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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

📣🎥 “Yobikake” em Anime: Quando o personagem te chama (mesmo que você esteja no sofá)

  


📣🎥 “Yobikake” em Anime: Quando o personagem te chama (mesmo que você esteja no sofá)

Explorando esse chamado invisível que atravessa a tela

Se você já assistiu um anime e sentiu aquela estranha sensação de que o personagem falava com você — seja um “Ei, você!” implícito ou aquele olhar direto para a câmera — bem, talvez você tenha experimentado uma forma de yobikake. Vamos entender o que é, de onde vem, como funciona, e por que vira piada ou momento marcante.


🧐 1) O que é “yobikake”

O termo 呼びかけ (yobikake) literalmente significa “chamada”, “apelo” ou “convocação”. JLearn+2Tanoshii Japanese+2
No sentido linguístico:

  • “呼びかけ‐る (yobikakeru)” = vociferar ou convocar, “chamar alguém” Suki Desu

  • Como substantivo “呼びかけ (yobikake)” = “o ato de chamar ou apelar” Tanoshii Japanese+1

Em anime, muitas vezes o conceito se estende para quando o personagem rompe a barreira entre a ficção e o espectador, fazendo um chamado implícito ou explícito à audiência — “Ei, você está vendo isso comigo?”, “Você entendeu?”, “Você é parte disso”.


🕰️ 2) Origem e contexto

  • Na literatura e no teatro japoneses (bem como ocidentais) já existia o uso de apostrophe — ou “chamar alguém que não está presente” — como recurso literário. “Yobikake” pode se referir a isso também. Tanoshii Japanese

  • No anime/mangá, esse tipo de diálogo ou olhar direto ganhou força com o humor meta e a quebra da quarta parede — onde personagens reconhecem que estão em “um anime”.

  • Embora a palavra “yobikake” não seja amplamente usada nos estudos de anime (em inglês ou português), o conceito está implícito em muitos momentos de comédia, abstração ou pausa reflexiva.


🎬 3) Como o yobikake aparece nos animes

Aqui vão formas comuns de se manifestar:

  • Um personagem olha diretamente para a câmera ou para o espectador;

  • Um personagem comenta com a plateia ou faz uma piada que “só você entenderá”;

  • Um personagem chama ou convoca o espectador como parte da cena (“Me ouça!”, “Veja isso comigo!”);

  • Um narrative ou abertura que usa “vocês” para se referir à audiência;

  • Um “efeito de chamada” no enredo, onde a história reconhece o público ou usa o público como espectador consciente.


📌 4) Exemplos de animes

  • Gintama — Várias cenas onde os personagens comentam o anime, olham para você ou brincam com o fandom.

  • Monthly Girls’ Nozaki‑kun — Há momentos sutis onde os personagens fazem cara de “você entendeu isso?” ou a câmera vira parte da piada.

  • Pop Team Epic — Quebra total da quarta parede, com “yobikake” em nível absoluto, chamando o espectador pra rir ou pro absurdo.

  • One Punch Man — Algumas piadas onde o protagonista comenta diretamente sobre tropo de herói e parece “ligar” para o espectador.


🎉 5) Curiosidades & histórias

  • Em muitos fóruns de fãs, se comenta que “esse personagem ‘falou comigo’” quando há uma quebra de quarta parede — excelente sinal de yobikake bem feito.

  • Yobikake pode também estar presente em aberturas ou encerramentos, onde a música ou vocalista canta “vocês” ou “nós”, falando diretamente ao público.

  • Nos animes mais antigos, pode ser mais sutil; nos atuais, o uso meta está mais evidente por causa do fandom e da internet.


🧩 6) Dicas para identificar e apreciar

  • Preste atenção se o personagem vira a câmera ou parece “saber” que está sendo assistido.

  • Observe se há terceira pessoa (“vocês”, “vocês aí”) no diálogo ou narração.

  • Note se a piada depende de você “estar assistindo” — se sim, bingo: yobikake.

  • Aprecie como o momento quebra a imersão de maneira consciente e divertida.

  • Use como referência para memes: momentos de yobikake viram GIFs ou screenshots populares.


🗣️ 7) Comentários finais do narrador

Yobikake é aquela piscadinha esperta que o anime te dá:

“Sim, eu sei que você está aí. Vamos brincar juntos.”

Não é só técnica — é convite para rir, refletir ou se sentir parte da história. É quando o personagem se volta para você e diz:

“Você entendeu isso, né?”

Então, da próxima vez que assistir um anime e sentir aquele arrepio de reconhecimento… pode apostar: é yobikake chamando.

domingo, 22 de dezembro de 2024

🎨🐾 O Guia de Cores e Símbolos para Kemonomimi

 

Bellacosa Mainframe e o guia de cores e simbolos para kemonomimi

🎨🐾 O Guia de Cores e Símbolos para Kemonomimi

Porque cada orelhinha conta uma história.


🌙 Introdução: o código secreto das orelhas

Você acha que as orelhas de gato da sua personagem são só um acessório fofo?
Pense de novo.

No mundo dos kemonomimi (獣耳 — literalmente “orelhas de fera”), cor + forma + rabo formam um vocabulário visual completo.
É quase uma linguagem não escrita do moe — metade psicologia das cores, metade pura cultura otaku.

Em resumo: o design fala antes do personagem abrir a boca.



🧠 A base simbólica: instinto, cor e arquétipo

Cada tipo de kemonomimi expressa uma vibe animal — e a cor amplifica isso.
No Japão, as cores têm significados tradicionais, herdados do onmyōdō (yin-yang) e das cinco energias (go-shiki):

CorSimbolismo tradicionalEmoção moe associada
Vermelho (aka)Paixão, energia, perigoTsundere explosiva ❤️🔥
Azul (ao)Calma, sabedoria, purezaKuudere ou onee-san gelada ❄️
Amarelo (ki)Alegria, luz, curiosidadeGenki girl ☀️
Branco (shiro)Pureza, inocência, magiaMascote angelical ✨
Preto (kuro)Mistério, rebeldia, sensualidadeAntagonista charmosa 🖤
Marrom (chairo)Natural, confiança, calorProtetora ou amiga fiel 🐾
Rosa (pinku)Doçura, romance, vulnerabilidadeIdol moe 💞
Cinza / PrataNeutralidade, calma, melancoliaPersonagem sábia ou trágica 🌫️

🐱 Cores por espécie (tradução do instinto em paleta)

🐈 Nekomimi (gato)

  • Preto: independência + aura misteriosa (tipo Luna de Sailor Moon)

  • Branco: inocência felina, toque angelical

  • Cinza: equilíbrio e serenidade (Blake de RWBY é o exemplo perfeito)

  • Laranja: caótica, brincalhona, energética

💬 Símbolo: orelhas afiadas = curiosidade.
Rabo enrolado = autocontrole. Rabo fofo = inocência.


🐶 Inumimi (cachorro)

  • Marrom claro: fidelidade, amizade, energia solar

  • Preto: guardiã, tipo “corajosa e emocional”

  • Dourado: otimismo puro (a personagem que corre atrás do trem gritando “senpai!”)

💬 Símbolo: orelhas caídas = ternura, submissão.
Rabo reto = proteção e lealdade.


🦊 Kitsunemimi (raposa)

  • Laranja / Vermelho: astúcia, sedução, truques

  • Branco: forma divina — ligação com Inari (deusa xintoísta das raposas)

  • Prata: espiritualidade e mistério ancestral

💬 Símbolo: nove rabos = poder absoluto. Um rabo = aprendiz ou espírito travesso.


🐺 Ōkamimimi (lobo)

  • Cinza: equilíbrio entre selvagem e racional

  • Preto: caçadora solitária (mas com trauma emocional, sempre)

  • Branco: nobre, protetora, tipo “líder de matilha”

💬 Símbolo: olhos dourados → instinto puro.
Orelhas triangulares → alerta constante.


🐰 Usagimimi (coelho)

  • Branco: pureza, timidez, charme infantil

  • Rosa: inocência sonhadora

  • Azul-claro: serenidade emocional, “kuudere saltitante”

💬 Símbolo: orelhas longas = sensibilidade.
Elas “ouvem o coração dos outros” — literalmente, nos shoujos.


🐻 Kumamimi (urso)

  • Marrom: estabilidade emocional e fofura desajeitada

  • Preto: força e proteção

  • Bege: calor e aconchego

💬 Símbolo: corpinho arredondado, voz calma e braços sempre prontos pra abraço (ou dormir).


🧩 Extras visuais e seus significados ocultos

ElementoSignificadoDica de uso
🎀 FitasFragilidade e vaidadeIdeal para balancear designs felinos
🔔 SinosDesejo de atenção (ou alerta emocional)Ícone clássico das nekomimis
🦴 ColeirasPertencimento, relação emocionalUse com cuidado, alto poder simbólico
🌸 FloresNatureza, doçuraPerfeitas para personagens inocentes
💎 Brilhos metálicosAura mágica ou divinaMuito usados em kitsune e lobas brancas

🎨 Design psicológico: o código secreto do artista

Desenhar kemonomimi é contar uma história por cor e textura.
Quer sugerir uma personagem misteriosa mas gentil? → Cabelos lilás + orelhas cinza.
Quer uma líder energética? → Cabelos laranja + olhos dourados.

O bom design não mostra só “animalidade”.
Mostra a alma escondida atrás das orelhas.


☕ Comentário do El Jefe

“No fim, as cores das kemonomimi são como temperos —
demais, e você estraga o prato;
de menos, e perde o sabor.
Mas quando acerta... o moe fala por si.”

Então pinte com instinto.
Deixe o seu pincel ouvir o rabo balançar.
E lembre-se:

Cada orelhinha tem uma cor de coração escondida atrás.

sábado, 21 de dezembro de 2024

🔥 COBOL NÃO ESTÁ MORRENDO — ELE ESTÁ ESCONDENDO SEGREDOS QUE SUA EMPRESA NÃO CONSEGUE MAIS ENTENDER 💣

 

Bellacosa Mainframe a pensar nos segredos escondidos em nosso Cobol

🔥 COBOL NÃO ESTÁ MORRENDO — ELE ESTÁ ESCONDENDO SEGREDOS QUE SUA EMPRESA NÃO CONSEGUE MAIS ENTENDER 💣

☕💣 COBOL NÃO MENTE — E ISSO MUDA TUDO

📎 A PENSAR numa migração e/ou evolução:


🔥 1. Software Legado

🧠 “35 anos na Stack IBM Mainframe te ensinam uma coisa acima de tudo: COBOL não mente.”

COBOL é:

  • Verboso ✔
  • Rígido ✔
  • Antigo ✔

Mas também é:

  • Determinístico ✔
  • Transparente ✔
  • Brutalmente honesto ✔

👉 Diferente de linguagens modernas cheias de abstrações, COBOL mostra exatamente o que está acontecendo — sem esconder lógica atrás de frameworks.

💥 Tradução real disso:

“Se o sistema faz algo estranho, não é magia — está no código.”


🧨 O PROBLEMA REAL (QUE TODO MUNDO SABE, MAS NÃO FALA)

O codigo cobol legado expõe um ponto crítico que você, como mainframe guy, conhece bem:

  • 👴 Especialistas estão se aposentando
  • 📉 Novos devs não leem COBOL
  • 📄 Documentação ≠ realidade

💣 Resultado:

O sistema funciona… mas ninguém sabe exatamente COMO.

Isso é perigosíssimo em ambientes críticos (banco, seguro, governo).


⚠️ A PERGUNTA ERRADA VS A CERTA

❌ Errado:

“Como reescrever isso?”

✅ Certo:

“Como entender o que isso faz HOJE?”

Essa virada é genial.

Porque:

  • Reescrever sem entender = desastre
  • Modernizar sem contexto = regressão funcional

🤖 2. A VIRADA: ENSINANDO IA A LER COBOL

Aqui entra o ouro técnico.

❌ Mito:

“Joga o código na IA que ela entende”

✅ Realidade:

COBOL quebra o cérebro de LLMs por causa de:

  • DIVISIONS (estrutura hierárquica rígida)
  • PICTURE clauses (tipagem implícita e arcaica)
  • COPYBOOKS (dependência externa invisível)
  • DDS (fora do código!)
  • Data flow procedural (sem OO moderno)

👉 Para IA crua:

COBOL não parece código — parece ruído.


🛠️ SOLUÇÃO ADOTADA

O que deve ser feito? Pensar, improvisar e criar, fazer o que um bom mainframe dev faria:

  1. Criar regras explícitas (prompts estruturados)
  2. Modelar:
    • Sintaxe COBOL
    • Fluxo de dados
    • Estrutura de programa
  3. Alimentar com código real (IFS)
  4. Iterar (loop de melhoria contínua)

💡 E mais importante:

Criou uma toolchain com memória de domínio

Ou seja:

  • A IA não começa do zero
  • Ela já “sabe COBOL” antes de analisar

🧬 3. O MOMENTO MÁGICO: COPYBOOK

Aqui está o ponto que separa amador de especialista.

💥 Quando a IA resolve um COPY, tudo muda.

Por quê?

COPYBOOK = DNA do sistema

Contém:

  • Estruturas de dados
  • Layouts de arquivos
  • Regras implícitas
  • Contratos entre programas

👉 Sem isso:

Você NÃO entende o sistema.


🚀 O BREAKTHROUGH

A IA conseguiu:

  1. Resolver COPY
  2. Encontrar membro correto no IFS
  3. Expandir definições
  4. Usar corretamente no output

Sem intervenção humana.

💣 Tradução prática:

A IA começou a “pensar como um programador de mainframe experiente”


📄 4. O RESULTADO: DOCUMENTAÇÃO DE NEGÓCIO REAL

Agora vem a parte mais poderosa.

Pergunta proibida nas empresas:

“O que esse programa realmente faz?”

E ninguém responde porque:

  • Código tem 3000+ linhas
  • Autor sumiu nos idos 1998 antes do bug Y2k.
  • Quiça durante o downsize e rightsize dos anos 1990
  • Inspirado em Alsop mudou de stack
  • E deixou um Doc nunca foi confiável

🧠 O QUE A IA PRODUZ

Não é:

  • ❌ resumo técnico
  • ❌ pseudo-código

É:

  • ✅ Documento de processo de negócio

Exemplo do que isso significa:

AntesDepois
“PERFORM CALC-RTN”“Calcula juros compostos baseado em data de vencimento e tipo de cliente”
“MOVE WS-FLAG TO OUT-REC”“Define status de aprovação do contrato”

⚡ IMPACTO REAL

Isso aqui não é hype — é transformação estrutural:

🔓 Recuperação de conhecimento institucional

  • Código morto volta a ser compreendido
  • Regras de negócio deixam de ser “caixa preta”
  • Onboarding acelera brutalmente

🧱 Base para modernização

Agora você pode:

  • Migrar com segurança
  • Validar comportamento
  • Criar testes reais

🧪 5. O PRÓXIMO NÍVEL (CITADO NO TEXTO)

Testar se o SQLRPGLE convertido faz exatamente o mesmo que o COBOL

Aqui entra o verdadeiro desafio:

💣 Modernizar é fácil
💣 Garantir equivalência é DIFÍCIL


🔍 O QUE PRECISA EXISTIR

  • Testes baseados em comportamento
  • Comparação de outputs
  • Validação de regras de negócio

👉 Isso é engenharia de verdade — não só conversão de sintaxe.


☕💥 CONCLUSÃO NO ESTILO BELLACOSA

Esse texto não é sobre IA.

É sobre algo muito mais profundo:

🔥 Entender antes de transformar

COBOL nunca foi o problema.

O problema sempre foi:

  • Falta de entendimento
  • Dependência de pessoas
  • Conhecimento não documentado

💣 A FRASE FINAL QUE DEFINE TUDO

“COBOL não mente. Quem não entende, sim.”

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

🧠 AMOS: O Ladrão Invisível Que Não Roda no z/OS… Mas Já Pode Estar Roubando Seus Dados

 

Bellacosa Mainframe e o AMOS uma porta dos fundos para roubar dados

🧠 AMOS: O Ladrão Invisível Que Não Roda no z/OS… Mas Já Pode Estar Roubando Seus Dados

“Você protege seu RACF. Blinda seu CICS. Controla seu batch.
Mas… e o endpoint do seu desenvolvedor COBOL? Quem está protegendo isso?”


☕ Introdução ao Estilo Bellacosa

No mundo do mainframe, existe um mantra silencioso:

“Se está no z/OS, está seguro.”

E na maioria das vezes… está mesmo.

Mas aqui vai o plot twist que poucos analistas seniores querem encarar:

👉 O problema moderno não começa dentro do mainframe. Ele começa fora.

Hoje vamos dissecar uma ameaça real, atual e crescente:

🔥 Atomic Stealer (AMOS)


🧬 O que é o AMOS (Atomic Stealer)?

O Atomic Stealer, também conhecido como AMOS, é um malware do tipo infostealer, projetado inicialmente para sistemas macOS — sim, aquele ambiente que muitos ainda chamam de “seguro por padrão”.

Ele atua roubando:

  • Credenciais (navegadores, FTP, SSH)
  • Cookies de sessão
  • Carteiras de criptomoedas
  • Tokens de autenticação
  • Dados sensíveis armazenados localmente

👉 Em outras palavras:
Ele não invade o mainframe… ele invade quem acessa o mainframe.


🧠 A Nova Superfície de Ataque do z/OS

Você, analista COBOL sênior, já domina:

  • RACF
  • ACF2 / Top Secret
  • Segurança de dataset
  • Auditoria SMF
  • Controles de acesso CICS/DB2

Mas me responda com franqueza:

👉 Você controla o notebook do desenvolvedor que acessa o TSO?

👉 Você audita o browser onde está o plugin de emulador 3270?

👉 Você garante que tokens de sessão não estão sendo roubados?

Se a resposta for “não totalmente”…

Então o AMOS já encontrou um ponto de entrada.


🕵️‍♂️ Anatomia do Ataque

O AMOS não precisa de APF autorizado.
Ele não precisa de IPL.
Ele não precisa nem saber o que é um dataset VSAM.

Ele funciona assim:

🔓 1. Engenharia Social

  • Usuário baixa software pirata, plugin ou update falso
  • Ou acessa link malicioso (phishing)

🧬 2. Execução Silenciosa

  • Malware roda no endpoint (Mac/Windows)
  • Coleta credenciais, cookies, tokens

📤 3. Exfiltração

  • Dados enviados para servidores do atacante

🎯 4. Uso Inteligente

  • Hacker usa sessão válida
  • Acessa sistemas corporativos como usuário legítimo

👉 Inclusive:

  • Acessos TSO
  • Ferramentas FTP para datasets
  • APIs REST via z/OS Connect

⚠️ O Impacto no Mundo Mainframe

“Mas o z/OS não foi invadido…”

Correto.

👉 Mas os dados foram.

E isso muda tudo.

💥 Possíveis impactos:

  • Vazamento de dados sensíveis (clientes, contas, CPF)
  • Acesso indevido a sistemas batch
  • Execução de jobs maliciosos
  • Exfiltração de arquivos via FTP/SFTP
  • Comprometimento de credenciais privilegiadas

⚖️ LGPD: Onde o Problema Fica Sério

No contexto da Lei Geral de Proteção de Dados:

👉 Não importa onde ocorreu a falha.

Se houve vazamento de dados pessoais:

  • A empresa é responsável
  • Pode sofrer multas
  • Pode ter dano reputacional severo

E aqui vem a bomba:

“Mas foi no notebook do desenvolvedor…”

👉 Irrelevante para a LGPD.


🔍 Auditoria: O Que Você NÃO Está Vendo

Ferramentas clássicas de auditoria no z/OS:

  • SMF
  • RACF logging
  • CICS journaling

Elas vão mostrar:

✔ Login válido
✔ Acesso autorizado
✔ Comandos corretos

👉 Ou seja:
Tudo parece normal.

Porque o atacante está usando:

A identidade legítima do usuário.


🧠 O Paradoxo da Segurança Mainframe

O mainframe continua sendo o ambiente mais seguro.

Mas…

👉 A confiança no perímetro humano virou o elo fraco.


🛡️ Controles que um Analista COBOL Sênior Precisa Entender

Você não precisa virar especialista em cibersegurança.

Mas precisa evoluir sua visão.

🔐 1. Zero Trust

  • Nunca confiar implicitamente no usuário
  • Validar continuamente identidade e contexto

🔑 2. MFA (Multi-Factor Authentication)

  • TSO
  • VPN
  • Ferramentas de acesso

🧾 3. Monitoramento Comportamental

  • Detectar acessos fora do padrão
  • Horários incomuns
  • Volume anormal de leitura de datasets

🧬 4. Proteção de Endpoint

  • Antimalware corporativo
  • EDR (Endpoint Detection and Response)

📡 5. Segmentação de Acesso

  • Limitar privilégios
  • Evitar acessos amplos desnecessários

🧠 Curiosidades & Easter Eggs

💡 AMOS é vendido como serviço (Malware-as-a-Service)
👉 Hackers “alugam” o malware — modelo parecido com SaaS.

💡 Foco inicial em macOS
👉 Porque muitos profissionais de TI usam Mac… incluindo devs mainframe.

💡 Interface amigável para criminosos
👉 Painel web para visualizar dados roubados.

💡 Tokens são mais valiosos que senhas
👉 Permitem acesso sem autenticação adicional.


🧨 O Problema Ético

Aqui vai uma reflexão forte:

👉 O analista COBOL tradicional sempre confiou no ambiente controlado.

Mas agora…

  • Seu código pode ser seguro
  • Seu JCL pode estar perfeito
  • Seu RACF pode estar blindado

E mesmo assim…

Seus dados podem estar sendo vendidos na dark web.


🧭 Conclusão: O Novo Papel do Analista Mainframe

O analista COBOL sênior de hoje precisa ser:

  • Técnico ✔
  • Experiente ✔
  • Consciente de segurança moderna ✔✔✔

Porque o jogo mudou:

O ataque não vem mais pelo JCL…
Vem pelo clique do usuário.


🚀 Provocação Final

👉 Você revisa seu código COBOL com atenção extrema.

Mas…

Você já revisou o ambiente onde esse código é acessado?


domingo, 15 de dezembro de 2024

🎨🐾 Como desenhar Kemonomimi sem virar Furrypocalypse

 

Bellacosa Mainframe introduz o kemonomimi

🎨🐾 Como desenhar Kemonomimi sem virar Furrypocalypse 

Um guia de sobrevivência estética para quem ama orelhinhas, mas teme o abismo do furryverse.


🧠 Introdução: o perigo é real

Todo artista que já tentou desenhar uma nekomimi (garota de orelhas de gato) passa pelo mesmo dilema:

“Estou criando uma personagem moe fofa... ou uma candidata a fanfic no DeviantArt 2008?”

A fronteira entre kemonomimi (獣耳 — orelhas de animal) e furry total é tão fina quanto um fio de bigode digital.
E cruzá-la, sem querer, pode te jogar no Furrypocalypse — um território cheio de olhares julgadores, pelagem hiper-realista e suores frios de vergonha artística.

Mas calma.
O El Jefe Midnight Lunch preparou o guia definitivo pra manter o seu traço no lado kawaii da força.


🐾 1️⃣ Entenda o conceito: kemonomimi ≠ furry

TermoOrigemCaracterísticasExemplo
KemonomimiJapão (anime/mangá)Humanos com toques animais — orelhas, rabinho, instintoFelicia, Blake Belladonna, Holo
FurryCultura ocidentalAntropomorfismo total — corpo animal, mente humanaZootopia, Beastars, fandom furry

👉 Regra de ouro:

Kemonomimi ainda é 90% humano.
Furry já virou National Geographic.

Se o focinho começa a tomar metade do rosto… você já cruzou a fronteira. 😬


✏️ 2️⃣ Anatomia da orelhinha perfeita

A nekomimi clássica tem proporções equilibradas:

  • 🧍‍♀️ Corpo humano completo

  • 🐱 Orelhas no topo da cabeça, pequenas e expressivas

  • 🐾 Rabo estilizado (opcional, mas adiciona pontos de fofura)

  • 👁️ Olhos grandes e vivos — o foco é o rosto, não a pelagem

💡 Dica de ouro:
As orelhas reagem às emoções. Elas são o “emote físico” do personagem:

  • levantam → alegria

  • baixam → tristeza

  • giram → curiosidade

  • tremem → vergonha (modo tsundere ativado)


🎨 3️⃣ Estilo visual: o equilíbrio entre o selvagem e o moe

O segredo está no contraste: animal no detalhe, humano na essência.

Use:
✅ traços suaves
✅ cores pastéis ou temáticas (cinza = gato, marrom = lobo)
✅ expressões exageradas (anime style!)

Evite:
❌ textura de pelos ultra-realista
❌ narizes felinos 3D
❌ proporções animalescas (músculos ou patas completas)

Se o seu personagem parecer que poderia participar de Aggretsuko, tudo bem.
Mas se parecer pronto pra Zootopia 2: o Retorno do Desejo Primata, volte duas camadas no Photoshop.


💡 4️⃣ Inspiração histórica

Os kemonomimi vêm de uma longa linhagem estética japonesa:

  • Urusei Yatsura (Lum, 1978) — o nascimento da alien moe de orelhinhas.

  • Tokyo Mew Mew (2002) — meninas mágicas com DNA animal.

  • Spice and Wolf (2008) — prova de que uma loba pode ensinar economia e roubar corações.

Esses designs não buscam realismo: são símbolos.
A orelha e o rabo são metáforas visuais do instinto, da doçura e da emoção.


🧩 5️⃣ Como não ser cancelado pelo seu próprio fandom

Dica 1: Evite “realismo anatômico” — o público moe quer emoção, não documentário da BBC.
Dica 2: Trabalhe poses expressivas — o kemonomimi comunica com o corpo (e o rabo ajuda).
Dica 3: Use sons e onomatopeias — um “nyan~”, “wan~” ou “gao~” bem colocado é meio traço a mais de carisma.
Dica 4: Menos é mais. Um simples acessório (orelhas + fitas) já conta toda a história.


🧃 6️⃣ E se quiser flertar com o limite…

Alguns artistas brincam com a fronteira entre kemonomimi e furry, e tudo bem — desde que o design fale primeiro.
Quer testar o limite?

  • Adicione traços híbridos (olhos felinos, garras leves)

  • Mas mantenha a estrutura humana e linguagem anime

  • Pense em termos de charme, não fauna

O segredo é o subtexto moe: o animal é tempero, não prato principal 🐾


☕ Epílogo do El Jefe

“Desenhar kemonomimi é como cozinhar ramen — fácil de começar, difícil de dominar.
Coloque emoção demais e vira drama. Pelagem demais e vira documentário.
O ponto perfeito? Aquele onde o espectador diz ‘kawaii’ antes de pensar ‘biologicamente impossível’.”

Então desenhe.
Faça orelhas. Faça rabinhos. Faça o instinto virar estética.
Mas lembre-se:

Não deixe o seu nyan~ virar rawr uwu apocalypse.

sábado, 14 de dezembro de 2024

JSON em COBOL no IBM Z: O Holocron das APIs Modernas

 

Bellacosa Mainframe COBOL com JSON

JSON em COBOL no IBM Z: O Holocron das APIs Modernas

Como um Linguagem Criada em 1959 Aprendeu a Conversar com APIs, Mobile, Open Banking e a Nuvem

Por muitos anos, o universo COBOL parecia limitado a arquivos VSAM, DB2, IMS, CICS, JCLs e relatórios batch executados silenciosamente nos datacenters. Entretanto, a transformação digital trouxe novos desafios e uma nova linguagem passou a dominar a comunicação entre aplicações modernas: JSON (JavaScript Object Notation).

Hoje, smartphones, microsserviços, OpenShift, Open Banking, PIX, aplicações em nuvem e plataformas de inteligência artificial utilizam JSON como principal formato de intercâmbio de informações. E o mais interessante é que o Enterprise COBOL para IBM Z evoluiu para participar naturalmente desse ecossistema.

Com a introdução das instruções JSON PARSE e JSON GENERATE no Enterprise COBOL 6.x, programas COBOL passaram a compreender, produzir e consumir documentos JSON de forma nativa, eficiente e segura, permitindo a integração com APIs REST, IBM MQ, Kafka, z/OS Connect e arquiteturas modernas baseadas em eventos.

Esta série especial Bellacosa Mainframe apresenta uma jornada completa para o jovem Padawan COBOL compreender desde os conceitos básicos até técnicas avançadas utilizadas por especialistas IBM Z.


📖 Capítulo 1 – O Despertar do JSON

Quando o Padawan Descobre que COBOL Pode Falar a Linguagem das APIs

Neste primeiro holocron, exploramos os fundamentos do JSON, sua história, a chegada do suporte nativo ao Enterprise COBOL, diferenças entre JSON e XML, conceitos de UTF-8 e EBCDIC, além dos primeiros exemplos utilizando JSON GENERATE.

➡️ https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2024/07/json-em-cobol-no-ibm-z-o-holocron-das.html


📖 Capítulo 2 – JSON PARSE

Quando o Padawan Aprende a Transformar Texto em Estruturas COBOL

Aqui mergulhamos na instrução JSON PARSE, aprendendo a converter documentos JSON em estruturas COBOL, trabalhar com objetos aninhados, vetores utilizando OCCURS, tratar exceções, validar payloads recebidos e compreender os desafios relacionados à segurança e ao processamento de grandes volumes de dados.

➡️ https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2024/09/json-em-cobol-no-ibm-z-o-holocron-das.html


📖 Capítulo 3 – JSON GENERATE

Quando o Padawan Aprende a Construir APIs REST com COBOL

No terceiro capítulo, estudamos JSON GENERATE, recursos como SUPPRESS, NAME OF, tratamento de campos opcionais, construção de respostas para APIs REST, geração de payloads PIX e Open Banking, além de recomendações de desempenho e proteção contra exposição acidental de informações sensíveis.

➡️ https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2024/10/json-em-cobol-no-ibm-z-o-holocron-das.html


📖 Capítulo 4 – JSON Jedi Master

z/OS Connect, MQ, Kafka, OpenShift, OWASP e as Técnicas Jedi do IBM Z

No capítulo final, elevamos o nível de conhecimento para arquiteturas corporativas modernas. Exploramos o papel do z/OS Connect, integração com IBM MQ, Kafka, OpenShift, APIs de alto desempenho, conceitos da OWASP API Top 10, estratégias de observabilidade, segurança, escalabilidade e as melhores práticas adotadas por equipes especializadas em IBM Z.

➡️ https://eljefemidnightlunch.blogspot.com/2024/11/json-em-cobol-no-ibm-z-o-holocron-das.html


O Conselho Final do Mestre Bellacosa

Durante décadas, disseram aos desenvolvedores COBOL que sua missão terminava em arquivos sequenciais e terminais verdes. O JSON mostrou exatamente o contrário. Ele permitiu que programas escritos há décadas passassem a conversar com smartphones, microsserviços, aplicações em nuvem e plataformas digitais espalhadas por toda a galáxia tecnológica.

COBOL não precisou abandonar sua robustez, estabilidade ou capacidade de processar milhões de transações por segundo. Ele apenas aprendeu um novo idioma.

E talvez esta seja a maior lição deste Holocron:

COBOL não é uma tecnologia do passado.

COBOL é um veterano experiente que aprendeu a falar a língua do futuro.

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

O Café com Gosto de Saudade Enquanto o Tempo Voa

Bellacosa Mainframe e saudade enquanto vejo o tempo passar

 ☕ Um Café no Bellacosa Mainframe

O Café com Gosto de Saudade Enquanto o Tempo Voa

Ou: quando o ano da infância demorava uma eternidade, a vida adulta virou processamento em lote, os boletos assumiram o calendário — e uma velha amiga chamada Lili continuou chamando seu capitão muito depois de o canal ter sido encerrado

Há uma conspiração envolvendo o tempo que ninguém nos explica quando somos crianças.

Talvez porque nenhuma criança acreditasse.

Aos oito anos, um ano não era uma unidade de medida. Era uma cordilheira. Um território imenso, dividido por acontecimentos que pareciam separados por eras geológicas: aniversário, Páscoa, férias de julho, Dia das Crianças e Natal.

Quando janeiro começava, dezembro ficava do outro lado do universo conhecido.

Era preciso atravessar uma nova série escolar, conhecer outra professora, encapar cadernos, copiar matéria, fazer lição de casa, estudar para provas, montar trabalhos em grupo e descobrir que “trabalho em grupo” significava uma criança trabalhando enquanto quatro colegas contribuíam com cartolina, cola, confusão e desaparecimento estratégico.

Cada bimestre parecia uma administração presidencial completa.

A professora anunciava:

— A prova será na próxima semana.

E a próxima semana levava aproximadamente três anos para chegar.

Depois vinha a espera pelo aniversário. Os dias eram riscados no calendário um a um. Faltavam vinte, dezenove, dezoito… O relógio parecia carregado por funcionários públicos romanos, transportando cada minuto em carrinhos individuais.

A ampulheta trabalhava honestamente.

Grão por grão.

Então crescemos.

Em algum momento, sem qualquer comunicado oficial, alguém substituiu a ampulheta por um processador paralelo.

Piscamos os olhos e chegaram as férias.

Piscamos novamente e apareceu o décimo terceiro.

Entramos num projeto, participamos do kickoff, discutimos escopo, cronograma, riscos e dependências. Alguém abriu uma apresentação com quarenta e sete slides explicando que tínhamos tempo suficiente.

Duas reuniões depois, o líder surgiu com os olhos arregalados:

— Gente, gente, precisamos dar um gás. A implantação é na semana que vem.

Como assim, semana que vem?

O kickoff não foi ontem?

Não. O kickoff aconteceu seis meses atrás. Entre uma conferência, uma homologação, três mudanças de requisito e quarenta reuniões que poderiam ter sido e-mails, o tempo executou um SORT FIELDS=COPY e transferiu metade do ano para algum volume que ninguém consegue mais localizar.

Na meia-idade, a transformação finalmente se completa.

O calendário deixa de ser marcado por festas, férias ou projetos.

Passa a ser controlado por boletos.

Dia 1.

Dia 15.

Dia 20.

Dia 25.

Dia 27.

Eles aparecem com tamanha frequência que às vezes olhamos para uma conta e pensamos:

— Porra, mas eu já paguei isso.

Durante meio segundo, imaginamos uma cobrança duplicada, um erro bancário ou uma fraude sofisticada envolvendo uma organização criminosa especializada em contas de energia.

Então consultamos o aplicativo e descobrimos a verdade mais ofensiva:

Nós realmente pagamos.

Mas foi no mês passado.

Outro mês inteiro passou enquanto estávamos olhando para outro lado.

O relógio cuco do capitalismo

O boleto é o relógio cuco da vida adulta.

Periodicamente, ele põe a cabeça para fora da parede e anuncia:

CUCO! VOCÊ CONSUMIU MAIS UM PEDAÇO DA SUA EXISTÊNCIA!

Não interessa se o mês teve trinta ou trinta e um dias. Não interessa se enfrentamos uma crise, concluímos um curso, escrevemos um artigo, começamos uma dieta ou juramos que finalmente organizaríamos aquela gaveta.

O boleto retorna.

Pontual, impassível e rejuvenescido.

Nós envelhecemos. Ele não.

Talvez os boletos sejam os únicos objetos conhecidos capazes de atravessar o espaço-tempo sem sofrer dilatação relativística. Einstein deveria ter incluído uma conta de condomínio em seus experimentos mentais.

Mas essa aceleração não acontece apenas porque ficamos mais velhos.

Quando temos dez anos, um ano representa 10% de toda a vida que conhecemos. Aos cinquenta, corresponde a menos de 2%. A mesma duração ocupa uma proporção muito menor da nossa biografia.

Existe também a maneira como o cérebro arquiva os acontecimentos.

A infância é cheia de primeiras vezes: a primeira professora, o primeiro amigo, a primeira excursão, a primeira bicicleta, o primeiro beijo, o primeiro cachorro, a primeira vez em que somos escolhidos por último para o time e descobrimos que a meritocracia termina quando alguém entrega uma bola a duas crianças populares.

Novidade produz memória.

Memória produz marcos.

Marcos fazem o passado parecer extenso.

A rotina adulta, entretanto, é um gigantesco processamento em lote:

LER E-MAIL
TRABALHAR
PAGAR CONTA
COMPRAR CAFÉ
PARTICIPAR DE REUNIÃO
DORMIR
REPEAT UNTIL FIM-DOS-TEMPOS

Como muitos dias se parecem, o cérebro não os conserva individualmente. Ele aplica compactação.

Trinta dias entram no arquivo.

Três lembranças saem.

Depois consultamos o diretório da memória, encontramos poucos registros e concluímos:

— Este mês passou voando.

O tempo talvez não tenha acelerado.

Fomos nós que deixamos de enxergar seus grãos.

As pessoas que saíram antes do fechamento

Mas existe outra mudança muito mais difícil de aceitar.

Na infância, quase todas as pessoas parecem permanentes.

Pais, professores, vizinhos, colegas, tios, avós e amigos habitam o mundo como se fossem parte de sua infraestrutura. Mesmo quando alguém muda de escola, de bairro ou de cidade, imaginamos que continua vivendo normalmente em algum bastidor, aguardando uma próxima aparição.

É como uma personagem que saiu de cena, mas permanece contratada pela série.

Na meia-idade, começamos a compreender que nem todos retornarão na próxima temporada.

Algumas pessoas desaparecem aos poucos. Mudam de emprego, vão morar longe, deixam de telefonar. A amizade não termina numa briga nem numa cerimônia. Apenas passa a ocupar intervalos maiores.

Outras continuam próximas apesar da distância.

E algumas partem definitivamente.

O aspecto mais cruel é que quase nunca sabemos quando estamos diante de alguém pela última vez.

Não há música triste.

Não há câmera lenta.

Nenhum operador envia uma mensagem:

WTOR IEC999I
ATENÇÃO, CAPITÃO:
ESTA É A ÚLTIMA CONVERSA.
DESEJA PROSSEGUIR? S/N

A última vez chega disfarçada de dia comum.

Uma ligação.

Um café.

Uma mensagem de aniversário.

Uma risada no WhatsApp.

Somente depois ela recebe esse nome.

Lili entra no programa

Lilian Yumi — a Lili — entrou nesta história em 1997, nos corredores do programa de trainees do Banco Real, depois de um sorteio de amigo secreto e por fim trabalhando quase 4 anos juntos num mesmo sistema.

Certas amizades começam com grandes afinidades filosóficas.

Outras começam porque alguém colocou dois nomes em pedaços de papel.

A amizade atravessou quase três décadas.

Durante cerca de cinco anos, trabalhamos frente a frente, no meio da turbulência envolvendo Banco Real e ABN AMRO. Era um período de sistemas, pressões, mudanças, café, decisões, conversas e aquela sensação muito conhecida de que uma organização inteira estava sendo modificada enquanto as pessoas tentavam continuar trabalhando como se tudo estivesse perfeitamente normal.

Lili era intensa.

Escorpiana no modo ON FIRE.

Ela me chamava de Capitão, como era conhecido pelos colegas trainnes, pois brincavamos de USS Enterprise em meios aqueles velhos 3270 na Rua 24 de Maio no centro de São Paulo.

E possuía um método próprio de gerenciamento de estresse que provavelmente não seria aprovado por nenhum departamento moderno de Recursos Humanos.

Às vezes aplicava um cascudo.

Em outras ocasiões, um beliscão no braço.

Havia também reguadas e até chutes na canela registrados na documentação histórica.

Tudo acompanhado por um lindo sorriso e pela explicação técnica:

— Precisava descomprimir.

Eu era, aparentemente, uma espécie de válvula humana para alívio de pressão operacional.

Hoje, uma consultoria chamaria aquilo de “estratégia presencial de liberação rápida de tensão em ambiente de missão crítica”. Na época, era simplesmente Lili castigando o capitão e voltando satisfeita ao trabalho.

Mas nossa amizade não vivia apenas dessas pequenas agressões afetivas.

Havia a máquina de café.

Os origamis.

A surpresa dela ao me ver usando hashi.

A enorme bola de wasabi — um artefato culinário capaz de abrir todos os canais respiratórios e talvez estabelecer contato direto com os antepassados.

Havia o Buscopan em gotas e o aviso de mau humor.

A brincadeira dos quase vinte “porquês”.

A troca de livros.

E aquelas conversas malucas que parecem não ter importância quando acontecem, mas décadas depois se revelam parte fundamental da arquitetura de uma vida.

Nós raramente percebemos quais momentos estão sendo gravados no arquivo permanente.

Do processamento on-line para o assíncrono

Depois do Banco Real, não deixamos simplesmente de existir um para o outro.

Ainda nos encontramos algumas vezes antes de ela partir para o Canadá.

Depois vieram os e-mails.

Mais tarde, as conversas pelo WhatsApp.

A amizade mudou de infraestrutura, mas o canal continuou aberto.

Saímos do processamento on-line — cinco anos trabalhando frente a frente — para uma comunicação assíncrona atravessando fronteiras. As mensagens podiam levar algum tempo. Os encontros tornaram-se raros. Mas bastavam algumas palavras para recuperar aquela intimidade construída no banco.

Amizades verdadeiras possuem compatibilidade retroativa.

Você pode trocar de cidade, país, emprego, cabelo, telefone, sistema operacional e até opinião sobre algumas coisas. Quando a conversa recomeça, o protocolo ainda funciona.

No ano em que Lili partiu, conversamos no meu aniversário.

Demos risada.

Era apenas mais uma conversa entre duas pessoas que haviam atravessado décadas carregando uma coleção particular de histórias.

Quem poderia imaginar que, meses depois, chegaria a triste notícia?

O cérebro volta à última conversa procurando algum sinal.

Uma frase diferente.

Uma pausa.

Um presságio escondido entre as palavras.

Qualquer aviso de que aquela janela não seria aberta novamente.

Mas provavelmente não havia nada.

Havia somente uma conversa de aniversário e duas pessoas rindo porque ambas imaginavam, como naturalmente imaginamos, que outras conversas aconteceriam.

A última vez só se torna a última vez retroativamente.

Enquanto acontece, é apenas a vida.

Nenhum botão para salvar a sessão

Talvez essa seja uma das descobertas mais brutais da maturidade: frequentemente nos despedimos sem saber que estamos nos despedindo.

Dizemos “até mais” quando não haverá mais.

Fechamos uma janela acreditando que poderemos abri-la novamente.

Deixamos uma mensagem para responder depois.

Adíamos uma visita.

Não porque não amamos aquela pessoa, mas porque o futuro sempre parece conter espaço suficiente.

O amanhã é o maior fornecedor de capacidade computacional imaginária da humanidade.

Amanhã telefonamos.

Amanhã encontramos.

Amanhã tomamos café.

Amanhã contamos aquela história.

Até o dia em que o sistema informa que o recurso não está mais disponível.

Não existe botão para restaurar a sessão.

Isso não significa que devamos viver aterrorizados, tratando cada conversa como uma despedida fúnebre. Seria impossível e até cruel. A beleza de muitas relações está justamente na naturalidade: poder rir sem imaginar que estamos produzindo uma lembrança histórica.

Mas talvez possamos prestar um pouco mais de atenção.

Responder uma mensagem.

Fazer aquela ligação.

Tomar aquele café.

Dizer o que precisa ser dito enquanto o canal continua aberto.

Não para derrotar o tempo.

Apenas para deixar menos jobs importantes aguardando na fila.

A memória descomprime o arquivo

E aqui aparece uma ironia que parece escrita por algum roteirista especialmente atento aos detalhes.

Lili dizia:

— Precisava descomprimir.

Décadas depois, é exatamente isso que a memória faz.

Ela encontra um arquivo antigo, aparentemente esquecido entre milhares de registros, e começa a descomprimi-lo.

De repente retornam a voz, o sorriso, os origamis, a máquina de café, o wasabi, o hashi, o Buscopan, os “porquês”, os livros, as conversas e o cascudo que provavelmente chegou sem qualquer aviso de segurança.

Por alguns segundos, o Canadá desaparece.

O tempo desaparece.

A notícia triste desaparece.

Estamos novamente no banco.

Ela olha para mim.

— Capitão.

E algum gesto vem logo em seguida.

Não é imaginação no sentido de fabricar algo que nunca existiu. É a memória reconstituindo uma presença a partir dos registros que sobreviveram.

Pessoas importantes deixam pequenos programas residentes em nós.

Elas alteram nosso vocabulário, nossos hábitos, nossas referências e a maneira como reagimos a determinadas palavras. Depois que partem, continuam sendo executadas em situações inesperadas.

Uma música toca.

Um aroma aparece.

Alguém dobra um papel.

Uma pessoa usa hashi.

Outra exagera no wasabi.

E o programa residente acorda.

Lili não existe apenas nas grandes datas. Está preservada na palavra “capitão” de uma maneira que ninguém mais conseguiria pronunciar exatamente igual.

Essa talvez seja a forma mais profunda de permanência disponível aos seres humanos.

O café com gosto de saudade

O café da juventude era combustível.

O café do trabalho era uma pequena rebelião contra o expediente, uma desculpa para abandonar a cadeira e conversar cinco minutos diante de uma máquina que produzia uma bebida de qualidade duvidosa.

O café da maturidade contém outras coisas.

Tem gosto de lugares que mudaram.

De empresas que trocaram de nome.

De salas desmontadas.

De amigos espalhados pelo mundo.

De gente que prometeu aparecer e nunca apareceu.

De pessoas que apareceram na hora errada.

E de pessoas que, mesmo partindo cedo demais, chegaram no momento exato para se tornar parte de nós.

É um café com gosto de saudade.

Saudade não é apenas tristeza. É a evidência de que alguma coisa foi importante o suficiente para deixar uma ausência.

Sentimos saudade porque houve presença.

Porque houve riso.

Porque houve amizade.

Porque alguém nos chamou por um nome que parecia comum na época e se tornou insubstituível depois.

Como impedir que a vida passe sem deixar log

Não podemos fazer o tempo voltar à velocidade da infância.

Os aniversários continuarão chegando mais depressa.

Os projetos continuarão começando com cronogramas confortáveis e terminando com alguém gritando que precisamos “dar um gás”.

Os boletos continuarão surgindo nos dias 1, 15, 20, 25 e 27 com a regularidade de um relógio atômico mal-intencionado.

Também não podemos impedir todas as despedidas.

Mas podemos lutar contra a compactação excessiva da existência.

Podemos aprender alguma coisa nova.

Viajar.

Escrever.

Telefonar.

Ouvir uma história até o fim.

Guardar uma fotografia.

Responder a um amigo.

Criar pequenos marcos que obriguem o cérebro a registrar que aquele mês não foi somente mais uma execução do mesmo job.

E podemos contar histórias sobre quem partiu.

Não para transformar pessoas em personagens perfeitos, mas para preservar justamente suas imperfeições maravilhosas: o cascudo, o beliscão, o chute na canela, o excesso de wasabi, o mau humor anunciado pelo Buscopan e a necessidade absolutamente inexplicável de descomprimir em cima do capitão.

Enquanto essas histórias forem contadas, o tempo não terá conseguido levar tudo.

Epílogo — Ainda em execução

Talvez o verdadeiro problema da meia-idade não seja perceber que o tempo passa depressa.

É descobrir que ele sempre esteve passando e que, durante muitos anos, acreditamos possuir uma quantidade ilimitada dele.

Na infância, esperávamos o Natal.

Na juventude, esperávamos o futuro.

Na vida profissional, esperávamos a implantação.

Agora esperamos o próximo boleto — e tentamos lembrar se já pagamos o anterior.

Mas, entre um vencimento e outro, às vezes uma pessoa retorna.

Não fisicamente.

Retorna em uma frase, numa risada, numa lembrança que atravessa décadas e abre a porta do datacenter sem apresentar crachá.

Lili apareceu novamente enquanto falávamos sobre a velocidade do tempo.

Veio do Banco Real, passou pelo Canadá, atravessou e-mails, mensagens, aniversários e anos inteiros. Aproximou-se do console, olhou para aquele homem de meia-idade tentando entender para onde foram todos os meses e chamou:

— Capitão.

Talvez tenha dado um cascudo.

Talvez apenas tenha sorrido.

A memória nem sempre precisa escolher.

O importante é que, por alguns instantes, ela esteve aqui.

O boleto marca o mês que chegou.

A saudade marca a pessoa que não volta.

E o café, esfriando ao lado do teclado, guarda os dois: a pressa absurda do tempo e a permanência inexplicável do afeto.

No fim, talvez não exista uma maneira de desacelerar a viagem.

Mas existe uma forma de não desaparecer completamente durante o percurso:

deixar histórias nos outros.

Lili deixou.

O job terminou há algum tempo.

O programa continua em execução.

Vagner Renato Bellacosa, IBM Champion e especialista em IBM Mainframe
IBM Z17 SYSTEM ONLINE
Sobre o autor

Vagner Renato Bellacosa

IBM Champion 2026 • Especialista em IBM Mainframe

Vagner Renato Bellacosa trabalha com IBM Mainframe desde 1988 , é IBM Champion e especialista em COBOL, CICS, Db2, z/OS e IBM Z. Compartilha experiências profissionais, conhecimento técnico, história da computação e práticas do universo mainframe para aproximar novas gerações das tecnologias que sustentam empresas, bancos e governos ao redor do mundo.

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