguiam viagem.
Quando a ferrovia perdeu importância e os trens desapareceram daquela rotina, estabelecimentos como aquele deveriam, segundo a lógica econômica, desaparecer também.
Mas alguns sobrevivem.
Mudam de dono.
Mudam detalhes.
Perdem parte da história.
Ganham outras histórias.
E continuam funcionando.
São pequenos fósseis comerciais vivos.
Em 1999, aquela pastelaria ainda vendia pastéis.
E eu estava lá.
Mas não estava sozinho.
Giovanna
Giovanna tinha lindos olhos azuis.
Quanto ao cabelo, existe uma divergência histórica que provavelmente jamais será resolvida.
Para mim, castanho-claro.
Para ela, loiro-escuro.
Considerando que este é meu registro para a posteridade, deixarei documentadas ambas as versões para que futuros arqueólogos não iniciem uma guerra acadêmica sobre o assunto.
Era 1999.
Éramos jovens.
E havia Amparo para zanzar.
Gosto da palavra zanzar porque ela descreve perfeitamente aquilo.
Não estávamos realizando uma missão.
Não havia roteiro turístico.
Não havia aplicativo indicando os dez lugares obrigatórios para fotografar.
Não precisávamos registrar cada minuto para provar aos outros que tínhamos estado ali.
Nós simplesmente andávamos.
Sentávamos num banco de praça.
Conversávamos.
Explorávamos alguma construção antiga dos tempos áureos do café.
Entrávamos numa loja de R$ 1,99.
Comíamos alguma coisa.
Voltávamos a andar.
Hoje parece extraordinariamente simples.
Talvez fosse justamente isso que tornasse aquilo extraordinário.
A pastelaria da estação
Em algum momento dessas tardes havia pastel.
Não sei se naquele instante pensei:
“Preciso memorizar isto porque daqui a quase trinta anos ainda vou lembrar.”
Certamente não.
Ninguém vive assim.
Grandes acontecimentos normalmente anunciam sua importância.
Casamentos possuem cerimônias.
Formaturas possuem fotografias.
Viagens possuem passagens.
Nascimentos possuem documentos.
Mas ninguém entrega um certificado dizendo:
ATENÇÃO: esta tarde aparentemente banal será importante para você em 27 anos. Favor prestar atenção.
A vida simplesmente acontece.
Comemos o pastel.
Conversamos.
Talvez tenhamos rido de alguma bobagem cujo conteúdo desapareceu completamente da minha memória.
E seguimos andando.
O problema — ou talvez a maravilha — é que meu cérebro executou silenciosamente:
COMMIT;
A transação foi gravada.
Pastel passou a apontar para Giovanna.
E nunca mais consegui desfazer essa associação.
O índice secreto da memória
Se nossa memória funcionasse como um banco de dados organizado, talvez existisse algo parecido com:
GIOVANNA → AMPARO → 1999
Mas memória humana é uma péssima DBA.
Ela cria índices sem consultar ninguém.
No meu caso, aparentemente fez:
PASTEL → GIOVANNA
AMPARO → GIOVANNA
PRAÇA → GIOVANNA
LOJA DE 1,99 → GIOVANNA
E ainda faltava um dos mais poderosos.
ALGODÃO-DOCE → GIOVANNA
A máquina impossível de algodão-doce
Amparo possuía outra pequena maravilha.
Uma velha máquina de algodão-doce.
Na minha lembrança, era uma máquina antiquíssima, do começo do século XX, mantida funcionando graças ao empenho de alguém que se recusava a permitir que aquele artefato simplesmente desaparecesse.
Talvez algum pesquisador futuro consiga determinar sua fabricação, modelo e história com maior precisão.
Para mim, naquele momento, importava outra coisa:
ela ainda funcionava.
Aquilo era maravilhoso.
Uma máquina criada em outro tempo continuava executando perfeitamente sua função.
Açúcar entrava.
O mecanismo girava.
E surgia uma nuvem doce.
Como alguém que passou boa parte da vida trabalhando com mainframes, reconheço hoje uma filosofia familiar:
— Isso ainda está funcionando?
— Sim.
— Há quanto tempo?
— Ninguém sabe exatamente.
— Não deveríamos substituir?
— Não toque.
Há coisas que sobrevivem simplesmente porque alguém continuou cuidando delas.
E aquela máquina continuava produzindo algodão-doce para novas gerações.
Açúcar transformado em nuvem
Algodão-doce é uma invenção maravilhosa justamente porque é quase completamente absurda.
Pegamos açúcar.
Transformamos em fios.
Enrolamos numa vareta.
E produzimos uma nuvem comestível.
Não existe praticamente nenhuma justificativa adulta para aquilo.
Não é sofisticado.
Não demonstra status.
Não é uma experiência gastronômica complexa.
Não precisamos discutir terroir.
Não há harmonização.
É açúcar.
É infância.
É diversão.
É inútil.
E talvez por isso seja tão importante.
Em algum momento de 1999, Giovanna e eu também comemos algodão-doce.
O segundo índice foi criado.
Décadas depois, ainda funciona.
START GIOVANNA1999
Hoje posso estar vivendo um dia completamente diferente.
Outro século.
Outra rotina.
Outros problemas.
Outras pessoas.
Outro eu.
Então aparece um pastel.
Mordo.
A casquinha quebra.
Sinto o recheio quente.
O cheiro chega.
E algum chimpanzé responsável pelo arquivo morto da minha memória abandona sua mesa, corre por um corredor empoeirado do CPD cerebral e grita:
— CHEFE! ENCONTREI UMA COISA!
Antes que minha parte racional compreenda o que aconteceu, o JOB já foi submetido:
START GIOVANNA1999
E estou novamente em Amparo.
Não fisicamente.
Mas suficientemente perto.
Vejo a praça.
A estação.
As construções.
Uma loja de R$ 1,99.
Pastéis.
Algodão-doce.
Olhos azuis.
E aquele cabelo castanho-claro que, caso Giovanna algum dia leia isto, certamente continuará alegando ser loiro-escuro.
Alguns bugs não precisam ser corrigidos.
A felicidade que não sabia que era felicidade
Com o passar dos anos comecei a perceber algo.
As lembranças mais persistentes nem sempre pertencem aos acontecimentos que, na época, pareciam mais importantes.
Viajei.
Conheci lugares extraordinários.
Vi monumentos.
Atravessei países.
Vivi acontecimentos históricos.
Trabalhei com tecnologias gigantescas.
Conheci muita gente.
Entretanto, algumas memórias que atravessaram décadas são absurdamente pequenas.
Um gosto.
Uma rua.
Uma conversa.
Um banco de praça.
Um alimento simples.
Talvez exista uma explicação.
Há momentos que lembramos porque alguma coisa extraordinária aconteceu.
Mas existem outros que lembramos porque, sem perceber naquele instante, estávamos extraordinariamente felizes fazendo coisas absolutamente ordinárias.
Esses são perigosos.
Não precisam de fotografias.
Não precisam de aniversários.
Não precisam sequer que pensemos conscientemente neles.
Ficam esperando.
Até que algum cheiro, música, palavra ou sabor encontre a chave.
A garapa de Luxor e o pastel de Amparo
Anos depois eu sentiria algo semelhante muito longe dali.
No Egito, em Luxor, antiga Tebas, encontrei caldo de cana.
Garapa.
Em meio a uma viagem cercada por milhares de anos de história, templos, faraós e monumentos capazes de atravessar civilizações, uma coisa aparentemente banal conseguiu me atingir profundamente:
caldo de cana.
Porque sabor não respeita geografia.
Também não respeita calendário.
Uma bebida simples podia aproximar o Egito do Brasil durante alguns segundos.
Assim como um pastel comprado décadas depois pode aproximar 2026 de 1999.
Talvez comida seja uma das máquinas do tempo mais eficientes inventadas pela humanidade.
Não era sobre o pastel
Naturalmente, nunca foi realmente sobre pastel.
Também não era sobre algodão-doce.
Nem sobre a loja de R$ 1,99.
Nem sequer apenas sobre Giovanna.
Era sobre aquele conjunto específico de circunstâncias que jamais poderá ser reproduzido exatamente.
Aquela idade.
Aquela cidade.
Aquele momento histórico.
Aquela companhia.
A ausência de pressa.
A possibilidade de simplesmente caminhar sem destino.
O futuro ainda não havia acontecido.
Muitas decisões ainda não tinham sido tomadas.
Muitas pessoas ainda não tinham chegado.
Outras ainda não tinham partido.
Nós não sabíamos disso.
Estávamos apenas vivendo uma tarde.
Para quem estiver lendo isto no futuro
Talvez você seja um descendente.
Talvez seja alguém que encontrou este texto perdido pela internet.
Talvez nem saiba quem foram aquelas pessoas.
Isso pouco importa.
Quero lhe deixar algo muito mais importante do que os nomes.
Quando estiver vivendo um momento simples, não o despreze por ser simples.
Coma o pastel.
Compre o algodão-doce.
Sente no banco.
Entre naquela lojinha aparentemente inútil.
Caminhe sem destino.
Converse.
Observe os prédios.
Ria da bobagem.
Não transforme necessariamente tudo em fotografia.
Não tente fazer cada segundo parecer extraordinário.
Apenas esteja lá.
Porque você não sabe quais desses momentos seu cérebro escolherá guardar.
Daqui a vinte, quarenta ou sessenta anos talvez você não consiga lembrar o assunto daquela conversa.
Talvez esqueça a roupa.
Talvez o estabelecimento desapareça.
A estação poderá virar museu.
A loja poderá ser demolida.
A velha máquina finalmente poderá parar.
Até as pessoas poderão seguir caminhos completamente diferentes.
Mas então, numa tarde qualquer, alguém colocará um pastel diante de você.
Você dará a primeira mordida.
E alguma coisa acontecerá.
O presente ficará silencioso.
Uma porta será aberta.
E por alguns segundos você terá novamente vinte e tantos anos.
Estará numa praça.
Ao seu lado haverá alguém que o tempo levou para outro caminho.
Você poderá quase ouvir sua voz.
Talvez até veja aqueles olhos.
Então compreenderá uma coisa que eu demorei muitos anos para aprender:
a vida não é formada apenas pelos grandes acontecimentos que contamos aos outros.
Boa parte dela está escondida nas pequenas coisas que aparentemente não mereciam ser guardadas.
Mas foram.
Meu pastel guardou uma cidade.
Meu algodão-doce guardou uma época.
Uma velha máquina guardou uma tarde.
E Giovanna acabou guardada em todos eles.
Talvez a memória seja justamente isso.
Um gigantesco CPD administrado por milhões de chimpanzés, cheio de arquivos sem documentação, programas que ninguém ousa apagar e índices criados sem qualquer lógica aparente.
De vez em quando um deles encontra uma fita esquecida.
Coloca para rodar.
O CPD inteiro fica em silêncio.
E nós chamamos aquilo de saudade.
Epílogo — O último pastel
Algum dia comerei meu último pastel.
Naturalmente não saberei que é o último.
Provavelmente reclamarei que tem pouco recheio.
Talvez esteja quente demais.
Talvez o óleo esteja naquele glorioso estágio arqueológico em que já possui conhecimento acumulado de quinze mil pastéis anteriores.
Vou morder.
A casquinha fará crack.
O vapor subirá.
E espero que, onde quer que meus milhões de chimpanzés estejam naquele momento, algum deles ainda conheça o comando.
START GIOVANNA1999
Então, por alguns segundos, pouco importará quantas décadas tenham passado.
Haverá novamente uma estação.
Uma pastelaria.
Uma praça.
Uma loja de R$ 1,99.
Uma máquina centenária transformando açúcar em nuvem.
Uma jovem de olhos azuis.
Um sujeito olhando para o cabelo dela e insistindo que aquilo era castanho-claro.
E uma tarde qualquer de 1999 que ninguém presente sabia ser histórica.
Não foi histórica para o Brasil.
Não mudou São Paulo.
Não apareceu nos jornais.
Não modificou o destino de Amparo.
Mas ficou registrada em algum lugar muito menor e, paradoxalmente, muito mais resistente.
Minha memória.
Se você estiver lendo isto muitas décadas depois de mim, talvez aquela pastelaria não exista mais.
Talvez aquela máquina esteja finalmente num museu.
Talvez ninguém mais saiba quem foi Giovanna.
Agora você sabe.
Ela foi uma jovem de olhos azuis que, durante algumas tardes de 1999, zanzou comigo por Amparo.
E isso bastou para que, décadas depois, um simples pastel ainda fosse capaz de parar o CPD.
A Terra dos Badges — Quando Dilbert Entrou no IBM Z, Dogbert Criou um Dashboard e Catbert Descobriu que um S0C7 Não Liga para Seu LinkedIn
Ou: por que aprender mainframe de verdade ainda exige mais do que clicar em “Complete Course”, ganhar uma medalha digital e posar ao lado de um Easy Button
Imagine a seguinte cena.
Você é um programador COBOL iniciante. Acabou de descobrir que existe uma máquina chamada IBM Z capaz de processar transações de banco, cartões, seguros, governos, companhias aéreas e boa parte das coisas que fazem o mundo não virar uma feira livre toda segunda-feira às oito da manhã.
Você está animado.
Abre o portal de aprendizado. Há uma trilha. Depois outra trilha. Depois um badge. Depois uma comunidade. Depois um webinar. Depois uma campanha. Depois uma proposta de publicar um post usando um kit de redes sociais. Depois um convite para chamar outro colega. E, antes de ter submetido seu primeiro JCL com erro de sintaxe, aparece uma medalha digital dizendo que você está “engajado”.
Nesse momento, Dilbert pergunta:
— “Então agora eu sei COBOL?”
Dogbert, vestido de consultor estratégico, responde:
— “Não. Mas seu nível de advocacy subiu 14%, e isso cabe maravilhosamente no gráfico trimestral.”
Catbert, o malvado diretor de RH, entra carregando uma prancheta:
— “Excelente. Vamos chamá-lo de Mainframe Evangelist Associate Bronze. Não precisa entender DISP=(NEW,CATLG,DELETE) agora. Isso fica para a próxima jornada.”
E é exatamente aqui que mora uma discussão importante sobre IBM Z, LinuxONE, badges, comunidades, treinamento e a diferença entre parecer que você está aprendendo e realmente conseguir trabalhar quando o lote bancário resolve explodir às 2h17 da madrugada.
O assunto não é “mainframe é ruim”, “IBM não presta” ou “badge não serve para nada”. Isso seria tão infantil quanto dizer que COBOL é ultrapassado porque seu editor tem menos emojis do que o celular. O assunto é mais sério:
como formar gente capaz de operar, evoluir e defender uma plataforma crítica sem transformar a jornada inteira em um parque de diversões corporativo de medalhas, slogans e dashboards?
Vamos abrir o SYSOUT, chamar Igor para buscar café e entender essa história sem atirar no escuro.
1. IBM Z não vendeu apenas computadores: vendeu uma civilização
Para entender o problema, o jovem padawan COBOL precisa primeiro respeitar o tamanho da coisa.
Durante muitas décadas, comprar um mainframe IBM não significava apenas instalar uma máquina no datacenter. Significava entrar em uma civilização técnica inteira. Você comprava ou contratava uma combinação de:
hardware;
z/OS;
JES2;
TSO/ISPF;
RACF;
CICS;
IMS;
Db2;
MQ;
VSAM;
COBOL, PL/I, Assembler, REXX e JCL;
storage;
rede;
backup;
recuperação de desastre;
suporte;
treinamento;
consultoria;
processos;
documentação;
certificações;
e siglas em quantidade suficiente para fazer um dicionário parecer um panfleto de pizzaria.
Isso não aconteceu por maldade. Um banco não pode processar milhões de transações, manter saldo consistente, impedir fraude, recuperar uma região CICS, proteger dados pessoais e fechar o dia financeiro usando a filosofia “vamos subir em produção e ver no que dá”.
No IBM Z, a complexidade muitas vezes é uma defesa contra o caos.
Quando você trabalha com transações, integridade, auditoria, criptografia, disponibilidade e compatibilidade de décadas, simplicidade absoluta não existe. A pergunta correta não é “por que é tão complexo?”, mas:
qual parte dessa complexidade protege o negócio, e qual parte só protege uma burocracia que aprendeu a se reproduzir?
Esta é a divisão central do artigo que motivou nossa conversa.
Complexidade que gera valor
Complexidade que só atrapalha
COMMIT e ROLLBACK coerentes
Pedir acesso por e-mail para descobrir um tutorial
RACF protegendo recursos
Depender de um “dono da planilha”
WLM priorizando workloads
Documentação fragmentada em cinco portais
JCL controlando execução batch
Processo opaco para testar software
Db2 preservando integridade
Badge usada como substituto de experiência
CICS coordenando transações
Caminho de entrada cheio de rituais vazios
O problema nunca foi exigir que alguém aprenda o que está fazendo antes de alterar o sistema que paga aposentadorias ou liquida cartões. O problema é confundir segurança com inacessibilidade.
2. O Undo: uma pequena tecla que mudou a filosofia da computação
Parece estranho começar uma conversa sobre mainframe falando de Undo, mas a metáfora é excelente.
Nos primeiros tempos da computação, a máquina mandava e o humano obedecia. Se você fazia algo errado, o sistema dizia, em termos técnicos:
“Parabéns. Agora conviva com as consequências.”
O Undo trouxe outra ideia: pessoas erram. Pessoas experimentam. Pessoas aprendem destruindo coisas pequenas antes de serem autorizadas a mexer em coisas grandes.
Essa é uma mudança civilizatória no design de sistemas.
Um bom ambiente de aprendizado não elimina consequências; ele reduz o preço do erro. Você pode montar um JCL errado, receber JCL ERROR, abrir o SDSF, ler a mensagem, corrigir e tentar novamente. Ninguém perdeu dinheiro, nenhum cliente ficou sem cartão, e você aprendeu algo que não esquecerá.
É por isso que laboratório vale mais do que slogan.
Um curso pode explicar:
ADD WS-VALOR TO WS-TOTAL
Mas só um exercício real ensina que:
o campo pode ter tamanho inadequado;
o valor pode chegar inválido;
o arquivo pode não abrir;
o FILE STATUS pode trazer uma surpresa;
o job pode nem chegar a executar;
e o problema talvez esteja no JCL, não no COBOL.
Dogbert chamaria isso de “experiência de aprendizagem baseada em atrito produtivo”. Nós chamamos de “tomar uma paulada educativa do SYSOUT”.
3. Badge é certificado de passagem, não diploma de sobrevivência
Vamos falar com justiça: badges não são inúteis.
Para quem está começando, uma badge pode ajudar a:
descobrir um tema;
manter disciplina;
organizar o estudo;
demonstrar interesse inicial;
obter visibilidade;
abrir conversa com recrutador, professor, gestor ou mentor;
provar que concluiu uma trilha específica.
Você próprio pode ter uma coleção saudável de cursos e credenciais e, ainda assim, continuar estudando. Isso não é contradição. É maturidade.
A falha aparece quando a empresa faz esta conta errada:
Não é.
A conta mais honesta é:
Pode ser uma boa evidência. Pode ser o primeiro degrau. Mas ainda não responde perguntas fundamentais:
a pessoa consegue ler um programa COBOL desconhecido?
sabe diferenciar erro de compilação de erro de execução?
consegue localizar um S0C7?
sabe o que fazer diante de um SQLCODE -805?
entende a diferença entre CANCEL COBOL e CANCEL CICS?
sabe por que um COMMIT feito no momento errado pode estragar uma unidade de trabalho?
sabe investigar se o problema está no programa, no Db2, no dataset, na região CICS, no JCL ou na parametrização?
Se a resposta for “não”, não há vergonha alguma. Todo mundo começa em algum ponto. O problema é entregar ao iniciante um crachá dourado e fingir que ele saiu da academia pronto para comandar a nave.
4. Dilbert, Dogbert e Catbert montam um programa de advocacy
Easter egg corporativo: quando “ouvir as pessoas” vira mais um processo, uma métrica e um formulário — enquanto a impressora continua quebrada no fundo da sala. Inspirado em Dilbert
Vamos montar uma empresa fictícia: a MegaZ Corporation.
Dilbert recebe a missão de fortalecer o ecossistema técnico. Ele propõe:
— “Vamos criar ambientes de prática, documentação clara, pipelines de CI, testes repetíveis e acesso para estudantes.”
Dogbert olha a proposta e diz:
— “Isso é caro, lento e difícil de colocar num slide.”
Então ele lança o plano alternativo:
criar um portal colorido;
dividir o aprendizado em pequenas jornadas;
dar pontos por assistir vídeos;
entregar badges;
premiar quem fizer posts;
contar publicações como “atos de advocacy”;
mostrar crescimento de engajamento;
marcar uma reunião para celebrar a reunião que discutiu o engajamento.
Catbert acrescenta:
— “E vamos exigir experiência de marketing para o cargo que deveria expandir uma plataforma técnica. Conhecer IBM Z será desejável, mas opcional.”
Parece piada, mas aponta para um risco real: medir divulgação com mais rigor do que medir competência, acesso e contribuição técnica.
Existe advocacy bom. Você, leitor, pode escrever um artigo ensinando um novato a entender JCL, explicar por que COBOL não é um fóssil, traduzir um ABEND para linguagem humana ou mostrar uma carreira possível. Isso tem valor.
Mas advocacy se torna teatro quando o participante apenas replica uma narrativa pronta para ganhar um ponto.
Advocacy técnico de verdade
Advocacy de dashboard
Publica laboratório reproduzível
Republica arte pronta
Explica um erro e a correção
Usa uma frase promocional
Mostra fonte, JCL e log
Mostra badge e slogan
Ajuda alguém a destravar
Gera uma métrica de campanha
Revela limites do produto
Só divulga vitórias
O teste é simples: alguém consegue fazer algo útil com aquilo?
Se não consegue reproduzir, testar, instalar, entender ou investigar, talvez o conteúdo tenha sido marketing vestido de capacete.
5. “Funciona uma vez” não é sinônimo de suporte
Este ponto é ouro para qualquer programador COBOL iniciante.
Imagine que você escreveu um programa, compilou, executou e viu no terminal:
PROCESSAMENTO REALIZADO COM SUCESSO
Ótimo. Mas isso não prova que o programa está pronto para produção.
Talvez você tenha testado apenas:
um CPF válido;
um arquivo existente;
uma conta com saldo;
uma data normal;
nenhum erro de I/O;
nenhum SQLCODE negativo;
nenhum volume de dados;
nenhuma concorrência;
nenhum reinício após falha.
Em ambiente profissional, “funcionou uma vez” é o começo da investigação, não o fim.
Com software para IBM Z e LinuxONE ocorre a mesma coisa. Um pacote pode:
compilar uma vez em s390x;
aparecer em uma demonstração;
ter uma imagem de marketing;
ser citado num anúncio de parceria;
…sem possuir suporte sustentável.
Suporte sustentável significa:
build repetível;
dependências versionadas;
testes automatizados;
integração contínua;
documentação de instalação;
evidência de desempenho;
responsável pelo produto;
processo de correção;
caminho claro para escalar incidentes;
manutenção quando a próxima versão quebrar alguma coisa.
A diferença é enorme:
Frase de marketing
Pergunta do profissional
“Roda em IBM Z”
Em qual versão, com quais limites e suporte?
“Compatível com s390x”
Há CI contínuo para garantir isso?
“Demonstrado em LinuxONE”
A instalação é reproduzível?
“Integrado ao ecossistema”
Quem corrige quando quebra?
“Parceria anunciada”
Existe compromisso técnico contínuo?
Um pacote abandonado não fica mantido porque três pessoas receberam badge. Um bug de compilador não se corrige com um webinar. Um iniciante sem ambiente de testes não aprende porque recebeu um post pronto para publicar.
6. A métrica que falta: quantos viraram mainframers de verdade?
Empresas adoram métricas de funil:
inscritos;
visualizações;
cursos iniciados;
cursos concluídos;
membros em comunidades;
badges emitidas;
posts publicados;
webinars realizados;
atos de advocacy.
Essas métricas não são mentiras. Elas só são incompletas.
Elas contam atividade próxima do botão. Clicar em “inscrever-se” gera um registro. Terminar um curso gera outro. Publicar um post gera outro. Tudo tem data, hora e gráfico.
Mas a pergunta difícil é esta:
quantos desses alunos se tornaram profissionais que trabalham, permanecem e evoluem no ecossistema?
A trajetória real é bem mais longa:
Curiosidade
↓
Curso
↓
Laboratório prático
↓
Acesso a ambiente realista
↓
Primeiro projeto ou estágio
↓
Capacidade de diagnosticar e entregar
↓
Responsabilidade em produção
↓
Carreira sustentável
↓
Transferência de conhecimento
É chato medir isso porque leva anos, envolve empregadores diferentes e não cabe em uma apresentação trimestral. Mas é exatamente isso que importa para resolver a alegada escassez de profissionais.
O jovem padawan não deve desprezar uma badge. Deve apenas fazer a pergunta certa:
— “Depois da badge, qual problema real eu consigo resolver?”
Se você não consegue responder, seu próximo passo não é colecionar mais cinco. É procurar prática.
7. O plano de estudo que Dogbert não colocaria no dashboard
Se você está começando em COBOL e mainframe, faça o contrário da colecionação compulsiva de credenciais. Use cursos como mapa, não como destino.
Passo 1 — Aprenda o mínimo de COBOL que permite ler um programa
Comece por:
divisões;
WORKING-STORAGE;
PIC;
MOVE;
IF;
PERFORM;
READ;
WRITE;
DISPLAY;
FILE STATUS;
COMP-3;
nível 88.
Seu objetivo inicial não é criar um sistema bancário. É olhar um programa e dizer: “sei onde entra, onde lê, onde calcula, onde grava e onde pode quebrar”.
Passo 2 — Entenda JCL antes de tentar ser herói
JCL não é um detalhe externo. É a instrução que coloca seu programa na estrada.
Aprenda a identificar:
JOB;
EXEC;
DD;
DSN;
DISP;
SPACE;
DCB;
SYSOUT;
STEPLIB;
SYSIN;
SYSOUT;
retorno RC;
JCL ERROR.
Quando algo falhar, não chute. Abra o SDSF e leia a sequência de mensagens. O log é o narrador da tragédia; ignore-o e você será apenas o ator que entrou no palco errado.
Passo 3 — Faça pequenos erros de propósito
Crie um programa simples e teste:
arquivo inexistente;
chave duplicada;
campo numérico com dado inválido;
divisão por zero;
condição de fim de arquivo;
retorno SQL negativo;
dataset sem espaço;
JCL com DD incorreto.
O objetivo é aprender o que o sistema diz quando algo quebra.
Passo 4 — Use as badges como trilha, não como troféu
Ao terminar uma credencial, pergunte:
O que eu consigo explicar sem consultar o curso?
O que consigo fazer num laboratório?
Que erro eu sei reconhecer agora?
Que conceito consigo ensinar a outra pessoa?
Onde esta habilidade apareceria num incidente real?
Se você não consegue responder, revise. Não corra para a próxima medalha.
8. Curiosidade escondida: o mainframe já praticava várias ideias modernas
Existe uma ironia divertida nessa história.
Muita gente imagina que o mundo moderno inventou tudo: isolamento, automação, observabilidade, controle de carga, segurança centralizada, continuidade e governança.
O IBM Z olha para isso e diz:
— “Interessante. Em que ano vocês descobriram?”
WLM organiza prioridades. RACF centraliza proteção. CICS coordena transações. Db2 mantém integridade. JES2 gerencia batch. Sysplex trabalha disponibilidade e escala. Ferramentas de automação e monitoramento há décadas lidam com coisas que hoje reaparecem em slides de cloud como grandes revelações.
O problema do IBM Z não é falta de engenharia moderna. Muitas vezes, é a dificuldade de permitir que novas pessoas encontrem essa engenharia sem precisar atravessar uma floresta de portais, permissões, contratos e cerimônias.
A máquina não precisa ficar banal para ficar mais acessível.
Epílogo — Catbert emite o badge, mas o S0C7 emite a verdade
No final da reunião, Dogbert apresenta o dashboard:
10 mil novos inscritos;
2 mil badges;
400 posts;
800 atos de advocacy;
gráfico verde;
seta para cima;
aplausos.
Catbert anuncia uma nova credencial: “Certified Frictionless Ecosystem Explorer — Platinum”.
Então, do canto da sala, chega uma mensagem:
ABEND=S0C7
PROGRAM=FATUR001
STEP=PGM001
Silêncio.
O S0C7 não sabe quantos seguidores você tem. O -805 não respeita seu banner de LinkedIn. O IEC141I não se impressiona com sua coleção de medalhas. A região CICS não volta porque alguém escreveu “I’m proud to be an advocate”.
Ela volta porque alguém entende o problema, lê a evidência, faz a pergunta certa, testa a correção e sabe o impacto de cada decisão.
Badges podem abrir a porta. Cursos podem iluminar o corredor. Comunidades podem oferecer companhia na caminhada. Marketing pode chamar gente nova para dentro.
Mas, para atravessar a sala de máquinas, ainda será preciso aprender a ler o painel.
E talvez essa seja a lição mais saudável para o programador COBOL iniciante: não despreze a trilha, não despreze a credencial e não despreze a comunidade. Apenas não confunda o mapa com a viagem, o crachá com a profissão, nem o aplauso do dashboard com o momento em que você finalmente consegue fechar o chamado.
Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe
desde 1988
,
é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2,
z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais,
conhecimento técnico, história da computação e práticas
do universo mainframe para aproximar novas gerações das
tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos
ao redor do mundo.
IBM Champion
IBM Z
COBOL
CICS
Db2
z/OS
Mainframe desde 1988