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sábado, 9 de maio de 1998

A Vila de Paranapiacaba

Bellacosa Mainframe e a Vila de Paranapiacaba

Um Café no Bellacosa Mainframe

🚂 Paranapiacaba 1998 — A Vila para Onde Eu Sempre Voltava

Eu disse à Paty que iria mostrar-lhe uma antiga vila ferroviária. O que talvez não tenha contado é que já conhecia aquele caminho havia décadas. Primeiro passei por ali menino, dentro de um trem rumo a Santos. Depois voltei pelas trilhas, cachoeiras e acampamentos da Serra do Mar. Em 1998 retornei novamente — desta vez carregando histórias suficientes para descobrir que, sem perceber, havia me tornado o guia.

Há lugares que visitamos.

E há lugares aos quais retornamos.

A diferença parece pequena, mas não é.

Quando visitamos um lugar pela primeira vez, praticamente tudo é descoberta. Procuramos placas, perguntamos onde ficam as coisas, tentamos entender o mapa e fotografamos aquilo que parece importante.

Quando retornamos, acontece algo diferente.

Já não procuramos apenas aquilo que está diante dos olhos.

Procuramos também aquilo que lembramos.

Paranapiacaba sempre foi assim para mim.

Em 1998 eu estava ali novamente, desta vez acompanhado da Paty, de Interlagos, minha namorada naquela época.

Para ela talvez fosse um passeio por uma antiga vila ferroviária escondida na Serra do Mar.

Para mim era um reencontro.

Eu poderia apontar para uma casa e contar uma história.

Olhar para os trilhos e lembrar de outra época.

Mostrar uma construção e explicar por que ela estava ali.

Olhar para a serra e recordar que, muitos anos antes, eu já havia passado por aquele lugar dentro de um trem.

Sem perceber, naquela viagem de 1998 eu tinha assumido uma função curiosa:

eu havia me tornado o guia.

Só que meu mapa não estava impresso.

Estava na memória.



🚂 Antes de 1998 existia um menino dentro de um trem

Minha história com Paranapiacaba não começou naquele passeio.

Precisamos voltar aos anos 1970.

Eu ainda era menino e algumas das minhas lembranças daquele universo surgiram dentro dos trens, viajando com meus pais rumo a Santos.

Para uma criança, uma viagem ferroviária já possui naturalmente alguma coisa de extraordinário.

Existe o som.

O balanço.

As janelas.

As estações.

Os postes passando.

Os trilhos desaparecendo atrás do trem.

E então chegava a Serra do Mar.

Hoje consigo olhar para aquilo também com os olhos do analista de sistemas e perceber a extraordinária obra de engenharia que existia por trás da viagem.

Mas uma criança não pensa assim.

Ela simplesmente olha pela janela.

E fica maravilhada.

Décadas depois eu descobriria que aquelas viagens estavam gravando silenciosamente um backup dentro da minha cabeça.

Não havia smartphone.

Não havia câmera digital no bolso.

Não havia GPS registrando a rota.

Mas havia memória.

E Paranapiacaba estava entrando nela.


🌳 Depois vieram as trilhas

No final dos anos 1980 eu já retornava eventualmente à região por outros motivos.

A ferrovia continuava exercendo sua atração, mas havia outro tesouro gigantesco ao redor dela:

a Mata Atlântica da Serra do Mar.

Paranapiacaba era uma espécie de portal.

Você podia caminhar pela vila, observar as antigas construções ferroviárias e, pouco depois, estar cercado pela mata.

Fiz trilhas.

Procurei cachoeiras.

Acampei.

Explorei.

Andei por lugares onde a umidade parece fazer parte da própria paisagem.

A Serra do Mar possui aquele tipo de vegetação que não funciona apenas como cenário. Ela envolve você.

Água, pedras, árvores, neblina, barro, insetos, pássaros e sons que nem sempre conseguimos identificar.

Para alguém curioso, aquilo era um gigantesco laboratório vivo.

E Paranapiacaba oferecia uma combinação que sempre me fascinou:

natureza e tecnologia ocupando o mesmo espaço.

De um lado estava uma das maiores expressões da Mata Atlântica.

Do outro, máquinas, cabos, trilhos e estruturas construídas por seres humanos tentando resolver um problema aparentemente absurdo:

como fazer uma ferrovia vencer a Serra do Mar?



⚙️ O problema que criou Paranapiacaba

Aqui começa uma das histórias que provavelmente contei à Paty enquanto caminhávamos pela vila.

Imagine que você seja um engenheiro do século XIX.

O café produzido no interior paulista precisa chegar ao porto de Santos.

Entre o planalto e o litoral existe uma pequena inconveniência:

a Serra do Mar.

Não existe caminhão.

Não existe Rodovia Anchieta.

Não existe Rodovia dos Imigrantes.

E certamente ninguém pode abrir um terminal e digitar:

SUBMIT SERRA.JCL

para resolver o problema.

Era necessário construir uma ferrovia.

A São Paulo Railway Company — a famosa SPR, que muita gente simplesmente chamaria de “a ferrovia dos ingleses” — tornou-se responsável pela ligação ferroviária entre Santos e Jundiaí.

A primeira linha funicular da Serra do Mar foi inaugurada em 1867. O sistema utilizava patamares e máquinas fixas para auxiliar os trens a vencerem o enorme desnível da serra.

Hoje podemos olhar para aquilo como patrimônio histórico.

Na época era tecnologia de ponta.

Era infraestrutura crítica.

Era logística.

Era engenharia.

Era o equivalente ferroviário de olhar para um gigantesco datacenter funcionando no meio de uma montanha.

E precisava funcionar.

Porque por aqueles trilhos circulava uma parte importante da economia paulista.



🏘️ Uma cidade construída ao redor da ferrovia

Essa é uma das coisas mais fascinantes em Paranapiacaba.

A ferrovia não simplesmente passou pela vila.

A ferrovia explica a existência da vila.

Engenheiros, operadores, trabalhadores de manutenção e suas famílias precisavam morar próximos daquele complexo sistema ferroviário.

Assim surgiu um organismo urbano intimamente ligado à operação dos trilhos.

Casas.

Oficinas.

Armazéns.

Áreas administrativas.

Espaços de convivência.

Tudo conectado direta ou indiretamente ao funcionamento ferroviário.

Caminhar por Paranapiacaba é, portanto, quase como caminhar dentro de um antigo organograma empresarial transformado em cidade.

E existe uma característica visual impossível de ignorar:

a influência inglesa.



🇬🇧 A Inglaterra escondida na Serra do Mar

Em determinados pontos de Paranapiacaba temos aquela sensação curiosa de estar vendo alguma coisa que não combina completamente com a imagem convencional do Brasil.

Casas de madeira.

Arquitetura ferroviária.

Neblina.

Relógio.

Organização urbana.

Elementos britânicos.

A presença inglesa deixou marcas profundas.

Mas Paranapiacaba nunca foi simplesmente uma pequena Inglaterra transplantada para São Paulo.

Isso seria simplificar demais sua história.

Com o tempo, diferentes populações, trabalhadores e tradições ocuparam aquele espaço, formando também um legado brasileiro e luso-brasileiro.

E isso era justamente uma das coisas interessantes para mostrar à Paty.

Não estávamos olhando apenas para prédios antigos.

Estávamos observando camadas de ocupação humana.

Uma casa podia contar uma história sobre engenharia.

Outra sobre hierarquia profissional.

Outra sobre uma família ferroviária.

Outra sobre trabalhadores.

Outra sobre transformação social.

É praticamente arqueologia sem precisar cavar.


🏰 A casa de quem precisava enxergar tudo

E então chegamos a uma construção que sempre chama atenção.

O famoso Castelinho.

Construído em 1897 sobre uma elevação natural, o edifício serviu como residência do engenheiro-residente da São Paulo Railway. Sua posição permitia ampla visualização da vila e do pátio ferroviário.

Isso diz muito.

O engenheiro-chefe não morava simplesmente em uma casa bonita.

Ele morava em um ponto de observação.

Lá de cima podia acompanhar grande parte daquele organismo ferroviário.

Trens.

Pátio.

Movimentação.

Casas.

Operação.

É impossível para alguém de tecnologia olhar para aquilo hoje sem fazer uma analogia.

O Castelinho era quase um...

Operations Dashboard v1.0.

Só que o dashboard eram janelas.

Em vez de gráficos de CPU, filas e throughput, havia locomotivas, vagões, trabalhadores e fumaça.

Em vez de clicar num alerta, o engenheiro olhava pela janela.

Se alguma coisa estranha estivesse acontecendo no pátio, provavelmente ele conseguiria perceber.

Observabilidade ferroviária do século XIX.


🕰️ O relógio que parecia dizer: estamos na Inglaterra

Outro elemento que ajudava a construir aquela atmosfera era o velho relógio ferroviário.

Relógios ferroviários nunca são apenas relógios.

Ferrovias dependem de tempo.

Horários.

Partidas.

Chegadas.

Cruzamentos.

Escalas.

Operação.

O tempo faz parte da infraestrutura.

Para nós, visitantes, aquele relógio podia parecer romântico.

Para quem trabalhou naquele sistema, marcar corretamente o tempo tinha função operacional.

É uma diferença importante.

Patrimônio industrial possui esse efeito curioso.

Aquilo que hoje fotografamos porque achamos bonito frequentemente existia porque alguém precisava trabalhar.


👷 A vila não era feita apenas de engenheiros

E aqui existe uma parte da história que nunca deveríamos esquecer.

Quando falamos das grandes obras ferroviárias, aparecem nomes de companhias, engenheiros, empresários e autoridades.

Mas ferrovias não foram construídas apenas por nomes famosos.

Havia trabalhadores.

Muitos trabalhadores.

Homens operando máquinas.

Homens trabalhando nos trilhos.

Pessoal de manutenção.

Operadores.

Funcionários administrativos.

Famílias.

Crianças crescendo ao redor daquele universo.

Pessoas acordando para trabalhar.

Pessoas cansadas voltando para casa.

Pessoas adoecendo.

Pessoas comemorando.

Pessoas namorando.

Pessoas criando filhos.

Pessoas envelhecendo.

E pessoas morrendo.

É por isso que gosto de olhar para antigas estruturas técnicas tentando imaginar quem trabalhou ali.

Uma ferrovia não é apenas ferro.

Um mainframe não é apenas hardware.

Uma cidade não é apenas arquitetura.

Sistemas são construídos e mantidos por pessoas.

Talvez por isso Paranapiacaba sempre tenha me atraído tanto.


⚽ Quando os ferroviários largavam as ferramentas

Mas trabalhador também precisa descansar.

E é aqui que Paranapiacaba nos entrega um daqueles easter eggs históricos extraordinários.

Futebol.

Sim.

No meio da história ferroviária brasileira encontramos uma conexão direta com uma das maiores paixões nacionais.

Charles Miller era filho de um funcionário da São Paulo Railway. Depois de estudar na Inglaterra, retornou ao Brasil em 1894 trazendo consigo equipamentos e regras do futebol.

Paranapiacaba possui um lugar especial nessa história.

O campo associado ao Serrano Athletic Club é reconhecido pelo IPHAN como o primeiro campo com medidas oficiais do futebol no Brasil. O local esteve profundamente ligado aos ferroviários da São Paulo Railway.

Isso é extraordinário.

Imagine aqueles homens depois do trabalho.

Durante o expediente:

ferrovia.

Máquinas.

Manutenção.

Operação.

Depois:

uma bola.

Dois times.

Um campo.

Gritos.

Discussões.

Competição.

Diversão.

Aquilo que provavelmente parecia apenas lazer de trabalhadores ajudaria a participar da história de um esporte que se tornaria gigantesco no Brasil.

O Serrano chegou inclusive a enfrentar equipes importantes e existe registro de uma vitória por 2 a 1 sobre o Corinthians em julho de 1925.

Portanto, quando eu mostrava aquele campo para alguém, não estava mostrando simplesmente um pedaço de grama.

Estava mostrando um pequeno fragmento da pré-história de uma paixão nacional.


🚆 E os trens continuavam passando

Em 1998 Paranapiacaba também não era apenas passado.

Ainda havia ferrovia.

Ainda havia operação.

Ainda existia aquela relação entre o ABC e a capital que eu associava aos trens metropolitanos e à CBTU de outras fases da minha própria vida.

Isso tornava tudo ainda mais interessante.

Paranapiacaba não era uma ruína romana.

Não era Pompeia.

Não era simplesmente uma cidade congelada.

Era um lugar onde passado e presente ferroviários se tocavam.

Alguma coisa havia desaparecido.

Outra permanecia.

Outra estava deteriorando.

Outra ganharia novos usos.

Essa sensação provavelmente explica por que eu continuava retornando.

Cada visita era diferente.


🌫️ A neblina também fazia parte da cidade

E então havia a neblina.

Como falar de Paranapiacaba sem falar dela?

A neblina consegue transformar completamente a vila.

Casas desaparecem parcialmente.

Trilhos parecem continuar para lugar nenhum.

Construções surgem lentamente conforme caminhamos.

Sons chegam antes das imagens.

O relógio aparece no meio daquele cenário quase cinematográfico.

Para um garoto fascinado por ferrovias aquilo já era maravilhoso.

Para alguém que gostava de explorar trilhas, melhor ainda.

A mesma neblina que emprestava à vila aquele ar quase inglês também lembrava que estávamos no meio de um ambiente natural poderoso.

A ferrovia podia dominar os trilhos.

Mas a Serra do Mar continuava lembrando quem realmente mandava naquele lugar.


🌊 Lá embaixo estava Santos

Existe ainda outro momento que gosto de imaginar daquela visita.

Parar.

Olhar para a serra.

E apontar.

Lá está Cubatão.

Mais adiante está Santos.

E depois está o mar.

A geografia transforma a história ferroviária em algo imediatamente compreensível.

De um lado, o planalto.

Do outro, o porto.

Entre eles, a serra.

De repente toda aquela engenharia começa a fazer sentido.

Por que tantos trabalhadores?

Por que máquinas fixas?

Por que sistemas funiculares?

Por que uma vila inteira?

Porque era preciso vencer aquilo.

Hoje abrimos um aplicativo de mapas e vemos a distância em segundos.

Os engenheiros do século XIX olhavam para a Serra do Mar e precisavam descobrir como colocar um trem atravessando-a.

É uma diferença brutal de perspectiva.


❤️ Paty, acho que esqueci de explicar uma coisa

E então voltamos para 1998.

Talvez eu estivesse falando demais.

Quem me conhece sabe que existe esse risco quando o assunto envolve computadores, ferrovias ou história.

Imagino a cena.

— Aqui ficavam os ferroviários.

Andamos mais alguns metros.

— Está vendo aquela construção?

Mais história.

— Aquilo tem relação com a São Paulo Railway.

Continuamos.

— E aquele campo...

Outra história.

— E lá embaixo...

Mais uma.

Talvez Paty tenha percebido antes de mim.

Eu não estava simplesmente mostrando uma atração turística.

Eu estava apresentando um pedaço do meu próprio universo.

Porque quando gostamos verdadeiramente de um lugar fazemos isso.

Queremos compartilhá-lo.

Não basta dizer:

“É bonito.”

Queremos explicar por que é bonito para nós.


📷 As fotografias que mudaram de função

Naquele momento provavelmente tirei fotografias como qualquer pessoa faria durante um passeio.

Uma fotografia da vila.

Outra da Paty.

Uma construção.

Os trilhos.

A paisagem.

Talvez o relógio.

Talvez a serra.

Em 1998 aquelas imagens tinham uma função simples:

registrar o passeio.

Mas arquivos envelhecem de maneira curiosa.

Hoje aquelas fotografias já não mostram somente aquilo que eu fotografei.

Elas mostram coisas que eu não sabia que estava fotografando.

Roupas de uma época.

Objetos que desapareceram.

Construções antes de reformas.

Vegetação diferente.

Infraestrutura ferroviária em outra fase.

Uma namorada daquela época.

Meu próprio rosto mais jovem.

Detalhes banais que, décadas depois, tornam-se documentos.

Essa talvez seja uma das maiores ironias da fotografia.

Fotografamos aquilo que julgamos importante.

O tempo decide o que realmente era importante.


💾 O backup que ninguém pediu para fazer

Como programador, não consigo evitar a comparação.

A memória humana possui um sistema de armazenamento terrível.

Não sabemos exatamente onde os arquivos estão.

Não sabemos quando serão sobrescritos.

Não existe LISTCAT.

Não existe catálogo confiável.

Não existe garantia de retenção.

E pior:

algumas coisas permanecem durante cinquenta anos enquanto esquecemos onde colocamos uma chave cinco minutos atrás.

Mas existe um fenômeno fascinante.

Uma fotografia antiga funciona como uma espécie de:

RESTORE MEMORY

Você olha.

Alguma coisa acontece.

Lembra da temperatura.

Da pessoa.

De uma conversa.

De onde estacionou.

De uma piada.

Do cheiro.

De uma música.

De alguma coisa completamente fora do enquadramento.

A fotografia não contém essas informações.

Nós é que as associamos ao arquivo.

Talvez seja por isso que aquelas imagens de 1998 sejam tão importantes hoje.

Elas são ponteiros.

Não guardam toda a memória.

Mas sabem onde encontrá-la.


🧠 O verdadeiro patrimônio de Paranapiacaba

Existe patrimônio material.

Casas.

Trilhos.

Máquinas.

Estações.

Relógios.

Documentos.

Ferramentas.

Tudo isso precisa ser preservado.

Mas existe também patrimônio imaterial.

Histórias.

Experiências.

Relatos de trabalhadores.

Memórias de moradores.

Lembranças de passageiros.

Histórias familiares.

E pequenas experiências pessoais como a minha.

Eu não construí Paranapiacaba.

Não trabalhei na São Paulo Railway.

Não operei seu sistema funicular.

Mas Paranapiacaba atravessou diferentes fases da minha vida.

Isso também cria memória.


🚂 1970, 1980, 1990...

Hoje percebo que não existe apenas uma Paranapiacaba dentro das minhas lembranças.

Existem várias.

Existe a Paranapiacaba do menino viajando com os pais rumo a Santos.

Existe a Paranapiacaba das minhas explorações no final dos anos 1980.

Existe a das trilhas.

A das cachoeiras.

A dos acampamentos.

Existe a Paranapiacaba ferroviária.

Existe a vila-museu.

Existe a Paranapiacaba de 1998.

E existe aquela que observo hoje através das fotografias.

O lugar é praticamente o mesmo.

Quem muda sou eu.


🥚 Easter egg — quem estava apresentando quem?

Existe uma pequena brincadeira escondida nesta história.

Em 1998 parecia bastante óbvio.

Eu estava apresentando Paranapiacaba à Paty.

Era eu quem conhecia as histórias.

Era eu quem apontava os lugares.

Era eu quem explicava os ingleses, os ferroviários, o campo, a serra e os trilhos.

Portanto:

Vagner → apresentava → Paranapiacaba → para Paty.

Simples.

Só que quase três décadas depois a seta mudou de direção.

Hoje são aquelas fotografias que apresentam alguma coisa para nós.

Elas apresentam a Paty de 1998.

Apresentam a vila daquela época.

Apresentam um jovem Vagner que já carregava uma paixão antiga por ferrovias.

E, por trás dele, aparece outro.

Um garoto olhando pela janela de um trem nos anos 1970.

Depois outro.

O rapaz caminhando pela Mata Atlântica no final dos anos 1980.

E outro.

O homem que hoje recupera esses arquivos e tenta compreender por que determinadas imagens ainda provocam tantas lembranças.

Portanto talvez a pergunta correta seja:

quem estava apresentando quem?


☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Trabalho com computadores há tempo suficiente para aprender uma coisa:

nenhum sistema permanece igual para sempre.

Hardware muda.

Software muda.

Empresas desaparecem.

Tecnologias são substituídas.

Arquiteturas inteiras tornam-se peças de museu.

Mas alguns sistemas possuem uma capacidade extraordinária de deixar rastros.

Paranapiacaba é um deles.

A SPR desapareceu.

O sistema ferroviário mudou.

As tecnologias mudaram.

Os trabalhadores mudaram.

Os passageiros mudaram.

Mas os trilhos, edifícios, máquinas e histórias continuam dizendo:

“Aqui aconteceu alguma coisa importante.”

Talvez seja justamente por isso que sempre voltei.

Nos anos 1970 eu passei por ali.

Nos anos 1980 explorei.

Nos anos 1990 retornei.

Em 1998 levei Paty comigo.

Naquele dia achei que estava mostrando uma antiga vila ferroviária para minha namorada.

Hoje percebo que estava fazendo outra coisa.

Estava acrescentando mais um registro ao meu próprio dataset.

Mais uma linha.

Mais uma fotografia.

Mais uma pequena história.

Mais um checkpoint.

Décadas depois, quando abro novamente essas imagens, o sistema responde.

Não com texto.

Não com SQL.

Não com COBOL.

Ele responde com lembranças.

O trem volta a andar.

Meus pais estão novamente comigo.

A Serra do Mar reaparece pela janela.

A mata volta a ficar úmida.

As cachoeiras voltam a fazer barulho.

Os antigos ferroviários parecem ocupar novamente as casas.

Alguém chuta uma bola no velho campo.

O engenheiro observa a operação de sua casa no alto.

O relógio continua marcando as horas.

Paty caminha comigo pela vila.

E durante alguns segundos...

1998 ainda está lá.

Talvez seja isso que realmente significa preservar patrimônio.

Não impedir que o tempo passe.

Isso é impossível.

É deixar sinais suficientes pelo caminho para que alguém, muitos anos depois, consiga olhar para eles e dizer:

“Eu me lembro.”

E Paranapiacaba...

Paranapiacaba é um daqueles lugares para onde eu sempre voltei.

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Visitante ao longo dos tempos


Tenho um caso de amor de longa data com Paranapiacaba, tantas vezes visitei tenho visto ao longo dos anos a degradação destruindo o património desta tão carismática vila.


Dividida em 2 partes com separação bem delimitada de um lado temos as casas estilo inglês e do outro lado as casas em estilo portugues do alto do castelinho ve-se bem esta divisao, a antiga estaçao ferroviaria e suas passagens. Vale a exploraçao, pegue seus filhos e aventurem-se

Museu Ferroviario de Paranapiacaba

Pateo de manobra, funicular e oficinas de manutenção


Chegamos ao coração do complexo ferroviário de Paranapiacaba, aqui nos tempos áureos, centenas de trabalhadores cuidavam do bom funcionamento da Ferrovia, aqui tínhamos fundição para construir peça, oficinas de manutenção, serralheria, mecânicos e diversos outros trabalhadores.

Um formigueiro humano circulava por aqui, o funicular guiava a descida e a subida da Serra, operários trocavam dormentes e carris.


Do alto do castelinho o Engenheiro Chefe coordenava todos os trabalhos e em casos necessários descia a campo para ver o que esta acontecendo. Hoje tudo é marasmo, o mato cresce nas oficinas, vidraças quebradas, telhados sem telhas grafite e pichacoes, ferrugens e destruiçao, corta-se o coração ver tudo isso parado.

sábado, 11 de abril de 1998

Holambra a maior produtora de flores do Brasil

Holambra cidade de imigrantes

Curioso como certas coisas dão certa, Holambra na verdade eram 2 fazendas cafeieras, que com o solo esgotado deixaram de ser rentáveis. Num daqueles bons negócios os proprietários venderam para o governo holandês.

Que devido a guerra e destruição causada pela mesma, tinha um contingente de desempregados e precisava escoar esta gente, foi criado um plano de construir uma cooperativa para receber imigrantes e foi assim, pouco a pouco foram chegando batavos por aqui.



Tendo um começo difícil e sofrendo vários reveses, por fim nos ano 70 a cooperativa esta gerando lucro, muito lucro e de la para ca evolui ainda mais.

Esta visita passamos pela cidade, conhecemos os principais edifícios, saboreamos delicias da culinária holandesa com acento brasileiro, numa próxima vez viremos na festa da Flores, evento que chacoalha a cidade.

domingo, 25 de maio de 1997

Fushigi Yūgi: Dai Ni Bu - Quando um Programador COBOL Descobre que o Projeto Foi Encerrado... Mas Alguém Resolveu Reabrir Todos os Chamados em Produção

 

Bellacosa Mainframe apresenta fushigi yugi dai ni bu

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Fushigi Yūgi: Dai Ni Bu (ふしぎ遊戯 第二部) sem Mistérios

Quando um Programador COBOL Descobre que o Projeto Foi Encerrado... Mas Alguém Resolveu Reabrir Todos os Chamados em Produção

Depois do anime original e do primeiro OVA, muitos fãs acreditavam que a história de Miaka e Tamahome finalmente havia encontrado seu equilíbrio. O sistema parecia estável, os usuários estavam satisfeitos e o ambiente de produção operava normalmente.

Então alguém teve a brilhante ideia de dizer:

"Vamos adicionar apenas uma pequena funcionalidade..."

Todo profissional de mainframe sabe o que isso significa.

A nova funcionalidade altera um módulo.

O módulo altera outro.

O outro chama um terceiro.

No final da semana, metade do sistema está sendo recompilada.

Fushigi Yūgi: Dai Ni Bu representa exatamente esse momento. Em vez de apenas prolongar a história, ele amplia o universo emocional da obra, colocando novamente à prova os laços de confiança, amizade e amor que pareciam consolidados.


Ficha Técnica

Título Original: ふしぎ遊戯 第二部 (Fushigi Yūgi Dai Ni Bu)

Título Internacional: Fushigi Yūgi OVA 2

Autora Original: Yuu Watase

Baseado no Mangá: Fushigi Yūgi

Estúdio: Studio Pierrot

Direção: Hajime Kamegaki

Lançamento:

25 de maio de 1997 a 25 de fevereiro de 1998

Formato

Original Video Animation (OVA)

Quantidade de episódios

6 episódios


Gênero

  • Isekai

  • Fantasia

  • Romance

  • Drama

  • Aventura

  • Shōjo

  • Sobrenatural


Classificação

14 anos.

Contém violência moderada, romance, temas psicológicos e conflitos sobrenaturais.


Sinopse

Depois dos acontecimentos do primeiro OVA, Miaka e Tamahome tentam finalmente construir uma vida tranquila.

Entretanto, forças ocultas voltam a ameaçar o equilíbrio entre os dois mundos.

Antigas profecias reaparecem.

Novos inimigos surgem.

Os Guerreiros de Suzaku precisam novamente unir forças para impedir que o destino seja alterado.

Mais do que enfrentar monstros, agora precisam enfrentar seus próprios medos.


Resumo da História

A trama aprofunda ainda mais o relacionamento entre Miaka e Tamahome.

Ao mesmo tempo, introduz uma nova ameaça ligada aos poderes espirituais dos Quatro Deuses.

Diferentemente da série principal, o foco não está apenas na jornada física.

Grande parte da narrativa acontece dentro dos conflitos emocionais dos personagens.

O resultado é uma história mais madura, introspectiva e romântica.


Os Personagens

Miaka Yūki

Muito mais segura de si.

Agora entende que ser sacerdotisa vai muito além de convocar Suzaku.

Sua missão passa a ser preservar a esperança.


Tamahome

Continua representando coragem e lealdade.

Porém enfrenta novos testes relacionados ao próprio destino.


Chichiri

Novamente assume o papel de mentor.

Seu equilíbrio emocional ajuda o grupo a enfrentar ameaças invisíveis.


Hotohori

Mesmo ausente em diversos momentos, sua influência continua marcando profundamente os personagens.


Nuriko

Seu legado permanece como inspiração para os Guerreiros de Suzaku.


Novos antagonistas

A nova ameaça atua principalmente manipulando emoções, memórias e laços afetivos.

Ela é menos física e muito mais psicológica.


O que há de diferente?

Enquanto o anime original era uma jornada de descoberta e o primeiro OVA funcionava como um epílogo emocional, Dai Ni Bu assume o papel de uma continuação propriamente dita.

Ele amplia o universo espiritual da franquia e desenvolve aspectos que ficaram apenas sugeridos anteriormente.

Há mais elementos sobrenaturais, conflitos internos e aprofundamento dos personagens.


As Aventuras

Os Guerreiros voltam a viajar entre diferentes regiões e dimensões.

Durante essa nova missão enfrentam:

  • entidades espirituais

  • maldições antigas

  • ilusões

  • manipulação da memória

  • ameaças aos Quatro Deuses

  • testes de confiança

As batalhas continuam importantes, mas o verdadeiro desafio está em preservar aquilo que cada personagem acredita.


Temáticas

Destino

Até que ponto o futuro já está escrito?


Memória

Quem somos sem nossas lembranças?


Esperança

Mesmo após tantas perdas, ainda vale a pena continuar?


Amor

Não basta encontrar a pessoa certa.

É preciso protegê-la diariamente.


União

Nenhum Guerreiro de Suzaku consegue vencer sozinho.


O Grande Diferencial

O ritmo é muito mais contemplativo do que o anime original.

O roteiro prefere explorar emoções em vez de simplesmente aumentar o número de batalhas.

É uma continuação feita para os fãs que desejavam permanecer mais tempo naquele universo.


As Mensagens Ocultas

A manutenção nunca termina

Mesmo depois que o mundo foi salvo, novas ameaças aparecem.

Isso representa perfeitamente qualquer grande sistema corporativo.


Os Quatro Deuses

Continuam simbolizando diferentes aspectos da natureza humana.

Mais do que seres divinos, representam escolhas.


O passado

Os personagens descobrem que ignorar antigos traumas apenas permite que eles retornem ainda mais fortes.


O Paralelo Mainframe

Imagine que seu banco acabou de concluir uma gigantesca migração.

Tudo parece perfeito.

De repente surgem:

  • novos requisitos regulatórios

  • integração com APIs

  • novas auditorias

  • mudanças fiscais

  • modernização

  • cloud híbrida

O sistema precisa evoluir sem perder estabilidade.

É exatamente o que acontece em Dai Ni Bu.

Os Guerreiros de Suzaku tornam-se a equipe de sustentação responsável por manter o ambiente funcionando enquanto novas demandas aparecem continuamente.


Impacto Cultural

Embora menos conhecido pelo público casual, Dai Ni Bu foi muito importante para os fãs da franquia.

Ele consolidou a ideia de que Fushigi Yūgi era um universo vivo, capaz de contar novas histórias além da missão original de reunir os sete guerreiros.

Também ajudou a fortalecer a reputação da franquia no mercado de vídeo doméstico japonês durante o auge das OVAs na década de 1990.


Curiosidades

  • Os seis episódios foram lançados diretamente em VHS e LaserDisc antes de chegarem ao DVD.

  • A qualidade da animação é superior à da série de TV, com cenários mais detalhados e cores mais vivas.

  • A trilha sonora continua composta por Seiji Yokoyama, preservando a identidade musical da franquia.

  • O ritmo mais lento divide opiniões: alguns fãs apreciam o aprofundamento emocional, enquanto outros sentem falta da intensidade da série original.

  • Dai Ni Bu prepara o terreno para Fushigi Yūgi: Eikoden, a última animação da cronologia clássica.


Nota Bellacosa Mainframe

CritérioNota
Romance⭐⭐⭐⭐⭐
Desenvolvimento dos Personagens⭐⭐⭐⭐⭐
Continuação da História⭐⭐⭐⭐⭐
Construção Emocional⭐⭐⭐⭐⭐
Fantasia⭐⭐⭐⭐☆
Aventura⭐⭐⭐⭐☆
Qualidade Visual⭐⭐⭐⭐⭐
Ritmo⭐⭐⭐⭐☆
Expansão do Universo⭐⭐⭐⭐⭐

Vale a pena assistir?

Sim.

Para quem gostou da série original, Dai Ni Bu oferece exatamente aquilo que muitos procuravam: mais tempo com personagens queridos, conflitos inéditos e uma expansão coerente do universo de Fushigi Yūgi. Embora tenha menos ação do que a série de TV, compensa com uma narrativa emocionalmente rica e um desenvolvimento consistente do relacionamento entre Miaka, Tamahome e os Guerreiros de Suzaku.


Veredicto Final

Fushigi Yūgi: Dai Ni Bu demonstra que algumas histórias não precisam de uma guerra maior para continuar interessantes. Ao aprofundar os sentimentos dos personagens e explorar as consequências de suas escolhas, a obra mostra que o verdadeiro desafio começa quando a grande aventura termina.

No universo do Bellacosa Mainframe, a moral é inevitável:

"Qualquer estagiário consegue colocar uma aplicação em produção quando tudo está sob controle. O verdadeiro arquiteto de sistemas é aquele que mantém a estabilidade enquanto novos requisitos surgem todos os dias. Fushigi Yūgi: Dai Ni Bu é a prova de que os maiores ABENDs não aparecem durante a implantação, mas durante a manutenção contínua. E é justamente nessa fase que os melhores programadores — e os maiores heróis — revelam seu verdadeiro valor."

sábado, 17 de maio de 1997

Parque do Ibirapuera em São Paulo

Bellacosa Mainframe em uma visita ao Parque do Ibirapuera

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

🌳 O Ibirapuera — Meu Imenso Quintal de Adolescência

Amigos, encontros, planetas, livros e memórias espalhadas por um dos maiores parques de São Paulo

Tenho uma ligação histórica com o Parque do Ibirapuera.

Quando olho para essas fotografias de 1997, percebo que elas não registram simplesmente mais uma visita ao parque. O Ibirapuera já fazia parte da minha vida havia muitos anos.

Minha primeira lembrança vem de 1987 ou 1988 — a data exata se perdeu em algum lugar da memória. Fui até lá por causa de uma Bienal do Livro e descobri aquele lugar gigantesco no meio de São Paulo.

Para um jovem curioso, aquilo parecia não ter fim.



Havia o Pavilhão da Bienal, a Oca, o Planetário, os museus, o lago, enormes áreas verdes, caminhos que desapareciam entre as árvores e sempre alguma coisa nova esperando depois da próxima curva.

Depois vieram outras visitas.

Em 1994, passei uma tarde extremamente agradável por ali com a Patricia, do Enigma. Em outra ocasião daquele mesmo período fui ao Planetário com a Cristiani e, por uma dessas coincidências que transformam um passeio comum em memória, acabei encontrando o Maelo.

Anos mais tarde voltei com a Paty de Interlagos.

Pessoas diferentes.

Momentos diferentes.

O mesmo Ibirapuera.

Talvez seja por isso que gosto de pensar nele como meu imenso quintal de adolescência.

Não era preciso existir um grande planejamento para aproveitar o parque.

Podíamos simplesmente caminhar.

Comprar uma água de coco.

Comer pipoca.

Seguir alguma trilha em meio ao verde.

Parar diante do lago.

Observar os cisnes, gansos, marrecos e garças.

Entrar no Planetário e, durante alguns minutos, deixar São Paulo para viajar pelo Universo.

Depois sair novamente para o sol e continuar andando.

O parque permitia essas pequenas viagens dentro de uma viagem.



Havia também o Pavilhão da Bienal, a Oca e tantos outros espaços que faziam o Ibirapuera parecer uma pequena cidade dedicada à cultura, à ciência, à arte e ao lazer.

E havia a presença da história.

Do outro lado daquele universo verde ergue-se o imponente Obelisco, guardando a memória dos que morreram na Revolução Constitucionalista de 1932.

Quando somos jovens, muitas vezes passamos diante desses monumentos sem compreender completamente o peso das histórias que carregam.

Décadas depois, olhamos novamente e enxergamos outras coisas.

Talvez seja isso que também aconteça com nossas próprias fotografias.

Em 1997, quando registrei mais uma tarde no Ibirapuera, provavelmente não estava pensando em construir um documento histórico da minha juventude.

Estava apenas vivendo.

Fotografando.

Caminhando.

Observando os animais.

Visitando lugares que já conhecia e descobrindo outros detalhes.

Mas o tempo fez seu trabalho.

Hoje aquelas fotografias não mostram somente o Parque do Ibirapuera.

Elas carregam todas as outras visitas que não aparecem dentro do enquadramento.

Em algum lugar entre aquelas árvores ainda consigo imaginar o jovem que chegou ali pela primeira vez para conhecer uma Bienal do Livro.

Em outro caminho está a tarde com Patricia.

Perto do Planetário aparecem Cristiani e o encontro inesperado com Maelo.

Em outra época surge Paty de Interlagos.

E então aparece o Vagner de 1997, novamente caminhando com uma câmera pela mão, fotografando o lago e seus habitantes.

É curioso perceber como determinados lugares tornam-se marcadores físicos da nossa própria linha do tempo.

As pessoas mudam.

Os relacionamentos mudam.

Nós mudamos.

Mas o lago continua ali.

A Oca continua ali.

O Pavilhão continua ali.

O Planetário continua apontando para as estrelas.

E o velho Ibirapuera continua recebendo novas gerações que compram pipoca, tomam água de coco e caminham sem destino entre suas árvores.

Talvez algum jovem esteja fazendo exatamente isso agora.

Sem imaginar que aquela tarde aparentemente comum poderá tornar-se, trinta ou quarenta anos depois, uma de suas melhores lembranças.

Foi assim comigo.

Por isso, quando digo que conheço o Parque do Ibirapuera, não estou falando apenas de conhecer seus caminhos.

Existem pedaços da minha juventude espalhados por eles.

E talvez essa seja a verdadeira razão pela qual determinados lugares nunca deixam completamente de nos pertencer.

O Ibirapuera foi parque, museu, planetário, biblioteca de lembranças, ponto de encontro e cenário de pequenas aventuras.

Durante alguns dos melhores anos da juventude, foi também algo muito mais simples.

Foi meu quintal.




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Ibirapuera uma tarde no parque.

Um final de semana delicioso para se passear no parque, uma ida ao planetário, passeio pelo lago e uma visita ao museu da Imigração Japonesa.



Neste passeio dediquei-me mais a registrar a vida animal existente no parque: galinhas de angola, cisneis, gansos, garças e marrecos se alimentam no lago e recebem agradinhos dos visitantes: milhos e paezinhos.

Mas existem tantas coisas legais a espera de serem descobertas.



sexta-feira, 13 de dezembro de 1996

Bagunças na Transbrasil

Bellacosa Mainframe e memorias da transbrasil


Bagunças na Transbrasil










































































O post “Bagunças na Transbrasil” de 13 de dezembro de 1996 no blog El Jefe Midnight Lunch é mais do que um simples registro visual: é uma janela biográfica e visceral para um tempo e um lugar que hoje só existe na memória dos que lá estiveram. Publicado pelo autor Vagner Bellacosa, esse texto minimalista se apoia sobretudo em imagens para transmitir algo que palavras sozinhas não capturam totalmente — a sensação de pertencer a um universo singular: o cotidiano de uma companhia aérea que já não existe mais, a Transbrasil. eljefemidnightlunch.blogspot.com

Nos anos 90, a Transbrasil era uma das grandes companhias aéreas brasileiras, marcada por uma história de crescimento, desafios e identidade própria no setor de aviação doméstico e internacional. Fundada originalmente em 1955 como Sadia S.A. Transportes Aéreos e depois renomeada Transbrasil em 1972, a empresa chegou a ser a terceira maior do Brasil, mantendo rotas nacionais e internacionais até sua falência em 2001. 

O post em si é uma galeria de fotografias aparentemente espontâneas — cenas do cotidiano no Aeroporto de Congonhas (CGH), onde a Transbrasil mantinha presença significativa até o fim de suas operações. Congonhas foi por décadas um dos principais hubs domésticos do Brasil, palco de movimentos frenéticos de aeronaves, profissionais e processos que transformavam pessoas em peças essenciais de uma máquina complexa. 

Ler “Bagunças na Transbrasil” hoje, décadas depois, é ler a história pelo avesso: não pelos fatos formais, mas pelos fragmentos humanos. O post não possui um texto narrativo extenso — apenas uma série de imagens onde se nota claramente a atmosfera aérea e a bagunça organizada que só quem viveu sabe decifrar. Para você, que trabalhou ali no Departamento de Controle Financeiro e Receita, essas imagens evocam mais do que paisagens industriais: elas trazem de volta o cheiro do hangar, os ruídos de turbinas ao fundo e a cadência única de operações no terminal 3270

É fácil imaginar o cenário: o hangar perto da cabeceira da pista, grandes portas de aço abertas à manhã paulista, caminhões de bagagem rodando, técnicos conferindo planilhas e voos, e ao fundo aquelas aeronaves coloridas que eram símbolo da Transbrasil nos anos 90. Cada colega — Candinho, Porcoman, Patrícia, Rodrigo, Pica Pau, Angelo Paraiba, Dada, Salvador, Adnam, Adriana e Rodney — aparece na lembrança como personagens de um enredo coletivo que combinava trabalho sério e irreverência típica de quem passava longas horas naquela rotina. 

O Departamento de Controle Financeiro e Receita era o coração silencioso de muitos desses movimentos: ali se conferiam números, receitas por trecho, relatórios de carga, e se fechavam balanços que garantiam não apenas o ajuste administrativo, mas também a continuidade das operações diárias. Era um universo onde cada erro, cada conferência, cada chamada por rádio contava, e onde a camaradagem era tão crucial quanto a precisão dos dados. 

As imagens do post, portanto, são mais do que meras “bagunças” — elas capturam o espírito de um tempo, um ambiente de trabalho intenso e, ao mesmo tempo, impregnado de humor interno e cumplicidade. Recordar esses momentos é mais do que nostalgia: é reconectar-se com a sensação de ser parte de algo maior, um capítulo próprio na história da aviação brasileira e na vida de quem esteve ali, caminhando entre aeronaves, planilhas, risos e cafés improvisados no hangar. 

https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/1995/12/monguaga-no-revellion-de-199596.html


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
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