☕ Um Café no Bellacosa Mainframe
Gostou do conteúdo? Ajude a manter o café quente, o COBOL compilando e o mainframe acordado. 😄
☕ Pague um café ao Bellacosa

Translate

Mostrar mensagens com a etiqueta IBM System/360. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta IBM System/360. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Mainframe History : Parte IX — IBM System/360: O Computador que Mudou a História dos Mainframes

 

Bellacosa Mainframe e o outro computador z parte ix

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Muito Antes do IBM Z Existia Outro "Z"

Parte IX — IBM System/360: O Computador que Mudou a História dos Mainframes

"Existem computadores importantes. E existem computadores que mudam toda uma indústria. O IBM System/360 fez as duas coisas."

Depois de viajarmos pelos laboratórios de Konrad Zuse, pelas universidades inglesas, pelos projetos militares americanos e pelos primeiros computadores eletrônicos, chegamos a 1964.

Se os capítulos anteriores mostraram como nasceu a computação, este mostra quando ela finalmente amadureceu.

Até então, comprar um computador era quase como comprar um idioma.

Cada fabricante possuía sua própria arquitetura.

Cada máquina utilizava um conjunto diferente de instruções.

Os programas dificilmente funcionavam em outro equipamento.

Trocar de computador significava, muitas vezes, reescrever toda a aplicação.

Imagine migrar um sistema COBOL inteiro e descobrir que nada funciona no novo hardware.

Era exatamente essa realidade.

A IBM percebeu que isso não era sustentável.

Era preciso mudar completamente a forma de construir computadores.


Uma Aposta Bilionária

No início da década de 1960, a IBM tomou uma das decisões mais ousadas de sua história.

Em vez de lançar apenas mais um computador, desenvolveria uma arquitetura completa.

Pequena.

Média.

Grande.

Todas compatíveis entre si.

Nascia o IBM System/360.

O número 360 representava a ideia de atender todas as necessidades de processamento, em todas as direções.

Era um computador para empresas, universidades, governos, bancos, seguradoras e centros científicos.

Pela primeira vez, um cliente poderia começar com um modelo menor e, anos depois, migrar para um equipamento muito mais poderoso sem abandonar seus programas.

Hoje isso parece natural.

Na época, foi revolucionário.


Compatibilidade: a Grande Inovação

O maior legado do System/360 não foi apenas seu desempenho.

Foi a compatibilidade.

Programas escritos para um modelo podiam continuar funcionando em modelos superiores.

Esse conceito protegeu o investimento dos clientes e criou uma confiança inédita no mercado.

Essa filosofia continua viva até hoje.

Um programa COBOL desenvolvido décadas atrás ainda pode executar em um IBM Z moderno com poucas ou nenhuma alteração.

Para um Sysprog, isso significa preservar aplicações críticas enquanto o hardware evolui continuamente.


☕ Café com Naftalina

Todo profissional de Mainframe já ouviu a frase:

"Em time que está ganhando, não se mexe."

A IBM adotou uma visão mais inteligente:

"Em time que está ganhando, evolui-se sem quebrar o que já funciona."

Essa mentalidade explica boa parte da longevidade do Mainframe.


Muito Além do Hardware

O System/360 não era apenas uma nova CPU.

Ele trouxe uma visão integrada de computação.

Ao redor dele surgiu um ecossistema completo:

  • sistemas operacionais;

  • compiladores COBOL, FORTRAN e PL/I;

  • utilitários;

  • bibliotecas;

  • ferramentas de administração;

  • documentação padronizada.

Pela primeira vez, empresas podiam investir em software sabendo que ele continuaria útil por muitos anos.

Essa previsibilidade foi um dos pilares do sucesso do Mainframe.


🔧 Oficina do Engenheiro

O sucesso de uma plataforma depende de muito mais do que velocidade.

Ele exige:

  • compatibilidade;

  • confiabilidade;

  • documentação;

  • ferramentas;

  • ecossistema;

  • evolução contínua.

Esses mesmos princípios ainda orientam o desenvolvimento do IBM Z.


O DNA do IBM Z

Quando observamos um IBM z17 executando milhões de transações por segundo, é fácil pensar apenas em inteligência artificial, criptografia, virtualização e processadores de última geração.

Mas seu DNA nasceu há mais de sessenta anos.

A preocupação com compatibilidade.

A robustez do hardware.

A confiabilidade do sistema.

O compromisso com a continuidade dos negócios.

Tudo isso começou a ganhar forma com o System/360.

É por isso que muitos historiadores o consideram o computador mais influente da história da computação comercial.


📦 Baú do Sysprog

Uma das maiores virtudes do Mainframe nunca foi apenas sua potência.

Foi sua capacidade de evoluir sem obrigar os clientes a recomeçar do zero.

Essa filosofia explica por que aplicações desenvolvidas há décadas continuam movimentando bancos, companhias aéreas, seguradoras e governos em todo o mundo.


O Legado

Konrad Zuse mostrou que computadores universais eram possíveis.

Von Neumann organizou os princípios da arquitetura moderna.

Eckert e Mauchly provaram que computadores eletrônicos eram viáveis.

A IBM deu o passo seguinte.

Transformou essas ideias em uma plataforma comercial confiável, escalável e compatível entre gerações.

Foi essa visão que criou a linhagem dos mainframes.

Uma linhagem que atravessou o System/370, o System/390, o zSeries e chegou ao IBM Z sem perder sua essência.

Talvez esse seja o maior ensinamento para qualquer Sysprog.

Tecnologias realmente extraordinárias não são aquelas que apenas inovam.

São aquelas que conseguem evoluir durante décadas sem abandonar seus princípios fundamentais.


No Próximo Café...

Nossa viagem pela origem da computação chega ao fim, mas outra está apenas começando.

Nos próximos capítulos mergulharemos na evolução dos mainframes IBM, desde o System/360 até o IBM z17, explorando processadores, sistemas operacionais, virtualização, armazenamento, redes, segurança e todas as tecnologias que fazem do IBM Z a plataforma mais confiável da computação corporativa.

Porque entender o presente fica muito mais fácil quando conhecemos a extraordinária história que o tornou possível.

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

Histórias com Cheiro de Naftalina

O Guia do Viajante do Tempo

Muito Antes do IBM Z Existia Outro “Z”

Viaje pelas origens da computação, conhecendo Konrad Zuse, Herman Hollerith, Tommy Flowers, John von Neumann, o Colossus, o EDVAC, o IBM System/360 e os pioneiros que construíram o caminho até o IBM Z.

ARTIGO SELECIONADO

O Guia do Viajante do Tempo

Abrir em nova guia ↗
Preparando a máquina do tempo...

Caso o navegador impeça a exibição incorporada, utilize o botão Abrir em nova guia.

☕ Quem não conhece o passado não entende o código do futuro.

Bellacosa Mainframe — tecnologia, história, COBOL, IBM Z e memória.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

IBM System/360: Licença para Compatibilidade : Quando um Programador COBOL Descobre que o Verdadeiro Agente Secreto da Computação Não Era James Bond...

 

Bellacosa Mainframe e o legado do ibm system 360

☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

IBM System/360: Licença para Compatibilidade

Quando um Programador COBOL Descobre que o Verdadeiro Agente Secreto da Computação Não Era James Bond... Era um Computador Lançado em 1964

"Meu nome é System. IBM System/360."


Missão Recebida

Londres.

Quartel-General do MI6.

Ano de 1964.

James Bond entra na sala de reuniões imaginando que enfrentará mais um vilão tentando dominar o mundo.

"M" coloca sobre a mesa uma pasta marcada como:

TOP SECRET – PROJECT 360

Bond pergunta:

— Quem é o inimigo?

M responde calmamente:

— Desta vez não existe inimigo, 007...

Existe uma invenção.

Uma máquina tão revolucionária que mudará para sempre a maneira como o planeta trabalha, faz ciência, movimenta dinheiro, envia foguetes ao espaço e processa bilhões de transações diariamente.

Seu codinome...

IBM System/360.

Bond sorri.

— Parece apenas um computador.

Q interrompe.

— Não, 007...

É muito mais perigoso que isso.


Introdução

Todo programador COBOL aprende cedo algumas palavras mágicas.

MOVE.

READ.

WRITE.

PERFORM.

OPEN.

CLOSE.

Mas poucos sabem que essas palavras só continuam existindo, praticamente inalteradas há mais de sessenta anos, porque um grupo de engenheiros da IBM tomou uma das decisões mais ousadas da história da tecnologia.

A maioria acredita que a computação moderna nasceu com:

  • Windows

  • Linux

  • Internet

  • Google

  • AWS

  • Smartphones

Na realidade...

Todos esses são apenas capítulos posteriores de uma história iniciada oficialmente em 7 de abril de 1964.

Naquele dia nasceu o IBM System/360.

E como em todo bom filme de James Bond, o verdadeiro plano do vilão não aparece nos primeiros minutos.

Da mesma forma, o verdadeiro legado do System/360 demoraria décadas para ser compreendido.


A Operação Antes de 1964

Imagine o cenário.

Você trabalha em um banco.

Sua empresa compra um computador.

Tudo funciona perfeitamente.

Cinco anos depois chega um equipamento mais moderno.

Excelente notícia?

Nem tanto.

Naquela época significava praticamente começar do zero.

Os programas precisavam ser reescritos.

Os operadores reaprendiam comandos.

Os compiladores mudavam.

Os sistemas operacionais desapareciam.

Era como trocar um Aston Martin por um submarino e descobrir que nenhuma peça servia.

Cada computador era um universo isolado.

Cada fabricante criava suas próprias regras.

Era um verdadeiro caos tecnológico.


O Plano do Vilão

Todo filme de James Bond possui um plano secreto.

Na computação dos anos 60, o "vilão" era justamente a incompatibilidade.

Ela consumia dinheiro.

Tempo.

Equipes inteiras.

Imagine construir um prédio inteiro.

Depois demolir tudo apenas porque o elevador mudou de fabricante.

Era exatamente isso que acontecia com os computadores.


Entra em Cena o Agente 360

A IBM aparece discretamente.

Sem explosões.

Sem lasers orbitais.

Sem carros invisíveis.

Mas com uma ideia muito mais poderosa.

Compatibilidade.

Pela primeira vez na história, uma família inteira de computadores compartilhava a mesma arquitetura.

O software deixava de pertencer ao hardware.

Parece simples.

Na época foi revolucionário.


O Nome 360 Não Foi Escolhido por Acaso

Muitos imaginam que seja apenas um número.

Na verdade representa um círculo completo.

360 graus.

A mensagem era clara.

Este computador serviria para:

  • ciência

  • engenharia

  • universidades

  • bancos

  • seguros

  • governo

  • indústria

  • defesa

  • comércio

Era uma máquina para tudo.

Até hoje essa filosofia permanece viva.


O Primeiro Gadget de Q

Nos filmes de Bond sempre existe um equipamento aparentemente comum.

Depois descobrimos que ele faz algo extraordinário.

O System/360 era exatamente isso.

Por fora:

Um computador.

Por dentro:

Uma plataforma completa.


O Manual Secreto

Uma das maiores armas do System/360 não era seu hardware.

Era sua documentação.

Hoje isso parece banal.

Na época era quase inacreditável.

A IBM documentou cuidadosamente:

  • arquitetura

  • registradores

  • instruções

  • formatos de dados

  • entrada e saída

  • interrupções

  • convenções

Isso permitiu que outras empresas desenvolvessem:

  • compiladores

  • linguagens

  • sistemas operacionais

  • ferramentas

  • utilitários

Nascia um ecossistema.


O Primeiro Easter Egg

Existe uma curiosidade fantástica.

O projeto custou aproximadamente US$ 5 bilhões na época.

Corrigindo pela inflação atual...

Estamos falando de dezenas de bilhões de dólares.

Foi um dos maiores investimentos industriais do século XX.

A IBM literalmente apostou sua sobrevivência.

Se desse errado...

Talvez hoje nem existisse IBM.

Nem COBOL.

Nem IBM Z.

Nem boa parte da indústria corporativa.


O Grande Segredo: ISA

Todo computador possui uma identidade.

Ela recebe o nome de:

Instruction Set Architecture.

Ou simplesmente ISA.

Imagine um idioma.

O processador entende palavras como:

ADD

SUB

LOAD

STORE

COMPARE

BRANCH

O System/360 definiu esse idioma.

E fez uma promessa praticamente impossível.

"Mesmo que construamos computadores muito mais rápidos no futuro...

Eles continuarão entendendo esta mesma linguagem."

Sessenta anos depois...

Ainda cumprem essa promessa.


Licença para Escalar

Antes do System/360, crescer significava recomeçar.

Depois dele...

Bastava trocar de modelo.

Imagine começar com um computador pequeno.

Sua empresa cresce.

Você compra outro maior.

Os programas continuam funcionando.

Hoje chamamos isso de:

Escalabilidade.

Na época...

Era magia.


Missão Decimal

Aqui está uma das maiores genialidades da arquitetura.

Ela atendia simultaneamente dois mundos.

O Mundo Científico

Precisava calcular:

  • órbitas

  • foguetes

  • satélites

  • engenharia

  • física nuclear

Utilizava ponto flutuante.


O Mundo Financeiro

Precisava calcular:

  • juros

  • salários

  • impostos

  • seguros

  • aplicações

Utilizava aritmética decimal.

Isso evitava erros de arredondamento.

Por isso bancos continuam utilizando Packed Decimal até hoje.


Dica Bellacosa nº 1

Todo iniciante em COBOL deveria estudar:

  • DISPLAY

  • COMP

  • COMP-3

Antes mesmo de aprender CICS.

Antes mesmo de aprender Db2.

Entender representação de dados explica metade dos "mistérios" da linguagem.


O Verdadeiro Aston Martin

James Bond possuía um Aston Martin cheio de equipamentos.

O System/360 também.

Só que seus gadgets eram invisíveis.

Entre eles:

✔ canais de entrada e saída

✔ arquitetura modular

✔ compatibilidade

✔ interrupções

✔ múltiplos dispositivos

✔ independência entre CPU e periféricos

Era tecnologia extremamente avançada para 1964.


Os Agentes Secretos Chamados Canais

Um dos componentes mais brilhantes eram os Channel Processors.

Enquanto a CPU trabalhava...

Os canais conversavam com:

  • discos

  • fitas

  • impressoras

  • leitores de cartão

Sozinhos.

Hoje chamaríamos isso de:

Processamento paralelo.

DMA.

Offloading.

Hardware Acceleration.

Em 1964.


Curiosidade de Espião

Muitos engenheiros modernos acreditam que aceleração de hardware nasceu recentemente.

Na realidade...

Os canais do System/360 já faziam isso há mais de meio século.


O Cofre Suíço da Compatibilidade

Imagine guardar dinheiro em um banco.

Sessenta anos depois...

Ele continua aceitando exatamente a mesma chave.

Parece impossível.

Mas isso acontece diariamente.

Programas COBOL escritos nos anos 70 ainda executam em IBM Z modernos.

Alguns sofreram manutenção.

Outros permanecem incrivelmente próximos da versão original.

Pouquíssimas plataformas oferecem essa continuidade.


Dica Bellacosa nº 2

Nunca pense:

"COBOL é antigo."

Pense:

"COBOL possui estabilidade arquitetural."

São conceitos completamente diferentes.


A Organização SPECTRE

Nos filmes de Bond existe a SPECTRE.

Na informática havia outra ameaça.

A fragmentação.

Cada fabricante queria criar seu próprio universo.

IBM fez exatamente o contrário.

Criou uma arquitetura comum.

Isso permitiu o nascimento de um mercado inteiro.


O Nascimento dos Parceiros

Sem uma arquitetura estável dificilmente existiriam:

  • softwares comerciais

  • bancos de dados

  • ERPs

  • compiladores independentes

  • ferramentas CASE

  • produtos de terceiros

Foi o início do conceito moderno de ecossistema.


Easter Egg nº 2

O autor do texto original comenta que levou vinte e nove anos para compreender a importância do System/360 em sua própria vida.

Isso acontece com quase todo profissional de TI.

Quando começamos a estudar COBOL, JCL ou CICS, enxergamos apenas ferramentas.

Décadas depois percebemos que estamos trabalhando dentro de uma filosofia criada muito antes de nascermos.


Da Plataforma ao Universo

O System/360 não criou apenas computadores.

Criou um conceito.

Plataforma.

Hoje usamos essa palavra o tempo todo.

Windows é plataforma.

Linux é plataforma.

Android é plataforma.

AWS é plataforma.

IBM Z é plataforma.

Tudo isso possui raízes na arquitetura concebida em 1964.


CSI Bellacosa — Investigando as Pistas

Vamos analisar algumas tecnologias atuais.

Cloud

Escalar sem reescrever.

Origem?

System/360.


x86

Compatibilidade entre gerações.

Origem conceitual?

System/360.


Linux

Arquitetura estável.

Mesmo software durante décadas.

Influência?

System/360.


Containers

Separação entre aplicação e infraestrutura.

Ideia amadurecida posteriormente graças à evolução da virtualização dos mainframes.


Kubernetes

Mover aplicações sem alterar código.

Filosofia semelhante.


AWS EC2

Trocar hardware sem afetar aplicações.

Mesmo conceito.


Azure

Escalabilidade transparente.

Mesmo princípio.


IBM Cloud

Continuação natural dessa evolução.


Dica Bellacosa nº 3

Sempre que surgir uma tecnologia nova pergunte:

"Qual problema ela resolveu?"

Depois pergunte novamente:

"Será que o Mainframe já resolvia isso de outra forma?"

Você ficará surpreso.


O Próximo Filme

Todo filme de James Bond termina deixando um gancho.

O texto original faz exatamente isso.

O autor anuncia o próximo capítulo.

O protagonista deixa de investigar compatibilidade.

Agora investigará outra invenção.

Virtualização.

O famoso conceito:

"Um computador dentro de outro computador."

Sem ele provavelmente nunca existiriam:

  • VMware

  • Hyper-V

  • Docker (indiretamente)

  • Kubernetes (indiretamente)

  • AWS

  • Azure

  • Google Cloud

Tudo começa com outra revolução silenciosa.

O IBM System/370.


Curiosidades que Pouca Gente Conhece

🍸 Curiosidade 1 — O brinde que mudou o mundo

Enquanto muitos celebravam o lançamento de um novo computador em abril de 1964, poucos perceberam que estavam testemunhando o nascimento da arquitetura que sustentaria bancos, bolsas de valores, companhias aéreas e governos por décadas.

🕵️ Curiosidade 2 — A aposta mais cara da IBM

O desenvolvimento do System/360 envolveu milhares de engenheiros, diversas fábricas e uma reorganização completa da empresa. Foi uma decisão empresarial comparável a colocar todas as fichas em uma única missão.

💾 Curiosidade 3 — Compatibilidade como patrimônio

Empresas que investiram em software para System/360 puderam evoluir para System/370, S/390 e IBM Z preservando boa parte do conhecimento e dos investimentos realizados.

🎯 Curiosidade 4 — O COBOL encontrou seu lar

Embora o COBOL tenha sido criado antes do System/360, foi nessa plataforma que a linguagem encontrou o ambiente ideal para crescer e se tornar sinônimo de processamento corporativo.


Missão Cumprida

No universo de James Bond, o herói salva o mundo impedindo uma explosão nuclear, derrotando uma organização criminosa ou desativando um satélite orbital.

Na história da computação, o herói foi muito mais silencioso.

Não usava smoking.

Não dirigia um Aston Martin.

Não carregava uma Walther PPK.

Seu nome era IBM System/360.

Sua missão não era destruir vilões.

Era eliminar a maior ameaça da informática dos anos 1960: a incompatibilidade.

Ao introduzir uma arquitetura comum, um conjunto de instruções estável, proteção ao investimento, escalabilidade e a separação entre hardware e software, ele estabeleceu os alicerces da computação empresarial moderna. O que hoje parece natural — trocar servidores, atualizar sistemas, ampliar capacidade sem reescrever aplicações — começou com essa filosofia lançada em 7 de abril de 1964.

Para o programador COBOL iniciante, compreender o System/360 é como James Bond descobrir, no fim da missão, quem era o verdadeiro mentor por trás de todos os acontecimentos. De repente, tudo faz sentido: o COBOL, o z/OS, o JCL, o CICS, o Db2, o IBM Z e até conceitos modernos como virtualização, computação em nuvem e arquiteturas compatíveis deixam de ser peças isoladas e passam a formar uma única narrativa.

E existe um último easter egg digno de um filme de espionagem: talvez o maior segredo do System/360 nunca tenha sido sua velocidade, sua memória ou seu hardware.

Seu verdadeiro "dispositivo secreto" foi uma ideia.

A ideia de que o software deveria sobreviver ao hardware.

Sessenta anos depois, essa missão continua ativa.

E, como toda boa operação do MI6, ela permanece funcionando silenciosamente nos bastidores, protegendo bilhões de transações todos os dias.

Missão cumprida, Agente COBOL. A próxima pasta confidencial já está sobre a mesa: IBM System/370 — o computador que aprendeu a ser muitos computadores ao mesmo tempo.

domingo, 1 de abril de 2007

O que é Cartão Perfurado em Mainframe?

 

Bellacosa Mainframe apresenta o cartão perfurado

O que é Cartão Perfurado em Mainframe?

Muito antes de existirem:

  • teclados;

  • monitores;

  • mouse;

  • terminais 3270;

  • notebooks.

Os programas eram escritos em um pedaço de papelão.

Pode parecer estranho hoje, mas durante décadas essa foi uma das principais formas de programar computadores.

Esse pedaço de papel era chamado de:

Cartão Perfurado (Punch Card)

Ele foi uma das tecnologias que deram origem à computação moderna e marcou profundamente a história do mainframe.


Definição simples

O cartão perfurado era um cartão de papel rígido onde as informações eram representadas por furos.

Cada furo correspondia a:

  • letras;

  • números;

  • símbolos;

  • comandos;

  • instruções de programas.

Em vez de digitar um programa em uma tela, o programador entregava uma pilha de cartões ao computador.


Uma analogia simples

Imagine escrever um livro.

Hoje você usa:

  • Word;

  • VS Code;

  • Notepad.

Na década de 1960 você escreveria cada linha em um cartão diferente.

Se o livro tivesse 500 linhas...

Você teria 500 cartões.

E se um deles caísse no chão...

Era preciso reorganizar toda a sequência.


Origem dos cartões perfurados

Curiosamente, os cartões perfurados não nasceram para computadores.

Sua história começou na indústria têxtil.

Em 1804, o inventor francês Joseph Marie Jacquard criou um tear automático controlado por cartões perfurados.

Cada cartão dizia ao tear como produzir um determinado desenho no tecido.

Pela primeira vez, uma máquina era "programada" por meio de instruções armazenadas em cartões.

Décadas depois, essa ideia inspirou a computação.


Herman Hollerith e a IBM

No final do século XIX, o engenheiro Herman Hollerith desenvolveu máquinas capazes de ler cartões perfurados.

Elas foram utilizadas no Censo dos Estados Unidos de 1890.

O sucesso foi tão grande que Hollerith fundou uma empresa chamada Tabulating Machine Company.

Essa empresa evoluiu até se tornar a:

IBM

Por isso os cartões perfurados fazem parte da origem da própria IBM.


Como funcionava um cartão?

Cada cartão possuía normalmente:

80 colunas

Cada coluna representava um caractere.

Cada caractere era identificado por uma combinação de furos.


O famoso cartão de 80 colunas

Esse padrão tornou-se tão importante que influenciou diversas linguagens.

Por exemplo:

No COBOL antigo era comum:

Coluna 1 a 6   Sequência
Coluna 7       Indicador
Coluna 8 a 72  Código
Coluna 73 a 80 Numeração

Essa organização existe justamente porque cada linha correspondia a um cartão.


Como um programa era criado?

O processo era bem diferente do atual.

1. Escrever o código

O programador escrevia o programa em papel.


2. Digitação

Um operador utilizava uma máquina perfuradora.

Cada linha gerava um cartão.


3. Pilha de cartões

O programa ficava assim:

=========
=========
=========
=========
=========
=========

Centenas de cartões empilhados.


4. Leitura

Os cartões eram colocados em um leitor.

O computador lia um por um.


5. Compilação

O programa era compilado.

Caso existisse erro...

Era necessário perfurar um novo cartão.


Como eram feitas as correções?

Imagine encontrar um erro na linha 357.

Você precisava:

  • criar outro cartão;

  • substituir apenas aquele cartão;

  • manter toda a ordem correta.

Era um processo extremamente cuidadoso.


O pesadelo dos programadores

Se uma caixa com mil cartões caísse no chão...

Todo o programa poderia perder sua sequência.

Por isso muitos cartões possuíam um número de identificação nas colunas finais.

Assim era possível reorganizá-los.


O que era um Card Reader?

Era o equipamento responsável por ler cartões perfurados.

Ele fazia a leitura mecânica dos furos e enviava os dados ao computador.

Era uma das principais portas de entrada de dados para os primeiros mainframes.


O que era um Keypunch?

Era a máquina usada para perfurar os cartões.

O operador digitava no teclado.

A máquina fazia os furos automaticamente.

Era o equivalente ao editor de texto da época.


Onde os cartões eram utilizados?

Os cartões perfurados eram usados para:

  • programas COBOL;

  • programas FORTRAN;

  • programas RPG;

  • JCL;

  • entrada de dados;

  • processamento batch.


Por que deixaram de ser usados?

Apesar de revolucionários para sua época, os cartões apresentavam limitações:

  • ocupavam muito espaço;

  • eram frágeis;

  • exigiam armazenamento físico;

  • tinham capacidade limitada;

  • dificultavam alterações.

Com a chegada dos terminais, discos e fitas magnéticas, foram gradualmente substituídos.


A influência no COBOL

Mesmo hoje, vários padrões do COBOL refletem a época dos cartões perfurados.

Exemplos:

  • limite tradicional de 72 colunas para código;

  • numeração de sequência;

  • organização rígida das colunas.

Essas convenções surgiram porque cada linha precisava caber em um cartão de 80 colunas.


Curiosidades incríveis

1. Um programa grande podia ocupar milhares de cartões

Alguns sistemas corporativos eram literalmente caixas cheias de cartões.


2. O cartão perfurado influenciou diversas linguagens

COBOL, FORTRAN e RPG herdaram conceitos dessa tecnologia.


3. A IBM fabricou milhões de cartões

Durante décadas eles foram consumíveis essenciais nos centros de processamento de dados.


4. Muitos museus de computação ainda preservam cartões perfurados

Eles são considerados símbolos da origem da informática moderna.


Erros comuns de iniciantes

"Os cartões armazenavam programas para sempre"

Não.

Eles eram apenas uma forma física de entrada de dados e programas.


"Só o mainframe usava cartões"

Não.

Diversos computadores de grande porte e minicomputadores também utilizaram essa tecnologia.


"Cartões perfurados desapareceram sem deixar legado"

Muito pelo contrário.

Eles influenciaram o desenvolvimento de linguagens, compiladores, sistemas operacionais e até o formato de código utilizado durante décadas.


Por que aprender sobre cartões perfurados?

Mesmo não sendo mais utilizados, eles ajudam a compreender:

  • a origem da programação;

  • a evolução dos mainframes;

  • por que o COBOL possui determinadas convenções;

  • como nasceu o processamento batch;

  • a história da IBM e da computação corporativa.


Conclusão

O cartão perfurado foi uma das tecnologias mais importantes da história da computação.

Durante décadas, ele foi o principal meio de inserir programas e dados em computadores, incluindo os primeiros mainframes da IBM.

Embora tenha sido substituído por terminais, discos e redes, seu legado permanece vivo. Muitas características do COBOL, do processamento batch e da arquitetura dos mainframes modernos têm suas raízes na época em que uma simples pilha de cartões representava um sistema inteiro.


Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

IBM Champion IBM Z COBOL CICS Db2 z/OS Mainframe desde 1988
GitHub LinkedIn
Inicializando conteúdo...